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terça-feira, 31 de maio de 2011

Hitler apoiava a missão de Hess na Inglaterra, diz diário


Hitler apoiava a missão de Hess na Inglaterra, diz diário

O voo de Rudolf Hess para a Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial, numa estranha tentativa de conseguir a paz, foi apoiado por Adolf Hitler, de acordo com documentos recém-revelados.

A história registra que o número três do Terceiro Reich estava agindo sozinho quando pilotou um Messerschmitt Me 110 até a Escócia em maio de 1941. Ele saltou de paraquedas sobre Renfrewshire e foi preso por um fazendeiro com um forcado.

Hess estava aparentemente tentando contatar o Duque de Hamilton para iniciar conversações de paz com Winston Churchill, sob sua própria iniciativa. Hitler supostamente até mandou que aeronaves decolassem para interceptá-lo no ar.

Mas um diário de 28 páginas descoberto nos arquivos russos contraria essa teoria e indica que Hitler estava ciente da missão. Foi escrito em 1948 pelo Major Karl-Heinz Pintsch, um antigo ajudante de Hess.

Pintsch foi capturado pelos soviéticos e passou anos sob tortura e interrogatórios.

No diário ele escreve que Hitler esperava que um “acordo com os ingleses fosse bem-sucedido”. Conta ainda que a tarefa de Hess – cinco semanas antes de a Alemanha lançar sua invasão da União Soviética – era “conseguir, senão uma aliança militar da Alemanha com a Inglaterra contra a Rússia, pelo menos uma neutralização da Inglaterra”.

As transcrições dos interrogatórios de Pintsch, encontrados nos mesmos arquivos em Moscou, mostram que Hitler não ficou surpreso quando chegaram notícias da prisão de Hess.

Uma parte destacada diz: “Ele não amaldiçoou nem se enfureceu com o que Hess fez. Ao invés, disse calmamente: ‘Nesse momento particular da guerra, essa foi uma jogada de risco”.

Hitler então continuou lendo uma carta que Hess tinha-lhe deixado. Ele leu esta significativa passagem em voz alta: ‘E se este projeto... terminar em falha... sempre será possível para você negar toda a responsabilidade. Simplesmente diga que eu estava louco”.

Foi exatamente isso que aconteceu, com Hitler e Churchill alegando que Hess estava louco. Hess sobreviveu à guerra e foi julgado em Nuremberg por crimes de guerra.

Ele foi sentenciado à prisão perpétua e passou mais tempo atrás das grades do que qualquer outro líder do Terceiro Reich antes de sua controversa morte na prisão de Spandau, perto de Berlim, em 1987, aos 93 anos.

Em Nuremberg, Hess parecia estar distraído, esquecido e mentalmente perturbado – exatamente a figura que Hitler descreveu após a mal-sucedida missão.

Mas os diários de Pintsch, que logo serão entregues aos historiadores alemães para análise, podem sugerir que isso foi uma atuação. Além de ajudante de Hess, Pintsch também era um amigo de confiança e um conselheiro, que conheceria os segredos de seu mestre.

E coube a Pintsch contar à Hitler do insucesso da operação. Ele agora era uma perigosa testemunha e foi preso, sendo mandado para a solitária até ser enviado para o Front Leste em 1944.

Capturado pelos soviéticos, Pintsch foi libertado em 1955. Ele nunca mais pôde segurar uma faca ou um garfo pelo resto da vida, devido ao grau dos danos que suas mãos sofreram durante as torturas.

Fonte: Daily Mail, 29 de maio de 2011.

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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Nota de Falecimento: Paul Wiedorfer


Paul Wiedorfer
(17/01/1921 - 25/05/2011)

Faleceu no último dia 25 de maio em Baltimore, EUA, de causas naturais aos 90 anos de idade, o ganhador da Medalha de Honra do Congresso, Sargento Paul Joseph Wiedorfer.

Nascido em Baltimore, Maryland, Wiedorfer graduou-se em 1940 no Instituto Politécnico local e começou a trabalhar como aprendiz na Baltimore Gas & Electric Company. Ele se casou com sua noiva Alice Stauffer, mas os dois permaneceram juntos apenas seis meses antes de Wiedorfer alistar-se em 1943. Embora tivesse passado nos exames para cadete de aviação, ele foi desviado para a infantaria, devido à uma urgência de pessoal na época. Tendo completado seu treinamento, Wiedorfer cruzou o Atlântico em 1944, a bordo do transatlântico RMS Queen Elizabeth II. Ele desembarcou na Europa como parte da Companhia G, 318º Regimento da 80ª Divisão de Infantaria.

No dia 25 de dezembro de 1944, em ação perto de Chaumont, na Bélgica, durante a Batalha das Ardenas, o 1º Pelotão da Companhia G havia acabado de limpar uma área florestal de snipers alemães. Atravessando uma clareira, eles se depararam com uma segunda floresta à frente, mas foram imediatamente colocados sob fogo de dois ninhos de metralhadora no limiar das árvores, a 40 metros. Todo o pelotão ficou imobilizado pelas rajadas inimigas, até que Wiedorfer resolveu agir: "Eu pensei: alguém tem que fazer alguma coisa. De repente, eu disse 'Droga, vamos ver se consigo chegar naquele ninho'. Me lembro de escorregar e cair, mas o bom Deus estava comigo e eu consegui".

Sozinho e sem nenhum tipo de cobertura, Wiedorfer ergue-se e começou a correr em direção às metralhadoras alemãs, atraindo todo o fogo para si. Ele escorregou na neve e caiu, mas levantou-se e miraculosamente conseguiu evadir-se dos projéteis. Quando estava a 10 metros do primeiro ninho, lançou-lhe uma granada de mão e em seguida começou a atirar com seu rifle, matando todos os soldados da guarnição. Sem parar de correr, ele fez uma curva à direita e foi em direção ao outro ninho, atirando e ferindo um dos alemães; neste momento, todos os seis soldados da posição se renderam. Sua ação solitária permitiu que o pelotão avançasse e atingisse seu objetivo com sucesso. Alguns minutos depois, o próprio Wiedorfer assumiu o comando da unidade, quando o comandante e o sargento foram feridos em combate, e liderou os homens até a conclusão da missão.

