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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Os últimos gloriosos Poucos


Os últimos gloriosos Poucos


Eles são os gloriosos Poucos, os aviadores cuja extraordinária bravura salvou a Grã-Bretanha da invasão alemã.

Setenta anos depois, os herois que repeliram a Luftwaffe durante a Batalha da Inglaterra formam um grupo em extinção – acredita-se que somente 79 estejam vivos hoje. Uma comemoração especial acontecerá na Abadia de Westminster para lembrar todos que tomaram parte no esforço – talvez o mais importante já lutado pela Grã-Bretanha.

Muitos tinham 18, 19 ou 20 anos quando alçaram os céus em Spifires e Hurricanes entre julho e outubro de 1940. Outros voaram Blenheims, Beaufighters e Defiants. Alguns se tornaram ases na batalha, derrubando avião após avião.

Durante o combate, Winston Churchill disse: “A gratidão de todas as casas da nossa ilha, nosso império, e de todo o mundo, vai para os aviadores britânicos que, apesar das dificuldades, incansáveis em seu desafio constante e perigo mortal, estão virando a maré da guerra por sua bravura e devoção”.

Nunca no campo do confilito humano tantos deveram tanto a tão poucos”.

Quando a batalha acabou, 544 aviadores da RAF haviam perecido. Aqui está um tributo aos últimos dos sobreviventes:

1-Flight Lieutenant Robin Appleford, 89 anos
Juntou-se ao 66º Esquadrão aos 18 anos. Vividamente lembra-se de desafiar a morte após seu Spitfire ser atacado sobre Kent. “Alguns Messerschmitts vieram do sol sobre nós”, disse ele. “Eu estava na traseira da formação de nossa patrulha e a primeira coisa que vi foi que minha que minha asa direita tinha sumido. Meus sapatos foram destruídos, o que me deixou furioso porque eu tinha comprado eles nos dia anterior”. Trabalhou na África do Sul como instrutor de voo e hoje vive em um asilo em Berkshire.

2-Flight Lieutenant Owen Burns, 95 anos
Lembra-se perfeitamente da cueca de seda que usava para proteger-se do frio. Artilheiro num Blenheim do 235º Esquadrão do Comando Costeiro, ele também lembra-se de sentir-se vulnerável. “Você está por conta própria, completamente. Tudo que você pensa é voltar ao chão em segurança”, disse. “E quando você sai da aeronave e vê os buracos, parece que virou queijo suíço. Éramos todos muito jovens, era um mundo totalmente diferente o que vivíamos”. Vive hoje no oeste de Londres.

3-Flight Lieutenant Terry Clark, 91 anos
Artilheiro no 76º Esquadrão, sua mais vívida memória é das cruéis noites passadas em chãos frios esperando o alarme. “Tudo que tínhamos era um pequeno cobertor para nos aquecer, mas eles nos davam enormes sanduíches enquanto passávamos o tempo jogando cartas”. Viúvo desde 2001, ele vive hoje em Yorkshire.

4-Air Commodore John Ellacombe, 90 anos
Enfrentou sozinho 12 aviões alemães sobre a costa sudeste. “Fui direto pra eles e comecei a atirar – e não parei”. Ele fez um pouso forçado com seu Hurricane num campo após uma bala atingir seu motor. “Enquanto saía do avião eu vi um homem correndo na minha direção, agitando um forcado e gritando ‘Eu te mato, alemão maldito!’ Ele me perseguiu ao redor do avião. Foi uma cena cômica”. Felizmente quatro soldados ingleses chegaram e desarmaram o fazendeiro. John Ellacombe permaneceu na RAF até aposentar-se em 1973. Vive em Middlesex.

5-Hubert Flower, 88 anos
Nascido na Ilha de Man, aos 18 anos era o mais jovem aviador a voar na Batalha da Inglaterra. Artilheiro e operador de rádio no 248º Esquadrão, ele voou Bristol Blenheims. Mais tarde serviu na África e voou 103 missões durante a Ponte Aérea de Berlim. Após a guerra, trabalhou no Serviço Colonial e Alfândega no Departamento de Lorde Chancellor.

