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quarta-feira, 30 de junho de 2010

O futebol sob a Alemanha Nazista


O futebol sob a Alemanha Nazista


O alcance do regime totalitário nazista alcançou todas as instituições da sociedade alemã, incluindo suas ligas de futebol. A maioria dos esportes e associações esportivas foram debandadas e substituídas por organizações patrocinadas pelo partido. Para juntar-se à um clube, um jogador precisava de duas recomendações para ser permitido jogar. O Comitê Nacional de Futebol perdeu sua independência e foi assimilado ao Deutscher Reichsausschuss für Leibesübungen (Comitê de Educação Física do Reich – DRL).

Sob Hans von Tschammer und Osten como Reichssportsführer, as antigas organizações esportivas independentes se tornaram departamentos da nova organização. Como na maioria da sociedade alemã da época, associações esportivas e times de futebol passaram por expurgos de judeus dentro dos seus quadros. Alguns clubes, como o Alemannia Aachen e o Bayern de Munique, realizaram protestos para proteger seus membros frente a essas ações.

O futebol foi reorganizado em dezesseis “Gaue”, ou regiões, na Gauliga, que existiu entre 1933 e 1945. O efeito geral foi positivo para o futebol alemão. Antes de 1933, quase 600 clubes competiam na primeira divisão. A reorganização reduziu esse número para 170 e aumentou significativamente o nível da competição. Esse foi o início de um processo de consolidação de uma série de ligas regionais que culminavam numa fortificada e unida liga nacional. A Copa Alemã foi introduzida em 1935. Conhecida inicialmente como Tschammerpokal, ou “Taça Tschammer”, o primeiro campeão foi o Nuremberg FC. A copa foi realizada até 1943; em 1953 ela retornou, com um nome diferente.

O período pré-guerra assistiu o retorno de um número de times alemães que disputavam a liga amadora no Sarre, uma região alemã ocupada pelos franceses desde o fim da Primeira Guerra Mundial. Alguns desses times jogavam na segunda divisão do Campeonato Francês, incluindo o Saarbrücken FC, que valorosamente ganhou o título da divisão mas teve negada sua promoção à primeira divisão.

O Schalke FC dominou o futebol durante o período nazista, e frequentemente era usado como peça de propaganda para a Nova Alemanha. Com o Reich expandindo-se com as conquistas territoriais, times da Áustria, Polônia, Tchecoslováquia, Alsácia-Lorena e Luxemburgo foram incorporados à Gauliga. Após a anexação da Áustria, o Rapid Wien – de Viena – conquistou a Tschammerpokal em 1938 e o Campeonato Alemão em 1941, ganhando do Schalke por 4 x 3 na final.

Durante a guerra, o futebol foi usado para elevar o moral da população e era apoiado pelo regime. Muitos times eram patrocinados pela Luftwaffe, SS e outras organizações militares. Quando a maré da guerra virou contra os alemães, a Gauliga começou a ruir, já que os jogadores foram chamados para o serviço militar ou foram mortos em ação, estádios foram bombardeados e viagens se tornaram difíceis. As dezesseis regiões originais da Gauliga foram divididas em trinta circuitos menores e mais locais. O nível das partidas deteriorou-se e resultados absurdos se tornaram comuns, com o recorde sendo uma vitória de 32 x 0 do Germania Mudersbach contra o Engen FC.

O campeonato 1943-1944 foi inicialmente cancelado, mas eventualmente foi realizado após massivos protestos. O de 1944-1945 foi iniciado menos de duas semanas depois da conclusão do anterior, ao invés do tradicional descanso trimestral do verão. A última partida registrada no Terceiro Reich aconteceu em 23 de abril de 1945, com o Bayern de Munique derrotando o 1860 de Munique por 3 x 2. Menos de três semanas depois, a Alemanha se renderia incondicionalmente.

Fonte: Lazacode, 28 de junho de 2010.

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terça-feira, 29 de junho de 2010

Nota de Falecimento: Austin Clapham


Austin Clapham
(28/08/1914 - 21/06/2010)

Faleceu no último dia 21 de junho em Salisbury, Inglaterra, de causas naturais aos 95 anos de idade, o veterano do cerco de Tobruk, Tenente-Coronel Austin Clapham.

Nascido em Allonby, Cumberland, Clapham foi comissionado na Artilharia Real em 1936, e com a mobilização que se seguiu ao início da guerra, foi designado para o 51º Regimento de Campo. Sua bateria foi integrada à "Ruperforce", uma força britânica que desembarcou em Harstad, na Noruega, em abril de 1940, para recapturar o porto de Narvik. Após o bem-sucedido contra-ataque das forças alemãs sob Eduard Dietl, os britânicos recuaram e chegaram ao porto de Bodo. Após destruir seus canhões, Clapham embarcou no último destróier da Royal Navy a deixar o porto.

Enviado para o Norte da África com sua unidade em fins de 1940, Clapham tomou parte na ofensiva de Richard O'Connor contra as forças italianas de Rodolfo Graziani em dezembro - prosseguindo até El Agheila no começo de fevereiro de 1941. Contudo, no mesmo mês deu-se a chegada do Afrika Korps à Líbia, e Rommel imediatamente iniciou uma ofensiva contra os ingleses. Avançando ousadamente, os alemães chegaram à fronteira egípcia, deixando para trás o ainda fortificado porto de Tobruk. Como a posição podia facilmente ameaçar a retaguarda do Eixo, Rommel iniciou um cerco que duraria seis meses. Dentro de Tobruk, Clapham, que era oficial de observação do 51º Regimento (dando apoio de artilharia para a 9ª Divisão Australiana), estabelecera um posto de observação em Ras El Medauar, nos perímetros da zona defendida. Contudo, em 30 de abril, o responsável pelo posto ligou dizendo que estava sob pesado fogo de artilharia. Clapham e um de seus homens foram à pé verificar a situação. No meio do caminho ele ligou para o posto: o telefone foi atendido por um alemão. À meia-noite ele viu-se cercado e encurralado na terra de ninguém, enquanto a infantaria alemã atacava com apoio de 60 tanques. Mesmo numa situação desesperadora, Clapham estabeleceu um novo posto de observação chamou suporte concentrado de artilharia, que desbaratou o ataque com pesadas perdas.

Por essa ação, Clapham foi condecorado com a Military Cross, sendo também evacuado de Tobruk devido aos seus ferimentos. Em 1943 ele retornou para a Inglaterra e foi enviado para o Supremo Quartel-General Aliado (SHAEF), onde foi responsável por substituir todos os oficiais (inclusive superiores) que não tinham experiência de campo. Em seguida, ele serviu no estado-maior de Dwight Eisenhower até o fim da guerra.

A partir de 1946, Clapham ocupou uma série de posições de estado-maior, até que aposentou-se em 1967. Um ávido praticante de golf em sua aposentadoria, Austin Clapham era viúvo; ele deixa dois filhos e uma filha.

Artilharia britânica dentro de Tobruk.

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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Comandante de submarino comemora seus 100 anos


Comandante de submarino comemora seus 100 anos


O submarinista, marinheiro e autor Comandante Bill King celebrou seu 100º aniversário com amigos, família e vizinhos em Oranmore, ao sul de Galway, em 25 de junho.

O Comandante King, o mais velho comandante de submarino da Segunda Guerra Mundial ainda vivo, dançou uma versão de “Sweet Jenny” na real data do seu aniversário, 23 de junho, em sua casa, no Castelo Oranmore.

Tivemos um carneiro no espeto, lagosta e música”, disse sua filha, a artista Leonie King. “Ele se animou para a ocasião, então tivemos uma boa festa clássica pela madrugada”. Juntando-se à eles estavam seu filho Tarka, os netos Cian e Heather, sobrinhos e primos.

Uma festa maior, para a comunidade, foi realizada no dia 25, onde foi exibida uma comenda náutica que King recebeu recentemente.

O Comandante King também é detentor da Medalha Blue Water, presenteada pelo Cruising Club of America. Ele a ganhou por ser o primeiro marinheiro irlandês a circunavegar o globo sozinho – a bordo do seu iate Galway Blazer II – depois de diversas tentativas e uma dramática colisão com uma baleia.

