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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Nota de Falecimento: Wilhelm Lehner


Wilhelm Lehner
(07/11/1914 - 19/07/2012)

Faleceu no último dia 19 de julho em Fischach, Alemanha, de causas naturais aos 97 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro Oberleutnant Wilhelm "Willi" Lehner.

Nascido em Fischach, perto de Augsburg, na Bavária, Lehner alistou-se no Exército Alemão sendo designado para o 40º Regimento de Infantaria, aquartelado em Augsburg. O regimento era então parte da 27ª Divisão de Infantaria, e foi com essa unidade que ele acabou tomando parte na invasão da Polônia em setembro de 1939.

No ano seguinte, Lehner também participou dos combates na França e Luxemburgo, junto ao Grupo de Exércitos A do Generalfeldmarschall Gerd von Rundstedt. Na segunda parte da campanha, lutou no Somme, logo chegando ao rio Sena e depois ao Loire. Em outubro de 1940, a divisão foi transformada em 17ª Divisão Panzer, e o pelotão de infantaria de Lehner passou acompanhar os tanques em seus avanços. Durante a Operação Barbarossa, a 17ª Panzer foi anexada ao Grupo de Exércitos Centro do Generalfeldmarschall Fedor von Bock, avançando contra Smolensk e depois Tula. Em 1942 a divisão combateu em Orel, sendo transferida para o Don em dezembro, como reforço após a contra-ofensiva soviética em Stalingrado.

Agora elevado a 40º Regimento Panzergrenadier, a unidade de Lehner foi transferida para a cidade de Isjum, às margens do rio Donets, onde fizeram frente às forças soviéticas que avançavam após a vitória em Stalingrado. Em 5 de abril de 1943, o 5º Pelotão, comandado pelo Feldwebel Willi Lehner, foi designado para proteger a elevação conhecida como cota 173, tendo ao lado o restante das 5ª e 7ª Companhias. Em sua frente, estavam dois batalhões soviéticos reforçados com artilharia de grosso calibre. Com ímpeto, os soviéticos avançaram contra as posições alemãs, praticamente varrendo as duas companhias, flanqueando a cota 173 e cortando o 5º Pelotão do restante dos efetivos. Sozinho com seu pelotão, Lehner recebeu por rádio suas ordens: "Este ataque deve ser parado!"

Ele então iniciou a preparação do pelotão para resistir aos soviéticos, enquanto eram constantemente bombardeados pela artilharia naquela noite. No raiar da manhã do dia 6, a infantaria russa iniciou sua primeira tentativa de subir a cota 173, sendo recebida pelos morteiros e as seis metralhadoras MG 42 de Lehner - com pesadas perdas, o inimigo teve que recuar. Durante todo o dia, um total de 7 ataques soviéticos foram repelidos pelos já exaustos soldados do pelotão, que tinham uma média de 19 anos de idade. Após passar mais uma noite sob intenso bombardeio, na manhã do dia 7 de abril reforços da Wehrmacht chegaram, contra-atacando os soviéticos em suas posições e eliminando completamente os dois batalhões inimigos. A posição alemã no Donets manteve-se graças à tenaz resistência de Lehner, e por tal ação ele foi agraciado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 7 de julho daquele ano, no quartel-general de Augsburg, pelo Generalleutnant Oskar Blümm. Seu pai e sua esposa estiveram presentes na cerimônia.

Sendo em seguida encaminhado para a Escola de Oficiais, ele foi comissionado Leutnant, retornando aos combates na frente leste. Willi Lehner ainda foi promovido a Oberleutnant, vindo a se render aos americanos na Tchecoslováquia em maio de 1945.

Lehner é condecorado com a Cruz do Cavaleiro pelo Generalleutnant Oskar Blümm.

Após sua condecoração, passando em revista à tropa no QG em Augsburg.

Willi Lehner é homenageado em sua cidade natal de Fischach.

Meus agradecimentos ao amigo Philippe Bastin pela dica!

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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Nota de Falecimento: Tomas Sedlacek


Tomas Sedlacek
(08/01/1918 - 27/08/2012)

Faleceu no último dia 27 de agosto em Praga, na República Tcheca, de causas naturais aos 94 anos de idade, o membro da resistência tchecoslovaca General-de-Exército Tomas Sedlacek.

Nascido em Viena, ele era o mais novo de quatro irmãos, filho de um oficial do exército Austro-Húngaro. Largando os estudos aos 16 anos, ele imediatamente ingressou num curso de treinamento de oficiais. Comissionado Tenente da Artilharia, participou da mobilização nacional de 1938, que precedeu a ocupação alemã dos Sudetos. Em março de 1939, Hitler ordenou a ocupação do restante da Tchecoslováquia, e Sedlacek fugiu do país.

Utilizando a "rota dos Bálcãs" - passando por Eslováquia, Hungria, Iugoslávia, Grécia, Turquia e Líbano - ele chegou à França, sendo designado para a 1ª Divisão de Infantaria Tchecoslovaca. Contudo, com a derrota francesa no verão de 1940, Sedlacek novamente teve que fugir, desta vez para a Inglaterra. Lá, foi integrado à Brigada Mista Tchecoslovaca, participando de diversos cursos de capacitação militar, inclusive o de paraquedista. Em 1944 foi um dos oficiais classificados para embarque para a União Soviética, onde foi integrado à 2ª Brigada Paraquedista Tchecoslovaca.

