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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Nota de Falecimento: Fred Hargesheimer


Fred Hargesheimer
(07/05/1916 - 23/12/2010)

Faleceu no último dia 23 de dezembro em Lincoln, Nebraska, EUA, de causas naturais aos 94 anos de idade, o piloto norte-americano Capitão Fred Hargesheimer.

Nascido em Rochester, Minnesota, Fred graduou-se em Engenharia Elétrica pela Universidade Estadual de Iowa em 1940. Ele ainda trabalhou na indústria de rádio antes de finalmente juntar-se à USAAF após a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Após completar seu treinamento, Fred foi feito piloto de reconhecimento, sendo designado para o 8º Esquadrão de Reconhecimento Fotográfico.

Em 5 de junho de 1943, ele pilotava um Lockheed P-38 F-4 numa missão de reconhecimento sobre a ilha da Nova Bretanha, em Papua-Nova Guiné. Contudo, Fred foi atacado por um caça japonês Kawasaki Ki-45 Toryu, que danificou pesadamente a estrutura de seu P-38, forçando-o a saltar de paraquedas sobre a selva. Ele então passou penosos 31 dias tentando sobreviver sozinho no ambiente de mata fechada da Nova Bretanha, até que foi encontrado por caçadores nativos da tribo Nakanai. Bastante debilitado, Fred foi levado até a vila de Ea Ea, onde recebeu alimento e cuidados médicos e foi escondido das patrulhas japonesas por sete meses. Em fevereiro de 1944, ele foi localizado por comandos australianos operando atrás das linhas inimigas, e resgatado pelo submarino americano USS Gato.

Após a guerra Fred constituiu família em Minnesota, mas nunca esqueceu o povo de Nakanai, que ele considerava seus salvadores: "Eu percebi que tinha uma dívida, e que tinha que tentar pagá-la". Após revisitar a tribo em 1960, ele voltou para casa e arrecadou 15 mil dólares, retornando em 1963 junto com o filho Richard para construir a primeira escola da vila. Nas décadas seguintes, a sua determinação no levantamento de doações construiu uma clínica, uma outra escola e uma biblioteca para Ea Ea e as vilas vizinhas. Em 1970 ele mudou-se para lá com a esposa e juntos atuaram como professores das crianças Nakanai por quatro anos. Os experimentos da escola local com refino de óleo de palmeira ajudaram a criar uma economia local, e deram origem à uma grande plantação que gera empregos para os empobrecidos moradores.

Em sua última visita aos Nakanai em 2006, Fred foi levado até a selva para ver os recém-descobertos destroços de seu P-38, e foi proclamado "Suara Auru" ("Chefe de Guerra") da tribo. "Estas pessoas estão muito felizes. Sempre nos lembraremos do que o Sr. Fred Hargesheimer fez por nosso povo", disse Ismael Saua, antigo professor da escola da vila.

Numa entrevista de 2008, Fred Hargesheimer sumarizou sua motivação: "Essas pessoas salvaram minha vida. Como eu poderia pagar isso?"

Fred e crianças Nakanai realizando o primeiro plantio de mudas de cacau na vila.

Fred é homenageado pelos alunos da escola que ele construiu em Ea Ea, em foto de 2004.

NOTA: Este sim é um sujeito digno de um Nobel da Paz, de um CNN Heroes, e por aí vai. Um exemplo puro de dignidade humana, que a Sala de Guerra faz questão de eternizar, encerrando o ano de 2010.

Descanse em Paz Sr. Hargesheimer!

E até 2011, pessoal! Abraços!

Veja também:
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>>Campo de batalha perdido é encontrado – com corpos
>>Nota de Falecimento: John Loisel
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Achados sinistros na Rússia


Achados sinistros na Rússia


Como maior campo de batalha do mundo, as vastidões da Rússia são hoje um terreno que esconde milhões e milhões de artefatos da Segunda Guerra Mundial. Escavar lá não é uma atividade para curiosos, é um negócio - que movimenta muito dinheiro anualmente. E o que é descoberto nem sempre agrada aos olhos:


























Veja também:
>>Bunker alemão intacto na Bélgica
>>Tanque alemão é descoberto em Viena
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>>Restos de cinco soldados alemães são encontrados na França
>>Massacre de civis alemães é revelado em vídeo
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Livro: Brazilian Expeditionary Force in World War II


Brazilian Expeditionary Force in World War II


Uma boa surpresa da Osprey Publishing para lançamento no mês de março de 2011 é "Brazilian Expeditionary Force in World War II", dos autores César Campiani Maximiano e Ricardo Bonalume Neto. Enquanto Maximiano é um versado historiador da FEB, tendo escrito quatro livros sobre o tema, Bonalume é jornalista especializado em temáticas militares.