Ele também foi altamente condecorado por seu serviço militar. King foi criado pela mãe na Inglaterra, já que seu pai fora morto na Primeira Guerra Mundial. Com apenas 12 anos, ele foi enviado para o Real Colégio Naval em Dartmouth, onde chicotadas eram frequentemente utilizadas como incentivo ou punição. Ele foi enviado ao mar aos 17 anos, treinando no couraçado HMS Resolution, no Mediterrâneo.

No entanto, a vida de “ar fresco” que ele esperava foi substituída pelo claustrofóbico confinamento dos submarinos. Ele tinha 29 anos quando embarcou em sua primeira missão. Mais tarde, ele descreveu o mundo “limitado pelos mapas, periscópio e ponte de comando”, com constante cheiro de “óleo diesel, cloro e corpos sujos”.

O Comandante King mudou-se para a Irlanda após a guerra com sua (agora já falecida) esposa Anita Leslie. Leslie foi condecorada por seu trabalho como motorista de ambulância junto ao Exército Francês. O casal comprou o Castelo Oranmore em 1945.

Seis anos atrás, o filho e o neto de um japonês que fora vítima de seus torpedos durante a guerra, encontraram-se com o King em sua casa e marcaram a reconciliação plantando uma macieira.

Fonte: The Irish Times, 25 de junho de 2010.

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sexta-feira, 25 de junho de 2010

Civil de Okinawa relembra batalha


Civil de Okinawa relembra batalha


Quando ainda uma criança vivendo em Okinawa, Seiei Kiyuna aprendeu que os americanos eram maus.

Mas ao fim da Batalha de Okinawa – a mais sangrenta do Pacífico na Segunda Guerra Mundial – ele passaria a pensar diferente.

A guerra no Pacífico estava no auge 65 anos atrás, quando o irmão mais velho de Kiyuna, Seiji, então com 17, juntou-se à Marinha Imperial para se tornar um piloto kamikaze. O então pequeno Seiei, de 12 anos, tinha esperanças de um dia também se tornar um soldado para que, também, pudesse combater os americanos.

Seiei Kiyuna, que juntamente com seus pais e sete irmãos vivia numa área que agora é parte de Camp Foster (base norte-americana em Okinawa), lembra-se que todos queriam fazer sua parte.

Era natural cooperar e dar suportes às nossas tropas imperiais”, disse recentemente, aos 77 anos de idade.

Quando os metais foram necessários para fabricar balas, ele disse, o povo de Okinawa contribuiu com tudo que podia, incluindo potes e panelas.

Não havia dúvida de que o Japão seria vitorioso, ele relembrou.

Mas aquele sentimento logo mudaria após um ataque aéreo Aliado em outubro de 1944, que transformou Naha, a capital da ilha, em cinzas.

Com os desembarques de forças inimigas chegando no fim de março de 1945, a família Kiyuna e dezenas de milhares de outras pessoas foram ordenadas a evacuar o norte da ilha.

Para evitar os ataques aéreos, disse Kiyuna, eles se escondiam em arbustos de dia e caminhavam por toda a noite.

Em 1 de abril, o primeiro grupo de forças Aliadas desembarcou na costa oeste de Okinawa, forçando a família Kiyuna a fugir para as montanhas.

Comíamos aquilo que podíamos – trepadeiras, sementes de plantas, amoras, ostras”, lembrou-se. “Qualquer coisa que nos enchesse o estômago”.

Em meados de abril, um grande número de tropas Aliadas avançava para o sul. Milhares de civis e tropas imperiais os esperavam em seus esconderijos. Civis foram levados para campos de refugiados, enquanto os soldados foram levados para campos de prisioneiros.

Mas muitos se recusaram a render-se.

Nos disseram que quando nos capturassem, as mulheres seriam estupradas e os homens brutalmente assassinados”, disse Kiyuna.

Ser capturado pelo inimigo era pior que a morte em si, era a opinião da maioria. Foi sob essas circunstâncias que suicídios em massa ocorreram, e as pessoas saltaram de abismos para suas mortes.

Um dia, cinco americanos apareceram subitamente no esconderijo montanhoso dos Kiyunas, não dando tempo para que a família fugisse.

Fiquem parados, ou seremos fuzilados”, alertou o pai de Seiei, professor da escola primária.

Com o esconderijo agora incendiado, seu pai ainda voltou para recuperar o ihai da família (tábuas com os nomes dos ancestrais familiares) e fotos da família e estudantes.

Um soldado nipo-americano os urgiu em japonês para que descessem pela margem do rio até um local seguro.

Enquanto seguíamos o rio, chegamos a um lugar onde uma rocha bloqueava nosso caminho”, disse Kiyuna.

Eles teriam que entrar na forte correnteza. Mas os soldados americanos então fizeram algo que espantou Kiyuna. Eles o carregaram, bem como seus dois irmãos mais novos, nas costas, e atravessaram a água.

Kiyuna não pôde acreditar que isso estava acontecendo.

Ele foi ensinado na escola que os americanos eram monstros sem misericórdia. Mas os de olhos azuis na frente dele eram gentis, e o jovem soldado que o carregou ficava falando com ele, para diminuir seu nervosismo.

Não demorou e seu pequeno corpo parou de tremer.

O medo naquele momento em que ele me pegou logo se tornou um grande alívio”, lembrou-se. Após uma longa caminhada, eles chegaram a Kushi, onde milhares de refugiados estavam reunidos. O pai de Kiyuna logo reconheceu alguns dos seus estudantes – muitos usando uniformes esfarrapados e sujos de sangue, mas com alegria nos olhos pelo reencontro.

A partir daquele dia, disse Kiyuna, ele olhou para os americanos de forma diferente. Enquanto estava no campo de refugiados, ele seguiu os soldados americanos na esperança de aprender inglês.

Após a luta terminar no norte, pesado combate continuou no sul até 23 de junho de 1945, quando a resistência organizada do Exército Imperial encerrou-se com a morte do Tenente-General Mitsuru Ushijima.

Mais de 200.000 morreram na ilha durante a batalha, que durou menos de três meses. O irmão mais velho de Kiyuna voltou para casa após a guerra, que terminou antes que sua missão kamikaze pudesse ser realizada.

Ele nunca aceitou a derrota”, disse Kiyuna sobre o irmão, que se tornou um alcoólatra e morreu aos 25 anos.

Kiyuna, no entanto, freqüentou a escola de inglês após terminar seu ensino médio, e conseguiu um emprego junto à Força Aérea Americana. Ele mais tarde conheceu sua esposa em uma das bases americanas nas quais trabalhou, e hoje é pai de três filhos.

O fim da guerra para mim foi o encontro com os americanos, que abriram minha visão para o mundo”, confessou.

Fonte: Stars and Stripes, 23 de junho de 2010.

Okinawa logo após a batalha, em 1945.

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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Possíveis diários de Mussolini serão revelados


Possíveis diários de Mussolini serão revelados

O ditador fascista Benito Mussolini escondeu diários secretos em uma colina italiana e ordenou que não fossem abertos até 2025, disse o filho do homem que os escondeu.

Há rumores de que Mussolini, que governou a Itália de 1922 até sua execução por partisans em 1945, manteve diários secretos que poderiam detalhar a extensão de sua relação com o Primeiro-Ministro inglês Winston Churchill.

Há até mesmo uma teoria entre historiadores italianos de que ele foi executado como parte de um complô do MI6 para evitar desconforto britânico com possíveis revelações da relação entre Il Duce e Churchill.

Rocco Della Morte, filho de Guglielmo Della Morte – que durante a guerra foi cônsul em Berlim – disse que em abril de 1945 seu pai encontrou Mussolini em Milão, recebendo dele uma pasta lacrada.

Della Morte disse que a pasta estava cheia de diários e outros documentos: “Meu pai me disse que foi chamado a Milão em abril de 1945, e lá Mussolini deu-lhe uma pasta. Ele me disse que Il Duce falou que não era para ser aberta até 2025”.

Guglielmo então guardou a pasta em uma caixa. “A caixa tem as iniciais BM e está fechada por um cadeado. Meu pai presumiu que continha diários e documentos, e não dinheiro, porque Mussolini disse para não abri-la por 80 anos”, disse Della Morte, que também revelou que a caixa foi enterrada em um vale próximo da vila de Campodolcino, perto da fronteira italiana com a Suíça.

Mesmo depois da guerra, aconteceu uma tentativa de assassinato contra meu pai – provavelmente conectada com a pasta, cuja existência ele me revelou em 1954, quando completei 18 anos. Ele me pediu para guardar segredo e não abri-la até 2025, mas agora estou com 74 anos e ainda há mais 15 anos até o prazo. Não sei se estarei vivo até 2025, é por isso que estou contando a história agora”.

