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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Um encontro de dois antigos oponentes, agora amigos


Um encontro de dois antigos oponentes, agora amigos


por Júlio César Guedes Antunes

Quando eu me correspondi pela primeira vez com o General Ion Dobran, ele me enviou uma cópia de uma troca de cartas entre ele e o ás norte-americano Coronel Barrie Davis. A carta de Davis, muito cordial – e que foi uma completa surpresa para Dobran – dizia que ele fora quase morto pelo ás romeno durante um combate aéreo, num dia bem distinto: 6 de junho de 1944.

Pois bem, além de montar e lançar a maior operação anfíbia da história (o desembarque na Normandia) naquele dia, os americanos também lançaram uma das maiores ofensivas aéreas contra os aeródromos e campos petrolíferos da Romênia. Partindo da Itália, bombardeiros quadrimotores da 15ª Força Aérea bombardearam Bucareste, Ploiesti, Brasov, Craiova, Pitesti, Ramnicu Valcea e Galati. E não estavam sozinhos: acompanhando-os estavam os “Checkertails” – “Caudas Quadriculadas” – os
Mustangs do 325º Grupo de Caça.

Na cabine de um dos Mustangs estava o Tenente Barrie Davis, de 20 anos de idade. No teatro de operações desde abril de 1944, Davis estava acostumado a voar longas missões de escolta, e acabaria se tornando um ás, com seis vitórias aéreas confirmadas.

Ion Dobran era na época comandante do 48º Esquadrão do 9º Grupo de Caça, que voava o
Messerschmitt Me 109. Até então, a unidade estava postada na Moldávia, combatendo os soviéticos, e até aquele dia nunca tinha enfrentado os norte-americanos.

Os Mustangs se encontraram com os Messerschmitts sobre Galati. Na imensa confusão de quase cem aeronaves contendoras, Barrie Davis só manteve contato visual com seu colega (e também futuro ás) Wayne Lowry. Neste momento, Dobran aproximou-se por trás do P-51 de Davis; Lowry avistou-o, mas identificou-o inicialmente como um Mustang, devido à semelhança das silhuetas.

Dobran abriu fogo, combinando suas metralhadoras e canhões, contra o P-51 “Mayfair 24” de Davis. O primeiro impacto do canhão arrancou a capota e nocauteou o americano, que perdeu a consciência. Dobran prosseguiu alvejando as asas, a fuselagem e o propulsor do caça inimigo, até que Lowry, percebendo o erro que cometera, colocou-se na cauda do Me 109 e atirou, danificando seriamente a aeronave. O Tenente Dobran teve interromper o ataque e controlar seu avião danificado, fazendo um pouso forçado logo abaixo.

Quando Davis recuperou a consciência, estava semi-congelado. A temperatura na cabine aberta era de 4ºC negativos. Com muita dificuldade, ele retomou os controles e conseguiu guiar a aeronave até a base de Mirogorod, na Ucrânia, onde fez um pouso forçado. O cirurgião da base passou meia hora retirando pedaços de vidro e metal do corpo de Davis, e o “Mayfair 24” nunca mais voou.

A Romênia assinou um armistício com a URSS em agosto, passando para o lado dos Aliados, e Dobran continuou voando missões sobre a Hungria e Tchecoslováquia até o fim da guerra. Em outubro de 1944, Barrie Davis completou suas 70 missões e foi enviado de volta aos EUA.

Agora, 65 anos depois, autoridades romenas e norte-americanas organizaram um encontro dos dois ases, para que finalmente se conhecessem, a ser realizado no
Museu de Aviação de Bucareste.

Meu amigo Claudiu Stumer me deu essa notícia no começo de janeiro, e conversei com Barrie Davis alguns dias depois; ele me confirmou a viagem para Romênia e mostrou-se muito animado para conhecer seu antigo oponente. Contei-lhe que
visitei Ion Dobran ano passado, e mandei algumas fotos, que ele gostou muito e agradeceu. Barrie ficou surpreso ao saber que Dobran é cinco anos mais velho que ele!

Pois bem, o encontro dos dois aconteceu no sábado, 23 de janeiro de 2010. Bucareste estava sob uma pesada nevasca e, em pleno inverno, com uma temperatura média de 20ºC negativos. Particularmente, eu escolheria uma outra data para o evento – no verão provavelmente – pois apesar da boa saúde, Davis e Dobran são senhores de idade avançada. Contudo, foi o que a Força Aérea Romena e a embaixada americana concordaram em fazer...

O evento aconteceu dentro do hangar nº 1 do museu, ao lado do IAR-80. Quando estive lá (no outono) já era gelado lá dentro, imagine no meio do inverno. Stumer me disse que a organização espalhou alguns aquecedores pelo local, mas que eram insuficientes para a grande multidão que se juntou. Contudo, a antecipação era grande, do mesmo jeito.

Dobran e Davis chegaram e, com sorrisos, foram um em direção ao outro e se abraçaram, num momento muito emocionante. Fizeram fotos em frente ao IAR-80, e em seguida o Chefe de Estado-Maior da Força Aérea disse algumas palavras. Barrie Davis seguiu-o no púlpito e, por último, foi a vez de Dobran. Os dois foram presenteados com uma condecoração especial da Força Aérea.

Em seguida, houve uma sessão de autógrafos, que incluíam fotos e uma montagem muito interessante mostrando os perfis dos dois aviões e fotos de ambos os protagonistas. Claro que eu garanti a minha cópia hehehe (valeu Claudiu!). Este primeiro encontro – a programação foi de três dias – encerrou-se com um jantar.

No domingo pela manhã, às 8h, ambos foram levados ao Aeroporto Internacional Henri Coanda (Otopeni), e de lá partiram em dois helicópteros Puma, com uma grande delegação, para o vale de Prahova. O voo à baixa altitude foi belíssimo e Dobran disse ter gostado imensamente. O pouso se deu em Ghimbav, sob 28ºC negativos. A comitiva seguiu para Poiana Brasov, onde realizou-se uma conferência romeno-americana (a Romênia tem tropas no Iraque) e um almoço. Na segunda-feira, visitaram a Academia de Aviação em Brasov e voltaram para Bucareste, onde ainda fizeram uma rápida visita ao Palácio Cotroceni, que é a sede do governo.

O evento se encerrou com um baile no “Cercul Militar”: uma tradicional noite romena com música e dança. Às 23h, um violinista tocou “Lili Marleen” para os dois ases, e cantaram juntos. Dobran disse a Davis: "Você me deu muita alegria. Ganhei um novo amigo e tive a confirmação de uma vitória; felizmente não sobre Barrie Davis, mas sobre o 'Mayfair 24'".

Algumas fotos do evento:














Cobertura em vídeo:

Veja também:
>>Vídeo: Dobran discursa no túmulo de Serbanescu
>>Evento: 90º aniversário de Ion Dobran
>>Entrevista com Ion Dobran - Parte 1, Parte 2
>>Ratos do Deserto se encontram com antigo inimigo
>>Piloto de caça alemão salvou tripulação americana
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Nota de Falecimento: John Loisel


John Loisel
(21/05/1920 - 20/01/2010)

Faleceu no último dia 20 de janeiro em Plano, Texas, de causas naturais aos 89 anos de idade, o ás norte-americano Coronel John Simon Loisel.

Nascido em Coeur d'Alene, Idaho, Loisel rapidamente mudou-se com a família para Norfolk, Nebraska. Ele frequentou a Universidade do Nebraska e entrou para o Corpo Aéreo do Exército em 10 de março de 1941. Loisel terminou o treinamento e foi comissionado em 31 de outubro daquele ano, estando a caminho das Filipinas quando o Japão atacou Pearl Harbor. Com a reorganização geral provocada pela declaração de guerra, em setembro de 1942 ele foi designado para o 36º Esquadrão do 8º Grupo de Caça na Nova Guiné. Com essa unidade ele voou 83 missões, voando o P-39 Airacobra.

Em julho de 1943 Loisel foi selecionado para o recém-formado 475º Grupo de Caça - os "Satan's Angels", que seria a primeira unidade de Lockheed P-38s da 5ª Força Aérea. Dando apoio ao avanço do General Douglas MacArthur na Nova Guiné, e voando seu P-38 "Screaming Kid", ele derrubou dois Kawasaki Ki-61s sobre Wewak em 21 de agosto de 1943. Abateu um Mitsubishi A6M Zero em 22 de setembro e, num ataque de Zeros à sua base em 15 de outubro, Loisel derrubou dois dos caças e tornou-se um ás - sendo promovido a Capitão três dias depois. Em dezembro ele derrubou mais dois Zeros e em 22 de janeiro de 1944 ele assumiu o comando do 432º Esquadrão de Caça. Começando bem seu período de comando, ele derrubou um caça japonês no dia seguinte. Em missão de escolta de bombardeiros sobre Hollandia em 3 de abril, ele derrubou um Ki-43 Hayabusa e um Zero. Loisel foi promovido a Major e retornou aos EUA em agosto.