O livro em si é uma obra inédita e há muito tempo necessária. Isso porque virtualmente não há literatura sobre a FEB em inglês, muito menos um livro conciso que lide especificamente com os aspectos militares do envolvimento brasileiro na Segunda Guerra Mundial. Este título tem tudo para - pelo menos começar a - preencher este vácuo. O ilustrador, Ramiro Bujeiro, é um colaborador constante da Osprey, e pode-se esperar bons resultados de seus desenhos (como já podemos notar pela capa).

O conteúdo do livro não discorre somente sobre nossa Divisão de Infantaria Expedicionária, mas também sobre o 1º Grupo de Caça e a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação, fazendo também um apanhado geral sobre a participação brasileira no conflito, e a situação político-militar reinante na década de 1930. E claro, há também a seção de análise dos uniformes usados por nossos soldados.

Bom, é isso aí. Eu gostei muito de saber que este título está saindo do forno e gostaria de ter o meu exemplar na estante. Agora é aguardar!

Veja também:
>>Livro: Jambocks!
>>Livro: Massacre no Atlântico
>>Fernando Corrêa Rocha
>>Waldemar Levy Cardoso
>>Nasce o 1º RI - Reenactors da FEB
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Mais velho veterano americano ganha biografia


Mais velho veterano americano ganha biografia


Como prisioneiro durante a Segunda Guerra Mundial, o Major Albert Brown foi agredido, torturado e baionetado. Sofreu diversas fraturas nas costas e padeceu de cerca de 15 doenças tropicais.

Mesmo assim ele sobreviveu, e ainda está vivo hoje. Aos 105 anos, Brown é o mais velho veterano norte-americano vivo da Segunda Guerra Mundial, de acordo com a Biblioteca de Guerra Norte-Americana.

Ele também é o mais velho sobrevivente confirmado da Marcha da Morte de Bataan em 1942, que foi responsável pela morte de milhares em condições extremamente desumanas. Então como ele conseguiu sobreviver?

Recentemente foi lançado seu livro biográfico, “Forsaken Heroes of the Pacific War: One Man’s True Story”. Os autores, Don Morrow e Kevin Moore, foram até a casa de Brown e gravaram em vídeo toda a história de vida do veterano.

Em 1937, Brown, um Tenente comissionado no Corpo de Treinamento de Oficiais da Reserva, foi ordenado a apresentar-se em Fort Snelling, Minnesota, dentro de três dias. Ele tinha 32 anos, era casado e pai de três crianças, e há dez anos praticava odontologia em Iowa. Teve que deixar tudo para trás, e somente pôde rever sua família dez anos depois.

Nas Filipinas, Brown viu os bombardeios e a morte por todo lugar. Não havia quase nenhuma comida, munição ou armas. Ele contraiu malária, dengue, disenteria e muitas outras doenças. Após os americanos e filipinos se renderem aos japoneses, eles foram forçados a marchar por 110 quilômetros, no que se tornou conhecida por Marcha da Morte de Bataan.

Aquela marcha foi uma das piores atrocidades da guerra”, disse Morrow.

Num diário que ele manteve durante a guerra, Brown escreveu: “Havia um oficial com uma espada samurai. Ele simplesmente fazia os prisioneiros se ajoelharem e arrancava as cabeças deles – acontecia muito”.

Se você não ficasse com o grupo, ganhava um tiro ou então tinha a cabeça decepada. Marchamos por cinco dias sem uma gota de água”.

Após Brown chegar ao campo de prisioneiros, ele viveu com três pequenas porções de arroz por dia – do tamanho de bolas de pingue-pongue. Seu peso caiu de 80 para 38 quilos.

Depois da guerra, ele se mudou para a Califórnia e começou uma nova vida. Voltou à escola e graduou-se em Relações Internacionais, manteve-se ativo jogando handebol e conheceu diversas celebridades de Hollywood.

