Loading

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Encontro Internacional dos Pilotos - Alemanha 2010


Como uma preparação para a viagem que irei empreender na próxima semana, vou começar os relatos (super atrasados) dos eventos aos quais compareci na Alemanha em 2010. Os textos também ficam como dica para aqueles que estejam planejando uma viagem pelo país e desejem ver algo relacionado à Segunda Guerra Mundial.

Pois bem.

Uma das melhores opções para viajar para a Alemanha é a nossa TAM. Com seus Boeing 777, ela faz voos diários partindo de Guarulhos para a Frankfurt, sempre no fim da noite. Uma vez dentro do (de certa forma, para a classe econômica) confortável avião, são 11h de voo até o destino. Refeições decentes e um bom sistema de entretenimento individual são marcas da aeronave.

A dica é: tentem pegar uma janela do lado direito, pois é desse lado que você poderá observar a costa norte-africana durante um belo nascer do sol a 10 mil metros de altitude. Vale muito a pena. Lá embaixo (e dependendo da rota escolhida no dia) pode-se ver o Marrocos e o Estreito de Gibraltar, a costa espanhola e, umas horas adiante, os Alpes do sul da França.

Pouso em Frankfurt no dia 7 de outubro, mais ou menos às 14h (já ajustado o fuso-horário), e partimos para a estação de trem. Explicando: a melhor maneira de se viajar pela Alemanha é usando a Deutsches Bahn – a companhia nacional de trens – que liga praticamente o país inteiro. Para seu conforto, o aeroporto de Frankfurt tem sua própria estação, localizada no nível do subsolo. Então, após pegar as malas, rumamos direto pra lá. Na viagem foi comigo Gilberto Ziebarth Jr., afilhado do ás alemão Martin Drewes, que é nosso “chefe” e organizador das viagens.

Comprando o ticket diretamente na loja da DB acima da estação, pegamos o trem (no sentido Wiesbaden) rapidamente (sempre andam no horário). Trens alemães são amplos e não andam muito cheios (exceto em ocasiões que irei tratar mais à frente). Uma viagem de uma cidade à outra geralmente requer troca de trens. Porém, isso é uma coisa simples de ser feita: repare no seu ticket onde está escrito “Gleis” (Plataforma) e o número. É a plataforma onde você pegará o próximo trem. Claro que o ticket também te informa onde você vai ter que descer do trem e que horas. Para facilitar, todas as estações de trem alemãs são praticamente iguais, então depois de uma primeira experiência você logo acostuma. Só tomem cuidado com alguns trens regionais que têm umas travas de porta realmente complicadas de abrir. Procure observar alguém fazendo e depois tente você.

Pegamos um trem de mais ou menos duas horas até Oestrich-Winkel, uma pequena cidade às margens do Reno, e próxima à Geisenheim, onde aconteceria o Encontro Internacional dos Pilotos (Internationales Fliegertreffen) no dia seguinte. Martin havia marcado para nós quartos no hotel Advena Jesuitengarten – que, aliás, recomendo. Fica ao lado do rio e tem uma janela panorâmica belíssima no restaurante.

Acho que o real encanto da Alemanha está nas cidades pequenas. É lá que você vai vivenciar o país, a beleza natural e os locais históricos. Portanto, fuja dos pacotes turísticos. Viaje por conta própria.

Oestrich-Winkel é uma cidade pequenina, vinicultora, e que oferece tem uma balsa ligando-a diretamente à Ingelheim, na outra margem do Reno. No dia seguinte, fizemos esse passeio. Muito recompensador, pois numa pequena loja esportiva encontramos uma réplica perfeita de um Stahlhelm (o capacete alemão) por um preço absurdamente módico. Na volta, aproximando-me do hotel, vejo um senhor de cabelos brancos cujo semblante reconheci instantaneamente: Dr. Fritz Marktscheffel, veterano do Sonderkommando Elbe – a unidade experimental da Luftwaffe que em 7 de abril de 1945 realizou um ataque de choque contra bombardeiros quadrimotores americanos. Quem acompanha o (questionável) “Combates Aéreos” do History Channel conhece o Dr. Marktscheffel do episódio “Luftwaffe – A missão mortal”. Já trocava mensagem com ele há alguns meses, e ele fez questão de ir até Oestrich-Winkel encontrar-se conosco. Por curiosidade, 8 de outubro era justamente o aniversário dele.

Quase que imediatamente (numa cena que parecia ter sido combinada hehe) Martin Drewes chegou de carro, e foi cumprimentado entusiasticamente por seu amigo Marktscheffel. Foi então que ajudamos com as bagagens e conversamos um pouco. Mas já estava na hora de nos aprontarmos para a noite.

Geisenheim é a cidade onde fica o monumento aos pilotos mortos em combate, de todas as nações. Uma torre bifurcada com duas águias que adornam o topo – ao lado do Reno. Nesta cidade, a cada dois anos, acontece o encontro. E como a cidade é minúscula, os participantes têm que ficar distribuídos em hoteis nas cidades vizinhas. Foi dessa maneira que a delegação brasileira acabou em Oestrich-Winkel. Ônibus são enviados para buscar os participantes em cada hotel.

Acho que fomos o segundo grupo a entrar no ônibus. Prosseguimos para outra cidade vizinha, onde embarcou a delegação russa, chefiava pelo Heroi da União Soviética, General Nikolai Antoshkin. Ele foi o comandante dos esforços aéreos que ajudaram a selar o reator de Chernobyl logo após a explosão em 1986. Outro conhecido meu a subir no ônibus foi o ás da Batalha da Inglaterra, Hans-Ekkehard Bob (que é feito de aço, não tenho dúvida).

Chegamos ao evento em Geisenheim, desta vez um restaurante, com diversas alas. As mesas, mais uma vez, identificadas com as bandeiras nacionais e insígnias de unidades. A nossa, portanto, tinha a bandeira brasileira e a insígnia do Nachtjagdgeschwader 1 (NJG 1), a unidade de caça noturna do Martin durante a guerra.

Geralmente, as primeiras noites dos eventos é chamada “caça livre”, onde você pode sair pedindo autógrafos para os veteranos. Então, como podem imaginar, é um vai-e-vem de gente pra todo lado. Tomando uma cervejinha perto da entrada estava Willi Desinger, ás de 7 vitórias e último piloto do JG 3. Como tínhamos nos conhecido no ano anterior, ele rapidamente me reconheceu e cumprimentou alegremente. Conversamos um bocado e ele me presenteou com uma cópia de seu diário de voo, constando todas as decolagens e pousos que fez na Luftwaffe, incluindo suas vitórias, enquanto pilotava o Me 109K-4 com o poderoso canhão de 30mm no nariz.

