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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Evento: XXIII Encontro Nacional de Veteranos da FEB



Orgulho do Brasil!!!

O XXIII Encontro Nacional de Veteranos da FEB aconteceu este ano em Porto Alegre, entre os dias 15 e 19 de novembro. Infelizmente, não pude estar presente devido a compromissos no trabalho, mas recebi este brilhante relato do Tenente Israel Blajberg, diretor de relações públicas da seção carioca da Associação Nacional de Veteranos da FEB:

A cobra continua fumando... Os mais novos estavam na casa dos 80, o mais antigo tinha 96 anos - Major Ruy Fonseca de Juiz de Fora-MG, mas a idade não foi obstáculo para que 57 veteranos acompanhados de 134 familiares e amigos se reunissem mais uma vez. Orgulhosos portavam suas comendas, alguns com os corações em púrpura da Medalha Sangue do Brasil.

De Norte a Sul convergiram, das Seções Regionais da Associação Nacional dos Veteranos da FEB – Belo Horizonte, Brasília, Brusque-SC, Caxias do Sul, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Itajaí-SC, Juiz de Fora - MG, Natal, Rio de Janeiro, Salvador, São Bernardo do Campo-SP, Santa Rosa-RS, São Gonçalo-RJ, São Luis e São Paulo, pois a FEB recrutou soldados de todo o Brasil, gerando tantas Regionais, hoje estando já extintas cerca de metade delas.

Da Itália vieram os Srs Mario Pereira - Guardião do Monumento Militar Votivo Brasileiro de Pistoia, Giovanni Sula - Comunna de Montese e o Prof. Fabrizio Gilberna – estudiosos da FEB.

A abertura no auditório do GBOEx contou com a presença do Comandante Militar do Sul, Gen Ex Carlos Bolívar Goellner e do Comandante da 3ª. Região Militar, Gen Div Roberto Fantoni Saurin, seguindo-se um almoço de confraternização no Regimento Osório - 3º. Regimento de Cavalaria de Guarda - mais antiga unidade do Exercito Brasileiro, remontando a 1737 (Dragões do Rio Grande), mais tarde comandado pelo próprio Marechal Manoel Luiz Osório, Patrono da Nobre Arma Ligeira.

Na noite seguinte, a Fanfarra da Unidade comandada pelo Regento ST Carlos Alberto encantou os presentes com um rico repertorio, no Círculo Militar.

Na sexta-feira, diante do Monumento ao Expedicionário em frente ao Casarão da Várzea (CMPA), no Parque da Redenção, realizou-se a formatura, com honras militares, entrega de medalhas, e pronunciamentos.

Um almoço típico com espetáculo regionalista no Galpão Crioulo e o jantar de encerramento no Grêmio Expedicionário Geraldo Santana coroaram mais este encontro de veteranos.

Sábado e domingo foram dedicados aos passeios em Caxias do Sul e Gramado, com participação na formatura do Dia da Bandeira no Grupo Conde de Caxias (3 G Can A Ae).

Foram dias belíssimos e de merecida homenagem aos ex-combatentes, já antecipando os eventos de 2012, quando recordaremos os 70 anos da brutal agressão do Eixo nazi-fascista ao nosso país, com a perda de centenas de preciosas vidas brasileiras no mar, e a conseqüente entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

















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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Nota de Falecimento: Henri de Bordas


Henri de Bordas
(04/10/1921 - 22/10/2011)

Faleceu no último dia 22 de outubro em Saint-Mandé, na França, de causas naturais aos 90 anos de idade, o ás francês, General Henri de Bordas.

Nascido em Montpellier, Henri era filho de um oficial do Exército Francês, ferido gravemente durante a Primeira Guerra. Ainda estudante, ao ver a França ser arrasada pela Blitzkrieg de maio de 1940, decidiu não ficar no país. No dia 24 de junho (dois dias depois de assinado o Armistício), em Port-Vendres, perto da fronteira com a Espanha no Mediterrâneo, ele embarcou num navio que levou o levou a Gibraltar, e em seguida, à Inglaterra.

