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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Nota de Falecimento: Zacarias Cardoso


Zacarias Izidoro Cardoso
(02/01/1923 - 25/12/2011)

Faleceu no último dia 25 de dezembro em Aracaju, Sergipe, de falência múltipla de órgãos aos 88 anos de idade, o veterano da FEB Sargento Zacarias Izidoro Cardoso.

Nascido em Maruim, no interior sergipano, Zacarias assistiu atônito ao afundamento sequencial de 6 navios brasileiros na costa sergipana em agosto de 1942, pelo submarino alemão U-507. Esses afundamentos, que vitimaram mais de 600 pessoas em 48 horas, foram o estopim que levou o Brasil a declarar guerra à Alemanha e Itália. Com a criação da FEB em 1943, Zacarias, aos 20 anos, ingressou no Exército para se voluntariar para a Força Expedicionária.

Em janeiro de 1944 ele foi integrado ao 11º Regimento de Infantaria, sediado em São João Del Rey, Minas Gerais. De lá, o regimento partiu para a Vila Militar do Rio de Janeiro, onde recebeu intenso treinamento com o restante da divisão. Com o embarque do 6º Regimento no mês de julho, o 1º e 11º regimentos permaneceram em treinamento por mais três meses, até seu embarque para a Itália em setembro. Zacarias foi alocado à 6ª Companhia do 11º Regimento, completando seu treinamento na zona de combate e recebendo o batismo de fogo no front de Monte Castelo durante o inverno 1944-1945. Ele logo se destacou em combate por sua atitude agressiva e destemida, voluntariando-se para tarefas muitas vezes evitadas pelos demais, como avançar na frente por campos minados e realizar patrulhas perigosas. Desta feita, ganhou dos colegas o apelido de "O Louco de Pisa". Suas qualidades de soldado bravo também foram reconhecidas pelo Alto-Comando: o então Tenente-Coronel Humberto Castello Branco (futuro presidente do Brasil) tinha Zacarias em alta conta, chamando de "Meu Leão".

Zacarias foi ferido diversas vezes em combate, sendo que a última - e mais grave - se deu durante a conquista de Montese, em 14 de abril de 1945. Atingido nas costas por uma granada alemã, Zacarias foi soterrado por escombros. Foi encontrado pela Tenente Joana Simões de Araújo, enfermeira da FEB, que deu-lhe os primeiros socorros. Imediatamente transferido para o hospital militar de Livorno, ele foi em seguida transferido para um hospital nos Estados Unidos, devido à gravidade de seus ferimentos. Após 19 cirurgias e a perda de um pulmão, Zacarias finalmente voltou ao Brasil em 1947, sendo recebido em sua cidade natal de Maruim com grande pompa.

Sua bravura foi reconhecida com a medalha Sangue do Brasil e a Silver Star norte-americana. Com cicatrizes no tórax e nas mãos devido aos ferimentos em combate, Zacarias dizia não temer balas e explosões, temendo bem mais o clima do inverno europeu.

Agradeço aos amigos Bruno Felipe de Jesus e Carlos Cesar Santos pela ajuda!

Zacarias conversa com o secretário de educação de Sergipe, Acrísio Cruz, ao retornar ao Brasil.

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Nota de Falecimento: Yefim Berezovsky


Yefim Berezovsky
(08/02/1913 - 19/12/2011)

Faleceu no último dia 19 de dezembro em Moscou, Rússia, de causas naturais aos 98 anos de idade, o Heroi da União Soviética, Major Yefim Matveevich Berezovsky.

Nascido na pequena vila de Savran, na região ucraniana de Odessa, Berezovsky perdeu cedo os pais. Enviado a diversos orfanatos durante os primeiros anos do governo comunista, desistiu da escola e, aos 11 anos, passou a trabalhar numa estação ferroviária na curva do rio Don. Lá, recebeu uma cama num dormitório e fazia dinheiro suficiente para alimentar-se. Em 1935 entrou para o Exército Vermelho, servindo até 1938, quando foi dispensado. Tornou eletricista de ferrovias e cursava a Escola Técnica Ferroviária de Moscou quando irrompeu a Operação Barbarossa.

Berezovsky apresentou-se novamente para o serviço militar e foi enviado para a artilharia, recebendo seu batismo de fogo no outono de 1941, junto ao 692º Regimento de Artilharia da 240ª Divisão de Rifles. Participou da defesa de Moscou durante o inverno e foi feito Tenente em fevereiro de 1942. Sua unidade participou dos combates em Stalingrado, desde os insucessos iniciais até a vitória final sobre o 6º Exército alemão em janeiro de 1943. Em seguida, Berezovsky participou da Batalha de Kursk, onde destruiu diversos veículos blindados alemães, mas foi ferido na coxa por um grande pedaço de estilhaço, sendo imediatamente hospitalizado. Ao receber alta, foi nomeado comandante da 2ª Bateria do 692º Regimento. Em 28 de setembro de 1943, o Exército Vermelho iniciou a travessia do rio Dnieper, visando a libertação de Kiev, capital da Ucrânia. Para dar apoio aos desembarques, o 692º Regimento teve suas armas posicionadas na margem oriental - em frente à cabeça-de-ponte de Liutezh. Após ceder a conquista de uma pequena área inicial, os alemães realizaram 11 contra-ataques com fogo pesado para eliminar a posição soviética na margem ocidental. Durante esse intenso combate, as armas de Berezovsky dispararam com precisão em suporte contínuo à infantaria, eliminando 250 soldados inimigos, duas armas de 75 mm, cinco ninhos de metralhadora, três baterias de artilharia e quatro baterias de morteiros, além de três tanques alemães.

Por seu exemplar comando da bateria de artilharia, essencial para o sucesso da travessia do Dnieper, o Presidium do Soviete Supremo concedeu ao Tenente Yefim Berezovsky, em 10 de janeiro de 1944, a Estrela Dourada de Heroi da União Soviética. Após sua condecoração, Berezovsky ainda participou de diversas batalhas junto ao 2º Front Ucraniano, culminando na conquista de Viena, em abril de 1945. Ele também participou da Parada da Vitória em Moscou, em 24 de junho, e passou para reserva no ano seguinte, com a patente de Capitão.