Com esta unidade, Sedlacek participou da sangrenta Batalha do Passo de Dukla a partir de 8 de setembro de 1944. O Passo de Dukla fica na fronteira entre a Polônia e a Eslováquia, e foi pesadamente defendido pelos alemães, que mostraram uma resistência muito maior do que o esperado pelos soviéticos. Quase não houve ganho de terreno, e as baixas somaram 200.000 no total. Sedlacek então saltou de paraquedas sobre a Eslováquia para tomar parte no Levante Nacional Eslovaco, no qual forças insurgentes tentaram derrubar o governo do Monsenhor Jozef Tiso, aliado da Alemanha. Contudo, no fim de outubro o levante acabou esmagado por forças alemãs, devido à negativa de Stalin em autorizar ajuda aos insurgentes nacionais. A resistência eslovaca continuou em forma de guerrilha até o fim da guerra.

Com a reintegração da Tchecoslováquia, Sedlacek foi promovido a Major e integrado à Academia Militar de Praga. Em 1948, tornou-se chefe de estado-maior da 11ª Divisão de Infantaria em Pilsen e, no ano seguinte, passou a lecionar no Instituto Militar de Praga.

Uma mudança brusca em seu destino veio em 22 de fevereiro de 1951, quando o governo comunista da Tchecoslováquia o acusou de traição e espionagem, torturando-o e condenando-o a prisão perpétua. "Quando escutei a sentença naquele julgamento-circo, eu tive que rir. Era tão incrivelmente absurda que não podia ser levada a sério. Mas era sério. Fui sentenciado juntamente com um dos meus subordinados, Josef Kucera. Infelizmente, o promotor recorreu de sua sentença e ele foi enforcado. Só tive um rápido relance do meu amigo antes que eles o executassem", lembrou-se Sedlacek.

Ele permaneceu na prisão até 11 de maio de 1960, trabalhando com construção civil até aposentar-se. Sedlacek somente foi reabilitado em 1989, com a queda do comunismo. Ele foi promovido a Tenente-General em 1999, recebendo a Ordem de Milan Rastislav Stefanik e a Ordem de Tomas Garrigue Masaryk. Em 14 de novembro de 2008, Sedlacek foi elevado à mais alta patente militar tcheca, General-de-Exército.

Sedlacek comemora seus 90 anos, 8 de janeiro de 2008.

General Tomas Sedlacek.


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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Arma pessoal de Goering vai a leilão nos Estados Unidos



Foi um momento-chave no fim da Segunda Guerra Mundial.

Hermann Goering, ex-comandante da Luftwaffe – fugindo da SS que tinha ordens de capturá-lo – entregou sua pistola folheada a ouro para um soldado Aliado e se rendeu.

O Tenente Jerome Shapiro recebeu a arma em uma estrada da Áustria em maio de 1945. 67 anos depois, ela está sendo posta a venda em leilão, e espera-se conseguir 50 mil dólares na peça.

Shapiro, um americano, abordou Goering enquanto ele fugia da Alemanha em seu Mercedes à prova de balas com bagagens presas ao teto. Goering então apresentou a Shapiro sua pistola Walther PPK e adaga cerimonial.

Quando Shapiro morreu na década de 1970, sua viúva deu a pistola a um amigo de seu falecido marido, que por sua vez vendeu-a 20 anos depois a um colecionador.

A arma agora vai a leilão nos Estados Unidos no próximo mês de outubro.

Hitler e Goering.
A decisão de Goering de render-se veio após Hitler ordenar à SS que o executasse por tentativa de tomar o controle do Reich nos últimos dias de abril de 1945. Para se salvar, Goering foi até as linhas inimigas na Áustria.

O leiloeiro James Julia disse que a arma é um item de militaria altamente importante, sendo o folheado a ouro decorado com folhas de carvalho, que eram vistas como símbolos de força na Alemanha.

Shapiro e um soldado foram enviados de jipe ao encontro de Goering, encontrando-o em Radstadt, na Áustria.

Goering também tinha consigo um revolver Smith & Wesson que ele disse querer manter para sua rendição formal ao General Eisenhower. No entanto, ambas as armas foram entregues a Shapiro como parte de sua rendição na Áustria.

O Tenente Shapiro conseguiu ficar de posse da arma até o fim da guerra e retornou pra casa com ela. Ele visitava escolas da região com a arma e a mostrava para falar sobre a guerra”, disse Julia.

O leilão acontece nos Estados Unidos nos próximos dias 1 e 2 de outubro.

Fonte: Daily Mail, 24 de agosto de 2012.

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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Nota de Falecimento: György Michna


György Michna
(19/12/1921 - 25/08/2012)

Faleceu no último dia 26 de agosto em Budapeste, na Hungria, de causas naturais aos 90 anos de idade, o último dos ases húngaros, Coronel György Michna.

Nascido em Miskolc, Michna era um aluno mediano, que não se destacava em sala de aula em nenhuma disciplina, porém tinha uma aptidão notável para os esportes, obtendo diversos sucessos. Aos 16 anos, começou a voar planadores e recebeu seu brevê de voo a vela. Ao terminar os estudos, tentou ingressar na Força Aérea, mas uma crítica mal-direcionada ao seu comandante fez com que ele ficasse de fora por um ano.