Bordas ingressou na Força Aérea da França Livre em 15 de julho de 1940, e foi enviado a uma escola de pilotos de caça da RAF. Completando o treinamento em junho de 1942, ele foi enviado para o 242º Esquadrão, pilotando Spitfires e participando das ações sobre as praias de Dieppe, na França, em agosto. Passando por variados esquadrões da RAF e da França Livre, Bordas participou de diversas missões de ataques à navegação alemã no Mar do Norte até 1944, quando deu apoio ao desembarque nas praias da Normandia em 6 de junho daquele ano. Contudo, a guerra de Bordas iria tomar um rumo estranho alguns dias depois.

Em companhia dos colegas, Jean Maridor e Jacques Andrieux, ele descansava em sua base na Inglaterra, sentado em uma escada, na manhã do dia 13 de junho. Às 8h, os três olharam para o céu, atraídos por um estranho som nada familiar. Acima, passavam as primeiras bombas voadoras V1 a serem lançadas contra a Inglaterra. O 91º Esquadrão - sua unidade na época - foi uma das que foram então designadas para combater essa nova arma alemã. Diversas técnicas foram desenvolvidas pelos pilotos Aliados para derrubar as V1s: abatê-las a tiros, virá-las com a ponta das asas, provocar turbilhões de ar próximos a elas, etc. Bordas preferia caça-las a noite, dizendo poder ver com mais clareza as chamas do escapamento do motor, abatendo-as com mais precisão. Promovido a Capitão em setembro, ele ainda participou das campanhas da Holanda e Alemanha, terminando a guerra no comando do 329º Esquadrão "Cegonhas", com 11 vitórias confirmadas em 320 missões de combate.

Após a guerra, ele tornou-se inspetor do centro de testes de voo em Bretigny, e entre 1952 e 1954 comandou o Centro de Conversão para Jatos em Mont-de-Marsan. Em seguida, tornou-se adido aeronáutico na embaixada francesa em Washington. Bordas foi também conselheiro técnico de Charles de Gaulle. Promovido ao generalato em 1966, comandou a 4ª Região Aérea e a seção de transportes do Armée de l'Air. Aposentou-se em 1976, tornando-se conselheiro técnico da Força Aérea em seguida.

Henri de Bordas era detentor da Grã-Cruz da Legião da Honra e da Ordem da Liberação.

Henri de Bordas durante a guerra.

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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Relatos de uma rendição alemã no rio Elba


Arnold Solomon passou por quase toda a Segunda Guerra Mundial sem incidentes. Um jovem, recém-formado dentista, médico não-combatente, sua experiência mais marcante foi ser submetido a acrobacias inesperadas enquanto voava com um amigo piloto.

Durante a primeira semana de maio de 1945, quando a máquina de guerra alemã entrava em colapso, o conflito estava prestes a chegar a um fim abrupto, e Solomon estava lá para ver.

Forças Aliadas estavam na margem oeste do rio Elba, perto de uma cidade chamada Tangermunde. Estavam perto o suficiente para ver a artilharia soviética atingindo a margem leste do Elba.

A única questão era saber quando o Exército Alemão finalmente se renderia. Os soldados alemães temiam render-se aos soviéticos, que eram notoriamente selvagens com seus prisioneiros. Preferiam se render aos americanos, porque estes provavelmente os tratariam de maneira melhor.

E foi assim que o Tenente Solomon viu em meio a uma rendição em massa de tropas alemãs. Ele estava em patrulha quando aconteceu.

Quatro alemães carregando rifles pularam em mim”, disse Solomon. “Logo que viram minha braçadeira de médico, soltaram as armas e levantaram as mãos”.

Mais soldados alemães pediram para se render, então Solomon e um capelão pegaram um pequeno barco e começaram a cruzar o rio. Em cada viagem traziam quatro alemães, colecionando suas pistolas Luger como preço pela travessia. As armas eram um souvenir altamente valorizado pelos americanos.

O capelão remava e eu os coletava”, disse. “No segundo dia, a Polícia Militar atirava em nós porque Eisenhower tinha dado ordem para não cruzarmos o Elba”. Por ter estudado alemão três anos, Solomon tornou-se também tradutor na situação.

Um general alemão veio e me falou que o rádio dissera-lhe para juntar-se aos americanos e combater os russos. Eu disse: ‘General, você está doido. Eles são nossos aliados, não inimigos!’

O general voltou ao seu barco. “Meia hora depois, ele mandou seu ajudante de volta. Ele disse: ‘Nos permitiriam construir uma ponte de pontões?’

