Faleceu no último dia 15 de maio em Recife, Pernambuco, de causas naturais aos 90 anos de idade, o piloto italiano de Messerschmitt Me 109, Luigi Poluzzi.
Nascido em Bolonha, Poluzzi começou a trabalhar aos 14 anos de idade numa fábrica de peças aeronáuticas, motivado por sua já pujante paixão pelo voo. Assim que pôde, ingressou no aeroclube local para tomar lições de voo, e foi beneficiado por uma bolsa governamental que cobria parte dos custos do aprendizado para alunos aptos à aviação de caça. Após tirar sua licença de piloto civil, Poluzzi viu-se em meio da tumultuada situação internacional na qual a Itália declarou guerra aos Aliados, em junho de 1940.
Desta forma, ele ingressou na Regia Aeronautica e iniciou o treinamento de voo militar, pilotando o já obsoleto Fiat CR.32 e o Nardi FN.305, entre outros. Junto ao 51º Stormo no aeródromo de Castelvetrano, na Sicília, Poluzzi iniciou suas missões operacionais em 1942, voando o Macchi MC.200 Saetta como escolta de navios de suprimento para as forças ítalo-germânicas no Norte da África. Com a invasão Aliada da Sicília em junho de 1943, o 51º Stormo foi recuado e debandado durante o confuso período que viu a assinatura do Armistício em 8 de setembro. Estando no norte do país, então sob ocupação alemã, Luigi Poluzzi foi um dos pilotos que atendeu ao chamado do Colonello Ernesto "Gamba di Ferro" Botto, ás na Guerra Civil Espanhola, para a criação da Aeronautica Nazionale Repubblicana (ANR).
Enviado para a Alemanha para realizar o treinamento de conversão para o Messerschmitt Me 109, Poluzzi passou 40 dias adaptando-se ao novo vetor, retornando para a Itália no verão de 1944 e sendo incorporado à 6ª Squadriglia do 2º Gruppo Caccia. Ele realizou diversas missões de interceptação de bombardeiros, e no dia 8 de fevereiro de 1945 teve a perna esquerda perfurada por um estilhaço, durante combate com um B-25 Mitchell do 310º Grupo de Bombardeio dos EUA. Tendo seu caça alvejado pelo artilheiro de cauda norte-americano, Poluzzi conseguiu manter-se nos controles e fazer um pouso de emergência no aeródromo de Osoppo, 90 km a noroeste de Trieste. Ele passou os últimos meses da guerra em recuperação, observando a constante degradação da situação da RSI.
Após a guerra, com os grupos de extrema-esquerda tomando conta do norte da Itália, a situação de Poluzzi como veterano da RSI não era segura, e o mesmo acabou emigrando para o Brasil em 1948. Inicialmente morando em São Paulo, ele recebeu de um parente o convite para ir à Recife, e lá trabalhou para uma empresa de embalagens, até que decidiu abrir seu próprio negócio em 1956. Assim nasceu a EIM Instalações Industriais, hoje uma das maiores empresas de industrialização da região nordeste.
Em 2007, o estudante de jornalismo Eduardo Farias, da Universidade Católica de Pernambuco, fez um curta-metragem biográfico com o Sr. Luigi Poluzzi, denominado "Luigi Poluzzi - Uma história de guerra e de paz". Já tendo se recuperado de uma crise coronária há alguns anos, Poluzzi faleceu após sofrer um ataque cardíaco fulminante no domingo, 15 de maio de 2011. Ele deixa esposa, três filhos e numerosos netos.
Nascido em Bolonha, Poluzzi começou a trabalhar aos 14 anos de idade numa fábrica de peças aeronáuticas, motivado por sua já pujante paixão pelo voo. Assim que pôde, ingressou no aeroclube local para tomar lições de voo, e foi beneficiado por uma bolsa governamental que cobria parte dos custos do aprendizado para alunos aptos à aviação de caça. Após tirar sua licença de piloto civil, Poluzzi viu-se em meio da tumultuada situação internacional na qual a Itália declarou guerra aos Aliados, em junho de 1940.