Todo ano eu checo a pasta, que está numa caixa de zinco, e ainda se encontra aqui, no Vale de Spluga. Embora eu me sinta obrigado a respeitar a promessa que fiz ao meu pai, já providenciei para que a pasta seja aberta e seu conteúdo publicado”.

Mariano Vigano, historiador de Mussolini, disse: “Eles podem ser genuínos, mas até que sejam examinados temos que ser cautelosos; a prudência deve prevalecer até que sejam autenticados”.

O Professor Christopher Duggan, da Universidade de Reading, disse: “É possível que esses documentos e diários tenham sido entregues a alguém na época. Havia muito material rodando na Itália em abril de 1945. Se forem verdadeiros, será interessante encontrar alguma correspondência com Churchill”.

Em 1940, Churchill estava muito empenhado em convencer Mussolini a não entrar na guerra, e pode ter existido todo tipo de promessas e ofertas britânicas. Isso leva à especulação se Mussolini foi realmente assassinado pela Inteligência Britânica para prevenir um embaraço internacional”.

Fonte: Daily Mail, 19 de junho de 2010.

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quarta-feira, 23 de junho de 2010

França usa discurso de de Gaulle para esconder passado


França usa discurso de de Gaulle para esconder passado


A França está tentando esconder seu passado colaboracionista marcando as celebrações do 70º aniversário do discurso de Charles de Gaulle para resistir ao nazismo, disse um eminente historiador.

Jean-Pierre Azéma, um respeitado autor de uma dúzia de livros, disse estar preocupado que verdades inconvenientes sobre o passado de guerra da França estejam sendo escondidas em meio a um surto de patriotismo com o discurso de de Gaulle, feito em Londres em 18 de junho de 1940.

Ele disse que o fervor em torno do aniversário do discurso tenta ampliar os feitos de de Gaulle, quando o homem da hora era, na verdade, Winston Churchill.

A história está sendo usada como uma ferramenta política num conto de fadas nacional”, disse Azéma, acrescentando que a vasta maioria dos franceses pouco se importava com o General de Gaulle quando ele fez seu apelo na BBC – um dia após Philippe Pétain, um marechal francês, anunciar o armistício com os invasores alemães.

Dezenas de eventos estão sendo realizados pela França para lembrar o discurso, no qual de Gaulle declarou: “O que quer que aconteça, a chama da resistência francesa não deve e nem será extinta”. O Presidente Nicolas Sarkozy visitou Londres para marcar o aniversário e também visitou o Mont Valérien, o memorial da Resistência Francesa perto de Paris.

Em Londres, ele visitou o estúdio B2 da BBC, de onde de Gaulle fez seu discurso, e também seus escritórios durante a guerra – antes de se encontrar com o Príncipe de Gales e o Primeiro-Ministro David Cameron.

Mas Azéma disse que o público francês deve ser lembrado que o reverenciado apelo de de Gaulle passou quase despercebido na época, e que não foi visto como uma salvação para a maioria da população.

De Gaulle era então visto como um emigrante, uma figura dissonante que havia deixado a França”, disse Azéma. “O homem da hora era Pétain”, um herói de Verdun, na Primeira Guerra Mundial. Após anunciar a rendição, ele foi eleito chefe de estado pelo Parlamento francês para fazer a paz com a Alemanha. Mas após a guerra ele foi taxado de traidor colaboracionista e encarcerado pelo resto da vida.

Pouquíssimas pessoas escutaram o apelo de de Gaulle porque milhões de refugiados franceses estavam em pleno êxodo. Nas estradas, eles tinham mais o que fazer do que escutar a BBC”, disse. O chamado às armas de de Gaulle foi publicado junto com outras notícias em uns poucos jornais provinciais.

Pétain, em 17 de junho de 1940, anunciou a rendição francesa pelo rádio, dizendo: “É com o coração pesado que eu digo-lhes hoje que a luta deve cessar”.

Sua decisão foi recebida com alívio pela maioria dos franceses.

No mesmo dia que Pétain anunciou a rendição, de Gaulle estava em Londres encontrando-se com Churchill, que era, segundo Azéma, o verdadeiro mandatário e “homem do destino”.

De Gaulle se tornou um homem da história porque um homem o escolheu, deu-lhe acesso à BBC e superou a resistência do gabinete de guerra; esse homem foi Churchill”, concluiu.

Fonte: The Telegraph, 16 de junho de 2010.

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terça-feira, 22 de junho de 2010

Nota de Falecimento: Marcel Bigeard


Marcel Bigeard
(14/02/1916 - 18/06/2010)

Faleceu no último dia 18 de junho em Toul, na França, de causas naturais aos 94 anos de idade, um dos mais condecorados soldados franceses da história, Tenente-General Marcel Bigeard.

Nascido em Toul, no nordeste da França, Bigeard trabalhava em um banco ao ser chamado para o serviço militar em 1939, sendo designado para o 79º Regimento de Infantaria de Fortaleza. Provando-se um excelente soldado, Bigeard foi rapidamente promovido, mas com a invasão do país pela Alemanha, ele foi capturado em junho de 1940. Após duas tentativas frustradas, Bigeard escapou do campo de prisioneiros em 11 de novembro de 1941, conseguindo chegar à África e se juntar à Forças Francesas Livres. Enviado para a Inglaterra para receber treinamento em operações especiais, ele saltou sobre a França em 1944 para liderar um departamento da Resistência Francesa na região de Ariège, na fronteira com a Espanha. Bigeard se mostrou um destemido líder em combate, e certa vez emboscou um numeroso grupamento alemão com apenas uns poucos homens, sendo condecorado pelos ingleses com a Distinguished Service Order.

Em outubro de 1945, Bigeard foi enviado à Indochina Francesa, sendo responsável por restaurar a influência do país na colônia, após a ocupação japonesa. Lá ele criou o 6º Batalhão Colonial de Paraquedistas, uma unidade reconhecida por sua capacidade física e ferocidade em combate. Ele fazia seus soldados correrem 25 km por vez, para mantê-los em forma; também exigia que se barbeassem diariamente, não importando as condições, e distribuía cebolas cruas ao invés da tradicional ração de vinho, pois dizia que "o vinho reduz a estamina". Com o início da insurreição nacionalista do Viet Minh, os franceses começaram a perder terreno rapidamente, e em março de 1954 Bigeard e seus homens saltaram sobre a fortaleza de Dien Bien Phu para reforçar a guarnição local. Enfrentando forças numericamente superiores, ele liderou uma encarniçada resistência, inflingindo pesadas baixas ao inimigo. Contudo, a 7 de maio, a fortaleza se rendeu e Bigeard foi capturado junto com seus soldados. Ele recusou-se a esconder sua identidade, numa atitude típica de sua personalidade.

Repatriado seis meses depois, ele retornou ao serviço ativo, desta vez contra a crescente rebelião na Argélia. Durante o conflito, Bigeard comandou o 3º Regimento Colonial de Paraquedistas, participando de inúmeras operações, liderando sempre da frente. Bigeard desprezava os nobres "generais de meia-idade", que preferiam liderar de seus QGs na retaguarda, o que angariou para ele muita antipatia por parte do Supremo Comando das Forças Armadas. A ação pela qual tornou-se famoso foi a Batalha de Argel, em 1957, na qual ele foi responsável por destruir a Frente de Libertação Nacional da Argélia (FLN), no centro da cidade. Suas forças foram bem-sucedidas em neutralizar a resistência argelina através de patrulhas e o uso do que ele chamou de "interrogatórios musculares".

Embora não fosse realmente um segredo, o uso de tortura pelos franceses durante a Guerra da Argélia é tido como um tabu na França. Embora admitisse que a prática existia - considerando-a "um mal necessário", Bigeard sempre disse que nunca se envolveu pessoalmente. Ele justificou a tortura com base nos ataques com bombas perpetrados pela FLN contra civis franceses: "É fácil não fazer nada quando você vê mulheres e crianças com seus membros explodidos por bombas?" Apesar de negar seu envolvimento, uma argelina (ex-FLN) disse ao jornal Le Monde que foi torturada por três meses, e um dos mandantes era exatamente Marcel Bigeard. Outros depoimentos dizem que prisioneiros eram jogados no Mediterrâneo de helicópteros, e seus corpos eram conhecidos por "camarões de Bigeard". O velho general permaneceu negando tais alegações pelo resto da vida, dizendo que eram "uma rede de mentiras, destruindo tudo o que ainda é decente na França". Charles de Gaulle chamava-o de "O Heróico Bigeard", e condecorou-o com a Grã-Cruz da Legião da Honra, o grau supremo da mais alta condecoração francesa.

