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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Truk Lagoon – Um Notável Museu Submerso: Mergulho em um Nakajima B5N Kate



Tínhamos dois guias a bordo do SS Thorfinn: Tomo e Erick, ambos mergulhadores primorosos. Diariamente, era sempre um deles que nos conduzia aos diversos naufrágios de Truk Lagoon. Quatro mergulhos diurnos e um noturno. O outro, invariavelmente, permanecia no comando da lancha. Ambos eram trukeses, mas falavam um inglês perfeito e logo estabelecemos uma fraterna amizade.

Sempre alegres e prestativos, tinham grande curiosidade pelo Brasil. Tomo era o mais alto e de maior idade. Como um típico micronésio, tinha a tez morena e os cabelos compridos, parecendo um venerável chefe índio saído do filme “Dança com Lobos”.

Já Erick era pequeno, inquieto e um pouco mais jovem. Não tinha o olho direito, sempre rindo. Ensinei-o a falar em português “tartaruga”, isto logo depois dele avistar uma na água e gritar, turtle! Depois disto, sempre que me via, gritava:
-Tarrrtaruca!!!

Nestor e os guias Tomo e Erick.

Eu ficava intrigado, estupefato de como eles localizavam o ponto exato do naufrágio na laguna. Isto sem qualquer boia na superfície, marcação em terra e muito menos GPS. Enquanto um ficava à proa, resmungando as instruções em trukês, o outro mareava a lancha de maneira a ficar exatamente sobre o navio japonês. Depois lançavam um simples gancho à guisa de âncora que, não sei como, unhava o casco do naufrágio a 40, 50 metros nas profundezas.

Erick escutava com atenção as minhas histórias sobre o ataque a Pearl Harbor, o afundamento dos encouraçados HMS Prince of Wales e Repulse, torpedeados e bombardeados pelos Betties ou sobre os canhões de 460 mm do encouraçado Yamato.

Ficava impressionado. Rodava e piscava seu único olho em uma careta, como um Horatio Nelson trukês e repetia: uuhuu, battleship! battleship!

Um dia perguntei a ele onde estaria localizado o naufrágio de um Zero. Não valia os quatro que havíamos explorado no porão Dois do Fujikawa Maru. Queria um inteiro, pousado no fundo de areia branca da laguna. Erick disse-me que sabia onde estaria um destes caças, ou melhor, dois destes lendários aviões. Pedi que me levasse até lá. Depois implorei e mais tarde, subornei-o com um bonito boné bordado da Sea Divers, presente do meu velho amigo Júlio Silva. Ele então cedeu.

O sol já estava deitando no horizonte de Truk Lagoon quando pulamos na lancha. Nos acompanhava o meu dupla, o inglês Patrick.

O sol se põe em Truk.

Em questão de minutos já manobrávamos na área dos naufrágios. A bombordo estava a Ilha Etten e na proa, a Ilha Dublon. O mar permanecia calmo e soprava uma gostosa brisa morna quando rompemos a superfície e penetramos no mundo azul, silencioso e sem gravidade. Sempre a magia do mergulho. Com o guia à frente, nadamos na direção de uma grande sombra que se destacava no fundo.

Era um Zero! Todavia, se apresentava desmantelado. Havia placas de alumínio, pedaços de fios e fragmentos de aço espalhados na areia. O que restava do avião, crivado de buracos dos projéteis das metralhadoras Browning .50, permanecia emborcado, rodas para cima, cockpit enterrado no leito marinho.

Sinalizo ao Erick. Este não vale, onde está o outro? Ele indica uma nova direção e emergimos seis metros do fundo. Mais a frente aparecem dois pequenos caminhões e alguma munição de 75 mm. São diversos estojos de artilharia e outros destroços que não consigo identificar. Mais alguns minutos e o guia desce ao fundo e, triunfante, aponta para um novo Zero.

Afobado, entusiasmado, emocionado, vou até o avião. O meu dupla segue logo atrás. Faltam as extremidades das asas e a cauda. Não é um Zero, as asas são muito largas, o cockpit é alongado. O motor não está no seu lugar. Estranho.


Meu Deus, este naufrágio é um Kate! É um bombardeiro-torpedeiro baseado em porta-aviões Nakajima B5N Type 97 “Kate” – uma aeronave muito avançada para a época da sua introdução na Marinha Imperial, sendo o único bombardeiro-torpedeiro embarcado do Japão quando do início da Guerra do Pacífico.

