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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A Fortaleza Voadora "Aluminum Overcast"



O fotógrafo Bernard Zee teve um encontro com o Boeing B-17G "Aluminum Overcast", exemplar belissimamente restaurado e operado pela Experimental Aircraft Association. A associação faz tours pelos Estados Unidos, oferecendo a interessados a rara oportunidade de fazer um voo num bombardeiro pesado da Segunda Guerra Mundial.

Zee fez um excepcional registro fotográfico da aeronave, que revela toda sua beleza e detalhes. Clique aqui para ver o álbum completo.

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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Submarino holandês encontrado perto de Borneu



Um submarino holandês afundado em 1941 durante a campanha militar japonesa na Ásia foi encontrado no Mar do Sul da China, perto de Borneu.

O K XVI afundou com 36 tripulantes a bordo após ser atingido por um torpedo japonês em 25 de dezembro de 1941. Os destroços foram encontrados após dicas de um pescador local.

Mergulhadores australianos e cingapuranos estabeleceram a identidade da embarcação com base nas características singulares dos submarinos holandeses. A localização exata dos destroços está sendo mantida em segredo por respeito aos 36 homens que lá jazem.

O próximo mês de dezembro marcará os exatos 70 anos do afundamento do submarino.

No total, sete submarinos holandeses foram destruídos durante a Segunda Guerra Mundial. Seis foram atacados em patrulha e um foi atingido durante um bombardeio no porto de Surabaya, na Indonésia.

Seis dos destroços já foram encontrados. Somente um submarino, o O 13, que afundou no Mar do Norte em junho de 1940, permanece perdido.

Fonte: Radio Netherlands Worldwide, 23 de outubro de 2011.

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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Nota de Falecimento: Albin Starc


Albin Starc
(20/12/1916 - 20/10/2011)

Faleceu no último dia 20 de outubro em Pancevo, na Sérvia, de causas naturais aos 94 anos de idade, o último dos ases croatas, Coronel Albin Starc.

Nascido em Rijeka, na atual Eslovênia, a família Starc era de origem ístria, caracterizando o caldeirão étnico que compunha a ex-Iugoslávia. Ele graduou-se na Academia da Força Aérea em 1940, terminando seu treinamento avançado de caça no mesmo momento que a guerra atingiu a Iugoslávia em abril de 1941.

Com a rápida queda do país perante a ofensiva alemã - e seu consequente desmembramento - Starc juntou-se à nova Força Aérea do recém-criado estado da Croácia. Um esquadrão de caça, a 15ª Staffel do Jagdgeschwader 52, foi criada e enviada para o front soviético em 1941, sendo equipada com o Messerschmitt Me 109. Starc abriu seu escore em novembro daquele ano, ao abater um Polikarpov I-16. Em 1942, os croatas seguiram dando apoio aéreo à ofensiva do Grupo de Exércitos Sul rumo ao Volga - combatendo inclusive sobre Stalingrado - e Starc chegou à marca de 11 vitórias confirmadas. Durante os combates no começo do inverno de 1942, ele foi abatido pela antiáerea soviética, mas sobreviveu à queda de sua aeronave, embora seriamente ferido. Enviado para tratamento médico em Zagreb, ele somente retornou ao front em fevereiro de 1943, quando o esquadrão croata se encontrava na Crimeia.

Sendo um simpatizante comunista antes da guerra, Albin Starc decolou em sua 229ª missão em maio de 1943, e desertou para o lado soviético. Lá, após ser inicialmente preso e interrogado, foi enviado a Krasnodar para iniciar o treinamento em caças Yakovlev. Ele retornou à Iugoslávia em setembro de 1945, como um dos 40 pilotos de Yak-3 do recém-formado 254º Esquadrão.

Após a guerra, Starc permaneceu na Força Aérea Iugoslava, servindo principalmente em unidades de treinamento. Ele foi o primeiro piloto iugoslavo a pilotar uma aeronave a jato, e aposentou-se com a patente de Coronel em 1963. Acredita-se que sua carreira voando pela Luftwaffe durante a guerra o tenha impedido de alcançar o generalato. Em 18 de maio de 1990, o Coronel Albin Starc foi condecorado com o Distintivo de Piloto em Ouro pelo governo croata.

Albin Starc graduando-se na Academia da Força Aérea em Pancevo, 1940.

Me 109E-4 de Albin Starc. 15.(Kroat)/JG 52, Eupatoria, União Soviética, maio de 1942.