Hoje, ele tem 12 netos, 12 bisnetos e 2 tataranetos.

Moore disse que a mensagem do livro é ensinar às novas gerações importantes lições: “É uma história de esperança. Uma lição de recuperação, determinação e desejo de voltar à vida após a guerra. Nunca desistir, não importa o quão ruim esteja o presente. Você pode ir frente com sua vida e progredir”.

Fonte: News Times, 24 de dezembro de 2010.

NOTA: Sobreviveu a Bataan, quatro anos em cativeiro japonês, múltiplas fraturas e ainda está desse jeito aos 105 anos de idade?? Esse cara é de aço?

Veja também:
>>Pensamentos de Hiroo Onoda
>>Veterano agradece o carinho em carta
>>Restos de aeronave japonesa encontrados em Bataan
>>Fuzileiro Sid Phillips reconta sua vida em livro
>>Memórias de veterano da USAAF, que mora no Brasil, se tornarão livro
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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Natal na Alemanha em 1941


Natal na Alemanha em 1941

Em 18 de dezembro de 1941, Adolf Hitler deu uma festa de Natal para representantes do Partido em Munique. Seu fotógrafo pessoal Hugo Jäger estava lá e registrou o evento em cores. Uma visão deveras curiosa do Natal na Alemanha Nazista, em meio ao caos que então reinava na Frente de Moscou:







NOTA: Consegue-se perceber um pouco de tensão na expressão de Hitler. Além das péssimas notícias vindas de Moscou, vamos lembrar que ele tinha acabado de declarar guerra aos Estados Unidos.

Veja também:
>>Feliz Natal!! - 2009
>>Feliz Natal!! - 2008
>>Feliz Natal!! - 2007
>>O presente de Natal que todos queríamos
>>Documentário colorizado é exibido na Alemanha
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Bastão de Marechal é vendido por 700 mil dólares


Bastão de Marechal é vendido por 700 mil dólares

O bastão ornamentado do Marechal-de-Campo alemão causou sensação quando comprado por 731.600 dólares em leilão, um valor muito maior do que os leiloeiros esperavam.

O bastão cerimonial de 48 cm, que já foi propriedade do Generalfeldmarschall Albert Kesselring, da Luftwaffe da Alemanha Nazista, teve seu valor estimado entre 10 mil e 15 mil antes do leilão. O bastão vem envolvido em veludo azul brilhante e adornado com insígnias e cruzes esmaltadas em ouro amarelo e branco.

O leiloeiro Raab Christhilf disse que o bastão atraiu a atenção internacional nos lances online e pessoais. Ele recusou-se a revelar o nome do vendedor da peça, mas uma descrição da procedência do item foi amplamente divulgada.

O vendedor afirma que seu pai foi um Soldado de Primeira Classe, e serviu na 2ª Divisão Blindada dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial”, disse. Ele ainda revelou que o soldado sem nome estava “no primeiro jipe americano a entrar em Berlim em julho de 1945”.

Em Berlim, com a guerra terminada, o soldado recebeu ordens de explorar castelos que tinham sido usados por oficiais alemães. Um de seus deveres era procurar armadilhas nos cômodos. “Ele encontrou o bastão de marechal em uma dessas missões. Ficou em sua posse desde aquela época até sua morte em 1977, quando então passou para sua esposa. Ao morrer, a mulher deixou o bastão para o filho, o vendedor”.

Também não foi revelado o nome do comprador do bastão.

O dono original, Kesselring, é conhecido por ser um dos melhores estrategistas defensivos de Hitler, e após ser libertado da prisão em 1952, faleceu aos 74 anos em 1960.

Fonte: The Baltimore Sun, 12 de dezembro de 2010.

Veja também:
>>Itens pessoais de Hitler e Goering vão a leilão
>>Hugo Sperrle
>>Heinrich von Vietinghoff
>>Maximilian von Weichs
>>Wilhelm Schmalz
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Nota de Falecimento: Lachhiman Gurung


Lachhiman Gurung
(30/12/1917 - 12/12/2010)

Faleceu no último dia 12 de dezembro em Hounslow, Inglaterra, de causas naturais aos 92 anos de idade, o soldado gurkha ganhador da Victoria Cross, Lachhiman Gurung.