Nakajima B5N Kate.

Um Kate lança seu torpedo nos couraçados americanos em Pearl Harbor.

Foi um engenho essencial no afundamento dos porta-aviões USS Lexington no Mar de Coral, USS Yorktown em Midway e USS Hornet na Batalha de Santa Cruz. Também foi um Kate que, durante o ataque a Pearl Harbor em 7 dedezembro de 1941, atingiu o encouraçado USS Arizona com uma única bomba de 800 kg que penetrou 150 mm de aço da blindagem da coberta da proa, indo detonar em um dos paiois de munição do grande navio.

A explosão foi catastrófica, afundando o encouraçado em nove minutos e matando 1.177 homens. Atualmente o USS Arizona é uma tumba submarina e memorial para os mais de 900 marinheiros e fuzileiros que ainda se encontram a bordo. Neste dia estava embarcado em um dos 49 Kates da primeira onda de ataque, o comandante da operação, Mitsuo Fuchida. Que história! 

Mas retorno ao presente nadando até a cabine do destroço. Está ficando cada vez mais escuro, pois em Truk já ocorre o fim do dia e se inicia nas profundezas a troca da luz pelas sombras. Consulto o relógio: são 17h 38 min. A profundidade é 24 m e a temperatura da água de 29 ºC.

O assento do piloto está no seu lugar e é ainda possível ver o manche entre um cardume de peixinhos. É um manche diferente, para ser seguro por ambas as mãos, tem o formato de uma borboleta. À frente os restos do painel, os pedais que comandam o leme e, nas laterais, uma série de comandos e peças que desconheço a função. Uma delas parece ser um suporte de bússola.

O manche do Kate.

No espaço para os três tripulantes, sentados em tandem, não encontro restos humanos e nem a metralhadora flexível de ré. Uma olhadela à frente confirma que o motor Nakajima NK1b Sakae, com 14 cilindros dispostos em duas linhas radiais e 1.115 hp, não está mais ali. Com a pancada na água, o motor, mais pesado, deve ter saltado longe. Nado a sua procura, acho que uns 20 m à proa. Só encontro pequenos bancos de coral e areia branca.

Algumas versões deste torpedeiro estavam armadas com duas metralhadoras fixas na capota do motor e que atiravam através do giro da hélice. As armas não estão por ali.

Examino agora as asas e a fuselagem com atenção. Como já havia observado, o avião perdeu seu leme e no local existem algumas arestas afiadas – é necessário ter cuidado, pois o alumínio não apresenta decomposição, permanece bem duro. Com esta luz não é possível encontrar algumas marcas das balas americanas.

Confiro os instrumentos. O manômetro alerta que o meu ar está chegando ao fim e que devo encerrar o mergulho.

É hora de subir, mas antes nado com o meu dupla sobre o avião. Aqui de cima o Kate adquire uma cor azulada, fantasmagórica, e começa a dissimular-se com o fundo. Mas antes tem a foto deste momento inesquecível e fazemos com a bandeira da Marinha Imperial japonesa.


Minha nossa! Colocar a mão em um Kate, melhor ainda, achá-lo aqui, dormitando no fundo de Truk Lagoon, provavelmente abatido em 17 de fevereiro de 1944, quando tentava decolar durante o ataque americano. Ele permanece aqui, neste mesmo local, há 68 anos.

E se esse avião tivesse voado em Pearl Harbor? Ou fosse o do Comandante Fuchida?  Mais sensacional ainda, tivesse bombardeado o Arizona? Hummmm, não seria o Kate do Tenente Taisuke Maruyama, que enfiou um Lança Longa na gorda barriga do Yorktown em Midway?

Tenente Taisuke Maruyama.


Na superfície já é quase noite, o mar parece um lago e o céu de Truk se encontra estrelado. Que mergulho!

Nestor

Fotos: Luís Mota, Nestor Magalhães e Patrick McGrath.
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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Nota de Falecimento: Günter Glasner


Günter Glasner
(26/08/1917 - 22/06/2012)

Faleceu no último dia 22 de junho em Berlim, Alemanha, de causas naturais aos 94 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro Leutnant Günter Glasner.

