Loading

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Vídeo: Tiger vs. Sherman


Eis aqui um interessante vídeo do Discovery Channel, mostrando um comparativo entre o PzKpfw VI Tiger e o M4 Sherman. Tomando como base as batalhas da Normandia, o vídeo ilustra as diferenças entre o calibre das munições utilizadas pelos dois tanques, e faz um teste de tiro com a cápsula de 88 mm do Tiger. É mostrada também a inovação inglesa que deu origem ao Sherman Firefly, destruidor de tanques.

Confira:


Veja também:
>>Vídeo: Panzers restaurados
>>16 tanques Stuart do Brasil para a Inglaterra
>>Veterano em plena forma
>>Adalbert Schulz
>>Hermann Balck
Comente aqui!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Construtores encontram mensagem de Auschwitz


Construtores encontram mensagem de Auschwitz

Construtores trabalhando perto do campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau encontraram uma mensagem em uma garrafa, escrita por prisioneiros – dizem historiadores.

A mensagem, escrita em lápis e datada de 9 de setembro de 1944, contem nomes, números do campo e cidades natais de sete jovens prisioneiros da Polônia e da França.

Ao menos dois sobreviveram ao campo nazista, disse um representante do Museu de Auschwitz.

A garrafa foi enterrada num muro de concreto de uma escola cujos prisioneiros foram obrigados a reforçar.

Os prédios da escola, a algumas centenas de metros do campo, eram utilizados como depósitos pelos nazistas, que queriam protegê-los contra ataques aéreos.

Os especialistas do Museu checaram a autenticidade da mensagem, diz a agência de notícias Associated Press. Seis dos prisioneiros eram poloneses e um era francês, diz a agência.

Todos estão com idades entre 18 e 20 anos”, diz a última frase da mensagem.

Um porta-voz do Museu de Auschwitz disse que os autores da mensagem “eram jovens que estavam tentando deixar algum traço de sua existência para a posteridade”.

Os nazistas assassinaram 1,1 milhão de pessoas em Auschwitz – principalmente judeus europeus, mas também poloneses não-judeus, ciganos e outros.

Fonte: BBC News, 27 de abril de 2009.

Veja também:
>>Campo de extermínio de Auschwitz é confundido com cerveja
>>Museu do campo de Auschwitz corre risco de inundação
>>Plantas de Auschwitz são encontradas em Berlim
>>Áustria liberta “guarda de valas comuns”
>>Polêmica sobre o caso dos "gêmeos" de Mengele
Comente aqui!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Nota de Falecimento: Douglas Oxby


Douglas Oxby
(10/06/1920 - 10/04/2009)

Faleceu no último dia 10 de abril em Toronto, Canadá, de causas naturais aos 88 anos de idade, o mais bem-sucedido navegador de caças noturnos Aliados, Wing Commander Douglas Alfred Oxby.

Nascido em Cardiff, "Douggie" Oxby juntou-se à RAF em junho de 1940 como operador de radar em solo. Um pouco entediado com o serviço, ele voluntariou-se para um curso de operadores de radar embarcado em junho de 1941. Treinando inicialmente num Bristol Blenheim, Oxby encontrou-se com o australiano Mervyn Shipard, e os dois formaram uma bem-sucedida parceria que duraria dois anos. Voando o Beaufighter no 68º Esquadrão, eles iniciaram sua lista de vitórias com um Heinkel He 111 sobre Liverpool em 1 de novembro de 1941. Após seis meses de calmaria, a dupla pediu transferência para o Oriente Médio.

Chegando ao Egito, Oxby e Shipard foram logo transferidos para o destacamento de caças noturnos de Malta, em junho de 1942. Em julho eles já tinham derrubado três bombardeiros alemães, continuando a voar com grande sucesso durante os quatro meses que permaneceram na ilha. Após retornar ao Egito, eles derrubaram dois Junkers Ju 88s em 12 de dezembro. Em 8 de janeiro de 1943 mais dois bombardeiros caíram perante suas armas, feito repetido uma semana depois. Durante as operações no Mediterrâneo, Oxby participou da derrubada de 13 aeronaves inimigas, e Shipard acabou tornando o maior ás da caça noturna australiana.

Na primavera de 1944 ele se juntou ao 219º Esquadrão, que voava o De Havilland Mosquito caça noturno. Em setembro, ele tornou-se parceiro do comandante da unidade, Wing Commander Paddy Green, e os dois se transformaram na mais bem-sucedida dupla de caçadores noturnos da RAF operando no noroeste da Europa. No dia 23 daquele mês, eles iniciaram a contagem com um Messerschmitt Bf 110, e dez dias depois derrubaram três Stukas. Destroços do primeiro Ju 87 atingiram um motor do Mosquito, mas eles continuaram e derrubaram os outros dois, pousando numa pista perto de Bruxelas com apenas um motor. Mais sucessos se seguiram, até o nono e último na noite de 24 de fevereiro de 1945. Em 1 de março, Green resolveu testar um Mosquito "rebelde" da unidade, decolando sozinho. A aeronave caiu pouco após a decolagem, e Green faleceu na queda. Oxby tornou-se então instrutor numa unidade de caças. Durante toda a guerra, ele participou ativamente da destruição de 22 aeronaves inimigas.

Após a guerra ele continuou na RAF, servindo como instrutor de navegação aérea no Quartel-General do Comando de Caças. Em 1962 ele tornou-se assistente do Alto-Comissário Britânico em Ottawa, aposentando-se em 1969. Emigrando para o Canadá, ele trabalhou no setor público até 1984. Douggie Oxby estava finalizando suas memórias de guerra com a ajuda do filho Richard, a qual dedicaria às tripulações inglesas e alemãs que nunca retornaram. Viúvo da segunda esposa desde 2007, ele deixa um filho do primeiro casamento.


Mervyn Shipard e Douggie Oxby em anos recentes.
Veja também:
>>Nota de Falecimento: Eric Dowling
>>Nota de Falecimento: John Hereford
>>Nota de Falecimento: Wolfgang Falck
>>Nota de Falecimento: "Bam" Bamberger
>>Nota de Falecimento: Diana Barnato Walker
Comente aqui!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Bate-papo com o veterano - IV



Desta vez a a Sala de Guerra não vai perder tempo, e vamos logo abrir uma nova oportunidade de entrevista com um veterano bastante "singular" e de carreira inusitada: Feldwebel Zeljak Marko, croata, operador de rádio em um Dornier Do 17.