Havia uma lógica maluca no pedido. Uma ponte seria uma maneira de acelerar a rendição, bem melhor que o barquinho. E os russos estavam chegando.

Solomon passou um dedo pela garganta para indicar a precária situação do general alemão: “Ele estava lutando por sua vida”.

Solomon disse a um colega: “Tony, eles ainda são nossos inimigos. Não podemos deixá-los construir uma ponte bem debaixo dos nossos narizes”.

Ele então passou a mensagem dos alemães para seu comandante.

Então, eles construíram a tal ponte e todo o Exército Panzer atravessou. Eles vieram com suas próprias cozinhas, e pela manhã estavam fazendo ginástica. Estavam felizes como crianças. Para eles, a guerra acabara e não iriam ser mortos”.

Isso aconteceu em 4 de maio de 1945. A rendição alemã foi assinada três dias depois.

Solomon deixou o Exército em 1946 como Capitão, sendo condecorado com as Bronze e Silver Stars.

Praticou a odontologia por 50 anos, e depois tornou-se professor na Universidade de New York por mais 6. Agora, aos 90 anos, ele joga golfe três vezes por semana, gosta de carteado e (pasmem) é professor substituto de ciência e matemática na Escola Distrital de Palm Beach.

Há muito tempo ele passou para frente sua Luger souvenir, mas ainda tem ótimas historias para contar.

Fonte: The Palm Beach Post, 14 de novembro de 2011.

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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Tanque KV-1 é recuperado no rio Neva



Um tanque soviético KV-1 que afundou no rio Neva perto de Leningrado (atualmente São Petersburgo) durante a Segunda Guerra Mundial, foi recuperado com sucesso do leito do rio no distrito de Kirov, no noroeste da Rússia.

Apesar do tempo fechado e da profundidade, que excedia 15 metros neste ponto, a operação de resgate do tanque foi bem-sucedida”, disse o porta-voz do Distrito Militar Ocidental, Coronel Andrey Bobrun.

O tanque foi recuperado do Neva por soldados do 90º Batalhão Especial de Buscas, em cooperação com a equipe do Museu da Batalha de Leningrado. A operação foi completada no dia 16 de novembro.

Especialistas que examinaram o veículo concluíram que, apesar das décadas submerso, ele ainda está em boas condições e pode ser restaurado de volta ao seu estado original. A munição restante foi levada por especialistas do Ministério de Emergências para desativação.

Não havia restos da tripulação dentro do tanque, o que sugere que eles escaparam do afundamento do veículo”, continuou Bobrun. “Também podemos concluir que o tanque pode ter afundado enquanto cruzava o rio em um pontão para a área dos combates. Após determinar o número de série da unidade e linhas de montagem do KV-1, a equipe do museu poderá pesquisar o destino da tripulação e até achar seus familiares”.

Oficiais disseram que o tanque, uma vez restaurado, tomará parte em paradas históricas e outras atividades.

Fonte: Russia Today, 17 de novembro de 2011.




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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O estranho conto da mira de bombardeio Norden


Nesta palestra, o jornalista canadense Malcolm Gladwell fala sobre a criação e operação da "miraculosa" mira de bombardeio Norden, utilizada pela USAAF durante toda a Segunda Guerra Mundial. Criada por Carl Norden, a mira era um complexo computador analógico que prometia "atingir um barril de picles a 7.000 metros". A realidade, como poderão conferir abaixo, foi bem diferente.

Palestra com legendas em português!



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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Documentário: Sabbia e Ferro


A mais nova produção da italiana Ronin Films, "Sabbia e Ferro" (Areia e Ferro), é pra mim especial por se desviar um pouco do ramo aeronáutico e explorar uma das facetas menos estudadas da Segunda Guerra Mundial: as memórias de um combatente italiano das campanhas do Norte da África.

Este, no caso, é Carlo Volontè, radiotelegrafista à bordo de um Semovente 75/18 da Divisione Corazzata Ariete. Nascido em 1921, Volontè foi convocado em 1940, passando pelo treinamento em carros blindados e enviado ao Norte da África em seguida. Lá, participou do avanço ítalo-germânico pela Cirenaica e Egito em 1942, culminando na histórica Batalha de El Alamein.