Após a voltar da Argélia, Bigeard recebeu o comando de uma escola militar. Em 1967 foi nomeado comandante das forças francesas no Senegal e, entre 1975 e 1976, serviu como Secretário de Estado do Ministério da Defesa. Ele aposentou-se em 1976 com a patente de Tenente-General e uma imensa lista de condecorações, além de uma reputação mundialmente famosa. O historiador inglês Martin Windrow descreveu-o como "um intuitivo mestre do terreno, que conseguia conduzir uma batalha por mapas e rádio como um maestro diante de uma orquestra". Marcel Bigeard escreveu 16 livros, entre memórias e manuais de técnicas anti-insurgência. É dito que o General americano David Paetreus, comandante das forças dos EUA no Iraque entre 2007 e 2008, mantém uma foto autografada de Bigeard em sua mesa.

O General Marcel Bigeard deixa sua esposa, Gabrielle Grandemange, e uma filha, Marie-France. De acordo com sua vontade, suas cinzas serão espalhadas sobre Dien Bien Phu.

General Bigeard, sua esposa e um grupo de seus veteranos que o visitaram em março de 2010.

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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Placa alemã lembrando ataque ao Altmark é doada a museu inglês


Placa alemã lembrando ataque ao Altmark é doada a museu inglês


Uma placa alemã capturada, celebrando um bucaneiro ataque da Marinha Inglesa durante a Segunda Guerra Mundial, foi doada para o Museu Nacional da Royal Navy na Doca Histórica de Portsmouth.

O Incidente Altmark foi um dos primeiros elevadores de moral para os britânicos, que viram um time de abordagem do destróier HMS Cossack liberar 299 prisioneiros ingleses do navio alemão Altmark em um fiorde norueguês.

Um navio de suprimentos para o famoso couraçado-de-bolso alemão KMS Graf Spee, o Altmark estava levando um grupo de prisioneiros da marinha mercante, que tinha recolhido como sobreviventes dos navios afundados pelo Graf Spee. Mas após o afundamento do couraçado na Batalha do Rio da Prata, em dezembro de 1939, o Altmark lentamente fez seu caminho de volta para casa – chegando às águas norueguesas em fevereiro de 1940.

Ao mesmo tempo uma pequena flotilha de destróieres ingleses zarpou da Escócia, oficialmente para realizar reconhecimento do Ártico. Após receber uma dica do adido naval britânico em Oslo, a flotilha do Capitão Vian liderou o cruzador HMS Arethusa e cinco destróieres para cercar o navio alemão em Jossinfjord.

Negociações com os noruegueses para que expulsassem o Altmark do fiorde falharam, então a Royal Navy resolveu agir por si própria e enviou um time do HMS Cossack para abordar o navio alemão.

Após um pequeno engajamento, que dizem ter envolvido baionetas e espadas, cinco alemães estavam mortos e muitos outros feridos. Um marinheiro inglês então abriu o porão do navio e gritou: “Tem algum inglês aí embaixo?”. Quando a resposta foi um sonoro SIM, as agora famosas palavras foram ditas: “Então subam, a Marinha está aqui”.

Seguindo-se à ocupação alemã da Noruega, uma placa comemorativa foi erigida pelos indignados alemães, dizendo: “Aqui, em 16 de fevereiro de 1940, o Altmark foi atacado por piratas ingleses”.

Paraquedistas ingleses capturaram a placa dupla em 1944 e deram um lado para o Almirante Vian em comemoração ao seu audacioso feito. Esta agora foi doada para o Museu Nacional da Royal Navy para exibição pública através da Associação do HMS Cossack.

Fonte: Culture 24, 14 de junho de 2010.

A placa, durante a ocupação alemã da Noruega.

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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Nota de Falecimento: Amedeo Guillet


Amedeo Guillet
(07/02/1909 - 16/06/2010)

Faleceu no último dia 16 de junho em Roma, Itália, de causas naturais aos 101 anos de idade, o "Lawrence da Arábia Italiano", "Comandante Diavolo", uma das grandes lendas vivas da Segunda Guerra Mundial, Generale di Cavalleria Barão Amedeo Guillet.

Nascido numa família nobre em Piacenza, na Emilia-Romagna, Amedeo era sobrinho de um General do Regio Esercito. Entrou para a Academia Militar de Modena e foi comissionado Sottotenente em 1931. Nomeado para Cavalaria de Monferato, ele provou-se um exímio cavaleiro, sendo nomeado para a equipe italiana de equitação que competiria nas Olimpíadas de Berlim em 1936. Contudo, com a invasão italiana da Etiópia, Guillet viu que seu dever principal era com a pátria, e não chegou a Berlim. Ele participou das primeiras batalhas a partir de outubro de 1935, sendo ferido em ação em dezembro. Com a rendição etíope em maio de 1936, Guillet foi à Trípoli ser condecorado pelo Maresciallo d'Italia Italo Balbo por sua coragem em combate, e foi responsável pela organização de uma parada para receber Mussolini. Em 1937 segue para a Guerra Civil Espanhola, onde destacou-se nas conquistas de Santander e Teruel, comandando uma unidade de tanques da Divisão "Fiamme Nere" e um grupo de cavalaria marroquina. Em 1939 é novamente transferido para a Líbia e depois para a África Oriental Italiana.

Lá, Guillet assume o comando de uma unidade de 1.700 homens, o Grupo Bande a Cavallo Amhara. Eram soldados etíopes, eritreus e iemenitas, comandados por oficiais italianos. Ele se mostra um líder cavalheresco, que respeita os soldados coloniais como quaisquer outros, e permite que pratiquem seus costumes. Sob sua liderança, a unidade jamais teve um caso de deserção, e os últimos grupos de rebeldes foram sendo apaziguados. Dessa forma, Amedeo ganhou de seus homens o apelido de "Cummandar es Sciaitan" - em italiano "Comandante Diavolo". Após o Duque de Aosta conquistar a Somalilândia Britânica em agosto de 1940, os ingleses montaram uma contra-ofensiva em janeiro de 1941. No dia 21, ele recebeu ordens de retardar em pelo menos 24 horas uma coluna blindada britânica que perseguia soldados italianos a caminho da fortaleza de Agordat. Equipados apenas com espadas, pistolas e bombas incendiárias, Guillet e seus homens fizeram uma carga de cavalaria contra os tanques ingleses, causando confusão generalizada e destruindo muitos veículos. Um oficial inglês descreveu o evento: "Quando nossa bateria entrou em posição, um grupo de cavalaria colonial, liderada por um oficial num cavalo branco, atacou-nos do norte, descendo das colinas. Com excepcional coragem esses soldados galoparam até trinta metros dos nossos canhões, atirando e jogando granadas, enquanto girávamos nossas torres disparando. Nossos disparos atingiam o chão sem explodir ou então explodiam os peitos dos cavalos. Para parar aquela loucura, tivemos que recorrer às nossas metralhadoras".

Após a rendição italiana em março, Guillet escondeu-se, sendo acobertado por seus fiéis eritreus. Ele livrou-se do uniforme italiano e assumiu uma identidade árabe, liderando por oito meses uma guerrilha que infernizou a ocupação inglesa. O Major Max Harari, da inteligência inglesa, foi ordenado a capturá-lo, e inclusive ofereceu uma grande recompensa por Guillet. Contudo, embora milhares de nativos soubessem quem ele era e onde morava, Amedeo nunca foi traído. No fim do ano ele consegue fugir para o Iêmen, onde passa um ano treinando a cavalaria nacional. Em junho de 1943, embarcou num navio da Cruz Vermelha e chegou à Itália, pouco antes do Armistício. Depois foi integrado à Inteligência Militar e realizou missões no norte do país, ocupado pelos alemães.