Com a criação do estado independente da Croácia em 1941, Marko, já um aviador da antiga Real Força Aérea Iugoslava, iniciou treinamento de adaptação na Luftwaffe. Sua nova unidade, a 15ª Staffel (Croata) do Kampfgeschwader 53, foi enviada à União Soviética em 25 de outubro de 1941. Lá, os croatas voaram missões de bombardeio no setor norte do front, incluindo Leningrado e Moscou, sendo elogiados por Kesselring em dezembro. Durante uma missão em 25 de junho de 1942, o piloto do Dornier de Marko desertou para o lado russo, levando junto a tripulação que não tinha conhecimento do plano. Desconfiados, os soviéticos pensaram se tratar de algum truque dos alemães, e Marko foi preso pelo NKVD e interrogado pessoalmente por Lavrenti Beria!! Ele permaneceu em cativeiro soviético até 1947.

Em 1942, sua família recebeu um certificado de óbito emitido pelo governo alemão (que pensava que a tripulação croata havia se acidentado) e assinado pelo próprio Hitler.

Envie sua pergunta! Serão selecionadas 10 perguntas, que o Sr. Marko responderá. As perguntas serão recebidas até a sexta-feira (08/05/09). Envie sua pergunta para saladeguerra@gmail.com colocando no assunto: "Bate-papo". Além de uma pergunta, você deverá enviar:

-nome completo;
-idade;
-cidade onde mora.

Boa sorte!

Veja também:
>>Bate-papo com o veterano III - Cel. Peterburs responde
>>Bate-papo com o veterano II - Gen. Metellini responde
>>Bate-papo com o veterano I - Cel. Ashland responde
>>Dornier Do 17
>>Mato Dukovac
Comente aqui!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Bate-papo com o veterano - Cel. Peterburs responde



Nesta terceira edição do Bate-Papo, a Sala de Guerra recebeu 166 perguntas para o Coronel Joseph "Joe" Peterburs, o piloto de Mustang que derrubou Walter Schuck em 10 de abril de 1945. O Coronel Peterburs foi bastante atencioso com as respostas, e ficou muito contente com a oportunidade de comunicar-se o os leitores da Sala. O relato que segue abaixo é fantástico, e quem quiser saber mais pode adquirir sua autobiografia "WW2 Memories of a Mustang Pilot", disponível em inglês.

1-O senhor foi treinado como piloto de caça e de bombardeio de mergulho. Como pode avaliar os riscos e vantagens para os pilotos envolvidos nessas duas missões? Rodrigo Souza Gomes, 17, Feira de Santana – BA.
Como você sabe, um piloto de caça faz os dois trabalhos. O combate ar-ar prioriza a qualidade do equipamento, habilidades e agressividade dos pilotos contra outros, e é uma coisa muito difícil de avaliar. Você pode estar voando no melhor equipamento, mas se não tem as habilidades ou a agressividade necessária para fazer o abate, você pode falhar. Por outro lado, se você tem uma aeronave menos avançada, mas é altamente treinado, experiente e agressivo, você usualmente será bem-sucedido. O risco para um piloto e seu equipamento no bombardeio de mergulho é significativamente maior. Neste papel você deve ser altamente qualificado para por suas cargas no alvo, ao mesmo tempo em que fica bastante vulnerável às armas antiaéreas. Muitos mais pilotos e aeronaves foram perdidos durante operações de bombardeio de mergulho do que em missões de caça.

2-Em termos de 1945, como o senhor pode avaliar o status operacional da Luftwaffe, bem como a qualidade de seus pilotos e aeronaves? João Batista Rocha, 45, Rio de Janeiro – RJ.
Em 1945 a Luftwaffe era o esqueleto de sua antiga forma. Muitas, senão a maioria de suas aeronaves convencionais, estavam comprometidas com o front russo. Aquelas que permaneceram junto com uma pequena frota de Me 262s e 163s eram tudo que havia restado para defender a pátria contra os massivos ataques das forças aéreas Aliadas. Novamente, muitos, senão a maioria de seus pilotos experientes haviam sido postos fora de ação. Dessa forma, aqueles pilotos que sobraram tiveram de ter muita coragem para engajar nossos milhares de bombardeiros e caças com as poucas centenas de antigas peças de combate que tinham.

3-Pode por favor nos dizer qual era a diferença entre o combate “pistão-jato” e o “pistão-pistão”? Herbert Pascelli, 26, Porto Velho – RO.
Com o advento do Me 262, o combate ar-ar, caça contra caça, sofreu uma dramática mudança. Com a tremenda vantagem de velocidade do 262, o “dogfight” tornou-se desnecessário. A única maneira de um caça convencional pegar um dos turbojatos era quando estes estavam em situação vulnerável, como por exemplo, durante pousos e decolagens, ou numa situação como na qual estive, podendo equalizar a diferença de velocidade. Quando eu engajei Schuck, eu tinha vantagem de 2.000 metros de altitude, e fui capaz de converter isso em velocidade.

4-Coronel, eu estava lendo sua história e vi que o senhor foi certa vez capturado pelos alemães, perto do fim da guerra. Como os nazistas tratavam seus prisioneiros de guerra? Havia um grande número de prisioneiros? Carlos Jazz, 18, Pirapora – MG.
Após receber pesados danos no meu P-51 por fogo antiaéreo alemão, eu finalmente tive que saltar perto da cidade de Burg, na Alemanha. À distância, eu vi um grupo de umas 10 pessoas vindo na minha direção, e ao mesmo tempo quatro Mustangs vieram voando a 70 metros para checar a situação. Eu pude perceber que os civis estavam furiosos, e bem quando chegaram a mim um sargento da Luftwaffe estacionado no local veio pisando fundo em sua motocicleta, sacou sua arma e me protegeu. Logo após, um grupo de administradores da cidade apareceu e o sargento concordou que eles me levassem para a cidade. Quando chegamos à cidade um monte de pessoas, incluindo crianças, estava lotando as ruas ao redor para me olhar. Eu fui levado para uma casa com aspecto de escritório, e colocado numa sala com cinco ou seis homens mais velhos. Um era o prefeito e outro estava com uniforme da polícia. Sua mão esquerda era artificial, feita de couro preto. Ele puxou sua Luger, colocou na minha cabeça e queria me fuzilar no local. O interrogatório começou a ficar perigoso e uma multidão furiosa estava se juntando lá fora, então o sargento da Luftwaffe disse que era o suficiente. Ele me levou para fora da casa, me colocou na motocicleta e fomos em direção ao aeródromo no qual ele estava estacionado.