Pude rever também o ás de 81 vitórias e ganhador da Cruz do Cavaleiro Hugo Broch, com quem tivemos animada conversa. Hugo mantém-se com boa saúde, e talvez o vejamos no próximo encontro. Revi também meu caro amigo Theo Nau – o mais jovem piloto de Messerschmitt – sempre muito cavalheiro, e conhecemos o simpático Stefan Winzig, que voou torpedeiros Heinkel He 111 em diversas frentes. Compramos sua autobiografia que ele muito gentilmente autografou.

Confesso que realmente a grande surpresa foi a presença de ninguém menos que o ex-Presidente da Alemanha, Walter Scheel. Como todos que já leram “Sombras da Noite”, a autobiografia do Martin, já devem saber, os dois são grandes amigos desde a época da guerra, quando Scheel foi telefonista do III Grupo do NJG 1 (e posteriormente artilheiro de ré de uma das tripulações). Scheel, já com estrutura frágil e usando uma bengala para locomover-se, chegou e assentou-se ao lado do Martin, e foi muito interessante vê-los conversando e relembrando os velhos tempos. Muitas pessoas se aproximaram e pediram autógrafos ao velho presidente, que assinou com muita paciência.

Bom, fim de noite. Esperando o último ônibus, tivemos a oportunidade de trocar umas palavras com o General Antoshkin e o General Andreev. Como meu russo ainda se reduz às expressões básicas, tivemos o auxílio de seu tradutor, designado pela Luftwaffe para acompanhá-lo.

Chegamos ao hotel já perto da meia-noite, e o pessoal brasileiro se reuniu no saguão para um bate-papo de fim de expediente com Martin Drewes. O Major pede uma garrafa de champagne e vamos brindar aos amigos. Excelente dia!

Sábado de manhã começou bem cedo pra nós. Café da manhã com Karl-Fritz Schlossstein (3 “S” mesmo), ás de 9 vitórias do JG 5. Bate-papo extremamente interessante com esse simpático senhor, que fala inglês muito bem. Ele descreve sua primeira vitória, contra um Polikarpov soviético, de maneira tão vívida que quase puder “ver” a cena. Em seguida, pulando pro fim da guerra, ele faz uma revelação sensacional: “Estávamos em Berlim, e não dava pra ver nada com tanta poeira que tinha no ar [devido ao canhoneio da artilharia soviética]. Então recebemos a ordem de decolar [com Focke-Wulfs Fw 190] para escoltar o Marechal Greim...” Nesse ponto eu interrompi. “Só um instante, Sr. Schlossstein; o senhor está me dizendo que foi um dos Focke-Wulfs de escolta de Hanna Reitsch naquele último voo pra Berlim?” “Sim, sim.

Passado o espanto momentâneo, deixei-o continuar a contar sua história. Mas que impressionante! Sem nem suspeitar, estava eu diante de um cara que testemunhou um momento histórico tão singular! Testemunhou não, fez parte dele! Que sorte...

Sem um destino determinado para ocupar o dia, acatamos uma sugestão e pegamos o trem para Rüdesheim, uma cidade turística a 20 minutos de trem. E puxa, que excelente sugestão viu!

Protegida pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, Rüdesheim fica às margens do Reno, próxima a uma curva do rio, e possui excelentes cafés e restaurantes para todos os gostos. Fica no sopé de uma colina, em cujo cume se destaca ao longe o Niederwalddenkmal – o monumento à vitória alemã na Guerra Franco-Prussiana de 1870-1871.

Vou parar o relato pra falar: se você está planejando viajar à Alemanha e passar pelos lados da Renânia e Hesse, é simplesmente uma parada OBRIGATÓRIA. O monumento é indescritivelmente belo e imponente, com quase 40 metros de altura. De lá, tem-se uma visão panorâmica da região, de tirar o fôlego. É inesquecível.

Você ascende ao monumento por um teleférico, que passa lentamente acima de imensas plantações de uva, que cobrem toda a face da colina. Lá embaixo, milhares de turistas lotam as ruas, principalmente Drosselgasse, recheada de lojas e restaurantes, e o castelo medieval Brömserburg (visitação gratuita!). A cidade também é palco regular de diversos eventos, entre eles a Gallustag, um festival medieval – que estava acontecendo quando estivemos lá. Comida, vestimentas e muitas armas medievais à venda. Diversão garantida e recomendada!

Contudo, de volta à Oestrich-Winkel, mais uma vez nos preparamos para o encontro. Agora, a cerimônia em honra dos pilotos mortos, no monumento em Geisenheim. Ônibus chega às 15:30h, e nos leva até o local. Com uma banda da Luftwaffe e um esquadrão de honra, a cerimônia é iniciada com toques solenes e a leitura dos nomes dos pilotos mortos durante o ano anterior. Em seguida, são colocadas as coroas de flores pela delegação de cada país presente, sendo o Brasil a primeira a fazê-lo.

Os ônibus levaram em seguida todos para um salão onde foi servido o banquete da noite de gala. Mais uma noite cheia de bate-papo e reencontros. Desta fez, somos chamados pelo General Antoshkin para um brinde com vodka. Detalhe: a vodka que ele mesmo produz e engarrafa! Aparentemente, na Rússia isso é meio que um costume entre celebridades.

Evento concluído, ônibus de volta pro hotel. O dia foi cheio e tudo que eu queria era dormir um pouco. No dia seguinte, bem cedo, teríamos que pegar o trem para Ingolstadt, na Bavária, o que significou praticamente cruzar o país de oeste pra leste. Lá visitamos o Flugwerk e a Fundação Messerschmitt. Mas isso fica pro próximo relato.

Até lá.






















Comente aqui!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Segunda Guerra em tempo real pelo Twitter!


Alwyn Collinson, recém-formado em História pela Universidade de Oxford, está realizando um projeto realmente:

-É ambicioso!
-Merece todos os parabéns do mundo!