Em 10 de fevereiro de 1945, enquanto cruzava o rio Sarre, Wiedorfer foi seriamente ferido por estilhaços de morteiro, que quebraram sua perna esquerda, abriram seu estômago e danificaram seriamente dois dedos da mão direita. O soldado ao seu lado foi morto instantaneamente. Enviado para um hospital na Inglaterra, ele se recuperava quando um sargento ao seu lado, lendo um exemplar da revista Star and Stripes, disse-lhe que ele havia sido condecorado com a Medalha de Honra do Congresso por suas ações no Natal de 1944. De fato, no dia 29 de maio o Brigadeiro-General Egmont Koenig entrou no hospital com uma banda para entregar-lhe a medalha.

Wiedorfer retornou aos EUA em 11 de junho de 1945 e recebeu uma parada em sua honra em Baltimore, ao lado do General George Marshall e do governador do estado de Maryland, Herbert O'Conor. Ele ainda passou mais três anos se recuperando em diversos hospitais, até deixar o Exército e voltar a trabalhar na Baltimore Gas & Electric Company. Wiedorfer aposentou-se em 1981, após 40 anos de serviço.

Paul Wiedorfer era o último nativo de Maryland ganhador da Medalha de Honra na Segunda Guerra Mundial. Ele deixa esposa e quatro filhos.

A parada em honra de Wiedorfer em Baltimore, junho de 1945.

Paul Wiedorfer.

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

A Inglaterra foi o “cérebro” da Resistência Francesa


A Inglaterra foi o “cérebro” da Resistência Francesa


A França está relutantemente aceitando a extensão da ajuda britânica no planejamento de suas operações de resistência durante a guerra, de acordo com um dos últimos agentes secretos franceses de Churchill.

O Capitão Robert “Bob” Maloubier foi um agente da seção francesa da Executiva de Operações Especiais (SOE) britânica. O “exército secreto” de Churchill foi criado para “colocar fogo na Europa”, encorajando e facilitando a espionagem e a sabotagem atrás das linhas inimigas duante a Segunda Guerra Mundial.

Maloubier, então com apenas 20 anos, tomou parte numa série de ousadas missões na França ocupada, como treinador de armas e especialista em demolição. Ele ajudou a explodir uma estação de força, uma siderúrgica e uma base de submarinos, bem como preparou o caminho para o Dia-D.

Ele deu seu testemunho completo das operações de guerra no livro “Winston Churchill's Secret Agent”, lançando recentemente na França.

Os franceses são um pouco xenófobos; eles acham que eles se liberaram sozinhos. Sempre se escuta sobre a Resistência Francesa”, disse Maloubier, de 88 anos. “A influência do SOE, dos especialistas que vieram treinar os franceses, têm muita pouca cobertura na França”.

Fomos poucos em números após a guerra, como podíamos competir com movimentos políticos de resistência do pós-guerra? Não tivemos nosso lugar”.

Maloubier, um dos três membros franceses do SOE restantes, comemorou com a família real inglesa o 70º aniversário do primeiro lançamento de um agente do SOE em Valencay, na França central, e os 104 agentes que morreram no cumprimento do dever.

Entre o lançamento inicial de Georges Bégué, em maio de 1941, e agosto de 1944, mais de 400 agentes da Seção F foram enviados para a França ocupada.

Após escapar da França para a Tunísia e depois para a Argélia aos 17 anos de idade, Maloubier juntou-se ao Destacamento Especial do SOE e passou seis meses na Grã-Bretanha aprendendo as artes da sabotagem, assassinato e fuga.

Em um capítulo, ele reconta sua quase-captura pela polícia de campo alemã em Rouen, 20 de dezembro de 1943.

Em seu caminho para pegar equipamento lançado à noite em um paraquedas, ele foi parado em sua motocicleta pela polícia alemã. Seu colega, um falsificador, fugiu, mas Bob foi obrigado a montar na motocicleta com um policial alemão na garupa, pressionando-lhe uma arma contra o pescoço.

Na reta final antes da estação de polícia, ele conseguiu livrar-se de seu passageiro alemão, jogou a moto sobre ele e fugiu. Enquanto corria, os alemães atiraram, atingindo-lhe no pulmão, mas ele conseguiu cruzar um campo e pular em uma poça congelada para tirar os cães do seu rastro.

Eu disse a mim mesmo: estou morto. Ninguém que leva um tiro nos intestinos e pulmão sobrevive”. No entanto, em agonizante dor, ele conseguiu andar muitos quilômetros de volta a Rouen e ainda subiu seis lances de escada.

Após uma cirurgia clandestina, ele foi colocado num avião de volta para a Inglaterra semanas depois por um “esquadrão do luar” do SOE, voltando para a França em junho de 1944.

Após a guerra, a vida de ação de Maloubier continuou quando ele juntou-se às Forças Especiais Francesas. Ele ainda fundou o equivalente francês dos SEALs da Marinha Americana, e desenhou o lendário relógio de mergulho Fifty Fathoms usado por Jacques Custeau.

A França nos anos recentes tem revisado o papel de seus cidadãos durante a guerra, em meio a acusações de que o governo francês deliberadamente insuflou o número de seus cidadãos que se juntaram à Resistência Francesa.

Fonte: The Telegraph, 5 de maio de 2011.

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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Carta de Hitler vai a leilão na Inglaterra


Carta de Hitler vai a leilão na Inglaterra


Uma carta datilografada e assinada por Adolf Hitler pedindo uma dispensa de seu trabalho para concorrer à presidência em 1932 está sendo posta à venda.

Hitler escreveu a carta em 1 de março de 1932, apenas alguns dias após tornar-se ganhar sua cidadania alemã. Ele foi o adversário de urnas do então presidente Paul von Hindenburg, e apesar de ter perdido as eleições, tornou-se chanceler no ano seguinte.

A carta diz: “Através desta eu requisito uma dispensa para fins participar da seleção para o próximo Presidente do Reich. Atenciosamente, Adolf Hitler”.

Foi escrita para seus superiores no Governo Estadual de Brunswick, onde Hitler ocupava um cargo administrativo. O emprego deu-lhe a cidadania alemã que o permitia concorrer ao cargo de presidente.

A carta pertenceu a uma coleção privada e espera-se que seja vendida a £5,000 (cerca de US$ 8.000,00) num leilão em junho de 2011.