Lá, fui colocado numa pequena cela e questionado pela Gestapo por três dias. Toda noite tínhamos que ir para o abrigo antiaéreo por causa dos ataques noturnos da RAF. Após cerca de quatro dias no aeródromo, fui levado para a estação de trem, onde fui colocado num vagão que me levou ao Stalag 11. Enquanto esperava para ser embarcado, um funcionário da ferrovia me deu uma dose de schnapps – uau! Quando eu cheguei ao Stalag 11, o campo estava praticamente vazio. Tinha passado por uma evacuação por causa do avanço das tropas Aliadas. Eu passei a noite lá e descobri que cerca de 100 soldados ingleses ainda estavam lá. Na manhã seguinte fomos todos arrebanhados e iniciamos uma longa marcha para o leste. Ficamos nessa marcha forçada por cerca de dez dias, durante a qual ficamos sob constante ataque das patrulhas de caça Aliada. Claro, eles não sabiam que éramos prisioneiros. Terminei num campo de prisioneiros em Luckenwalde. Chamava-se Stalag III e ficava perto de Berlim.

A maioria dos prisioneiros era russa e escandinava, e para minha grande surpresa, encontrei o Capitão Tracy e outros tripulantes de B-17 que foram derrubados em 10 de abril. Todos eles chegaram ao campo logo após terem sido derrubados. Tracy, Lewis e Krup (que podia falar russo fluentemente), estavam planejando uma fuga antes de eu chegar. Eu fui junto com eles. O plano era ir por baixo da cerca, já que a segurança era praticamente nula, e tentar encontrar as linhas russas. A cerca de 8 quilômetros de distância conseguimos nos juntar a uma unidade de tanques russos que estava abrindo caminho por norte e oeste. O capitão russo no comando deu a cada um de nós um rifle e nos disse para subir no tanque, porque iríamos abrir caminho até Wittenberg, no Elba. Quanto ao número de prisioneiros Aliados – não sei ao certo, mas estavam na casa dos milhares.

5-Como foi sua fuga do cativeiro alemão? Sandra Almeida, 23, Foz do Iguaçu – PR.
Respondido acima.

6-Lendo sobre o senhor, Coronel, vi que passou um tempo lutando ao lado dos russos. Como foi essa experiência? Elcio Navarro Medeiros, 31, Belo Horizonte – MG.
A primeira cidade na qual chegamos após deixar Luckenwalde foi Juterbug. Era uma cidadezinha bonitinha com alguns complexos de apartamentos. Eu subi com uns 10 soldados russos em um dos apartamentos. Estava muito bem mobiliado e os russos ficaram espantados com aquilo. Após uns instantes, um deles nos tirou da sala, foi ao seu centro e descarregou sua metralhadora destruindo tudo ao redor e gargalhando ensandecido. Eu achei aquilo estranho, mas não disse nada. Após deixar Juterbug fomos para o norte na direção de Wittenberg, no Elba. Fomos precedidos por Sturmoviks fornecendo apoio aéreo próximo para as tropas em avanço no solo. Houve algumas duras batalhas e um par de escaramuças menores nas quais nos envolvemos. Centenas de soldados alemães mortos estavam no chão, nos dois lados de nossa coluna. A morte e destruição da guerra no solo foram verdadeiras revelações para este “flyboy”. Os civis alemães estavam aterrorizados com os russos e logo quando descobriram que havia americanos no grupo eles vieram a nós. Queriam que ficássemos em suas casas e/ou que deixássemos que ficassem conosco. Uma senhora de meia-idade veio a mim com suas duas lindas filhas e me implorou para que ficasse com elas. Eu disse que não podia, mas fiquei na casa delas e as protegi de estupros e pilhagens por aquela noite, pelo menos. Os alemães continuavam nos perguntando porque lutávamos junto aos russos – não saberíamos que logo estaríamos lutando contra eles?

Em certo ponto durante a jornada, paramos numa fazenda alemã. Os russos tinham matado uma vaca, porcos e outros animais, e estavam preparando um banquete. Naquela noite nos sentamos numa enorme mesa improvisada de banquete, umas duas dúzias de pessoas. Comemos hambúrgueres rústicos, filés, pato, porco, e muito mais, tudo regado com muito vinho e vodka. Houve contínuos brindes antes, durante e depois da refeição. Eu nunca tinha bebido tanto álcool na minha vida, nem nunca mais bebi tanto. Houve danças russas e canções, que culminaram numa atmosfera de informalidade que agradou a todos. No dia seguinte, um dos oficiais russos me convenceu a “dar” pra ele meu relógio, como mostra de amizade. Notei que ele já admirava a peça há alguns dias. Notei que a maioria dos seus veículos estava em péssimas condições. Marchas faltando nas transmissões e caminhões que só rodavam em baixa velocidade eram comuns. Um dia encontramos um soldado russo sentado ao lado da estrada com sua bicicleta quebrada. Paramos e demos uma olhada. Eu era um especialista em conserto de bicicleta na adolescência. Era um problema simples com a catraca e eu resolvi em cerca de meia hora. Ele me agradeceu profusamente com beijos e abraços e depois se foi. Quando chegamos a Wittenberg a luta tinha acabado. Estávamos em terreno aberto perto de uma ponte sobre o Elba quando uma patrulha de infantaria americana cruzou o rio. Eles vieram fazer contato com os russos e quando me viram insistiram que os russos me deixassem ir com eles, o que relutantemente fizeram. Sendo assim, voltei com a patrulha para seu quartel-general em Halle, Alemanha. Eles estavam fazendo varreduras na área e fui junto deles em duas patrulhas. Entrávamos em um vilarejo e fazíamos as pessoas trazerem todas as suas armas para a praça, onde as empilhavam.

