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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Nota de Falecimento: Fritz Darges


Fritz Darges
(08/02/1913 - 25/10/2009)

Faleceu no último dia 25 de outubro em Celle, na Alemanha, de causas naturais aos 96 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, SS-Obersturmbannführer Fritz Darges.

Nascido em Dülseberg, na Saxônia-Anhalt, Darges terminou seus estudos e voluntariou-se para a SS em abril de 1933. Foi selecionado para a escola de oficiais em Bad Tölz e, em abril de 1935, foi comissionado SS-Untersturmführer. Em 1936, ele tornou-se ajudante de Martin Bormann, filiando-se ao Partido em 1937 e sendo promovido a SS-Obersturmführer em setembro daquele ano. Em outubro de 1939 ele voltou para a Waffen-SS e comandou uma companhia nos regimentos Deutschland e Der Führer, lutando na Batalha da França - onde recebeu a Cruz de Ferro de 2ª Classe e foi promovido a SS-Hauptsturmführer. Com a formação da nova 5ª Divisão SS "Wiking", Darges tomou parte na Operação Barbarossa, ganhando a 1ª Classe da Cruz de Ferro em agosto de 1942.

Em março de 1943, Fritz Darges foi feito ajudante de Adolf Hitler, e promovido a SS-Obersturmbannführer em janeiro de 1944. No dia 18 de julho de 1944, durante uma conferência diurna na Wolfsschanze, uma mosca começou a voar ao redor de Hitler, que estava do lado de fora examinando um mapa. Incomodado com o inseto, Hitler disse a Darges que livrasse-se do problema. Darges - num óbvio excesso de bom humor - sugeriu que, como a mosca era uma praga aérea, o responsável deveria ser o ajudante da Luftwaffe, Nikolaus von Below. Obviamente enfurecido com a brincadeira, Hitler demitiu Darges e enviou-o para o front leste.

De volta aos combates, Darges assumiu o comando do 5º Regimento Panzer SS. Na noite de 4 de janeiro de 1945, a "Wiking" avançava em direção a Bieske, quando foi parada pela 4ª Divisão de Rifles da Guarda. Sondando a linha soviética com um grupo misto de tanques e granadeiros, ele conseguiu romper as defesas inimigas ao amanhecer, atacando e destruindo uma força-tarefa soviética em seguida. Ele então atacou o Castelo Regis, forçando a guarnição russa a recuar e então viu-se cercado por reforços inimigos, sendo forçado a repelir diversas investidas, até ser resgatado três dias depois - deixando mais de trinta tanques russos em chamas. Por essas ações, Fritz Darges foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro.

Após a guerra, Darges mudou-se para Celle, na Baixa Saxônia. Ele era participante frequente das reuniões de veteranos até o declínio de sua saúde, alguns anos atrás. Após o falecimento de sua esposa e seu médico particular três anos atrás, ele passou a morar sozinho. Poucos dias antes de sua morte, repórteres do jornal alemão Bild o entrevistaram, e perguntaram-lhe se faria tudo de novo. Ele respondeu: "Sim. Nosso sonho, no fim das contas, era um Grande Império Alemão".

Fritz Darges escreveu suas memórias, que serão publicadas agora, após sua morte.


Darges e Hitler no Berghof em 1943.
Veja também:
>>Nota de Falecimento: Friedrich Blond
>>Nota de Falecimento: Ernst Barkmann
>>Nota de Falecimento: Heinz Jürgens
>>Sylvester Stadler
>>Fui o guarda-costas de Hitler
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Tarantino na idade da razão


Tarantino na idade da razão


Em Bastardos Inglórios, uma unidade voluntária de soldados judeus espalha o pânico entre os nazistas na França ocupada. É uma fantasia típica de Quentin Tarantino - mas, da escrita soberba à escolha dos atores excelentes, denota o avanço notável do diretor rumo à maturidade pessoal e artística.

