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segunda-feira, 30 de abril de 2012

O novato piloto francês que enfrentou 40 bombardeiros


Um novato piloto francês que dispersou 40 bombardeiros alemães, que atacavam uma das mais belas cidades britânicas 70 anos atrás, será honrado com uma exibição em museu.

Yves Mahi, que tinha 23 anos na época, atacou furiosamente uma formação de bombardeiros da Luftwaffe que atacava York durante os “Raides de Baedecker” em abril de 1942.

Hitler enviou seus aviões para destruir bucólicas cidades inglesas como retribuição após um ataque da RAF contra a histórica cidade alemã de Lübeck, no mês anterior.

Às 2:42h da manhã de 29 de abril de 1942, bombardeiros sobrevoaram York por 90 minutos, despejando 84 toneladas de bombas incendiárias e de alto-explosivo.

As detonações explodiram um trem, que fazia a rota Londres-Edimburgo, dos trilhos, danificaram um terço das residências e incendiou a famosa fábrica de chocolates Rowntrees. Cerca de 95 civis morreram e 212 ficaram feridos no ataque.

Mas a destruição poderia ter sido pior não fosse pelo novato Yves – que nunca havia entrado em combate antes – entrar em cena após avistar as chamas enquanto retornava de um voo de treinamento num Hawker Hurricane.

O piloto do 253º Esquadrão mergulhou sobre a formação com todas as 8 metralhadoras atirando, explodindo dos céus um Heinkel He 111, antes de virar sua mira para um Junkers Ju 88 que acabou caindo ao iniciar a volta.

Os ataques que atingiram Exeter, Bath, Canterbury, Norwich e York ficaram conhecidos como “Raides de Baedecker” devido a um famoso guia turístico alemão de cidades britânicas, chamado “Baedecker’s Great Britain”.

Yves Mahi foi agraciado com uma recepção cívica pelo povo de York e mais tarde condecorado com a Croix de Guerre pelo líder francês Charlesde Gaulle.

Agora, seu feito de bravura – bem como os próprios bombardeios – estão sendo relembrados por uma exposição no Museu Aeronáutico de Yorkshire, em Elvington, perto de York.

Ian Reed, diretor do museu, disse: “A intervenção de Yves Mahi veio bem em cima da hora, já que os bombardeiros se preparavam para atacar a fábrica principal da Rowntrees, que, sem o conhecimento da população, abrigava um gigantesco paiol com potentes explosivos”.

O resultado poderia ter sido catastrófico”.

Mais tarde juntando-se ao grupo de caça Normandie-Niemen na União Soviética, Yves Mahi foi derrubado em 1944 e capturado pelos alemães, mas conseguiu escapar e voltar para a França.

Ele faleceu aos 42 anos de idade em 1962, enquanto pilotava um jato Gloster Meteor na Bélgica.

Fonte: The Sun, 25 de abril de 2012.

Trem explodido dos trilhos pelas bombas.

Uma das casas danificadas no bombardeio de York.


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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Dia Nacional da Aviação de Caça 2012



Abril é o mês da caça no Brasil. Foi neste mês que, em 1945, nossos poderosos vetores do Senta a Pua realizaram a maior série de ataques aéreos da história de nossa FAB, despejando toneladas de bombas, balas e foguetes sobre o inimigo, deixando sua marca gravada em fogo no solo italiano.

E foi no dia 22 de abril que este esforço hercúleo atingiu seu ápice, com a realização de 44 surtidas. Nossos P-47 Thunderbolt atacaram e destruíram inúmeros veículos inimigos, a esta altura tentando fugir pelo Vale do Pó em direção ao Passo do Brenner, saindo da Itália para a Alemanha. Dada a precisão das armas brasileiras, muitos nunca chegariam lá.

O Dia Nacional da Aviação de Caça é celebrado anualmente pela Força Aérea Brasileira na Base Aérea de Santa Cruz, sede do 1º Grupo de Caça e berço da aviação de caça brasileira. É um evento que mistura comemorações oficiais com reuniões menos formais dos veteranos avestruzes do Senta a Pua. E é isso que faz dele tão inesquecível.

Quase sete décadas depois do fim da Segunda Guerra Mundial, qualquer um ainda pode ir ao Rio de Janeiro e dividir momentos de conversa com nossos veteranos – jovens que estiveram lá e protagonizaram aqueles eventos – hoje senhores de idade dotados de uma invejável jovialidade.