7-Durante a Segunda Guerra Mundial, o North-American P-51 Mustang era uma soberba máquina de combate, capaz de sobrepujar a maioria de seus adversários. Na Coréia, no entanto, com o desenvolvimento dos caças a jato, se tornou obsoleto como caça, embora ainda tivesse mantido inegáveis características de caça-bombardeiro. Gostaria de saber como vocês, pilotos de Mustang na Coréia, encaravam o fato de que, voando uma aeronave a pistão, poderiam encontrar e ser atacados por um caça a jato MiG-15. E no caso de os encontrarem, que táticas defensivas usavam? Anderson Subtil, 33, Curitiba – PR.
Houve uma marcante diferença entre os pilotos de Mustang da Segunda Guerra e da Guerra da Coréia. Na Segunda Guerra, eu tinha 19 anos e meus companheiros de esquadrão estavam com seus 20 e poucos, e nosso Comandante do Grupo tinha 28. Na Coréia os pilotos eram mais velhos, mais sérios sobre o duro trabalho que tinham que fazer e muitos não eram adequadamente treinados para a tarefa que deviam cumprir. Voávamos o P-51, a jóia do combate aéreo na Segunda Guerra. Agora voávamos talvez a mais vulnerável peça de equipamento em todo o inventário da USAF. Como adicional à sua vulnerabilidade, não tinha capacidade significativa de carregar armamento. Eu, por mim, estaria muito mais feliz, mais eficaz e seguro afivelado a um P-47.

Os F-86s que deveriam nos dar cobertura contra os MiGs, eram em diversas ocasiões atingidos pelos próprios MiGs, e em certa ocasião um piloto de nosso esquadrão derrubou um deles (!). Eu fui atacado por um MiG em uma ocasião e empreguei nossas táticas-padrão de combate, por exemplo, manobrar por dentro dele. Você tinha manter sua cabeça como um pião, mantendo-o na mira o tempo todo, pois a tática deles era fazer passagens rápidas sobre você. Se conseguisse mantê-lo na mira, você podia manobrar por dentro e talvez até conseguir um tiro de sorte.

8-Fale-nos sobre sua experiência durante a Ofensiva do Tet no Vietnã. Como se sentiu estando no meio daquela ofensiva? Roberto Alves de Souza, 31, Leme – SP.
Durante a Ofensiva do Tet, a Base Aérea de Tan Son Nut foi atacada pelos Vietcong. Na primeira noite a luta se estendeu por toda a base. Havia cerca de 20 de nós no complexo de barracas e somente tínhamos umas poucas armas para nos defender, o que era bem assustador. Eu ainda tinha uma velha pistola de sinalização calibre 45 dos meus dias na Coréia, com uma cápsula. Eu a carreguei e estava pronto para “iluminar” o primeiro Vietcong que chegasse perto. Pela manhã as coisas tinham se acalmado um pouco e eu fui para o meu escritório. Ainda havia inimigos resistindo em prédios nas proximidades, e as tropas lançaram gás lacrimogêneo lá dentro; embora tivesse funcionado bem contra eles, o vento estava soprando em nossa direção e tomamos uma boa dose do gás também. Na semana seguinte os Vietcong dispararam foguetes de 122 mm contra nós diversas vezes por dia. Um atingiu um prédio com alguns dos meus amigos, matando 3 e ferindo 8. Algumas noites depois um foguete atingiu o lado de fora de minha cabana, danificando pesadamente o meu quarto com estilhaços, enquanto eu estava deitado na cama.

9-Coronel Peterburs, o senhor tomou parte nas maiores guerras do Século XX, que tiveram óbvias diferenças tecnológicas entre si (principalmente no poder aéreo). Em qual desses conflitos, na sua opinião, a tecnologia teve o papel mais importante para atingir a vitória final? Marco Antonio Bittencourt, 42, São José dos Campos – SP.
Durante a Segunda Guerra Mundial os alemães tinham a liderança tecnológica, mas não a aplicaram rápido o suficiente e não usaram-na como uma grande vantagem. Em última análise, os Aliados alcançaram-na e a sobrepujaram com números esmagadores. Os alemães perderam.

A Coréia foi um impasse.

Durante o Vietnã, o equipamento usado pelos Estados Unidos estava no estado da arte em todas as fases do combate aéreo, terrestre e psicológico. No entanto, perdemos a guerra no Vietnã. Eu acho que a resposta para sua pergunta depende de como, onde e quando você usa suas vantagens tecnológicas.

10-Coronel, como o senhor descobriu que o homem que havia derrubado era Walter Schuck? Diga-nos como e quando vocês se reencontraram após a guerra e se tornaram amigos. Eduardo Mourão, 23, Recife – PE.
Em março de 2004, o autor sueco Christer Bergstrom me contatou e pediu-me que lhe fornecesse um testemunho da minha missão em 10 de abril de 1945. Ele estava escrevendo uma biografia de Walter Schuck e queria comparar meu relato com o relato de Schuck para aquele dia. Após ele ler meu relato, me contatou e disse que Walter e ele estavam completamente certos de que eu tinha causado o dano ao Me-262, resultando abandono da aeronave. Eu perguntei como eles podiam ter tanta certeza. Christer respondeu:

Após a guerra, muitas tentativas foram feitas para identificar o piloto de caça americano que tinha atingido o Me-262 de Schuck com fogo de metralhadora. Diversas sugestões eram baseadas na prerrogativa incorreta de que Schuck engajara os B-17s perto de Magdeburg, mais de 120 quilômetros a sudoeste de Oranienberg. No entanto, está claro que neste dia, Schuck e seu 3./JG 7 operaram em Oranienberg e que engajaram os bombardeiros da 1ª Divisão Aérea que atacavam Oranienberg.

Pilotos de caça americanos dizem ter derrubado não menos que vinte Me-262s naquele dia – incluindo três pilotos do 20º Grupo de Caça. No entanto, enquanto nenhuma dessas alegações podia se aplicar à aeronave de Schuck, nenhum outro piloto americano parece poder questionar o fato de que Peterburs derrubou Schuck.

O relato de Peterburs, que ele escreveu muitos anos atrás, antes e sem saber qualquer coisa sobre Walter Schuck, claramente descreve a ação de Walter Schuck. Nenhum outro Me 262 derrubou diversos B-17 em seguida sobre Oranienberg. A razão pela qual antes nenhum outro pesquisador conseguiu identificar Peterburs como o homem que derrubou Schuck é facilmente explicada. Peterburs nunca reportou que danificou e muito menos derrubou um Me 262! Na verdade, quase sessenta anos se passaram antes de Peterburs descobrir que tinha derrubado Walter Schuck
”.