O cara está simplesmente recontando a Segunda Guerra Mundial, de momento em momento, pelo Twitter! Aí sim, isso é que é usar a tecnologia pra fins benéficos! Como todo bom inglês, ele usa um ponto de vista um pouco britânico (o que não ocorre 100% das vezes), e alguns de seus tweets são acompanhados de imagens.

Pra quem quiser acompanhar essa audácia (será que ele chega a 2 de setembro de 2015 com ânimo?), é só seguir o twitter RealTimeWWII:


Meus agradecimentos ao amigo Vinícius Daniel Antunes pela ajuda!

Comente aqui!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Nota de Falecimento: Georg Bose


Georg Bose
(20/10/1921 - 26/09/2011)

Faleceu no último dia 26 de setembro em Einhausen, Alemanha, de causas naturais aos 89 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, meu amigo, Leutnant Georg Max Bose.

Nascido em Cottbus, Bose passou a infância nas florestas ao redor de sua casa, e em 8 de maio de 1938 apresentou-se para o período obrigatório no Serviço de Trabalho do Reich (Reichsarbeitsdienst). Após pouco tempo, ele tentou a vaga de chefe de serviço, que acabou conseguindo. Com isso, Bose teria que permanecer pelo menos mais um ano no RAD. Em agosto de 1939, seu batalhão de serviço foi transferido para a fronteira polonesa, e após o começo da invasão do país, eles ficaram responsáveis pelo reparo de estradas e pontes destruídas. Contudo, dada a rapidez do avanço alemão, Bose teve pouco a fazer: "Não fizemos nada lá, pois não tinha nada destruído".

Em 1 de abril de 1940 Bose deixou o RAD e foi chamado para o serviço militar, inicialmente voluntariando-se para a tropa de paraquedistas. No entanto, ele foi recusado por ser muito jovem. Em seguida, foi aceito para treinamento em uma unidade de artilharia antiaérea, mas logo desviado para a artilharia de campo, junto ao 58º Batalhão de Artilharia na França, em setembro de 1940. A partir de então, Bose participou de diversos exercícios para a Operação Leão Marinho - a invasão da Inglaterra - que acabou cancelada por Hitler. Em abril de 1941 ele tormou parte na invasão da Grécia, sendo logo depois enviado para Memel, no Báltico, de onde partiu para a Operação Barbarossa. Avançando em direção a Leningrado, ele enfrentou pesadas batalhas no inverno 1941-1942 na frente de Volkhov. Após um longo período no hospital tratando uma enfermidade, Bose voluntariou-se para a força de canhões de assalto (Sturmartillerie) em novembro de 1942.

Após completar o treinamento no StuG III, ele foi enviado para o 177ª Brigada de Canhões de Assalto (Sturmgeschütz). Lá, Bose era parte da 3ª Bateria, na qual comandava o canhão 309. Em julho de 1943, a unidade envolveu-se no centro dos pesados combates entre blindados em Kursk. Quando o comandante da bateria foi mortalmente ferido após abandonar seu veículo quebrado, Bose cobriu o recuo da tripulação, disparando energicamente contra o avanço soviético - ação pela qual ganhou a Cruz de Ferro de 2ª Classe. No dia 10 de julho, ele foi o primeiro de sua bateria a destruir um tanque inimigo, sendo premiado com uma garrafa de champagne. Em outro combate, ele protegeu o estado-maior da 76º Divisão de Infantaria, incluindo o General Helmut Weidling (último comandante militar de Berlim em maio de 1945), de um ataque soviético, destruindo seu segundo tanque inimigo.

No inverno 1943-1944, Bose enfrentou os contra-ataques soviéticos na região de Vitebsk, na Bielorrúsia, e foi promovido a Leutnant logo em seguida, recebendo também o comando de um pelotão. Sua unidade foi renomeada 69º Batalhão Panzer na primavera de 1944, e seguiu ininterruptamente em combate desde os pântanos de Pripet até a Prússia Oriental. Durante os combates ao redor da cidade polonesa de Radziwillowka, Bose protegeu o recuo da 292ª Divisão de Infantaria, destruindo um grande número de veículos blindados soviéticos e parando o ímpeto do avanço inimigo. Por essas ações, no dia 21 de setembro de 1944, ele foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro.

Mesmo sofrendo de hepatite, Bose continuou firmemente engajado nos combates na Hungria em 1945, terminando a guerra com um total de 44 tanques soviéticos destruídos, num hospital na Tchecoslováquia. Capturado pelos soviéticos em 11 de maio, ele passou três anos em cativeiro, até ser libertado em 18 de julho de 1948.

Georg Bose era secretário da Associação dos Ganhadores da Cruz do Cavaleiro, e escreveu uma longa e muito elogiada autobiografia, dividida em três volumes. A Dragon Models lançou em 2007 em edição especial um modelo em escala 1/35 de seu StuG III Ausf.G. Ativo na internet, Bose era talvez o único dos RKTs a utilizar e-mail com regularidade, de forma que nos comunicávamos desde 2008 desta maneira. Não pude encontrá-lo em 2009 por ele ter tido uma recaída na saúde, mas tive a imensa honra de conhecê-lo pessoalmente no encontro de 2010.

E que impressão Georg Bose deixou! Extremamente vívido e cortês com os convidados (como pode ser visto no vídeo abaixo), ele em nada deixava transparecer a frágil condição em que se encontrava. Comunicamo-nos pela última vez no dia 17 de julho, quando ele me disse que a tradução para inglês do 2º volume de sua biografia tinha ficado pronto. Esperávamos revê-lo este ano, daqui a duas semanas, e infelizmente as notícias pegaram todos de surpresa. Sinto-me privilegiado por tê-lo conhecido e poder carregar boas lembranças deste guerreiro. Sua falta será muito sentida.


Descanse em paz Sr. Bose!

Foto autografada por Bose, em minha coleção.

Georg Bose e eu em Kirchheim, Alemanha, 16 de outubro de 2010.

Comente aqui!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Max Zastrow praticando sua pontaria!


Coisas que você só vê aqui na Sala de Guerra!

Max Zastrow
, ganhador da Cruz do Cavaleiro em 1944, provou que ainda tem boa pontaria aos 89 anos de idade, a exemplo do americano Ted Gundy. O austríaco Max participou no último sábado, 24 de setembro, do 25º Torneio Internacional de Tiro dos Reservistas, em Viena.