Ressalto a importância deste relato, pois muita injustiça ainda é feita para com os esforços italianos no Norte da África após a chegada do Afrika Korps. Tende-se a acreditar que todas as vitórias foram conseguidas pelos alemães, quando na verdade, o contingente italiano sempre foi maior. Na vitoriosa ofensiva de Rommel no verão de 1942, por exemplo, a italiana Ariete - reforçada com cinco regimentos blindados - era sua maior unidade de tanques. Por isso cabe dar voz aos soldados italianos e ouvir o que têm a dizer.

Parabéns ao cineasta Claudio Costa por mais essa obra!







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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Alemanha 2011 - Berlim: Parte 1


Chegamos a Berlim no domingo, 9 de outubro, às 19h. Voo com a Air Berlin, partindo de Frankfurt, de apenas 50 minutos. Aterrissagem no aeroporto de Tegel. Escolhemos um hotel próximo ao Tiergarten, para não ficar muito distante do eixo monumental que culmina no Portão de Brandenburgo.

Na segunda-feira pela manhã, pegamos um táxi até a Brunnenstrasse, onde se localiza a sede da Berlinen Unterwelten. Para quem não conhece, esta empresa oferece passeios pelos subterrâneos da capital alemã, incluindo um bunker, uma torre antiaérea e diversos outros locais relacionados à Segunda Guerra Mundial e à Guerra Fria. Há tours em alemão, inglês e espanhol, e você pode se programar através do site deles.

Escolhemos fazer o tour n.1, que leva os visitantes ao bunker da Brunnenstrasse, logo ao lado da sede da empresa. O bunker tem sua entrada pela estação de metrô Gesundbrunnen, que curiosamente tem dois pequenos bunkers individuais (infelizmente hoje bastante vandalizados) bem em frente.

Às 11h da manhã, teve início o tour. O guia nos leva à entrada do bunker, dá algumas informações iniciais, e somos levados ao seu interior. Importante ressaltar: é proibido fazer qualquer tipo de fotografia ou filmagem lá dentro – política da empresa. Isso, contudo, só faz com que vocês fiquem mais curiosos, pois posso dizer que o passeio vale muito a pena. Custando apenas 10 euros por pessoa, é um dinheiro muito bem empregado.

O bunker da Brunnenstrasse está muito bem conservado. Dos cerca de 1.200 bunkers que havia em Berlim durante a guerra, este é um dos pouquíssimos sobreviventes. A maioria absoluta foi destruída pelos Aliados durante a ocupação, mas este foi deixado intacto, por estar muito próximo à rede metroviária. Sua destruição implicaria um elevado custo de reconstrução das linhas subterrâneas de transporte.

Somos levados até a sala dos sanitários femininos, onde, nos últimos desesperadores dias da guerra, aconteciam a maioria dos suicídios nos bunkers. Como os abrigos se viam cada vez mais superlotados, os banheiros propiciavam um raríssimo espaço de privacidade, que era o ambiente ideal para tirar a própria vida. Tremendamente triste.

Em seguida, vamos para uma sala pintada com tinta branca. O guia explica que esta não é uma tinta qualquer, mas sim uma composição altamente reagente à luz. Uma demonstração disso nos deixa boquiabertos. Não vou contar aqui para não estragar a surpresa de quem for fazer o passeio, mas é algo impressionante. Aliás, impressionante também é o fato da tinta manter seu efeito após 70 anos...

Uma das salas seguintes possui bancos. Na parede, uma inscrição: “Máximo de 20 pessoas”. A restrição se dava por conta do oxigênio. Contudo, a sala frequentemente era ocupada por 60 ou mais pessoas durante ataques aéreos. É simulado um black-out, e temos a vívida experiência de quem passou por momentos aterrorizantes lá embaixo durante a guerra. Experiência semelhante, devo dizer; pois é inimaginável pensar no que realmente passaram.

Lá embaixo ainda há diversas salas, com objetos escavados do solo, que recontam os últimos dias do Terceiro Reich em Berlim. O visitante revê objetos alemães e soviéticos, capacetes, uniformes, placas de identificação e utensílios domésticos (que revelam a cruel realidade de que muitos civis estavam no meio do fogo cruzado).

Saímos do bunker após 90 minutos muito informativos. Infelizmente não tive tempo de fazer o tour pela torre antiaérea, localizada no parque logo à frente, mas tenho a impressão de que é igualmente interessante. A Berlinen Unterwelten me surpreendeu pela qualidade de seu trabalho. Fica a dica.