O fato é que meu maior “feito” durante a Segunda Guerra foi, junto com Tracy, atacar e iniciar uma confusão no aeródromo de Shonwalde, sermos derrubados, capturados, aprisionados, escaparmos, lutarmos junto aos russos, etc. Embora tenha visto impactos nos Me 262 do Walter, eu não tinha como saber a extensão dos danos, nem que o piloto era o renomado ás alemão Oberleutnant Walter Schuck! Em março de 2005 Christer Bergstrom me contatou e disse que Walter estava indo para a Califórnia em maio, e que eles queriam arranjar uma reunião. No dia 18 de maio de 2005 o encontro histórico aconteceu em Vista, Califórnia – Walter e eu nos encontramos, pela primeira vez em pessoa, desde aquele dia fatídico 60 anos atrás. A melhor coisa sobre nossos encontros é que Walter e eu nos tornamos amigos imediatamente. Gostamos de verdade um do outro. Após a reunião e sessões de autógrafos, fomos para o Show Aéreo de Chino e fomos entrevistados em frente a uma multidão e assinamos um bocado. Quando Walter e eu nos despedimos, pude dizer que éramos os melhores amigos.

Veja também:
>>Bate-papo com o veterano - Gen. Metellini responde
>>Bate-papo com o veterano - Cel. Ashland responde
>>Entrevista com Adolf Galland - Parte 1 , Parte 2
>>Walter Schuck
>>A volta do Me 262!
Comente aqui!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Spitfire biposto é vendido por preço recorde


Spitfire biposto é vendido por preço recorde


Um aventureiro britânico pagou um preço recorde por uma versão biposta do famoso caça inglês da Segunda Guerra Mundial, o Supermarine Spitfire.

Steve Brooks, que quatro anos atrás tornou-se a primeira pessoa a voar de pólo a pólo da Terra em um helicóptero, foi o vencedor do leilão, com o lance de £1.739.500 (US$ 2,53 milhões) na segunda-feira, 20 de abril de 2009.

A aeronave foi construída como um caça monoposto, mas os restauradores a reconstruíram na forma de um raríssimo treinador de dois lugares. Já que a Grã-Bretanha nunca usou a versão de treinamento, o avião foi pintado nas cores da Holanda, que operou três unidades do modelo.

A Bonhams, casa leiloeira, disse que o preço recorde anterior pago por um Spitfire foi de 3,2 milhões de dólares neo-zelandeses (US$ 1,8 milhão), no ano passado.

O jornal Daily Mail entrevistou Brooks, que disse: “Eu verdadeiramente acredito que coisas desse tipo foram construídas para serem usadas, não para se tornarem peças de museu”.

Fonte: Yahoo News, 21 de abril de 2009.

Veja também:
>>Spitfire restaurado deverá ser vendido por £2 milhões
>>Spitfire em condições de vôo será leiloado por £1 milhão
>>Único Hurricane sobrevivente da SGM sofre acidente
>>Vídeo: Sea Hurricane Ib restaurado
>>Caça francês à venda no eBay
Comente aqui!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Nota de Falecimento: Hans Röger


Hans Röger
(13/07/1920 - 12/04/2009)

Faleceu no último dia 12 de abril em Geislinger an der Steige, Alemanha, de causas naturais aos 88 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, Oberfeldwebel Hans Röger.

Nascido em Lauingen, na Bavária, Röger foi designado para o novo Regimento de Fuzileiros Panzer (GD2) da Divisão de Infantaria Motorizada Grossdeutschland na primavera de 1942. O novo regimento foi enviado para o sul da Rússia a tempo de tomar parte na Operação Azul, o avanço pelo Don até o Volga. Röger ainda participou das batalhas em Rzhev e Kharkov em 1943. O Regimento foi reforçado para a Batalha de Kursk, e a Grossdeutschland foi elevada para Divisão de Granadeiros Panzer.

Em abril de 1944, Röger era líder de pelotão, e demonstrou toda sua ousadia quando a Grossdeustchland tentava estabelecer uma linha defensiva no setor Iassi/Targul Frumos, na Romênia. Röger e seus homens partiram para uma patrulha disfarçados como pastores romenos, e atravessaram incólumes as linhas soviéticas. Já dentro do território ocupado pelo inimigo, eles plantaram explosivos numa ponte e escaparam sob fogo de retaliação. Esse feito espalhou sua reputação entre a Divisão, e Röger se destacaria ainda mais três meses depois, quando a unidade lutava para chegar ao norte da Lituânia, onde foram apelidados de "leões".

Ele liderava seu pelotão a bordo de um veículo meia-lagarta, tentando capturar a ponte de Kursenai, quando deram de cara com um canhão antitanque soviético. Röger e seus homens desceram do veículo para atacar a equipe do canhão, mas sua ação despertou a atenção de numerosas tropas russas nas proximidades, que responderam com uma tempestade de fogo. Röger, inacreditavelmente, conseguiu sozinho desviar-se das balas e manter a posição sob pesado ataque até a chegada de reforços, que eliminaram a resistência soviética. Por essa ação, no dia 21 de setembro de 1944 ele foi agraciado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro.

No fim de 1944 a Grossdeutschland foi cercada no porto de Memel, até ser evacuada em dezembro e enviada a Rastenburg. Combateu os soviéticos na costa do Báltico em 1945, e Röger destruiu três tanques em combate corporal. Em abril a Divisão foi evacuada para a Dinamarca, e lá se rendeu aos Aliados.

Após a guerra, Röger foi reintegrado ao Exército Alemão em dezembro de 1955, chegando ao oficialato e aposentando-se como Hauptmann em 31 de março de 1972.


A Grossdeutschland em combate na Batalha de Kursk.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Kurt Prinz
>>Hermann Balck
>>Adalbert Schulz
>>Hermann Hoth
>>Dietrich von Saucken
Comente aqui!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Notória unidade da SS “localizada”


Notória unidade da SS “localizada”


Autoridades polonesas dizem ter localizado três sobreviventes de uma infame unidade da SS que ganhou sua reputação por brutalidade que chocou até mesmo comandantes alemães durante a guerra.

Promotores do Instituto Nacional da Memória, na Polônia, em seu departamento de investigação de crimes de guerra, anunciaram que pretendem trazer à justiça os homens, devido ao seu aparente envolvimento na supressão do Levante de Varsóvia enquanto serviam na Brigada Dirlewanger da SS.

