(14/08/1918 - 18/09/2010)
Faleceu no último dia 18 de setembro em Gravesend, Inglaterra, de causas naturais aos 92 anos de idade, o veterano indiano da Batalha da Inglaterra, Squadron Leader Mohinder Singh Pujji.
Nascido em Simla, Índia, Pujji era filho de um importante funcionário do Departamento de Saúde e Educação. Ele aprendeu a voar em 1937, recebendo sua Licença "A" na Escola de Voo de Delhi. Pujji trabalhou como piloto para a Shell em 1938, e quando a Segunda Guerra começou em setembro de 1939, leu um anúncio num jornal pedindo por pilotos com Licença "A" para uma comissão na reserva da Força Aérea Indiana. Ele foi selecionado para embarque para a Inglaterra, sendo comissionado em 1 de agosto de 1940 como parte dos "Primeiros 24" - o grupo pioneiro de 24 pilotos indianos enviados para a Inglaterra.
Chegando a Liverpool em outubro, Pujji foi colocado em treinamento avançado. Contudo, sendo da etnia Sikh, Pujji fazia questão de não retirar seu turbante, nem mesmo na cabine de um caça. Após explicar a situação ao oficial-comandante, ele recebeu permissão especial para usar o turbante operacionalmente, fazendo uma adaptação especial para os fones de ouvido, que passavam por cima do tecido - ele tornou-se o único a fazer isso durante toda a guerra. Voando o Hurricane a partir de abril de 1941 com o 258º Esquadrão, Pujji escoltou bombardeiros em ataques a alvos na Europa ocupada. "No dia que derrubei meu primeiro inimigo, fui para o meu quarto e me deitei - não queria falar com ninguém. O que eu tinha passado - aquela podia ter sido minha morte, sabe?", lembrou-se. Em outra ocasião, Pujji disse ter sido salvo por seu turbante: ele teve que fazer um pouso forçado na costa sul da Inglaterra após ter seu motor danificado por fogo alemão, e bateu forte contra o chão, efetivamente deixando o avião em pedaços. Contudo, o enchimento do turbante agiu como um amortecedor para sua cabeça, e ele não teve ferimentos sérios.
No fim de setembro de 1941, Pujji foi enviado para o Norte da África, voando o Curtiss Warhawk no deserto durante a Operação Crusader. Em uma missão, ele foi derrubado pela antiaérea alemã e fez um pouso forçado na areia. "Só sabia que indo para o norte alcançaria o Mediterrâneo; de resto, não sabia mais nada. Sentei no avião e vi uma coluna de poeira. Eu não me importava por quem seria resgatado, alemães ou ingleses, tanto fazia. Acenei com minha camisa, e por sorte, eram ingleses". Em fevereiro de 1942, Pujji foi transferido de volta para a Índia, voando Lysanders e mais tarde Hurricanes contra as forças japonesas na Birmânia. Ele classifica o Teatro de Operações Indiano como um ambiente altamente perigoso e hostil. Um de seus pilotos, voando em Miranshah, na atual fronteira Paquistão-Afeganistão, teve que saltar e foi capturado por rebeldes Sarhaddi, que o esquartejaram. "Eles cortaram o corpo dele em pedaços e me devolveram numa sacola. Que tipo de guerra é essa?" Mohinder Pujji foi um dos poucos indianos condecorados com a Distinguished Flying Cross, por seus serviços na Birmânia, e se tornou o único deles a ver serviço nos três teatros de operação: Europa, Oriente Médio e CBI (China-Birmânia-Índia).
Após a guerra, ele tornou-se um exímio piloto de planadores, obtendo diversos recordes na categoria, e também foi diretor de um aeroclube local. Retornou para a Inglaterra, passando a residir em Gravesend, Kent, onde tornou-se foco de grande atenção da mídia em seus últimos anos. No começo de 2010, publicou suas memórias "For King & Another Country".
Nascido em Simla, Índia, Pujji era filho de um importante funcionário do Departamento de Saúde e Educação. Ele aprendeu a voar em 1937, recebendo sua Licença "A" na Escola de Voo de Delhi. Pujji trabalhou como piloto para a Shell em 1938, e quando a Segunda Guerra começou em setembro de 1939, leu um anúncio num jornal pedindo por pilotos com Licença "A" para uma comissão na reserva da Força Aérea Indiana. Ele foi selecionado para embarque para a Inglaterra, sendo comissionado em 1 de agosto de 1940 como parte dos "Primeiros 24" - o grupo pioneiro de 24 pilotos indianos enviados para a Inglaterra.
Chegando a Liverpool em outubro, Pujji foi colocado em treinamento avançado. Contudo, sendo da etnia Sikh, Pujji fazia questão de não retirar seu turbante, nem mesmo na cabine de um caça. Após explicar a situação ao oficial-comandante, ele recebeu permissão especial para usar o turbante operacionalmente, fazendo uma adaptação especial para os fones de ouvido, que passavam por cima do tecido - ele tornou-se o único a fazer isso durante toda a guerra. Voando o Hurricane a partir de abril de 1941 com o 258º Esquadrão, Pujji escoltou bombardeiros em ataques a alvos na Europa ocupada. "No dia que derrubei meu primeiro inimigo, fui para o meu quarto e me deitei - não queria falar com ninguém. O que eu tinha passado - aquela podia ter sido minha morte, sabe?", lembrou-se. Em outra ocasião, Pujji disse ter sido salvo por seu turbante: ele teve que fazer um pouso forçado na costa sul da Inglaterra após ter seu motor danificado por fogo alemão, e bateu forte contra o chão, efetivamente deixando o avião em pedaços. Contudo, o enchimento do turbante agiu como um amortecedor para sua cabeça, e ele não teve ferimentos sérios.
No fim de setembro de 1941, Pujji foi enviado para o Norte da África, voando o Curtiss Warhawk no deserto durante a Operação Crusader. Em uma missão, ele foi derrubado pela antiaérea alemã e fez um pouso forçado na areia. "Só sabia que indo para o norte alcançaria o Mediterrâneo; de resto, não sabia mais nada. Sentei no avião e vi uma coluna de poeira. Eu não me importava por quem seria resgatado, alemães ou ingleses, tanto fazia. Acenei com minha camisa, e por sorte, eram ingleses". Em fevereiro de 1942, Pujji foi transferido de volta para a Índia, voando Lysanders e mais tarde Hurricanes contra as forças japonesas na Birmânia. Ele classifica o Teatro de Operações Indiano como um ambiente altamente perigoso e hostil. Um de seus pilotos, voando em Miranshah, na atual fronteira Paquistão-Afeganistão, teve que saltar e foi capturado por rebeldes Sarhaddi, que o esquartejaram. "Eles cortaram o corpo dele em pedaços e me devolveram numa sacola. Que tipo de guerra é essa?" Mohinder Pujji foi um dos poucos indianos condecorados com a Distinguished Flying Cross, por seus serviços na Birmânia, e se tornou o único deles a ver serviço nos três teatros de operação: Europa, Oriente Médio e CBI (China-Birmânia-Índia).
Após a guerra, ele tornou-se um exímio piloto de planadores, obtendo diversos recordes na categoria, e também foi diretor de um aeroclube local. Retornou para a Inglaterra, passando a residir em Gravesend, Kent, onde tornou-se foco de grande atenção da mídia em seus últimos anos. No começo de 2010, publicou suas memórias "For King & Another Country".
Pujji em seu Hurricane "Amrit", batizado em homenagem a sua noiva.
Squadron Leader Mohinder Pujji.
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