Tomei o voo para o Rio de Janeiro no dia 20 de abril, chegando lá por volta das 17h. Já tinha reservado meu quarto no hotel do Clube da Aeronáutica, que é onde acontece anualmente o Almoço dos Veteranos.

Reencontrei meus amigos Eduardo Seyfert, professor de anatomia humana na UFCG e Celso Menezes, roteirista da graphic novel Jambocks, ambos grandes entusiastas do Senta a Pua. Celso deu-nos a boa notícia de que o volume 2 da Jambocks está passando pela revisão final, e deverá ser lançado no começo do mês de junho, portanto, aguardem que coisa boa vem por aí!

No dia seguinte, bem cedo, levantei para fazer uma visita ao Monumento aos Mortos na Segunda Guerra Mundial, que é uma parada obrigatória para qualquer um passando pelo Rio de Janeiro. Lá estão enterrados os restos mortais dos quase 500 soldados brasileiros que perderam a vida em combate nos campos italianos. Lá também queima a chama eterna em homenagem a estes bravos que tombaram em defesa do Brasil. Reservei um momento para prestar meus respeitos a estes bravos.

Em seguida, foi hora de retornar ao Clube da Aeronáutica, pois às 11h sempre acontece a Missa do Caçador, uma celebração católica em nome dos 9 pilotos brasileiros que perderam a vida na guerra. Desta vez, a missa aconteceu no hangar do III COMAR, logo ao lado do Clube, um ambiente amplo e apropriado, belissimamente decorado com o símbolo da FAB.

Chegamos cedo e pudemos receber os veteranos um a um, à medida que chegavam. O nosso querido Brigadeiro Rui Moreira Lima chegou acompanhado da esposa Dona Julinha, e deu-me um abraço de boas-vindas. Fiquei feliz por vê-lo em bom estado de saúde, pois ele completará 93 anos em junho. Em seguida, o “caçula” do grupo, Brigadeiro José Meira de Vasconcelos, que sempre nos espanta por parecer muito mais jovem do que é, também chegou. Mas a surpresa maior foi realmente a presença de um terceiro piloto Jambock no recinto: o Major John Buyers. Embora não oficialmente um membro do 1º Grupo de Caça, já que este mineiro de Juiz de Fora era filho de americanos e ingressou na USAAF durante a guerra, Buyers é um dos nossos porque, na qualidade de oficial de ligação de Nero Moura com a 12ª Força Aérea – e não tendo qualquer obrigação operacional conosco – voou 22 missões de combate com o Senta a Pua por pura solidariedade e companheirismo, devido à falta de pilotos de recompletamento.

Não posso deixar de mencionar a presença dos nossos veteranos de terra, que desempenharam as vitais funções de apoio para que os P-47s voassem: José Varela, Ferreirinha, Alvarenga, Sebastião Miniró, e outros, sem esquecer da presença distinta do Capitão Osias Machado, auxiliar de operações do Grupo e organizador das comemorações atualmente.

Seguimos para o salão do almoço, já decorado com as bandeiras da caça e fotos do Grupo na Itália. Lá, distribuídos em diversas mesas se encontravam muitos parentes e amigos dos veteranos, além dos próprios. Numa mesa no centro do ambiente, sentaram-se Rui, Meira e Buyers, rodeados pelos atuais comandantes dos esquadrões de caça da FAB e o presidente do Clube, Brigadeiro Batista.

Após o tradicional discurso do Brigadeiro Rui, foi puxado o “Carnaval em Veneza”, canção temática e hino do 1º Grupo de Caça, que é coroada ao fim por um sonoro “Senta a Pua! Brasil!” por todos os presentes. Durante o saboroso almoço que se seguiu, coletei assinaturas para um pôster que em breve doarei para o acervo do Museu da FEB em Belo Horizonte.

Ao almoço se seguiu uma tranquila tarde de bate-papo sobre aviação no deque do Clube, que dá vista para a Baía de Guanabara com destaque para a Ilha Fiscal e o Arsenal da Marinha. Foi quando pudemos conversar bastante com Regina Maria Moura, filha de Danilo Moura, irmão do Brigadeiro Nero e também piloto do Grupo.