por Isabela Boscov

Em 1941, diante de uma pequena casa de fazenda, em algum lugar montanhoso da França, o sol brilha, os sinos das vacas são ouvidos ao longe e o pai corta lenha, enquanto a filha pendura a roupa no varal. Pelo lado do lençol que se levanta com o vento, porém, ela vê um grupo de soldados vindo pela estrada, e imediatamente esse quadro tão pitoresco de rusticidade ganha um caráter diverso. Em vez da paz rural, o que se percebe agora é o isolamento da casa e quanto o pai e suas três filhas estão indefesos ali. Ajuda muito que a trilha escolhida para a cena seja um trecho original de Ennio Morricone para os faroestes-espaguete de Sergio Leone, capaz de anunciar como nenhuma outra coisa jamais composta para o cinema a solidão e o perigo. Mas os enquadramentos exímios e o tempo impecável em que transcorre essa sequência de abertura de Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, Estados Unidos/Alemanha, 2009), que estreia no país na próxima sexta-feira, são obra e graça de Quentin Tarantino - tanto eles como a destreza com que o fazendeiro francês e o tenente-coronel alemão Hans Landa, que acabou de chegar com seus soldados, vão descrever círculos um em torno do outro, num enfrentamento que tem como objeto o paradeiro de uma família judia, e em que as armas serão um copo de leite, dois cachimbos, as três meninas e o domínio de ambos os personagens do inglês e do francês.

Na maneira como Tarantino retrai e prolonga o tempo previsto para chegar ao desfecho, essa abertura é eletrizante. E ilustra também a distância que o diretor vem percorrendo rumo à maturidade, em um caminho já indicado na segunda parte de Kill Bill. Tarantino é capaz, agora, de imaginar não só um jogo entre dois personagens, mas um porquê para ele que vá além de suas contingências narrativas. Consegue ouvir a beleza de um diálogo travado, não meramente disparado. E aprendeu a apreciar a utilidade emocional da pausa e dos pequenos milagres que os bons atores podem proporcionar. O pouco conhecido Denis Menochet, que interpreta o fazendeiro, é excelente, e com cada pequeno gesto acumula mais algum dado sobre a vida e o passado de seu personagem, ainda que nem uma palavra se diga sobre eles. E o ainda menos conhecido Christoph Waltz, que faz o nazista, é espetacular: um ator de precisão absoluta, que rouba o filme com a anuência do diretor - e dos outros atores, igualmente galvanizados por sua performance.

O tenente-coronel Hans Landa, assim, será ainda mais essencial para o filme do que os próprios bastardos inglórios - uma unidade especial de soldados judeus voluntários, que penetram na França ocupada para assassinar nazistas com selvageria e dessa forma espalhar o pânico. Liderados pelo tenente Aldo "O Apache" Raine (Brad Pitt), um matuto do Tennessee com um sotaque caipira mais espesso que melaço e o hábito de escalpelar suas vítimas, os bastardos são uma criação típica de Tarantino (que, claro, não deixou de ser ele mesmo): um grupo de homens que se comunicam por meio de frases de efeito - bom efeito, aliás - e se dedicam à violência com prazer, sem pesar nem drama de consciência. Quando eles estão em cena, o filme adquire continuidade com os outros do diretor em tema, estilo e volume bruto de sangue. Quando não, Bastardos Inglórios assinala uma espécie de ruptura.

Em um processo análogo ao do canadense David Cronenberg, que depois de explorar a fundo as possibilidades da escatologia se renovou com o classicismo de Marcas da Violência e Senhores do Crime, Tarantino estuda aqui as propriedades desestabilizadoras da elegância. Cada ato do filme agrupa um determinado número de personagens em um cenário delimitado - uma taverna, um cinema, uma mesa de restaurante. Todos tratam de alguém dissimulando e correndo grande risco; mas os duelos são travados por meio de insinuações. Assim, a estrela de cinema e agente dupla Bridget von Hammersmark (a alemã Diane Kruger, que depois de quase afundar com Troia hoje só faz brilhar) tem de colocar aliados e alemães em volta de uma rodada de bebidas sem que ninguém se traia, e de forma a que aquilo que tem de ser descoberto o seja. A judia disfarçada Shosanna (Mélanie Laurent), por sua vez, tem de repudiar as atenções insistentes de um herói de guerra nazista (Daniel Brühl) sem antagonizá-lo - e ambas, em momentos diversos, terão de sobreviver aos ataques de cordialidade, efusão e malevolência do tenente-coronel Landa. Tão fabulosa é a escrita dessas cenas que a mera menção a um copo de leite causa uma vertigem de medo.