Empunhando um fuzil de assalto Steyr AUG, Max participou de competições de tiro de precisão e tiro rápido contra alvos a 200 metros de distância, superando alguns adversários 60 anos mais jovens que ele! Também pudera. Max Zastrow é um soldado cujos feitos rivalizam com os de Ronald Speirs, lendário comandante da Easy Company.




Metralhador da 2ª Companhia do 81º Batalhão de Engenharia, Max Zastrow estava posicionado a 100 metros de uma linha de bunkers soviéticos na margem ocidental do rio Berezina, na Bielorrússia, em fevereiro de 1944. Ao perceber que o ataque inicial à linha inimiga havia falhado, Max, sozinho e desarmado, tomou seis granadas e partiu arrastando-se em direção aos bunkers, debaixo de pesado fogo de metralhadora. Conseguindo incrivelmente desviar-se das rajadas, ele destruiu três bunkers em sequência, usando suas granadas. Ferido no braço, ele ainda retornou às linhas alemãs e ajudou um colega atingido, desmaiando em seguida pela perda de sangue. O soldado Zastrow, aos 21 anos, foi então condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro pelo comandante da 45º Divisão de Infantaria, Generalmajor Gustav Gihr, em 6 de março de 1944. Ele foi até destaque do cinejornal da semana:


Max mora em Viena desde o fim da guerra, e é assíduo participante das reuniões da Associação da Cruz do Cavaleiro. Já tive a honra de encontrar-me com ele duas vezes nessas festividades, e o faremos novamente mês que vem. Ele é talvez o mais bem-humorado dos ganhadores da Cruz do Cavaleiro; pelo menos entre os que eu conheço pessoalmente, posso dizer com certeza! Disse-me que adoraria conhecer o Brasil.

Max e eu em Kirchheim, Alemanha - outubro de 2010.

Meus agradecimentos ao amigo Hans Klimpfinger pela ajuda!

Comente aqui!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Diário do SAS descreve missão para sequestrar Rommel



Uma missão do SAS para sequestrar o Marechal-de-Campo Erwin Rommel é detalhada com a abertura de seu diário de guerra.

O Diário de Guerra do SAS exibe relatos inéditos de seus feitos durante a Segunda Guerra Mundial. É tido como um extraordinário tesouro pelos historiadores, já que descreve segredos das missões em tempo de guerra.

O público pode agora ler o relatório escrito pelo Coronel David Stirling, fundador do regimento, e por outros agentes do SAS que descreve uma missão para matar ou capturar Rommel na França em 1944.

A Associação Regimental do SAS autorizou a venda dos livros como forma de angariar recursos para o tratamento de agentes feridos em ações contemporâneas e para velhos veteranos. Cada volume de 600 páginas sai a 1.500 dólares, com tiragem limitada a mil exemplares.

Um dos maiores segredos guardados no livro é a missão para sequestrar Rommel, considerado na época como o melhor comandante do Terceiro Reich, num castelo francês logo após o Dia-D.

Num documento marcado como “secreto”, e sob o título “Método” está a ordem:

Os seguintes pontos devem ser levados em consideração:

Se se provar possível capturar Rommel e trazê-lo para a Inglaterra, o ganho propagandístico seria imenso, e as retaliações contra as populações locais devem ser mitigadas ou evitadas. Tal plano pode envolver a preparação e domínio por curto período de tempo de terreno apropriado para pouso.

Matar Rommel seria obviamente mais fácil do que sequestrá-lo, e é preferível garantir sua morte do que falhar em seu sequestro”.

No entanto, no dia anterior ao lançamento dos paraquedistas do SAS, Rommel voltou para a Alemanha após ser seriamente ferido em seu carro por caças da RAF, efetivamente pondo fim ao plano.

O diário também está sendo lançado para comemorar os 70 anos da primeira operação do SAS – um assalto de comandos no Norte da África – que será celebrado este ano.

Fonte: The Telegraph, 23 de setembro de 2011.

Comente aqui!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Detalhes desconhecidos sobre a Batalha de Iwo Jima



Edson Carlos de Oliveira, do blog Conservador, escreveu um interessantes artigo no qual relata detalhes pouquíssimo conhecidos sobre a conquista de Iwo Jima e o hasteamento da bandeira americana no monte Suribachi.

Para ler o artigo, acesse: http://conservador.blog.br/2011/09/batalha-de-iwo-jima-e-o-heroismo.html

Comente aqui!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Raríssimo Spitfire Mk.I retorna aos céus



É tido pelos puristas como o verdadeiro Supermarine Spitire – agora um raro Mark I foi reconstruído e mais uma vez singra os céus da Inglaterra.

A ordem veio em 23 de maio de 1940: o piloto Peter Cazenove deveria se apresentar na base da RAF em Hornchurch, Essex, com sua aeronave para um briefing antes de ir para a França interceptar bombardeiros alemães.

Seu voo sobre território inimigo, contudo, não durou muito.

Cazenove foi derrubado 55 minutos após decolar de Hornchurch, e fez um pouso forçado numa praia perto de Calais. Quarenta anos depois, seu Supermarine Spitfire P9374 emergiu das areias costeiras, e recentemente passou por uma metódica restauração pela Aircraft Restoration Company.

No ano em que o Spitfire comemora seu 75º aniversário, o jornal britânico “The Telegraph” tomou o assento no cockpit para experimentar o voo no mais raro exemplar da mais celebrada aeronave da Segunda Guerra Mundial.

Fonte: The Telegraph, 17 de setembro de 2011.


Comente aqui!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Família de Rommel diz que novo filme é “mentira”



A família de Erwin Rommel disse que o novo filme sobre o lendário marechal é cheio de “mentiras” – e que o mostra como um criminoso de guerra.

Numa carta aos produtores em nome do Dr. Manfred Rommel, de 82 anos, filho do Marechal, a família atacou a produção do novo filme, dizendo que ela distorce a verdade sobre a Raposa do Deserto.

Quando se lê o script, pode-se ver claramente que o protagonista do filme é mostrado como um favorito, aproveitador e criminoso de guerra nazista. Isso simplesmente não é verdade. São mentiras”, diz a carta.

Rommel se tornou um dos generais favoritos de Hitler ao comandar com extremo sucesso o Afrika Korps em luta contra o 8º Exército inglês na campanha norte-africana.

Mas apesar de propagado como gênio militar pela imprensa alemã, ele já havia se desencantado com o Führer após receber ordens suicidas para seu exército, dizendo-lhe para lutar até o último homem, apesar das chances mínimas de vitória.

