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terça-feira, 31 de julho de 2012

Medalhistas olímpicos que morreram na Segunda Guerra Mundial


O propósito das Olimpíadas é encorajar a competição pacífica entre as nações. Os cinco anéis interligados do logotipo olímpico têm cores representadas em bandeiras de todos os países. No entanto, desde os primeiros jogos da era moderna em 1896, muitas guerra aconteceram.

A mais devastadora de todas foi, sem dúvida, a Segunda Guerra Mundial. Durante aquele conflito, milhões de pessoas morreram, e entre elas estavam atletas que haviam ganhado a Medalha de Ouro Olímpica.

Charles Paddock.

Charles Paddock, que também serviu na Primeira Guerra, ganhou medalhas de ouro na Antuérpia em 1920 e em Paris em 1924, no hipismo. Ele perdeu a vida num acidente aéreo enquanto servia na USAAF em Sitka, Alaska, em julho de 1943.

Foy Draper.

Foy Draper foi da equipe de revezamento 4x100 que, junto com o lendário Jesse Owens, ganhou a medalha de ouro nos Jogos de Berlim em 1936. Ele se tornou piloto da USAAF, e foi morto quando sua aeronave foi abatida sobre o Passo Kasserine, na Tunísia, em janeiro de 1943.

Lutz Long e Jesse Owens.

As pesquisas de opinião durante as Olimpíadas de Berlim em 1936 diziam que o saltador em distância Carl Ludwig “Lutz” Long ganharia facilmente o alto do pódio. Nos aquecimentos iniciais ele notou que seu rival, o americano Jesse Owens, errava o salto em suas primeiras tentativas. Long então chamou Owens e disse-lhe como corrigir sua corrida. O resultado foi que Owens levou o ouro, e Long teve que se contentar com a prata. Mais tarde, Long alistou-se no Exército Alemão, sendo morto em ação na Sicília em julho de 1943.

Takeichi Nishi.

Takeichi Nishi ganhou a medalha de ouro hípica nas Olimpíadas de 1932 em Los Angeles. Servindo no Exército Imperial Japonês, o Coronel Nishi foi morto em combate durante a defesa da ilha de Iwo Jima, em março de 1945. Um personagem do filme “Cartas de Iwo Jima”, de Clint Eastwood, foi baseado em Nishi.

Oszkar Gerde, Janos Garay, Endre Kabos e Attila Petschauer.

Quatro esgrimistas húngaros que ganharam a medalha de ouro olímpica morreram durante a Segunda Guerra, em campos de concentração. Oszkar Gerde ganhou duas, em 1908 em Londres e em 1912 em Estocolmo. Janos Garay ganhou a sua em 1928 em Amsterdã. Endre Kabos foi medalhista de ouro em 1932 em Los Angeles e ganhou outras duas em 1936 em Berlim. Attila Petschauer foi ouro em 1928 em Amsterdã e em 1932 em Los Angeles.

Fonte: Yahoo Sports, 19 de julho de 2012.

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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Rumores verdadeiros: textos são encontrados sob monumento austríaco



Dois textos diferentes – um pró-nazista e outro pacifista – foram encontrados sob a estátua do principal memorial de guerra de Viena, dizem historiadores austríacos.

Ambas as mensagens estavam numa cápsula de metal sob a estátua do Soldado Desconhecido erigida em 1935 – três anos antes da anexação da Áustria ser anexada pela Alemanha.

A mensagem pró-nazista, escrita pelo escultor Wilhelm Frass, espera que a Alemanha seja unida sob o Sonnenrad, a suástica.

Já a mensagem pacifista foi assinada pelo escultor Alfons Riedel.

A cápsula de metal foi agora removida, e o memorial será redesenhado.

Muitas vezes por ano, líderes austríacos e dignitários deixam coroas de flores na estátua do Soldado Desconhecido, mas o memorial sempre foi purgado por rumores de que um documento nazista havia sido escondido nele.

A cápsula foi descoberta após uma investigação encomendada pelo ministro da defesa austríaco, Norbert Darabos.

A mensagem pró-nazista fala de “eterna glória ao povo alemão” e pede unidade “sob o signo do sol negro”.

A mensagem pacifista diz: “Eu espero que as gerações futuras nunca mais precisem fazer memoriais para honrar soldados que caíram em conflitos violentos entre nações”.

A historiadora Hildemarie Uhl disse que as mensagens conflitantes são evidências das visões políticas ambivalentes do povo austríaco na década de 1930.

Fonte: BBC News, 20 de julho de 2012.

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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Documentário: Força Expedicionária Brasileira na Itália



Este é um documentário feito na década de 1960, chamado "A Força Expedicionária Brasileira na Itália". Apesar do nome, na verdade aborda toda como a Segunda Guerra afetou o Brasil, de forma geral, detalhando esforços da FAB e da Marinha também.

Imagens raras de Mascarenhas de Morais e do desembarque das tropas em Nápoles, além dos combates em Monte Castelo e Montese.

Vale muito a pena conferir!


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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Nota de Falecimento: Lowell Brueland


Lowell Brueland
(11/03/1918 - 02/07/2012)

Faleceu no último dia 2 de julho em Westminster, South Carolina, EUA, de causas naturais aos 94 anos de idade, o ás norte-americano Tenente-Coronel Lowell Kermit Brueland.