Bastardos Inglórios, contudo, não é um filme sobre a II Guerra. Não é nem mesmo uma história fantasiosa passada na II Guerra, já que trata de dois complôs paralelos para pulverizar, literalmente, o alto-comando nazista. É um filme passado em todos os outros filmes já feitos sobre o tema, com vários elementos dos noir dos anos 30 e dos faroestes de John Ford e Sergio Leo-ne acrescidos à sua encenação. É um filme que pertence só à história do cinema, não à outra, a mais ampla. Mas, como no segundo Kill Bill, Tarantino mostra que descobriu a existência de outro mundo para além desse território imaginário - e que entendeu que, quanto mais se alimentar dele, mais verossímil e envolvente será sua fantasia.

Fonte: Revista Veja, 7 de outubro de 2009.

Veja também:
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>>Sob a névoa da guerra
>>Um astro em busca da reinvenção
>>Especial VEJA - II Guerra Mundial
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Cemitério da Wehrmacht é inaugurado na Rússia


Cemitério da Wehrmacht é inaugurado na Rússia


Um novo cemitério foi aberto na Rússia central, mas este é um pouco diferente dos outros espalhados pelo país: o local homenageia os soldados alemães mortos na Rússia durante a Segunda Guerra Mundial.

Quase 25.000 alemães já foram enterrados num cemitério perto da vila de Besedino, na região de Kursk, num ato que a Rússia espera ser visto como um sinal de reconciliação.

No entanto, a decisão de construir o cemitério não foi fácil, confessou o governador da região de Kursk, Aleksandr Mikhailov, para a Vesti TV. Ele ressaltou que a ocupação nazista de Kursk destruiu mais de 300 vilarejos na região, deixando milhares de mortos e desabrigados.

Mesmo assim, a administração regional e nossos veteranos decidiram que era hora de construir o cemitério”, disse Mikhailov. O governador explicou que o local não apenas se tornará um lugar para celebrar os mortos, mas também irá contribuir para o entendimento mútuo e a reconciliação entre a Rússia e a Alemanha.

A cerimônia foi presenciada por parentes daqueles que perderam suas vidas durante a guerra.

Este é o 11º cemitério desse tipo na Rússia, e para os residentes locais representa um ato de perdão.

Fonte: Russia Today, 22 de outubro de 2009.

Assista a matéria:

Veja também:
>>Decisiva Batalha de Khalkhin-Gol é relembrada
>>Ron Goldstein: O Retorno a Cassino
>>Vídeo: Dobran discursa no túmulo de Serbanescu
>>Viagem de Alfonso Felici à Rússia em 2003
>>Encontrada vala comum da Segunda Guerra na Polônia
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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Diário de Bordo 2009 - Parte 9



Olá meus amigos! Finalmente continuando de onde parei:

No caminho para o Museu Militar Nacional, Claudiu e eu fizemos uma parada no gigantesco Palácio do Parlamento. Este magnífico elefante branco foi idealizado e construído por Nicolai Ceaucescu, para mostrar ao mundo a exuberância do povo romeno (seu nome original era "Palácio do Povo") - mesmo que para isso ele tivesse que desapropriar centenas de residências em uma imensa área no centro de Bucareste, para construir seu objeto de desejo. A ironia é que Ceaucescu não chegou a ver seu palácio pronto, pois ainda não tinha sido completado quando foi executado em dezembro de 1989.

Alguns anos depois o Palácio do Parlamento foi concluído, reduzindo-se o projeto original (que era de torná-lo o maior prédio do mundo). Dessa forma, tornou-se o segundo maior prédio do mundo, perdendo somente para o Pentágono. Fiquei impressionado com a extensão do edifício, e foi realmente difícil enquadrá-lo numa única foto. Tive que ficar realmente longe para conseguir. O palácio possui as maiores tapeçarias do mundo, além de diversos outros luxos mirabolantes. É um ponto obrigatório para quem está visitando Bucareste. Passe lá, vale a pena.