Richard Westwood-Brookes, da casa de leilões Mullock’s, disse: “Esta é uma carta datilografada assinada por Hitler. Pode ter sido até mesmo datilografada por ele próprio - há alguns erros de ortografia. Embora ele tenha deixado a Áustria em 1913, Hitler não conseguiu a cidadania alemã. Então ele foi feito funcionário público pelo estado de Brunswick e isso deu-lhe a cidadania para que concorresse nas eleições”.

Ele escreveu a carta apenas quatro dias depois de ganhar sua cidadania, então foi claramente uma designação política. É um item histórico extremamente raro e muito importante para a ascensão de Hitler e do nazismo. Embora ele tenha perdido a eleição, ele ganhou no ano seguinte e o resto é história”.

Fonte: The Guardian, 23 de maio de 2011.

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terça-feira, 24 de maio de 2011

Bunker tcheco é transportado para museu


Bunker tcheco é transportado para museu


Dois poderosos guindastes levantaram um bunker de 50 toneladas da mina de carvão de Sverma, no norte da Boêmia, na República Tcheca. A estrutura será transportada para o Museu Técnico Militar em Lesany, de acordo com Oldrich Obermajer, da Secretaria de Transportes Militares Regionais.

Nenhuma fortificação tcheca do período entre-guerras jamais havia sido movida por tamanha distância. Também é o bunker mais pesado já transportado, disse Obermajer.

O peso do bunker foi o maior problema para a empreitada, ele acrescentou.

Estamos numa mina na qual o subsolo é muito fofo. Foi extremamente difícil levantar o bunker de 50 toneladas sem os guindastes se esforçarem ao máximo”, disse.

A princípio, os trabalhadores do transporte presumiram que o bunker pesaria cerca de 30 toneladas, mas eventualmente a estrutura se mostrou um colosso de concreto de quase o dobro do peso.

Dois guindastes levantaram o bunker e colocaram-no no veículo de transporte em uma hora. Contudo, o transporte público na rodovia não precisou ser interrompido.

Estes bunkers começaram a ser construídos pela então Tchecoslováquia em 1936. Ao todo, cerca de 800 foram construídos. Faziam parte de uma linha de defesa contra a Alemanha Nazista.

A fortificação leve Tipo 36 consistia de um ninho de metralhadora manejado por dois a seis soldados. Era armado com metralhadoras Tipo 26 e submetralhadoras Tipo 24.

A maioria delas estava situada na linha de fronteira da Tchecoslováquia com a Alemanha, desenhada após o Acordo de Munique em 1938. As fortificações nunca foram usadas em combate.

Fonte: Prague Daily Monitor, 17 de maio de 2011.

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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Vídeo: Fabricação de capacetes


A pedido do leitor Josué Tizian, fiz uma pesquisa e encontrei esses vídeos de produção de capacetes durante a Segunda Guerra Mundial. Curiosamente, não encontrei vídeos que mostrassem a fabricação de capacetes americanos.

O primeiro vídeo, um cinejornal alemão Deutsche Wochenschau de janeiro de 1941, mostra detalhadamente o processo de fabricação do Stahlhelm, o mundialmente famoso capacete alemão. O segundo vídeo mostra a fabricação de capacetes italianos numa fábrica em Firenze.

Confiram:



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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Nota de Falecimento: Luigi Poluzzi


Luigi Poluzzi
(12/04/1921 - 15/05/2011)

Faleceu no último dia 15 de maio em Recife, Pernambuco, de causas naturais aos 90 anos de idade, o piloto italiano de Messerschmitt Me 109, Luigi Poluzzi.

Nascido em Bolonha, Poluzzi começou a trabalhar aos 14 anos de idade numa fábrica de peças aeronáuticas, motivado por sua já pujante paixão pelo voo. Assim que pôde, ingressou no aeroclube local para tomar lições de voo, e foi beneficiado por uma bolsa governamental que cobria parte dos custos do aprendizado para alunos aptos à aviação de caça. Após tirar sua licença de piloto civil, Poluzzi viu-se em meio da tumultuada situação internacional na qual a Itália declarou guerra aos Aliados, em junho de 1940.

Desta forma, ele ingressou na Regia Aeronautica e iniciou o treinamento de voo militar, pilotando o já obsoleto Fiat CR.32 e o Nardi FN.305, entre outros. Junto ao 51º Stormo no aeródromo de Castelvetrano, na Sicília, Poluzzi iniciou suas missões operacionais em 1942, voando o Macchi MC.200 Saetta como escolta de navios de suprimento para as forças ítalo-germânicas no Norte da África. Com a invasão Aliada da Sicília em junho de 1943, o 51º Stormo foi recuado e debandado durante o confuso período que viu a assinatura do Armistício em 8 de setembro. Estando no norte do país, então sob ocupação alemã, Luigi Poluzzi foi um dos pilotos que atendeu ao chamado do Colonello Ernesto "Gamba di Ferro" Botto, ás na Guerra Civil Espanhola, para a criação da Aeronautica Nazionale Repubblicana (ANR).

Enviado para a Alemanha para realizar o treinamento de conversão para o Messerschmitt Me 109, Poluzzi passou 40 dias adaptando-se ao novo vetor, retornando para a Itália no verão de 1944 e sendo incorporado à 6ª Squadriglia do 2º Gruppo Caccia. Ele realizou diversas missões de interceptação de bombardeiros, e no dia 8 de fevereiro de 1945 teve a perna esquerda perfurada por um estilhaço, durante combate com um B-25 Mitchell do 310º Grupo de Bombardeio dos EUA. Tendo seu caça alvejado pelo artilheiro de cauda norte-americano, Poluzzi conseguiu manter-se nos controles e fazer um pouso de emergência no aeródromo de Osoppo, 90 km a noroeste de Trieste. Ele passou os últimos meses da guerra em recuperação, observando a constante degradação da situação da RSI.

Após a guerra, com os grupos de extrema-esquerda tomando conta do norte da Itália, a situação de Poluzzi como veterano da RSI não era segura, e o mesmo acabou emigrando para o Brasil em 1948. Inicialmente morando em São Paulo, ele recebeu de um parente o convite para ir à Recife, e lá trabalhou para uma empresa de embalagens, até que decidiu abrir seu próprio negócio em 1956. Assim nasceu a EIM Instalações Industriais, hoje uma das maiores empresas de industrialização da região nordeste.