Nascido em Callender, Iowa, Brueland ingressou no programa de cadetes de aviação da USAAF em 22 de janeiro de 1942, completando o treinamento e sendo comissionado 2º Tenente em 29 de setembro daquele ano. Designado inicialmente para o 22º Grupo de Caça no noroeste dos EUA, ele voou o P-39 Airacobra numa série de bases aéreas em território nacional, antes de ser enviado para o 355º Esquadrão do 354º Grupo de Caça em março de 1943. Em outubro daquele ano, seu grupo de caça foi finalmente embarcado para a Inglaterra.

Integrando a força de caças da 9ª Força Aérea, o 354º Grupo de Caça recebeu novos caças North-American P-51 Mustang, e iniciou operações contra a Luftwaffe em dezembro de 1943. Brueland começou voando missões de escolta de bombardeiros, mas logo passou para as patrulhas de caça, abrindo seu escore contra os inimigos alemães. Liderando um voo de quatro Mustangs em 13 de maio de 1944, ele encontrou uma força superior de 25 caças da Luftwaffe. Demonstrando frieza e determinação, Brueland partiu para cima dos inimigos, derrubando um deles e dispersando a formação - ação pela qual foi condecorado com a Silver Star. Em junho o 354º Grupo passou a dar cobertura aos desembarques na Normandia, protegendo as tropas em terra dos contra-ataques aéreos alemães. Desta forma, em 28 de julho, numa patrulha sobre St. Lô, o Capitão Brueland liderava oito Mustangs quando encontrou uma grande formação de mais de 60 caças-bombardeiros inimigos que avançam para atacar a linha de frente Aliada. Já um líder experimentado, ele conduziu seus pilotos ao combate, dispersando a formação alemã, que teve que ejetar suas bombas. Na luta que se seguiu, ele derrubou três caças e danificou um quarto, efetivamente aniquilando a missão da Luftwaffe. Por estas ações Brueland foi condecorado com a Distinguished Service Cross pelo General Carl Spaatz em 13 de novembro de 1944. Já promovido a Major, em maio de 1945 ele tornou-se comandante do 355º Esquadrão, tendo encerrado a guerra com 12,5 vitórias aéreas.

Após a guerra, Brueland retornou aos EUA e passou por uma série de postos como inspetor de treinamento, até ser enviado para a Coreia junto ao 51º Grupo de Caça em abril de 1953. Lá, antes do fim dos combates em julho, ele ainda derrubou caças Mikoyan-Gurevich MiG-15, elevando seu total pessoal para 14,5 vitórias aéreas confirmadas.

Em seguida, Brueland comandou diversos esquadrões da USAF até ser feito Oficial de Operações de Planos de Guerra no Quartel-General de Saigon, no Vietnã do Sul entre abril de 1966 e setembro de 1967. Ele aposentou-se como Tenente-Coronel em 31 de dezembro de 1968.

Em 2000, o entusiasta da aviação Sal Rubino pintou seu P-51D nas cores do caça de Brueland durante a guerra, o "Grim Reaper". O velho ás pôde mais uma vez contemplar sua antiga montaria de combate. Brueland deixa uma filha e 12 netos.

General Spaatz condecora Lowell Brueland com a DSC, 13 de novembro de 1944.

Brueland e seu "Grim Reaper" em Hollister, California, agosto de 2008.

O belo "Grim Reaper" em voo.


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terça-feira, 17 de julho de 2012

Nota de Falecimento: Fritz Langanke


Fritz Langanke
(15/07/1919 - 10/07/2012)

Faleceu no último dia 10 de julho em Gelsenkirchen, Alemanha, de causas naturais aos 92 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro SS-Obersturmführer Fritz Langanke.

Nascido em Gelsenkirchen, na Renânia do Norte, Langanke voluntariou-se para servir na SS aos 18 anos de idade em 1937. Após completar o treinamento, foi designado para a 10ª Companhia do Standarte Germania, núcleo do que viria ser alguns anos depois a Waffen-SS. Em 1938, como operador de rádio, ele foi transferido para o novo Pelotão de Reconhecimento Blindado da unidade, recebendo mais tarde o comando de um dos veículos.

O regimento Germania lutou na Polônia e na invasão das potências ocidentais no verão de 1940, e Langanke ganhou a Cruz de Ferro de 2ª Classe em agosto daquele ano. Em 1941, seu regimento foi encorpado e transformado em Divisão de Infantaria Motorizada-SS Das Reich, participando da invasão da Iugoslávia e mais tarde sendo anexada ao Grupo de Exércitos Centro de Fedor von Bock para a Operação Barbarossa. Langanke combateu no avanço alemão até Moscou, ganhando a 1ª Classe da Cruz de Ferro em 15 de dezembro de 1941. Tendo sofrido pesadas baixas, a divisão foi retirada para recomposição na França, e Langanke foi transferido para o batalhão de tanques da unidade, recebendo o comando de um veículo no Pelotão de Reconhecimento

No começo de 1943, a Das Reich voltou à União Soviética, tomando parte na luta por Kharkov e logo depois no mais intenso combate de blindados da história em Prokhorovka, durante a Batalha de Kursk. Novamente retirada da URSS, a divisão foi remodelada pela última vez, tornando-se a 2ª Divisão Panzer-SS Das Reich.