Em janeiro de 1945 ele voltou ao Pacífico como oficial de operações do grupo, já nas Filipinas. Nessa época, a unidade voava missões de escolta de longo-alcance e apoio terrestre. Loisel dizia aos seus pilotos: "Mirem no grosso do inimigo... desconsiderem os desgarrados e explodam o maior grupo que avistarem". O pioneiro da aviação Charles Lindbergh havia-os ensinado os "Satan's Angels" a modificar a mistura de combustível e ar no motor, controlar as revoluções das hélices e o torque, tudo para ampliar o raio operacional dos Lightnings - aumentando em mais 1.300 km o já enorme alcance do P-38. Dessa forma, 24 caças partiram em escolta de B-25s numa missão sobre a Indochina em 28 de março. Loisel comandava oito aeronaves do 433º Esquadrão e, ao aproximarem-se da costa, foram atacados por 12 Hayates. No combate que se seguiu, ele conseguiu derrubar um Ki-84 e fechar seu total de 11 vitórias confirmadas. Loisel foi promovido a Tenente-Coronel em 15 de maio e um mês depois recebeu o comando do 475º Grupo, liderando-o nos avanços para Ie Shima e Kimpo, na Coreia. Aos 25 anos de idade, ele havia voado mais de 300 missões, se tornado o quarto maior ás dos "Satan's Angels" e passado mais tempo em combate do que qualquer piloto norte-americano.

Na Guerra da Coreia ele comandou 47º Grupo de Caças-Bombardeiros, voando o F-84 Thunderjet. John Loisel aposentou-se da Força Aérea em 1970, na patente de Coronel, e com mais 5.500 horas de voo.


Coronel John Loisel em 2002.
Veja também:
>>Nota de Falecimento: James Watkins
>>Nota de Falecimento: Robert DeHaven
>>Nota de Falecimento: Gerald Brown
>>Satoshi Anabuki
>>Yohei Hinoki
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Montgomery e Eisenhower apostaram sobre o futuro da Europa


Montgomery e Eisenhower apostaram sobre o futuro da Europa


Um pedaço de papel oficializando a aposta de £5 entre os dois generais sobre o destino da Europa na Segunda Guerra Mundial deve alcançar £12.000 em leilão.

O General Bernard Montgomery do Exército Britânico tirou uma folga da reorganização do seu 8º Exército na Itália para fazer uma aposta com seu camarada norte-americano, General Dwight Eisenhower, sobre a data do fim da guerra.

Eisenhower, que supervisionava a invasão Aliada da Itália, sentiu-se confiante que poderia marchar sobre Berlim no natal de 1944, mas Montgomery discordou dessa possibilidade.

Os dois concordaram em resolver a disputa com uma aposta de 5 libras (que valeriam cerca de 170 libras hoje) e chamaram um ajudante de campo, Coronel Ernest Lee, para anotar os termos.

O pedaço de papel, assinado por Montgomery no topo e por Eisenhower no rodapé, diz: “Acordo selado em 11 de outubro de 1943, entre os Generais Eisenhower & Montgomery. Montante £5 – O General E aposta que a guerra contra a Alemanha irá terminar antes do Natal de 1944. Hora Local”.

O pedaço de papel ficou guardado por mais de 30 anos na casa do Coronel Lee, que serviu como oficial executivo e ajudante de campo de Eisenhower durante a Segunda Guerra Mundial. A família decidiu vendê-lo após a morte da viúva de Lee seis meses atrás. Juntamente com uma fotografia dos dois generais, espera-se que o item atinja US$ 20.000 (£12.000).

Eisenhower referiu-se à aposta em sua autobiografia: “Eu estava pessoalmente tão confiante que poderia lançar Overlord decidida e prontamente na primavera de 1944 que apostei com Montgomery 5 libras que podíamos terminar a guerra no natal daquele ano. Eu perdi a aposta”.

Fonte: The Telegraph, 20 de janeiro de 2010.

Veja também:
>>As únicas fotos coloridas da rendição alemã
>>Filmes: Patton - Rebelde ou Herói?
>>George Patton
>>Sir Harold Alexander
>>Alto-Comando Norte-Americano - 1945
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Série da HBO tem foco na Guerra do Pacífico


Série da HBO tem foco na Guerra do Pacífico


Em 2001, a minissérie da HBO “Band of Brothers” foi aclamada pelo público e pela crítica mundialmente, por sua detalhada e sóbria cobertura das batalhas da Segunda Guerra Mundial na Europa. Agora, a mesma rede e os mesmos produtores executivos – Steven Spielberg e Tom Hanks – abordam uma parte distintivamente diferente do mesmo conflito com “The Pacific”, que estréia na HBO em 14 de março [nos EUA].

As diferenças entre ‘The Pacific’ e ‘Band of Brothers’ são tão distintas quanto os conceitos dos dois teatros de operações – Europa, mapas, linhas territoriais desenhadas, armistícios honrosos”, disse Hanks. “A guerra na Europa foi a última guerra do seu tipo, em que grandes exércitos lutaram e decidiam quando começar e quando terminar. Na Europa, um soldado inimigo podia levantar suas mãos e a guerra acabaria para ele. A guerra no Pacífico foi mais como as guerras que se viu desde então – uma guerra de racismo e terror, uma guerra de horrores absolutos, tanto no campo de batalha quanto nas condições normais de vida”.

Os produtores dizem que se inspiraram em contar histórias de outra localização geográfica em resposta aos veteranos que assistiram “Band of Brothers”.

Recebemos tantas cartas positivas”, disse Spielberg, “mas ao mesmo tempo, cartas que diziam ‘eu fui veterano das Ilhas Salomão’, ‘eu lutei em Tarawa’, ‘eu estava em Midway’. Recebemos muitas cartas de veteranos do teatro de operações do Pacífico perguntando se poderíamos contar suas histórias da maneira como contamos as histórias do teatro de operações da Europa”.

Hanks brincou sobre a ânsia da HBO em retornar para o front.

E a HBO também disse: ‘Somos mais bem-sucedidos. Fazemos mais dinheiro que todas os canais comerciais juntos. Temos US$ 250 milhões para gastar. Quer fazer algo com esse dinheiro?’”. Hanks gargalhou. “Então pegamos o orçamento e filmamos. Fomos para a Austrália e pusemos balas nas armas para fazer o filme”.

Não que fosse tão fácil. A produção levou seis anos de trabalho – Hanks disse que ele e Spielberg se encontraram primeiramente para fazer outra minissérie sobre a Segunda Guerra Mundial durante a produção do filme “O Terminal”, que foi lançado em 2004 – e apresenta maiores desafios de roteiro.

Não pende para a narrativa mais graciosa que pode ser adotada com a guerra na Europa”, disse Hanks. “A guerra na Europa liberou Paris. Desembarcaram na Normandia, e eventualmente cruzaram o Reno na Alemanha, e Berlim caiu. A guerra no Pacífico não cabe nesse tipo de narrativa... A cerca de 160 quilômetros do lugar onde se passa ‘O Resgate do Soldado Ryan’, mais ou menos, está a Torre Eiffel. A 160 quilômetros de Peleliu está um ponto vazio do oceano no meio do Pacífico. Não pode usar as mesmas referências que a guerra na Europa usa. Essa é a razão porque, nessa produção, temos muito mais histórias individuais de três fuzileiros navais”.

Fonte: Pittsburgh Post Gazette, 16 de janeiro de 2010.

Trailer:

Veja também:
>>Culto à Carga sobrevive no Pacífico Sul
>>Paul Newman foi um condecorado marinheiro na SGM
>>Jim Pattillo: Os problemas operacionais do B-29 no CBI
>>Veterano devolve bandeira japonesa da Segunda Guerra
>>Nota de Falecimento: Jack Lucas
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Nota de Falecimento: Earl Johnson


Earl Johnson
(27/04/1916 - 14/01/2010)

Faleceu no último dia 14 de janeiro em Orlando, Flórida, de falência cardíaca aos 93 anos de idade, o veterano piloto de B-29s Major-General Earl L. "Punk" Johnson.