Nascido em Drehnow, em Brandenburgo, Glasner ingressou na Luftwaffe no fim da década de 1930. Após realizar o treinamento básico, ele passou para as equipagens aéreas, sendo treinado como artilheiro de metralhadoras defensivas em bombardeiros. Em 1940, juntou-se à tripulação do então Oberleutnant Hermann Hogeback, que voava o Junkers Ju 88 no Lehrgeschwader (esquadrão de treinamento) 1. Além de Hogeback como piloto e Glasner como artilheiro, a tripulação contava com o operador de rádio Willy Lehnert e o observador Willi Dipberger.

Inicialmente, Glasner participou de perigosas missões de bombardeio através do Canal da Mancha, durante a Batalha da Inglaterra. No começo do ano seguinte, sua tripulação foi transferida para o Mediterrâneo, de onde voou missões de ataque a comboios e bases inimigas em Malta, Creta e no deserto africano. Em 1942, o LG 1 foi enviado para a União Soviética, participando ativamente da ofensiva de verão alemã no sul do país, e durante essas operações, em 13 de agosto, Glasner foi condecorado com a Cruz Alemã em Ouro pelo sucesso de suas centenas de missões até o momento, que também colaboravam para elevar as condecorações de Hogeback. Eles voaram missões na Crimeia, Stalingrado e Cáucaso, vendo de perto o desastre que se seguiu ao vitorioso avanço de setembro.

Em junho de 1943, Hogeback foi feito comandante do Kampfgeschwader 6, e a unidade foi removida para o front ocidental, de onde passou a voar missões de bombardeio noturno contra cidades inglesas. Foi então que, em 31 de dezembro daquele ano, o Oberfeldwebel Günter Glasner tornou-se o único artilheiro defensivo de bombardeiros da Luftwaffe a receber a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro, por seu extremo sucesso como parte da tripulação de Hogeback.

Após um curto período na Itália, os Ju 88s de Hogeback voltaram a combater no ocidente, desta vez contras as tropas Aliadas que desembarcaram na França em junho de 1944. Em 1945, Glasner foi selecionado para a escola de oficiais, e terminou a guerra como Leutnant, nunca tendo se ferido em combate, o que é um caso raro entre artilheiros defensivos.

Günter Glasner voou 410 missões de combate durante a Segunda Guerra Mundial, e fez parte da única tripulação de bombardeio da Luftwaffe totalmente condecorada com a Cruz do Cavaleiro. Além dele, Willy Lehnert foi condecorado em 5 de abril de 1944 e Willi Dipberger em 9 de janeiro de 1945. Hermann Hogeback recebeu a Cruz do Cavaleiro com Folhas de Carvalho e Espadas em 26 de janeiro de 1945.

Glasner logo após receber sua Cruz do Cavaleiro. À esquerda, o então Major Hermann Hogeback.

A tripulação "Cruz do Cavaleiro" da Luftwaffe: Dipberger, Hogeback, Glasner e Lehnert.


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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Sul-matogrossenses que combateram Hitler podem perder Associação



A Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira/Mato Grosso do Sul - ANVFEB/MS - está com dívidas de mais de R$ 35 mil por conta do não pagamento de Imposto Predial Territorial Urbano - IPTU e pode ter a sede tomada pela prefeitura de Campo Grande. Para completar, os associados não tem como saldar a dívida.

A Associação é formada por ex-soldados sul-mato-grossenses que combateram o nazismo e o fascismo de Hitler e Mussolini, respectivamente, durante a Segunda Guerra Mundial (1944-45). Há menos de 10 filiados na Associação, são todos idosos octagenários com rendimentos baixos que não podem ser comprometidos com o pagamento das dívidas.

Há, também, filhos de ex-combatentes que ajudam a manter viva a história do Estado frente o combate dos regimes autoritários europeus das décadas de 30 e 40, mas eles também não possuem recursos suficientes para quitar as dívidas da associação.

O MS na guerra

Quando teve início a Segunda Guerra Mundial, em 1939, o Brasil permaneceu neutro, até que, em 1942, navios alemães afundaram dezenas de embarcações de transporte de passageiros nas costas brasileiras, levando o então presidente Getúlio Vargas a entrar na guerra ao lado de Estados Unidos, União Soviética e Inglaterra.