Bem, chegando ao Museu Militar Nacional, tivemos uma notícia frustrante: a direção não permite que o acervo seja fotografado. Uma decisão um tanto ridícula, pois o Museu de Aviação libera câmeras sem nenhuma cerimônia. Imediatamente então, pus-me a fotografar tudo que podia do lado de fora do museu. Há alguns carros blindados de fabricação soviética, além de peças de artilharia e um lançador de mísseis no jardim. Há também uma série de bustos de heróis nacionais, entre eles o famoso Vlad Tepes - nosso popularmente conhecido Drácula. Claro, tirei uma foto ao lado da estátua (confiram abaixo).

Adentrando o museu, passamos inicialmente pelo pátio, que é de tirar o fôlego: peças e mais peças de artilharia de um lado, e tanques e mais tanques de outro lado. Nem posso descrever para vocês uma a uma, mas eram muitas peças de história bélica. Havia um canhão ferroviário austríaco da Primeira Guerra Mundial, capturado pelos romenos no campo de batalha, dois T-34 (sendo que um foi cortado para exibir seu interior), uma fila de tanques T-72, diversos canhões de assalto, um Flak 88, um PAK 50 mm e a jóia da coleção, na minha opinião: um Panzer IV Ausf J. Devo dizer-lhes, a máquina é muito maior na realidade do que aparenta nas fotos.

Prosseguindo, entrei no hangar, que acabara de ser aberto. Lá dentro haviam tantas maravilhas, que decidi arriscar e sacar a câmera, hehe. Lá estavam um segundo IAR-80, uma réplica em tamanho real do jato de Coanda, um Nardi FN.305 e diversas outras aeronaves. Contudo, alguns dos itens mais interessantes foram o traje espacial e a cápsula da Soyuz 40, do cosmonauta romeno Dumitru Prunariu.

Em seguida fomos para a exposição interna, que conta com diversos uniformes, que vão desde o período de domínio turco até os anos comunistas. Entre as raridades estão os uniformes dos reis Carol I, Ferdinand e Carol II. Na exposição da Segunda Guerra Mundial, existem muitas condecorações, inclusive uma RK (que infelizmente não me recordo o dono), o uniforme do Major-General Leonard Mociulshi, e diversas fotos raras do rei Mihai I condecorando soldados romenos.

O Museu Militar Nacional é muito extenso e possui um acervo inacreditável. Indubitavelmente uma parada obrigatória para qualquer um interessado em história militar (ou mesmo história geral) que esteja de passagem por Bucareste.

Bem, no dia seguinte à minha passagem pelo museu, tomei um voo de volta a Frankfurt. Após uma curta noite de sono, rumei para Lisboa e em seguida Belo Horizonte. Felizmente, tudo correu bem na minha viagem, segui o meu plano inicial e consegui alguns "extras" que nem imaginava (como visitar Walter Schuck e os castelos do Reno). Foi tudo muito agradável, mas realmente senti-me bem em estar de volta em casa.

Abraços!













Veja também:
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 8
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 7
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 6
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 5
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 4
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Diário de Bordo 2009 - Parte 8



Dia de visitação aos museus da cidade. Bucareste tem dois museus que devem ser visitados por qualquer um interessado em história militar: o Museu Nacional de Aviação e o Museu Nacional Militar.

O Museu de Aviação fica localizado no antigo aeroporto de Pipera, de onde operou uma esquadrilha de caças durante a guerra. Há diversos hangares, construídos pelos italianos, que hoje abrigam as exposições internas. Há também muitas aeronaves no pátio, distribuídas por toda a área. O museu estava fechado para visitação neste dia, mas graças ao amigo Sorin Turturica (que trabalha lá como pesquisador), eles me permitiram entrar - então tive o museu todo só pra mim!