Após a guerra, Guillet entrou para a diplomacia e tornou-se embaixador no Egito, Iêmen, Marrocos, Jordânia e Índia, onde finalmente aposentou-se após uma prestigiosa carreira, indo morar na Irlanda. O jornalista Indro Montanelli escreveu: "Se ao invés da Itália, Guillet tivesse nascido sob o Império Britânico, teria se tornado um segundo Lawrence. Ao invés disso, é um General altamente condecorado que continua a criar cavalos na Irlanda apesar da avançada idade". Em 2000, Guillet foi condecorado com a mais alta honraria italiana, a Grã-Cruz da Ordem Militar da Itália. No mesmo ano, voltou uma última vez à Eritréia, onde foi recebido por seus velhos soldados como um herói. Há cerca de dois anos, Amedeo mudou-se definitivamente para Roma, e lá recebeu uma homenagem no Palazzo Barberini, ao completar 100 anos em fevereiro de 2009. Amedeo Guillet manteve-se ativo até seus últimos dias.

Amedeo Guillet num campeonato de hipismo, 1933.

NOTA: Foi com tristeza que recebi hoje pela manhã a notícia do falecimento do General Guillet. Através do meu amigo Pietro Montagna, tive a oportunidade de me corresponder com o General no ano passado, logo após ele completar seu centenário. Hoje, guardo como lembrança esta foto assinada por ele, em minha coleção. Amedeo Guillet era um dos últimos comandantes de cavalaria - senão o último - da Segunda Guerra ainda vivo, e representava uma era já há muito encerrada, a do soldado cavalheiro. Para saber mais sobre sobre ele, leia a biografia completa aqui na Sala de Guerra.

Un ultimo saluto, Generale!



Veja também:
>>Amedeo Guillet
>>La Leggenda del Comandante Diavolo
>>Sabres por Savoia
>>Filmes: Leão do Deserto
>>A Conquista da Somalilândia Britânica - Parte 1, Parte 2, Parte 3
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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Nota de Falecimento: Bill Holloman


Bill Holloman
(21/08/1924 - 11/06/2010)

Faleceu no último dia 11 de junho em Seattle, EUA, de complicações seguidas a um ataque cardíaco aos 85 anos de idade, o veterano piloto Tuskegee Tenente-Coronel William H. Holloman III.

Nascido em St. Louis, Missouri, Bill Holloman quis ser piloto desde a infância. Em agosto de 1942, logo ao completar 18 anos, passou nos testes para tornar-se um cadete da USAAF e foi enviado para a Base Aérea de Tuskegee, no Alabama, onde eram treinados os pilotos negros americanos. Ele graduou-se em setembro de 1944 e imediatamente enviado ao Teatro de Operações do Mediterrâneo, mais especificamente para a Base Aérea de Ramitelli, na Itália. Tendo sido treinado na pilotagem do P-40 Warhawk e P-47 Thunderbolt, Holloman teve que aprender a voar o P-51 Mustang na Itália, o que disse não ter sido nada difícil: "Até minha velha tia podia voar o P-51, de tão fácil que era".

Junto ao 99º Esquadrão do 332º Grupo de Caça, Holloman voou missões de escolta de bombardeiros e ataques ao solo, começando em fins de 1944. De acordo com ele, as tripulações brancas que voavam os bombardeiros eram perfeitos camaradas, e reconheciam o valor da escolta dos "Red Tails": "Eles sempre pagavam bebidas para nós. Éramos todos irmãos de armas na zona de combate". Holloman também questionou o fato alardeado de que os Tuskegee nunca perderam um bombardeiro para o inimigo durante suas escoltas: "A história dos Tuskegee é de superação das adversidades e discriminação - não de um histórico perfeito". Ao voltar para os EUA após a guerra, Holloman entristeceu-se ao ver que a camaradagem dos tempos de guerra ainda era barrada pela política segregacionista das forças armadas, o que somente mudou em 1948.

Em 1950, chamado para um tour de combate na Guerra da Coreia, Bill Holloman tornou-se o primeiro piloto negro de helicópteros da USAF. Em 1966, foi novamente chamado para combater no Vietnã, como piloto de inspeções e Diretor de Segurança de Voo. Ele aposentou-se em 1972, tendo completado quase 17.000 horas de voo. Formado em Administração e professor da Universidade de Washington, Holloman frequentemente dava palestras sobre sua experiência e a importância da igualdade racial, a última delas organizada por ele mesmo, em 30 de maio de 2010 no Museu do Voo em Seattle.

Bill Holloman no Museu de Aviação do Pacífico, fevereiro de 2008.

Veja tambémm:
>>Nota de Falecimento: Lee Archer
>>Nota de Falecimento: Luther Smith
>>Fernando Corrêa Rocha
>>Trailer: Miracle at St. Anna
>>O Tenente Longhini e o B-17G 44-8391
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quarta-feira, 16 de junho de 2010

Nota de Falecimento: Jacques de Saint Phalle


Jacques de Saint Phalle
(30/06/1917 - 15/06/2010)

Faleceu no último dia 15 de junho na França, de causas naturais aos 92 anos de idade, o piloto do Groupe de Chasse Normandie-Niemen, Jacques de Saint Phalle.

Nascido em Mazagan, no Marrocos, Saint Phalle chegou à Istres, na França, em 1937. Na primavera de 1939 ele iniciou o treinamento de voo com o Armée de l'Air, e foi brevetado em junho daquele ano em Nimes. Prosseguiu com o treinamento avançado em Avord e, transferido para a Argélia, entrou na escola de caças em Oran La Sénia. Quando a França assinou o armistício com a Alemanha, ele já tinha 150 horas de voo. Retornando à Istres, ele atuou como sentinela de hangar entre fevereiro de 1941 e maio de 1942, quando foi desmobilizado. Em abril de 1943, juntamente com o colega Henri Foucaud, Saint Phalle escapou da França passando pela Espanha e Portugal, chegando à Inglaterra e alistando-se nas Forças Francesas Livres.

Juntamente com Foucaud, Saint Phalle embarcou imediatamente para a União Soviética, onde juntaram-se ao Groupe de Chasse Normandie-Niemen - unidade de pilotos franceses que atuou no Front Leste voando caças Yakovlev - em agosto de 1943. Seguiu-se um período de intenso treinamento no Yak-9, no qual passou por alguns incidentes, devido à sua inexperiência com aeronaves de alta performance. Sua primeira missão operacional foi realizada, à seu pedido, na companhia de dois experientes pilotos, Henri Foucaud e Marcel Albert. Saint Phalle foi surpreendido por um Focke-Wulf Fw 190, que alvejou pesadamente seu avião. Lutando para manter o controle, ele conseguiu fazer um pouso de barriga; misteriosamente, Saint Phalle viu o caça alemão explodir no ar logo em seguida. No dia 17 de outubro de 1944, ele derrubou um Fw 190 sobre Trakehmen, na Prússia Oriental, e deixou a unidade em 12 de dezembro.

Após a guerra, Saint Phalle iniciou uma brilhante carreira como piloto comercial da Air France, tornando-se, na década de 70, o primeiro piloto da empresa a comandar um Boeing 747. Reconhecido como uma pessoa de extremo bom humor e cortesia, Jacques de Saint Phalle estrelou recentemente o documentário biográfico "Un Pilote Dans l'Histoire", dirigido por Juliette Goudot. A produção estreou na TV francesa às 21:30 de 14 de junho de 2010; o senhor Saint Phalle faleceu na manhã do dia seguinte. Jacques de Saint Phalle deixa esposa e filhos.

Saint Phalle (dir.) junto ao seu Yak-9 na União Soviética.

Trailer do documentário "Un Pilote Dans l'Histoire".

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Maurice Chauvet
>>Yakovlev Yak-9
>>Yaks em ação!
>>Bloch MB.152
>>Segunda Guerra Mundial: a França invade a Alemanha
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terça-feira, 15 de junho de 2010

Vala comum dos tempos de Stalin é descoberta


Vala comum dos tempos de Stalin é descoberta


Pelo menos 495 esqueletos, muitos dos quais com ferimentos a bala na cabeça, foram desenterrados em uma vala comum que provavelmente data da época dos expurgos do ditador Josef Stalin nos anos 1930, revelaram autoridades de Vladivostok.

Pelo menos 3,5 toneladas de ossos foram extraídas do local nas proximidades do porto de Vladivostok, na costa do Pacífico, após sua descoberta por trabalhadores que construíam uma estrada.