Soldados de todo o Brasil foram mobilizados, mais de 25 mil no total. Mato Grosso do Sul, que ainda era Mato Grosso na época, mandou soldados para todas as funções da guerra, desde a artilharia até a infantaria. Um Batalhão de Engenharia de Combate foi criado em Aquidauana e chegou a reunir, já em solo italiano, que era o front brasileiro, com soldados sul-mato-grossenses e de outros estados, mais de 780 homens. Atualmente há uma bandeira nazista capturada em combate exposta na sede do exército em Aquidauana.

Dez soldados nascidos em Mato Grosso do Sul morreram na guerra e nunca mais puderam ver o pôr do sol alaranjado do Estado. Seus corpos estão enterrados no Monumento aos Mortos na Segunda Guerra Mundial no Rio de Janeiro.

Foram nove meses de combate enfrentando chuvas, a distância e a saudade de casa e um inverno que, em alguns momentos, derrubava a temperatura a -10°C. Mesmo assim, os mais de 100 soldados do MS contribuíram para que o Brasil contabilizasse, ao final do conflito, 20.573 prisioneiros alemães e italianos. Porém, os custos para o Brasil foram altos: 457 mortos, 35 prisioneiros, 1.577 feridos em combate, 487 acidentados em ação de combate e 658 acidentados fora das linhas de combate.

Após a guerra foram criadas as associações dos ex-combatentes. A de Mato Grosso do Sul data de 1985. Lá existe uma galeria com fotos dos ex-soldados e um mini-museu. O espaço também é usado pela comunidade vizinha para realização de atividades culturais e artísticas. A associação fica na Rua 13 de Maio, número 4.111 e tem Utilidade Pública Federal, Estadual e Municipal; porém, devido às dívidas de IPTU pode ser extinta.

A prefeitura de Campo Grande não se pronunciou ainda sobre o assunto, mas, tanto pode tomar o imóvel em pagamento da dívida, quanto pode anistiar e isentar a Associação do pagamento de impostos.

Fonte: Correio de Corumbá, 11 de junho de 2012.

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terça-feira, 26 de junho de 2012

Sturmovik é encontrado em lago na Rússia



Uma lendária aeronave soviética foi recuperada das profundezas de um lago no norte da Rússia na semana passada. O Ilyushin Il-2 Sturmovik permaneceu quase 70 anos debaixo de 17 metros de água.

O Sturmovik foi recuperado após uma impressionante operação resgate que durou uma semana, e foi chefiada pelo filho do piloto da aeronave. Seu pai havia feito um pouso forçado no gelo do lago Krivoye, ao norte da região de Murmansk, em 25 de novembro de 1943, disse uma fonte do Ministério da Defesa da Rússia. Tanto o piloto quanto o artilheiro de ré sobreviveram.

O Ilyushin Il-2 foi uma das mais importantes armas da guerra para a União Soviética, e o próprio Stalin disse que era tão importante quanto pão para as tropas.

A aeronave será agora enviada para restauração em Novosibirsk, e possivelmente será transformada num monumento.

Fonte: RIA Novosti, 21 de junho de 2012.









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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Nota de Falecimento: Ruy Campello


Ruy Campello
(16/06/1917 - 21/06/2012)

Faleceu no último dia 21 de junho no Rio de Janeiro, RJ, de causas naturais aos 95 anos de idade, o veterano detentor do Bastão de Comando da FEB, General-de-Brigada Ruy Leal Campello.

Nascido em Rio Grande, no estado do Rio Grande do Sul, Ruy passou a infância morando próximo a uma colônia de imigrantes alemães, tomando contato com os costumes e tradições daquele povo, que ainda eram bastante preservados. Ao terminar os estudos, seguiu para o Rio de Janeiro, onde ingressou na Academia Militar do Realengo, graduando-se como Aspirante na turma de 1940.

Com a formação da FEB em fins de 1943, o jovem oficial Ruy Campello foi integrado às suas fileiras. O então 1º Tenente foi feito sub-comandante da 5ª Companhia do II Batalhão, 1º Regimento de Infantaria "Sampaio". A 5ª Companhia, comandanda pelo Capitão Valdir Sampaio, permaneceu em treinamento na Vila Militar, no Rio de Janeiro, até seu embarque para a Itália em 22 de setembro de 1944. Chegando ao Teatro de Operações, o 1º Regimento passou por completo reequipamento e treinamento complementar na zona de combate, finalmente entrando em linha no front no fim de novembro.