Com este dia bem cheio, era hora de ir descansar porque a viagem para Santa Cruz no dia seguinte seria muito longa – e começaria bem cedo. Acertadamente, resolvemos alugar um carro para ir até a base. Explico: num fato inédito, o dia seguinte, 22 de abril, começou com chuva no Rio de Janeiro. Uma tempestade caiu no começo da manhã. Além disso, houve um atraso totalmente injustificado do ônibus cedido pela FAB para transportar os veteranos, seus familiares e amigos para a base. Este, aliás, é um ponto que devo ressaltar e uma falha na coordenação da FAB quanto aos nossos veteranos da caça. O ônibus veio quase duas horas atrasado e sub-dimensionado, ocasionando que algumas pessoas acabaram ficando para trás por falta de espaço.

Mais uma vez, ainda bem que alugamos o carro, porque além de chegar a Santa Cruz no horário certo, ainda poupamos lugares no ônibus dos veteranos.

Dado o mal tempo, a cerimônia de formatura e a entrega das Medalhas Nero Moura deram-se dentro do hangar do Zeppelin. Notamos que no palanque havia apenas duas cadeiras – destinadas aos brigadeiros Rui e Meira – e não três. Ora, John Buyers estava lá, então por que não deveria sentar-se no palanque? Fizemos a pergunta ao Brigadeiro Rui, que disse: “Chamem ele pra cá oras!” Evidentemente, o cerimonial havia deixado-o de lado.

Peguei uma cadeira da platéia e coloquei no palco, enquanto o Eduardo chamava o Major Buyers para vir ao palanque. Foi quando fui confrontado pelo responsável pelo cerimonial, que de maneira um pouco rude questionou-me sobre a cadeira extra. Simplesmente respondi que estava seguindo ordens do Brigadeiro Rui Moreira Lima. Nenhuma palavra mais...

Tudo resolvido, o Major Buyers foi condecorado com a Medalha Nero Moura pelo Ministro da Defesa Celso Amorim, acompanhado pelo comandante da FAB, Brigadeiro Juniti Saito.

Com a chuva cessando por volta do meio-dia, fomos para o lado de fora para a realização da Cerimônia do P-47. É quando é feita a chamada dos pilotos mortos, com salva de tiros em honra e passagens baixas dos caças Northrop F-5M da FAB. Rui e Meira depositaram a coroa de flores no túmulo de Nero Moura acompanhados de Amorim e Saito, erguendo em seguida a bandeira nacional, ao som de “Carnaval em Veneza” tocado pela banda da base.

O Coronel-Aviador Arnaldo, comandante da BASC, convidou então a todos para seguirem para o salão para o tradicional coquetel. Este é momento culminante do dia, de maior descontração, onde os convidados podem conversar com pilotos da caça e outras autoridades presentes.

Um pouco mais tarde, Eduardo, Celso e eu fomos convidados para conhecer o cassino dos oficiais do 1º Grupo de Caça, que é a sala de descanso dos pilotos, bem como o Salão Histórico da unidade, que guarda diversas relíquias interessantíssimas.

Dia encerrado, voltamos para o Rio de Janeiro no fim da tarde.

O Dia Nacional da Aviação de Caça é uma data que não deveria ser perdida por nenhum entusiasta da história militar brasileira e nossa aviação na guerra. Lá, você é dominado pela atmosfera histórica do Senta a Pua, convivendo com seus protagonistas e revivendo histórias de vida e combate que poucos neste país têm conhecimento (infelizmente).

Se você pode, não deixe de participar; esta é minha dica. Honre nossos veteranos enquanto ainda é tempo, e também prepare-se para muita diversão!

Senta a Pua! Brasil!

Monumento aos Mortos na Segunda Guerra Mundial

Um dos dois canhões alemães Krupp 88mm que guardam o monumento.

A famosa escultura representando as três forças.

Com o Brigadeiro José Meira de Vasconcelos.

Com o Major John Buyers e sua esposa.

Capitão Osias e Brigadeiro Rui.

Ferreirinha, do pelotão de guarda do Senta a Pua.

Brigadeiro Rui, nosso simpático patrono.

Capitão Osias, o organizador!

Dentro do hangar do Zeppelin na Base Aérea de Santa Cruz.

Rui e Meira no palanque.

E agora sim, Buyers se junta a eles.

Major Buyers recebe a Medalha Nero Moura.

Eduardo Seyfert, Celso Menezes, John Buyers, eu, Tenente Gouvea.

Cerimônia do P-47.