Nascido em Crawfordsville, Indiana, Johnson era um aventureiro desde a infância. Aos 12 anos, viajou até Indianapolis para ver a pioneira da aviação Amelia Earhart pousar lá. Havia um cordão de isolamento mantendo a multidão afastada, mas ele engatinhou por baixo e correu até ela, pedindo-lhe um autógrafo. Earhart acariciou-o dizendo: "Mas que garoto bonzinho". Anos depois, Johnson cursou a faculdade de Artes e graduou-se em 1938. Em janeiro de 1941, entrou para o Corpo Aéreo do Exército, concluindo o treinamento e sendo comissionado Segundo-Tenente seis meses depois. Earl tornou-se instrutor de voo e oficial de operações da Escola de Voo de Bimotores em Blytheville, Arkansas, até que seguiu para a McCook, Nebraska, para treinar nos novos Boeing B-29 em meados de 1944.

Em janeiro de 1945 Johnson partiu para Tinian, nas Ilhas Marianas, onde as maiores pistas de pouso do mundo haviam sido construídas para a ofensiva de bombardeio contra o Japão. Designado oficial de operações do 1º Esquadrão do 9º Grupo de Bombardeio, ele comandou a primeira missão de bombardeio incendiário em baixa altitude sobre Tóquio, na noite de 9 para 10 de março de 1945. O sucesso desta missão definiu o modelo de bombardeio utilizado contra o Japão pelo restante da guerra. Pouco tempo depois, Johnson foi transferido para a 313ª Ala de Bombardeio e se tornou responsável pelo treinamento das tripulações do 509º Grupo Composto, que voaria as missões atômicas.

Johnson saiu do serviço ativo em dezembro de 1946, mas foi chamado de volta em setembro de 1948, sendo nomeado inspetor-geral e depois comandante do 93º Esquadrão de Bombardeio na ilha de Guam. Nessa época, conheceu Charles Lindbergh - quando este fazia um tour mundial pelas bases da USAF - e também sua futura esposa, Peggy Ruth Hearn. Um pessoa bastante carismática, Earl Johnson tinha muitos amigos famosos. Em 1960, visitou com a esposa e a filha o presidente Dwight Eisenhower na Casa Branca, e ainda jogou golfe com Bob Hope numa base de bombardeiros. Logo após voltar de seu passeio lunar, Neil Armstrong foi visitar Johnson. Sem ver a família a meses, Armstrong chorou ao ouvir lá uma fita gravada por seus filhos.

Earl Johnson aposentou-se em 1 de fevereiro de 1972, com a patente de Major-General. Ele ficou viúvo em 2001, e sua saúde declinou. Contudo, era ativo participante de grupos de discussão na internet e muito querido por todos. Ficou hospitalizado por um mês antes do seu falecimento. O Major-General Earl Johnson deixa uma filha, três netas e cinco bisnetos.


General Johnson e seu cachorro Chipper.
NOTA: Agradeço ao meu caro amigo Tenente-Coronel(R) Maurice Ashland pelas informações.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Don Albury
>>Maurice Ashland: O Grande Raide de Tóquio
>>Paul Tibbets
>>Teruhiko Kobayashi
>>Boeing B-29 Superfortress
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Giovanni Bonet


Giovanni Bonet
Capitano Pilota
(1914 - 1944)

por Paul J. Perron

Giovanni Bonet nasceu em San Fior, Treviso, Itália, no dia 24 de julho de 1914. Seu pai lutou e morreu na Primeira Guerra Mundial. Ainda na juventude, Bonet desenvolveu uma grande paixão pelo voo. Para preparar-se para se tornar um piloto, ele treinava pulando de uma sacada com um guarda-chuva, fingindo ser um paraquedas. No começo de setembro de 1935, Bonet iniciou sua carreira na aviação estudando para se tornar um oficial da reserva em Parma, e depois seguiu para a escola de voo em Foligno.

Em 4 de março de 1936, Bonet foi nomeado oficialmente piloto enquanto voava o AS-1. Finalizando essa fase do treinamento, ele foi enviado para a escola de aviação em Aviano em 11 de março, e foi nomeado piloto militar em 18 de julho, voando o Fiat CR.20. Bonet era um perito em acrobacias aéreas, e recebeu o apelido “Matto dei Ronchi” (“O Doido de Ronchi”; uma pequena cidade). Uma vez terminado o treinamento, ele foi transferido para o 52º Stormo CT em Ghedi no dia 27 de julho, com a patente de Sottotenente (da reserva).

Ele voluntariou-se para a Aviazione Legionaria, que servia na Guerra Civil Espanhola, em março de 1938, sendo designado para o XVI Gruppo Caccia “La Cucaracha”. Durante seu tour operacional na Espanha, Bonet ganhou uma Medaglie d’Argento al Valor Militare e uma promoção por mérito de guerra. Ele retornou à Itália em fevereiro de 1939 e em março foi promovido a Tenente.

O começo da guerra para a Itália, em 10 de junho de 1940, viu o Tenente Bonet na 359ª Squadriglia do 22º Gruppo CT, participando de numerosas ações sobre o front Greco-Albanês e na Iugoslávia, ganhando uma segunda Medaglie d’Argento.

Certa vez, enquanto Mussolini visitava o front em companhia de altos oficiais, Bonet iniciou um combate com uma aeronave inimiga, bem próximo de onde estava a comitiva. O Duce então puxou seu binóculo e acompanhou o duelo. O italiano estava manobrando e seguindo bem de perto a aeronave inimiga, sem atirar. Devido à persistência, o piloto inimigo finalmente desistiu, pousou e se rendeu. Mussolini imediatamente mandou chamar Bonet, e perguntou-lhe por que não havia atirado. Ele respondeu: “Eu estava sem munição” – os oficiais murmuraram com admiração. O 22º Gruppo, que voava o
Macchi MC.200, foi então transferido para a União Soviética.

Em 28 de dezembro de 1941, Bonet decolou de Stalino com outros dois MC.200 da 359ª Squadriglia para patrulhar o front. Quando chegaram lá, avistam e atacaram uma formação de cinco Polikarpov I-16s (3 Rata e 2 Super Rata), metralhando tropas italianas. Seu ataque repentino e decidido dispersou os russos, que fugiram. Mais tarde no mesmo dia, os mesmos três Saettas estavam escoltando uma formação de Stukas em missão de bombardeio. Quando os Stukas começaram a bombardear, foram repentinamente atacados por 20 aeronaves soviéticas. Apesar da desvantagem numérica, os italianos devotaram toda sua energia ao combate, sobre Debalzowo e Rikowo. Algum tempo depois, um grupo de caças alemães chegou para auxiliá-los. Quando o combate terminou, os italianos haviam derrubado três caças inimigos e danificado outros quatro. Bonet retornou à base com a aeronave danificada.

No dia 2 de fevereiro de 1942, uma formação oito Macchis decolou com tempo muito ruim. Sua missão era metralhar posições inimigas na linha Balka-Olikowatka-Rassjnoja. A missão foi completada e o grupo retornou à base. Ao pousar, a aeronave de Bonet (que estava com problema na hélice) escapou da pista, bateu na neve e capotou. Contudo, ele conseguiu sair ileso da cena.

Três dias depois, Bonet decolou novamente com mais seis colegas, para atacar o aeródromo russo em Kranyj Liman, onde um grande número de aeronaves havia sido avistado. O ataque foi inesperado e repentino. Os italianos atacaram em fila, a baixíssima altitude, por todo o aeródromo. Apesar do fogo antiaéreo, pelo menos 11 Polikarpovs foram destruídos no solo e dois outros caças foram derrubados no ar.

No dia 24 de fevereiro, seis caças (da 362ª e 359ª Squadriglie) decolaram de Stalino para patrulhar o front. Sobre Alexandrowka, Bonet e os outros encontraram um grupo de caças soviéticos, e no combate que se seguiu derrubaram dois deles, sem perdas do seu lado. Poucos dias depois, em 10 de março, Bonet voltou para a Itália. Ele foi promovido a Capitano em junho e assumiu o comando da 362ª Squadriglia. Também foi condecorado pelos alemães com a Cruz de Ferro de 2ª Classe.

No mês seguinte, ele foi transferido para o 2º Gruppo CT, sendo apontado comandante da 150ª Squadriglia, que voava o Reggiane Re.2001. Bonet participou então de numerosos combates sobre Malta, e sobre o Mediterrâneo central e ocidental. O constante ritmo de combate exauriu o esquadrão em junho de 1943: eles ficaram com somente 4 Reggianes operacionais.

Na tarde de 17 de julho de 1943, a 150ª Squadriglia recebeu um alerta de decolagem imediata. O Capitano Bonet decolou com um voo de Re.2001s de Cápua. Sua missão era interceptar uma formação de
Boeing B-17s voando sobre Nápoles. Durante essa missão, Bonet foi ferido (no pé direito, fraturando o metatarso) por fogo defensivo de um dos bombardeiros. Após deixar o hospital, Bonet recebeu uma licença para convalescença.