Eu reconheço que no começo ele apreciava Hitler por seu apoio ao exército, mas esse respeito se desfez após as ordens do Führer na Batalha de El Alamein”, continua a carta. “Ao desconsiderar a ordem por sua própria iniciativa, Rommel salvou muitas vidas”.

Catherine, neta de Rommel, também encontrou-se com os produtores, que começaram as filmagens na França no começo deste mês, para passar-lhes as preocupações de seu pai.

Tornando-se mais crítico de Hitler à medida que a guerra progredia, Rommel foi mais tarde implicado na tentativa de assassinato do líder alemão em 20 de julho de 1944. Preocupado que a execução de um comandante ilustre causasse perda de moral no exército, Hitler deu a Rommel a chance de suicidar-se e evitar o julgamento. Rommel assim o fez, em outubro de 1944.

Os produtores do filme defendem-se dizendo que Rommel teve uma relação ambígua com os nazistas, e que a produção deixará isso claro.

O filme mostra o conflito de Rommel entre seu envolvimento com o Terceiro Reich e sua crescente resistência a Hitler”, disse o produtor Nico Hofmann. “O roteiro foi baseado em meses de pesquisa com o apoio de grandes historiadores. Reunimos todos os achados recentes e relevantes sobre Rommel”.

Fonte: The Telegraph, 20 de setembro de 2011.

Comente aqui!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Hitler's British Girl


Unity Midford era filha de um Lorde inglês, uma de quatro irmãs que polemizaram a sociedade britânica da década de 1930 com suas aventuras entre personalidades polêmicas, com o líder fascista inglês Sir Oswald Mosley.

Unity destacou-se das irmãs pelo relacionamento próximo que teve com Adolf Hitler, desde 1934 até 1939. Muitas vezes, Unity até mesmo gerou ciúmes em Eva Braun, e tornou-se a britânica que mais teve contato com Hitler. Há até mesmo rumores de que ela possa ter engravidado do ditador alemão.

"Hitler's British Girl" é um documentário que reconta a peculiar história de Unity Midford, e joga luz em pontos pouco explorados da história:


Comente aqui!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Finlândia restaura “Hanssin Jukka”, seu primeiro DC-2



O trabalho de restauração do primeiro Douglas DC-2 da Força Aérea Finlandesa, apelidado de “Hanssin Jukka”, foi completado. O resultado da restauração conduzida pela Academia da Força Aérea, que trouxe a aeronave à sua aparência durante a guerra, foi apresentado ao público em 7 de setembro último.

O exterior do “Hanssin Jukka” foi restaurado aos padrões originais de 1944. A aeronave agora passa por uma minuciosa restauração interior e acabamento, que deve ser terminado dentro de pouco tempo.

Quando os portões da Academia da Força Aérea, no aeroporto de Jyväskylä, foram abertos na quarta-feira, 7 de setembro, o lugar parecia ter voltado 70 anos no passado.

Na extremidade da pista estava novamente, em toda sua glória, o histórico transportador DC-2 “Hanssin Jukka”, como era na primavera de 1944, durante a Guerra de Continuação. A aeronave, que serviu na Força Aérea de 1940 até 1957, teve antes uma longa carreira na KLM holandesa, voando de Amsterdã até Jacarta no fim da década de 1930.

A volta do “Hanssin Jukka” ao seu estado original não demandou uma máquina do tempo, e sim muito trabalho e cooperação. Após sua saída do serviço militar, o DC-2 foi transformado em lanchonete e depois estocado por décadas num depósito governamental. Mais de 50 voluntários trabalharam em cooperação com a Força Aérea para restaurar a aeronave.

O projeto contou também com apoio de diversos setores da sociedade, desde grandes empresários até doações de cidadãos comuns.

“Hanssin Jukka” foi fabricado em janeiro de 1935 e vendido para a KLM da Holanda em abril. Passou a voar a rota Amsterdã-Frankfurt naquele ano, mas logo em seguida foi designado para rotas globais, ligando a capital holandesa a Jacarta.

Durante a Guerra de Inverno 1939-40, quando a Finlândia resistia ao ataque maciço da União Soviética, o Conde sueco Carl Gustav von Rosen – cujo pai doara a primeira aeronave para a Finlândia em 1918 – comprou a aeronave dos holandeses e doou-a ao esforço de guerra finlandês. O DC-2 foi enviado para a Suécia e modificado por um engenheiro americano para tornar-se um bombardeiro.

Enviado para a Finlândia em 14 de fevereiro de 1940, o DC-2 foi integrado ao 44º Esquadrão, e realizou em 1 de março sua primeira e única missão de bombardeio, que provou-se um ato bastante “internacional”: pilotado pelo Tenente von Rosen (sueco), tinha como observador o Tenente Rolf Wingvist (finlandês) e como artilheiro o Sargento Rasmus Rasmussen (dinamarquês).

“Hanssin Jukka” foi em seguida convertido para transportador, e serviu durante toda a Guerra de Continuação e Guerra da Lapônia transportando soldados e paraquedistas finlandesas para diversos pontos da Europa.

O último voo oficial da aeronave foi no Show Aéreo de Helsinque em 29 de maio de 1955. “Hanssin Jukka” somou um total de 7.579 horas e 35 minutos de voo em sua história operacional, servindo a Finlândia em suas horas mais sombrias.

Fonte: Força Aérea Finlandesa, 12 de setembro de 2011.

Comente aqui!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Stearman cai durante show na Alemanha


Um Boeing PT-17 Stearman, aeronave de treinamento básico da USAAF durante a guerra, caiu no último sábado, 10 de setembro, durante uma apresentação no aeroporto de Backnang-Heihigen, na Alemanha.

O motor da aeronave pode ser escutado falhando no vídeo, logo antes da repentina queda. O piloto sofreu ferimentos leves.


Comente aqui!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Nota de Falecimento: Nadezhda Troyan


Nadezhda Troyan
(24/10/1921 - 07/09/2011)

Faleceu no último dia 7 de setembro em Moscou, Rússia, de causas naturais aos 89 anos de idade, a Heroina da União Soviética, Coronel Nadezhda Viktorovna Troyan.

Nascida numa família camponesa em Minsk, Troyan terminou seus estudos fundamentais e ingressou no Instituto Médico de Minsk, onde iniciou o curso de medicina com o objetivo de tornar-se cirurgiã. Contudo, a invasão alemã da União Soviética em junho de 1941 interrompeu sua carreira, e o rápido avanço da Wehrmacht até Minsk fez com que ela e seus amigos discutissem maneiras de combater o inimigo.