Ingressando na escola de voo militar em 1941, Michna recebeu menções honrosas por seu desempenho no cockpit e, no ano seguinte, seguiu para a Academia de Oficiais. Em 20 de agosto de 1943 foi comissionado Tenente, seguindo diretamente para um curso de pilotagem de Messerschmitts no aeródromo de Börgönd. Michna dominou as características do caça alemão, tendo sido aluno de pilotos húngaros veteranos dos combates na União Soviética.

Em março de 1944 os alemães ocuparam a Hungria - que tentara negociar um armistício com os Aliados - e fizeram uma completa reorganização da defesa aérea do país. Desta medida resultou a criação da 101ª Ala de Defesa Aérea Nacional, os popularmente conhecidos "Pumas". Esta unidade se tornou uma espécie de "clube de ases" da Hungria, reunindo pilotos de vasta experiência. Voando os Messerschmitt Me 109G, os Pumas iniciaram uma temporada de combates contra a 15ª Força Aérea dos EUA no verão de 1944. Apesar de sofrer uma alta taxa de baixas, os húngaros derrubaram 15 Mustangs, 33 Lightnings e 56 bombardeiros quadrimotores americanos durante este período.

Michna abriu seu escore em 5 de novembro de 1944, quando interceptou uma formação de bombardeiros americanos retornando de Viena. Aproximando-se de um B-24 Liberator, Michna abriu fogo contra os motores e mandou o quadrimotor abaixo. Contudo, logo em seguida foi atacado por um Mustang; engajando o inimigo, ele gastou toda sua munição, e neste momento foi alvejado por mais dois caças americanos. Com seu Messerschmitt seriamente danificado, Michna teve que saltar de uma altura de 150 metros. Porém, seu paraquedas não abriu totalmente, e ele feriu-se gravemente ao chegar ao solo.

Contudo, apenas um mês depois ele já conseguia andar com uma bengala, e retornou ao cockpit, desta vez para enfrentar a Força Aérea Soviética. No dia 8 de dezembro, Michna destruiu um Yakovlev Yak-9 e um Lavochkin La-5. Em 19 de janeiro de 1945, outro Yak-9 caiu perante os canhões de seu Me 109G-6/U2. Ele tornou-se um ás em 12 de fevereiro, ao abater dois Yak-9s numa mesma missão. Já operando em território austríaco, sua última vitória viria em 20 de março, quando abateu seu quarto e derradeiroYak-9. Além de diversas condecorações húngaras, ele recebeu as duas classes da Cruz de Ferro alemã.

Os Pumas destruíram suas aeronaves restantes em 4 de maio de 1945, para impedir que caíssem em mãos inimigas. György Michna entregou-se para os americanos no dia seguinte, encerrando a guerra com 7 vitórias aéreas confirmadas. Libertado antes do fim do ano, Michna voltou para casa somente para ver que sua família havia sido presa pelo novo governo comunista da Hungria.

Em 1948 ele se tornou instrutor de voo, mas em 1950 foi terminantemente proibido de voar pelo governo. Felizmente, Michna havia feito um curso de motorista de caminhão, e por exercer este trabalho escapou da prisão. Em 1958, tornou-se motorista do cônsul indiano na Hungria, permanecendo neste trabalho por mais de 15 anos. Ele então foi preso e passou 3 anos encarcerado, apesar dos protestos da embaixada indiana. Quando saiu, trabalhou para uma empresa de transportes até aposentar-se.

A redenção de Michna viria somente com a queda do regime comunista da Hungria em 1989. Ele foi anistiado e promovido a Major (e posteriormente Coronel), sendo desde então considerado um heroi nacional. Tido como incansável, jovial e participativo, György Michna faleceu após uma breve enfermidade.

Ele deixa esposa e 3 filhos.

Tenente György Michna, 1943.

Coronel Michna (sentado, ao centro) junto de amigos em sua residência.

Messerchmitt Me 109G-6/U2 de György Michna. 1º Esquadrão Puma, Veszprém, Hungria - fevereiro de 1945.


A Sala de Guerra presta sua homenagem a este último guerreiro húngaro do rol dos ases da aviação. Fecha-se mais uma página da história.

Descanse em paz Coronel Michna!

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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Fotos incríveis da reencenação do Dia-D em Ohio



Com armas disparando, homens caindo no chão, um bombardeiro da Segunda Guerra sobrevoando e um tanque rodando pela cena, milhares de expectadores assistiram à maior reencenação anual do Dia-D, que acontece em Conneaut, Ohio.

Tido como “a mais realista e educativa reencenação do Dia-D”, inaugurada por um pequeno grupo de entusiastas em 1999, o evento no Lago Erie expandiu-se para 750 participantes e milhares de expectadores neste ano.

Os visitantes vêm de diversos estados para testemunhar a batalha de uma hora, completa com explosões de sacos de sangue e veículos militares autênticos, que levam os reencenadores pelo cenário.