Milhões de cidadãos soviéticos foram executados ou morreram em campos de trabalho durante o governo de Stalin, dos anos 1920 até sua morte em 1953, mas a descoberta de valas comuns tem se tornado menos frequente após um surto de achados que se seguiu ao colapso soviético em 1991.

Especialistas estão checando a hipótese de que os corpos sejam de vítimas de Stalin.

Praticamente todos os esqueletos têm ferimentos a bala”, disse Yaroslav Livansky, chefe de um grupo de voluntários que ajudaram a escavar a vala.

Ele disse que dinheiro e roupas dos anos 1930 foram encontrados no local. Um crânio esmagado de criança foi descoberto perto de um pequeno bracelete decorado e uma sandália infantil.

Irina Fliege, pesquisadora-chefe do Memorial dos Direitos Humanos, que coleta informações sobre as matanças da era soviética, disse que não tem dúvidas de que as vítimas foram mortas pelas forças stalinistas.

Ela disse que muitos outros corpos podem ser encontrados nos terrenos adjacentes.

Isso acontece por todo o país, é impossível contabilizar corretamente”, disse. “Tudo o que podemos fazer é construir monumentos para honrar os mortos”.

Fonte: The Moscow Times, 11 de junho de 2010.

Veja também:
>>Massacre de civis alemães é revelado em vídeo
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>>Rússia libera documentos sobre Katyn
>>Corte rejeita processo do neto de Stalin
>>Stalin será celebrado como herói em Moscou
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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Documentário: MTM 548


"MTM 548" é a mais nova produção da Ronin Films. O protagonista deste documentário é o meu amigo Sergio Denti, mergulhador de combate da Decima MAS na Segunda Guerra Mundial. Considerado o mais jovem marinheiro na Regia Marina em 1942, Sergio envolveu-se em pesados combates no Mediterrâneo a bordo do torpedeiro RN Orsa, nos quais afundou quatro submarinos ingleses. Após o Armistício e a formação da RSI, foi pessoalmente convidado por Junio Valerio Borghese para a Decima MAS, eventualmente protagonizando a última ação bem-sucedida da unidade em abril de 1945 - pela qual foi indicado para a Medaglie d'Oro al Valor Militare.




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>>Sergio Denti
>>SLC Maiale
>>Licio Visintini
>>Nota de Falecimento: Gino Birindelli
>>Documentário: Lo Spirito del Serchio (trailers 2 e 3)
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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Davi e Golias na Batalha da Normandia


Davi e Golias na Batalha da Normandia


Ele tinha somente 1,60 m em suas botas do Exército, e suas pernas já estavam cansadas da batalha.

Mas o Cabo Bob Roberts sabia precisamente o que fazer quando ele e seus camaradas capturaram um alemão de 2,25 m: parecer grande.

O encontro de Davi e Golias entre o pequenino soldado Aliado e o gigantesco homem do Exército Alemão gerou um pequeno momento lúdico durante um dos mais ferozes combates da Segunda Guerra Mundial.

Quando Bob terminou de revistar o soldado procurando armas escondidas, até os outros prisioneiros estavam rindo – assim como os colegas de Bob e o gigante alemão.

Agora, a notável história do Pequeno e o Grande apareceu pela primeira vez, mais de 65 anos após seu encontro.

Bob, agora um bisavô de 87 anos, nunca viu o alemão novamente, mas sempre se lembra da bondosa expressão no rosto dele, quase um metro acima do seu no campo de batalha.

Na verdade ele tinha quase 2,30 metros”, disse Bob. “Eu acho que ele viu o lado engraçado daquilo. Ele obviamente já estava acostumado com a atenção – ele nos disse que era o homem mais alto do Exército Alemão. Tive a impressão que já era normal pra ele”.

Até aquele momento a coisa era letalmente séria. Tínhamos acabado de capturar cinco casamatas que estavam bombardeando Dover de onde estávamos em Calais, e tínhamos capturado 250 prisioneiros. Mas esse foi o que aliviou a tensão”.

Minutos antes, Bob foi forçado a fuzilar um oficial alemão, após ele fingir render-se e puxar uma pistola. Ao seu redor, muitos outros prisioneiros ainda estavam abaixando suas armas.

Então veio esse cara e tudo virou uma piada. Num momento eu estava a um passo da morte; no outro estávamos dando risada. Por sorte ele não fez nada de agressivo”.

A foto foi uma das muitas tiradas por câmeras capturadas dos prisioneiros pela inteligência.

Eu tinha outra foto de mim com esse grandalhão, de pé embaixo de seu braço erguido, mas a perdi alguns anos atrás quando nossa casa foi assaltada. Não acreditei quando vi essa foto após todos esses anos”.

Bob, que tinha 21 anos na época, estava servindo na Normandia com o Regimento North Shore New Brunswick, do Exército Canadense.

Ele estava entre as tropas que atacaram a praia Juno no dia Dia-D em junho de 1944. Ele ajudou a tomar um ninho de metralhadora alemão antes de participar do ataque em pinça para cercar um batalhão de soldados inimigos que disparavam grandes armas através do Canal da Mancha a partir das colinas de Calais.

Após quatro dias de cerco, eles levantaram uma bandeira branca. Bob liderou um time de sete soldados para receber a rendição. “Dezenas e dezenas deles saíam das casamatas e eu ficava gritando: ‘alguém aí fala inglês??’” Um oficial veio à frente então eu disse a ele que ordenasse seus homens a depor armas, para que eu pudesse revistá-los.

De repente ele pôs a mão no bolso e sacou uma pistola. Eu o atingi no olho e ele caiu. Não houve muitos problemas depois disso – nem mesmo com esse cara gigante”.

Bob prosseguiu lutando na Bélgica e Holanda até fevereiro de 1945, quando foi seriamente ferido por estilhaços.

Após a guerra ele casou-se com sua namorada inglesa Vera. O casal está prestes a celebrar seu 65º aniversário de casamento em sua casa em Bournemouth.

Não fosse pela fotografia e uma série de bizarras coincidências, o extraordinário encontro no campo de batalha teria se perdido na história.

O historiador amador Rob Smith, que tentava encontrar o antigo namorado de sua mãe durante a guerra, descobriu a fotografia em um obscuro arquivo.

Então ele encontrou Bob Roberts, do mesmo regimento, vivendo a apenas dois quilômetros de sua mãe em Dorset. Smith também descobriu que o prisioneiro alemão tinha sido um gigante de circo nos Estados Unidos antes da guerra.

Um major que serviu na companhia de Bob disse a Smith que o alemão falava “um excelente inglês”. Quando perguntado como aprendeu a falar a língua, ele disse que viveu em Nova Iorque, onde tinha trabalhado num circo. No entanto, quando sua nação entrou em guerra, ele foi convocado.

Fonte: Daily Mail, 10 de junho de 2010.

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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Campo de batalha perdido é encontrado – com corpos


Campo de batalha perdido é encontrado – com corpos


Um explorador australiano disse ter descoberto o local de importantes batalhas da Segunda Guerra Mundial nas selvas de Papua-Nova Guiné, completo com os restos mortais de soldados japoneses que caíram lá quase 70 anos atrás.

O ex-Capitão do Exército Brian Freeman, especialista na Trilha de Kokoda – um caminho de 60 minutos através de terreno montanhoso e floresta tropical na ilha – disse que descobriu o local da Batalha de Eora Creek, onde encontrou os restos dos soldados.

Acreditava-se que a área, a cerca de 800 metros da vila de Eora Creek, fosse o local da última grande batalha da campanha australiana contra os japoneses em Papua-Nova Guiné.

Embora o local fosse conhecido pelos nativos, a floresta escondeu-o após a batalha. Apesar do povo local caçar nos platôs que cercam a área, eles evitam entrar no campo de batalha, de 600 metros quadrados, por acreditar que os espíritos dos mortos ainda vagam por lá.

Isso significa que o local parece ter permanecido intocado desde 1942.

Em nossa expedição inaugural, esperávamos encontrar os restos de um hospital japonês improvisado e, potencialmente, relíquias de armas e munição. Nunca havia pensado em encontrar os soldados mortos”, disse Freeman.

Freeman esteve no local pela primeira vez em 23 de abril de 2010.

Foi como se o tempo tivesse parado. Encontramos uma trilha de munição no solo, disparada de um rifle que também encontramos no chão; provavelmente largado lá quando os japoneses avançaram por trás”, disse.

Ele disse que extensas pesquisas em mapas de batalha e diários os levou a acreditar que os japoneses tinham um pequeno hospital na área durante seu avanço, e sua localização permanecia um mistério até agora.