Em 2007, o estudante de jornalismo Eduardo Farias, da Universidade Católica de Pernambuco, fez um curta-metragem biográfico com o Sr. Luigi Poluzzi, denominado "Luigi Poluzzi - Uma história de guerra e de paz". Já tendo se recuperado de uma crise coronária há alguns anos, Poluzzi faleceu após sofrer um ataque cardíaco fulminante no domingo, 15 de maio de 2011. Ele deixa esposa, três filhos e numerosos netos.



Poluzzi em traje de voo ao lado de um Fiat CR.32, durante seu treinamento na Regia Aeronautica.

Luigi Poluzzi (à esq.) com colegas na Sicília, 1942.

NOTA: Em 2007, recebi o contato do amigo Eduardo Farias pedindo por algumas informações a respeito da Regia Aeronautica e ANR, já que ele estava fazendo um documentário com um veterano piloto italiano que morava em Recife. Foi então que conheci o nome de Luigi Poluzzi, e pesquisando sobre sua história acabei fazendo diversos amigos na Itália, inclusive Paul Perron, que é colaborador da Sala de Guerra. Embora nunca tenha tido a honra de conhecê-lo pessoalmente, guardo hoje em minha coleção uma foto autografada por ele, conseguida em 2008. Foi com muita tristeza que recebi, através de seu neto Vitor, a notícia de seu falecimento no último domingo.


Descanse em paz Sr. Poluzzi!

Veja também:
>>Luigi Poluzzi - Uma história de guerra e de paz
>>Baú da Sala - Luigi Poluzzi
>>Evento: ANR em Campoformido 2010
>>Fotos do museu da ANR
>>Mario Bellagambi
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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Documentário: Luigi Gorrini - Il Cacciatore del Cielo


Algumas vezes certas pessoas estão no lugar certo na hora certa. É como descrevo esta ocasião. A Itália tem um histórico político pós-guerra que tende a diminuir ou até mesmo apagar aqueles que lutaram pela Casa de Savoia antes do Armistício, e mais ainda aqueles que tomaram armas a favor da RSI de Mussolini entre 1943 e 1945. Pois este é exatamente o caso de Luigi Gorrini. Uma verdadeira lenda viva da aviação, o maior ás italiano ainda vivo (24 vitórias) e o único aviador detentor da Medaglie d'Oro al Valor Militare ainda entre nós, Gorrini teria tudo para passar incólume pelo resto de sua vida, e nós teríamos tudo para nunca ouvir suas palavras e memórias.

Por esta razão, eu saúdo meu amigo Claudio Costa, da Ronin Films, por conseguir registrar o Sr. Gorrini em vídeo (no alto de seus quase 94 anos) e preservar suas memórias para a posteridade. "Luigi Gorrini - Il Cacciatore del Cielo" será lançado no mês de junho. Aqui vai a primeira prévia da produção, que tem tudo para ser imperdível:


Veja também:
>>Luigi Gorrini
>>Entrevista com Luigi Gorrini - Parte 1, Parte 2, Parte 3
>>Luigi Poluzzi - Uma história de guerra e de paz
>>Documentário: Volando con Visconti
>>Documentário: Il Nemico Sulle Ali
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terça-feira, 17 de maio de 2011

Contribuição de von Braun para o V-2 é questionada


Contribuição de von Braun para o V-2 é questionada


Documentos recentemente encontrados desafiam o fato de Wernher von Braun, físico alemão e figura crucial do programa espacial americano, ter realmente sido o inventor do famoso foguete V-2.

A universitária alemã Uta Mense descobriu uma amarga rivalidade entre von Braun e seus colegas no centro espacial de Peenemünde – um deles disse aos americanos que von Braun nada teve a ver com o V-2. Mais de 3.000 Vergeltungswaffe 2 (Arma de Vingança 2) foram lançadas nos últimos anos da Segunda Guerra Mundial.

Paul Schröder trabalhou com von Braun no centro de pesquisas na costa do Mar Báltico, testando e desenvolvendo o Aggregat-4, que se tornaria o foguete V-2. Eles eram dois dos quatro líderes de seção na base.

Mense, pesquisadora da Universidade Técnica de Brandenburgo, encontrou documentos nos quais Schröder escreve criticando o trabalho de von Braun, e inclusive alertando os americanos de que ele estava cometendo erros.

Ele disse que von Braun tinha sido excluído do processo de tomada de decisão do projeto Aggregat-4 após se desgraçar com uma série de experimentos falhos.

Isso mudaria a visão aceita do gênio de von Braun, que foi retirado da Alemanha Nazista derrotada e secretamente transferido para os Estados Unidos na Operação Paperclip.

Nos EUA, ele foi empregado pelo Centro Espacial Marshall em Huntsville, Alabama, numa tentativa de ganhar a liderança dos soviéticos no desenvolvimento de foguetes, satélites e desenvolvimento espacial.

As novas evidências de Mense colocam tudo isso em dúvida – ela descobriu novos e inéditos documentos dos pertences de Schröder.

Schröder não foi retirado da Alemanha pela Operação Paperclip, mas emigrou para os EUA por seus próprios meios em 1952, onde trabalhou para a USAF. Ele mais tarde trabalhou para a industria aeroespacial e retornou à Alemanha em 1958.

Mense encontrou cartas de Schröder alertando autoridades americanas dos erros que von Braun estava cometendo – erros que ele dizia poder atrasar o desenvolvimento da tecnologia de foguetes do país. E sua voz não foi a única a levantar-se contra von Braun – Mense também encontrou evidências de outros colegas e Peenemünde falando contra ele.

Ela irá publicar mais detalhes de sua pesquisa dentro em breve na Universidade de Greifswald, como parte de uma conferência marcando o 20º aniversário do Museu de Peenemünde.

Fonte: The Local, 10 de maio de 2011.

Veja também:
>>Aventura de 007 foi inspirada na Segunda Guerra
>>Nota de Falecimento: Konrad Dannenberg
>>Nota de Falecimento: Dr. Ernst Stuhlinger
>>O bombardeiro orbital nazista
>>Focke-Wulf Triebflugel
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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Nota de Falecimento: William Anderson


William Yngve Anderson
(28/06/1921 - 09/05/2011)

Faleceu no último dia 9 de maio em Crystal Lake, Illinois, EUA, de causas naturais aos 89 anos de idade, o único ás sueco da história, Capitão William Yngve "Willie Y" Anderson.