Ainda se recuperando no fim de setembro de 1943, Bonet se apresentou à estação central de recrutamento em Treviso, onde se encontrou com muitos outros pilotos e especialistas que queriam formar um novo esquadrão e retornar para o combate. Suas intenções foram assim ditas: “Rapazes, eu sinto que ainda tenho algo a fazer pelo meu país”. Em meados de outubro, Bonet e alguns companheiros foram para Padova para encontrar o Tenente-Colonello Giuseppe Baylon, e discutiram a formação da nova unidade. No fim de dezembro, homens e máquinas foram transferidos para Venaria Reale para ativação.

A nova unidade ficou conhecido como Squadriglia Complementare “Montefusco”, e Bonet tornou-se seu comandante. O novo esquadrão foi batizado em homenagem ao Capitano Mario Montefusco (Medaglie d’Oro), que foi morto nos céus do Norte da África em 4 de julho de 1941. O esquadrão foi uma das primeiras unidades operacionais formadas após o Armistício e deveria se tornar uma unidade de conversão operacional para dar apoio ao 1º Gruppo Caccia. Ao invés disso, teve seu efetivo completado e tornou-se um esquadrão de defesa. Enquanto o 1º Gruppo Caccia movia-se para Campoformido para proteger os céus do nordeste italiano, a “Montefusco” era a única unidade operacional responsável por proteger os céus do triângulo industrial de Turim, Milão e Gênova.

A Squadriglia Complementare tinha cerca de 20 pilotos, e muitos haviam servido com Bonet antes do Armistício. Foram equipados com 10 caças Fiat G.55 Centauro e alguns Macchi MC.205 Veltro. Após um breve treinamento, os pilotos mais experientes estavam prontos, mas os novatos, recém-saídos da escola de voo, acharam a performance do G.55 um pouco desafiadora para sua limitada experiência. A “Montefusco” fez sua estréia operacional em 21 de fevereiro de 1944, decolando com seis G.55s. Em 13 de março, decolaram 8 caças, mas ambas as missões foram inconclusivas.

O primeiro combate da unidade aconteceu em 29 de março, quando Bonet liderou um voo de quatro Centauros (seriam originalmente seis, mas dois decolaram com atraso e não encontraram o inimigo) para interceptar uma grande formação de B-17s. Ao avistar a formação, Bonet deu ordem para atacar. Os italianos atacaram repetidamente os americanos, atingindo-os diversas vezes, mas sem romper a formação.

Então o Capitano Bonet e o Sergente Biagini notaram um B-17 (42-97152) que havia sido danificado pela antiaérea e ficava para trás. Coordenando seus ataques no bombardeiro solitário, eles conseguiram derrubá-lo, e a tripulação saltou. Os Centauros então se viram sob ataque de 44 Republic P-47s do 325º Grupo de Caça, forçando os italianos interromper a ação e voltar para a base. Durante a volta, o Maresciallo Capo Jellici teve que saltar do seu G.55 em chamas, enquanto Bonet foi morto em baixa altitude pelo ás de 18 vitórias Major Herschel “Herky” Green, comandante do 317º Esquadrão de Caça.

Em honra do seu comandante morto, Bonet recebeu postumamente a Medaglie d’Oro al Valor Militare, e o esquadrão foi renomeado “Montefusco-Bonet”. Em 6 de junho de 1944, a Squadriglia Complementare foi realocada para Reggio-Emilia, e mais tarde naquele mês foi incorporada ao 1º Gruppo Caccia como sua 3ª Squadriglia “G. Bonet”. Giovanni Bonet era descrito como um “romântico”, que sempre foi amado e respeitado pelos que o conheciam. No momento de sua morte, ele era creditado com 12 vitórias aéreas confirmadas.


Fiat G.55 de Giovanni Bonet - Squadriglia Complementare "Montefusco". Venaria Reale, Março de 1944.

Paul Perron é colaborador da Sala de Guerra. Vive na Itália e é pesquisador da história militar italiana na Segunda Guerra Mundial, tendo entrevistado dezenas de veteranos das forças armadas.


Veja também:
>>Bate-papo com o veterano - Gen. Metellini responde
>>Adriano Visconti
>>Ennio Tarantola
>>Ugo Drago
>>Serie 5 – Uma salvação tardia para a Regia Aeronautica - Parte 1, Parte 2
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Explorador diz ter encontrado o Salão Âmbar


Explorador diz ter encontrado o Salão Âmbar


O Salão Âmbar dos Czares – um dos maiores tesouros perdidos da Segunda Guerra Mundial, que foi roubado pelos nazistas durante a invasão da União Soviética – pode ter sido encontrado.

Um caçador de tesouros russo está atualmente escavando um enclave em Kaliningrado, onde ele descobriu um bunker da Segunda Guerra, local que o alto-comando alemão usou durante a batalha pela cidade em 1945.

Se Sergei Trifonov estiver correto, ele solucionou um dos maiores mistérios deixados pela guerra – e fará de si um multimilionário.

Sergei diz que irá abrir o bunker no fim de janeiro [de 2010] para encontrar o tesouro. Esculpido inteiramente em âmbar, ouro e pedras preciosas, o salão composto de numerosos painéis era uma maestria da arte barroca e amplamente considerado o mais importante tesouro da arte mundial.

Quando suas 565 velas eram acendidas, dizia-se que o Salão Âmbar “brilhava como ouro vivo”. Estima-se que valha algo em torno de 150 milhões de libras, mas muitos o consideram de valor inestimável.

Foi presenteado a Pedro, o Grande, pelo rei da Prússia em 1716. Mais tarde, Catarina, a Grande, retirou-o do Palácio de Inverno em São Petersburgo e instalou-o na casa de verão em Tsarskoye Selo, fora da cidade. E foi lá que os alemães o encontraram em 1941, e o trouxeram para Königsberg, na antiga Prússia Oriental.

Contudo, o Salão desapareceu em janeiro de 1945. Muitos dizem que foi destruído no castelo da cidade durante um ataque aéreo; outros dizem que ele afundou no Báltico em um navio alemão e outros ainda contam que o Salão foi desmantelado por soldados soviéticos e enviado para casa aos pedacinhos, como souvenires de guerra.

Mas Trifonov tem outra teoria. “Acredite ou não, está aqui, a 12 metros no subsolo. Este lugar foi construído em fevereiro de 1945 com dois objetivos: acomodar o quartel-general do General Otto Lasch e guardar tesouros de Königsberg, uma cidade sob cerco”.

Königsberg é atualmente Kaliningrado, capital da província mais ocidental da Rússia, que tem o mesmo nome.

Para testar sua teoria, Trifonov começou a vasculhar o solo ao redor do bunker usando um radar de penetração, e começou a drenar água. Ele já desencavou uma sala de tijolos.

O bunker está a cerca de 1 quilômetro do antigo castelo, que foi demolido em 1967. Ele diz que tem informações de arquivos que detalham a localização do Salão, mas não revela suas fontes.

O governador de Kaliningrado parece convencido e já liberou o financiamento para a escavação. Mas muitos permanecem céticos.

É um bom contador de histórias, mas não pode provar nada”, disse Vladimir Kulakov, perito do Instituto de Arqueologia da Rússia, que também cavou o solo do bunker na busca do Salão Âmbar.

Anatoly Valuyev, vice-diretor do Museu de Arte e História de Kaliningrado, é mais esperançoso. “É bom que as pessoas pensem que o tesouro está aqui. Eles têm energia e o museu se beneficia com isso”, disse.

Ainda temos esperança de que o Salão Âmbar esteja em algum lugar de Kaliningrado. Existem ainda muitos subterrâneos para explorar. Se não encontrarem aqui, procurarão em outro lugar”.

Fonte: Daily Mail, 19 de janeiro de 2010.

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Gravação de oficiais nazistas sobre corpo de Hitler é encontrada


Gravação de oficiais nazistas sobre corpo de Hitler é encontrada


Uma gravação em fita de oficiais nazistas descrevendo o momento que encontraram o corpo de Adolf Hitler no bunker de Berlim foi encontrada.

A gravação foi feita em 25 de outubro de 1956 numa corte de Berchtesgarden, local da casa montanhesa do Führer na Bavária. A corte foi reunida para declarar oficialmente que o antigo líder da Alemanha Nazista estava morto, para que sua fortuna e seus direitos sobre o livro “Mein Kampf” pudessem ser tomados pelo estado.

Entre aqueles que deram evidências naquele dia estava, Otto Günsche, um oficial da SS, e Heinz Linge, um assistente, que foi o primeiro a descobrir os corpos de Hitler e sua esposa Eva Braun.

Na gravação, descoberta por pesquisadores do canal de TV alemão Der Spiegel, os homens falam sob julgamento sobre entrar na sala do Führer após escutar disparos de arma de fogo em 30 de abril de 1945.