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

90 anos do Rei Mihai I da Romênia



Hoje, Sua Majestade, o Rei Mihai I da Romênia, completa 90 anos de idade. Ele é um dos três chefes de estado ainda vivos da Segunda Guerra Mundial (os outros são Simeon II da Bulgária e Norodom Sihanouk do Camboja) e o único com real participação no conflito. Ele é também o veterano com mais alta patente ainda vivo, tendo sido apontado Marechal da Romênia em 1941.

Mihai foi coroado Rei da Romênia em 6 de setembro de 1940, substituindo seu pai, Carol II, derrubado em um golpe pró-Alemanha liderado pelo General Ion Antonescu. O jovem Mihai foi usado por Antonescu como figura decorativa até 1944. Em 23 de agosto daquele ano, Mihai convocou Antonescu para uma audiência e deu-lhe voz de prisão, efetivamente derrubando seu governo e assinando um cessar-fogo com os soviéticos – que então já invadiam o país.

O Rei então colocou suas tropas contra os alemães e executou uma bem-sucedida ofensiva romena levou-os até Praga em maio de 1945.

Mihai continuou no trono da Romênia (embora novamente como figura decorativa, dado o novo governo comunista romeno chefiado por Moscou) até 30 de dezembro de 1947, quando foi obrigado – sob a mira da arma do Primeiro-Ministro comunista Petru Groza – a assinar sua abdicação.

Exilado imediatamente, o Rei somente pôde retornar à Romênia em 1992, três anos após a derrubada do governo de Nicolai Ceaucescu.

A Sala de Guerra deseja ao Rei Mihai um feliz aniversário!

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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Falece o Barão da FEB


O Nosso Barão

Guimarães Rosa escreveu uma vez que Deus coloca certas pessoas na vida da gente para nos ensinar a sorrir, e depois as tira para ver se a gente já aprendeu a sorrir sozinha. Penso que assim que José Santana Filho (o Barão) será lembrado, como alguém que veio ao mundo para ensinar outros a sorrir. E cumpriu sua missão.

Ele, homem de tantas missões, foi combatente na Segunda Guerra Mundial pela nossa Força Expedicionária Brasileira (FEB), nos anos de 1944 e 1945, servindo o País em território italiano pelo 11° Regimento de Infantaria de São João del Rey. O bravo soldado da 5ª Companhia presenciou os mais relevantes fatos da história do Brasil nesse conflito, como a conquista de Monte Castello e Montese determinantes para a rendição das tropas alemãs no Norte da Itália.

A tensão e a amargura no campo de batalha, as privações do ambiente hostil, a solidariedade e amizade entre os aliados, a riqueza artística italiana, os amores em tempos de guerra, a saudade do Brasil, a comoção pelos que morreram, a emoção da vitória e o retorno ao País, privilegiados foram aqueles, como eu, que tiveram o prazer e a honra de ouvir essas e outras histórias contadas sempre com entusiasmo e maestria pelo Barão.

Nem os morteiros alemães que desabaram num casarão encravado nos Apeninos, onde descansava, junto com a tropa brasileira, nosso soldado tricordiano, deixando o local em ruínas, inclusive com vítimas fatais, não ceifaram sua vida – cumpriu-se com o nosso Barão o trecho da Canção do Expedicionário: Por mais terras que eu percorra/Não permita Deus que eu morra/Sem que volte para lá. Voltou para as serras de Minas o infante de montanha, no corpo algumas marcas da guerra, na mente lembranças de quem foi, viu e venceu... um vencedor, mas também um ser humano que vivenciou sofrimento e miséria, que dividiu seus suprimentos com crianças famintas, que levou esperança para famílias espoliadas e arrasadas pelo inimigo.

A vida segue, aprendeu e ensinou essa lição o nosso amigo, e sempre com alegria, como nas marchinhas que cantarolava entre histórias pitorescas, reunidas em mais de 90 anos de vida, compartilhadas nos quatro cantos da cidade de Três Corações. E o que dizer da Avenida Getúlio Vargas sem a presença de um dos seus mais ilustres personagens? Por ela tantas vezes desfilou o Barão, como ex-combatente, à frente do Exército, orgulhoso, nos dias 7 e 23 de Setembro, e como folião, brincalhão, nos desfiles de carnavais – um homem que comungou como poucos do amor à pátria e da riqueza da cultura brasileira.

Assim, se hoje o dia é triste porque perdemos um grande amigo, e mais triste ainda para sua família, todos, no entanto, podemos dizer que sim, aprendemos, sim, a sorrir com o Barão, mais uma vez ele cumpriu com louvor sua missão, retorna para os braços de Deus, como no dia em que, retornando da Guerra, avistou os braços do Cristo Redentor e recebeu o reconhecimento e o afeto de sua gente, de seu País.