O evento acontece com dois meses de atraso da data histórica de 6 de junho, bem como bem longe da locação original. “Incrivelmente, os 250 metros de praia e o terreno elevado lá perto lembram bastante a praia Omaha, na Normandia”, diz o website do evento.

Ao longo da praia, armas da Segunda Guerra foram exibidas, um tanque disparou em demonstração e os visitantes puderam visitar um acampamento alemão completo com guardas uniformizados.

Um B-25 Mitchell de 1945 totalmente restaurado também apareceu, fazendo sobrevôos sobre a multidão. Em terra, um tanque M4-A3 Sherman estava presente.

No esforço para manter as coisas o mais autêntico possível, o evento prevê uma série de regras para a vestimenta dos reencenadores, dependendo de seu papel na batalha. A lista contém de normas de uniforme até comprimento do cabelo.

As armas também são regulamentadas, mas para autenticidade histórica.

Nossa missão é educar o público sobre o sacrifício daqueles que lutaram e morreram nas praias da Normandia em 6 de junho de 1944”, disse a organização do evento. “Devemos encorajar a memória, honra e respeito pelos soldados Aliados e do Eixo na Segunda Guerra Mundial”.

Minha esposa não entende por que eu faço isso e eu digo a ela que é porque ela não passou pelas mesmas experiências que eu”, disse Mike Lavin, reencenador da Wehrmacht e veterano de combate americano que diz estar no hobby desde 1985.

Se você não esteve lá e participou dessas coisas, não é um livro que vai te fazer entender. Você tem que estar lá”, disse ele.

Mais de 90 veteranos da Segunda Guerra estiveram presentes no evento. “Isso permite que conectemos diferentes gerações e criemos momentos para que veteranos falem de suas experiências com suas famílias e com o público”, disse Betsy Bashore, uma das organizadoras.

Há vagas para participantes nas tropas americanas, britânicas, canadenses, polonesas, alemãs, resistência francesa, civis e médicos.

Fonte: Daily Mail, 19 de agosto de 2012.











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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Truk Lagoon – Um Notável Museu Submerso: Mergulhando em um bombardeiro G4M1 Betty



Era a nossa rotina em Truk. Cedo, todas as manhãs, o guia Erick afixava em um mural da sala dos mergulhadores na popa do SS Thorfinn a relação dos naufrágios e suas profundidades. Eram sempre cinco mergulhos diários que realizávamos ali no atol: quatro diurnos e um noturno.

Naquela manhã, mais ansioso do que curioso, vibrei ao verificar que o nosso 4º mergulho seria no naufrágio de um bombardeiro japonês Mitsubishi G4M “Betty”. O Erick, sabendo do meu gosto particular por aviões japoneses, azucrinava repetindo a cada momento:

Néstor, uhuuu, Betty bomber, Betty bomber!!!

Logo após o café, ficamos atentos ao briefing matinal do Capitão Higgs. O primeiro mergulho do dia sempre se iniciava com aquele de maior profundidade e seria no Rio de Janeiro Maru, um navio de forte apelo histórico, pois havia trazido ao Brasil nos anos 1930 boa parte da imigração japonesa.

Está adernado a boreste, com os seus 140 metros e quase 10.000 toneladas de deslocamento deitados no leito marinho. Ao que parece, o navio foi alcançado por duas bombas de 500 kg quando do ataque americano à base, em 17 de fevereiro de 1944, afundando na manhã seguinte.

Fico encantado com as informações que o capitão nos transmite. O Rio de Janeiro Maru foi construído em 1930 e era um belo navio de passageiros com oito cobertas. Foi requisitado pela Marinha Imperial japonesa em 1940 e transformado em embarcação de apoio a submarinos (submarine tender). Agora, 68 anos após o afundamento, seu costado de bombordo está a 26 metros da superfície. Mas isto era outra história.


Meu interesse se prendia no Betty. Logo, o Capitão Higgs projetou no telão o desenho do naufrágio do bombardeiro. Tudo indica que o avião foi abatido no dia do ataque, a Operação Hailstone, quando se preparava para aterrissar na pista da Ilha Eten. Mergulhou no mar a cerca de 130 metros da linha de praia, em um ponto a sudoeste da ilha. Minha nossa!

Estava mais para o final da tarde em Truk Lagoon quando partimos com a lancha de nossa base, o SS Thorfinn. Éramos três mergulhadores: o português Luís Mota, o guia trukês Erick e eu. O mar não estava muito calmo e soprava uma brisa morna com cheiro de terra. Em pouco tempo já manobrávamos no local do naufrágio e, como sempre, o guia localizava o ponto exato para lançar o ferro. Agora a lancha jogava, pois havia ondas um tanto incômodas e isto dificultava a colocação do equipamento.

Uma tralha infernal, pesada e desconfortável. Nós, seres terrestres, para penetrarmos no mundo subaquático, necessitamos vestir, calçar, morder, atar e/ou clipar todo este equipamento. É a roupa, nadadeiras, colete, mostradores, apêndices, máscara, etc, etc, e culmina com o pior: nove quilos de lastro de chumbo. Uma tortura do cacete, mas... Como vale a pena!