Ás 18h, tendo previamente combinado, pegamos um táxi rumo à casa do último sobrevivente do Fühkerbunker, o antigo segurança de Adolf Hitler, SS-Unterscharführer Rochus Misch.

Sua quieta rua de subúrbio já estava escurecida nesse horário, em parte devido às pesadas nuvens de chuva que dominavam os céus da cidade. Lá dentro, a luz da sala acesa. Fomos recebidos por um amigo de Misch, que educadamente encaminhou-nos até a sala de estar, onde o velho segurança encontrava-se.

Sorrindo, Misch cumprimentou a todos, sem levantar-se. Demonstrou-me ser o que eu já imaginava: um homem simples, simpático, que por um acaso da história foi colocado num lugar de destaque.

Dissemos de onde vínhamos, mas Misch não pareceu muito impressionado: “Vem gente do mundo todo aqui me ver: Coreia, EUA, Rússia...” Nos disseram que a frequência de visitantes é muito grande. Não perguntei se mais alguém do Brasil já havia estado lá antes, mas também, não julguei importante no momento.

Com algum esforço, Misch se levantou. Usando uma bengala, foi até a mesa da sala, e sentou-se em uma cadeira. Entreguei-lhe minha cópia de sua biografia “Eu Fui Guarda-Costas de Hitler”, que eu havia acabado de ler alguns dias antes. Embora estivesse cheio de perguntas para fazer-lhe, resolvi conter-me, visto que ele próprio havia dito à imprensa, no começo deste ano, que não queria mais dar entrevistas. Julguei que minha visita já era um prêmio suficientemente grande e me contentei com a dedicatória em meu livro.

O colega Roberto Andrade também entregou sua cópia a Misch, que igualmente fez-lhe uma bela dedicatória. Também ganhamos fotos autografadas, e tiramos fotos juntos. Durante todo o tempo, Misch se mostrou sorridente e à vontade. Ele até mesmo brincou sobre ter assistido uma partida de futebol entre as seleções brasileira e alemã – atestando a superioridade tática desta última (não discordo).

Tendo realizado nosso objetivo, decidimos que era hora de despedirmos de Rochus Misch. Com um grande sorriso ele cumprimentou a todos, desejando-nos uma boa estadia na Alemanha. Da mesma maneira, nos despedimos, desejando-lhe boa sorte e saúde.

Resumindo esse dia, posso dizer que o aproveitamos muito bem! Conhecer um bunker de verdade e o último sobrevivente do mais famoso dos bunkers foi algo único! Vir à Berlim começou a valer muito a pena!

Mas não acabou, no dia seguinte, visitas aos principais marcos da guerra na cidade. Até lá!

















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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Me 262 cruza os EUA com destino à Virginia



Após a execução do programa de 25h de ensaios de voo e alguns atrasos com burocracia, o Messerschmitt Me 262 “Weisse 3” – réplica construída pela Stormbirds – foi finalmente transferido de Paine Field, em Seattle, para o Condado de Suffolk, na Virginia.

Para os últimos dois testes de voo, a célula de um lugar foi convertida para dois assentos, e assim o mecânico-chefe do projeto, Mike Anderson, pôde participar e fazer suas últimas avaliações no exemplar.

Para atender às regulamentações da FAA para aeronaves experimentais, a aeronave deveria voar somente à luz do dia e com condições visuais, sendo que a altitude máxima não deveria exceder 6.000 metros. Isso significava que a rota do Pacífico para a costa do Atlântico levaria quatro dias, com seis escalas.

O Me 262 não chamou atenção apenas no chão. Quase unanimemente, os controladores de tráfego aéreo perguntavam que tipo de aeronave se escondia por trás do código “experimental”. Ao obterem a resposta, muitas vezes “adotavam” o avião para si: “Delta 123, você tem um Messerschmitt às dez horas, cinco milhas”. Uma das melhores respostas foi: “Estamos sendo invadidos?

A máquina agora está num hangar de manutenção em Suffolk, à espera de sua nova licença – a original era apenas para testes. Depois de completadas as formalidades, será transferida para a maior coleção privada de warbirds do mundo, a Military Aviation Museum.

No futuro, “Weisse 3” fará diversos voos em shows aéreos e demonstrações para a imprensa.