Após a invasão Aliada da Normandia, Langanke recebeu o comando do 2º Pelotão do 2º Regimento Panzer. Assim no fim de julho ele enfrentava um potente ataque do 3º Exército de George Patton, com um movimento de cerco que visava eliminar as unidades alemãs na região de Falaise. Percebendo o perigo mortal do iminente fechamento do Bolsão de Falaise, Langanke reuniu um grupo de veículos e soldados desgarrados de diversas unidades e, sob intenso ataque aéreo americano, procurou uma saída do cerco. A bordo de seu PzKw V Panther, Fritz Langanke inadvertidamente viu-se comandando uma coluna inicial de 300 homens, que incluia oficiais mais graduados, todos sob suas ordens. Demonstrando coragem e determinação imbatíveis sob fogo, Langanke acabou reunindo um total de 600 homens em sua coluna, enfrentando ataques de tanques Sherman americanos durante todo o percurso, e incendiando muitos deles. Mostrando-se consistente enquanto muitos de seus camaradas perdiam os nervos na desesperadora situação, ele conseguiu atingir a ponte em Baleine, atrás da qual estavam as novas linhas alemãs.

Por sua brava liderança e iniciativa, que salvou da destruição certa centenas de soldados alemães, o SS-Obersturmführer Fritz Langanke foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 27 de agosto de 1944. No dia de Natal daquele ano, ele recebeu o comando da 2ª Companhia da Das Reich, permanecendo neste posto até o fim da guerra.

Fluente em inglês, tendo inclusive sido premiado pela proficiência como tradutor durante seus primeiros anos na SS, Fritz Langanke era um veterano bastante aberto e solícito com estudiosos e colecionadores. Me correspondi com ele em 2010, e ele muito educadamente assinou as fotos que enviei e respondeu minhas dúvidas. Langanke também falava bastante com jornalistas de diversos países, sendo um dos mais acessíveis peritos de tanques da SS.

Leia a entrevista com Fritz Langanke, publicada aqui na Sala de Guerra, em duas partes:


SS-Obersturmführer Fritz Langanke.

Fritz Langanke assinando fotografias em sua casa, julho de 2011.

Neste documentário, Fritz Langanke fala sobre as batalhas de blindados na Normandia.

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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Museu inglês inicia restauração de foguete V-2



Um raro exemplar sobrevivente das famosas Armas de Vingança de Hitler, capturado pelo Real Corpo de Engenheiros ao fim da Segunda Guerra Mundial, será restaurado, remontado e exibido no Real Museu de Engenharia em Brompton.

O foguete V-2, que está num estado mediano, mas estável, com alguns de seus aparatos internos intactos, foi adquirido pelo museu 40 anos após a guerra, da Real Escola de Engenharia Militar em Chattenden, que hoje está fechada.

Atualmente numa oficina em Cambridge, onde a restauração tentará reforçar o foguete e devolvê-lo à sua condição original, espera-se que integre o acervo do museu ainda este ano.

Os V-2 foram a última cartada do ambicioso programas das Armas V alemãs, e mais de mil deles foram lançados contra alvos na Grã-Bretanha, matando milhares de pessoas.

Uma arma de terror, foi o primeiro míssil balístico do mundo, e chegava sem aviso para entregar sua carga de quase uma tonelada de explosivos, em altíssima velocidade.

No âmbito estratégico da Segunda Guerra o V-2 provou-se insignificante, mas apesar de sua limitada capacidade destrutiva o foguete pavimentou a estrada para a corrida espacial, bem como o desenvolvimento dos mísseis balísticos durante a Guerra Fria.

Estamos muito felizes em ter adquirido esta grande e fascinante peça para nossa coleção”, disse o porta-voz do museu, que confirmou que a instituição irá abrir uma nova exposição sobre o V-2 e a Guerra Fria antes do natal.

O foguete foi capturado pelos Reais Engenheiros em Nienburg, na Alemanha, onde tropas alemãs em retirada abandonaram seu equipamento de lançamento de foguetes na Bélgica e Holanda.

Uma vez pronto, este V-2 irá se juntar ao seleto e pequeno grupo de V-2s exibidos em museus britânicos, incluindo o que está no Imperial War Museum e no Museu de Ciência de Londres. O Museu da RAF também tem um V-2 em sua coleção.

Fonte: Culture 24, 13 de julho de 2012.

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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Truk Lagoon – Um Notável Museu Submerso: Mergulho no Sankisan Maru



Nosso dia sempre começava com o briefing do Capitão Lance Higgs, utilizando como apoio um telão instalado na sala dos mergulhadores, à popa do SS Thorfinn. Estávamos a bordo deste antigo baleeiro de 1.100 toneladas de deslocamento, agora transformado em navio-base para mergulhadores e fundeado bem no centro de Truk Lagoon.

Esta antiga base japonesa havia sido bombardeada à extinção por aeronaves embarcadas em porta-aviões da Marinha Americana no dia 17 de fevereiro de 1944 – a Operação Hailstone.