Ao adentrar as instalações, após alguns passos pode-se visualizar os primeiros MiGs no pátio. Porém, o guia levou-me inicialmente ao primeiro hangar, local de uma exposição muito bem organizada que mostra a evolução da aviação romena. Bastante similar a nós, os romenos têm seu próprio pioneiro da aviação: Traian Vuia. É dito que ele construiu e voou a primeira aeronave a decolar por seus próprios meios – antes de Santos Dumont. Se é verdade ou não, ainda terei de pesquisar para saber.

Há uma réplica do avião de Vuia e também do curioso protótipo do pioneiro romeno Henri Coanda, que muitos consideram o primeiro avião a jato da história, datado de 1910. Muitas outras réplicas e originais também estão lá, mas o que mais me interessava mesmo estava no canto oposto do hangar – o IAR 80. Este foi o caça nacional romeno da Segunda Guerra, equipando sua força aérea desde o começo até o fim do seu envolvimento no conflito. Lá estava ele em toda sua glória. Muito maior do que eu imaginava pelas fotos. Fiquei imaginando como seria ver aquela máquina em operação, nos distantes aeródromos da União Soviética. Definitivamente uma Avis Rara.

Passei pelo segundo hangar e fui para o pátio, num frio congelante e vento forte. Contudo, valeu totalmente a pena. Fileiras de MiGs, aeronaves que eu somente sonhava em ver tão de perto, ao alcance das mãos. Entre eles estão MiGs-15, 17, 21, e o mais impressionante de todos: o MiG-29 Fulcrum romeno. A Força Aérea Romena havia apenas começado a receber seu primeiro lote de caças quando o regime comunista ruiu em 1989. Dessa forma, sem possibilidade de continuidade de suprimentos, foram utilizados por um curto período e logo aposentados. Existe apenas um exemplar no museu, batizado “Sniper”.

Lá estão também diversos helicópteros militares Mil, bem como um dos helicópteros pessoais de Nicolai Ceaucescu. Um tour impressionante. Apesar de que no fim meus dedos estavam doloridos de tanto frio (tive que tirar as luvas para operar a câmera), fiquei feliz com o resultado.

Hora de prosseguir para o Museu Nacional Militar, mas este fica pro próximo post. Abraços!










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>>Diário de Bordo 2009 - Parte 4
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 3
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Diário de Bordo 2009 - Parte 7



No domingo à tarde eu voei de Frankfurt para Bucareste. Um pouso às 17:12h no aeroporto Otopeni iniciou minha visita à Romênia, um país que há muito queria conhecer, principalmente por seu turbulento passado recente, que inclui a Segunda Guerra e a Guerra Fria. A maioria de nós já ouviu falar de Nicolai Ceaucescu, o líder comunista que governou país com mão de ferro por décadas e acabou morto em 1989, quando o comunismo foi derrubado.

Lá no aeroporto já me esperava meu amigo Claudiu Stumer, dentista local e entusiasta da aviação romena na Segunda Guerra. Ele levou-me ao Hotel Phoenicia, um grande hotel de padrão internacional, localizado na vizinhança de Baneasa. Realmente recomendo o hotel para quem for passar alguns dias em Bucareste.

Logo de cara, percebe-se a diferença da Romênia (ou talvez do leste europeu) para o oeste europeu. A infraestrutura é pobre, e muitas vezes se assemelha à que temos no Brasil. Na verdade, a Romênia em muito se assemelha com o Brasil: arquitetura, iluminação, disposição dos edifícios... muita coisa. A diferença é que aqui o povo tem que pagar preços altíssimos pela comida e todos os básicos (sim, mais do que no Brasil), além do severo inverno, que faz com que dependam de gás proveniente da Rússia para sobreviver.

Pois bem, segunda-feira foi um dia ocupado, visitando dois ases da aviação romena na Segunda Guerra. Acordando bem cedo, me preparei e às 9:30h Claudiu me buscou para irmos até o Brigadeiro-General Ion Dobran. O tempo em Bucareste estava fechado, céu cinza como o que vi em Friedrichroda, nada melhor para passear por um ex-país comunista. Após manobrar por grandes avenidas e ruas estreitas, com um tráfego tremendo, chegamos finalmente à casa do General. Avistei-o logo enquanto estacionávamos, com seu característico boné - e para minha surpresa, com seu uniforme militar.