Iniciei esta singela homenagem ao nosso estimado Barão citando Guimarães Rosa, encerro com o mesmo escritor mineiro que dizia que a gente não morre, fica encantado; pois é, José Santana Filho, o Barão, que foi um encantador narrador de histórias, finalmente, torna-se encantado. Um encantamento que vai percorrer mares, trincheiras, avenidas, quartéis, bailes, fotografias... lembranças e sorrisos. Assim, sentiremos a falta de um combatente, como quem honra um herói ao Toque de Silêncio. Mas, saudaremos sempre o nosso Barão, sorrindo, como quem dança e ouve uma linda marchinha de outrora: sempre é carnaval, sempre é carnaval/vamos embora, pessoal/ sempre é carnaval, sempre é carnaval/muita alegria, pessoal...

João Luis, Professor de História

Custei a acreditar na notícia quando a recebi...

A vida me prega peças e me coloca em lugares estratégicos, pude mais uma vez confirmar. Tive a extrema felicidade de conhecer José Santana no mês de julho, por ocasião do Centenário do Sgt. Max Wolff Filho na EsSA, quando fui convidado pelo General Vasconcellos para ir à Três Corações. Sentei-me ao lado do Barão durante a cerimônia no auditório na tarde do dia 28, antes da minha palestra. Bancando os não-tão-bons ouvintes, conversamos bastante durante o evento. Uma conversa foi inesquecível, na qual ele me confidenciou segredos polêmicos e falou-me sobre sua carreira de combate na Itália. Tudo pontuado com seu característicos estilo bem-humorado.

José Santana era um homem que não demonstrava ter a idade que tinha. Resistência e firmeza físicas eram suas marcas. Cantava canções da FEB e falava com tanta propriedade que angariava atenções facilmente. "Chegamos a Nápoles e formos transportados por mar dentro de barcaças anfíbias. Vou te dizer, foi a pior época da minha vida, dentro daqueles barcos. Nos jogaram lá como bichos e fecharam a porta. Preferi muito mais estar debaixo das balas depois", contou-me. Deixou-nos no dia 20 de outubro de 2011.

Polêmico, divertido, cheio de vida. Não consigo acreditar que o Barão tenha-se ido.

O Barão e eu no auditório da EsSA.

No jantar do dia 27 de julho. José Santana conversa com os veteranos Geraldo Taitson, Divaldo Medrado e Josino Aguiar. Do lado direito, a enfermeira Carlota Mello e eu.

O Barão José Santana dando as boas-vindas ao General Fernando Vasconcellos.


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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Mais encontros com veteranos alemães


Estive em Hannover nesses últimos dias. Infelizmente o hotel em que eu estava não tinha internet wireless disponível (sim, chocante), e por isso não pude postar antes.

Lá aconteceu o encontro da Associação da Cruz do Cavaleiro. Chegamos lá na quinta-feira, para o evento de três dias que somente terminou hoje. Embora tenhamos perdidos três membros desde o ano passado - Günter Frenzel, Heinrich Südel e Georg Bose - o evento deste ano foi igualmente rico. Como disse no post anterior, farei um relato mais completo posteriormente.

Hoje fizemos de carro a viagem para Colônia, e no caminho pude realizar um sonho de longa data e conhecer um verdadeiro comandante alemão de submarinos! No caso, o Kapitänleutnant Alfred Eick, que aos 95 anos é um poço de simpatia. Sinceramente, ele impressiona pela simplicidade e cordialidade. Falarei mais sobre esta lenda mais tarde. Abraços!

Com o paraquedista Heinrich Leuffert.

Com o SS-Unterscharführer Manfred Thorn.

Ganhadores da Cruz do Cavaleiro na reunião deste ano.

Com o Kapitänleutnant Alfred Eick.

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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Visita a Rochus Misch


Amigos, estou em Berlim. Os dias são muito cheios, então, pouco tempo sobra para vir postar aqui. Infelizmente, tudo que posso fazer agora é postar um aperitivo, e prometo que quando voltar faço um relato completo.

Ontem, em companhia dos amigos Gilberto Ziebarth Jr e Roberto Soares, consegui realizar uma grande vontade minha e conhecer o último sobrevivente do Bunker de Hitler em Berlim, SS-Oberscharführer Rochus Misch. Consegui que ele autografasse minha cópia de sua biografia "Fui Guarda-Costas de Hitler" e conversamos um pouco. Aos 93 anos, Misch é muito bem-humorado e cortês.