Foi um ataque surpreendente e devastador que mandou para o fundo da laguna mais de 60 navios japoneses, a grande maioria transportes, e destruiu no solo e no ar, 270 aviões. O custo para a US Navy foi pequeno: somente 25 aviões abatidos.

Agora, 68 anos depois deste dia memorável para a Guerra do Pacífico, estamos aqui cercados por todos os lados pela História, principalmente abaixo da superfície do mar, nas profundezas de Truk.

O Capitão Higgs diz que hoje o nosso mergulho será no Sankisan Maru, um grande cargueiro com 4.776 toneladas de deslocamento e 112 m de comprimento.

Quando do ataque americano, esta embarcação estava fundeada a oeste da Ilha Uman e foi alcançada por algumas bombas lançadas por aviões do USS Bunker Hill. Ao que parece, uma bomba de 500 kg atingiu a proa e um torpedo destruiu boa parte do casco, ante-a-vante da popa e que agora está separada do resto dos destroços pela catastrófica explosão.

O capitão nos passa mais detalhes: o naufrágio se encontra em posição de navegação, o mastro principal quase tangencia a superfície e tocaremos o convés a cerca de 20 metros de profundidade. Atento, anoto tudo que é possível nas costas das mãos.

Nossa lancha sempre a bombordo do SS Thorfinn.

Embarcamos na lancha que sempre permanece atracada a bombordo do Thorfinn. Somos somente três mergulhadores, o Luís Mota, o Patrick McGrath e eu. Nosso guia é o trukês Erick e a bordo segue mais o piloto. Logo já estamos manobrando sobre o Sankisan e, como sempre, o guia descobre a posição exata do naufrágio para lançar o ferro. Como é possível tamanha exatidão?  Procuro por alguma sombra do mastro, pois sei que ele está só a 4 metros das ondas. Poderia ser uma referência. Nada!

Logo o cabo tenciona, indicando que o gancho, na sua extremidade, unhou os destroços.

O mar é de um azul intenso como tinta e as ondas são relativamente pequenas. Com um acrobático rolamento de costas pela borda da lancha e um grito de guerra, bato na água em um estouro de espuma branca. Fecho os olhos. Reabro submerso. Uma fantástica visão azulada, transparente e cheia de luz! Não há corrente, a temperatura da água é de 29° C e estou respirando Nitrox 32, uma mistura gasosa com maior percentagem de oxigênio que permite ao mergulhador um tempo de fundo mais dilatado sem parada descompressiva.

O mastro principal.

Logo enxergo o mastro do Sankisan e a sombra bem definida do seu casco. O guia segue à frente, Luís e Patrick um pouco atrás e eu sou o último. Passamos junto ao enorme mastro completamente mascarado por corais vermelhos, esponjas, conchas e escamas de ferrugem. A luz natural ainda penetra intensa por aqui e o coral nos encanta: são colônias brancas, rosadas, pretas e vermelhas. Peixes coloridos por todos os lados. Alguns, curiosos, chegam bem perto quase permitindo que sejam tocados com a mão, a semelhança de um animal de estimação. Que coisa!

O mastro quase alcança a superfície.

A vida é abundante no naufrágio.

Desço direto para a proa. Não há nenhum canhão por ali, mas, de soslaio, consigo identificar mais adiante os restos de dois caminhões no convés. Permanecem a bombordo, entre a murada e a boca escura do Porão Um. Estão desmantelados pela força da explosão e incêndio, provável conseqüência do impacto de uma bomba.

São objetos fantasmagóricos, absolutamente deslocados do seu ambiente e nos destroços da cabine do mais próximo, mora uma rechonchuda moréia esverdeada. Abre e fecha uma ameaçadora bocarra, guarnecida por muitos dentes pontiagudos, numa aparência feroz. Não perturbo o animal, sei que se não for incomodado, é inofensivo. Deixamo-la na sua casa.

Pneus ainda resistem 68 anos depois.

Pneus ainda possíveis de se identificar.

Uma última olhadela no caminhão. Interessante como a borracha resiste ao tempo e ao ambiente marinho hostil. Os pneus ainda permanecem relativamente bem conservados, engastados nos seus aros enferrujados.

Estou sozinho. Meus companheiros foram para dentro do Porão Um. Confirmo isso pelos penachos de bolhas que sobem lá do escuro compartimento.

Lanterna de bronze no convés.

A visibilidade é excelente, talvez uns 30 metros e aproveito para nadar em direção a popa, sempre paralelo ao convés. Planejei o meu mergulho, sempre faço isto. Mergulhar mais fundo aumenta o consumo de ar e como sou um notório “papa ar”, economizo, deixando o porão para o final. Pelo convés vou encontrando garrafas e louças. Também aparece um grande garrafão e uma lindíssima lanterna de latão. Parece estar com o vidro. Hummmm, e se eu achasse uma Katana, ainda na sua bainha? Melhor: que tal uma pistola Nambu no seu coldre? Puxa, isto só acontece em filmes.

Depois é um tonel em pé, com uma metralhadora colocada em cima. Algum mergulhador botou a arma ali. Não é possível identificar a metralhadora, pois o engenho está completamente tomado pela concreção marinha. Parece ser uma 7,7 mm de um caça Zero.