Nascido em Kramfors, no litoral leste da Suécia, sua família emigrou para os Estados Unidos em 1922, estabelecendo-se em Chicago. Após completar os estudos, Anderson trabalhou como mecânico até ingressar no Corpo Aéreo do Exército em 11 de setembro de 1941, concluindo o treinamento e sendo comissionado 2º Tenente em 29 de setembro de 1942. Inicialmente designado para o 20º Grupo de Caça, que voava o Bell P-39 Airacobra, ele foi transferido para o 354º Grupo de Caça em 20 de janeiro de 1943.

Anderson e seus colegas foram transferidos para a Inglaterra em novembro de 1943. Baseados no aeródromo da RAF em Boxted, perto de Londres, os pilotos do 354º Grupo iniciaram missões operacionais a bordo do North American P-51 Mustang. Anderson tinha um P-51B que batizou de "Swede Steed" ("Cavaleiro Sueco") em grandes letras amarelas. No dia 13 de abril de 1944 ele abriu seu escore ao abater um Focke-Wulf Fw 190 sobre Darmstadt, na Alemanha. Um Me 109 tornou-se sua segunda presa em 28 de maio. Em 17 de junho, em missão de patrulha "de mergulho" em defesa de Londres, Anderson abateu uma bomba voadora V-1. Esta vitória, contudo, não entrou para seu recorde oficial, pela V-1 não ser considerada uma "aeronave real" pela USAAF.

Sem desanimar-se por esse contratempo, ele abateu no dia 21 de junho dois Messerschmitt Me 410 sobre Dahme, na Alemanha. Logo em seguida, veio a troca de montaria pelo mais possante P-51D, e foi com esta aeronave que Anderson se tornaria o único ás sueco da história, ao abater um Me 109 sobre Tours, na França, em 1 de agosto. Ele fecharia seu rol de abates em 7 de agosto, ao levar ao chão dois Me 109 sobre Mayen, Alemanha. Anderson terminou seu tour operacional em setembro de 1944, tendo voado 126 missões operacionais e acumulado 7 vitórias aéreas confirmadas. Ele então tornou-se instrutor de caça, até ser desmobilizado em 19 de maio de 1945.

Após a guerra, Anderson tornou-se piloto civil da United Airlines, tendo pilotado toda a série da Douglas desde o DC-3 até o DC-10, e aposentando-se em 1 de julho de 1981 como comandante de Boeing 747 aos 60 anos de idade. Curiosamente, somente recentemente seus feitos se tornaram conhecidos em seu país natal, a Suécia, através da publicação do livro "Swedes at War" dos autores Lars Gyllenhaal e Lennart Westberg.

"Willie Y" deixa esposa, três filhos, seis netos e dois bisnetos.

"Willie Y" e seu P-51D com as marcas de 7 vitórias.

North American P-51D Mustang "Swede Steed III" de William Anderson. Boxted, Inglaterra, Agosto de 1944.

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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Parada da Vitória em Moscou 2011


Ocorreu no dia 9 de maio de 2011, comemorando os 66 anos da vitória sobre a Alemanha Nazista, a Parada da Vitória na Praça Vermelha de Moscou. Um evento prestigioso e muito bonito, a parada deste ano contou com a presença de 20 mil militares, mais de 100 veículos e cinco helicópteros.

Prestigie a festa da vitória russa:






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>>Zhukov admitiu que a URSS foi quase derrotada
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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Evento: Dia da Aviação de Caça 2011 - Parte 3



Um programa obrigatório para qualquer interessado em história militar passando pelo Rio de Janeiro é Museu Aeroespacial (Musal) do Campo dos Afonsos. E já que é obrigatório eu não podia deixar de ir lá conferir.

Tendo combinado previamente com a administração do museu um tour acompanhado, saímos do Clube da Aeronáutica às 8h da manhã do sábado e tomamos um táxi para a Base Aérea dos Afonsos. È um percurso longo, que normalmente toma cerca de uma hora. Como era feriado (em 23 de abril comemora-se o Dia de São Jorge no estado do RJ), o tráfego de veículos não estava muito grande, então chegamos um pouco adiantados.

Percorre-se o muro da base aérea até o portão de entrada do museu, localizado na parte mais afastada da instalação. É preciso identificar-se na porta, por se tratar de uma instalação militar. Contudo, logo ao entrar você já começa a respirar a atmosfera da aviação nostálgica. Alguns aeromodelistas ali praticam seu hobby, e o zunido de diversos aviõezinhos corta o silêncio do afastado complexo.

À distância, identifiquei lado a lado um C-47 Skytrain, C-119 Flying Boxcar e um C-46 Commando. Uma visão belíssima dessas históricas aeronaves numa ensolarada manhã de sábado! O que entristece um pouco é o péssimo estado das aeronaves que ficam expostas ao tempo... Mas mesmo assim vale a pena.

Encontrando nosso guia, ele nos leva para uma área afastada dos hangares, onde duas grandes surpresas nos aguardavam. A primeira é um trimotor alemão Junkers Ju 52, recentemente negociado com a Força Aérea Portuguesa para o acervo do Musal. Ainda desmontado, esse clássico precisa ser restaurado e será futuramente exibido aos visitantes, provavelmente nas cores da Varig.

A outra surpresa é um Boeing B-17 Flying Fortress. Embora somente uma carcaça hoje, o modelo foi operado pela FAB na tarefa de busca e salvamento até 1968. Também será restaurado e colocado em exibição, mas o prazo é indeterminado. Confesso que foi emocionante ver-me ao lado de uma aeronave tão famosa e importante – e já pude imaginar ver aquela Fortaleza Voadora de volta à sua antiga glória, restaurada e sendo apreciada.

Passamos pelo hangar de restauração, onde há um C-47 completamente restaurado – em condições de voo até – além de um Thunderbolt e o Mirage III que Senna voou, ainda em trabalho. Foi-nos explicado que, embora o Musal possua aeronaves em plenas condições de voo, existe numa norma regulatória da FAB que impede o voo de aeronaves históricas de seu acervo. Por isso não vemos mais nossos P-47s no céu.