A unidade, batizada em homenagem ao seu líder, Dr. Oskar Dirlewanger, era composta de criminosos, psicóticos e voluntários da Europa ocupada, e desenvolveu uma reputação de estupros, tortura e assassinato, exagerada até para os sangrentos padrões nazistas.

Os três, que vivem na Alemanha, foram encontrados após a Cruz Vermelha austríaca dar a um museu polonês uma lista com nomes e endereços dos que serviram na unidade. Os investigadores dizem tê-los localizado, mas os ex-soldados recusaram-se a falar da guerra pelo telefone.

Boguslaw Czerwinski, um promotor do Instituto, disse que eles agora pediram por ajuda alemã para levar os três homens a julgamento, e aguardam resposta.

Ainda é cedo para dizer se o caso será julgado, porque nenhum dos soldados questionados pelas autoridades alemãs já enfrentou qualquer acusação”, disse o Sr. Czerwinski.

Mas a Polônia está ansiosa por trazer à justiça qualquer um ligado a um dos mais tristes e sangrentos capítulos de sua história nacional.

Quando iniciou-se o Levante em agosto de 1944, a Brigada Dirlewanger juntou-se às unidades alemãs engajadas na amarga luta contra forças polonesas que buscavam recuperar o controle da capital.

Nos primeiros dias do mês, e num esforço para destruir a vontade da Resistência, a unidade desempenhou um papel de destaque no massacre indiscriminado de milhares de cidadãos poloneses. O historiador inglês Norman Davies estima que somente em 5 de agosto, 35.000 homens, mulheres e crianças foram mortos a sangue frio.

Tendo recebido carta-branca do comandante da SS, Heinrich Himmler, os homens de Dirlewanger também participaram de estupros grupais, tortura e baionetaram bebês como forma de espalhar o terror entres os poloneses.

Tal era o nível de violência que um soldado da SS de outra unidade descreveu a Brigada como “um grupo de porcos, não soldados”, enquanto o Generaloberst Heinz Guderian escreveu em suas memórias que quando escutou as “espantosas notícias” de Varsóvia, ele pediu a Hitler que mandasse a Brigada Dirlewanger para o front leste.

Himmler também ordenou que as unidades policiais ficassem em prontidão no caso da Brigada, que às vezes ficava fora de controle, se virar contra as forças regulares alemãs.

Mais cedo durante a guerra um juiz da SS tinha tomado a incrível decisão de tentar processar Dirlewanger por crimes de guerra, devido às atrocidades cometidas pela Brigada durante a luta contra partisans soviéticos.

Fonte: The Telegraph, 17 de abril de 2009.

Veja também:
>>Livro: O Zoológico de Varsóvia
>>Erich von dem Bach-Zelewski
>>Veteranos da Waffen SS marcham por Riga
>>Russos protestam contra calendário estoniano da SS
>>Vídeo: Identificando soldados alemães
Comente aqui!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Morre oficial responsável pela rendição japonesa


Morre oficial responsável pela rendição japonesa

Oficial do Exército Inglês que organizou a rendição japonesa após a Segunda Guerra Mundial faleceu em sua casa em Somerset, Inglaterra.

O Tenente-Coronel Geoffrey Collingwood Sherman, que tinha 93 anos, orquestrou a cerimônia de capitulação japonesa em Singapura, no dia 12 de setembro de 1945.

Na última semana, em um serviço religioso em Long Sutton, a mesma bandeira britânica usada na cerimônia foi hasteada na torre.

Era pai de três filhos e faleceu após uma breve doença.

“Espadas samurais”

Nicholas, filho do Tenente-Coronel Sherman, hoje um diretor de logística em Sixpenny Handley, Dorset, disse que a bandeira estivera com seu pai desde o dia da ocasião histórica.

Também na igreja estava a madrinha de Nicholas, de 87 anos. Ela viu a bandeira pela última vez 64 anos atrás, quando estava em Singapura servindo como secretária do Tenente-General Boy Browning, chefe de estado-maior de Lord Louis Mountbatten.

Mountbatten aceitou formalmente a rendição incondicional do Exército Imperial Japonês após os oficiais entregarem suas espadas samurai aos seus antigos inimigos.

Enviados japoneses subiram ao couraçado USS Missouri em Tóquio para assinar o documento.

Durante a cerimônia de rendição ele recebeu uma espada samurai com indicadores, marcando as ocasiões em que ela foi usada para defender a honra da família.

O Tenente-Coronel Sherman era casado com Evelyn, de 91 anos, por quase 70 anos, e deixa três filhos: Anthony, de 68 anos, Nicholas, de 61, e Annabelle, de 67.

Após a guerra ele trabalhou para a companhia de comércio West African, e serviu como superintendente da filial nigeriana. Ele mais tarde juntou-se à British Aerospace durante a produção do Panavia Tornado multi-tarefa.

Fonte: BBC News, 18 de abril de 2009.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: George MacDonald Fraser
>>Nota de Falecimento: Sam Manekshaw
>>Sir William Slim
>>Nota de Falecimento: Havildar Bhanbhagta Gurung
>>Tul Bahadur Pun
Comente aqui!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Livro: O Zoológico de Varsóvia


O Zoológico de Varsóvia

A história do casal que corajosamente abrigou centenas de judeus durante os tenebrosos anos da ocupação nazista na Polônia.

por Júlio César Guedes Antunes

Na Varsóvia do fim da década de 30 florescia um dos mais imponentes zoológicos do mundo, que abrigava ursos polares, elefantes africanos e linces naturais da única floresta intocada da Europa. Qualquer um que visitasse o local em outubro de 1939 não poderia ficar mais chocado com a destruição que sofrera, num terrível contraste com o paraíso de apenas um mês antes.

Nos escombros de seu outrora precioso paraíso, o diretor do zoológico, Dr. Jan Zabinski, decidiu abrigar outro tipo de espécie em extinção: os judeus de Varsóvia. Essa é a incrível premissa de O Zoológico de Varsóvia (312 páginas, 35 reais), lançado no mercado nacional pela editora Nova Fronteira. Contada numa narrativa leve e informal pela autora Diane Ackerman, a epopéia do diretor e sua esposa, Antonina, escondendo refugiados em seu casarão e nas jaulas de animais agora vazias, impressiona por sua ousadia e amplitude.