Quando eu entrei, à minha esquerda vi Hitler no sofá”, disse Linge, que faleceu em 1980.

Hitler estava com a cabeça inclinada para frente e pude ver o buraco da bala, aproximadamente do tamanho de uma moeda, do lado direito da têmpora”.

Günsche, que faleceu em 1983 se recusando a dar detalhes sobre o fim do ditador, disse: “Hitler estava sentado no braço do sofá com sua cabeça pendendo na direção do ombro direito, que por sua vez estava caído na direção do encosto do sofá. Do lado direito havia um buraco de bala”.

Martin Bormann, secretário de Hitler, estava com eles quando entraram pela primeira vez na sala de Hitler, testemunharam.

Eles chegaram às 15h30min e participaram da remoção dos corpos, carregando-os escada acima para o jardim devastado da Chancelaria do Reich e ajudando na cremação.

O testemunho de Günsche e Linge ficou escondido no escritório dos arquivos públicos de Munique. O Der Spiegel restaurou as gravações para permitir que fossem escutadas por estudantes e historiadores.

Fonte: The Telegraph, 12 de janeiro de 2009.

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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Cortes podem atingir Voo da Batalha da Inglaterra


Cortes podem atingir Voo da Batalha da Inglaterra


O Voo Memorial da Batalha da Inglaterra enfrenta o machado enquanto o Ministério da Defesa tenta fechar um rombo de 6 bilhões de libras em seu orçamento.

Fontes da RAF avisaram que o voo pode ser cortado por “cortes no orçamento”, já que o Ministério está sendo forçado a fazer drásticas economias para o próximo ano.

Este ano é o aniversário de 70 anos da Batalha da Inglaterra e ex-Primeiros-Ministros e grupos de veteranos descreveram a ameaça ao voo como uma “vergonha lastimável” e um insulto aos seus pilotos de caça – “Os Poucos” – que defenderam a Grã-Bretanha contra a Luftwaffe alemã.

Todo ano centenas de milhares de britânicos assistem os shows aéreos realizados pelo país. Os shows incluem um dos dois únicos Lancasters em condições de voo no mundo, bem como Spitfires e Hurricanes – os dois tipos principais de caças britânicos envolvidos na Batalha da Inglaterra.

Como um Wing Commander da RAF disse: “Dentro do orçamento de defesa atualmente sendo elaborado, os shows podem ser cortados. Esta é uma parte da análise de custo-benefício sendo realizada em todos os departamentos do Ministério”.

Se o Voo Memorial da Batalha da Inglaterra tiver de continuar operando da maneira como atualmente está, temo que será necessário atrair investimento privado”.

O Ministério da Defesa já deixou claro que não permitirá que o Voo Memorial seja financiado pela iniciativa privada ou doações. Baseado no aeródromo da RAF em Coningsby, Lincolnshire, o Voo custa à RAF 3 milhões de libras por ano para ser mantido.

Recentemente o porta-voz da oposição no Parlamento, Gerald Howarth, manifestou preocupação com os cortes no orçamento afetando o Voo Memorial.

Celebrações como essa são lembretes importantes do heróico papel dos Poucos, que deram suas vidas por nossa liberdade, bem como foram uma tremenda ferramenta de recrutamento para a RAF”, disse.

Me surpreenderia se o governo ameaçasse tal tesouro nacional no ano do 70º aniversário da Batalha da Inglaterra”.

O Ministério disse que nada ainda foi riscado do orçamento para o ano fiscal 2011-2012. Uma fonte diz que não poderia haver “vacas sagradas” na revisão do orçamento – sugerindo que outros shows populares, como os Red Arrows, podem também ser cortados.

Os 3 milhões que custam o Voo são uma gota no oceano comparado ao orçamento de 36,9 bilhões de libras do Ministério da Defesa – mesmo de 0,1% . Representa somente 1% dos 300 milhões pagos em bônus anualmente aos funcionários do Ministério.

Douglas Radcliffe, secretário da Associação do Comando de Bombardeio, e veterano piloto de Lancaster, disse: “Seria desastroso se o orçamento do Voo Memorial fosse cortado. Ele representa algo que captura a imaginação do público britânico. Também fazem um fantástico trabalho de levantamento de fundos”.

Fonte: Daily Mail, 15 de janeiro de 2010.

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>>Único Hurricane sobrevivente da SGM sofre acidente
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Nota de Falecimento: Leslie Stephenson


Leslie Stephenson
(20/01/1921 - 26/09/2009)

Faleceu no dia 26 de dezembro de 2009 em Greenford, Inglaterra, de causas naturais aos 88 anos de idade, o ás da caça noturna da RAF, Flight-Lieutenant Leslie Stephenson.

Nascido em Willington, Durham, Stephenson destacou-se na escola, tanto no âmbito acadêmico quanto esportivo, fazendo parte dos times de rugbi e atletismo. Ao concluir seus estudos, conseguiu uma vaga na Universidade de Durham para estudar química, mas o começo da guerra interrompeu o curso. Stephenson imediatamente voluntariou-se para a Royal Air Force. Selecionado para treinamento de pilotagem, ele foi comissionado no 141º Esquadrão em agosto de 1942. Em março de 1943, foi transferido para o Norte da África junto ao 153º Esquadrão, que voava o potente Bristol Beaufighter. Lá ele montou equipe com o navegador Arthur Hall (1920-2007), e os dois formaram uma das mais bem-sucedidos tripulações de caça noturna do Mediterrâneo.

Cobrindo as tropas Aliadas em seu avanço pela Tunísia, a dupla conseguiu sua primeira vitória ao entardecer de 17 de março de 1943: encontraram-se frente-a-frente com uma formação de dez Junkers Ju 88 que iam na direção de Argel. Stephenson selecionou o líder e disparou; contudo, o alemão mergulhou e desapareceu nas sombras. Mas Hall já o tinha travado no radar e, após uma curta perseguição, Stephenson mandou o Junkers abaixo com uma precisa rajada. Na noite de 11 para 12 de maio, eles derrubaram mais dois Ju 88. Entretanto, seu maior sucesso viria na noite de 23 para 24 de maio. As tropas ítalo-germânicas já tinham se rendido na África, mas a operação de suas bases na Sicília, a apenas 160 km de distância, era intensa. Dessa forma, eles abateram três Ju 88s numa única missão, elevando seu total para seis abates e fazendo-os ases.*

A dupla foi em seguida separada, cada um se tornando instrutor em uma base diferente, mas se reuniram de novo em 1944 no 219º Esquadrão, que voava o De Havilland Mosquito Mk XXX. Eles iniciaram voos sobre a França após o Dia-D, e derrubaram um bombardeiro Ju 188 sobre Caen na noite de 15 para 16 de agosto, após Hall tê-lo pego no radar a 6 km de distância. Stephenson derrubou mais um Ju 88 sobre a Renânia em setembro, seguido de um Messerschmitt Me 110 sobre Krefeld, no Ruhr. O último abate da dupla se deu sobre Hasselt, na Bélgica, quando derrubaram outro Me 110 em 24 de dezembro. Em fevereiro de 1945 eles poderiam ter adicionado mais uma marca aos seus 10 abates, quando avistaram uma aeronave de cauda dupla sobre o Reno. Como somente conheciam o P-38 Lightning nessa configuração, voltaram sem atacar. Na base, ficaram sabendo que provavelmente tinham avistado um reconhecedor Focke-Wulf Fw 189, que operava na área. Os dois foram condecorados com a Distinguished Flying Cross com uma barra.

Após a guerra Stephenson concluiu sua graduação em química e se tornou pesquisador dos Laboratórios Glaxo, trabalhando no agrupamento de penicilina com vitamina B12. O composto sintético foi muito bem-sucedido, sendo utilizado em fórmulas de anticoncepcionais e medicamentos para fertilidade. Ele aposentou-se em 1985. Leslie Stephenson era casado desde 1951, e ficou viúvo em 1999. Ele deixa um filho e duas filhas.

*NOTA: A RAF entendia que, em caças noturnos bipostos, as rápidas e instintivas ações tomadas pelo piloto (que puxava o gatilho) e pelo navegador (que guiava a interceptação aérea) eram igualmente vitais para o sucesso conjunto.


Reunião do 153º Esquadrão em Maison Blanche, no Marrocos, em julho de 1943. Leslie Stephenson, de pé, é o segundo da direita para a esquerda.
Veja também:
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>>Evento: Mosquito Meeting 2008
>>Junkers Ju 88
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

José María Bravo


José María Bravo
Coronel
(1917 - 2009)

José María Bravo Fernández-Hermosa nasceu em Madri, numa família de classe média, em 8 de abril de 1917. Educado nas tradicionais e seculares escolas da capital espanhola, ele tornou um estudante de intercâmbio na Alemanha, pouco antes da subida de Hitler ao poder, entre 1932 e 1933. Retornando à Espanha, ele aprendeu a voar em planadores em Ocaña, na província de Toledo.

