Veteranos do Belfast são condecorados pela Rússia

Como o último navio dos comboios árticos que supriram o poder de fogo da Rússia na Segunda Guerra Mundial, o HMS Belfast se tornou um objeto de afeição para o Kremlin.
14 soldados daquela extraordinária campanha foram condecorados com medalhas comemorativas russas por Vladimir Osipov, Chefe do Diretório Presidencial de Condecorações Estatais, numa emocionada cerimônia a bordo do navio. Foi também o último capítulo de uma longa campanha para manter o navio com ajuda da Rússia.
“Os velhos rapazes nunca receberam medalhas, e havia certa tristeza nisso”, disse Tim Lewin, cujo pai serviu no navio e hoje é seu maior defensor. “Os russos encaram a guerra com muito mais seriedade – você tem que lembrar que eles perderam 20 milhões nela. O Dia da Vitória é feriado nacional lá”.
“Este também é o 65º aniversário da vitória, e muitos veteranos estão com quase 90 anos agora, então eles podem não ver muitos mais aniversários. Ir até a Rússia não é tarefa fácil, então ser reconhecido – mesmo agora – é muito importante para eles”.
Quatro milhões de toneladas de suprimentos foram transportadas para a Rússia sob temperaturas de até 30ºC negativos entre 1942 e 1944. Foram entregues milhares de tanques e aeronaves para a luta contra o Exército Alemão no Front Leste, numa missão descrita por Churchill como “a pior jornada do mundo”.
O Belfast também teve papel crucial numa sangrenta batalha naval contra o cruzador pesado alemão KMS Scharnhorst, de 32.000 toneladas, em 26 de dezembro de 1943, quando usou tecnologia de radar para caçar o navio pela escuridão do Ártico.
“Foi uma campanha violentíssima”, disse Lewin. “Foi uma época inesquecível para ambos os lados. Estar um grande navio era muito perigoso, porque se tornava um alvo para todo tipo de ataque; mas era necessário por causa do Scharnhorst. Era sempre escuro e nevado, mas o HMS Belfast era o único navio com um radar funcional decente”.
Mais de 60 anos depois da mais destemida missão do navio, Lewin envolveu-se em com os planos de recuperação em uma conversa com o diretor do navio. “Eu ofereci ajuda após a terceira taça de vinho, como costume”, confessou.
“Foi extremamente complicado, como tudo na Rússia. Era uma época de expansão para os negócios russos, mas eles estavam ressabiados com todo o dinheiro que ia para clubes estrangeiros de futebol. Eles queriam saber por que não estava sendo gasto domesticamente. Passamos 18 meses conversando com amigos de amigos de amigos”.
O custo estimado da recuperação do Belfast ultrapassou £1 milhão, e Vladimir Putin não liberou o dinheiro tão fácil assim. “Ele não perguntou ‘para quem devo fazer o cheque?’”, explicou Lewin. “Ele deu sua aprovação para o financiamento. Quando finalmente conseguimos isso, a crise financeira estourou”.
O conhecimento de Lewin do mercado russo foi obtido quando ele trabalhou como representante comercial nos anos 1980. Durante seu tempo na Rússia, ele tornou-se conhecido de grandes conglomerados industriais do país, incluindo a OPK – que entre suas atividades inclui gigantescos estaleiros navais.
“Os estaleiros russos estão prontos para realizar o trabalho”, ele disse. “Eles fabricarão os mastros que precisamos. Esses novos mastros durarão para sempre, então o custo não importa; o que importa é o envolvimento deles”. O presidente Dmitry Medvedev já deu seu selo oficial de aprovação ao projeto, e os engenheiros russos estão a caminho de Londres para a construção.
“Em termos churchillianos, este é o fim do começo. Agora temos que esperar a poeira assentar um pouco”.
Fonte: Culture 24, 25 de março de 2010.
14 soldados daquela extraordinária campanha foram condecorados com medalhas comemorativas russas por Vladimir Osipov, Chefe do Diretório Presidencial de Condecorações Estatais, numa emocionada cerimônia a bordo do navio. Foi também o último capítulo de uma longa campanha para manter o navio com ajuda da Rússia.
“Os velhos rapazes nunca receberam medalhas, e havia certa tristeza nisso”, disse Tim Lewin, cujo pai serviu no navio e hoje é seu maior defensor. “Os russos encaram a guerra com muito mais seriedade – você tem que lembrar que eles perderam 20 milhões nela. O Dia da Vitória é feriado nacional lá”.
“Este também é o 65º aniversário da vitória, e muitos veteranos estão com quase 90 anos agora, então eles podem não ver muitos mais aniversários. Ir até a Rússia não é tarefa fácil, então ser reconhecido – mesmo agora – é muito importante para eles”.
Quatro milhões de toneladas de suprimentos foram transportadas para a Rússia sob temperaturas de até 30ºC negativos entre 1942 e 1944. Foram entregues milhares de tanques e aeronaves para a luta contra o Exército Alemão no Front Leste, numa missão descrita por Churchill como “a pior jornada do mundo”.
O Belfast também teve papel crucial numa sangrenta batalha naval contra o cruzador pesado alemão KMS Scharnhorst, de 32.000 toneladas, em 26 de dezembro de 1943, quando usou tecnologia de radar para caçar o navio pela escuridão do Ártico.
“Foi uma campanha violentíssima”, disse Lewin. “Foi uma época inesquecível para ambos os lados. Estar um grande navio era muito perigoso, porque se tornava um alvo para todo tipo de ataque; mas era necessário por causa do Scharnhorst. Era sempre escuro e nevado, mas o HMS Belfast era o único navio com um radar funcional decente”.
Mais de 60 anos depois da mais destemida missão do navio, Lewin envolveu-se em com os planos de recuperação em uma conversa com o diretor do navio. “Eu ofereci ajuda após a terceira taça de vinho, como costume”, confessou.
“Foi extremamente complicado, como tudo na Rússia. Era uma época de expansão para os negócios russos, mas eles estavam ressabiados com todo o dinheiro que ia para clubes estrangeiros de futebol. Eles queriam saber por que não estava sendo gasto domesticamente. Passamos 18 meses conversando com amigos de amigos de amigos”.
O custo estimado da recuperação do Belfast ultrapassou £1 milhão, e Vladimir Putin não liberou o dinheiro tão fácil assim. “Ele não perguntou ‘para quem devo fazer o cheque?’”, explicou Lewin. “Ele deu sua aprovação para o financiamento. Quando finalmente conseguimos isso, a crise financeira estourou”.
O conhecimento de Lewin do mercado russo foi obtido quando ele trabalhou como representante comercial nos anos 1980. Durante seu tempo na Rússia, ele tornou-se conhecido de grandes conglomerados industriais do país, incluindo a OPK – que entre suas atividades inclui gigantescos estaleiros navais.
“Os estaleiros russos estão prontos para realizar o trabalho”, ele disse. “Eles fabricarão os mastros que precisamos. Esses novos mastros durarão para sempre, então o custo não importa; o que importa é o envolvimento deles”. O presidente Dmitry Medvedev já deu seu selo oficial de aprovação ao projeto, e os engenheiros russos estão a caminho de Londres para a construção.
“Em termos churchillianos, este é o fim do começo. Agora temos que esperar a poeira assentar um pouco”.
Fonte: Culture 24, 25 de março de 2010.
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