6-Wing Commander Robert Foster, 90 anos
Piloto de Hurricane no 605º Esquadrão, juntou-se à ação durante a Blitz. “Vimos Londres em chamas”, ele disse. “Foi nossa primeira visão da guerra real. Me lembro de um amigo, Bunny Curran, dizendo ‘Oh Deus, agora realmente estamos nessa, se é isso que é a guerra’”. Ele acrescenta: “Ficar sentado esperando é a pior parte: aguardar o sino tocar para você decolar”. Após a guerra tornou-se gerente da Shell-Mex e British Petroleum. Ele hoje é presidente da Associação de Caça da Batalha da Inglaterra.

7-Flight Lieutenant Trevor Gray, 95 anos
Ficou amigo de um piloto alemão de Messerschmitt Me 110 que ele derrubou em um combate com seu Spitfire. “Seu nome era Helmut e quando ele veio para a Inglaterra eu o levei para jantar com sua esposa e minha falecida esposa, Dorothy. Trocávamos cartões de natal todo ano até que ele morreu três anos atrás”. Após a guerra, Gray, que voou com o 64º Esquadrão, desenvolveu radares marítimos e aparelhos de navegação para aeronaves.

8-Flight Lieutenant Bill Green, 92 anos
Viu-se sozinho entre 16 inimigos circulando sobre Kent enquanto voava com o 501º Esquadrão. “De repente uma explosão de vidro – um grande buraco no pára-brisas. Eu fiquei coberto de óleo e percebi que a aeronave já era”. Ele saltou, mas inicialmente o paraquedas não abriu. Lembrou-se: “Por mágica, houve uma lufada. O vento deve ter entrado pelas dobras do paraquedas. Eu não acreditava que estava vivo”. Tornou-se instrutor de voo da RAF após a guerra.

9-Squadron Leader Tony Iveson, 90 anos
Voou Spitfires com o 616º Esquadrão. “Até onde sabemos, salvamos o mundo”, diz ele. Enfrentando fogo inimigo, o então inexperiente piloto teve que mergulhar 6.000 metros com seu caça e fazer um pouso forçado no mar, perto da costa de Suffolk. “Vi a temperatura subindo lentamente e a pressão do óleo desaparecendo, e o motor começando a tossir. Sabia que tinha que pousar, mas só via céu e mar, e eu sozinho lá. Pular na imensidão do Mar do Norte teria sido uma idiotice”. Continuou na RAF após a guerra e hoje vive em Oxted, Surrey.

10-Wing Commander Terence Kane, 91 anos
Membro do 234º Esquadrão, ele se lembra de abandonar seu Spitfire sobre o Canal após um combate no qual – aos 19 anos – ele derrubou um avião alemão. “Meu motor parou e percebi que a única coisa a fazer era saltar”. Mas não conseguiu soltar sua máscara de oxigênio e teve que voltar à cabine para soltar-se. “Eu tentei alcançar a cordinha do paraquedas, mas não a encontrei. Entrei em pânico. Eu caía pelas nuvens... Se eu tivesse puxado a corda três segundos depois, não estaria aqui hoje. Os alemães me resgataram e eu passei o restante da guerra como prisioneiro”. Ele ficou na RAF após a guerra e foi enviado para a Alemanha e Líbia. Tem três filhas e é viúvo desde 1993.

11-Wing Commander Tom “Ginger” Neil, 90 anos
Um dos pilotos que o Ministério da Guerra usou para propaganda por causa de sua altura (1,93m) e beleza. Um bem-sucedido ás do Hurricane, ele voou 141 missões de combate (enquanto poucos pilotos chegavam a 50) derrubando 13 aeronaves inimigas – e ele tinha só 19 anos quando a batalha terminou. “Eu deveria ter morrido umas 12 vezes”, ele disse. Após deixar a RAF em 1964, ele trabalhou na indústria de calçados e escreveu suas experiências na Batalha da Inglaterra em “Gun Button To Fire”. Vive em Norfolk com a esposa Betty, com quem casou-se há 65 anos. Tem três filhos, de 64, 62 e 60 anos.