Sebastião Miniró, o homem que desenhava os brasões do Senta a Pua nos P-47s.

Brigadeiro Rui e a Guarda de Honra da BASC.

Eduardo Seyfert, Celso Menezes e eu, junto ao P-47 do Tenente Lima Mendes.


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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Comemorações dos 70 anos do Doolittle Raid



No dia 17 de abril de 2012 comemorou-se os 70 anos do ousado Doolittle Raid, o ataque de B-25s norte-americanos liderados pelo General James Doolittle a Tóquio, partindo do convés de um porta-aviões em pleno Oceano Pacífico.

E para marcar a data, importantíssima para o esforço de guerra dos Estados Unidos, entusiastas da aviação montaram um encontro maciço de nada menos que 20 bombardeiros North American B-25 Mitchell na base aérea de Dayton, Ohio.

Um dia de pura beleza e saudosismo, que agora você pode conferir aqui, em fotos de alta-resolução.

Quem dera tivéssemos eventos semelhantes, hein?

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terça-feira, 24 de abril de 2012

Curtiss P-40 é encontrado no Egito



Seguindo o bom ritmo de descobertas de tesouros aeronáuticos, foi encontrado no Egito, perdido nas imensidões do Deserto do Saara, um Curtiss P-40 Warhawk da RAF. A aeronave passou 70 anos totalmente intocada na desolação do deserto, até ser avistada totalmente por acaso no início deste mês.

A fuselagem ainda preserva bem as pinturas originais e marcações, indicando que a identificação da aeronave - e de seu piloto - não deve ser tarefa muito árdua. Os instrumentos do painel também estão em excelente estado de conservação.

Um destacamento do Exército Egípcio já esteve no local e recolheu as fitas de munição que ainda se encontravam na aeronave.

O destino deste Warhawk ainda é incerto, mas certamente espera-se que seja restaurado e se torne peça de destaque em algum museu.

Confira os vídeos abaixo:



Meus agradecimentos ao amigo Marcos Renault pela dica!
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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Os 67 anos da conquista de Montese



Na semana passada, de 13 a 15 de abril, estive em São João Del Rei – MG, para as comemorações do 67º aniversário da tomada de Montese pela Força Expedicionária Brasileira.

Travada nos dias 14 e 15 de abril de 1945, a Batalha de Montese culminou com a vitória brasileira sobre a resistência alemã na cidade, e a efetiva destruição da posição defensiva do Eixo nos Apeninos. Com a vitória, os exércitos inimigos agora caiam no Vale do Pó, sendo perseguidos e arrebanhados pelas forças Aliadas nas semanas seguintes.

A comemoração deu-se na cidade-sede do antigo 11º Regimento de Infantaria – a unidade que realizou o ataque a Montese – hoje 11º Batalhão de Montanha, que atualmente é comandando pelo Tenente-Coronel Oswaldo Sant’Anna.

Peguei o voo para Belo Horizonte bem cedo no dia 13. Lá, encontrei-me com o pessoal do Regimento Inconfidentes, um grupo de colecionadores de veículos militares históricos. Quem me convidou em primeiro lugar foi meu amigo Marcos Renault, vice-presidente da ANVFEB Belo Horizonte. No total, quatro jipes partiram em comboio de BH para São João Del Rei, uma viagem que levaria aproximadamente 5 horas (com a média de 70 km/h dos jipes, claro).

Eu nunca havia dirigido um veículo histórico deste tipo, mas a oportunidade foi-me dada pelo amigo Carlos Jesus Daher, proprietário de um dos jipes. Desta forma, fui dirigindo todo o percurso, e confesso que foi uma tremenda experiência. O jipe deriva um pouco no eixo dianteiro, e o câmbio oferece certa dificuldade para os novatos dada a posição pouco ortodoxa das marchas, mas com pouco tempo tudo se resolve e você se adapta ao veículo.

Chegando a São João Del Rei, nos encontramos com os veteranos que haviam vindo de ônibus de BH, entre eles meus já conhecidos Capitão Divaldo Medrado e Tenente Geraldo Taitson. Pude conhecer também um senhor muito bem-humorado – e apreciador de uma boa cachaça, diga-se de passagem – o veterano Cláudio Soares da Silva. Motorista de jipe do 1º Regimento, Cláudio teve seu jipe da época da guerra, o “Extraviado”, recriado por Carlos Daher, e foi nele que viajamos.

