Faleceu no último dia 13 de abril na Inglaterra, de causas naturais aos 89 anos de idade, um dos mais famosos pilotos da Batalha da Inglaterra,
Squadron Leader Basil Gerald "Stapme" Stapleton.
Nascido em Durban, na África do Sul, Stapleton foi educado na Inglaterra, no Colégio Rei Edward VI, em Devon. Em janeiro de 1939, ele juntou-se à RAF para um período curto de serviço, mas o início da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939 muda seus planos. Designado para o
603º Esquadrão, na base de Montrose, na Escócia, Stapleton viu seus colegas derrubarem a primeira aeronave alemã sobre a Inglaterra ainda em 1939. Durante a primeira fase da
Batalha da Inglaterra, o 603º permaneceu na Escócia, mas em 27 de agosto de 1940 o esquadrão foi transferido para 11º Grupo na base de Hornchurch.
Agora no centro da batalha, Stapleton - que era alto, loiro e usava um estiloso bigode - começou imediatamente a interceptar as formações da Luftwaffe que atacavam as bases da RAF. A perda inicial de alguns colegas foi um duro golpe para o esquadrão, mas Stapleton logo mostrou seu talento nos comandos do
Spitfire: em 3 de setembro derrubou um
Me 109 pilotado pelo
Oberleutnant Franz von Werra (que mais tarde tornou-se o único prisioneiro de guerra a fugir do Canadá e chegar à Alemanha). Em 7 de setembro ele foi alvejado sobre o Canal da Mancha e teve sorte ao conseguir levar o Spitfire até as praias inglesas, onde fez um pouso forçado. Ele relatou: "
Saí do avião e vi um casal fazendo pique-nique. Quando me aproximei, também veio um sargento que havia saltado de paraquedas. O casal nos ofereceu uma xícara de chá e uma carona, não para o aeroporto, mas para o bar mais próximo". Stapleton recebeu a
Distinguished Flying Cross em 15 de novembro e retornou com o 603º para a Escócia em dezembro. Durante seus três meses de combate, ele obteve
6 vitórias individuais e 2 compartilhadas.
Em março de 1941 ele passou a servir a bordo de navios no Atlântico, como piloto de
Hurricanes catapultáveis. Contudo, ele nunca avistou o inimigo nessas missões. Logo depois, ele recebeu o comando do
247º Esquadrão, que deu apoio às tropas na França a partir de agosto de 1944. Voando o
Hawker Typhoon, Stapleton realizou diversas missões de ataque com foguetes contra tropas alemãs, e participou ativamente da
Operação Market-Garden. No dia 23 de dezembro, enquanto atacava uma composição ferroviária, um dos seus foguetes atingiu um vagão de municões que explodiu violentamente à sua frente, danificando seu radiador e obrigando-o a saltar. Stapleton foi feito prisioneiro e levado ao Stalag Luft I, na costa do Báltico. Ficou lá até maio de 1945, quando foi finalmente libertado.
Após a guerra ele saiu da RAF e tornou-se piloto da BOAC, voando
DC-3s na costa oeste da África até 1948, quando retornou para a África do Sul. Ele trabalhou como guia de safáris em Botswana durante décadas, até voltar para a Inglaterra em 1994. Basil Stapleton era um personagem muito conhecido nos shows aéreos, sempre simpático e solícito. Era considerado a "imagem" da Batalha da Inglaterra, e em 2007 um dos Spitfires do Voo Memorial foi pintado como seu caça em 1940. Em 2002, o autor David Ross publicou uma biografia dele, chamada "
Stapme". Basil Stapleton deixa esposa e um filho.