Aqui vão umas fotos. Abraços!





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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Visitas a Martin Drewes


Visitar meu bom amigo Martin Drewes é sempre um prazer. Tomei minhas semanas de folga do mês de julho para fazer uma viagem para Santa Catarina e revê-lo. Nisso, fizemos uma grande reunião de amigos, com Gilberto Ziebarth Jr e família. Este havia acabado de concluir uma túnica da Luftwaffe, inspirada na que Martin usava em 1945: Major, com Cruz Alemã em Ouro e Folhas de Carvalho para Cruz do Cavaleiro.

Planejamos a viagem deste ano (embarco amanhã!) e rimos um pouco do sempre bem-humorado caçador noturno. Isso sem mencionar o champagne e os petiscos, que nunca faltam!

No mês de setembro, foi a vez do meu caro amigo Nestor Magalhães, mergulhador e pesquisador, que recentemente lançou o excelente "U-Boats: Mergulhando na História". Nestor já fez mergulhos exploratórios em diversos submarinos alemães afundados pelo mundo, e reconta suas experiências nesse interessante livro.

Ele levou um modelo em escala do Messerschmitt Me 110, modelo que o Martin pilotou durante a guerra, e conseguiu um autógrafo na asa. Um tesouro pra eternidade!









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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A épica fuga de um SAS pelo deserto norte-africano



Um soldado do SAS fala pela primeira vez de sua épica jornada de 180 km pelo deserto, sobrevivendo com um cantil de pele de cabra e algumas tâmaras.

A extraordinária jornada do Major William Michael Sadler é parte de uma série de feitos heróicos que foram descobertos pelos Diários do SAS.

Um dos pouquíssimos membros originais ainda vivo, o Major Sadler, 93 anos, conhecido como “Mike”, era navegador do fundador do regimento, David Stirling, guiando colunas de ataque por centenas de quilômetros atrás das linhas inimigas no Norte da África.

Em 1943, o oficial esteve à beira da morte quando uma coluna liderada pelo Coronel Stirling saiu da Líbia para juntar-se às forças americanas na Tunísia.

Percorrendo centenas de quilômetros dias e noite, os homens exaustos finalmente alcançaram a Falha de Gabès na costa da Tunísia e se esconderam num leito estreito de rio.

Mas haviam sido avistados por tropas alemãs, que esperaram o anoitecer e cercaram o local com carros blindados.

O Major Sadler disse: “Fui acordado no meu saco de dormir por um camarada do Afrika Korps que nos disse para continuar deitados. Eles percorreram a fila detendo o restante da patrulha”.

No entanto, enquanto o alemão dava conta de seus colegas, ele e outro soldado, Johnny Cooper, saíram “disparados dos sacos e correram para longe”. O restante da patrulha foi capturada, incluindo Stirling.

Os fugitivos passaram o dia escondendo-se numa depressão, ajudados por árabes pastores de cabras, que posicionaram o rebanho para dar cobertura a eles. Só estavam equipados com o que tinham em mãos enquanto dormiam – suas botas e suas túnicas, embora um dos árabes tenha-lhes dado um cantil de água feito de pele de cabra.

Pelos próximos dois dias e quatro noites nos caminhamos de leste para oeste com grandes lagos de sal ao lado”, disse Sadler. “Felizmente, eu sabia os percursos daquela terra e como navegar, mas mesmo assim foi tremendamente exaustivo. Conseguimos encher o cantil com água salobra de um poço e comemos algumas tâmaras para nos manter, e só. Estávamos nas últimas quando chegamos às linhas francesas”.

O Major continuou tomando parte em missões do SAS na França, realizando sabotagens como preparação para o Dia-D. Ele disse que enquanto o Diário do SAS é “um desvio do nosso princípio histórico de não falar”, ele estava feliz pelo retorno gerado, que vai para assistência de veteranos.

O Major Sadler, que vive em Cheltenham, também se lembra de missões de 800 quilômetros para atacar aeródromos alemães, usando mapas que somente mostravam latitude e longitude. “Era como navegar no mar; na verdade, meu treinamento original foi como marinheiro em uma empresa mercante”, ele disse.

Havia falta de água e a dieta principal era de latas de carne e vegetais, bem como apresuntado. Mas o ingrediente-chave para lidar com as adversidades do deserto era o rum com limão. “Rum te anima e o limão evita o escorbuto”, lembra-se ele.