Dobran recebeu-nos no topo da escada com um sorriso e a mão estendida, e logo percebi que ali estava uma pessoa bastante aberta e simpática. Ele mostrou-me suas condecorações, muito bem preservadas, e muitos modelos de Messerschmitts e outras aeronaves. Presentei-o com um boné da FAB, que ele imediatamente colocou na cabeça, dizendo ter gostado imensamente. Ele mostrou-me sua casa, que tem um grande jardim nos fundos. E veja a coincidência: bem quando chegamos, estava sendo transmitida uma reprise da final da Copa Sub-20, Brasil X Gana. Como eu não tinha visto o jogo e Dobran estava acompanhando a partida, terminamos de assistir a desastrosa cobrança de pênaltis que deu o título a Gana. Brasilsilsil....

Rimos bastante daquilo. Dobran contou algumas histórias, como o de seu desafio de voo rasante com Helmut Lipfert, e então assinou algumas fotos. Nos despedimos dele e fomos em direção a outro ás romeno, Tenente-General Ion Dicezare.

Chegamos a uma casa muito antiga, que Claudiu me disse ter pelo menos cem anos. Anunciamos a chegada e Dicezare veio receber-nos, também com seu uniforme militar. Mais sério que Dobran, mas de forma alguma menos cortez, Dicezare mostrou-nos diversos documentos, e presenteou-me com alguns. Em seguida, foi buscar sua farda com as medalhas conseguidas durante a guerra. Minha surpresa foi quando ele tirou do bolso a Cruz de Ferro de 1ª Classe, original, que hoje o governo romeno proibe-o de usar. Mas eu tive o privilégio de vê-la. Dicezare é uma enciclopédia viva da aviação romena, apesar dos seus 94 anos. Ele conta história atrás de história, e tem uma disposição fantástica para folhear documentos.

Ele também mostrou-nos um modelo do seu Messerschmitt, com a famosa inscrição "Hay Fetito" ("Venha Garota"). O sujeito é uma lenda viva: é o aviador mais velho da Romênia - sua licença é de 1936 - é o maior ás vivo e também o único membro da Força Aérea Romena da Segunda Guerra (ainda vivo) detentor da Mihai Viteazul, a maior condecoração nacional por bravura.

Pouco depois despedimo-nos, e agradeci muito pela visita. Retornei ao hotel, para em seguida ir ao Museu da Aviação. Mas isso fica para amanhã. Até lá!









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>>Diário de Bordo 2009 - Parte 3
>>Diário de Bordo 2009 - Parte 2
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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Nota de Falecimento: Kyösti Karhila


Kyösti Karhila
(02/05/1921 - 16/09/2009)

Faleceu em Helsinque, na Finlândia, no último dia 16 de setembro, de causas naturais aos 88 anos, o último dos grandes ases finlandeses, Primeiro-Tenente Kyösti Keijo Ensio Karhila.

Nascido em Rauma, no sudoeste da Finlândia, Karhila voluntariou-se para o serviço militar em 1939, sendo então designado para a Força Aérea. Após concluir seu treinamento como piloto de caça, foi designado para o 32º Esquadrão de Caça em 18 de março de 1941. Iniciando suas missões a bordo de um Fokker D.XXI, Karhila passou para o Curtiss P-36 Hawk em meados de julho. Neste período, a Finlândia já estava novamente em guerra com a União Soviética - a chamada Guerra de Continuação. Karhila derrubou sua quinta vítima, um Mikoyan-Gurevich MiG-3, em 19 de setembro daquele ano, tornando-se um ás com apenas 20 anos de idade.