Após a guerra, ele estudou no Instituto de Engenharia Ferroviária de Leningrado, graduando-se em 1949 e exercendo a profissão de engenheiro ferroviário até sua aposentadoria definitiva, quanto mudou-se para Moscou. Em 2000, foi honorariamente elevado à patente de Major.

Yefim Berezovsky.

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Nota de Falecimento: Ludwig Meister


Ludwig Meister
(14/12/1919 - 26/11/2011)

Faleceu no último dia 26 de novembro em Erbendorf, Alemanha, de causas naturais aos 92 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, Hauptmann Ludwig Meister.

Nascido em Rohrmühle, na Bavária, Meister ingressou na Luftwaffe em outubro de 1939, sendo enviado para as escolas de voo de Weimar e Dresden. Enviado para o curso de voo cego em Brandis em fevereiro de 1941, ele finalmente passou para a Zerstörerschule (escola de caças pesados) em Neubiberg - sendo comissionado Leutnant em junho de 1941 e enviado para o grupo de treinamento avançado em caça noturna do Nachtjagdgeschwader 1.

Operando ativamente com o NJG 1 a partir de setembro de 1941, ele abriu seu escore na noite de 30 de novembro, quando abateu três bombardeiros da RAF sobre Hamburgo. Quando o II Grupo do NJG 1 foi transferido para St. Trond, na Bélgica, Meister seguiu com eles e participou da Operação Donnerkeil - a travessia dos navios Prinz Eugen, Scharnhorst e Gneisenau pelo Canal da Mancha, em 13 de fevereiro de 1942. Em maio, ele foi transferido para o III Grupo do NJG 4, baseado em Mainz. Na noite de 28 para 29 de agosto, ele derrubou mais três bombardeiros ingleses, e em outubro tornou-se ajudante do comandante do grupo, Hauptmann Willi Herget (71 vitórias). Meister atingiu sua 10ª vitória em 17 de abril de 1943, sendo promovido a Oberleutnant, e fechando o ano com 21 vitórias. Promovido a Hauptmann em 1 de janeiro de 1944, ele derrubou quatro Lancasters na noite seguinte. Em 24 de março, seu Messerschmitt Bf 110 foi pesadamente alvejado por um P-47, e Meister por pouco conseguiu fazer uma aterrissagem forçada em Naninne. Hospitalizado até agosto de 1944, ele recebeu durante sua recuperação a Cruz Alemã em Ouro em 3 de abril e a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 9 de junho - quando contava com 37 vitórias.

Em 6 de dezembro de 1944, Meister recebeu o comando do III Grupo do NJG 4, derrubando sua última presa na noite de 7 para 8 de março de 1945. Ludwig Meister terminou a guerra com 39 vitórias aéreas confirmadas em 125 missões de combate.

Ludwig Meister e seu operador de radar, Hannes Forke.

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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Conquista de Monte Castelo, pelo Cap. Sady Monteiro


O Capitão Sady Magalhães Monteiro (já falecido), foi membro do 9º Batalhão de Engenharia da Força Expedicionária Brasileira. Desta maneira, estava lá naquele culminante dia 21 de fevereiro de 1945, quando conquistamos o Monte Castelo definitivamente. Uma ação por qual toda a Divisão aguardava ansiosa, devido aos insucessos que precederam o inverno. O neto de Sady (que aposentou-se como General de Brigada), Coronel Gerson Monteiro, enviou-me estas fotografias abaixo. As legendas – transcritas por mim – foram escritas pelo próprio Capitão, e transcendem sua experiência naquele histórico dia da Pátria Brasileira:


Lago Brago, 21 de fevereiro de 1945, às 14h30min – Tendo já deixado em La Grilla (500 metros atrás) o Capitão Renê com sua Companhia dando início aos seus trabalhos na ponte, andei um pouco com o Major Saldanha, para vermos “a coisa mais de perto”. Não conseguimos nem com o binóculo enxergar os nossos infantes e engenheiros no seu avanço, apesar da pouca distância (mais ou menos 700 metros). Isso porque, no momento, a artilharia e a aviação Aliadas (brasileiras e americanas) castigavam severamente o inimigo poderosamente organizado desde o sopé até o cume do monte. A foto ainda “pegou” uma parte do efeito, o que estou procurando mostrar com o dedo, como quem diz: “Vejam! Entre eu e o morro há brasileiros grudados no terreno, esperando dar o assalto final!


Serrettone, 21 de fevereiro de 1945, às 11h20min – Acabava de sair do Posto de Observação do 1º Regimento de Infantaria, de onde assisti a progressão final dos americanos (10ª Divisão de Montanha) para Mazancana e Ronchidos, no alto da crista Belvedere-Gorgolesco. Iniciada a ação da FEB contra o Castello, pus-me a observá-lo de longe com o binóculo, antes de dirigir-me para Gaggio Montano e La Grilla, onde nossa 3ª Companhia de Engenharia construiria a primeira ponte. O local onde apareço é um detalhe da parte da entrada do observatório em sapa. Para se chegar ao Posto de Observação havia uns 100 metros de caminho em rampa e mais uns 60 metros de sapa rasa, a partir do Posto de Comando.

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Última viagem do USS Iowa chega perto do fim



A viagem final do USS Iowa está chegando perto do fim.

O último navio couraçado sobrevivente da Segunda Guerra Mundial sem um lar definido está atualmente docado no porto de Richmond, onde está sendo preparado para sua jornada final até o porto de Los Angeles - onde se tornará um museu flutuante e um memorial ao poder da Marinha dos Estados Unidos.

A organização Pacific Battleship Center arrecadou 8 milhões de dólares para resgatar o navio de 68 anos de um cemitério de navios em Suisun Bay.

O Iowa, de mais de 240 metros de comprimento, foi comissionado em 1943, servindo em combate durante a Segunda Guerra Mundial e na Guerra da Coreia. O gigante navegou pela última vez em 1990.

Fonte: The Huffington Post, 12 de dezembro de 2011.

Abaixo, o Iowa zarpando para Richmond:


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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Voando muito baixo...