Bravo iniciou o curso superior de engenharia, mas seus estudos foram interrompidos pelo início da Guerra Civil Espanhola. Estando em Santander, ele teve que cruzar a fronteira francesa e retornar à Espanha por Barcelona, então território dominado pelas forças Republicanas. Bravo apresentou-se na convocatória para pilotos de combate. Em dezembro de 1936 ele foi enviado, junto com outros quatro pilotos, para realizar treinamento na União Soviética. Essa primeira turma de pilotos Republicanos espanhóis foi enviada para Kirovabad, no Azerbaijão. “Pusemos uniformes soviéticos. Nossa missão era ultra-secreta e ninguém devia saber que estavam trazendo espanhóis. Deram a todos nós nomes russos. Eu era Iosif Bravi”.

Após seis meses de treinamento, iniciado no dócil biplano Polikarpov U-2, Bravo completou 100 horas de voo, das quais somente algumas feitas no então avançadíssimo Polikarpov I-16. De volta à Espanha no verão de 1937, os novatos foram enviados para o 21º Grupo de Caça ao norte de Madri. Na Espanha, os novos monoplanos Polikarpov I-16 ganharam o apelido de “Mosca”. Isso se deveu em parte à ultra-manobrabilidade do modelo e à inscrição “MOCKBA” (“Moscou” em cirílico) que vinha nas caixas dos recém-chegados caças.

Bravo teve seu batismo de fogo na Batalha de Brunete, uma ofensiva Republicana para furar o cerco Nacionalista da capital. Parte da 1ª Esquadrilha de Moscas, que contava com muitos pilotos russos, Bravo demonstrou-se um aviador ousado e competente. Em março de 1938 é promovido a Tenente e no mês seguinte assume o comando da recém-criada 3ª Esquadrilha de Moscas. Sua alta-capacidade foi mais uma vez atestada pela rápida promoção a Capitão em 31 de maio.

Contudo, com a chegada dos contingentes aéreos italiano e alemão, os Moscas começaram a enfrentar oponentes mais avançados. Bravo mais tarde reconheceu que o armamento do Polikarpov era insuficiente para abater bombardeiros alemães: “as metralhadoras [de 7,62 mm] disparavam chumbinhos que não eram muito eficientes contra os Junkers e Heinkels que os alemães deram pro Franco”.

A 3ª Esquadrilha de Bravo continuou atuando freneticamente, na cabeça de ponte de Balaguer e nos últimos dias do ataque a Valencia, culminando na Batalha do Ebro. Em 27 de agosto de 1938 ele foi feito subcomandante do 21º Grupo de Caça – aos 21 anos de idade ele assumia a responsabilidade pela mais poderosa unidade aérea da aviação Republicana.

Entretanto, a bem-sucedida ofensiva Nacionalista na Catalunha impôs uma derrota definitiva nas forças Republicanas, e Bravo escapou para a França em fevereiro de 1939. Lá, permaneceu quatro meses nos campos de internamento em Argèles-sur-mer e Gurs, no sul do país. Após ser liberado, rumou diretamente para a União Soviética, concluindo seu curso de engenharia em Kharkov, na Ucrânia.

Quando os alemães iniciaram a Operação Barbarossa em 22 de junho de 1941, Bravo tentou juntar-se à VVS, mas foi proibido. Assim, juntou-se a um grupo de guerrilheiros espanhóis que atacava as retaguardas alemãs na região do Mar de Azov. Ele lembrou-se ressentidamente mais tarde: “Eu tinha me tornado um piloto para não ter que andar, e lá estava eu marchando de noite com neve até o joelho e cercado de inimigos”.

Em meados de 1942, a Força Aérea Soviética aceitou em suas fileiras um grupo de pilotos Republicanos espanhóis, e Bravo voltou a pilotar o Polikarpov I-16. Desta vez, sua missão foi defender os campos petrolíferos de Baku. Mostrando mais uma vez suas qualidades de liderança, ele assumiu responsabilidades cada vez maiores, e foi designado chefe da escolta de caças que acompanhou Josef Stalin na Conferência de Teerã em 1943.

No total, Bravo havia completado 1.700 horas de voo no Polikarpov I-16, tendo passado por duas guerras sem um arranhão e totalizando 23 vitórias aéreas. Ele havia chegado ao posto de Coronel na VVS quando, em 1948, a deserção de um piloto espanhol para a Turquia causou a desmobilização de todos os espanhóis.

Mesmo assim, Bravo permaneceu na União Soviética, tornando-se professor de espanhol na Universidade de Moscou. Ele tornou-se um especialista em poesia russa e traduziu muitos clássicos da literatura russa para o espanhol. Em 1960, o governo de Franco permitiu que ele voltasse à Espanha. Após a transição para a democracia, o novo governo reconheceu sua patente de Coronel.

Em seus últimos anos, Bravo ajudou a levantar fundos para restaurar às condições de voo um Polikarpov I-16, que recebeu a pintura de seu antigo caça de 70 anos atrás. Em 2007, ele publicou suas memórias, “El Seis Doble” (Duplo Seis), uma referência à peça de dominó pintada na cauda dos aviões da sua unidade. Ele disse que representava o valor do trabalho em equipe dos 12 aviões da esquadrilha.

Reconhecido por sua personalidade amigável e sorriso sempre presente no rosto, José María Bravo, o último dos grandes ases espanhóis, faleceu em Madri, aos 92 anos de idade, no dia 26 de dezembro de 2009. Foi casado duas vezes, deixando a última esposa, uma filha e um filho.

Polikarpov I-16 "Mosca" de José María Bravo. 3ª Esquadrilha do 21º Grupo de Caça - Espanha, 1938.

Homenagem a Bravo e um belo voo do I-16:

Veja também:
>>Fiat CR.32 Chirri
>>Giuseppe Ruzzin
>>Hugo Sperrle
>>Don Agustín Muñoz Grandes
>>Don Emilio Esteban Infantes
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Nota de Falecimento: Walter Starck


Walter Starck
(02/09/1920 - 07/01/2010)

Faleceu no último dia 7 de janeiro em Berlin, Maryland, EUA, de causas naturais aos 89 anos de idade, o ás norte-americano Coronel Walter Edwin "Wally" Starck.

Nascido em Hoisington, no estado do Kansas, Walter, filho de Gotlieb e Edna Starck, sempre quis ser piloto, desde muito pequeno. Em 1940 ele iniciou o treinamento na Força Aérea do Exército e foi comissionado Segundo-Tenente. Em julho de 1943, foi embarcado para a Inglaterra junto ao 487º Esquadrão do 352º Grupo de Caça. O 352º foi alocado no aeródromo da RAF em Bodney, em Norfolk, de onde iniciou suas operações em setembro, escoltando bombardeiros da 8ª Força Aérea.

Voando o P-47 Thunderbolt em 10 de fevereiro de 1944, Starck estava escoltando bombardeiros numa missão até Brunswick, na Alemanha. A Luftwaffe decolou em peso para atacar os incursores e um pesado combate se seguiu, com Starck abatendo sua primeira presa: um Messerschmitt Me 109. O 352º Grupo fez, pouco depois, a conversão para o North-American P-51B, pintando todos os caças da unidade com narizes azuis. Wally Starck, já promovido a Capitão, batizou seu Mustang de "Starck Mad". No dia 27 de maio, ele encontrou um enorme grupo de caças alemães sobre Strasbourg, e derrubou outro Me 109 no combate. Pouco mais de um mês depois, em 1 de julho, Starck liderava uma formação de 28 Mustangs para atacar rampas de lançamento de V1s na área de Pas de Calais, quando o controle aéreo os desviou para o local de um combate a 50 quilômetros de distância. Ao chegar lá, sem hesitação, Starck atacou dois Messerschmitts a curtíssima distância. Um deles começou a fumegar e o piloto saltou. Starck ainda danificou outro Me 109 antes que este desaparecesse nas nuvens.

Em sua 107ª missão, que seria a última do seu segundo tour operacional, Starck tornou-se um ás ao abater 3 caças alemães em seguida. Contudo, pedaços da cauda de sua terceira vítima atingiram o Mustang, danificando a refrigeração do motor o sistema de óleo. "O P-51 tem um excelente sistema de mira, mas eu estava terrivelmente perto e um pouco abaixo do alvo. Eu disparei alguns tiros, mas de alguma forma errei o cálculo e a rajada atingiu a cauda", lembrou-se. Ele conseguiu ainda voar por 20 minutos, mas teve que saltar sobre o Ruhr e foi rapidamente capturado. Em abril de 1945, os alemães permitiram que Starck mandasse, da prisão, uma mensagem de rádio: "Está tudo bem. Eu tive um pouco de má-sorte, mas não devido à ação do inimigo. Avisem meus oficiais, e digam pra eles marcarem mais três pra mim! Eu cheguei aqui bem a tempo para o Natal. Desejo-lhes o melhor, do Stalag Luft! Minha casa!" Sua esposa, Mildred, recebeu diversos cartões e telegramas de todo o país após a transmissão.