No sábado, dia 14, fomos convidados para um concerto musical com a banda do 11º Batalhão no Teatro Municipal. Lá percebemos que veteranos da FEB de diversas cidades haviam comparecido ao evento, totalizando 22 boinas azuis. O concerto foi um espetáculo, com a afinada banda dando um show de harmonia e grandeza musical. O encerramento foi feito com a Canção do Expedicionário, que foi cantada por todos – banda e plateia – de pé. Um momento emocionante.

No dia seguinte, domingo, 15 de abril, pegamos os jipes e estávamos prontos às 7:30h da manhã junto ao monumento à FEB na cidade, para a cerimônia oficial de comemoração da conquista de Montese e a formatura da tropa montanhesa.

Todos devidamente fardados com uniformes da FEB, conduzimos os veteranos a bordo dos jipes pelas ruas de São João Del Rei, sendo aplaudidos pela população enquanto passávamos. Confesso aqui: fazer parte de um evento assim é muito marcante. Pude conduzir verdadeiros herois nacionais em desfile, em frente ao comando de uma histórica unidade militar que tantas glórias trouxe ao Brasil. Isso não tem preço.

Assim, após as despedidas e parabenizações, retornamos para Belo Horizonte, novamente nos históricos jipes.

Num país que tem pouca tradição de respeitar sua história, o trabalho de pequenos grupos como o Regimento Inconfidentes salta ao olhos e faz-se valer pela determinação e paixão pela causa que exprimem.

Meus agradecimentos vão para o amigo Marcos Renault pelo convite, e para Carlos Daher pela chance passar 500 km no volante de um veículo histórico da Segunda Guerra Mundial.

E viva a FEB!




Com o veterano Cláudio Soares da Silva.


Em frente ao Teatro Municipal, com os veteranos Ten. Geraldo Taitson, Cap. Ary  Roberto e Cap. Divaldo Medrado.

Concerto com a banda do 11º Batalhão de Montanha.

Veículos organizados para o desfile do dia 15/04.

Com os uniformes da FEB.

Fui conduzindo o jipe com os veteranos Cláudio Soares, José Augusto e Cirilo Vicente.

Pelas ruas de São João Del Rei.

Com o veterano José Augusto de Freitas Santos, do 1º Grupo de Artilharia de Campanha 155mm - os mais poderosos canhões da FEB na Itália!

Sr. Cláudio de volta ao volante da réplica de seu antigo jipe durante a guerra.

Com a Sra. Helena Rezende, que, junto com outras 20 moças de São João Del Rei, foi ao Rio de Janeiro em 21 de abril de 1944 entregar ao General Mascarenhas a bandeira do Brasil costurada por elas, e utilizada em combate pelo 11º Regimento.


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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Último Dambuster faz visita ao seu antigo esquadrão



Ele é o último dos veteranos Dambusters que protagonizaram o mais ousado bombardeio da Segunda Guerra Mundial.

Mas George “Johnny” Johnson, 90 anos, parece jovial como nunca enquanto posou para fotos com o jovem piloto de bombardeiro Tom Hill, quase 69 anos depois de seu extraordinário feito.

O veterano de guerra compareceu a um evento beneficente na sede de sua antiga unidade, em favor dos pilotos atuais da RAF.

George Johnson, 1943.
Johnson, antigo piloto do 617º Esquadrão, foi fotografado com Tom Hill, que voa hoje pelos Dambusters, e Simon Dufton, que irá de motocicleta até à reconstruída represa Mohne para colocar uma coroa de flores.

A ousada missão começou na remota base da RAF em Lincolnshire, em 16 de maio de 1943. Terminou com a destruição das represas do Mohne e Edersee, com a represa do Scorpe sofrendo danos leves.

Embora o esquadrão tivesse partido para destruir três represas, eles tiveram sucesso em destruir duas delas, gerando um tremendo aumento no moral dos Aliados.

Os pilotos voaram sobre a Europa ocupada sob pesado fogo inimigo e despejaram suas bombas com precisão cirúrgica a 20 metros de altura.

Destruir as represas do Vale do Ruhr e inundar os grandes parques industriais de guerra era a visão do engenheiro Barnes Wallis para encerrar a guerra.

Correndo contra o tempo para realizar a missão até maio, quando os níveis dos reservatórios do Ruhr estariam em seu máximo e eles poderiam contar com a lua cheia, os Dambusters foram liderados pelo cáustico Wing Commander Guy Gibson, de 24 anos.