Voar raso é um dos grandes prazeres dos pilotos mais ousados. Na Segunda Guerra Mundial, claro, houve inúmeras exibições desse tipo de perícia, perigosa e emocionante. Aqui vão alguns exemplos:


O neozelandês Cobber Kain, primeiro ás da RAF na Segunda Guerra, é visto aqui na França fazendo uma passagem baixa com seu Hurricane. É dito que ele voou tão baixo que cortou grama com o propulsor, cujos restos passaram pelo radiador.


Um Douglas A-20G Havoc do 417º Esquadrão de Caça Noturna fazendo um raso diurno perto de seu campo de treinamento em Orlando, Florida.


Um Curtiss P-40 passa extremamente baixo por cima de um fotógrafo que registrava um treinamento de desembarque de fuzileiros navais norte-americanos em alguma ilha do Pacífico.


Um esquadrão de Junkers Ju 52 da Luftwaffe passam baixo pelo terreno russo perto de Demiansk, na região de Leningrado, durante o cerco soviético às tropas alemãs entre fevereiro e maio de 1942.



Em foto tirada em Canterbury, Nova Zelândia, em 1944, um Airspeed Oxford passa tão baixo que assusta metade dos espectadores em solo - a outra metade permanece firme.


Um P-47 Thunderbolt da USAAF passa extremamente baixo. Veja a velocidade da fotografia pela deformação das casas ao fundo.


Este P-40 está tão baixo, mas tão baixo, que, se formos considerar o diâmetro de seu propulsor, a aeronave está a apenas pouco mais de um metro do chão. Piloto tão maluco quanto corajoso - e o fotógrafo também, por estar tão perto.


Douglas A-20 do 88º Esquadrão da RAF se aproximando de um alvo no Mar do Norte. Muitas vezes a aproximação de aeronaves de ataque sobre o mar requeria um voo colado às ondas.


Em Taranto, na Itália, um piloto Aliado faz um raso com um Macchi MC.200 Saetta capturado da Regia Aeronautica. Este show de perícia, contudo, terminou em tragédia: o piloto atingiu um membro da equipe de terra e o decapitou. Não tendo notado nada em voo, o piloto somente percebeu, depois do pouso, um estrago no bordo de ataque de sua asa - contendo pedaços de crânio.

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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Nota de Falecimento: Oskar Schäfer


Oskar Schäfer
(16/01/1921 - 22/11/2011)

Faleceu no último dia 22 de novembro em Berlim, Alemanha, de causas naturais aos 90 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, SS-Obersturmführer Oskar Schäfer.

Nascido em Nixdorf, nos Sudetos (hoje República Tcheca), Schäfer completou seus estudos e juntou-se à SS em 9 de novembro de 1938, como voluntário da 12ª Companhia do Regimento-SS "Deutschland". Após completar seu treinamento, participou das campanhas da Polônia e França como soldado raso de infantaria.

Já durante a Operação Barbarossa, Schäfer combateu junto à 2ª Divisão Panzer-SS "Das Reich" no Grupo de Exércitos Centro, avançando até os portões de Moscou, onde foi seriamente ferido durante os combates do inverno. Ao recuperar-se em fins de 1942, foi enviado para o 5º Batalhão Panzer da 5ª Divisão Panzer-SS "Wiking", lutando no setor sul da União Soviética. Em 1943 ele foi enviado à Alemanha para ajudar a treinar um novo batalhão blindado da Waffen-SS na escola de tanques em Sennelager. Esta nova unidade, o 503º Batalhão Panzer Pesado-SS usaria o novo PzKw VI Tiger. Na primavera de 1945, Schäfer recebeu comando da 3ª Companhia do batalhão, sendo enviado para o front leste e tomando parte nas lutas ao redor de Arnswalde e Stargard, sendo novamente ferido. Apesar de debilitado, Schäfer conseguiu escapar do cerco soviético em Kolberg (atualmente na Polônia), atingindo a linha alemã em Greifswald. Juntando-se ao restante do batalhão, ele recebeu um novo PzKw VIb Königstiger.

Com o gigantesco novo tanque, Schäfer envolveu-se nos pesados combates entre blindados durante a travessia soviética do rio Oder, e na defesa de Berlim. Tendo sido um dos comandantes de tanques mais atuantes e bem-sucedidos na defesa da capital, Schäfer foi convocado à Chancelaria do Reich em 29 de abril de 1945. Lá, juntamente com o SS-Sturmbannführer Friedrich Herzig e o SS-Hauptscharführer Karl Körner, foi recebido pelo comandante da defesa do distrito governamental de Berlim, SS-Brigadeführer Wilhelm Mohnke, que condecorou os três com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro, por seu desempenho na defesa da cidade.

Logo depois, Mohnke convocou Schäfer para compor seu grupo de fuga, que abandonaria o Führerbunker no dia 2 de maio de 1945. Durante a tentativa de fuga, enquanto cruzava a Heerstrasse, seu Königstiger foi atingido por um projétil russo, que travou a torre. O veículo então foi atacado e incendiado por um tanque soviético JS-2, matando dois dos tripulantes. Schäfer escapou da morte mais uma vez seriamente ferido com queimaduras de terceiro grau.

Capturado pelo inimigo e encaminhado a um hospital, Schäfer perdeu temporiamente a visão e a memória. Ele acabou sendo liberado pelos soviéticos em 1947 devido à seriedade de suas queimaduras. Mesmo com o rosto e parte do corpo seriamente afetados, Schäfer recuperou-se completamente e era um ativo participante de encontros de veteranos.

SS-Obersturmführer Schäfer em 1998.

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Nota de Falecimento: Heinrich Sonne


Heinrich Sonne
(23/02/1917 - 03/12/2011)

Faleceu no último dia 3 de dezembro em Erftstadt, Alemanha, de causas naturais aos 94 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, SS-Hauptsturmführer Heinrich Sonne.