Enquanto trabalhava para a ocupação limpando quarteis e cozinhas, Troyan ajudou a organizar uma unidade secreta do Komsomol (juventude soviética) na cidade, juntando secretamente armas, comida e remédios para futuras ações contra os alemães. No começo de 1942, ela mudou-se com a família para a cidade de Smolevichy, e conheceu uma enfermeira que colocou-a em contato com guerrilheiros da unidade bieolorrussa "Tempestade". Troyan então foi admitida no grupo e iniciou uma série de missões como reconhecedora e enfermeira, participando da destruição de pontes e ataques a comboios militares alemães. Vivendo na floresta e agindo por trás das linhas inimigas, "Tempestade" começou a ganhar notoriedade e diversas represálias foram autorizadas pelo Gauleiter da Bielorrússia, Wilhelm Kube. De Moscou então veio a ordem para assassinar o governador alemão.

Troyan envolveu-se então no planejamento e execução de diversas tentativas contra a vida de Kube, entre elas a minagem de um palanque e um teatro, ambas frustradas. Somente em setembro de 1943 Troyan conseguiu entrar em contato com Yelena Mazanik, que trabalhava como camareira de Kube. Com o auxílio da guerrilheira Maria Osipova, elas planejaram plantar um explosivo escondido dentro de uma garrafa térmica debaixo da cama de Kube. Na noite de 22 de setembro, Troyan entregou a Mazanik a garrafa explosiva, e esta adentrou o quartel-general alemão para realizar suas tarefas diárias. Sem levantar qualquer suspeita, ela foi ao quarto de Kube e arrumou os lençois, silenciosamente colocando a garrafa embaixo do leito. Osipova manteve uma distração com os soldados fora do edifício, enquanto Troyan observava a operação. A bomba explodiu às 2h da manhã, matando instantaneamente o Gauleiter Kube, enquanto as três moças já estavam em seu caminho para a floresta. Apesar da pesada retaliação alemã, que matou 1.000 pessoas em Minsk, a operação foi considerada um sucesso total.

No dia 29 de outubro de 1943, como reconhecimento ao perfeito planejamento e execução da operação, Nadezhda Troyan foi condecorada com a Estrela Dourada de Heroina da União Soviética, juntamente com Mazanik e Osipova. Logo em seguida, ela passou a trabalhar conjuntamente com o Alto-Comando do Exército Vermelho no planejamento de apoio à Operação Bagration.

Após a guerra, ela completou seus estudos no Instituto Médico de Moscou. Atuou como Diretora de Pesquisa do Ministério da Saúde da URSS e professora de cirurgia no Instituto. Troyan foi também presidente do comitê soviético da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho, e vice-presidente de educação da Organização Mundial da Saúde. Nos últimos anos, ainda trabalhava na supervisão do Instituto Médico de Moscou.

Sobre ser Heroina da União Soviética, ela disse: "Nunca usei o título de Heroina para ganho pessoal. Isso me conforta, porque não devo nada a ninguém. Se consegui algo, foi por meu próprio trabalho. O título de Heroi é uma grande responsabilidade, especialmente para com os outros. Procurar defender a verdade - sem verdade não há vida. O melhor jeito de se livrar das doenças é viver sem mentiras. A verdade tem o poder de limpar sua alma".

Wilhelm Kube e Nadezhda Troyan.


Comente aqui!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Palestra da Sala de Guerra na Escola de Sargentos das Armas


Conforme eu já contei no artigo sobre o Centenário do Sargento Max Wolff Filho, ministrei uma palestra na EsSA (Escola de Sargentos das Armas) em Três Corações - MG, no dia 28 de julho passado. Há algumas semanas, recebi pelo correio o material gravado em DVD e editado pelo setor de audiovisual da escola. Meus agradecimentos vão para meu amigo Tenente Bruno Lima, que gentilmente enviou-me o disco.

Aqui então vai o registro da minha palestra naquele dia:


Comente aqui!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Mussolini teve caso com a última Rainha da Itália, diz carta


Benito Mussolini era um notório galanteador, conquistando uma série de amantes enquanto forjava um império na África e construía o governo fascista.

Mas uma recém-descoberta carta sugere que as conquistas sexuais de Il Duce atingiram realmente o topo da alta-sociedade italiana: uma princesa que se tornaria a última rainha da Itália.

A revelação de que Mussolini teve um caso com a Rainha Maria José de Savoia na década de 1930 surpreende porque a monarca de origem belga era uma crítica do fascismo e um canal de comunicação dos Aliados com o governo italiano durante a guerra.

As evidências do suposto affair entre os dois emergiram de uma carta, publicada por uma revista italiana na semana passada, escrita pelo filho caçula do ditador, Romano Mussolini, a um jornalista em 1971.

A carta permaneceu desconhecida até que foi encontrada recentemente pelo filho do jornalista, que vasculhava os pertences do pai. O documento sugere que o caso amoroso era conhecido da amargurada Rachele, esposa de Mussolini, que tinha se acostumado com as infidelidades do marido.

Posso de boa fé confirmar que frequentemente em nossa a relação entre meu pai e Maria José, tanto política quanto romântica, era discutida”, escreveu Romano ao jornalista Antonio Terzi, que na época era editor do jornal Corriere della Sera.

Digo-lhe com sinceridade que minha mãe falava disso abertamente: entre meu pai e a então Princesa de Piemonte, houve um breve período de relações íntimas, que eu acredito ter sido encerrado por meu pai”, escreveu o caçula Mussolini, falecido em 2006.

A autenticidade da carta foi confirmada pela ex-esposa de Romano, Maria Scicolone, que é irmã da atriz Sophia Loren e mãe de Alessandra Mussolini, política da ala direitista italiana.

A Princesa Maria José nasceu em Ostend, sendo a caçula de Alberto I, Rei da Bélgica. Em 1930, ela casou-se com o Príncipe da Itália, Umberto, se tornando Princesa de Piemonte, mas o casamento dos dois foi infeliz.

Quando seu marido sucedeu seu desacreditado pai e se tornou Rei Umberto II em 1946, ela se tornou Rainha da Itália, mas reinou por apenas 27 dias, até a monarquia ser abolida por um referendo.

