Loading

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um médico negro nem sempre era querido


Um médico negro nem sempre era querido


Os Aliados atacaram a Praia de Omaha em 6 de junho de 1944, e o médico militar James E. Baker desembarcou lá no dia seguinte.

Os alemães disparavam das colinas e corpos flutuavam na água. Soldados feridos gritavam por ajuda, e Baker encontrou um tenente que havia sido baleado no joelho. Mas este oficial não ficou feliz em ver um médico, pelo menos não Baker, que ainda se lembra de suas palavras: “Tire essas mãos pretas de cima de mim!

Hoje, o psiquiatra aposentado que está prestes a completar 89 anos se lembra do incidente calmamente. “Eu bem queria obedecer aquela ordem, mas eu ia muito à igreja. Eu disse-lhe: ‘Um de nós tem um problema e não sou eu. Vou te operar, você queira ou não”. E foi o que ele fez.

Ele me xingava o tempo todo enquanto eu o tratava. Mas não perdi meu sono por isso. Cresci no Mississippi e você se acostuma a esse tipo de coisa”.

Como um médico afro-americano numa força de combate segregada, Baker experimentou um aspecto pouco discutido da vida militar nos anos 1940 – como alguns soldados brancos, que de outra forma lutavam com ferocidade e coragem, não conseguiam superar seus preconceitos para com seus próprios pares americanos. Como o tenente ferido em Omaha.

Frequentemente eu penso nele”, disse Baker. “Não sei seu nome, mas uma pessoa daquelas, por mais que você tente, não muda”.

Na Inglaterra, antes da invasão, a hostilidade entre a polícia local e os soldados negros cresceu após os soldados começarem a sair com garotas inglesas. Alguém disse aos ingleses que os americanos negros “tinham rabos como macacos”, que apareceriam às 10h da manhã.

Perto do fim da guerra, Baker estava na França, com outros soldados brancos e negros. Havia somente uma única latrina grande, onde alguém pôs uma placa onde se lia “Somente Brancos”.

Me lembro de ter pego uma câmera e tirado fotos dela”, ele disse, “E depois a destruímos”. Mesmo assim, soldados negros nunca iam à latrina sozinhos. No meio da noite, eles acordavam um amigo para acompanhá-los.

Após a guerra, Baker se tornou um psiquiatra e trabalhou para a Associação de Veteranos. Mais tarde, tornou-se diretor médico do Hospital Eastern State em Williamsburg, Virginia.

Fonte: HR Military, 31 de julho de 2010.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Vernon Baker
>>Nota de Falecimento: Bill Holloman
>>Nota de Falecimento: Lee Archer
>>Nota de Falecimento: Luther Smith
>>Os africanos que lutaram na Segunda Guerra
Comente aqui!

Um comentário:

Deiselangblogger disse...

Pois é, mas hoje ainda não é muito diferente, pelo menos na minha cidade, trabalho na saúde, e não vejo nenhum médico negro.
A discriminação ainda é evidente.
Adorei teu blog.
Parabéns!
Aproveito e te convido, para dar uma passadinha, e deixar tua opinião, comentário e sugestão, no meu, :).
Abraços.
Em tempo: penso que somos parentes, também sou Antunes.