Nascido em uma família alemã residente em Riga, na Letônia, Sonne juntou-se à SS aos 21 anos de idade, em 13 de setembro de 1938. Selecionado para a escola de oficiais, ele foi comissionado SS-Untersturmführer em novembro de 1940. Com a formação da 1ª Brigada de Infantaria Motorizada da Waffen-SS em 21 de abril de 1941, Sonne recebeu o comando de um pelotão da unidade, com o qual entrou em combate na União Soviética a partir de 23 de julho daquele ano.

Inicialmente combatendo partisans na retaguarda do Grupo de Exércitos Sul, do Generalfeldmarshall Gerd von Rundstedt, a brigada teve seu primeiro combate na linha de frente em 9 de agosto, ao norte de Zhitomir. Em dezembro de 1941, a unidade foi transferida para o controle do Grupo de Exércitos Centro, de Fedor von Bock, onde passou o inverno em batalhas defensivas contra o Exército Vermelho na área de Tula. Em 1942, a brigada novamente foi enviada para a retaguarda, onde participou de grandes operações anti-guerrilha, com bastante sucesso. Sonne foi promovido a SS-Obersturmführer em novembro, recebendo mais tarde o comando da Companhia de Motocicletas. Com o acirramento dos combates em 1943, Sonne participou cada vez mais ativamente dos combates na linha de frente. Em setembro, foram enviados para reforçar a linha de frente perto de Smolensk. Os soviéticos conseguiram uma penetração no setor vizinho ao da 1ª Brigada, e Sonne foi ordenado a contra-atacar. A companhia recebeu o impacto direto dos tanques T-34, mas conseguiram parar seu avanço. Durante o combate, 13 T-34s foram destruídos pelos soldados de Sonne, com o restante sendo aniquilado por uma unidade de tanques alemães. Por esta ação, ele recebeu a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 10 de dezembro de 1943, sendo também promovido a SS-Hauptsturmführer.

Enviado para a recém-criada 18ª Divisão Voluntária de Granadeiros Panzer-SS "Horst Wessel", Sonne recebeu o comando do 18º Batalhão de Reconhecimento Blindado, combatendo na Croácia e Hungria. Em seguida, ele foi transferido para a Brigada Panzer-SS "Westfalen", onde comandou o Regimento de Reconhecimento Blindado da unidade.

Após a guerra, Sonne se tornou um dos poucos ex-soldados da Waffen-SS a ingressar nas novas Forças Armadas alemãs, graças a sua impecável folha de serviços. Entrando novamente em serviço em 5 de novembro de 1956, ele aposentou-se em 31 de março de 1973 com a patente de Oberstleutnant (Tenente-Coronel).

NOTA: Veterano reservado, Sonne compareceu ao encontro da OdR em outubro de 2009, na cidade de Bad Honnef, onde pude conhecê-lo pessoalmente. Um senhor já com andar curvado, caminhando bem devagar com uma bengala, ele educadamente assinou diversas fotos para os presentes - inclusive eu.

SS-Hauptsturmführer Sonne no encontro da OdR em Bad Honnef, outubro de 2009.

Meus agradecimentos ao amigo Martin De Jong pela última foto.
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Nota de Falecimento: Erich Schlemminger



Erich Schlemminger
(17/09/1908 - 07/11/2011)


Faleceu no último dia 7 de novembro em Osloss, na Alemanha, de causas naturais aos 103 anos de idade, o mais idoso dos ganhadores da Cruz do Cavaleiro ainda vivo, Oberstleutnant Erich Schlemminger.

Nascido em Schnappen, na Prússia Oriental, Schlemminger era filho de um construtor. Entrou para o Reichswehr em 1 de outubro de 1927, como soldado do 2º Regimento de Cavalaria. Em 1938, foi escolhido para cursar a Escola de Oficiais. Em abril do ano seguinte, já tinha a patente de Oberleutnant, e durante o verão de 1939 frequentou a Escola de Guerra de Munique.

Durante a campanha polonesa, Schlemminger comandou um esquadrão de cavalaria do 2º Regimento. Em janeiro de 1940, assumiu o comando do esquadrão de metralhadoras do regimento, permanecendo neste posto durante toda a campanha contra Holanda, Bélgica e França, bem como nas fases iniciais da Operação Barbarossa. Em abril de 1940 foi promovido a Rittmeister (capitão de cavalaria), e em junho de 1941 foi elevado ao comando do 1º Batalhão. Em dezembro, Schlemminger recebeu o comando do Batalhão de Reconhecimento da 45ª Divisão de Infantaria, e um ano depois foi enviado para comandar o Batalhão de Reconhecimento da 168ª Divisão de Infantaria, permanecendo neste posto até abril de 1944. Foi no comando dessa unidade que, em fevereiro de 1944, ele viu-se em frente a um grande ataque blindado soviético nas vizinhanças de Konstantinowka, a leste de Vinnitsya, na atual Ucrânia. O Major Schlemminger, apesar da inferioridade numérica e de meios, conseguiu paralisar o ímpeto do ataque inimigo, debandando os tanques soviéticos e eliminando a ameaça à linha alemã. Por este sucesso, no dia 29 de fevereiro ele foi agraciado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro.

Promovido a Oberstleutnant em 1 de julho de 1944, Schlemminger foi seriamente ferido em ação no dia 20, e permaneceu internado num hospital na Silésia até outubro. Ele ainda comandou dois regimentos Volksgrenadier em 1945, antes de capitular na Eslováquia às tropas do Exército Vermelho em maio de 1945.

Schlemminger permaneceu no cativeiro soviético até outubro de 1955, e em janeiro de 1957 ingressou nas novas forças armadas alemãs. Foi comandante de um batalhão de granadeiros e do Comando Central de Granadeiros do Exército, aposentando-se em 30 de setembro de 1966.

Erich Schlemminger permaneceu lúcido e ativo até bem depois de ter comemorado seu centenário de vida em 2008.



Oberstleutnant Erich Schlemminger.

Agradeço ao amigo Jannick Tapken pela ajuda!
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Enfermeira belga é condecorada pelos Estados Unidos



Uma enfermeira belga de origem congolesa, que salvou centenas de soldados americanos feridos durante a Segunda Guerra Mundial, foi condecorada pelo Exército dos EUA.