A bravura das tripulações dos 19 Lancasters naquela noite épica nunca será esquecida pelo povo da Grã-Bretanha.

Fonte: Daily Mail, 17 de abril de 2012.


Hill e Johnson com um motor Rolls-Royce Merlin, que equipava os Lancasters.

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terça-feira, 17 de abril de 2012

20 Spitfires são encontrados enterrados na Birmânia



Vinte novíssimos Spitfires da RAF podem em pouco tempo ganhar os céus após um acordo assinado recentemente com o governo da Birmânia.

Os especialistas acreditam que descobriram os locais onde 20 dos famosos caças da Segunda Guerra Mundial foram enterrados em aeródromos por todo o país. O Primeiro-Ministro David Cameron assinou um acordo que prevê que eles sejam devolvidos à Grã-Bretanha.

Historiadores dizem que os Spitfires foram enviados para a Birmânia no verão de 1945, duas semanas antes das bombas atômicas caírem no Japão e encerrarem a guerra.

A campanha britânica para expulsar os japoneses da Birmânia foi a mais longa e sangrenta da guerra, tendo sido iniciada com a invasão japonesa no fim de 1941.

Os Spitfires ajudaram a dar apoio às forças especiais Chindits no solo – e provaram-se um grande incentivo ao moral. Tiveram um papel crucial na derrota do inimigo e cobriram o subseqüente avanço Aliado pela Birmânia, protegendo as tropas no solo.

Mas os Spitfires enterrados nunca viram ação. O comandante do teatro de operações, Lorde Louis Mountbatten, ordenou que fossem escondidos em 1945 para impedir que forças estrangeiras os tomassem, após o exército britânico ser desmobilizado. As aeronaves, recém-saídas da linha de montagem, foram enterradas em caixas numa profundidade de 1,2 a 1,8 metros, para conservá-las. Seus paradeiros foram perdidos após a RAF perder os documentos em seus arquivos.

Mas entusiastas da aviação, auxiliados por especialistas da Universidade de Leeds e um veterano da Segunda Guerra que testemunhou a ocultação, acreditam ter encontrado suas localizações usando a mais recente tecnologia de radar de penetração de solo.

O governo britânico disse que quer desenterrar as aeronaves e restaurá-las para que possam retornar à sua antiga glória.

As condições das caixas de carga e das aeronaves, cujas asas e fuselagem foram enterradas separadamente, são desconhecidas. Mas especialistas esperam que estejam bem preservadas.

Uma fonte ministerial disse que David Cameron fechou um acordo com o presidente birmanês para que o país ajude a Inglaterra a escavar as aeronaves num projeto histórico conjunto.

O Spitfire é provavelmente a aeronave mais importante da história da aviação, tendo um papel crucial na Segunda Guerra Mundial. Espera-se que haja uma oportunidade de trabalhar com o governo birmanês para escavar, restaurar e exibir estas aeronaves, bem como levá-las aos céus da Grã-Bretanha mais uma vez”, disse.

Fonte: Daily Mail, 13 de abril de 2012.

Meus agradecimentos ao amigo Marcos Renault pela dica!

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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Nota de Falecimento: Theo Kroj


Theo Kroj
(01/09/1918 - 03/04/2012)

Faleceu no último dia 3 de abril em Wiesbaden, Alemanha, de causas naturais aos 93 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, Hauptmann Theo Kroj.

Nascido em Bad Schwalbach, 20 km a norte de Wiesbaden, Kroj tornou-se cadete da Academia de Oficiais e, ao terminar o treinamento, foi designado para a 36ª Divisão de Infantaria em Kaiserslautern. A divisão permaneceu aquartelada durante a campanha da Polônia em 1939 e, embora enviada para a França em 1940, não viu combate na linha de frente.

Tendo sido motorizada em novembro de 1940, a unidade de Kroj foi anexada ao 41º Corpo Panzer no começo da Operação Barbarossa. Operando no norte da União Soviética, ele envolveu-se em pesados combates contra tropas russas ao redor de Leningrado, quando a Wehrmacht fechava o cerco à cidade. Em outubro de 1941, a divisão foi transferida para o front de Moscou, a oeste de Klin, e lá Kroj participou dos combates defensivos contra a ofensiva de inverno do Exército Vermelho.