Nascido na vila de Dakhani, no Nepal, Gurung alistou-se em dezembro de 1940 e, após completar o treinamento, foi designado para o 8º Gurkha Rifles. Tendo apenas 1,5 metro de altura, ele não tinha a estatura mínima necessária para ser aceito em tempos de paz. No fim de abril de 1945, sua companhia foi ordenada a marchar até a vila de Taungdaw, na Birmânia, para cortar o recuo das tropas japonesas na área. Contudo, quando os japoneses chegaram, a companhia ghurka é que foi cercada e perdeu suas linhas de comunicação.

Na noite de 12 de maio de 1945, Gurung estava num posto de observação 100 metros à frente do seu pelotão. À 1:20h da manhã, 200 soldados japoneses iniciaram um ataque à linha gurkha, concentrando-se no posto de Gurung. Uma granada foi jogada dentro de sua trincheira, e ele rapidamente jogou-a de volta. Quase imediatamente uma segunda granada caiu, e novamente foi devolvida por Gurung. Porém, quando a terceira granada atingiu a trincheira e ele tentou novamente jogá-la de volta, o artefato explodiu sua mão direita, espatifando seus dedos e ferindo-lhe seriamente o braço e a face. Seus dois companheiros também foram gravemente feridos, e permaneciam agonizantes no fundo da trincheira.

Os japoneses então montaram um ataque geral à posição de Gurung, gritando freneticamente ao avançar. Contudo, mesmo ferido e sozinho, o jovem gurkha retornou fogo, usando a mão esquerda para carregar e atirar com seu rifle. Mantendo uma excelente cadência de tiros, ele afastou ataque após ataque, defendendo resolutamente o posto sozinho por quatro horas. Seus colegas, mais atrás, conseguiram escutá-lo gritando para os japoneses: "Venham! Venham e enfrentem um Gurkha!" Na manhã seguinte, dos 87 inimigos mortos na área, 31 foram encontrados em frente da posição de Gurung. Mais tarde ele disse: "Eu senti que ia morrer de qualquer jeito, então era melhor morrer de pé. Tudo que eu sabia é que tinha que segurá-los, e estou feliz que isso tenha ajudado os outros do meu pelotão". No dia 13 de dezembro de 1945, em frente ao Red Fort em Delhi, Lachhiman Gurung foi condecorado por Lorde Louis Mountbatten com a Victoria Cross, a mais alta comenda britânica por bravura. Seu pai, então com 74 anos, foi carregado por 11 dias desde sua vila no Nepal, para ver seu filho ser condecorado.

Após a guerra, ele continuou continuou no Exército até 1947, indo para a reserva como Sargento. Gurung então casou-se e tornou-se criador de gado, numa pequena fazenda. Em 1995, mudou-se para a Inglaterra e foi recebido pelo Primeiro-Ministro John Major em Downing Street Nº 10. Em 2008, fez campanha para que o governo inglês recebesse 2.000 veteranos gurkhas que pediram asilo no país. Um juiz da Suprema-Corte decidiu favoravelmente pela permanência dos gurkhas.

Lachhiman Gurung em foto recente.

Tul Bahadur Pun e Lachhiman Gurung com a atriz Joana Lumley durante a campanha pela permanência dos gurkhas na Inglaterra.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Havildar Bhanbhagta Gurung
>>Tul Bahadur Pun
>>Sir William Slim
>>Nota de Falecimento: Mohinder Pujji
>>Nota de Falecimento: Sam Manekshaw
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Emil Petr no CRUZEX V


Emil Petr no CRUZEX V


No exercício militar CRUZEX V, que aconteceu em Natal-RN entre os dias 28 de outubro e 19 de novembro, participaram delegações aéreas de seis países: Brasil, Argentina, França, Uruguai, Chile e Estados Unidos.

Neste ambiente de troca de experiências e durante o dia dos portões abertos, Rostand Medeiros levou o veterano Emil Anthony Petr para, depois de mais de 60 anos, rever uma aeronave militar norte-americana. Um dos seis F-16 enviados pelos americanos estava em exposição, e com a aproximação de Emil, curiosos militares ianques também se achegaram. Ao descobrirem um de seus veteranos morando num local tão improvável, um animado bate-papo se seguiu, e até mesmo uma entrevista em vídeo foi feita.

Depois ainda houve um jantar, reunindo os militares americanos e a família de Emil no Brasil.