Augusta Chiwy recebeu a comenda das mãos do embaixador americano em Bruxelas, Howard Gutman. Ele disse que o atraso de 67 anos na entrega da condecoração foi porque pensava-se que a Sra. Chiwy havia morrido em combate.

Ela se voluntariou num posto médico da cidade cercada de Bastogne, no ápice da Batalha das Ardenas. Na época, havia somente um médico tratando dos feridos americanos, durante o cerco da cidade, que durou uma semana em dezembro de 1944.

Gutman disse que a Sra. Chiwy enfrentou o inimigo vasculhando os campos de batalha à procura de feridos.

A Batalha das Ardenas foi o maior enfrentamento no front oeste entre Aliados e alemães. Durando seis semanas, estima-se que 80 mil americanos tenham morrido ou sido feridos nos combates – bem como o dobro de alemães.

Fonte: BBC News, 12 de dezembro de 2011.

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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Nota de Falecimento: Henry Lafont


Henry Lafont
(10/08/1920 - 02/12/2011)

Faleceu no último dia 2 de dezembro em Tremuson, na França, de causas naturais aos 91 anos de idade, o último piloto francês veterano da Batalha da Inglaterra, Coronel Henry Lafont.

Nascido em Cahors, Lafont terminou seus estudos e seguiu diretamente para a escola de voo, conseguindo sua licença de piloto e ingressando no Armée de l'Air em novembro de 1938. Ele foi enviado para a Argélia, no Norte da África, onde recebeu seu treinamento de piloto de caça. Ele estava prestes a graduar-se quanto a França foi invadida e derrotada pelos alemães em junho de 1940. Determinado a não aceitar a derrota, ele e outros cinco colegas, liderados por René Mouchotte (que viria a se tornar o único oficial não-britânico a comandar um esquadrão da RAF), roubaram uma aeronave de transporte e cruzaram o Mediterrâneo em direção a Gibraltar, onde foram calorosamente recebidos pelos ingleses. De lá, foram enviados de navio para a Inglaterra.

Ao chegarem lá em 13 de julho, Lafont e seus colegas fizeram a conversão para o Hawker Hurricane, sendo inicialmente designados para um esquadrão na Irlanda do Norte. Contudo, em 10 de setembro foram removidos para o 615º Esquadrão em Northolt, de onde puderam participar de toda a fúria da Batalha da Inglaterra. Durante todo o período de intenso combate contra a Luftwaffe sobre a Grã-Bretanha, Lafont realizou mais de 100 missões, tendo sido o primeiro piloto francês na RAF a derrubar um inimigo, em 26 de fevereiro de 1941. Ele ainda derrubaria um segundo inimigo durante os combates.

Feito instrutor em julho de 1941, ele foi enviado para combater no Norte da África seis meses depois. Realizando missões de escolta de comboio e patrulhas sobre Tobruk, ele derrubou um bombardeiro inimigo, mas foi derrubado e ferido em março de 1942, sendo evacuado para a Inglaterra. Posteriormente, juntou-se ao 341º Esquadrão (comandado por seu amigo Mouchotte) em operações sobre a França e Holanda. No fim da guerra, ele havia acumulado 230 missões operacionais.

Altamente condecorado com a Legião da Honra, Cruz de Guerra (três palmas) e Cruz do Valor Militar, ele continuou na Força Aérea Francesa após a guerra, trabalhando no quartel-general da 5ª Região Aérea, na Argélia, e depois em Londres. Após perder sua licença de piloto de caça por razões médicas, passou para os helicópteros. Aposentou-se em 1966 na patente de Coronel. Ele também foi um dos 1.038 ganhadores da Ordem da Liberação, criada por De Gaulle para recompensar aqueles que tiveram atuação destacada na liberação da pátria francesa.

O Coronel Lafont deixa esposa, dois filhos e uma filha.

Lafont na cabine de seu Hurricane.

Coronel Henry Lafont.

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Desastre britânico no Pacífico completa 70 anos



Nunca um céu azul foi tão inoportuno. As nuvens tropicais cinzentas que tinham ajudado a mascarar os movimentos dos dois grandes navios desde sua partida de Cingapura haviam desaparecido, e agora, passando lentamente no horizonte, estavam as aeronaves de reconhecimento japonesas.

Os oficiais do couraçado HMS Prince of Wales e seu consorte, o cruzador de batalha HMS Repulse, sob o codinome “Força Z”, sabiam que um engajamento não estava distante. Era a manhã de 10 de dezembro de 1941, três dias após o ataque à frota americana em Pearl Harbor, e a Royal Navy estava prestes a sofrer sua maior derrota única em toda a Segunda Guerra Mundial.

As sirenes tocaram pouco depois das 11h da manhã. Os rústicos sinais de radar dos navios registravam borrões de aeronaves de aproximando, grupos imensos. Marinheiros e fuzileiros, em meio ao seu lanche matinal, correram para seus postos. Armas antiaéreas apontaram para o céu, preparando-se para despejar uma cascata de fogo sobre a armada aérea japonesa.

Rapidamente, tudo estava terminado. Às 1:20h da tarde, o Prince of Wales, orgulho da marinha, comissionado apenas oito meses antes, virava lentamente, com seu casco destroçado por quatro torpedos. O Repulse, elegante veterano da Primeira Guerra, já mergulhava por entre as ondas calmas do Mar do Sul da China, igualmente destruído.

Por mais de uma hora, o fuzileiro Jim Wren e outros artilheiros tinham ficado dentro do Repulse escutando o rugir da batalha antes do caos reinar. “Sabíamos que íamos afundar, e que ia ser rápido”, ele se lembra. “O navio virou para bombordo. Mais de metade já estava debaixo da água. Tirei minhas roupas mais pesadas, subi na amurada, escalei e finalmente fui ao mar. Não havia tempo para sentir medo. Era fazer ou morrer”.

Os navios, de 41 mil e 33 mil toneladas, respectivamente, tinham derrubado apenas três das 85 aeronaves inimigas antes de sucumbirem. Foram os primeiros couraçados a serem afundados em alto mar exclusivamente pelo poder aéreo, e sua derrota sinalizava o fim da era dos grandes canhões. Com eles, foi-se o prestígio britânico no Extremo Oriente.