Nado mais alguns metros e surge agora a coberta, destroçada por uma medonha explosão. O navio foi cortado logo após o Porão Três e lá de cima avisto o fundo de areia branca coberto de destroços. Minha nossa!

Mais alguns metros e surge a sombra da popa, separada do casco desmantelado. Consigo distinguir a enorme hélice de quatro pás ainda presa a seu eixo. Não ouso descer até lá, pois está bem mais fundo.

Foi um longo passeio solitário, sempre nadando em profundidade logo acima da coberta. Confiro os instrumentos: meu consumo de ar está conforme o planejado e a palheta de memória do meu profundímetro, permanece cravada nos 20 metros. Isto significa que, até agora, não fui além desta marca e isto me permitiu ir até a popa com um consumo aceitável.

Um motor de avião.

Nosso guia e um motor de avião.

Retorno à proa cruzando a grande abertura sem tampa do Porão Três. Uma olhadela para baixo e vejo algumas sombras que parecem ser mais um caminhão e alguns motores radiais de avião. Logo estou na borda do Porão Um. Desço em uma suave espiral desfrutando de uma sensação deliciosa de ausência de gravidade, “planando” até o fundo do porão onde estão meus parceiros. O Luís dá aquela bronca, pois levantei alguma suspensão e estou estragando as suas fotos.

O guia Erick.

Injetando e drenando um pouco de ar no colete equilibrador, consigo resgatar a minha flutuabilidade neutra. Agora pairo como um peixe acima do assoalho do porão. A profundidade é 25 metros e a temperatura continua nos deliciosos 29° C. Isto permite que o nosso guia mergulhe somente de bermuda, sem utilizar roupa de neoprene.

A ação do tempo e da água salgada nos cartuchos.




Impressionante! No porão jazem milhares de cartuchos 7,7 mm para fuzis e metralhadoras! Cunhetes de madeira apodreceram e a munição escorre e se espalha na areia que recobre o piso do porão. Também por ali estão uma infinidade de carregadores tipo lâmina, modelo Puteaux, para metralhadoras Nambu Tipo 92, todos ainda alimentados com 30 cartuchos. Interessante a semelhança destes carregadores com os utilizados pela metralhadora Hotchkiss, arma que esteve em serviço no Exército Brasileiro por muitos anos.

Carregador com 30 cartuchos 7,7 mm.


Em um canto, algumas granadas de mão e cartuchos de canhão 20 mm. Nosso guia fuça nas granadas. São iguais àquelas que aparecem no filme “Cartas de Iwo Jima”. Lembra daquela cena de suicídio dos soldados japoneses entocados nas cavernas do Suribachi? O engenho deve ter sua espoleta batida em uma superfície dura para depois lançá-lo. Olho as granadas e me lembro do filme. Minha nossa, é muita História!

Encontrando a máscara de gás.

Mais ao lado, jaz um enorme estojo de artilharia, talvez de um calibre perto dos 280 mm. Tento erguê-lo do fundo, mas não consigo, é muito pesado. Só faço é subir uma nuvem de silte marinho. Ao lado está uma máscara contra gases, com o facial, traquéia e tambor filtrante, em surpreendente estado de conservação. Mais ao fundo do compartimento surge outro caminhão e não longe dali, um motor radial de avião. Mais para a sombra aparece um objeto cilíndrico que, pela forma e dimensão, indica ser uma carga de profundidade. Será possível?

Vida marinha no porão.

Lembro que o capitão comentou no briefing que em 1974 foram removidas dos porões do Sankisan Maru, 284 cargas de profundidade e muitas granadas de 4,7 polegadas. Este resgate foi feito por que esta munição, 30 anos depois, ainda apresentava risco de uma explosão acidental. E não só por isso. Parece que estas cargas de profundidade estavam deixando vazar ácido pícrico, componente químico do explosivo e que estava envenenando a vida marinha junto ao naufrágio.

O autor no Porão Um.

Bem, é hora de subir e, como de costume, sou o primeiro. Tempo de fundo: 30 minutos; que pena, passou tão rápido. Sinalizo “subir” ao guia. Ele confirma com outro “subir”. Polegar para cima. Inicio então o caminho à superfície nadando ao redor do mastro principal. O momento é de calma e relaxamento.

Vou contemplando a vida marinha presa no mastro, abundante e colorida. Não há corrente, portando pode-se emergir sem o auxílio da amarra da âncora e logo estou a bordo da nossa lancha.

O Sankisan Maru é um dos mais interessantes e visitados naufrágios das profundezas de Truk Lagoon, um verdadeiro museu submerso, repleto de encantamento, História e disponível para mergulhadores de todos os níveis.

Nestor Magalhães
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quinta-feira, 12 de julho de 2012

3º Encontro de Entusiastas da História da Segunda Guerra Mundial



Outra iniciativa genuinamente brasileira bem interessante: o 3º Encontro de Entusiastas da História da Segunda Guerra Mundial, a ser realizado em Joinville - SC, nos dias 25 e 26 de agosto.

