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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A história dos colonos holandeses no leste


A história dos colonos holandeses no leste


Uma nova pesquisa mostra como um grupo de fazendeiros holandeses deixou a Holanda rumo à Ucrânia e Lituânia durante a Segunda Guerra Mundial, e foram chamados pelos alemães de “judeus brancos”.

Eles chegaram aos milhares da Holanda para a Europa Oriental para ajudar os alemães a colonizar a terra durante a Segunda Guerra Mundial. Mas de acordo com a primeira grande pesquisa do movimento de colonização holandês, seus amigos alemães os desdenhavam, chamando-os de “judeus brancos”.

Aproximadamente 5.000 fazendeiros viajaram da Holanda para a Ucrânia e Lituânia de 1942 a 1945. Sua singular e pouco conhecida história permanecia escondida até de grandes estudiosos até o mês passado, quando foi apresentado à dezenas de pesquisadores no Museu do Holocausto no Yad Vashem, em Jerusalém.

A Dra. Geraldine von Frijtag Drabbe Kunzel da Universidade de Utrecht, na Holanda, está entre o punhado de pessoas que conhece a singular história desses fazendeiros holandeses. Ela definiu os colonos como “holandeses comuns”, famílias de fazendeiros que no geral falharam em adaptar-se à Ucrânia, apesar do fervor ideológico que os levou para lá.

A conferência reuniu estudiosos de 13 países, que discutiram assuntos pouco debatidos como a questão colaboracionista na Grécia e a visão dos partisans iugoslavos para com os paraquedistas judeus que desceram lá entre 1943 e 1945.

Os colonos holandeses eram voluntários enviados pelo NOC, um órgão estatal montado pelo partido NSB, que tomou o poder após a invasão alemã e a ocupação da Holanda em 1940.

Os alemães consideravam os holandeses e outros povos nórdicos como arianos puros, colocando-os no mesmo patamar na hierarquia racial. Embora outros países europeus tivessem atuantes partidos nazistas, a Holanda foi o único país – além da Alemanha – a encorajar seus cidadãos a iniciar a colonização dos territórios conquistados no leste.

A pesquisa mostra que os líderes da colonização visitaram Minsk em 1942, onde Wilhelm Kube, notório Gebietskommissar (Comissário Distrital) da Bielorrússia, colocou-lhes a par da necessidade de trabalhadores holandeses para substituir os judeus locais.


Recepção amigável

Um dos visitantes holandeses, H. C. Van Maasdijk, escreveu na época que Kube fez um amigável discurso de boas-vindas, no qual mencionou a “singular tarefa civilizadora” no leste, que dependia dos esforços de todos os povos germânicos.

Mas a retórica provou-se somente isso. Os fazendeiros holandeses viram que seus colegas alemães eram ariscos e desconfiados. As autoridades alemãs, por sua vez, reclamavam que os holandeses estavam muito ocupados confraternizando com os eslavos, que eram considerados subumanos.

Particularmente irritantes eram os relatos de fazendeiros holandeses desfrutando da companhia de mulheres de Vilnius. Alguns desses homens até mesmo casaram-se com mulheres locais, em direta violação de suas instruções, e as trouxeram suas novas esposas de volta à Holanda quando ficou claro que o império nazista ruiria.

Na Ucrânia, o desprezo dos alemães era provocado em particular pelas atividades holandesas no mercado negro. Alguns fazendeiros vendiam tudo que tinham, incluindo seus uniformes do NSB e sapatos. “Roubo, fraude e preços exorbitantes” estavam entre as palavras usadas para caracterizar os holandeses em Rowno. Notórios por suas habilidades comerciais, os holandeses foram apelidados de “judeus brancos” pelos alemães.

Cerca de 75% dos colonos holandeses foram para a Europa Oriental por ideologia, e permaneceram por razões econômicas, de acordo com von Frijtag. Dos 150 colonos cuja história ela estudou, 111 foram investigados pelos tribunais de pós-guerra na Holanda.

Baseado neste achado, ela argumenta que muitos dos colonos enfrentaram a justiça em seu país devido às suas ações, que incluíram o uso de trabalho escravo (na maioria prisioneiros de guerra russos), confisco de propriedade e assassinato.

Fonte: Haaretz, 12 de agosto de 2010.

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