Com a paralisação das operações ofensivas durante o inverno, a 5ª Companhia iniciou um intenso período de realização de patrulhas e sondagem do dispositivo inimigo, com diversas escaramuças e captura de prisioneiros alemães. O degelo de fevereiro de 1945 anunciou o retorno da ofensiva dentro do Plano Encore - que designava à Divisão de Infantaria Brasileira a conquista de Monte Castelo, um bastião inimigo no Apeninos cercado por pontos de apoio de artilharia alemã, que faziam dele um desafio a ser temido.

Contudo, na manhã do dia 21 de fevereiro, após planejamento e preparação, o General Mascarenhas de Morais ordenou o ataque, com o I Batalhão do 1º Regimento, comandado pelo Major Olívio Uzêda abrindo as ações no flanco esquerdo. Percebendo o sucesso do avanço do I Batalhão, o comandante regimental, Coronel Aguinaldo Caiado de Castro, ordenou que a 5ª Companhia se juntasse ao efetivo de Uzêda. Desta forma, o Capitão Sampaio e o Tenente Ruy iniciaram a corajosa subida do monte, junto da força que mais recebeu fogo dos alemães. Constantemente apoiado por nossa artilharia divisional, o batalhão chegou ao penúltimo ponto de conquista, logo antes do topo, às 14:20h. Por volta das 17h, Monte Castelo havia caído em mãos brasileiras.

O 1º Regimento de Infantaria ainda seguiu combatendo em La Serra, Montese e Fornovo, encerrando a vitoriosa campanha da FEB na Itália. Já de volta ao Brasil, ainda em 1945, Ruy foi promovido a Capitão, recebendo o comando da 5ª Companhia. Em seguida ele concluiu o curso de Comando e Estado-Maior, sendo enviado para a 3ª Divisão de Cavalaria em Bagé, no Rio Grande do Sul, e mais tarde foi transferido para o estado-maior do I Exército.

Em 1957, Ruy Campello integrou o primeiro contingente do Batalhão Suez, uma força de paz brasileira enviada para o Oriente Médio para mediar conflitos entre Israel e seus vizinhos árabes, desembarcando em Port Said em 4 de fevereiro daquele ano. Em maio de 1964, foi chamado para o gabinete do então Ministro da Guerra General Arthur da Costa e Silva. Promovido a General-de-Brigada em 1973, tornou-se comandante da 8ª Brigada de Infantaria Motorizada, passando para a reserva em 1978.

Com o falecimento do Marechal Waldemar Levy Cardoso, em 18 de outubro de 2009 o General Ruy Campello recebeu o Bastão de Comando da FEB em cerimônia oficial no Monumento aos Mortos na Segunda Guerra Mundial no Rio de Janeiro. Ele deixa 3 filhos, 6 netos e 2 bisnetos.

General Ruy Campello recebendo o Bastão de Comando da FEB.

Quando estive no Rio de Janeiro para fazer uma palestra no evento sobre o Dia da Vitória em 3 de maio, tive a honra de ter o General Ruy Campello me assistindo na primeira fila. Ao fim do evento, ele tomou o microfone e fez observações sobre as palestras, sendo em seguida homenageado pela Associação de Combatentes Franceses do Rio. Já no coquetel que se seguiu no gabinete do presidente do Clube Militar, pude ter com o General Ruy um bate-papo muito interessante e inesquecível para mim. Foi quando ele me contou sobre sua infância no RS. Embora muito sério à primeira vista, o General Ruy era uma pessoa comunicativa e sorridente. Ter recebido dele um elogio pela minha palestra foi um orgulho tremendo, e algo muito emocionante, pois eu nunca pensei que pouco mais de um mês depois desse nosso único encontro eu estaria escrevendo sua nota de falecimento.

Descanse em Paz General!

General Ruy Campello e eu, no Clube Militar - RJ, 3 de maio de 2012.

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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Escola secreta japonesa treinava ninjas durante a guerra



Um conjunto de documentos recém-descobertos da Segunda Guerra Mundial revela que uma escola secreta da espionagem japonesa ensinava ninjutsu – as artes marciais praticadas pelos ninjas – como parte de sua grade.