No verão de 1942, a divisão continuou a defender o setor central do front, recebendo ataques contínuos que forçaram constantemente a linha para trás. Quando foi desencadeada a Batalha de Kursk em julho de 1943, Kroj, já comandando a 13ª Companhia do 87º Regimento, participou dos combates ao sul de Oryol, enfrentando pesado ataque soviético e sendo agraciado com a Cruz Alemã em Ouro.

No dia 1 de setembro de 1943 - seu aniversário de 25 anos - Kroj estava com sua Companhia na reserva, e fazia uma caminhada pela linha de frente com o Hauptmann Krieger, comandante do II Batalhão. Pouco depois de despedirem-se, Kroj foi deitar-se, mas logo foi acordado pelo trovoar da artilharia soviética e um aviso do Regimento: Krieger havia sido seriamente ferido, e Kroj agora assumia o comando do II Batalhão. Na confusão do ataque, Kroj viu-se longe de seus comandados, e já podia escutar os gritos de "hurra!" das duas companhias de soldados soviéticos, acompanhados de tanques, que vinham em sua direção. Rapidamente organizando o posicionamento de dois canhões antitanque para a defesa, o Hauptmann Kroj estava sozinho na linha de frente. Nesse ínterim, chegaram 10 soldados de uma unidade de granadeiros próxima, e outros 5 de uma unidade de artilharia. Tomando a iniciativa, Kroj decidiu montar uma desesperada resistência com apenas 15 homens e seu suporte de dois canhões. Contudo, foi tal a ferocidade e decisão de sua defesa que o ataque inimigo teve o ímpeto quebrado, e os russos bateram em retirada. No campo de batalha estavam centenas de armas, munição e todo tipo de material abandonado pelo inimigo. E o mais impressionante, Theo Kroj e seus 15 soldados estavam a apenas 150 metros da linha de frente original. Por esta destemida ação frente à forças inimigas superiores, Theo Kroj foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 24 de novembro de 1943.

Após sofrer pesadas baixas na Operação Bagration no verão de 1944, a 36ª Divisão foi reformada e empregada contra os Aliados Ocidentais na França, e rendeu-se aos americanos no fim da guerra.

Foto autografada de Theo Kroj.

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terça-feira, 10 de abril de 2012

Sala de Guerra: 5 anos no ar!



Puxa! 5 anos!

É uma data que significa muito! Às vezes em pensamento eu volto lá naquele 10 de abril de 2007, quando finalmente dei o passo de fé e decidi começar um blog. Um espaço para falar sobre a Segunda Guerra Mundial da forma como eu queria: apaixonadamente e sem tendências. Ao revisitar aquela primeira postagem - corajosa e pretensiosa ao mesmo tempo - vi o quanto ela mudou minha vida e, com satisfação, vejo que consegui manter a promessa nela feita.

Há 5 anos eu mantenho a Sala de Guerra funcionando, equilibrando o tempo dedicado a ela com meu trabalho e vida pessoal. Não é fácil, eu confesso. Mas é recompensador. Vale a pena.

Dizem que desta vida nada se leva; pessoalmente, acredito que vou levar sim as experiências, as histórias, as viagens e os amigos que fiz - tudo o que me aconteceu porque há 5 anos atrás decidi criar a Sala de Guerra. Receber um elogio ao site não é bom simplesmente por uma questão de ego: é um sentimento enobrecedor de dever cumprido.

Mais uma vez, agradeço a todos os amigos e leitores da Sala de Guerra, pessoas que fazem deste espaço o que ele é. Não fossem por vocês, meu trabalho cairia em ouvidos surdos. Muito obrigado!

E que venham mais 5 anos!

Abraços,

Júlio César Guedes Antunes

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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Nota de Falecimento: Ted Sismore


Ted Sismore
(23/06/1921 - 22/03/2012)

Faleceu no último dia 22 de março na Inglaterra, de causas naturais aos 90 anos de idade, o melhor dos navegadores de baixa-altitude da RAF, Air Commodore Edward Barnes "Ted" Sismore.

Nascido em Kettering, Northamptonshire, Sismore voluntariou-se aos 18 anos de idade para a Reserva da RAF, sendo treinado como observador. Ao terminar o treinamento, foi designado para o 110º Esquadrão, que voava bombardeiros Bristol Blenheim em operações anti-navio nas costas holandesa e francesa, já ocupadas pelos alemães. Após 30 missões com o Blenheim, Sismore foi transferido para o 105º Esquadrão, que voava o De Havilland Mosquito.