Ackerman, ex-professora de Inglês da Universidade de Cornell, trata da narrativa tomando como base os diários de Antonina Zabinski, e toda a história segue seus passos, como, aliás, já deixa claro o título original da obra: “The Zookeeper’s Wife”. Um casal completamente apaixonado pelo mundo natural, os Zabinskis viviam em completa integração com os animais sob sua responsabilidade. O primeiro capítulo já revela Antonina descrevendo o “despertar” dos animais pela manhã, com uma pluralidade de gorjeios e guinchos que ela aprendera a identificar e notar as mínimas variações. Fica transparente a natureza paradisíaca e bucólica do zoológico, e a autora chega a descrever que Jan fazia vistorias diárias do lugar em sua bicicleta, sendo seguido de perto por um grande alce de nome Adam.

Toda essa utopia é repentinamente interrompida pela invasão alemã da Polônia em setembro de 1939, e é impressionante a descrição feita no livro, do ponto de vista de uma civil (Antonina) dos eventos daquele trágico mês. Embora seja o primeiro ato da Segunda Guerra Mundial, são raras as obras que chegam a um enfoque tão detalhado daquela curta campanha; não das manobras militares, mas das consequências para uma pessoa comum pega no fogo cruzado.

A rendição polonesa revela um zoológico completamente destruído pelo bombardeio da Luftwaffe à capital. É então que entra em figura o controverso Lutz Heck, diretor do zoológico de Berlim e um homem obcecado por “ressuscitar” espécies extintas como o auroque (bisão europeu) e o tarpan (cavalo selvagem europeu). A eugenia nazista mais uma vez se faz patente ao mostrar Heck tentando recriar espécies através de retro-cruzamentos de animais com traços “puros”, um método totalmente desacreditado atualmente.

A vontade alemã de extinguir a nação polonesa, exterminando os intelectuais e banindo as universidades, se mostra dentro do zoológico ao Heck confiscar o restante dos animais que sobreviveram ao bombardeio de setembro. Jan Zabinski começa então a mostrar-se um estrategista que passaria toda a guerra a enganar os alemães, e consegue autorização para transformar seu domínio numa granja de porcos. Ao que os alemães instalam um depósito de munição dentro do zoológico, Jan instala um pequeno arsenal da Resistência Polonesa logo ao lado, antecipando que ali seria o lugar onde os nazistas menos procurariam por tal coisa.

Com a progressão da repressão capitaneada por Hans Frank, os judeus de Varsóvia são confinados ao gueto da cidade, um lugar que tornou-se um formigueiro humano sujeito a epidemias e fuzilamentos aleatórios pela SS. É aí que os Zabinski vêem-se na obrigação moral de estender a mão às vítimas do nazismo. Com seus contatos dentro da Resistência e uma incrível perspicácia que numerosas vezes enganou os alemães, Jan resgatou diversas pessoas de dentro do gueto e instalou-as, mesmo que provisoriamente, dentro das dependências do jardim zoológico. Ao longo da ocupação, mais de 300 pessoas foram salvas da morte certa pelos Zabinski, e a narrativa de Ackerman é recheada de passagens emocionantes sobre o perigoso cotidiano dentro dos limites do zoo.

A autora também mescla a história principal com narrativas secundárias tocantes, como a de
Irena Sendler e a de Janusz Korczak, que acalmou até o fim um grupo de crianças às portas da morte em Treblinka. Tais histórias complementam e adicionam valor ao mérito dos Zabinski, que a certo ponto acolheram a própria Irena Sendler após sua fuga da Gestapo.

A tragédia do Levante de Varsóvia, na qual brutais tropas da SS chefias pelo
Obergruppenführer Bach-Zelewski destruíram a cidade, sufocando a Resistência e assassinando 200 mil pessoas, é contada com detalhes, ressaltando a imobilidade sádica do Exército Vermelho, que permitiu o massacre, apenas observando acampado à beira da cidade. Esta ferida, ainda não completamente cicatrizada no coração polonês, é o ápice da narrativa. Relegada à sombra soviética após a queda dos nazistas, a nova Polônia comunista não reconheceu o mérito de Jan Zabinski. Ele foi, contudo, homenageado pelo governo israelense com o título de “Justo Entre as Nações”, e teve uma árvore plantada em sua honra no Memorial do Holocausto em Israel, em 1968.

Lançado em 2007 nos EUA, o livro figurou em 13º lugar na lista de best-sellers do New York Times, e já inspirou cineastas poloneses a levar a heróica história do Zoológico de Varsóvia para o cinema. A obra de Ackerman proporciona boas horas de leitura, misturando momentos de tensão, alegria e talvez a maior piada de humor negro já vista, protagonizada por dois soldados da SS. Uma publicação que vale a pena conferir.

Dr. Jan Zabinski (centro) na cerimônia de plantio da árvore em sua homenagem em Israel, 1968.

Veja também:
>>Livro: As Benevolentes
>>Livro: Massacre no Atlântico
>>Livro: A Espada da Honra
>>Entrevista: Henrietta Braun
>>Wolf Czaia lança livro sobre novos Me 262s
Comente aqui!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Armas da Segunda Guerra descobertas no Alabama


Armas da Segunda Guerra descobertas no Alabama


Um conjunto de armas da Segunda Guerra Mundial foi descoberto numa enseada do Condado de Bibb, no Alabama. As armas estavam no local a menos de 24 horas, dizem as autoridades.

David Hyche, agente residente da Secretaria de Álcool, Armas de Fogo e Explosivos, disse que nunca tinha encontrado nada como aquilo em seus 21 anos de serviço.

O poder de fogo, descoberto por uma equipe de inspeção de estradas conduzindo uma vistoria numa ponte ao norte de Centreville, é de posse ilegal, ainda está funcionando e provavelmente vale centenas de milhares de dólares.

É um arsenal significativo se cair em mãos erradas”, disse Hyche.

O xerife do Condado de Bibb, Keith Hannah, disse que os inspetores rodoviários ligaram para seu escritório após avistar as armas.

Hannah disse que enviou uma equipe de mergulho para dentro da enseada, onde foram encontradas quatro metralhadoras japonesas, um canhão antitanque japonês, uma metralhadora italiana, um morteiro de 50 mm japonês, e uma sub-metralhadora Thompson, a popularmente conhecida “Tommy Gun”, muito popular nos tempos da Lei Seca.

Fonte: The Birmingham News, 13 de abril de 2009.