12-Squadron Leader Tony Pickering, 90 anos
Derrubado por um caça alemão, ele se lembra de saltar do Hurricane em chamas e 1.000 metros. “Eu apenas e soltei e fui. Aterrissei no meio de um depósito da Guarda em Caterham, Surrey”. Baseado em Gravesend com o 501º Esquadrão, ele estava de volta aos voos no dia seguinte. “Éramos muito jovens. Não acho que percebíamos o perigo do que estávamos fazendo. Éramos entusiasmados e estimulados por Churchill”. Após a guerra, se tornou projetista de turbinas a vapor até aposentar-se em 1985. Casado com sua esposa, Chris, ele tem um filho, uma filha, cinco netos e cinco bisnetos.

13-Squadron Leader Nigel Rose, 90 anos
Juntou-se ao 602º Esquadrão em Drem, na Escócia, em junho de 1940 aos 20 anos. “Éramos muito novos e crus”, lembra-se. “No meu terceiro dia com o esquadrão eu tive meu primeiro combate, quando avistamos alemães chegando. Eu nunca tinha visto um avião alemão na minha vida, e lá tinha mais de 100. Tive meu batismo de fogo, tive sim”. Após a guerra, ele voltou ao seu trabalho de recenseador e casou-se com Pámela Anding, que conheceu num clube de squash perto da base. Tiveram uma filha, a novelista Barbara Erskine. Viúvo, vive em Essex.

14-Squadron Leader Michael Wainwright, 90 anos
Destruiu um Messerschmitt Me 109 na costa sul em 25 de julho de 1940. Dois meses antes, o estreante de 20 anos do 64º Esquadrão tinha derrubado outro 109, sobre Dunquerque, durante a Batalha da França. Aposentou-se da RAF em 1958 mas continuou voando como instrutor e piloto civil na Inglaterra e Oriente Médio. Finalmente pendurou suas asas em 1 de agosto de 1990. Em seu diário de guerra, escreveu: “Nunca fiz boas amizades com outros pilotos – não queria que meus amigos fossem mortos”.

15-Flight Lieutenant William Walker, 97 anos
Entrou em ação em junho de 1940 junto ao 616º Esquadrão após apenas cinco horas de treinamento. Dois meses depois seu Spitfire foi derrubado sobre Dover por um dos mais famosos ases alemães, Werner Mölders. “No mar eu tentei sentar-me em algo flutuante, mas toda hora caía na água. Um barco de pesca me pegou”. Quando chegaram a Ramsgate, ele já sofria de hipotermia. “Fui levado pelas escadas do porto e uma multidão me aplaudia. Uma bondosa mulher me deu um pacote de cigarros”.

16-Squadron Leader Geoffrey Wellum, 89 anos
O mais jovem piloto de caça da Batalha da Inglaterra, voou Spitfires com o 92º Esquadrão aos 18 anos de idade, e foi oficialmente creditado com a destruição de três aeronaves alemãs, além de quatro prováveis e diversas outras danificadas. Sofreu um colapso nervoso em 1942, que detalhou em sua autobiografia “First Light”, publicada em 2002. Vive em Cornish. Disse ele: “A Batalha da Inglaterra me fez dar valor à vida. Decidi que se sobrevivesse, queria poder aproveitá-la. Agora tenho uma vida muito tranquila”.

17-Flying Officer Ken Wilkinson, 92 anos
Voou Spitfires com o 616º Esquadrão sob o comando do lendário ás Sir Douglas Bader. “Ele era um líder”, diz Wilkinson. “Eu era muito novo na época, então além de acenos e chamá-lo de ‘Senhor’ eu não falava muito com ele. Mesmo com minhas próprias pernas eu não podia voar como ele”. Ele acrescentou: “Éramos muito metidos. Estupidamente metidos, melhor dizendo. Simplesmente não considerávamos a derrota. Alguns podem ter morrido, mas sabíamos que íamos vencer”.

Fonte: Daily Mail, 19 de setembro de 2010.

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2 comentários:

Celso Luiz disse...

Peter Townsend já é falecido?

Júlio disse...

Sim, Townsend faleceu em 1995.