Após a guerra, e com 7 vitórias aéreas confirmadas, Starck continuou na Força Aérea, aposentando-se em julho de 1965 na patente de Coronel. Em seguida, abriu uma firma de engenharia, e mudou-se para Ocean Pines, Maryland, onde gostava de pescar e jogar golfe. Walter Starck faleceu tranquilamente no Hospital Atlantic General, deixando sua esposa, dois filhos e muitos netos.


Capitão Starck e sua equipe de solo junto ao P-51B "Starck Mad".
Veja também:
>>Nota de Falecimento: Carl Luksic
>>Nota de Falecimento: Luther Smith
>>Nota de Falecimento: "Tex" Hill
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>>Nota de Falecimento: Dale Karger
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Auschwitz tem número recorde de visitantes em 2009


Auschwitz tem número recorde de visitantes em 2009


Apesar da crise econômica, o antigo campo de extermínio nazista foi visitado por 1,3 milhão de pessoas, 100.000 a mais do que o recorde conseguido em 2007.

O interesse internacional no mais importante símbolo do Holocausto, Auschwitz-Birkenau, é maior do que nunca. De acordo com a assessoria de imprensa do memorial, 1,3 milhão de pessoas de todo o mundo visitaram o antigo campo de extermínio no ano passado – um recorde na história de 62 anos do memorial. O número de visitantes é cerca de 100.000 acima do antigo recorde de 1,22 milhão em 2007.

A vasta maioria dos visitantes, 821.000, são jovens, dos quais 600.000 são poloneses, onde a visita ao campo é obrigatória aos estudantes. Comparado a 2008, o número de jovens visitantes de todo o mundo cresceu em 120.000 – o que o diretor do museu, Piotr Cywinski, considerou um prazeroso desenvolvimento.

A importância deste lugar para a história mundial não pode ser subestimada”, ele disse. “A Europa de hoje não pode ser entendida sem um estudo a fundo de Auschwitz”.

É, ele acrescenta, impossível entender a responsabilidade de alguém sem escutar as histórias de vítimas do Holocausto. “Dessa forma, estou muito feliz com o aumento de jovens visitantes. O futuro do mundo está nas mãos deles”.

Os cinco países que mais mandaram visitantes são Polônia, Inglaterra, Itália, Israel e Alemanha. Também foi notado um aumento de 18.000 turistas israelenses em 2009.

Contudo, foi notado que menos turistas norte-americanos apareceram, possivelmente por causa da crise econômica, e a depreciação do dólar, enquanto que o número de visitantes asiáticos aumentou bastante.

No entanto, há quem diga que o memorial usa métodos “questionáveis” para alcançar esses números. Até mesmo o roubo da famosa placa “Arbeit macht frei”, que atingiu as manchetes no fim do ano passado, contribuiu para aumentar as visitas.

Em dezembro de 2009 a placa foi roubada do portão frontal. Logo após, cinco homens foram presos. A placa, que foi encontrada dois dias depois do roubo cortada em três pedaços, se destinaria a um colecionador britânico de objetos nazistas, que havia contratado um grupo de neonazistas suecos para roubá-la.

Contudo, foram apontadas discrepâncias e contradições nos depoimentos de autoridades polonesas, o que jogou dúvidas sobre as investigações. Há sugestões de que toda a ação tenha sido, na verdade, um ato de “publicidade” para atrair atenção para o museu, provar para o mundo os perigos a que Auschwitz está exposto e ampliar o apoio à atual campanha de levantamento de fundos lançada em 18 de dezembro – quando o governo alemão decidiu destinar 60 milhões de euros para preservar os dormitórios, as câmaras de gás e outras evidências dos crimes de guerra nazistas.

Fonte: Ynetnews, 6 de janeiro de 2010.

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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Primeiras imagens do HMAS Centaur são divulgadas


Primeiras imagens do HMAS Centaur são divulgadas


Um navio-hospital australiano da Segunda Guerra Mundial, o HMAS Centaur, foi avistado pela primeira vez desde que afundou mais de 60 anos atrás com a perda de 268 vidas.

Imagens dos destroços, a mais de 2 km de profundidade, foram capturadas por uma câmera subaquática controlada remotamente.

A localização do navio foi descoberta mês passado, após uma busca usando alta tecnologia.

A Austrália diz que o navio, que afundou em maio de 1943, foi torpedeado pelos japoneses. O Japão diz que as circunstâncias cercando o afundamento não estão claras.

A equipe de busca encontrou o navio em 20 de dezembro de 2009, ao largo da costa de Queensland, cerca de 45 quilômetros a leste da ponta sul da ilha Moreton.

Condições favoráveis recentemente permitiram que a equipe mandasse um veículo submersível com uma câmera remotamente controlada. Mais mergulhos estão planejados.

O diretor da busca, David Mearns, disse que espera que as imagens “finalmente ponham um fim numa busca de 66 anos por perguntas sem respostas e traga conforto para muitos familiares na Austrália e no exterior”.

Os destroços foram encontrados pendendo para o lado esquerdo em um ângulo de aproximadamente 25 graus, e a proa está quase completamente separada do resto do casco na área onde um único torpedo atingiu”, ele disse.

Embora os destroços estejam bastante danificados, as marcas típicas e características que identificam a embarcação como o Centaur estão claramente visíveis”.

Entre as características identificáveis reveladas pela câmera estão a grande cruz vermelha marcada nos dois lados do casco. As imagens também mostram o número 47, que designava a embarcação como Navio Hospital Australiano 47.

Anunciando a busca pelo navio no ano passado, o Primeiro-Ministro Kevin Rudd disse que a perda do Centaur foi um golpe duro no coração da nação e tornou-se um símbolo da determinação na luta contra um inimigo brutal.

Os australianos acreditam que o navio foi atacado sem aviso, numa ação que o governador de Queensland, Paul Lucas, chamou de bárbara e sem sentido.

Ele exigiu um pedido formal de desculpas do governo japonês, mas um comunicado da embaixada japonesa em Canberra disse que detalhes cercando o afundamento são inconclusivos.

Das 332 pessoas a bordo do navio, somente 64 sobreviveram. Onze das 12 enfermeiras a bordo faleceram.

Fonte: BBC News, 10 de janeiro de 2010.

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Um passeio pelo submundo de Berlim


Um passeio pelo submundo de Berlim


Uma organização chamada Berlin Undergrounds oferece aos visitantes uma inesperada perspectiva da capital alemã.

Fundada em 1997, Underworlds é uma organização sem fins lucrativos dedicada a documentar e preservar a vasta rede berlinense de espaços subterrâneos. Financia seus projetos oferecendo passeios a bunkers, esgotos, abrigos antiaéreos e catacumbas. Os passeios são oferecidos em uma variedade de línguas, incluindo inglês.

Os mais de 300 membros da associação incluem entusiastas, modelistas e historiadores de todas as idades. “Basicamente, pessoas que apreciam andar por aí no escuro”, diz Robin Williams, 32 anos, um dos guias de língua inglesa da organização.

Já que muitas das estruturas subterrâneas de Berlim foram construídas durante o período nazista, o principal trabalho da associação é baseado na Segunda Guerra Mundial. Um passeio popular (simplesmente chamado de “Passeio Clássico”) que leva os visitantes através de um abrigo anti-bombas da época da guerra é uma lição de história da perspectiva dos civis alemães vivendo com medo dos bombardeios Aliados. A experiência é ainda mais interessante porque o abrigo está localizado logo abaixo da movimentada estação de metrô de Gesungbrunnen.

Organizações similares existem em outras cidades, incluindo Hamburgo e Viena. Mas a Berlin Underworlds deve seu sucesso em grande parte à contínua fascinação com a Segunda Guerra e a Guerra Fria.

Muitas pessoas perguntam sobre passeios no bunker de Hitler, de acordo com o Sr. Williams. Uma nota no website da associação explica que os restos do demolido bunker de Hitler estão abaixo de um estacionamento em Mitte, marcado somente por uma placa informativa.

A associação oferece, contudo, passeios através de abrigos antiaéreos da Guerra Fria, linhas abandonadas de metrô e rotas de fuga subterrâneas de Berlim Oriental para Berlim Ocidental.