Grato ao meu amigo Willi Kriessmann (piloto de Ar 234) pelas informações!


O Me 262 "Weisse 3" sobrevoa o Monte Baker, na fronteira com o Canadá.

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Asas da Luftwaffe


Talvez o melhor documentário sobre a Luftwaffe dublado em português, "Asas da Luftwaffe" é um repositório bastante precioso de informações e imagens das aeronaves alemãs da Segunda Guerra. Neste episódio, é detalhado o bombardeiro a jato Arado Ar 234 Blitz.

Muitos outros episódios também estão disponíveis no Youtube:





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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Desfile marca o 70º aniversário da “Marcha de Novembro”



Um momento-chave na história – a parada militar no centro de Moscou em 7 de novembro de 1941 – foi revivida na Praça Vermelha, marcando os 70 anos desde que soldados soviéticos marcharam diretamente de lá para encontrar os alemães na frente de batalha.

Os convidados de honra, claramente, foram os veteranos que 70 anos atrás marcharam pela praça principal do país, em honra do 24º aniversário da Revolução de Outubro de 1917. Das festividades na Praça Vermelha eles partiram diretamente para o front, localizado a cerca de 70 quilômetros da capital soviética.

42 veteranos de um total de 65 ainda vivos, de acordo com a listagem oficial, tomaram parte na parada. Uniformes festivos foram especialmente confeccionados para cada um deles.

Naquele dia o Exército Alemão já planejava desfilar seus próprios batalhões na Praça Vermelha, mas os soldados soviéticos foram capazes de conter a ameaça em campo.

Agora, lembrando-se daqueles dias, eles contam às gerações mais novas que a parada encorajou os defensores de Moscou a mobilizar-se e acreditar em si mesmos.

Paradas comemorativas daquela histórica marcha – que acredita-se ter virado a maré da guerra para o Exército Vermelho – acontecem já há 14 anos. No entanto, esta é a primeira recriação fiel já realizada. Cerca de 7 mil pessoas participaram.

A Companhia de Guarda de Honra, Unidade de Cavalaria do Regimento Presidencial, bem como soldados e oficiais usando uniformes de 1941 cruzaram a Praça Vermelha.

Cerca de 4 mil crianças do Movimento pelas Crianças de Moscou, incluindo clubes patrióticos militares, equipes de arqueólogos amadores e escolas de cadetes também tomaram parte.

Fonte: Russia Today, 7 de novembro de 2011.


Vídeo do desfile na íntegra:

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Nota de Falecimento: Hans-Joachim Heinrici


Hans-Joachim Heinrici
(16/04/1918 - 08/10/2011)

Faleceu no último dia 8 de outubro em Hamburgo, de causas naturais aos 93 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, Oberstleutnant Hans-Joachim Heinrici.

Nascido em Berlim, Heinrici ingressou no Exército Alemão como soldado, participando das campanhas da Polônia e do Ocidente em maio de 1940. Logo em seguida, foi selecionado para a Escola de Oficiais, de onde saiu em maio de 1941 como Leutnant.

Heinrici foi então enviado ao front soviético, onde demonstrou grande competência como comandante de pelotão e companhia, ascendendo na hierarquia e ganhando as duas classes da Cruz de Ferro. Em 1945 ele já era Hauptmann e comandava o II Batalhão do 431º Regimento da 131ª Divisão de Infantaria. Com o Exército Vermelho já invadindo a Alemanha, e em meio a pesados combates na Baixa-Saxônia, Heinrici e seu batalhão foram cortados e isolados por uma potente força soviética ao sudoeste de Liebstadt, em 27 de janeiro. Confirmando o fechamento do cerco, ele comunicou-se por rádio com o quartel-general divisional, e decidiu tentar romper as linhas soviéticas para escapar.

Dando um exemplo de bravura a seus homens, Heinrici liderou pessoalmente o batalhão com todas as armas e feridos transportados em carros por sete dias em território hostil, enfrentando uma onda de ataques inimigos. Ele repetidamente engajou formações soviéticas e as dispersou, inflingindo pesadas baixas. Ao miraculosamente atingir as linhas alemãs, o II Batalhão - momentaneamente anexado à outra divisão e sob a brilhante liderança do Hauptmann Heinrici - ainda lutou contra a vanguarda soviética por mais quatro dias, até estabilizar a linha.