Organizado por Carlos Campestrini, curador do Museu Municipal de São Bento do Sul, este é um encontro bem aos moldes daqueles realizados nos EUA, com feiras, mostras e palestras. O público-alvo é geral, atraindo acadêmicos, autodidatas, comerciantes de militaria, colecionadores e reencenadores, que poderão trocar informações e aprender um pouco mais sobre a Segunda Guerra Mundial.

Este ano o evento será realizado na sede do 62º Batalhão de Infantaria, em Joinville. Além das mostras, palestras e estandes de militaria, haverá a presença do grupo de reencenação Dogs of War, de São Paulo.

Os portões são abertos e a entrada é franca!

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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Mercedes do alto-comando alemão é encontrado no eBay



Quando um negociante de carros de New Jersey ligou para a Mercedes para comprar peças para um modelo antigo que ele estava restaurando, a fábrica pediu o número do chassi do veículo.

Zenop Tuncer ficou chocado ao escutar no telefone: “Este é o carro de Hitler!

O Mercedes 320 Cabriolet D 1942 era parte de uma frota construída para altos oficiais do Terceiro Reich durante a guerra.

Embora o modelo que esteja sendo restaurado não era provavelmente bom o suficiente para conduzir o Führer, tudo indica que pertenceu a um de seus generais.

Tuncer encontrou o carro no eBay enquanto procurava um veículo para um cliente, o empreiteiro Fred Daibes, que comprou o carro por 180 mil dólares. Porém, quando viu o inusitado conversível de quatro portas, ele presumiu que era uma falsificação.

No entanto, a Mercedes confirmou que o estranho carro era genuíno, e que é um de apenas oito construídos especialmente para altos oficiais alemães.

O mais conhecido dos Mercedes 320 foi o dirigido pelo chefe da Gestapo, SS-Obergruppenführer Reinhard Heydrich, que acabou destruído num atentado a bomba contra a vida de seu dono.

Um especialista da fábrica da Mercedes na Alemanha disse que o carro provavelmente não foi utilizado por Hitler, que usava o “topo de linha” Mercedes 770.

Mesmo assim, de acordo com Tuncer, o veículo ainda mostra sinais de suas conturbadas origens: um remendo na carenagem foi aparentemente feito para esconder uma tentativa de remover a bandeira alemã do carro.

O Mercedes chegou até New Jersey via Chicago graças a um empreendedor marinheiro americano. O veterano da Marinha aparentemente pintou o carro de preto para que pudesse ser contrabandeado pelo Atlântico. Ele então guardou o carro por décadas em seu portão, até que seu neto o vendeu na internet.

O veículo ainda funciona bem, embora seu motor gere somente 80 HP, com uma velocidade máxima de 130 km/h.

Seu novo dono já recusou uma oferta de 1,5 milhão de dólares pelo singular Mercedes – e disse que planeja ficar com seu extraordinário achado.

Fonte: Daily Mail, 10 de julho de 2012.

O Mercedes 320.

O painel do 320.

Hitler e seu Mercedes 770.

Zenop Tuncer e seu achado.


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terça-feira, 10 de julho de 2012

XXIV Encontro Nacional de Veteranos da FEB - Como participar



Amigos da Sala de Guerra,

Sempre recebo mensagens e vejo comentários que dizem "que bacana estes encontros de veteranos que acontecem nos EUA, Europa...", "ahh, mas que pena que é só lá fora, aqui no Brasil não acontece nada", etc.

Pois bem. Temos nosso encontro sim! E com orgulho, o Brasil é o único país do continente sul-americano que pode ter um encontro de veteranos da Segunda Guerra Mundial! Uma oportunidade verdadeira para se conhecer os herois, conversar com outros entusiastas, passar bons e inesquecíveis momentos, enfim - viver uma experiência que com certeza você levará para a vida inteira.

Esta oportunidade se apresenta para todos nós este ano na forma do XXIV Encontro Nacional de Veteranos da FEB, que acontecerá entre os dias 7 e 10 de novembro de 2012 (olha só, estou dando o aviso com grande antecedência!) na cidade de Juiz de Fora - MG.

Juiz de Fora é sede de uma ativa seção da ANVFEB, e lar de muitos veteranos até hoje. É também uma cidade que fica a meio caminho entre Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro - desta forma podemos esperar uma presença bem numerosa de veteranos!

No encontro do ano passado, tivemos 57 veteranos presentes! Imagine isso! Com a localização geograficamente central de Juiz de Fora, podemos esperar um número similar, quem sabe maior, de veteranos presentes.

E claro, o motivo dos motivos para se estar presente é que se trata de uma das últimas oportunidades para fazê-lo: a idade já alcançou todos eles, e a cada semana temos perdas entre nossos veteranos. O tempo não volta, e se você quer ter a experiência de passar um tempo conhecendo nossos herois, a oportunidade é esta.

Bem, então, como fazer para participar?

A taxa de participação é de 150 reais. Pode ser pago através de depósito bancário na Caixa Econômica Federal:

AG: 0126
Operação 003
CC: 502.346-7

O comprovante, juntamente com a ficha de inscrição, deverá ser enviado para o e-mail: anvfebjfmg@gmail.com

A responsável pelas inscrições é a Fátima Inham, filha do ex-combatente Antônio de Pádua Inham (III Btl/11 RI), e representante da ANVFEB local. Ela confirmará a sua inscrição.