Entramos na água com um giro de costas. Sempre um arrepio ao percorrer aquele metro, uma queda cega da borda da lancha até a superfície. Reunimo-nos à popa e o guia já dá o comando de imergir. Mas como? É rápido demais para mim. Um tanto atrapalhado, com a preocupação de esquecer alguma coisa importante, confiro os instrumentos, verifico pela décima vez se a câmera fotográfica está clipada, prendo o painel de mostradores no mosquetão correto e giro a coroa do relógio de mergulho. Caço a traquéia do colete equilibrador e dreno o ar que escapa sibilando.


Então tudo fica azul. Meus companheiros já seguem mais abaixo e logo é possível ver a sombra do avião. É um momento muito esperado por mim, realmente emocionante. O mais famoso bombardeiro-torpedeiro japonês da Guerra do Pacífico. Minha nossa!

A fuselagem lembra um charuto, não afina em direção a cauda e isto é uma característica singular do Betty. Restabeleço a flutuabilidade neutra e nado perto da torre do artilheiro de ré. Está parcialmente desmantelada e pelo desenho do Capitão Higgs, deveria haver aqui, na areia ou sobre o profundor, um canhão de 20 mm.

Tinha um interesse especial em examinar esta arma de perto. Na realidade era uma cópia do Oerlikon, alimentado por um tambor com 60 cartuchos, flexível e atirando para trás. A partir de 1942 surgiu uma versão com tambor de 100 cartuchos. Atacar uma formação destes bombardeiros pela retaguarda era uma tarefa arriscada para os caças americanos. Uma só granada de alto-explosivo de 20 mm, bem colocada, poderia dar cabo de um Hellcat. Infelizmente não encontro o canhão, mas verifico que o grande leme vertical está caído ao lado da fuselagem, arrancado na sua junção com o corpo do avião. Não há marcas de balas da US Navy.

O leme do Betty.

O alumínio é gosmento, liso em algumas partes, cheio de vida marinha em outras. Esponjas, corais moles, ouriços e peixinhos por toda parte. Cardumes deles, sempre buscando proteção em qualquer reentrância ou sombra. Tenho comigo, no bolso do colete equilibrador, uma bandeira da Marinha Imperial e o plano de clicar uma foto na torre do artilheiro de dorso. Seria a glória suprema!




Sinalizo ao Luís e ao Erick a minha idéia e nado até a torre. Eles dizem que não. É difícil penetrar por fora e será necessário entrar no Betty e subir para a torreta. Nado até a lateral da fuselagem. Ali está uma janela em forma de bolha, muito semelhante a que o hidroavião patrulha americano Catalina tinha em cada bordo. Acredito que era a posição de uma metralhadora. Está aberta pela metade.

Roçando o meu cilindro, caçando as mangueiras e girando o corpo, consigo penetrar dentro do bombardeiro. É uma passagem apertada. Puxa vida, estou dentro de um Betty da II Guerra Mundial! Também no seu interior a vida marinha é abundante. O assoalho é em metal ondulado, a semelhança do grooving de uma pista de pouso e o espaço interno um tanto acanhado. Em um canto está um cilindro coberto por uma camada de coral vermelho. Seria um extintor ou um tubo de oxigênio? Depois surge uma caixa que parece muito com o rádio; mais ao lado, alguns destroços que não identifico e uma garrafa. Lá na frente está cabine dos dois pilotos. Ficou torcida. Com o impacto na água o nariz do avião partiu e girou à esquerda. É claro que começo a “viajar”.




No eletrizante livro de Martin Caidin, “Chacina nos Céus do Extremo Oriente”, existe o testemunho detalhado dos acontecimentos da Batalha Aeronaval da Malásia. É uma valiosa descrição do Tenente Sadao Takai, piloto de um dos Betty que bombardearam e torpedearam o encouraçado HMS Prince of Wales de 43.700 toneladas e o cruzador pesado HMS Repulse de 32.200 toneladas.

E se esse avião fosse o do Tenente Takai? De joelhos no meio do bombardeiro e olhando para a cabine, imagino os dois pilotos lado a lado, Takai sentado no assento esquerdo. As cabeças como bolas de couro marrom balançando compassadas com os sacolejos do bombardeiro que avança no meio de uma tempestade de fogo antiaéreo. Os dois motores Mitsubishi Kasei 11 rugindo a velocidade máxima e o Lança Longa pronto para ser alijado. Isto é História!

Atingidos por bombas e torpedos, os dois gigantes afundaram em menos de uma hora. Recordo que a blindagem do cinturão (main belt) que envolvia o casco do Prince of Wales tinha 370 mm de aço. Como é possível um torpedo, mesmo sendo um Lança Longa, romper tão formidável proteção?

Pairando no meio de um cardume de peixinhos vermelhos, subo até a torreta de dorso. Será que foi daqui que o artilheiro do Betty que conduzia o Almirante Yamamoto viu os caças P-38 americanos, vindos de Guadalcanal, que iriam abater o seu avião sobre Bougainville, na talvez mais célebre interceptação aérea da guerra?


A escotilha de dorso.


É uma posição apertada, mas se tem um excelente campo de tiro para uma metralhadora Tipo 92 de 7,7 mm, arma flexível que ficava instalada ali. Apanho a bandeira da Marinha Imperial do colete e abro-a sobre a fuselagem por fora da torre. Mesmo sendo uma réplica, a bandeira tem um forte apelo. É bonita, é mobilizadora e tem energia. Faço isto em memória de todos os soldados japoneses que morreram no mar, em terra e no ar quando do ataque de 17 de fevereiro de 1944.