A carta não oferece provas definitivas de que ela teve um caso com Mussolini, diz Christopher Duggan, professor de história moderna da Itália na Universidade de Reading.

Mussolini contou a uma de suas amantes, Claretta Petacci, que a princesa, usando um biquíni, tentou seduzi-lo na praia durante o verão de 1937, mas que ele evitou seus avanços. O ditador disse à sua amante que achava a princesa “repulsiva”.

Se ele tivesse um caso com a Princesa eu acredito que teria contado a Petacci – ele sempre se gabava de sua potência sexual”, disse Duggan. “Mas se é plausível? Sim! Havia uma infinidade de mulheres se jogando aos pés de Mussolini, e no fim da década de 1930 ele procurava afastar-se da família real. É possível que eles tenham tido um caso e ele tenha acobertado tudo”.

Fonte: The Telegraph, 1 de setembro de 2011.

Comente aqui!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Ninho da Águia recebe 300 mil visitantes por ano



O magnetismo que cerca a figura de Adolf Hitler tornou sua casa de chá no topo de uma montanha na Bavária em um dos mais visitados pontos turísticos da Alemanha.

Foi anunciado que mais de 300.000 pessoas visitaram o retiro montanhês do Kehlstein (Ninho da Águia) em 2010 – um aumento de 10% em apenas um ano. A casa foi construída como um presente para Hitler em seu 50º aniversário em 1939, por Martin Bormann, secretário do Partido Nazista.

Embora o Berghof, a casa principal de Hitler na região, tenha sido destruída logo após a Segunda Guerra Mundial, a casa de chá sobreviveu e se tornou um chamariz de turistas no pós-guerra.

A maioria dos turistas é composta de americanos e ingleses, que compõem 85% daqueles que vêem para ver onde Hitler e Eva Braun tomavam café e admiravam as montanhas ao redor. Comparativamente, a porcentagem de visitantes alemães é bem pequena.

Por cerca de 20 euros os visitantes da casa a 2.000 metros de altitude podem admirar paisagens espetaculares e almoçar no restaurante que funciona no local durante o verão – e cujo cardápio inclui porco assado com batatas, saladas e sanduíches. Há até mesmo uma loja de presentes.

Os visitantes acessam a casa de chá via ônibus, que serpenteia pelo caminho ascendente na montanha até um elevador dourado construído no interior da rocha, onde chega-se através de um túnel.

O Ninho da Águia foi construído no estilo chalé e demorou 13 meses para ficar pronto.

Finalizado no verão de 1938, foi presenteado a Hitler no ano seguinte, mas ele fez apenas 14 visitas ao local, parcialmente devido ao seu medo de altura.

Após a guerra, o local foi usado pelos Aliados como posto de comando militar até 1960, quando foi devolvido ao estado da Bavária.

Fonte: Daily Mail, 2 de setembro de 2011.

Hitler, com Josef e Magda Goebbels e seus filhos, no Ninho da Águia.

Comente aqui!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Nota de Falecimento: Billy Drake


Billy Drake
(20/12/1917 - 28/08/2011)

Faleceu no último dia 28 de agosto em Teignmouth, Inglaterra, de causas naturais aos 93 anos de idade, o ás dos ases do P-40 na RAF, Group Captain Billy Drake.

Nascido em Londres, Billy era descendente direto de Sir Francis Drake, filho de um médico inglês e uma australiana. Educado na Suíça, onde tomou gosto pelo ski, ele juntou-se à RAF pouco antes de completar 18 anos, sendo comissionado após completar o treinamento. Em maio de 1937 ele se juntou ao 1º Esquadrão em Tangmere, voando o Hawker Hurricane. Com o início da guerra em 1939, sua unidade foi enviada à França. Contudo, dada a ausência de ação nos primeiros meses da guerra, Drake somente abriu seu escore em 20 de abril de 1940, contra um Messerschmitt Me 109.

Durante a Batalha da França, Drake seguiu obtendo vitórias sobre bombardeiros alemães, até que num ataque contra um Dornier Do 17 ele distraiu-se e não percebeu um Messerschmitt Me 110 na sua cola - que acabou estraçalhando seu caça, forçando-o a saltar de paraquedas sobre o interior francês. Seriamente ferido nos braços e pernas, ele foi evacuado para a Inglaterra. Ao recuperar-se, foi feito instrutor de voo em Sutton Bridge, mas retornou às operações em 2 de outubro, voando Spitfires com o 91º Esquadrão em missões de reconhecimento sobre o Canal da Mancha. Durante essas missões ele derrubou mais dois bombardeiros alemães, e foi condecorado com a Distinguished Flying Cross em janeiro de 1941. Pouco depois ele voltou aos campos de instrução em Heston e Llandow.

Somente em dezembro de 1941 Drake voltou a uma unidade de frente, quando recebeu o comando do 128º Esquadrão em Hastings, Serra Leoa. Neste país da África Ocidental, a principal preocupação eram aeronaves de Vichy que esporadicamente invadiam o espaço aéreo britânico. Numa dessas incursões, um bombardeiro francês Martin Maryland foi interceptado por Drake. Ao recusar-se a pousar, o Maryland foi derrubado por ele, perto de Freetown. Drake queria, todavia, um ambiente com mais ação, e conseguiu o que queria em abril de 1942, quando recebeu o comando do 112º Esquadrão em Gambut, no Egito. Voando o Curtiss P-40 Warhawk, ele iniciou uma impressionante sequência de vitórias no deserto em 1 de setembro, quando derrubou dois Stukas alemães. Durante seu período como comandante do 112º, ele derrubou 17 aeronaves inimigas, um recorde na África somente batido pelo australiano Clive "Killer" Caldwell. Promovido a Wing Commander em janeiro de 1943, ele assumiu um posto de estado-maior no Cairo, mas seis meses depois recebeu o comando de uma ala de caça em Krendi, Malta, novamente voando o Spitfire. Nesse teatro, ele fez seu último abate, um caça Macchi MC.202 Folgore da Regia Aeronautica, em julho de 1943.