Sei que já existem algumas caravanas sendo formadas, de diversos estados. Quem se interessar, troquem informações aqui nos comentários do post, que depois farei uma página especial com os contatos. Abaixo, a programação do evento:

DIA 7 (quarta-feira): Durante o dia, recepção e entrega de crachá aos participantes na Sede da Associação.
19 horas – jantar (local a confirmar)

DIA 8 (quinta-feira): 9 horas – Missa na Igreja São Sebastião
11 horas – Solenidade de abertura do XXIV Encontro na Sede da Associação
13 horas – Almoço na Sede da Associação
15:00 horas – Passeio em Juiz de Fora em ônibus fretado
19 horas – Jantar (local a confirmar)
 
DIA 9 (sexta-feira):
07:30 horas – Saída para São João Del Rey partindo da sede da Associação em ônibus fretado.
10:30 horas – Recepção dos participantes pelo Comando do 11º Batalhão de Infantaria (Batalhão Tiradentes)
11:30/12:30 – Almoço
12:30 horas –Visita ao Museu da FEB
15:00 horas – Saída para Tiradentes com a opção do passeio de Maria Fumaça.
17:00/18:00 horas – Volta a Juiz de Fora em ônibus fretado.
Noite Livre

DIA 10 (sábado): 10 horas – Solenidade no Monumento ao Expedicionário situado à Praça do Riachuelo, com entrega de Medalhas
12 horas – almoço no quartel
15:30 horas – Reunião com os presidentes das Associações
20:00 horas – Solenidade de encerramento no Clube Círculo Militar com jantar dançante.

* Programação sujeita a pequenas alterações.

Eu já fiz minha inscrição! Espero vocês lá!

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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Nota de Falecimento: Fred Gutt


Fred Gutt
(10/10/1919 - 30/06/2012)

Faleceu no último dia 30 de junho em Seattle, EUA, de causas naturais aos 92 anos de idade, o ás norte-americano Capitão Fred Ernst Gutt.

Nascido em Kronstadt, na Romênia, sua família logo emigrou para os Estados Unidos, onde se estabeleceu em Madison, Winsconsin. Gutt juntou-se aos Fuzileiros Navais e, após completar o treinamento de voo em 1941, foi comissionado 2º Tenente. Após o ataque japonês a Pearl Harbor, ele foi designado para um recém-criado esquadrão de caça, o VMF-223 "Bulldogs", na base aérea de Ewa, em Oahu, no Havaí.

Em 20 de agosto de 1942, comandados pelo Capitão John Lucian Smith (futuro ganhador da Medalha de Honra), os Bulldogs receberam caças Grumman F4F Wildcat e foram despachados para a ilha de Guadalcanal, nas Ilhas Salomão, onde aterrissaram na recém-capturada pista batizada de Henderson Field. Foram a primeira unidade de caça americana a pousar em Guadalcanal, dando origem à Força Aérea Cactus. Sem contar com radar, o VMF-223 fazia constantes patrulhas na "Hora Tojo" - entre 11h e 15h, horário mais provável para um ataque japonês - para avistar o inimigo em tempo hábil.

Gutt e outros três pilotos estavam no ar às 14:15h de 24 de agosto, quando avistaram uma formação de bombardeiros de mergulho Nakajima B5N "Kate" escoltados por caças Mitsubishi A6M "Zero" provenientes de Rabaul. Enquanto alguns pilotos se encarregavam da escolta, Gutt mergulhou diretamente sobre a formação de Kates, disparando com as seis metralhadoras do Wildcat. Dois dos bombardeiros japoneses foram ao chão, mas Gutt recebeu uma chuva de fogo defensivo e foi ferido no braço esquerdo e perna esquerda, tendo que deixar imediatamente o combate. Apesar dos ferimentos, ele conseguiu pousar de volta em Henderson Field e recebeu tratamento médico.

No seu aniversário de 23 anos, em 10 de outubro de 1942, Gutt ampliou seu escore derrubando dois hidroaviões japoneses: um biplano e um Zero. Seis dias depois, o VMF-223 foi retirado de Guadalcanal, após dois meses de intenso combate aéreo, no qual derrubou 110 aeronaves inimigas com a perda de 12 dos seus pilotos. Trocando seus Wildcats pelos novos e poderosos Chance Vought F4U Corsair em 1943, os Bulldogs entraram numa fase de ataque às posições japonesas na região. Neste período Fred Gutt voou uma missão de ataque ao solo contra Rabaul, sendo acompanhado por ninguém menos que Charles Lindbergh, o lendário aviador pioneiro na travessia solitária do Atlântico. Os dois aproximaram-se da ilha na altura das árvores, e surpreenderam um comboio japonês numa trilha na selva. Ambos os pilotos despejaram toda sua munição no inimigo, deixando os caminhões em chamas.