O time encontrou vasilhas em forma de rim no local, evidências de que de fato havia um hospital japonês por lá.

A presença de grandes valas retangulares, conhecidas como “valas de rifle”, também indicam a localização de uma significativa posição defensiva japonesa.

No entanto, foi a descoberta de um soldado japonês sentado encostado numa árvore, ainda com seu capacete e botas, que deu início à história humana do local”, revelou.

A Batalha de Eora Creek foi o mais custoso confronto da campanha de Kokoda, embora diferentes fontes citem diferentes números de baixas. O grupo de Freeman disse que 79 australianos morreram e 145 foram feridos, e o Memorial de Guerra da Austrália diz que 99 foram mortos e 192 foram feridos.

Freeman disse que está trabalhando com os respectivos governos para repatriar os soldados mortos e preservar o local em sua “primorosa condição atual”. Até lá, ninguém tem permissão de entrar no local.

Fonte: This Just In, 7 de junho de 2010.




Brian Freeman fala sobre sua descoberta.

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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Nota de Falecimento: Maurice Chauvet


Maurice Chauvet
(12/06/1918 - 21/05/2010)

Faleceu no último dia 21 de maio em Paris, de causas naturais aos 91 anos de idade, o veterano do Comando Kieffer, Maurice Chauvet.

Nascido em Le Gâvre, na Bretanha, Chauvet era aluno de artes quando irrompeu a Segunda Guerra Mundial, e ele imediatamente alistou-se na Marinha. Feito artilheiro no cruzador George Leygues, Chauvet inicialmente patrulhou o Atlântico à procura da Kriegsmarine. Após a invasão da França em maio de 1940, ele tentou juntar-se às forças navais em fuga da França Livre, mas não conseguiu e recebeu de Vichy uma condenação a dez anos de trabalhos forçados por deserção. Chauvet então tentou fugir para a Inglaterra via Espanha, mas foi capturado pela guarda civil espanhola e levado para o notório campo de concentração de Miranda de Ebro, no norte do país, onde permaneceu por 18 meses. Fugindo do campo, ele finalmente conseguiu chegar à Inglaterra em 6 de junho de 1943.

Chauvet alistou-se nas Forças Navais da França Livre, sendo enviado para duro treinamento na Escócia, onde comandos de diversos países europeus ocupados estavam sendo preparados para missões clandestinas. Chauvet lembrou-se que em muitas vezes treinou sob fogo real dos instrutores, o que causou muitas mortes precipitadas entre os aprendizes. Foi lá que Chauvet desenhou o emblema dos Fuzileiros Navais Franceses, um navio com uma adaga, ainda usado em suas boinas verdes atualmente. Ao completar o treinamento, ele tornou-se membro do Comando Kieffer, uma pequena unidade de fuzileiros navais sob comando do Comandante Philippe Kieffer.

Às 7:31h de 6 de junho de 1944, os 177 fuzileiros franceses de Kieffer desembarcaram na praia Sword, formando a extrema-esquerda da Operação Overlord. O comandante inglês da área, Lord Lovat, permitiu que os franceses fossem os primeiros a desembarcar em sua terra. Sob pesado fogo alemão, Chauvet e os outros rapidamente fizeram seu caminho até a Ponte Pegasus, fazendo a ligação com os paraquedistas que a haviam tomado na madrugada. Sobrepujando as metralhadoras e lança-chamas, Chauvet então capturou a cidade de Ouistreham, um dos objetivos principais da força de desembarque de Sword. Cinco dias depois do desembarque, ele foi seriamente ferido e evacuado para a Inglaterra, permanecendo em recuperação até o fim da guerra.

O pequenino Comando Kieffer foi a única unidade francesa a participar dos desembarques do Dia-D, porque os Alto-Comando Aliado não confiava em Charles De Gaulle com os planos de invasão. Os fuzileiros receberam de um almirante francês a permissão para desembarcar, e De Gaulle não foi informado. Mais tarde, ele negou aos homens de Kieffer a Ordem da Liberação alegando que eles eram "tropas britânicas".

Após a guerra, Chauvet trabalhou como artista e cineasta, e suas lembranças da batalha na Normandia foram extensivamente usadas na produção de "O Mais Longo dos Dias", no qual ele foi creditado como consultor técnico. Contudo, ele desentendeu-se com a produção, dizendo que ela estava "glamourizando" o Dia-D nas telas ao invés de mostrar a sombria realidade dos combates. Em 8 de maio de 2008, em Ouistreham, o presidente Nicolas Sarkozy cumprimentou os antigos "boinas verdes" e condecorou Chauvet com o grau de Oficial da Legião da Honra.

Nicolas Sarkozy cumprimenta Maurice Chauvet em maio de 2008.

Emblema dos Fuzileiros Navais Franceses, criado por Maurice Chauvet.

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>>Jean Accart
>>Liberação de Paris foi feita uma "vitória branca"
>>A Corrida por Paris
>>Gabriel Gauthier
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terça-feira, 8 de junho de 2010

Rússia encontra navio de munição alemão no Báltico


Rússia encontra navio de munição alemão no Báltico

Autoridades russas se preparam para remover um imenso arsenal de um navio alemão afundado na Segunda Guerra Mundial, na costa do Báltico.

Os destroços estão a apenas 1,5 km da praia, perto da cidade de Baltiysk, e a cerca de 20 metros de profundidade.

Mais de 10.000 cápsulas explosivas estão a bordo, mas sem detonadores, revelou um oficial do governo russo.

O trabalho de remoção pode levar dois anos, disse Maxim Vladimirov.

A operação, que envolve 18 mergulhadores, está programada para começar no fim do mês de junho de 2010.

Vladimirov, do Ministério de Emergências da Rússia, disse que os destroços já foram completamente estudados. Havia perigo potencial, ele disse, embora o navio afundado não esteja localizado em nenhuma rota de navegação.

Uma vez em terra, as cápsulas serão imediatamente explodidas por engenheiros em uma área militar.

Recentemente, uma bomba de 500 kg da Segunda Guerra Mundial explodiu na cidade alemã de Göttingen, matando três pessoas que estavam tentando desativá-la.

Baltiysk é uma cidade da região russa de Kaliningrado – um cenário de intensas lutas durante a guerra.

A área era parte da Alemanha antes de ser capturada pelo Exército Vermelho e incorporada à União Soviética ao fim da guerra em 1945. A população alemã local fugiu ou foi expulsa pelas forças soviéticas.

Fonte: BBC News, 3 de junho de 2010.

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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Pilotos japoneses celebram Midway no Havaí


Pilotos japoneses celebram Midway no Havaí


Veteranos da Segunda Guerra Mundial compartilham suas memórias da decisiva batalha no Pacífico.

Sessenta e oito anos atrás, após ter tomado parte no ataque a Pearl Harbor, o piloto da Marinha Imperial Japonesa Kaname Harada perseguia pilotos americanos sobre o Atol de Midway.

O caça Mitsubishi Zero de Harada derrubou cinco torpedeiros americanos. Mas a história estava se virando contra Harada – e contra o Japão.

O historiador Dan King disse que Harada decolou do porta-aviões Soryu, mas o navio foi atingido por aeronaves americanas e ele foi desviado para pousar no porta-aviões Hiryu.

Harada subiu na cabine de outro Zero e, logo após decolar, “olhou para trás e viu o Hiryu explodir”, disse King.

Os quatro porta-aviões japoneses que tinham atacado Pearl Harbor apenas seis meses antes foram afundados na Batalha de Midway, entre 4 e 7 de junho de 1942.

Após Midway, os Estados Unidos tomaram a ofensiva no Pacífico.

Harada, agora com 94 anos, e nove outros aviadores japoneses da Segunda Guerra Mundial, estava agora em uma missão diferente no Havaí – relatar a história da pivotal batalha para os antigos inimigos e agora aliados de longa data.

Os veteranos japoneses e seus familiares foram convidados de honra no Museu de Aviação do Pacífico em Pearl Harbor, para o Simpósio de Midway.

Isso é exatamente o que é o museu – um museu vivo”, disse o diretor executivo Ken DeHoff. “Vivemos numa era em que as histórias ainda podem ser contadas pelas pessoas que delas participaram. Então, ter um lado diferente da história aqui adiciona mais profundidade e riqueza ao nosso trabalho no museu”.