O momento é solene e o Luís fotografa a cena. Depois é o Erick que também quer e, finalmente, o Luís ocupa a torre para clicar uma foto sem máscara e regulador.

O guia Erick.

O português Luís Mota.

Estamos a 20 metros e, mesmo ele sendo um instrutor PADI e mergulhador primoroso, acho uma imprudência. É necessário muito controle e concentração para realizar todas as etapas desta operação. Um erro na sequência e haveria o risco de um grave acidente.

Nado ainda no interior do Betty. Está escuro. Não encontro restos humanos, nem armas ou munição. Todavia eu sei que aqui dentro, alguns anos atrás, foram encontradas 38 bombas incendiárias que, por questões de segurança, foram resgatadas por mergulhadores. Também não aparecem furos das balas americanas como tinha visto no naufrágio do torpedeiro Jill.

Espremendo o corpo de volta pela bolha lateral da fuselagem, alcanço o fundo de areia. Ali permanecem alguns cilindros de oxigênio e um dos assentos dos pilotos. O guia aponta para a cadeira de alumínio e, por gestos, explica-me que o piloto ejetou. Engraçadinho até embaixo d’água.

A asa de boreste está levantada, tem um pedaço da extremidade arrancado e a de bombordo permanece com a ponta enterrada no leito marinho. Lembro que o Betty não tinha blindagem para a tripulação e motores. Muito menos tanques de combustível auto-obturáveis. Para conseguir um melhor raio de ação, boa velocidade, carga de bombas e compatível maneabilidade, os projetistas japoneses sacrificaram esta proteção, condenando o bombardeiro a ser um alvo relativamente fácil. O apelido de Charuto Voador deveu-se não só pela forma da fuselagem, mas pela facilidade com que o bombardeiro se incendiava ao ser atingido em combate. Também era maldosamente apelidado de “Isqueiro de Um Só Clique”.

Os motores Kasei não estão em seus lugares. Acho que com a pancada na superfície do mar, saltaram à frente. Após um breve busca, encontramos ambos a alguma distância do nariz do bombardeiro. É necessário procurar à frente, pois os dois motores radiais não são vistos do naufrágio.

Motor Kasei.


Tempo de fundo 30 minutos e o ponteiro do meu manômetro já está perto da faixa vermelha. É hora de subir. Não há corrente, a temperatura da água permanece em 29°C, mas a visibilidade, que não era muito boa, começa a diminuir, pois lá em cima o sol tangencia a linha do horizonte de Truk.

Emergimos lentamente e deixamos o bombardeiro pousado no fundo como estava há 68 anos atrás. É um avião maciço, de asas e fuselagem largas. Mesmo assim, eu tinha impressão de que ele era maior. Lembro que esta fuselagem roliça, em 1945, recebia o encaixe de uma bomba Kamikaze Ohka, também conhecida por Jinrai Baka. Banzai!

Ah, mas existe um final melancólico: foram dois Betty, desarmados, pintados de branco e com a cruz vermelha nas asas e fuselagens, que transportaram a comitiva japonesa para assinar a rendição. Era o final da Segunda Guerra Mundial.

Há ondas na superfície e é necessário cuidado para subir a bordo, pois é preciso galgar uma escada na popa, que sobe e desce, fazendo com que as afiadas lâminas das duas hélices passem perto dos mergulhadores.

Mergulhar em um bombardeiro Betty foi algo inesquecível.

Nestor

Fotos: Nestor Magalhães e Luís Mota.

Mais uma vez quero agradecer ao Nestor por este maravilhoso e detalhado relato, que tanto enriqueceu a Sala de Guerra! Ele tem o dom de nos passar exatamente as emoções que se sentiria num mergulho tão precioso destes! Parabéns meu amigo!

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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Descobertos detalhes sobre a tripulação de Sturmovik resgatado


Vladimir Humenny (de pé) e Valentin Skopintsev.

Detalhes emergiram sobre a tripulação do Sturmovik resgatado nas proximidades de Murmansk, na Rússia, permitindo uma reconstrução mais completa da origem da aeronave.

Servindo no 46º Regimento de Aviação de Ataque, este Il-2 era parte de uma força de 16 Sturmoviks que atacaram um aeródromo alemão em Loustari, na Finlândia, em 25 de novembro de 1943.

25 Messerschmitts Me 109 decolaram para interceptá-los e no combate resultante os russos perderam 11 aeronaves e os alemães 23 (possivelmente somando perdas em solo e no ar).

Esta era apenas a terceira missão do piloto, Valentin Skopintsev, e a segunda de seu artilheiro de ré, Vladimir Humenny. Durante o combate, Skopintsev destruiu duas aeronaves inimigas no solo e seu artilheiro derrubou um Me 109 que os perseguia.

Com sua cauda destruída por fogo de metralhadora e o motor do Sturmovik falhando, o piloto optou por fazer um pouso forçado num lago congelado.