Por sua tremenda determinação e tenacidade em campo de batalha, Hans-Joachim Heinrici foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 14 de fevereiro de 1945, pelo comandante do VI Corpo de Exército, General der Infanterie Horst Grossmann.

Após a guerra, Heinrici retornou ao serviço militar em novembro de 1956. Ele comandou o 162º Batalhão Panzergrenadier e aposentou-se em setembro de 1974, na patente de Oberstleutnant. Heinrici era membro da Associação dos Ganhadores da Cruz do Cavaleiro e costumava frequentar os encontros anuais. Sua última aparição nas festividades foi em Bad Reichenhall, outubro de 2007. Após isso, sua saúde decaiu bastante e ele não mais compareceu.

Hauptmann Heinrici no dia de sua condecoração com a Cruz do Cavaleiro.

Hans-Joachim Heinrici no encontro da OdR em Bad Reichenhall, Bavária, outubro de 2007.

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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Lendário Il-2 Sturmovik volta aos céus na Rússia



Engenheiros russos reconstruíram um lendário Il-2 Sturmovik, que foi usado pelo Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial. Uma dessas aeronaves foi descoberta num pântano em Pskov, na Rússia, em 2005. Realizada passo a passo, a reconstrução finalmente culminou com a decolagem do Il-2 no começo deste ano.

O Ilyushin Il-2 foi uma aeronave de ataque ao solo da Segunda Guerra Mundial, produzida pela União Soviética em grandes números. Mais de 36 mil desses aviões foram construídos, fazendo dele o modelo mais produzido na história da aviação. O Il-2 também foi apelidado de “Tanque Voador” na URSS, e foi criado pelo designer Sergei Ilyushin. Os pilotos da Luftwaffe chamavam-no de “Bombardeiro de Concreto”, enquanto os soldados alemães em terra apelidaram-no de “Matador” ou “Martelo de Ferro” – nomes que refletiam a alta capacidade de sobrevivência e potência em combate do Sturmovik.

Os engenheiros de Novosibirsk levaram seis anos para transformar as ferragens num Il-2 operacional, que foi reconstruído com base em dezenas de plantas originais obtidas dos arquivos. Especialistas disseram que o avião encontrado em Pskov é uma versão do Il-2 produzida em 1942.

A fuselagem restaurada ainda está salpicada de marcas de balas e estilhaços que, no entanto, não conseguiram danificar o motor blindado nem a estrutura principal. “Irreparáveis estavam a cauda de madeira e as portas do trem de pouso”, explicou o engenheiro Viktor Lushin, mostrando as novas portas feitas de alumínio, que ele diz serem perfeitamente iguais às dos desenhos de fábrica.

Decidimos não usar plástico durante a reconstrução das portas do trem de pouso, o que provou-se uma tarefa difícil”, disse Lushin. Sendo assim, as novas portas de alumínio são cópias exatas das originais. Esse também foi o caso de outras partes do Il-2, como o painel do cockpit e mecanismos diversos.

Boris Osetinsky, chefe da Federação Russa de Reconstrução Aérea, elogiou o trabalho meticuloso e os processos de restauração utilizados. “Gostaríamos de prestar uma homenagem a todos os que voaram o Il-2, incluindo o Heroi da União Soviética Marechal Alexander Yefimov”, disse ele, referindo-se à pintura utilizada.

Durante a guerra, Yefimov voou mais de 200 missões, destruindo 126 tanques inimigos e 80 aeronaves no solo. Numa conversa telefônica anterior ao voo do exemplar restaurado, Yefimov deu dicas ao piloto Vladimir Barsuk, sobre as particularidades do modelo. No voo, o Il-2 realizou diversos círculos sobre o aeródromo.

Os engenheiros de Novosibirsk esperam que o Sturmovik restaurado, junto com outras aeronaves históricas, tomem parte no sobrevoo de Moscou em agosto de 2012, quando a Força Aérea Russa completará 100 anos.

Fonte: The Voice of Russia, 1 de novembro de 2011.


Sobre este mesmo Sturmovik, está sendo produzido um documentário chamado "Winged Victory Memory". Os vídeos abaixo são uma pequena amostra da produção. Resolvi compartilhar porque são de uma beleza singular. O interessante é que até assim, voando sobre a paisagem russa em alta-definição, só se consegue pensar do Sturmovik: essa sim é uma máquina malvada!




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