Já dentro do prédio de exibição, o visitante passa por salões que recontam a história da aviação no Brasil. Começamos pelo famoso T-6 Texan do Coronel Braga, grande expoente da Esquadrilha da Fumaça. Em seguida, passamos por um salão com diversos biplanos, além de réplicas do 14-bis e Demoiselle, projetos de Alberto Santos Dumont. Há uma sala de armamentos e outra dedicada à história das mulheres na FAB, e então você faz um retorno para o salão onde passa em frente a outras raridades, entre elas uma hélice quadripá do Savoia-Marchetti S.55 do Marechal italiano Italo Balbo, quando este visitou o Brasil no começo da década de 1930.

Subindo para o segundo andar, passamos por um corredor com diversas pinturas de aeronaves militares brasileiras, que dá acesso a salas temáticas dedicadas a Bartolomeu de Gusmão, Salgado Filho, Santos Dumont e o 1º Grupo de Caça – esta última, de longe, é a mais interessante.

Ornada com diversos itens usados na Segunda Guerra Mundial, por brasileiros, Aliados e pelo Eixo, a sala do 1º Grupo de Caça tem luz baixa, o que ressalta a iluminação dos mostruários e dos efeitos luminosos e sonoros do ambiente. Há uma representação com bonecos dos nossos pilotos juntos de um P-47 e documentários são rodados constantemente.

O visitante então entra num grande salão que possui dioramas e exposição de uniformes históricos, além de uma grande hélice do dirigível Graf Zeppelin e alguns foguetes de fabricação nacional. Fica aqui uma dica para que seja melhorada a refrigeração deste salão, pois estava muito quente lá dentro.

O Salão da Embraer é o próximo, e talvez o mais bem ilustrado de todo o museu. Fica claro o empenho da empresa em decorar o ambiente para mostrar sua história.

Descendo pelas escadas, mais uma vez nos encontramos no térreo dos hangares. Em meio às grandes aeronaves lá expostas, destaca-se uma verdadeira avis rara: o único Focke-Wulf Fw 58 Weihe do mundo! Comprado da Alemanha na década de 1930, o modelo foi utilizado pelas Forças Armadas e depois por órgãos civis brasileiros. Meu amigo Martin Drewes voou essas aeronaves para o Departamento de Estradas de Goiás no começo da década de 1950, e por isso o Weihe tem uma significação especial para mim.

Citar todas as aeronaves que vimos no Musal significaria um relato quilométrico, então, vamos saltar para as mais destacadas: o Curtiss P-40 Warhawk, dois Gloster Meteor, um F-80 Shooting Star, um AMX, Xavante, Mirage III, o Vickers Viscount do Presidente Juscelino Kubitschek (que pode ser visitado por dentro), um A-20 Havoc, um North American B-25 Mitchell, Douglas A-26 Invader, e um fantástico C-47. Destaco-o por afinidade pessoal mesmo – ele também pode ser visitado por dentro, e aqui pode-se ter uma pequena noção do que era estar dentro de um desses durante a guerra, e inclusive imaginar-se como um dos paraquedistas de “Band of Brothers”.

A última parte da visitação guarda a jóia da coroa: o P-47 Thunderbolt “B-4”, restaurado e em plenas condições de voo. O magnífico caça impressiona por seu tamanho e robustez, e é um bocado diferente a sensação de ver um assim, prontinho, daquela de ver um dos modelos “espetados” (como o da BASC). O Thunderbolt exala imponência, e eu pude somente imaginar como seria ver essas máquinas decolando para atacar alvos inimigos no norte da Itália, em 1945.

Estar junto ao P-47 é estar junto de nossa história, e qualquer um que esteja aqui lendo essa matéria sabe o que é essa emoção. Mais uma vez eu reitero o convite: vá ao Musal pelo menos uma vez e veja nosso vetor de guerra, é uma recordação que levará para o resto da vida, e um tributo aos nossos aviadores, que deram sangue pela causa brasileira.

Minha viagem ao Rio de Janeiro foi uma verdadeira imersão na história do 1º Grupo de Aviação de Caça. Conheci nossos veteranos, vi suas máquinas e fiz diversas novas amizades. As celebrações do 22 de abril são a ocasião maior na qual podemos prestar uma homenagem justa aos nossos herois, enquanto ainda estão conosco. Participem também!

Meus agradecimentos a Celso Menezes, Eduardo Seyfert, Luis Gabriel, Pedro Luis Moreira Lima, Brigadeiro Rui Moreira Lima e à direção do Musal, que colaboraram inquestionavelmente para o sucesso desta viagem.

































Veja também:
>>Evento: Dia da Aviação de Caça 2011 - Parte 2
>>Evento: Dia da Aviação de Caça 2011 - Parte 1
>>Livro: Jambocks!
>>Livro: Brazilian Expeditionary Force in World War II
>>Uma aventura da ELO no Norte da Itália – 1944
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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Nota de Falecimento: Apostolos Santas


Apostolos Santas
(22/02/1922 - 30/04/2011)

Faleceu no último dia 30 de abril em Atenas, na Grécia, de causas naturais aos 89 anos de idade, o homem que arrancou a bandeira alemã da Acrópole, Apostolos "Lakis" Santas.

Nascido na ilha grega de Lefkada, no Mar Jônico, Santas mudou-se com a família para Atenas em 1934. Lá, concluiu seus estudos em 1940 e em seguida ingressou na universidade para cursar direito. Contudo, seus estudos foram interrompidos com a invasão italiana do país em 28 de outubro de 1940. Embora os gregos tivessem conseguido conter os soldados de Mussolini, a Alemanha veio em auxílio em 6 de abril de 1941, varrendo os exércitos gregos e capturando Atenas em 27 de abril. No mesmo dia, soldados alemães hastearam a bandeira da suástica no topo da Acrópole.

Ao entardecer de 30 de abril, Santas e seu amigo Manolis Glezos admiravam entristecidos o pôr-do-sol sobre a capital e, ao ver a sombra da grande bandeira no chão, uma ideia ocorreu-lhes. Esperando o entrar da madrugada, sorrateiramente escalaram até o topo da Acrópole e arrancaram do mastro a bandeira alemã, substituindo-a com uma bandeira nacional grega. O sentinela que guardava o local não notou nada, e somente com o raiar do dia é que os alemães descobriram o resultado da ação. Santas e Glezos escaparam e esconderam a bandeira numa caverna, fugindo em seguida para o interior do país. O governo de ocupação sentenciou ambos à morte in absentia.