Os dois tripulantes sobreviveram feridos, e Skopintsev teve que arrastar o inconsciente Humenny de sua cabine de artilheiro. Felizmente, conseguiram escapar em tempo hábil, e logo o gelo cedeu, tragando a aeronave para o fundo do lago – onde permaneceria por quase 70 anos.

Ambos retornaram ao serviço ativo e voaram juntos como piloto e artilheiro até o fim da guerra.

Por seu serviço, Skopintsev foi agraciado com a Ordem da Bandeira Vermelha três vezes, e Humenny recebeu a Ordem de Nakhimov de 2ª Classe. Valentin Skopintsev aposentou-se do serviço militar em 1947 e faleceu em 1996.

O destino de Vladimir Humenny depois da guerra permanece desconhecido.

Fonte: WW2 in Colour, 3 de julho de 2012.

Meus agradecimentos ao amigo Rafael Requena pela dica!

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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Veterano piloto da RAF desafia regras e decola em Spitfire



Um ex-piloto da RAF, hoje com 91 anos, que foi proibido de sentar-se no cockpit de um Spitfire, decolou mais uma vez, voando em desafio a regras de saúde e segurança.

Eric Carter, último sobrevivente da Força Benedict – uma missão secreta da RAF para proteger o porto soviético de Murmansk, no Ártico – voou Spitfires durante a Segunda Guerra Mundial.

Mas ele acabou sendo contrariado no começo deste ano quando quis sentar-se no cockpit do caça no Potteries Musem em Stoke-on-Trent.

Funcionários do museu disseram-lhe que isso seria um risco à sua segurança e saúde, visto que o Spitfire não tinha um assento adequado.

No entanto, um entusiasta da aviação interveio e ajudou a colocar o Sr. Carter de volta nos controles da icônica aeronave. Matt Jones, da Academia Aeronáutica de Boultbee, conseguiu que ele voasse sobre o aeródromo de Goodwood em West Sussex num Spitfire biposto.

Eric Carter (esq), o piloto de Spitfire Dave Radcliffe (centro) e Matt Jones (dir).

Por mais incrível que pareça, tudo voltou à minha cabeça após 10 minutos no ar”, disse Carter. “O botão de disparo e todos os controles estavam lá, exatamente como na última vez em que voei um Spitfire. Só posso descrever a sensação como a de estar de volta ao seu primeiro carro e se sentir em casa”.

Carter foi treinado como piloto em Stoke antes de tomar parte na Força Benedict.

A operação clandestina permaneceu desconhecida por décadas porque Stalin não queria admitir que havia pedido ajuda à Grã-Bretanha, mas Carter é reconhecido pela Rússia hoje, e até mesmo foi convidado de honra quando a Rainha Elizabeth fez sua visita de estado àquele país em 1994.

A Força Benedict foi um segredo muito bem guardado”, disse ele. “Fomos ameaçados com corte marcial se comentássemos algo”.

Murmansk estava em ruínas e os soldados russos não perguntavam de onde éramos – eles te matavam na hora se não gostassem do seu jeito. Recebemos passes especiais e tínhamos que segurá-los à frente sempre que andávamos de um lado para o outro, ou seríamos baleados”.

Jones, que organizou o voo de Eric, disse: “Achei ridículo o museu proibir o Eric de sentar-se num Spitfire do acervo devido a regras modernas de segurança e saúde. Tivemos sorte de poder corrigir este erro, permitindo a ele não somente sentar-se num Spitfire, mas assumir os controles em voo mais uma vez”.



Fonte: The Telegraph, 20 de agosto de 2012

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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sturmovik realiza primeiro voo nos Estados Unidos



O Ilyushin Il-2 Sturmovik restaurado ano passado na Rússia foi vendido para a Flying Heritage Collection, do bilionário norte-americano Paul Allen, chegando aos EUA no começo deste ano.

A aeronave (Il-2M3), construída na fábrica de Kuybyshev em meados de 1943, foi entregue ao 828º Regimento de Aviação de Ataque, que operava ao sul do Fronte da Karélia, próximo de Leningrado. Em 10 de outubro de 1944, o Sturmovik foi atingido pela artilharia antiaérea alemã enquanto atacava um aeródromo da Luftwaffe, fazendo um pouso forçado perto do rio Titovka.

Descoberto em 1991, foi resgatado e recebeu partes de outros quatro destroços para chegar ao seu estado atual de condição de voo. Apesar de terem sido construídos mais de 40 mil exemplares - fazendo do Il-2 a aeronave de maior produção na história - este é o único Sturmovik no mundo capaz de voar.

No dia 9 de agosto, a aeronave fez seu primeiro voo nos EUA, e agora está pronta para participar de shows aéreos por lá.

Este é outro que não perco!


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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Nota de Falecimento: August Kaminski


August Kaminski
(09/08/1914 - 15/08/2012)

Faleceu no último dia 15 de agosto em Heyerode, Alemanha, de causas naturais aos 98 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro Oberfeldwebel August Kaminski.

Nascido em Mertenheim, na Prússia Oriental (a apenas cinco quilômetros de onde Hitler construiria seu quartel-general em Rastenburg), Kaminski ajudava o ferreiro local nas folgas da escola. Quando terminou os estudos tornou-se aprendiz de padeiro, passando no exame final para poder exercer a profissão em 1933. Contudo, em abril de 1934 ele foi convocado para o novo Reichsarbeitsdienst (Serviço de Trabalho do Reich), para exercer seis meses de trabalho em obras públicas de infra-estrutura na Alemanha. Em novembro, ele alistou-se no exército, passando para o 1º Batalhão de Caça-Tanques.