Fonte: The Telegraph, 26 de setembro de 2011.

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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Nota de Falecimento: George Hunt


George Hunt
(04/07/1916 - 16/08/2011)

Faleceu no último dia 16 de agosto na Austrália, de causas naturais aos 95 anos de idade, o mais bem-sucedido comandante de submarinos britânicos da Segunda Guerra Mundial, Capitão George Edward Hunt.

Nascido em Milton of Campsie, ao norte de Glasgow, na Escócia, Hunt era filho de um oficial colonial na África. Aos 13 anos de idade, ele se juntou à Marinha Mercante como treinante e aos 16 foi admitido numa companhia de navegação de Glasgow, que viajava para a Índia e Birmânia. Em 1938, ele transferiu-se para a Royal Navy e após um ano de cursos técnicos e táticos, entrou para a tripulação do destróier HMS Foxhound. Contudo, Hunt logo voluntariou-se para serviço nos submarinos, sendo designado oficial de sinalização do HMS Unity.

Em 29 de abril de 1940, o Unity foi acidentalmente abalroado por um navio mercante norueguês, e Hunt ajudou a manter os sobreviventes juntos até serem resgatados. Imediatamente depois, tornou-se oficial de ligação no submarino holandês O10, cobrindo a evacuação em Dunquerque. Em seguida, foi oficial de ligação no submarino polonês Sokol, permanecendo nessa posição até março de 1941. Hunt foi então feito imediato do HMS Proteus, operando no Mediterrâneo. Durante um ataque noturno em 8 de fevereiro de 1942, o Proteus disparou dois torpedos contra o torpedeiro italiano Sagittario, que desviou-se e virou em direção ao submarino, abalroando-o. Embora seriamente danificado, o Proteus foi capaz de retornar à base.

Em outubro de 1942, Hunt finalmente foi feito comandante de seu próprio submarino: o HMS Ultor. Após uma insossa patrulha no Ártico, o Ultor foi enviado para o Mediterrâneo, e Hunt deu início à uma impressionante sequência de afundamentos, começando em abril de 1943, com o Penerf (2.151 ton). Logo depois ele afundou um lança-minas e um mercante italiano, até que em agosto afundou o destroier Lince (800 ton), da Regia Marina. Hunt ainda auxiliou nos desembarques em Anzio, no começo de 1944, guiando barcos de desembarque até a praia. Contudo, seu maior sucesso viria no dia 27 de junho de 1944: navegando próximo a Antibes, no sul da França, ele avistou o cargueiro Felix 1 (ex-Cap Blanc, 3.316 ton), acompanhado de 4 escoltas. Ignorando o perigo, ele disparou 4 torpedos, que atingiram em cheio o navio. As escoltas então o perseguiram por uma hora, mas Hunt escapou das cargas de profundidade. Porém, enquanto tentava sair da zona de perigo, ele avistou o petroleiro Tempo 3 (ex-Pallas, 5.259 ton), que estava com mais 5 escoltas. Numa demonstração de extrema ousadia, Hunt penetrou a linha das escoltas e disparou 2 torpedos contra o petroleiro, que afunda imediatamente. Ele então ordenou o mergulho até 100 metros, enquanto era caçado por nove escoltas e 4 aeronaves. Hunt parou de contar os impactos de carga de profundidade após o 100º. Miraculosamente, o Ultor sobreviveu com alguns vazamentos, e retornou em segurança. O comandante de sua flotilha escreveu: "O primeiro ataque foi brilhante, mas o segundo - montado apenas três horas depois - foi a mais superlativa das exibições, na qual ele conseguiu uma inédita e indetectável posição dentro de uma violenta cobertura de escoltas em zigue-zague. Isso mostra extrema perícia técnica, mas também, e mais importante, determinação e coragem da mais alta ordem".

George Hunt terminou a guerra como o comandante britânico de submarinos com maior recorde de afundamentos: 28 navios inimigos. Foi condecorado com a Distinguished Service Cross e Distinguished Service Order, com barras para ambas. Após o conflito, ele continuou na Royal Navy, assumindo posições de comando em submarinos e embarcações de superfície, até chegar ao estado-maior da força de submarinos. Ele passou para a reserva naval em 1963 e emigrou para a Austrália e trabalhou até 1976 para a Alta-Comissão Britânica.

Personalidade homenageada em diversas ocasiões, Hunt publicou sua biografia "Diving Stations", em outubro de 2010. Viúvo, ele deixa uma filha e dois netos.

HMS Ultor retornando ao porto.

George Hunt.

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