NOTA: Falem o que quiser dos americanos, mas ninguém trata tão bem seus veteranos quanto eles. Quem dera tivéssemos uma parcela dessa consideração com os nossos.

Veja também:
>>Memórias de veterano da USAAF, que mora no Brasil, se tornarão livro
>>Ás americano se reúne com P-51 restaurado
>>Triplo ás se reunirá ao seu antigo avião
>>Veteranos fazem emocionada peregrinação a Iwo Jima
>>Aposentando-se no B-29!
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Memórias de veterano da USAAF, que mora no Brasil, se tornarão livro


Há algumas semanas fui contatado pelo autor potiguar Rostand Medeiros, que contou-me a interessante história do veterano norte-americano Emil Anthony Petr, hoje residente de Natal-RN. Abro então espaço na Sala de Guerra para que todos vocês também possam conhecer esta história:

Memórias de veterano da USAAF, que mora no Brasil, se tornarão livro


por Rostand Medeiros

No último o dia 13 de novembro, em meio ao dia de “Portões Abertos” do exercício militar CRUZEX 5, e depois de 66 anos, Emil Anthony Petr, o único veterano norte-americano da II Guerra Mundial vivendo no Rio Grande do Norte, estava novamente ao lado de uma aeronave de combate da Força Aérea dos Estados Unidos – no caso um moderno caça F-16. Este veterano foi respeitosamente tratado pelos militares do seu país.

Em janeiro de 1942, quando o jovem Emil buscou um local de alistamento para se engajar lutar contra os nazi-fascistas, este filho de simples agricultores, natural da pequena cidade de Deweese, Nebraska, tinha certeza que “Não queria lutar em trincheiras, mas no ar”.

Foi primeiramente designado para o 57º Esquadrão de Controle de Caça, na área de Boston. Quando estava para seguir com a sua unidade para o deserto do Norte da África, ele conseguiu a aprovação para cursar a escola de formação de navegadores, em San Marco, no Texas. Em 1943, após conseguir a patente de Segundo-Tenente, foi designado para atuar em bombardeiros
B-24 Liberator. Mas não era o fim de sua preparação. O Tenente Petr seguiu para a base aérea de Langley, Virginia, onde se especializou na tarefa de bombardeio por radar.

Em abril de 1944 chegou a sua transferência para a 15ª Força Aérea, no sul da Itália, para atuar no 139º Esquadrão, do 454º Grupo de Bombardeio, baseado no campo de San Giovanni, próximo a cidade de Cerignola.

Durante o trajeto para a Europa o Tenente Emil esteve no Brasil, mas não em Natal. Seu trajeto passou pelas cidades de Belém e Fortaleza, onde guardou boas lembranças. “Não era para ter conhecido Natal na época da guerra, mas foi para cá que optei por viver e me casar”.

Os B-24 que transportavam radar eram diferentes das outras aeronaves deste modelo. Era retirada a torre de metralhadora no formato de bola, que se encontrava na parte inferior do quadrimotor, para a colocação de um domo de radar. Devido à configuração deste radar, com as antenas em formato de “orelhas de rato”, estes B-24 eram conhecidos como “Radar Mickey”. Estes aviões especiais transportavam 11 pessoas, ao invés de 10, que era o número normal de tripulantes de um B-24.

No 454º Grupo de Bombardeio havia uma seção específica de pessoas que trabalhavam com sistemas de radar. Quando Emil era escolhido para uma missão de bombardeio, ele me disse que ficava extremamente focado em seu trabalho. Porque ele sabia que qualquer erro podia comprometer todo o grupo de aeronaves e suas tripulações.

De abril a setembro de 1944 o Tenente Emil participou de 38 missões sobre a Europa ocupada. Em uma delas, atacaram a fábrica da Messerschmitt, em Bad Voslau, na Áustria. O bombardeamento desta estratégica unidade fabril rendeu ao 454º Grupo de Bombardeio uma citação do presidente dos Estados Unidos e o Tenente Emil estava lá.

Mas no dia 13 de setembro de 1944, quando na sua 39º missão, a de número 117 do grupo, cujo objetivo era uma refinaria na cidade alemã de Odertal, seu B-24J foi atingido pela artilharia antiaérea. O comandante da nave, o Capitão Allen Leroy Unger tentou retornar à Itália. Próximo à cidade de Modra, no atual território eslovaco, Emil e seus 10 companheiros tiveram de saltar de paraquedas.