Sem proteção naval, Cingapura, a fortaleza construída a altíssimos custos para proteger o Império Britânico na Ásia da expansão japonesa, caiu dois meses depois. Para os ingleses, que denegriam os japoneses chamando-os de míopes e semi-primitivos, foi uma humilhação, um prenúncio da queda de seu império.

O maior custo, contudo, foi em vidas humanas. Dos 1.612 homens a bordo do Prince of Wales, 327 morreram. Os números do Repulse foram mais altos, com 513 mortos dentre seus 1.309 tripulantes. 840 almas foram destroçadas por torpedos e bombas, escaldadas até a morte por vapores liberados ou despedaçados pelas explosões interiores dos gigantescos navios.

O Almirante Tom Phillips, comandante da Força Z, foi um dos mortos. Resoluto defensor dos grandes canhões, ele desdenhava a capacidade das aeronaves como armas, e escolheu permanecer até o fim com seu Prince of Wales.

Winston Churchill, que havia enviado os navios para seu fim, descreveu como foi acordado no meio da noite pelas terríveis notícias: “Em toda a guerra eu nunca recebi um golpe tão certeiro. Enquanto eu virava na cama, fui atingido por todo o horror dos acontecimentos”.

Ainda assim, a destruição da Força Z é apenas uma nota de rodapé, uma tragédia distante obscurecida pela grande luta contra a Alemanha Nazista. Os Estados Unidos marcaram o 70º aniversário do ataque a Pearl Harbor com serviços memoriais e cerimônias por todo o país. Os ingleses, por outro lado, irão ignorar os 70 anos de sua catastrófica estreia na guerra contra o Japão.

Fonte: The Telegraph, 8 de dezembro de 2011.

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Nota de Falecimento: Haruo Yoshino


Haruo Yoshino
(24/06/1920 - 12/11/2011)

Faleceu no último dia 12 de novembro em Chosei, no Japão, de causas naturais aos 91 anos de idade, o veterano de Pearl Harbor, Tenente Haruo Yoshino.

Nascido em Mobara, na província de Chiba, Yoshino aplicou-se na Academia Naval de Etajima em 1938. A aceitação de sua ficha deixou-lhe extremamente feliz: "A Marinha era considerada a elite das forças armadas. Ser um piloto era a maior honra que alguém podia ter, pois era considerada uma missão digna de um samurai". O treinamento foi, contudo, duríssimo. Os instrutores repreendiam qualquer falha dos alunos com severas punições físicas. Yoshino chegou a desmaiar após ser atingido na cabeça por um instrutor com uma vara de madeira durante um exercício. As lições multidisciplinares também eram extremamente árduas, fazendo com que apenas 1 em cada 5 alunos terminassem o curso.

Feito Sub-Oficial de 1ª Classe, Yoshino foi treinado no bombardeiro/torpedeiro Nakajima B5N2 (codinome Aliado "Kate"), uma aeronave de três tripulantes conhecida por ser uma plataforma extremamente precisa para lançamento de torpedos. Enviado para compor a força de ataque do porta-aviões Kaga, Yoshino rumou para o Havaí em novembro de 1941, ainda completamente inconsciente da missão que realizaria. Ele era o comandante da aeronave, com a função de navegador/bombardeador, e decolou no começo da manhã de domingo, 7 de dezembro de 1941, como parte da primeira onda de ataque. Yoshino estranhou a ausência de reação antiaérea inimiga enquanto se aproximava de Pearl Harbor (dado que os japoneses pensavam ter avisado os EUA cerca de uma hora antes do ataque; essa comunicação falhou devido à demora de decifração na embaixada em Washington). Na liderança de uma formação de 12 aeronaves, Yoshino avistou seu alvo, o couraçado USS Oklahoma, bem à frente. Seu piloto então alinhou a aeronave e baixou a altitude de voo para meros 10 metros acima da água. Ao ver o Oklahoma encher sua mira, Yoshino liberou o torpedo, que atingiu em cheio a belonave norte-americana. Mais tarde, o Oklahoma explodiria e se partiria em dois devido à uma bomba lançada por outro bombardeiro japonês, que atingiria diretamente seu paiol de munições. Yoshino retornou ao Kaga pouco depois de ter lançado seu torpedo, recebendo alguns tiros da defesa antiaérea americana, ja despertada.

Em 20 de janeiro de 1942, Yoshino participou das missões de bombardeio contra o porto de Rabaul, em Papua-Nova Guiné. Nesta missão, sua aeronave foi pesadamente atingida pela antiaérea australiana, danificando diversos cabos de controle e o motor. Foi com muita dificuldade que ele conseguiu pousar novamente no porta-aviões. Na madrugada de 4 de junho, ele decolou para uma missão de reconhecimento sobre a ilha de Midway. Retornando junto com a primeira força de ataque, ele passou a aguardar no deque do Kaga por novas ordens. Foi quando um grupo de bombardeiros de mergulho SBD Dauntless norte-americanos avistou o porta-aviões japônes, acertando quatro bombas em seu convés. Enquanto a embarcação era dominada pelas chamas, Yoshino saltou no mar, sendo mais tarde recolhido das águas por um destroier japonês - que também desferiu o golpe de misericórdia no funesto Kaga.

Em outubro de 1942, Yoshino tomou parte na Batalha de Santa Cruz, grande enfrentamento de porta-aviões americanos e japoneses pela dominação das águas ao redor de Guadalcanal. Em 1944, tomou parte na campanha das Filipinas e depois foi transferido para o Japão, participando das operações finais de defesa territorial.

Em 1998, Yoshino acompanhou uma expedição a Midway para encontrar os porta-aviões Yorktown, Akagi e Kaga. Embora somente o Yorktown fosse encontrado, ele realizou uma tradicional cerimônia em homenagem aos mortos japoneses, lançando flores e saquê ao mar. Em 2000, participou de uma grande reunião em Pearl Harbor, com mais de 250 veteranos japoneses e americanos, para encerrar a velha rivalidade. Fazendo uma reflexão após esses encontros, ele disse: "Devemos sempre respeitar todas as pessoas, e nunca subestimar um inimigo. Nunca devemos esquecer que, aquele que hoje é seu inimigo, amanhã poderá se tornar seu amigo".