Em março de 1938, Kaminski tomou parte na ocupação da Áustria, e em setembro participou também da ocupação dos Sudetos. Em 16 de março de 1939, a Alemanha ocupava o restante da Tchecoslováquia (Boêmia e Morávia), tomando posse das posições defensivas no leste do país, na fronteira com a Polônia. No dia 26 de agosto, a unidade tomou posição em Frankstadt, na fronteira tcheco-polonesa, e na manhã do dia 1 de setembro adentrou o território polonês, atravessando o rio Olsa e atingindo o Vístula no dia seguinte. Kaminski tomou parte na captura de Cracóvia, seguindo até Lvov - onde estava durante a rendição do Exército Polonês em 22 de setembro.

Em maio de 1940, sua unidade (equipada com o Panzerjäger I) havia sido redesignada 670º Batalhão Antitanque, e foi posicionada na fronteira com a Bélgica. Ao iniciarem-se os pesados combates daquele verão, Kaminski destruiu diversos veículos blindados Aliados durante a bem-sucedida perseguição à Força Expedicionária Britânica e elementos do Exército Francês, que acabaram isolados nas praias de Dunquerque. Após uma inusitada ordem de interromper seu avanço, Kaminski foi um dos que penetraram o perímetro de Dunquerque, encontrando todo o material inglês abandonado na praia pelos soldados em fuga. Em seguida, seu batalhão foi redirecionado para o sul, cortando toda a França e chegando ao porto de La Rochelle no dia 23 de junho, logo após a rendição francesa.

Transferido para o sul da Polônia em maio de 1941 e anexado ao 17º Exército, o 670º Batalhão tomou parte na Operação Barbarossa, atravessando o sul da União Soviética até Odessa. Durante o percurso, os antitanques tiveram seu primeiro contato com os gigantes soviéticos KV-1 e com o famoso T-34. No ano seguinte, Kaminski seguiu o avanço do 6º Exército atravessando o Don até Stalingrado. Após a ofensiva soviética no fim de novembro, que fechou o cerco aos alemães na cidade, Kaminski viu um de seus tripulantes ser seriamente ferido, e imediatamente foi ordenado a conduzi-lo ao aeródromo de Pitomnik para evacuação aérea. Contudo, no caminho, o próprio Kaminski foi ferido por um estilhaço, e também foi embarcado num He 111 para fora do cerco. Em janeiro de 1943, o 670º Batalhão foi destruído em Stalingrado.

De volta a Berlim, Kaminski foi designado para uma nova unidade, o 655º Batalhão Antitanque, que agora estava equipado com o Nashorn, de 88 mm. Assim, foi enviado de volta à URSS, onde participou da histórica Batalha de Kursk. Em pesado combate, Kaminski destruiu diversos T-34, mostrando uma habilidade singular no comando do Nashorn. Já contando com mais de 50 tanques destruídos, ele foi agraciado com a Cruz Alemã em Ouro em 10 de outubro de 1943. Ferido diversas vezes em ação, Kaminski continuou numa bem-sucedida sequência de destruição de tanques soviéticos, mostrando-se um líder e comandante ousado e valoroso. Ele recebeu o comando do 3º Pelotão, sendo agraciado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 6 de outubro de 1944 por seu impressionante histórico de combate.

Em 1945, lutando ao norte da Silésia, Kaminski ultrapassou a marca de 100 blindados inimigos destruídos, resistindo durantemente ao avanço soviético. Em maio, o comandante de sua Companhia recomendou-o para as Folhas de Carvalho da Cruz do Cavaleiro, mas o processo nunca foi concluído devido ao fim da guerra.

Feito prisioneiro pelos soviéticos e enviado para a Sibéria, August Kaminski foi somente liberado em 1952. Ele casou-se em 1957, trabalhando na indústria automobilística até aposentar-se. Membro ativo da OdR, Kaminski participava anualmente dos encontros, e lançou sua biografia em 2009. Um dos últimos soldados que combateram do primeiro ao último dia da guerra, ele deixa esposa e duas filhas.

Kaminski ao lado de um tanque soviético KV-1 destruído.

A tripulação do Nashorn: Lenigh (condutor), Doll (artilheiro), Kaminski (comandante), Ahlers (operador de rádio) e Langut (municiador).

August Kaminski era uma pessoa realmente carismática. Um senhor sempre sorridente, que conheci já usando uma cadeira de rodas, mas que nunca faltava com atenção devida aos amigos e convidados. Se todos nós que o conhecemos pessoalmente pudermos dizer algo a respeito dele, é isso: pura simpatia. Até mesmo ano passado, quando sua saúde obviamente decaíra, Kaminski manteve seu sorriso no rosto. Certamente é um guerreiro que deixa excelentes recordações.

Ao lado de August Kaminski em Bad Honnef, Alemanha, outubro de 2009.

Descanse em paz Sr. Kaminski!

Agradeço aos amigos Richard Schmidt e Wolfgang Metz pela ajuda.

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