Mais de 100 pessoas, incluindo veteranos da Segunda Guerra Mundial dos Estados e Japão, visitaram o Atol de Midway para comemorar o 68º aniversário da batalha.

O Refúgio de Vida Selvagem Nacional do Atol de Midway pertence e é administrado pelo Serviço de Vida Selvagem e Pesca dos EUA. O Atol está a cerca de 2.000 quilômetros a noroeste de Honolulu.

Depois da comemoração em Midway, os veteranos japoneses visitaram Oahu.

Houve cerca de 2.500 baixas japonesas na Batalha de Midway. Os EUA tiveram cerca de 300 baixas.

Entre os membros da Associação Unabarakai de aviadores alistados presentes no Museu da Aviação do Pacífico, estavam Harada, Saburo Kawabe, Isamu Iwakura e Jiro Yoshida. Os últimos três têm 85 anos.

Falando com o auxílio de um intérprete, Harada disse que estava num dos aviões em 7 de dezembro de 1941, durante o ataque a Pearl Harbor.

King, o historiador que foi a Midway junto com os veteranos, disse que o Zero pilotado por Harada era pesadamente armado, mas tinha pouca proteção para o piloto.

É uma arma voadora, é isso que era”, disse King. A aeronave tinha canhões de 20 mm e metralhadoras 7,7 mm.

Harada graduou-se da escola de voo da Marinha Imperial como o melhor de sua classe em 1937, e esse feito foi tão notável que o Imperador presenteou-o com um relógio de bolso prateado, disse King.

Em 7 de dezembro de 1941, Harada voou patrulhas de combate sobre o Havaí e não participou dos ataque em Oahu.

Ele ficou furioso quando deram-lhe esse trabalho”, revelou King, lembrando que os pilotos japoneses favoreciam o ataque em detrimento da defesa.

Na Batalha de Midway, Harada derrubou as cinco aeronaves americanas e percebeu que ambos os porta-aviões, Soryu e Hiryu, tinham sido atingidos.

Ele então, com pouco combustível, fez um pouso forçado na água junto a um destróier japonês, que não parou. Harada passou quatro horas na água antes de ser avistado por outro navio japonês, sendo resgatado.

Harada foi derrubado e ferido em Guadalcanal, mas não antes de atingir 9 vitórias individuais e 10 compartilhadas.

Fonte: Honolulu Advertiser, 5 de junho de 2010.





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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Massacre de civis alemães é revelado em vídeo


Massacre de civis alemães é revelado em vídeo


Há muito se sabe que civis alemães foram vítimas dos excessos tchecos imediatamente após a rendição dos nazistas no fim da Segunda Guerra Mundial. Mas um vídeo recém-descoberto mostra um desses massacres em detalhes brutais. O vídeo deixou a República Tcheca em choque.

Por décadas as imagens ficaram esquecidas numa caixa de alumínio – quase 7 minutos de filme original em preto e branco, filmado com uma câmera 8 mm em 10 de maio de 1945, no distrito de Borislavka, em Praga, durante os confusos dias que se seguiram à rendição alemã.

O homem que fez a filmagem é Jirí Chmelnicek, um engenheiro civil e cinegrafista amador que viveu no distrito de Borislavka e queria documentar a liberação da cidade da ocupação alemã. Chmelnicek filmou tanques, soldados e refugiados pelas ruas. Então, em certo ponto, sua câmera pegou um grupo de alemães, que haviam sido expulsos de suas casas por soldados do Exército Vermelho e milicianos tchecos.

O filme de Chmelnicek mostra como os alemães foram agrupados em um cinema próximo, também chamado Borislavka. A câmera então mostra a lateral da rua, onde 40 homens e pelo menos uma mulher estão de pé de costas para as lentes. Uma pradaria pode ser vista ao fundo. Tiros são disparados e, um a um, todas as pessoas alinhadas caem mortas. Os feridos deitados no chão imploram por misericórdia. Então um caminhão do Exército Vermelho passa por cima, com seus pneus esmagando os mortos e feridos da mesma maneira. Depois, outros alemães podem ser vistos, forçados a cavar uma vala comum na pradaria.


Um choque para os tchecos

As trêmulas imagens mostram um evento que foi descrito inúmeras vezes por testemunhas e historiadores: a matança sistemática de civis alemães. Ainda assim, o filme foi um choque para os tchecos. “Até agora, não havia filmagem alguma dessas execuções”, disse o cineasta tcheco David Vondracek, que mostrou as imagens na TV. “Quando vi essas imagens pela primeira vez, senti que assistia uma transmissão ao vivo do passado”.

As únicas imagens anteriormente conhecidas haviam sido feitas por cinegrafistas da Força Aérea do Exército Americano. Mostra civis alemães feridos no chão em Plzen, na antiga Tchecoslováquia, no começo de maio de 1945. As imagens incluem alguns corpos, mas não mostra os assassinatos, do começo ao fim, como este novo filme.

O documentário de Vondracek sobre as atrocidades tchecas, chamado “Matança ao Estilo Tcheco”, foi levado ao ar pela televisão estatal tcheca dois dias antes de 8 de maio, aniversário da rendição alemã. A transmissão marca um ponto importante na conturbada relação do país com seu nem sempre agradável passado na Segunda Guerra Mundial.

Até mesmo organizações que representam os “Alemães dos Sudetos” – alemães étnicos que foram expulsos da Tchecoslováquia após o fim da guerra – tomaram conhecimento. Horst Seehofer, governador da Bavária, planeja uma viagem oficial à Praga, fazendo dele o primeiro a fazer isso desde a Segunda Guerra. “Isso é muitíssimo importante para os alemães dos Sudetos”, comentou Seehofer recentemente.

Vítimas de atos de vingança

Depois da derrota da Alemanha Nazista, os tchecos e o Exército Vermelho expulsaram cerca de 3 milhões de alemães étnicos dos Sudetos e do resto da Tchecoslováquia. No processo, cerca de 30.000 civis foram vítimas de atos de vingança. Somente uma ínfima percentagem deles estava envolvida com a ocupação. Alemães e tchecos haviam vivido lado a lado por décadas antes da anexação da Boêmia e Morávia em 1938, duas regiões que hoje constituem a maior parte da República Tcheca.

Ninguém sabe quem liderou a expulsão dos alemães de Borislavka, nem os crimes dos quais foram acusados. Foram certamente mortos por soldados do Exército Vermelho e talvez também pela “Guarda Revolucionária” – membros da milícia tcheca. Aqueles que dispararam os tiros também podem ter sido antigos colaboradores tchecos, que haviam trabalhado com os alemães e agora queriam limpar seus nomes com uma mostra de brutalidade anti-germânica.

Helena Dvoracková, filha do cineasta amador Chmelnick, foi uma das primeiras a ver as filmagens. Ela não se lembra que idade tinha quando o pai montou a tela de projeção e mostrou-lhe o filme. “Não me lembro se ele disse alguma coisa sobre isso – e realmente, não há muito o que dizer”, ela disse.


“Sob a pradaria”

Seu pai manteve o filme oculto em casa por décadas. A polícia comunista até mesmo os abordou – alguém desconfiara que a filmagem existia. A polícia perguntou sobre o filme e ameaçou Chmelnicek. Mas o cineasta não entregou os rolos. Ele queria que o mundo eventualmente descobrisse o que havia sido feito ao povo indefeso naquele dia de maio em Borislavka.

Dez anos atrás, muito depois da morte do pai, Helena Dvoracková ofereceu a filmagem a um conhecido historiador tcheco, mas ele manteve o filme escondido. “O povo me apedrejaria se eu mostrasse isso”, ele supostamente disse, e colocou o filme nos arquivos da televisão. Foi lá que o cineasta Vondracek o encontrou, após um operador de câmera que conhecia a família de Chmelnicek contar-lhe a respeito.

Hoje, Borislavka é um dos melhores subúrbios de Praga, e grama alta cresceu sobre a pradaria onde realizaram-se as execuções. Vondracek agora quer começar uma busca pela vala comum dos alemães. “Deve estar em algum lugar sob a pradaria”, disse.

Talvez esteja perto de um monumento a dois tchecos que caíram em batalha contra os nazistas em 6 de maio de 1945.

Fonte: Der Spiegel, 2 de junho de 2010.

Para assistir o vídeo, clique aqui. (Cuidado, as imagens são fortes)

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