A Rikugun Nakano Gakko foi administrada pelo Exército Imperial japonês, e era usada para treinar agentes de inteligência militar em segredo. Acredita-se que quase todos os documentos relacionados à escola foram destruídos antes do fim da guerra, então esta é a primeira vez que uma informação real vinda de documentos oficiais confirma a existência da escola.

Os relatórios que foram descobertos haviam sido enviados para o Ministério da Guerra na época da graduação da primeira turma da escola. Os estudantes não somente aprendiam a esgueirar-se em seus quimonos pretos, usando uma katana e jogando estrelas, mas também aprendiam métodos mais práticos de descobrir informações e sabotagem, incluindo confecção de bombas e fotografia.

Acredita-se que a escola tenha sido planejada para treinar soldados que serviriam o Império por trás das linhas inimigas. Cerca de 2.300 soldados se graduaram na escola antes de seu fechamento em 1945.

Após a revisão dos documentos, foi revelado que aqueles que graduavam-se ganhavam cerca de 1.290 créditos, e tinham que estudar disciplinas como ciência militar, que incluíam o estudo de línguas estrangeiras, topografia e armas. Cada graduado deveria falar pelo menos três línguas estrangeiras (inglês, chinês e russo).

Os documentos não especificam que técnicas ninjutsu eram ensinadas, mas os estudantes aprendiam judô e luta com espadas.

A documentação foi descoberta por Taketoshi Yamamoto, um especialista em história da informação e professor emérito da Universidade de Waseda. Ele diz que até agora havia somente escassa informação sobre a existência da escola, mas os novos achados ajudaram a lançar luz sobre o assunto.

Fonte: Japan Daily Press, 21 de junho de 2012.

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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Memphis Belle recebe novos propulsores em restauração



A fuselagem prateada do Memphis Belle exibe as punições de seis meses de operações de combate na Europa durante a Segunda Guerra Mundial, bem como das décadas subseqüentes nas quais a natureza e os caçadores de souvenires cobraram seu preço.

A mais celebrada aeronave americana a emergir da guerra agora foi transportada para um hangar no sul de Ohio, onde passará por longa e cuidadosa restauração, de seu nariz de acrílico até as metralhadoras 12,7 mm na cauda.

E claro, cuidado especial será dado à garota de pernas longas em um biquíni azul que sedutoramente senta-se na inscrição Memphis Belle, bem como às marcações de 25 missões bem-sucedidas na Europa entre 1942 e 1943.

O bombardeiro Boeing B-17 eventualmente será exibido no Museu Nacional da Força Aérea Americana, na base aérea Wright-Patterson, perto de Dayton.

Neste meio-tempo, o público pode conferir o progresso da restauração enquanto os trabalhadores do museu realizam o processo de montagem da estrutura pelos próximos dois anos.

Todas as sextas-feiras, visitantes que se inscrevem pelo site do museu são conduzidos pelos hangares para um tour de três horas “pelos bastidores” do setor de restauração. Lá há um T-6 Texan, Fairchild C-82 e um Douglas A-1H Skyhawk em reparos.

Contudo, a estrela é sem dúvida o Memphis Belle, que foi o primeiro B-17 a completar as requeridas 25 missões para retornar aos EUA. Tendo chegado despedaçado ao museu em 2005, o avião começou a tomar forma no ano passado, quando as asas foram remontadas e o trem de pouso abaixado. Esta semana, recebeu novos propulsores – mas somente estará concluído em 2014.

O B-17F pilotado pelo então Tenente Robert Morgan ganhou seu famoso apelido antes de deixar os EUA. Morgan, que faleceu em 2004, disse que inspirou-se em sua namorada, uma garota de 19 anos de Memphis, Tennessee, chamada Margaret Polk. A arte pintada no nariz do bombardeiro foi uma cópia de uma garota pin-up criada pelo artista George Petty para a revista Esquire em 1941.

Fonte: Reading Eagle, 17 de junho de 2012.

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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Aeronave resgatada não era um Stuka, e sim um Ju 88!


Junkers Ju 88
Parecia um Stuka, parcialmente enterrado na lama no fundo do Mar Báltico, mas pesquisadores agora dizem que os destroços da aeronave alemã recuperados na semana passada pertencem a um tipo totalmente diferente – embora igualmente raro – de aeronave.