Desta forma, ele ingressou na Regia Aeronautica e iniciou o treinamento de voo militar, pilotando o já obsoleto Fiat CR.32 e o Nardi FN.305, entre outros. Junto ao 51º Stormo no aeródromo de Castelvetrano, na Sicília, Poluzzi iniciou suas missões operacionais em 1942, voando o Macchi MC.200 Saetta como escolta de navios de suprimento para as forças ítalo-germânicas no Norte da África. Com a invasão Aliada da Sicília em junho de 1943, o 51º Stormo foi recuado e debandado durante o confuso período que viu a assinatura do Armistício em 8 de setembro. Estando no norte do país, então sob ocupação alemã, Luigi Poluzzi foi um dos pilotos que atendeu ao chamado do Colonello Ernesto "Gamba di Ferro" Botto, ás na Guerra Civil Espanhola, para a criação da Aeronautica Nazionale Repubblicana (ANR).
Enviado para a Alemanha para realizar o treinamento de conversão para o Messerschmitt Me 109, Poluzzi passou 40 dias adaptando-se ao novo vetor, retornando para a Itália no verão de 1944 e sendo incorporado à 6ª Squadriglia do 2º Gruppo Caccia. Ele realizou diversas missões de interceptação de bombardeiros, e no dia 8 de fevereiro de 1945 teve a perna esquerda perfurada por um estilhaço, durante combate com um B-25 Mitchell do 310º Grupo de Bombardeio dos EUA. Tendo seu caça alvejado pelo artilheiro de cauda norte-americano, Poluzzi conseguiu manter-se nos controles e fazer um pouso de emergência no aeródromo de Osoppo, 90 km a noroeste de Trieste. Ele passou os últimos meses da guerra em recuperação, observando a constante degradação da situação da RSI.
Após a guerra, com os grupos de extrema-esquerda tomando conta do norte da Itália, a situação de Poluzzi como veterano da RSI não era segura, e o mesmo acabou emigrando para o Brasil em 1948. Inicialmente morando em São Paulo, ele recebeu de um parente o convite para ir à Recife, e lá trabalhou para uma empresa de embalagens, até que decidiu abrir seu próprio negócio em 1956. Assim nasceu a EIM Instalações Industriais, hoje uma das maiores empresas de industrialização da região nordeste.
Em 2007, o estudante de jornalismo Eduardo Farias, da Universidade Católica de Pernambuco, fez um curta-metragem biográfico com o Sr. Luigi Poluzzi, denominado "Luigi Poluzzi - Uma história de guerra e de paz". Já tendo se recuperado de uma crise coronária há alguns anos, Poluzzi faleceu após sofrer um ataque cardíaco fulminante no domingo, 15 de maio de 2011. Ele deixa esposa, três filhos e numerosos netos.

Poluzzi em traje de voo ao lado de um Fiat CR.32, durante seu treinamento na Regia Aeronautica.

Luigi Poluzzi (à esq.) com colegas na Sicília, 1942.
NOTA: Em 2007, recebi o contato do amigo Eduardo Farias pedindo por algumas informações a respeito da Regia Aeronautica e ANR, já que ele estava fazendo um documentário com um veterano piloto italiano que morava em Recife. Foi então que conheci o nome de Luigi Poluzzi, e pesquisando sobre sua história acabei fazendo diversos amigos na Itália, inclusive Paul Perron, que é colaborador da Sala de Guerra. Embora nunca tenha tido a honra de conhecê-lo pessoalmente, guardo hoje em minha coleção uma foto autografada por ele, conseguida em 2008. Foi com muita tristeza que recebi, através de seu neto Vitor, a notícia de seu falecimento no último domingo.

Descanse em paz Sr. Poluzzi!

Descanse em paz Sr. Poluzzi!
Veja também:
>>Luigi Poluzzi - Uma história de guerra e de paz
>>Baú da Sala - Luigi Poluzzi
>>Evento: ANR em Campoformido 2010
>>Fotos do museu da ANR
>>Mario Bellagambi
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