Com sua morte, somente resta o Tenente Takeshi Maeda ainda vivo, entre os aviadores japoneses que participaram do ataque a Pearl Harbor.

Nakajima B5N2 "Kate" de Haruo Yoshino. Porta-aviões Kaga, Havaí, 7 de dezembro de 1941.

Yoshino em sua casa, com uma pintura de seu torpedeiro Nakajima.

Meus agradecimentos ao amigo Ron Werneth pela ajuda.

Pouco depois do Tsunami que varreu o Japão em março deste ano, escrevi para Haruo Yoshino. Desejei-lhe meus melhores votos, pois a área onde ele residia foi atingida pelas ondas gigantes. Yoshino-san respondeu-me com serenidade, mostrando-se um perfeito cavalheiro, mesmo em horas de tanta dificuldade. Enviou-me duas fotos autografadas, hoje guardadas com muito carinho:


Descanse em paz grande guerreiro! Torá, Torá, Torá!!!

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Pearl Harbor: 70 anos



Pearl Harbor completa 70 anos hoje. Não a base naval, nem o porto que ali existia antes, mas o ataque japonês àquele alvo militar. De tão marcante que foi, não precisa nem de uma chamada específica – todos se lembram do evento apenas pela chamada do nome “Pearl Harbor”.

Ressaltar a importância desse ataque para a Segunda Guerra Mundial (na verdade, para a história mundial) é chover no molhado, já que muito (mas muito mesmo) foi e continua sendo escrito sobre o assunto. Sabemos que foi o estopim que levou os EUA a envolverem-se diretamente no conflito, levando os Aliados definitivamente à vitória quatro anos depois.

Pois bem, o que falar sobre Pearl Harbor, nessa data tão marcante?

Se discutir sua importância não traz nenhuma novidade, que tal uma discussão sobre sua própria origem?

O trabalho que faço aqui na Sala de Guerra é, como faço questão de ressaltar, isento. Pessoalmente, não acredito em “herois versus vilões” no mundo real. Isso é puro papo de propaganda, claramente feito por vencedores de conflitos. Uma pesquisa historiográfica básica irá te revelar esse fato em diversas épocas históricas (tão antigas quanto no “Comentarii de Bello Gallico” de César até o discurso “Mission Accomplished” de George W. Bush após a invasão do Iraque em 2003) – e claro, a Segunda Guerra Mundial não fica de fora.

O Japão saiu de um país isolacionista para uma potência colonialista em pouco mais de 50 anos. Conquistou porções da China durante a passagem do século XIX para o XX, inclusive acendendo conflitos com a Rússia Imperial. O que era a China na época? Um conglomerado nacional comandado de facto por caudilhos regionais, que na realidade pouco deferiam ao Imperador em Pequim. Muito diferente do que era a África no começo do século XIX? Conceitos de imperialismo à parte, não podemos deixar de perceber que a história nos é contada de uma perspectiva europeia, e por isso mesmo, pouco é discutido sobre os métodos que essas potências usaram para pacificar suas colônias.

Contudo, sabemos da particular brutalidade com que os japoneses trataram seus colonos, um fato que sempre é ressaltado – e não deve ser esquecido, diga-se de passagem. Essa brutalidade serviu para justificar quaisquer ações ocidentais contra o colonialismo japonês, e até mesmo para diminuir a simpatia pelas vítimas dos bombardeios atômicos de 1945.

Devemos analisar se realmente foi a brutalidade dos métodos japoneses que pôs as potências ocidentais, principalmente os Estados Unidos, contra o Japão durante a década de 1930. Minha visão é de que níveis de brutalidade em choques étnicos – por si só – pouco afetam as decisões de grandes potências em intervir no exterior. Vide a crueldade das guerras civis na Somália, Darfur e Birmânia. Agora comparem com a violência praticada contra minorias no Iraque, Kuwait e Líbia. Qual a diferença? Aposto que sabem que, enquanto nos três primeiros, ninguém se manifesta, nos três últimos a coisa foi resolvida rapidamente com ações militares “libertadoras”. E por que essa diferença? Tentem medir o valor das riquezas naturais dos dois grupos territoriais e me digam sua conclusão.

O Japão era uma potência militar e econômica. Sua esfera de interesses se chocava com a de outras potências coloniais, no caso: Inglaterra, Holanda, França e Estados Unidos (sim, os EUA eram colonialistas; as Filipinas eram deles). Os japoneses eram tão dependentes de importação de matéria-prima quanto qualquer potência europeia, e por isso mesmo foi buscar essas commodities na força.

Construindo uma poderosa força militar naval, o Japão começou realmente a ameaçar a preponderância naval norte-americana da região do Pacífico. E essa era uma situação que simplesmente não era aceitável para os EUA.

A conjuntura internacional da década de 1930 trouxe para perto os regimes totalitários alemão, italiano e japonês. Inicialmente um pacto anti-comunismo em 1936, passando para colaborações econômico-militares até culminar na assinatura do Pacto Tripartite em setembro de 1940. A guerra, que já rugia na Europa nessa época, trouxe consequências para o outro lado do mundo.

O Japão ocupou a Indochina Francesa naquele mesmo mês, para impedir que a China recebesse material bélico por lá. Esse movimento desencadeou de Washington um embargo econômico ao Japão, que interrompeu o suprimento de maquinário e aço para Tóquio. Para encerrar o embargo, os americanos demandaram que os japoneses se retirassem da China, o que era simplesmente inviável para o governo japonês. Esse impasse levou a uma subida de tensão entre as duas nações.

Ora, não se pode ser tão ingênuo a ponto de pensar que o Japão colocaria a perder anos de esforço de guerra devido a um ultimato norte-americano naquelas condições. E isso também estava claro para os idealizadores do embargo em Washington. Se o Japão não poderia comprar aço, teria então que recorrer a novas conquistas para consegui-lo. Isso também não pode ter fugido às mentes na capital americana.