O porta-voz do Museu Histórico-Militar da Alemanha, Sebastian Bangert, revelou que agora tem certeza de que a aeronave resgatada não é um monomotor Ju 87, e sim um bimotor Junkers Ju 88.

Os dois modelos da fabricante Junkers tinham muitas peças em comum – incluindo os motores em muitas séries – e do jeito que os destroços estavam dispostos no fundo do mar, aparentavam ser de um Stuka.

Mas agora que uma imensa seção de asa foi resgatada, claramente a identidade do Ju 88 foi confirmada. “Parecia um Stuka nas fotos submarinas, e tudo que havíamos resgatado eram peças usadas no Ju 87 – então não havia razão para duvidar. Mas este achado pode agora ter ficado até mais significativo historicamente falando”.

Talvez o mais importante seja que os mergulhadores também acharam restos humanos, incluindo metade de um crânio, que eles esperam identificar.

O bimotor Ju 88 também serviu como bombardeiro de mergulho, mas seus principais empregos foram como bombardeiro tático e caça noturno.

Existem somente alguns pouquíssimos Ju 88s intactos hoje em dia – incluindo o que está no acervo do Museu da RAF em Londres, que coincidentemente também tem um dos dois únicos Stukas em exibição hoje.

Há também diversos destroços resgatados de ambas as aeronaves.

A operação de resgate se encerrará esta semana, mas com mais da metade do avião ainda enterrado no fundo, Bangert espera que retornem em breve ao local para terminar o serviço.

O Junkers será eventualmente exibido no Museu Aeronáutico no aeródromo de Gatow, em Berlim.

Fonte: Air Force Times, 15 de junho de 2012.

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terça-feira, 19 de junho de 2012

Edelweiss: reencenação na Suíça!



Alguns entusiastas empreenderam há algumas semanas na Suíça uma das mais bacanas reencenações que já vi, empreendendo uma verdadeira escalada de treinamento Gebirgsjäger, as lendárias tropas de montanha da Wehrmacht.

A excelente qualidade de uniformes e equipamentos foi coroada com um cenário alpino belíssimo, com direito até a tempestade de neve! Nada mais propício!

Liderados por homens como Eduard Dietl e Julius Ringel, os soldados montanheses alemães são mais conhecidos por sua vitória em Narvik, na Noruega, em 1940, bem como pela campanha grega e do Cáucaso.











Para ver o álbum completo com quase 300 fotos, clique aqui.

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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Filme: The German



Escrito e dirigido pelo cineasta Nick Ryan, "The German" é um curta-metragem que se passa durante a Batalha da Inglaterra, e retrata a luta pessoal entre dois pilotos: um inglês e um alemão.

Realizado com apenas 70 mil euros, mostra o que pode ser feito quando se tem paixão pelo tema, mesmo que os grandes orçamentos hollywoodianos não estejam disponíveis: uma boa história supera qualquer problema.

Interessantíssimo, é o mínimo que posso dizer. Não vou falar mais pra não estragar a diversão de ninguém. Simplesmente assistam:


Agradeço ao amigo Nestor Magalhães pela dica!

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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Truk Lagoon - Um Notável Museu Submerso: Mergulho em um Mitsubishi A6M Zero




Havia uma grande expectativa no salão de briefing à popa do SS Thorfinn, nosso navio-base ancorado bem no meio de Truk Lagoon. Escutávamos atentamente as explicações do Capitão Lance Higgs, planejando o nosso terceiro mergulho do dia.

Iríamos explorar o naufrágio do Fujikawa Maru, um grande cargueiro japonês com 132 metros e quase 7.000 toneladas de deslocamento. O desenho do naufrágio, em todos os seus detalhes, era projetado em um telão e podia-se ver um navio não-desmantelado, com uma elegante popa, uma chaminé solitária, dois guindastes, sete porões e dois canhões de seis polegadas (152 mm), um na proa e outro na popa.

Também aparecia na imagem, quase a meia-nau e a boreste, um generoso buraco de torpedo no casco, resultado do ataque do dia 17 de fevereiro de 1944. Algum Avenger da US Navy tivera boa pontaria. Senti um choque ao escutar as palavras “Zero fighter” no planejamento. Minha nossa, então estavam armazenados no Porão Dois, quatro caças Zeros! Bem, era o que o Capitão Higgs estava dizendo. 