Feito navegador dos ágeis caças-bombardeiros bimotores, rapidamente Sismore demonstrou a incrível destreza que possuia. Em dezembro de 1942, ele tornou-se navegador do Squadron Leader Reggie Reynolds, e a dupla protagonizou numerosas missões ousadas nos anos seguintes.

Na manhã de 31 de janeiro de 1943, eles lideraram uma pequena força de Mosquitos no primeiro ataque diurno da RAF a Berlim. Neste dia, Goering e Goebbels deveriam participar de uma cerimônia pública em comemoração aos 10 anos da subida de Hitler ao poder. Os Mosquitos penetraram na Alemanha em baíxissimo nível, rente ao topo das árvores, e a habilidosa navegação de Sismore levou-os a chegar ao alvo precisamente às 11h, conforme planejado. Após despejar os explosivos e dar a volta, os aviadores ingleses puderam escutar uma gravação da rádio alemã, na qual as bombas podiam ser escutadas bem quando um porta-voz anunciava para a multidão a chegada de Goering. Devido ao ataque, Goering desistiu de fazer o discurso, provando que suas promessas de inviolabilidade do território alemão não passavam de retórica. Sismore foi condecorado com a Distinguished Flying Cross por este sucesso.

Durante todo o ano de 1943, Sismore realizou diversos ataques diurnos audaciosos contra Alemanha, destacando-se o de 27 de maio contra fábricas da Zeiss em Jena, perto de Leipzig - o alvo mais distante atacado pelo Mosquitos a partir da Inglaterra. Transferido para o 21º Esquadrão, Sismore tornou-se navegador do Air Vice-Marshal Sir Basil Embry, comandante do 2º Grupo de Caça. Neste posto, ele planejou em fevereiro de 1944 a Operação Jericho, um ataque à baixa-altitude ao QG da Gestapo em Amiens, para libertar líderes aprisionados da Resistência Francesa que seriam executados. Embora sem ter voado a missão, o planejamento de Sismore foi essencial para seu completo sucesso.

Ele novamente juntou-se à Reggie Reynolds em outubro de 1944, e no último dia daquele mês liderou uma força de 24 Mosquitos contra o QG da Gestapo instalado na Universidade de Aarhus, na Dinamarca. Realizado em meio à névoa, o ataque-surpresa foi um sucesso total, com a destruição do prédio e muitos dos arquivos da polícia secreta alemã.

Um último ataque liderado por Sismore teve resultados bem mais polêmicos: em 20 de março de 1945, após muitos pedidos da Resistência Dinamarquesa, os Mosquitos da RAF partiram para bombardear o QG da Gestapo em Copenhagen. Liderando a primeira leva de seis aeronaves, Sismore fez um ataque preciso ao alvo designado, contudo, um dos Mosquitos bateu um poste de luz e chocou-se contra o Instituto Joana d'Arc, uma escola infantil católica. Vendo as chamas, muitos dos Mosquitos da segunda e terceira levas lançaram suas bombas do prédio, pensando tratar-se do alvo principal. O resultado foram 86 crianças mortas e 18 adultos, incluindo muitas freiras.

Apesar do desastroso resultado na escola, o QG inimigo foi destruído, efetivamente paralisando as operações da Gestapo na Dinamarca e permitindo a fuga de 18 prisioneiros. Por seus sucessos na luta pela libertação do país, o Rei da Dinamarca, Frederico IX, fez dele Cavaleiro da Ordem de Danneborg.

Após a guerra, Sismore tornou-se piloto e comandou o 29º Esquadrão, a primeira unidade de caças noturnos a jato da RAF. Ele ainda passou dois anos no QG das Forças Britânicas no Oriente Médio como planejador do estado-maior, antes de ser promovido a Air Commodore em 1971 e tornar-se comandante do Real Corpo de Observação. Ted Sismore passou para a reserva em junho de 1976, e passou muito de sua aposentadoria em efeitos beneficentes para veteranos da RAF.

Ávido jogador de golfe, Ted Sismore era viúvo desde 2006. Ele deixa um filho e uma filha.

Ted Sismore e Reggie Reynolds, uma das melhores duplas dos Mosquitos da RAF.

Ted Sismore assinando livros no Mosquito Meeting 2008.

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