Ninguém morreu, mas a maioria foi capturada, entre estes o Tenente Emil. Todos foram levados para o campo de prisioneiros
Stag Luft III, em Sagan (atual Zagan, na Polônia) e o sofrimento foi grande. Depois de quatro meses como prisioneiro de guerra neste campo, as tropas russas estavam avançando a partir do leste e começaram a se aproximar do campo. Segundo os livros relativos à Segunda Guerra Mundial, Adolf Hitler mandou evacuar Stalag Luft III, pois além de não querer que estes 11.000 aviadores Aliados fossem libertados pelos russos, havia a intenção de utilizá-los como reféns.

A saída do campo se deu entre 27 e 28 de janeiro de 1945. Emil lembra que era uma noite muito fria quando os alemães lhe ordenaram a pegar o que pudesse para marchar para outro campo. A caminhada foi realmente terrível, pois estes prisioneiros já estavam bem debilitados e havia muita neve e frio. Seguiram para um lugar chamado Spremberg, em quase 100 quilômetros de marcha forçada.

Em 31 de janeiro os homens seguiram para o Stalag Luft VIIA, em Moosburg. Durante dois dias de viagem, os aviadores foram levados em vagões de transportar gado. As necessidades fisiológicas eram feitas ali mesmo, em pé e para dormir tinham que escorar-se uns nos outros; a viagem durou dois dias. Moosburg era uma verdadeira pocilga, onde os alemães amontoaram mais de 140.000 prisioneiros Aliados, entre estes alguns brasileiros.

Finalmente os prisioneiros foram libertados pelos soldados da 14ª Divisão Blindada, do 3º Exército dos EUA, comandado pelo
General George Patton.

Para o veterano residente em Natal, a lição mais importante da guerra foi a “falta de justificativas para a violência”, que no seu entendimento ainda não foi aprendida pela humanidade.

Depois de retornar aos Estados Unidos, Emil tentou ingreassar na Universidade de Lincoln, sem sucesso. Foi então trabalhar em uma empresa de construção da família. Mas este americano de origem eslava, de profunda devoção católica, decidiu trabalhar como um voluntário em obras assistenciais na América Latina, através de um programa criado pelo Papa João XVIII.

O destino o trouxe a Natal em 1963, onde conheceu Dom Eugenio de Araújo Sales (na época Bispo de Natal) e se incorporou no programa SAR – Serviço de Assistência Rural.

Emil teve oportunidade de conhecer o sertão potiguar, os aspectos ligados aos trabalhadores rurais nordestinos e veio a ser casar com a assistente social Célia Vale Xavier da cidade de Caicó. Chegaram a adotar a jovem Maria Isabel, mas a mesma faleceu de uma rara doença em 1984.

Nos últimos anos surgiu no veterano a vontade de contar sua história, principalmente depois do falecimento de sua esposa.

O autor deste artigo havia sido um dos realizadores do livro “Os cavaleiros dos céus – A saga do vôo de Ferrarin e Del Prete”, que narra a história da primeira travessia sem escalas entre a Europa e América do Sul, realizada pelos pilotos italianos Arturo Ferrarin e Carlo Del Prete, em 1928. Emil, um grande leitor de aviação, gostou do livro e me convidou para escrever sua biografia.

Desde o primeiro semestre de 2010 iniciamos a fase de entrevistas, daí seguimos para fazer contato com pessoas e entidades nos Estados Unidos e na Eslováquia. Depois partimos para a análise de suas cartas e de sua esposa, Célia Vale Petr. Outras fontes são seus apontamentos compilados em um diário, muitas fotos, além do livro da sua formatura como oficial navegador, o livro oficial do seu esquadrão (publicado em 1946) e outras fontes.

Justamente por esta relação junto aos potiguares o livro vai se chamar “Why? – O encontro de duas culturas”, pois era muito comum Emil ter de responder as pessoas de Natal a razão de ter escolhido esta cidade para viver.

O lançamento do livro está previsto para abril de 2011.

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>>Veterano agradece o carinho em carta
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>>Bate-papo com o veterano - Cel. Ashland responde
>>Fuzileiro Sid Phillips reconta sua vida em livro
>>Jerry Yellin honrado por livro sobre a guerra
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