A situação que já estava difícil ficou virtualmente insustentável em julho de 1941, quando Roosevelt decidiu embargar a venda de petróleo para os japoneses, congelando seus ativos nos EUA. Dada a total dependência japonesa do petróleo norte-americano, isso equivalia a uma provocação de primeira classe – pois colocava a faca na jugular do Império: suas conexões ultra-marítimas.

Nesse mesmo tempo, os americanos já quebravam os códigos navais e diplomáticos japoneses. Escutavam o que diziam. Será possível mesmo estarem tão cegos quanto a uma ação ofensiva nipônica? No caso de não estarem tão cegos, e realmente anteciparem a possibilidade de guerra, por que deliberadamente evitaram a mesa de negociação com o Japão no segundo semestre de 1941? Sim, o secretário Cordell Hull até se encontrou algumas vezes com o embaixador japonês em Washington, mas somente para reiterar a posição inflexível de Roosevelt: saia da China e encerre suas ações militares, ou nada feito.

Os japoneses teriam então que tomar suas fontes de matéria-prima a força. E para fazer isso, tinham que assegurar sua mão-livre no Pacífico. Fizeram exatamente isso atacando a frota norte-americana em Pearl Harbor: uma manobra militar preemptiva para garantir o sucesso de ações posteriores. Brilhantemente executada. Contudo, já esperada.

Se Roosevelt tinha noção da intensidade ou local exato do ataque, não está certo. A probabilidade, contudo, é afirmativa. Muitos episódios misteriosos que rodeiam os últimos dias e horas que precederam à ação sugerem isso. O governo americano fez vista grossa a informações que anunciavam uma atitude hostil japonesa contra um alvo nacional. Os interesses por trás disso, são para que cada um aqui julgue.

Não isento nem redimo ninguém. A história é feita por interesses e ações de líderes, de ambas as partes. E longe da perfeição unilateral de um conto de fadas, a vida real tem facetas bem mais interessantes.

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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Nota de Falecimento: Iporan Nunes de Oliveira


Iporan Nunes de Oliveira
(20/12/1917 - 03/12/2011)

Faleceu no último dia 3 de dezembro em Niteroi, Rio de Janeiro, de causas naturais aos 93 anos de idade, o veterano da FEB Coronel Iporan Nunes de Oliveira.

Nascido em Cuiabá, Mato Grosso, Iporan era filho de Joaquim Pinto de Oliveira e Theonila Nunes de Oliveira. Ingressou na Escola Militar do Realengo, sendo declarado Aspirante a Oficial em 8 de janeiro de 1944. Logo em seguida, já tendo ciência da estrutura organizacional da futura Divisão de Infantaria Expedicionária, voluntariou-se para servir no 11º Regimento de Infantaria, em São João Del Rey, Minas Gerais - um dos três regimentos escolhidos para compor a divisão.

Chegando à Vila Militar no Rio de Janeiro em março de 1944, Iporan iniciou a longa e exaustiva rotina de preparo físico que antecedeu ao embarque. O 11º Regimento embarcou para a Itália em 22 de setembro, como parte do 2º Escalão da FEB. Chegando lá no dia 11 de outubro, os soldados passaram pelo período de adaptação e armamento, antes de serem enviados ao front em novembro. Iporan, já Tenente, recebeu o comando de um pelotão da 2ª Companhia. Seu primeiro grande sucesso se deu em 12 de dezembro, quando durante um ataque a Monte Castelo, seu pelotão conquistou a localidade de Falfare. Ele lideraria 11 bem-sucedidas patrulhas ao longo da guerra, ganhando as duas classes da Cruz de Combate. Contudo, seu maior sucesso viria no dia 14 de abril de 1945, na vila de Montese.

A FEB havia recebido a incumbência de conquistar Montese, último bastião alemão sobre os Apeninos, que abriria as portas do Vale do Pó naquele setor. O ataque começou às 9h do dia 14, com dois pelotões da 2ª Companhia - do Capitão Meira Mattos - no ataque. Um deles era o de Iporan. Progredindo com dificuldade em meio a intenso bombardeio da artilharia alemã, ele e seus soldados conseguiram atingir as alturas da cidade, embora fossem cortados do restante das tropas. No dia seguinte, consolidaram as posições de dominação da localidade, destruindo os últimos focos de resistência inimiga. Por sua extrema tenacidade na liderança do pelotão durante o ataque, o Tenente Iporan foi condecorado pelo Exército dos EUA com a Silver Star - que foi-lhe entregue pessoalmente pelo General Charles Gerhalt em Cuiabá, no dia 15 de julho de 1946. Ele também recebeu a Ordem do Império Britânico, concedida pelo Marechal-de-Campo Sir Harold Alexander no Rio de Janeiro, em 15 de junho de 1948.

Após a guerra, Iporan continuou servindo no Exército Brasileiro em diversas designações por todo o país, servindo no Estado-Maior do Exército entre 1960 e 1964 - quando passou para a reserva na patente de Coronel. Depois disso trabalhou como administrador de shopping centers e posteriormente chefe de segurança da Rede Ferroviária Federal, aposentando-se definitivamente em 1983.

O Coronel Iporan deixa esposa, quatro filhos e numerosos netos.

O pelotão do Tenente Iporan, logo antes do ataque a Montese.

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Trailer: Into the White


Uma novidade cinematográfica que - até aqui - para ser uma boa promessa para 2012: "Into the White", produção norueguesa do diretor Petter Naess. Ao contrário da já anunciada pataquada em computação gráfica "Red Tails", este filme parece tomar uma narrativa bem mais séria e pé no chão, sem muitos abusos.

Um dos protagonistas (e nome mais forte no elenco) é Rupert Grint, famoso pela saga Harry Potter, na qual interpretou Rony Weasley. Aqui ele é um aviador da RAF, abatido no interior da Noruega em plena batalha pelo país em abril de 1940. Na mesma região, cai também um Heinkel He 111 da Luftwaffe. As tripulações alemã e inglesa se encontram, e têm que dividir uma mesma cabana em meio ao glacial clima do norte da Noruega.

Particularmente, é o tipo de filme de guerra que mais me agrada:


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