Após protagonizar um dos primeiros atos da Resistência Grega, Santas juntou-se à grupos de guerrilheiros, lutando em diversos confrontos contra forças italianas e alemãs pela Grécia Central. Ele chegou a ser capturado em março de 1942, mas foi libertado um mês depois, sem que sua identidade fosse descoberta. Ele continuou combatendo a ocupação até 1944, quando foi seriamente ferido em ação.

Durante a Guerra Civil Grega (1946-1949), Santas foi preso por suas visões esquerdistas e exilado na ilha de Makronisos em 1948. Contudo, ele conseguiu escapar para a Itália e depois para o Canadá, que deu-lhe asilo político. Ele viveu lá até 1962, quando finalmente retornou à Grécia.

Altamente condecorado na Grécia e outras nações Aliadas, Apostolos Santas faleceu num hospital de Atenas. Heroi nacional e símbolo da resistência contra a ocupação na Segunda Guerra Mundial, ele foi enterrado com todas as honras de estado.

Soldados alemães hasteam sua bandeira na Acrópole após capturar Atenas, 27 de abril de 1941.

Manolis Glezos e Apostolos Santas.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Bela Kiraly
>>Nota de Falecimento: Jens-Anton Poulsson
>>Nota de Falecimento: Andrée Peel
>>Nota de Falecimento: Pearl Witherington
>>Nota de Falecimento: Stanislav Hlucka
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Nota de Falecimento: Winrich Behr


Winrich Behr
(22/01/1918 - 25/04/2011)

Faleceu no último dia 25 de abril em Hubbelrath, na Alemanha, de causas naturais aos 93 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, Major Winrich Hans Hubertus Behr.

Nascido em uma tradicional família militar de Berlim, Behr estudou na França nos anos 1930, e em janeiro de 1938 foi comissionado Leutnant no Exército Alemão. Como oficial na 3ª Divisão Panzer, tomou parte na campanha polonesa em setembro de 1939 e na invasão da França em maio de 1940. Behr foi então transferido para a 5ª Divisão Ligeira, que em 15 de janeiro de 1941 recebeu ordens de transferência para a Líbia, como parte do Deutsches Afrika Korps.

Como comandante da 3ª Companhia Pesada de Reconhecimento, Behr liderou um avanço pelas dunas ao largo de El Agheila, contornando Marsa El Brega em 24 de março de 1941. Com esse ousado movimento, ele capturou seis canhões inimigos e destruiu rapidamente diversos pontos de resistência no Forte Benina. Suas tropas em motocicletas então capturaram dois tanques ingleses e os levaram até Bardia, auxiliando no ataque à cidade. Por essas ações, Behr foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 15 de maio de 1941. Em setembro, ele foi removido para a Europa por motivos de saúde, e enviado para a Escola de Tropas Ligeiras em Wünsdorf. Em fins de 1942, já promovido a Hauptmann, ele foi feito Oficial de Ordenança do comandante do 6º Exército Alemão, General Friedrich Paulus.

Cercado em Stalingrado, o 6º Exército enfrentava uma sombria situação no começo de 1943. Completamente circundado por tropas soviéticas, as tropas estavam passando extremo frio e fome. Contudo, Hitler recusava-se a permitir uma retirada. Tendo já inutilmente enviado diversos altos oficiais de estado-maior para convencer o Führer, Paulus decidiu fazer uma última tentativa mandando um condecorado oficial de linha de frente, escolhendo Behr para a tarefa. Deixando o aeródromo de Pitomnik num Heinkel He 111 em 13 de janeiro de 1943, Behr chegou ao quartel-general de Hitler em Rastenburg no dia seguinte. Hitler recebeu-o calorosamente, na presença de Keitel, Jodl e Schmundt. Behr então expôs a situação do 6º Exército, falando por três horas sem ser interrompido uma única vez por Hitler. Este então, após a conclusão da fala de Behr, puxou um mapa e mostrou diversas "novas divisões" que estavam a caminho para socorrerr Paulus, e tentou convencê-lo de que tudo estava sob controle. Contudo, as tais divisões eram unidades alquebradas que estavam a semanas do local dos combates. Ao observar tamanho absurdo, lembrou-se Behr: "Me entristeci. Me entristeci muito. De qualquer forma, ficou claro o que as pessoas diziam: Hitler tinha perdido totalmente o contato com a realidade".

Após a reunião, Schmundt percebeu que Behr não mais acreditava na vitória, e proibiu-o de voltar a Stalingrado, desviando-o para outro posto. Mais tarde, já como Major, ele se tornou oficial de estado-maior de Rommel e Model na Normandia. Participou também dos combates na Holanda, especialmente em Arnhem, e foi capturado pelos americanos no fim da guerra.

Na década de 1950, Winrich Behr trabalhou para a Alta Autoridade Europeia de Carvão e Aço, em Luxemburgo. Em seguida, foi chefe de gabinete de imprensa do vice-presidente alemão Franz Etzel, e mais tarde Secretário-Geral Adjunto da Comissão Europeia em Bruxelas. De volta à Alemanha, Behr foi presidente de companhias de telefonia e petróleo. Nos últimos anos, ele deu diversas entrevistas para a televisão alemã e apareceu em muitos documentários sobre Stalingrado.

Sua saúde estava fragilizada já há 18 meses. Winrich Behr deixa esposa e quatro filhos.

Oberleutnant Behr na África, no dia de sua condecoração com a Cruz do Cavaleiro.

Winrich Behr.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Ernst Neufeld
>>Nota de Falecimento: Josef Dörries
>>Nota de Falecimento: Günter Frenzel
>>Johannes Kümmel
>>Ludwig Crüwell
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domingo, 1 de maio de 2011

Evento: Dia da Aviação de Caça 2011 - Parte 2



Na sexta-feira, 22 de abril de 2011, o grupo no Clube da Aeronáutica levantou cedo: café da manhã às 6h. O Capitão Osias já havia avisado no dia anterior que o ônibus sairia às 7h, sem atrasos. E como seria o único ônibus, que o perdesse deveria dar seu próprio jeito de chegar à distante Base Aérea de Santa Cruz para as celebrações do Dia da Aviação de Caça.