Karhila prosseguiu no cockpit do Curtiss Hawk, atingindo 13 vitórias, até 20 de abril de 1943, quando foi transferido para o 34º Esquadrão de Caça, equipado com o Messerschmitt Me 109G. Imediatamente, Karhila mostrou resultado positivo com a nova máquina: derrubou dois caças russos LaGG-3 em 4 de maio. Seu escore continuou subindo até 22 de agosto, quando sua unidade foi transferida para o aeródromo de Malmi, em Helsinque, para a defesa da capital. A partir de março de 1944 ele passou três meses com o 30º Esquadrão, retornando para o 34º em junho. Em 30 de junho Karhila assumiu o comando do 3º Voo do 34º Esquadrão, substituindo Hans Wind, que sofrera um sério acidente. Já durante a invasão soviética da Finlândia, Karhila recebeu o comando do 2º Voo do 30º Esquadrão, mas nessa altura, a ação já tinha acabado. "Kössi" Karhila terminou sua carreira de combate tendo voado 304 missões e somado 32 vitórias áereas.

Após a guerra ele tornou-se brevemente um controlador de tráfego aéreo, antes de fazer a transição para piloto comercial. Ele trabalhou para a Finnair, Spearair e outras empresas, antes de aposentar-se em 1973. Ele ainda trabalhou como piloto privado até 1986, quando aposentou-se definitivamente. Kyösti Karhila tornou-se bastante famoso em seus últimos anos, como o último representante da classe dos grandes ases finlandeses. Concedeu diversas entrevistas e participou de muitos eventos, inclusive o ocorrido em março deste ano em Helsinque, na companhia dos ases alemães Walter Schuck, Peter Spoden e Hans-Ekkehard Bob.

Kyösti Karhila e seu P-36 Hawk no 32º Esquadrão.

NOTA: Sei que o falecimento Sr. Karhila aconteceu há mais de um mês, mas a notícia não teve grande alcance fora da Finlândia. Fui informado do ocorrido pelo Dr. Olli Kivioja durante as celebrações do último sábado em Friedrichroda.

Descanse em paz Sr. Karhila!

Veja também:
>>Eino Ilmari Juutilainen
>>Aarne Edward Juutilainen
>>Simo Häyhä
>>Hitler visita a Finlândia - Parte 1, Parte 2
>>Entrevista com Ilmari Juutilainen - Parte 1 , Parte 2 , Parte 3
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Diário de Bordo 2009 - Parte 6



Olá meus amigos!

Finalmente, estou aqui postando novamente. Já estou em Bucareste agora - na verdade, acabei de chegar. Mas vamos ao que aconteceu em Friedrichroda, no Encontro Internacional dos Pilotos.

Na quinta-feira (15/10), Theo Nau levou-me até a casa do Coronel Müller - ex-piloto de Sabres, Phantoms e Starfighters - para que eu fosse com ele até o encontro. No caminho conversei bastante com o Coronel e sua esposa, ambos muito educados. Ele mostrou-me quando passamos pelo ponto onde ficava a antiga fronteira com a Alemanha Oriental. E vou contar para vocês: dá pra ver a diferença instantaneamente, mesmo agora, 20 anos depois. Um fato estranho ocorreu: estávamos sob um belo sol brilhante, e exatamente ao cruzar a fronteira o tempo fechou completamente... céu cinza! Até parece que o lugar tem uma estigma...

Chegamos a Friedrichroda às 15 horas. É uma pequena cidade da Turíngia, que como tantas outras dentro da esfera comunista, é povoada de grandes edifícios quadrados feitos de blocos pré-moldados, que destoam completamente da paisagem alemã. E assim é o Berghotel, um "resort" construído pelos comunistas para receber líderes trabalhistas alemães. O prédio é antigo e todas as reformas feitas para deixá-lo mais palatável não tiveram muito sucesso. Elevadores demorados, quartos sem telefone, e absolutamente nenhuma internet! Puxa vida... Contudo, foi bom conhecer as duas faces da Alemanha.