O mais novo passeio disponibilizado explora o Fichtebunker, um dos mais antigos depósitos de gasolina da Europa. A estrutura, localizada em uma calma rua residencial em Kreuzberg, serviu a vários propósitos nos últimos cem anos: um bunker durante a guerra, uma prisão, um asilo e um lar para desabrigados; atualmente está sendo transformado em um condomínio de apartamentos de luxo. “Estamos mostrando a história de Berlim da perspectiva desse prédio em particular”, disse o Sr. Williams.

Entradas para todos os passeios regulares estavam disponíveis a partir das 10:30h na sede da Berlin Underwords, localizada na entrada sul da estação de metrô U8 Gesundbrunnen (na direção da saída para o Humboldthain Park), na Brunnenstrasse. O telefone é 49-30-499-105-17.

Fonte: The New York Times, 31 de dezembro de 2009.

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A vingança das Cobras Fumantes


A vingança das Cobras Fumantes

Ao pensar no Brasil se pensa em caipirinha, Copacabana – e nazistas que fugiram para lá das ruínas do Terceiro Reich. Muito menos sabido: 25.000 brasileiros lutaram na Europa contra Hitler na Segunda Guerra Mundial. As “Cobras Fumantes” que fizeram isso ainda tomaram toda uma divisão do Exército Alemão.

A surpresa foi em ambos os lados, mas os alemães eram maioria: na sangrenta luta ao redor da cidade de Montese, no norte da Itália, em meados de abril de 1945, três soldados Aliados em patrulha se viram, de repente, lutando contra toda uma divisão do exército inimigo. Após uma dura mas breve batalha, Arlindo Lucio da Silva, Geraldo Baeta da Cruz e Geraldo Rodrigues de Souza estavam mortos. Impressionados com o espírito de combate dos oponentes, os alemães fizeram-lhes cruzes de madeira. Na inscrição se lia: “Três heróis brasileiros”.

Que sul-americanos lutaram na Segunda Guerra Mundial contra Hitler no meio da Europa, pouca gente hoje sabe. Pelo contrário, o subcontinente e o Brasil são vistos como um paraíso para os simpatizantes nazistas e esconderijo de muitos criminosos de guerra. Ironicamente, o Brasil, que se tornou após 1945 o refúgio do notório médico nazista Josef Mengele, em 1944 enviou uma força militar de 25.000 homens para lutar contra a Wehrmacht na Europa.

Muitos brasileiros pensaram na época que motivos obscuros levaram à guerra contra a Alemanha. “Mais fácil uma cobra fumar do que brasileiros irem à guerra”, era o ditado comum, e era grande o ceticismo entre o Amazonas e o Rio Grande. O presidente Getúlio Dornelles Vargas nunca escondera suas simpatias por Mussolini e o movimento fascista. Quando ele criou o “Estado Novo” no Brasil em 1937, seu modelo de governo focava-se pesadamente no modelo italiano.

Cinco navios afundados em 40 horas

Após o início da Segunda Guerra Mundial, Vargas esquivou-se e tentou permanecer na neutralidade. Em vista da maciça pressão política e de tentadoras ofertas de ajuda, ele deu aos Estados Unidos concessões graduais após a entrada dos americanos na guerra em 1941. Em outubro de 1941, a Marinha Norte-Americana ganhou o direito de usar os portos atlânticos no nordeste brasileiro, onde um esquadrão de hidroaviões americanos foi instalado. Em janeiro de 1942 o Brasil rompeu relações diplomáticas com as potências do Eixo. Mas ainda assim, Vargas recusou-se a declarar guerra a Hitler ou enviar tropas.

A ocasião foi providenciada pelos próprios alemães no primeiro semestre de 1942, após submarinos alemães afundarem um total de 13 navios mercantes brasileiros – de facto, o Brasil e o Terceiro Reich estavam em estado de guerra. Mas Vargas ainda hesitava. Então, o submarino U-507 torpedeou o Atlântico Sul entre 16 e 17 de agosto de 1942, e dentro de 40 horas, não menos que cinco navios de bandeira brasileira foram ao fundo. Mais de 600 vidas foram perdidas. Alguns dias depois, em 22 de agosto de 1942, o Brasil estava oficialmente em guerra contra a Alemanha e Itália.

Porém, as primeiras unidades da Força Expedicionária Brasileira somente desembarcaram em Nápoles, no sul da Itália – que tinha sido liberada pelos americanos em outubro de 1943 – em 2 de julho de 1944. Finalmente marchavam as tropas brasileiras, as “Cobras Fumantes”, identificados pelo emblema no ombro esquerdo de seus uniformes: uma cobra que, entre suas presas, fumava um cachimbo.

Brasileiros na “Linha Gótica”

O batismo de fogo das “Cobras Fumantes” se deu em 14 de setembro de 1944 no vale do rio Serchio, ao norte da cidade de Lucca, na Toscana. Após dois dias de luta, eles capturaram a cidade de Massa Rosa, de 20.000 habitantes, e celebraram sua primeira grande vitória. Então a situação se tornou menos jubilosa: o lendário General norte-americano Mark Clark, que engendrou a invasão da Itália, e era comandante do 5º Exército americano, ordenou que os brasileiros fossem para os Apeninos.

Lá, as cobras deveriam ajudar no combate às forças armadas da “Linha Gótica” – a pesadamente fortificada rede de defesas ao longo dos Apeninos entre Pisa e Rimini, com 30 quilômetros de profundidade, dotada de campos minados, valas antitanque, posições de artilharia e ninhos de metralhadora. E não somente isso: os tropicais sul-americanos se viram repentinamente em meio às duras condições do inverno no norte da Itália – junto ao tenaz inimigo havia também o frio do gelo.

Embora inicialmente tenha rompido a linha em muitos pontos, o ataque não pôde ser concluído com sucesso. Com enormes perdas, dificuldades de suprimento, falta de comida e tempo ruim, os Aliados foram forçados a esperar o inverno passar. Enquanto isso, os alemães fizeram dos congelados brasileiros alvo de guerra psicológica, lançando folhetos de propaganda e um programa de rádio diário em português chamado “Hora Auriverde”, que objetivava enfraquecer seu moral.

Uma divisão alemã capturada

Em fevereiro e março de 1945 os Aliados foram finalmente capazes de tomar posições-chave nas montanhas. Em meados de abril, as “Cobras Fumantes”, que irromperam após a Batalha de Montese e penetraram as linhas alemãs no norte. O Regimento Tiradentes tinha apenas 129 soldados.

Mas as cobras conseguiram um sucesso espetacular. Em 28 de abril de 1945, a sudoeste da vila de Ponte Scodogna, em Parma, às margens do rio Taro, toda a 148ª Divisão de Infantaria sob comando do Generalleutnant Otto Fretter-Pico, partes da 90ª Divisão de Infantaria Mecanizada e diversas unidades italianas se renderam. Dois generais, cerca de 900 oficiais e aproximadamente 20.000 soldados caíram em cativeiro dos brasileiros. Eles preferiram cair prisioneiros dos brasileiros, pois estavam cercados por partisans italianos.

Em 2 de maio finalmente o Exército Alemão se rendeu na Itália, no mesmo dia em que as “Cobras Fumantes” chegaram a Turim. Mais de 450 brasileiros pagaram com as vidas pela liberação da Europa dos nazistas. Seus restos inicialmente foram enterrados no cemitério de Pistoia, mas em 1960 foram trasladados para o Brasil. No Rio de Janeiro, o distrito do Flamengo hoje possui um monumento aos mortos na Segunda Guerra Mundial.

Fonte: Der Spiegel, 5 de janeiro de 2010.

Patrulha brasileira no front italiano durante o inverno 1944-1945. Nem sempre os brasileiros lutaram com vestimenta de inverno.

Presidente Vargas negocia com o Presidente Roosevelt a bordo de um destróier americano em 2 de janeiro de 1943.

O Tenente Pedro Paulo de Figueiredo Moreira (indicado com a seta) embarcando no Rio de Janeiro para a Itália.

No caminho para a Itália, parte dos 25.334 brasileiros que foram combater os nazistas.

A tropa desfilando em frente ao Castel Nuovo, em Nápoles, logo após chegarem em 16 de julho de 1944.

General Clark (esq.) e o General Dutra (ao seu lado) inspecionam tropas durante visita do último à Itália, em outubro de 1944.

General Otto Fretter-Pico se rendendo à Força Expedicionária Brasileira.

General Willis Crittenberger (esq.) e General Clark (dir.) em frente à Torre de Pisa em 6 de setembro de 1944. Os brasileiros lutaram sob seu comando.

Cemitério de Pistoia, que inicialmente abrigou os mortos brasileiros.

Monumento aos mortos na Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro.

NOTA: Meus agradecimentos ao amigo J.C. Gallas pela dica.

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