Em novembro daquele ano, Drake retornou à Inglaterra, onde comandou a 20ª Ala, voando Hawker Typhoons em ataques ao solo na costa francesa. Apesar de estar proibido de voar missões de combate, ele esporadicamente realizava tais missões, especialmente após a invasão da Normandia. Contudo, seus dias de combate chegaram ao fim em agosto de 1944, quando foi enviado como oficial de ligação para Fort Leavenworth, nos Estados Unidos. Em 1945, ele ainda retornou à Europa, terminando a guerra como oficial de estado-maior no Supremo Quartel-General da Força Expedicionária Aliada. Em seu escore estavam 24,5 abates confirmados, e mais 12 aeronaves destruídas no solo.

Após a guerra ele serviu em QGs no Japão e Cingapura, antes de se tornar adido militar na embaixada inglesa na Suíça. Em 1962, assumiu o comando da base aérea de Chinevor, em Devon, aposentando-se no ano seguinte como Group Captain. Em seguida, Drake mudou-se para o litoral de Algarve, em Portugal, onde gerenciava um bar. Na década de 1980, retornou definitivamente para a Inglaterra. Personagem emblemático da história militar inglesa, e um dos grandes líderes da caça da RAF, Billy Drake publicou sua autobiografia, "Fighter Leader", em 2002. Uma de suas últimas entrevistas, para o documentário "Battle of Britain: The Real Story", pode ser conferida aqui na Sala de Guerra.

Billy Drake foi casado duas vezes. Ele deixa dois filhos.

Drake e seu Spitfire Mk.V "Zut".

Billy Drake (à esq) durante a escavação de um Hurricane na França.

Comente aqui!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Hitler's Britain


Num exercício de imaginação dos famosos "what ifs" da Segunda Guerra Mundial, "Hitler's Britain" mostra um possível retrato do que teria acontecido se a Alemanha tivesse de fato invadido e vencido a Grã-Bretanha em 1940.

Não se pode deixar de levar em conta que esta é apenas uma (limitada) versão das possibilidades, e muita coisa mostrada no enredo não faz sentido para mim. A derrota-relâmpago da União Soviética é uma delas. A criação de um gueto judeu em Londres é outra.

Contudo, o documentário continua sendo uma boa pedida:


Comente aqui!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Nota de Falecimento: Albert Stecken


Albert Stecken
(24/01/1915 - 24/08/2011)

Faleceu no último dia 24 de agosto em Münster, na Alemanha, de causas naturais aos 96 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, Generalmajor Albert Stecken.

Nascido em Münster, Stecken ingressou na força policial de Duisburg em outubro de 1934, completando seu treinamento e promovido a sargento em 1 de abril de 1935. Contudo, apenas três meses depois ele deixou o serviço para juntar-se à recém-estabelecida Luftwaffe, onde frequentou a Escola de Guerra Aérea em Eichen. Em seguida, fez um curso para oficiais de artilharia em Wustrow, que concluiu em 1 de outubro de 1936, sendo imediatamente enviado para o 1º Batalhão do 8º Regimento de Flak (artilharia antiaérea). Em abril de 1938 foi embarcado para a Espanha junto ao 88º Batalhão de Flak, tomando parte na Guerra Civil Espanhola. Lá, participou da Ofensiva do Ebro, das Ofensivas do Mediterrâneo e da defesa antiaérea do Ebro durante a Ofensiva da Catalunha. Stecken retornou à Alemanha em janeiro de 1939, e foi enviado para o 32º Regimento de Flak em Berlim.

Ele foi oficial de artilharia antiaérea da capital do Reich entre agosto de 1939 e março de 1940, participando no mês seguinte a Batalha de Narvik, na Noruega. Retornando à Alemanha em setembro, ele completou um curso no Departamento de Educação e Pesquisa Antiaérea e na Academia de Guerra Aérea em Berlim. Stecken foi então designado para o estado-maior do 2º Distrito Aéreo, e em novembro de 1942, foi um dos oficiais selecionados para o compor estado-maior do 2º Corpo Terrestre da Luftwaffe. Em julho de 1943, foi enviado à União Soviética junto à 23ª Divisão de Flak, sendo responsável pela defesa antiaérea do setor do Luftlotte 6. Stecken combateu no front leste até outubro de 1944, participando dos combates no Vístula e em Varsóvia.

Enviado então para a Holanda, Stecken foi designado para a 8ª Divisão Fallschirmjäger (Paraquedista) em janeiro de 1945, onde envolveu-se nos pesados enfrentamentos pela cidade de Wesel. Com a virtual destruição da cidade por bombardeio Aliado, Stecken teve que enfrentar os paraquedistas ingleses lançados em sua retaguarda, em seguida recuando para Bremen. Quando os ingleses atacaram a linha de defesa na região Empel-Millingen em 25 de março, Stecken agiu por conta própria e formou um grupo composto de diversas unidades diferentes, avançando para conter a ruptura da linha. Sob pesado bombardeio de artilharia inimiga, seus soldados conseguiram repelir os ingleses, selando a abertura na frente e estabilizando a área. Como reconhecimento pela bravura pessoal demonstrada frente ao inimigo, o Major Stecken foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 28 de abril de 1945. Prosseguindo a luta, ele foi capturado em Lauenburg em maio, permanecendo prisioneiro até julho de 1946.

Após a guerra ele estudou direito, trabalhando como promotor público em Essen, até retornar às forças armadas em 1956. Passando para o Ministério da Defesa, ele teve papel decisivo para a criação do Centro Nacional de Treinamento Hípico em Warendorf. Promovido ao generalato em 1964, ele assumiu a chefia do Departamento de Pessoal das Forças Armadas, e em outubro de 1969 tornou-se comandante da 4ª Divisão Aérea. Stecken aposentou-se em abril de 1971 com a patente de Generalmajor.

Após aposentar-se, dedicou-se complemente ao hipismo, sendo técnico da equipe alemã de adestramento entre 1971 e 1974. Foi também membro do Comitê Olímpico Alemão de Hipismo, até 1980. Grandes cavaleiros alemães foram seus alunos, como Reiner Klimke, August Lütke-Westhues e Heike Kemmer. Por seu extenso trabalho nessa área, foi condecorado com a Cruz Alemã Equestre em Ouro em 1982.

Albert Stecken e a amazona Reike Kemmer em 1980.

Comente aqui!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O único brasileiro a participar do Dia-D


Concluindo a série "Meu Paraná - A FEB na Itália" aqui está um episódio recontando a trajetória de Pierre Clostermann, piloto nascido em Curitiba conhecido como "o único brasileiro a participar do Dia-D". Acompanhe:


Meus agradecimentos ao amigo Marcos Luciano pela dica!

Comente aqui!