Rolei de costas pela borda da nossa lancha, penetrando em um estouro de espuma na água azul e tépida da laguna. Sempre aquele friozinho na barriga até atingir a água. A visibilidade, como de costume, era muito boa e logo avistei o longo casco do Fujikawa Maru. Permanecia pousado no fundo de areia branca com seu convés a 27 metros da superfície.

Deixei meus companheiros, o Patrick, o Luís Mota e o guia Tomo, que foram explorar a casa das máquinas e nadei sozinho para a proa. Logo estava na plataforma do canhão. Para a minha surpresa, a arma era protegida por um escudo, agora coberto de vida marinha, mas a culatra havia sido limpa por algum mergulhador. No aço brilhante do bloco estava escrito FOC 6 In. B.L. e a data 1899. Pareceu-me um canhão inglês, mas como fora parar em um navio japonês? Teria sido material capturado nas colônias britânicas, francesas ou holandesas ou simplesmente comprado pelo Japão nos anos 30?

Canhão 152 mm da proa.


 
Nadei para o Porão Dois, respirava bem, estava com a flutuabilidade neutra, o termômetro marcava deliciosos 29 °C e o manômetro indicava o consumo de 1/3 do cilindro de ar comprimido. Pelo caminho fui encontrando garrafas, um cartucho 7,7 mm, louças, fios, máscaras contra-gases e um sapato. 






Olhei pela borda do porão. Lá embaixo estava escuro, mas logo vi as nuvens de bolhas dos meus parceiros, assim, desci até eles. A visão foi se acostumando às sombras. Minha mãe, logo vi um Zero! Puxa vida, um caça Zero! Depois outros. Um deles estava quase que completo. Os demais parcialmente desmontados. Asas em um canto, fuselagem no outro.

Também por ali apareciam diversos tonéis de 200 litros. Seriam para gasolina de aviação? Nadei para o Zero em melhores condições. Estava sem a cobertura envidraçada do cockpit. Entretanto ali permanecia o assento do piloto, o manche, o painel de instrumentos e outras peças que não consegui identificar.

Um dos Zeros, visto de cima.



O espaço para o piloto era realmente pequeno, os pedais também. Há cabeleiras de fios no interior da nacele e os mostradores do painel do Zero ainda estão com os vidros. O manche não possui mais o punho emborrachado e nem os gatilhos dos canhões de 20 mm e das metralhadoras de 7,7 mm. Agora é um simples tubo metálico, enferrujado. Parece-me até muito fino. Sinto os detalhes dos rebites achatados da fuselagem e o encosto do piloto em alumínio, todo perfurado pela busca extrema da economia de peso



Lembro que este caça, veloz e de grande maneabilidade, não possuía blindagem e nem tanques de combustível auto-obturáveis. O conceito japonês de operações aéreas se constituía sobre uma palavra: ataque. E os Zeros eram ferozmente inexoráveis nesta atitude, armas ofensivas na sua essência.

Em um outro Zero, meus parceiros posavam para a foto histórica sentados no apertado espaço da carlinga. É um local para um homem pequeno. Este movimento já começava a levantar uma nuvem de sedimentos, ferrugem e silte marinho.  Estes aviões, vindos do Japão, destinados à guarnição de Truk, haviam afundado junto com o navio há 68 anos atrás.


Na base de uma das asas o alumínio está corroído e é possível enxergar as longarinas da estrutura. Juro que tive a impressão de ter visto os resíduos de um sol vermelho ainda pintado naquela asa. Minha nossa!

Volto à realidade. É hora de subir. O porão está ficando cada vez mais escuro devido à suspensão levantada pelo movimento dos mergulhadores e será um longo caminho até a superfície. Cruzo sobre a enorme boca do Porão Um. Sensação estranha, pois não há gravidade, é como se voasse lentamente sobre um abismo. Não ouso penetrar ali, pois o ponteiro do meu manômetro já encosta na faixa vermelha. Arrisco somente uma olhadela. Lá estão em desordem alguns motores de avião, metralhadoras, munições de artilharia e um sinistro torpedo Lança-Longa. Uma pena, fica para outro dia. Superfície! 

Foi um mergulho inesquecível.

Nestor

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