Estávamos prontos no horário combinado, em frente ao hotel, quando percebeu-se que o número de presentes ultrapassava a quantidade máxima de passageiros do ônibus cedido pela Aeronáutica. Dessa maneira, dando lugar aos mais idosos – além dos veteranos brasileiros, os franceses também seguiam conosco – eu e mais 7 pessoas ficamos em pé no trajeto até um ponto de apoio da FAB, onde trocamos o veículo por um ônibus maior.

Após quase uma hora de viagem, com pouco trânsito, chegamos a Santa Cruz. De longe já se avista o gigantesco hangar do dirigível Graf Zeppelin. O ônibus parou ao lado e descemos, indo direto para dentro da superestrutura, onde havia estandes de algumas empresas e caças F-5 em exposição. O Brigadeiro Meira foi chegando nesse momento, tendo vindo num carro de transporte especial da FAB.

Pouco depois o alto-falante chamou a todos para o lado de fora do hangar, onde aconteceria a cerimônia do P-47. De fato, logo ao lado do hangar do Zeppelin está um Thunderbolt da FAB, pintado nas cores do “C-5” de Pedro Lima Mendes. Ali perto se encontra o túmulo do Brigadeiro Nero Moura, e também bustos dos dois aviadores.

Diversos jatos de transporte especial haviam trazido brigadeiros de diversos comandos, dentre eles o Comandante da FAB, Brigadeiro Juniti Saito. Também Rui Moreira Lima apareceu nesse momento. Todos sentaram-se debaixo de uma tenda, voltados para o pátio onde havia um mastro, um pelotão de honra e um grupo de reenactors (com uniformes de época da FAB, USAAF e RAF), liderados pelo meu amigo Sidnei José Buso.

A cerimônia do P-47 acontece anualmente no Dia da Aviação de Caça, e é onde o mestre de cerimônias lê os nomes dos 9 pilotos brasileiros que perderam a vida na Itália. Logo depois, os Brigadeiros Rui e Meira depositaram uma coroa de flores no túmulo do Brig. Nero e, em seguida, hastearam a flâmula de combate do 1º Grupo de Caça, ao som de “Carnaval em Veneza”.

Os presentes foram então conduzido para o pátio oeste, onde outra estrutura já estava montada para a realização das cerimônias de premiação da FAB. Foi interessante notar, do outro lado do pátio de taxiamento, um Embraer EMB-195 da Azul Linhas Aéreas, com pequenas bandeiras cobrindo seu nome de batismo. O que seria?

Aguardando o início das premiações, pudemos observar dois AMX e dois F-5 se direcionando lentamente para a cabeceira da pista. Pouco tempo depois, os caças decolaram em pares, numa emocionante e barulhenta passagem baixa. Seguiu-se a premiação dos melhores aviadores com a Medalha Nero Moura, e então um carro especial veio buscar Rui e Meira para levá-los até o jato da Azul. A surpresa foi revelada quando eles puxaram o véu que escondia o nome de batismo desta mais nova aeronave da empresa: Jambock Azul. Ao lado da porta, também foi pintado o brasão do Senta a Pua. Uma nobre iniciativa da Azul para preservar nossa memória!

Dando prosseguimento, o contingente da FAB organizou-se para um desfile, e um grupo de veículos históricos foi trazido para conduzir os veteranos. A passagem em parada foi o ato final da cerimônia no pátio oeste. Foi emocionante ver nossos veteranos em velhos jipes, sendo saudados pela audiência com muitas palmas e vivas.

Alguns ônibus chegaram ao local para levar os presentes até o estande de prática de tiro da Base Aérea. Embarquei ao lado de Alan, que foi membro da Resistência Francesa com apenas 12 anos de idade. Contou-me que levava comida a grupos de resistência que acampavam em florestas perto da fronteira com a Suíça. Uma boa conversa com esse resistente francês foi seguida pela chegada ao estande. Já era próximo do meio-dia e o sol castigava bastante, mas todos estavam bastante animados. O mestre de cerimônias ao microfone explicou que, na área de tiro bem à nossa frente, estavam localizados três alvos. Estes seriam atacados por dois AMX e dois F-5, com bombas de 500 kg e rajadas de canhão 30 mm. Foi um espetáculo ver aeronaves de combate realizar ataques de verdade. Os aviões utilizaram o procedimento de bombardeio de média altitude, em voo picado. A apresentação foi concluída com a destruição dos alvos e o lançamento de flares por um dos F-5.

Conduzidos de volta, fomos até o clube dos oficiais, onde uma recepção já estava preparada. Muita gente lotada o salão, mas segui até a sala do Graf Zeppelin (um tipo de sala vip), onde encontrei mais uma vez os Brigadeiros Meira e Rui. Foi então que comissárias da Azul se aproximaram e os presentearam com placas comemorativas do batismo do Jambock Azul, bem como maquetes da aeronave. Foi um momento bastante único que tive a sorte de poder registrar em vídeo, e agora disponibilizar aqui para vocês.

Tivemos a oportunidade de conversar um pouco mais, e o Brigadeiro Rui disse-me que espera para breve o lançamento da terceira edição de seu livro “Senta a Pua” – considerado a Bíblia do 1º Grupo de Caça na Itália. Já perto das 15h, os veteranos se despediram de todos. A multidão começou a desfazer-se e logo procuramos nossa condução de volta à cidade.

A comemoração do Dia da Aviação de Caça é uma celebração que acontece anualmente, na qual nossos poucos veteranos aviadores da Segunda Guerra Mundial são o centro das atenções. A atmosfera nostálgica de Santa Cruz só amplifica o sentimento de orgulho nacional que esta festa inspira. É um evento que infelizmente não ganha muita publicidade, e talvez a FAB prefira assim. Mas é uma representação genuinamente brasileira de orgulho pelas nossas tradições e pela nossa bem-sucedida história de combate na Segunda Guerra Mundial.

No dia 23, realizamos uma visita ao Museu Aeroespacial da FAB, no Campo dos Afonsos. Até o próximo post!


















Veja também:
>>Evento: Dia da Aviação de Caça 2011 - Parte 1
>>Uma aventura da ELO no Norte da Itália – 1944
>>Livro: Brazilian Expeditionary Force in World War II
>>Livro: Jambocks!
>>Câmera de combate do P-47
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