Faleceu no último dia 12 de março em Eitorf, na Alemanha, de causas naturais aos 91 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro
Leutnant Günter Frenzel.
Nascido em Berlim, desde pequeno Frenzel demonstrou interesse pelo voo, e logo fez sua inscrição na escola de planadores de Gotha e Laucha. Após um período trabalhando como aprendiz na ferrovia, tornou-se
instrutor de voo aos 17 anos de idade, sendo mestre de diversas turmas iniciantes em voo a vela. Em 1938 foi convocado pela Luftwaffe, terminando o treinamento básico em um ano. Em 1939, foi para Tutow aprender a voar o
Heinkel He 111 e o
Focke-Wulf Fw 200 Kondor, passando também pela escola de navegação noturna. Ao finalizar o treinamento em 1940, foi para Cracóvia para seu
primeiro serviço operacional, substituindo uma tripulação de
Junkers Ju-52. Após um curto tempo em Paris, vai a Foggia, na Itália, onde participa das operações no fronte grego em abril de 1941. Pouco depois, foi transferido para as operações no
Norte da África.
Voando com a 11ª Staffel do
Transportgeschwader 1 (TG 1), ele foi um dos 12 pilotos encarregados de transportar para a África o
71º Regimento Werfer, uma unidade lançadora de foguetes, em 12 de maio de 1942. Contudo, os ingleses descobriram, através do
sistema ULTRA (que lia secretamente as comunicações alemãs), que o transporte aconteceria naquela data e enviaram uma esquadrilha de interceptação em Malta. Caindo em cheio na armadilha britânica, os indefesos Junkers entraram no
enxame de caças da RAF. Ao avistar o perigo, Frenzel iniciou uma série de manobras defensivas, mas entrou no campo de fogo de um dos ingleses, e teve sua
mão direita explodida por um dos projéteis inimigos. Seu avião foi completamente alvejado e danificado, mas ele, mesmo com uma mão em pedaços, manteve o controle e fez um perfeito pouso forçado nas águas costeiras de Derna, na Líbia, sem
nenhuma fatalidade a bordo.
Após recuperar-se, Frenzel participou de uma missão bastante inusitada: ao pousar na pista do Oásis de Giarabub, no interior da Líbia, ele recebeu um uniforme inglês e foi apresentado à uma tripulação com as mesmas vestimentas. Deveria, com outras duas tripulações, voar três
Vickers Wellington capturados numa missão clandestina até o
Congo Belga, onde os ingleses haviam montado uma grande base de abastecimento. Os alemães voaram até a base, pousaram, reabasteceram, e ao decolar novamente
bombardearam as instalações, retornando em segurança à Líbia.
Por suas ações, Günter Frenzel foi condecorado com a
Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 23 de dezembro de 1942. Transferido para Creta, continuou a voar no Mediterrâneo até ser novamente ferido em ação, sendo então enviado para a escola de oficiais em Berlim. Após terminar o treinamento e ser
comissionado Leutnant, foi feito instrutor de planadores avançados nos programas de treinamento do
Me 163 Komet e
Arado Ar 234 Blitz. Permanecendo nessa posição até o fim da guerra, ele foi capturado pelos americanos e libertado em dezembro de 1945.
Após a guerra, Frenzel trabalhou com
mecânica industrial, eventualmente tornando-se gerente de uma fábrica de peças automotivas. Considerado um mecânico de vasto conhecimento e experiência, ele consertou o Ford Lincoln do
Presidente John Kennedy em 1961, e na década de 1980 trabalhou do carro de Fórmula 1 de
Ayrton Senna em Interlagos, São Paulo.
Alguns anos atrás, o leiloeiro americano
Craig Gottlieb encontrou por acaso numa loja da California o
Ehrenpokal (Cálice de Honra) original de Frenzel, que havia sido roubado no fim da guerra. Ele comprou a peça e foi até a Alemanha devolvê-la, numa emocionante reunião. Gottlieb aproveitou e registrou duas horas de
entrevista em vídeo com Frenzel (cuja primeira parte pode ser conferida abaixo).