Já promovido a Capitão, Gutt teve seu grande dia em 28 de dezembro de 1943, quando derrubou três caças Zero e danificou um quarto, tornando-se oficialmente um ás. Sendo um dos homens de confiança do novo comandante do esquadrão, Major Marion Carl, Gutt atingiu sua última vitória em 27 de fevereiro de 1944, ao derrubar um hidroavião Zero. O VMF-223 ainda prosseguiu na guerra combatendo nas Filipinas, sendo posteriormente transferido para Okinawa em 1945.

O Capitão Fred Gutt terminou a guerra com 8 vitórias aéreas confirmadas, continuando com o esquadrão após o conflito, onde ajudou em sua reorganização na base aérea de El Toro, na Califórnia. Viúvo, ele deixa 4 filhos, 4 netos e 4 bisnetos.

Insígnia do VMF-223 durante a Segunda Guerra Mundial.

Na precária tenda do VMF-223 em Guadalcanal, dia 10 de outubro de 1942. Sentados (esq p/ dir): Fred Gutt, John "Smitty" Smith (Medalha de Honra), Marion Carl, Conrad "Ike" Winter. De pé (esq p/ dir): "Rapid Robert" Read, Charley Hughes, Kenneth Frazier, Cloyd "Rex" Jeans, Howard "Bull" Marvin.


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sexta-feira, 6 de julho de 2012

General alemão visitando batalhão do Exército em Blumenau



Recentemente deparei-me com esta interessante fotografia (não datada) da visita de um general alemão ao quartel-general do então 32º Batalhão de Caçadores (hoje 23º Batalhão de Infantaria) em Blumenau, Santa Catarina.

Realmente, a presença de um general alemão entre oficiais brasileiros numa fotografia foi algo que me deixou extremamente curioso, e imediatamente pus-me a analisar a foto para descobrir mais detalhes.

Tendo em vista que o batalhão de Blumenau foi fundado por decreto ministerial de 31 de dezembro de 1938, e o rompimento de relações com o Eixo se deu em janeiro de 1942, estabeleci uma janela temporal bem rapidamente. Restava agora dar uma olhada melhor naqueles oficiais...

E olha só que grande surpresa!

A celebridade que se encontra à direita do general alemão é justamente o então Tenente-Coronel Floriano de Lima Brayner – que em 1944 se tornaria o Chefe de Estado-Maior da Força Expedicionária Brasileira – e que comandou o 32º BC em Blumenau de janeiro de 1940 até janeiro de 1941.

Pronto! Eu tinha agora uma janela ainda menor de tempo para datar a fotografia. Mas ainda restava a questão maior: quem era aquele misterioso general alemão? Talvez um adido militar?

Após alguma pesquisa e consulta a alguns amigos, a resposta finalmente apareceu!

Trata-se do Generalmajor Günther Niedenführ.

Günther Niedenführ.
Tendo sido assessor especial do Comandante do Exército Alemão entre 1934 e 1935, ele passou para a reserva como Oberst em 31 de janeiro daquele ano. Contudo, em outubro de 1935, embarcou para a Argentina como chefe de uma missão militar de cinco oficiais alemães junto ao Estado-Maior do Exército Argentino, onde tornou-se conselheiro militar.

Nesta posição, Niedenführ recebeu a patente de Generalmajor em 1 de maio de 1939, e encerrou sua missão como conselheiro na Argentina em 30 de junho de 1940. Imediatamente, recebeu do OKW a nova missão de ser adido aéreo junto ao governo brasileiro no Rio de Janeiro, função que exerceu até 30 de junho de 1942, quando retornou à Europa. Lá, tornou-se inspetor de uma comissão econômica (Wirtschaftsinspektion Süd) junto ao Grupo de Exércitos Sul na União Soviética.

Günther Niedenführ aposentou-se definitivamente em 31 de dezembro de 1942, mas em 1 de julho de 1943 ainda recebeu a promoção a Generalleutnant.

Após a guerra, ele emigrou para a Argentina, vindo a falecer em Vicente López, na região metropolitana de Buenos Aires, em 6 de setembro de 1961, aos 73 anos de idade.

Bom, disso tudo o que podemos concluir?

Generalmajor Günther Niedenführ (centro) e Ten. Cel. Lima Brayner (direita).

A foto provavelmente foi tirada no mês de julho de 1940, durante o deslocamento de Niedenführ de Buenos Aires para o Rio de Janeiro. Neste percurso, passou por Blumenau e foi recebido por Lima Brayner na sede do 32º BC.

Vale notar que naquele momento – mais precisamente no fim do mês anterior – os alemães haviam acabado de conquistar a França, e a presença de um oficial-general do Exército Alemão era extremamente prestigiosa. Além do mais, eram altos os indicativos de que a guerra acabaria dentro de pouco tempo, com a invasão da Inglaterra ou assinatura de tratado de paz entre os dois beligerantes.

Ufa, que história interessante existe nesta fotografia!

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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Blog: WW2 Military Memoirs



Meu amigo Ricardo, de Porto Alegre, é um dos maiores - senão o maior - colecionador de militaria do Brasil, e possui um conhecimento vastíssimo em uniformes da Segunda Guerra Mundial. Seu novo blog, "WW2 Military Memoirs" é uma coletânea imperdível de reportagens e análises individuais de peças de militaria.

Ali, tenho certeza, estarão tratando com quem entende muito do assunto! Confiram:


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