Vamos ao que realmente interessa. Os pilotos foram chegando aos grupos ao grande hotel. Na primeira noite, tivemos um jantar no salão principal, e ao entrar tive o orgulho de constatar o aviso na mesa: "Reservado - Brasil". Nossa, me bateu uma honra tremenda. Todos foram chegando e o Coronel Reiners, organizador do evento, fez seu discurso de abertura. Em seguida, tivemos um buffet e, por fim, fomos à caça de autógrafos. Um dos brasileiros da nossa turma, Paulo Rago - que é piloto comercial - foi comigo às mesas. Rapidamente reconheci Karl-Fritz Schlossstein, piloto de Me 110 do JG 5. Assinaturas e fotos, e logo encontramos o sorridente Hans-Ekkehard Bob. Bob é um caso a ser relatado em destaque: claro que vejo muitos e muitos veteranos que, apesar dos seus 80 e tantos anos, estão em forma excelente, mas Bob é espetacular. O cara está à beira dos 93 anos e tem uma disposição física invejável!

Fui ao encontro do piloto inglês Joe Patient, que foi um pathfinder voando o De Havilland Mosquito durante a guerra. Uma figura impressionante, ele nos falou sobre a operação do Mosquito e as vantagens da construção em madeira. Lá ainda conheci pessoalmente meu amigo Boris Fabian, de Zagreb, que conseguiu-me a entrevista com o Sr. Marko, e que agora trouxe-me uma foto autografada por ele! Junto com Boris veio Goran Pjenovic, também fã da aviação na Segunda Guerra.

No dia seguinte, sábado, tivemos uma cerimônia no cemitério para honrar os pilotos, de todas as nacionalidades, mortos no conflito. Nossa bandeira estava lá, com todo o orgulho. E para colocar a coroa de flores com nossa flâmula, foram à frente Márcio Madeira e Giovanni La Peña, ambos amigos do Sr. Martin. Diversas delegações depositaram suas homenagens, e depois voltamos para o hotel (num frio glacial, diga-se de passagem).

Esta última noite de festividades foi magnífica. As delegações de diferentes países estavam identificadas nas mesas. Posso dizer que talvez a nossa fosse a maior, excetuando-se a da própria Alemanha. Muitos uniformes diferentes popularam o salão. Para minha surpresa, ao nosso lado estavam as delegações russa e ucraniana, e lá entre eles estava um senhor de uniforme militar azul. Não me contive e fui ter com ele. Infelizmente meu russo não passa de cumprimentos básicos, mas por sorte o neto dele, que fala inglês muito bem, estava lá e ajudou bastante. Acabei descobrindo que se tratava do Coronel Yuri Mikhailovich Romanov, que foi instrutor de pilotos de caça durante a guerra. Ele contou-nos sobre seus voos em I-153s, Yak-3s, Yak-7s, Yak-9s e MiG-15s. Foi uma tremenda experiência poder falar com um piloto russo, dos quais nunca esperava encontrar um. Mas como as surpresas não param, estava lá também o Dr. Olli Kivioja, finlandês piloto de Blenheim. Ele foi da infantaria e lutou na Guerra de Continuação como metralhador, antes de ser transferido para a Força Aérea. O Dr. Kivioja é muito bem educado, fala inglês muito bem convidou-nos para ir à Helsinque.

Entre pilotos alemães, estavam lá uma pluralidade. Pilotos de transporte, de ataque, novatos que não completaram o treinamento, tudo e mais um pouco. Um deles foi Martin Hoffman, que foi um rammjaeger (colisores aéreos), e o outro foi um senhor muito simpático chamado Wilhelm Desinger. Ele foi piloto do JG 3 "Udet", voou o Me 109K-4 e derrubou sete aeronaves soviéticas. Desinger estava bem tímido, e eu disse "mas o senhor é um ás!", e ele respondeu: "não, não... não para os padrões da Força Aérea Alemã". Hehehe... O mais legal é que ele é dono de um clube de voo a vela e ainda hoje voa em planadores.

Fazendo o balanço final, posso dizer que estou 100% satisfeito de ter participado destes eventos. Conheci diversas personalidades e o Sr. Martin ficou muito feliz com nossa participação. E o melhor: fizemos uma excelente representação do Brasil lá fora.

Amanhã irei encontrar-me com pilotos romenos, junto com meu amigo Claudiu Stumer. Hora de despedir-me. Abraços!













Veja também:
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