Veja também:
>>Polícia encontra canhão de flak em garagem
>>Itens pessoais de Hitler e Goering vão a leilão
>>Ainda funcionando, após 67 anos
>>Faca de Himmler deverá ser vendida por milhares de libras
>>Mesmo assim voltavam!
Comente aqui!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Nota de Falecimento: Kurt Prinz


Kurt Prinz
(03/04/1920 - 07/04/2009)

Faleceu no último dia 7 de abril em Kronach, na Bavária, de causas naturais aos 89 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, Major Kurt Prinz.

Nascido em Breslau (atualmente Wroclaw, na Polônia), Prinz alistou-se no Exército aos 17 anos de idade em novembro de 1937. Alguns anos depois, frequentou o curso de formação de oficiais e foi comissionado Leutnant em 1 de junho de 1940. Após participar dos avanços iniciais na União Soviética e ganhar as duas classe da Cruz de Ferro, ele recebeu a promoção a Oberleutnant em 1 de junho de 1942, tornando-se comandante de uma companhia de granadeiros. Na primavera de 1944, Prinz teve sua liderança e desempenho e reconhecidos, ganhando o comando de um batalhão.

Em fins de 1944 sua unidade passou por uma reestruturação completa, e Prinz tornou-se o comandante do I Batalhão do 164º Regimento de Granadeiros. Seu batalhão foi alocado para o esforço principal na Ofensiva das Ardenas, iniciada em 16 de dezembro de 1944. Após um pequeno avanço inicial, os alemães acabaram presos na neve por falta de gasolina e pela já reorganizada defesa Aliada. Já nos primeiros dias de 1945 estava claro que toda a operação fracassara. Contudo, os homens de Prinz continuaram combatendo constantemente os americanos, sendo cortados e isolados no Bolsão do Ruhr em 1 de abril. Ao todo, cerca de 300.000 homens foram cercados pelos americanos, e a última resistência alemã só se rendeu em 21 de abril. Pela corajosa liderança do I Batalhão dentro do cerco, Prinz foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 14 de abril de 1945. Nos últimos dias da guerra ele ainda foi promovido a Hauptmann.

Rendendo-se aos americanos, ele foi transferido para os soviéticos em fevereiro de 1946. Prinz somente foi libertado em novembro de 1949, retornando para a Alemanha. Mais tarde ele foi reintegrado ao Exército, chegando ao posto de Major da Reserva antes de aposentar-se. Ele morou na Bavária até seu falecimento, quatro dias após completar seus 89 anos.


Soldado americano guardando prisioneiros alemães do Bolsão do Ruhr.
Veja também:
>>Nota de Falecimento: Alois Eisele
>>Nota de Falecimento: Dr. August Weiler
>>Nota de Falecimento: Bodo Spranz
>>Nota de Falecimento: Wilhelm Niggemeyer
>>Nota de Falecimento: Josef Dörries
Comente aqui!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Erich von dem Bach-Zelewski


Erich von dem Bach-Zelewski
SS-Obergruppenführer
(1899 - 1972)

Erich von dem Bach-Zelewski nasceu em 1 de março de 1899 em Lauenberg, na Pomerânia, numa família de seis irmãos. Apesar das origens aristocráticas da família, Erich cresceu na pobreza, visto que seu pai nunca conseguiu firmar uma carreira, perseguindo diversos empregos, até falecer em 1911. Seu irmão, que liderava uma força colonial anti-insurreição na Tanzânia, foi morto por uma lança tribal em 1891, sendo desprezado pela sociedade alemã por ter morrido em combate contra uma “raça inferior”. Erich então sentiu-se no dever de restaurar a honra da família.

Ele seguiu os passos de seu tio, que incentivou-lhe a optar pela carreira militar. Em novembro de 1914, Bach-Zelewski se tornou um dos mais jovens recrutas do Exército Alemão, servindo durante todo o conflito e ganhando a Cruz de Ferro 1ª Classe. Após a guerra ele permaneceu no Exército e participou das lutas internas que se seguiram na Alemanha, ganhando reputação de corajoso e ousado. Em 1924 ele foi transferido para a Guarda de Fronteira, permanecendo com a força até 1930, quando juntou-se ao Partido Nazista.

Tornando-se um membro da SS em 1931, ele foi rapidamente promovido e atingiu a patente de SS-Brigadeführer em 1933. Ele se envolvia constantemente em disputas contra seu superior, Anton von Hohberg und Buchwald, e aproveitou a Noite das Longas Facas, em 1934, para assassiná-lo. Por causa de sua ancestralidade eslava e seu nome de sonoridade polonesa, Bach-Zelewski se tornou cada vez mais brutal para “se provar” um verdadeiro nazista.

Em 1937 ele se tornou Höherer SS und Polizeiführer (Alto-Chefe da SS e da Polícia) na Silésia. Ao iniciar a guerra, unidades sob seu comando realizaram ações de represália e fuzilamento de prisioneiros na Polônia, e Himmler deu-lhe o cargo de “Comissário para o Fortalecimento da Germanização” na Silésia. Seu trabalho incluía reassentamentos e confisco de propriedades, tendo forçado mais de 20.000 pessoas para fora de suas casas até agosto de 1940.

Com o início da Operação Barbarossa em junho de 1941, Bach-Zelewski foi feito Alto-Chefe da SS e Polícia na retaguarda do Grupo de Exércitos Centro de Fedor von Bock. Suas unidades foram responsáveis pela eliminação de centenas de milhares de pessoas em Riga, Bielorrússia, e leste da Polônia. Ele foi designado futuro chefe da Polícia de Moscou e promovido a SS-Obergruppenführer em 9 de novembro.

Em fevereiro de 1942 ele foi hospitalizado, alegando após a guerra ter sido devido a um esgotamento nervoso relacionado aos assassinatos em massa na Bielorrússia, mas mensagens decifradas pelos ingleses atestaram que sua enfermidade foi puramente física. Quando voltou ao serviço em julho, Bach-Zelewski em nada reduziu sua brutalidade.

Com o assassinato de Reinhard Heydrich em junho de 1942, Hitler queria que Bach-Zelewski assumisse o posto de Protetor da Boêmia e Morávia, mas por estar ainda em convalescença, o Führer acabou nomeando Kurt Daluege para o cargo. Em julho de 1943 ele recebeu o comando das ações anti-guerrilha em todos os territórios ocupados, mas manteve-se concentrado no leste. Ele levou a cabo diversas represálias contra a Resistência Polonesa, mas suas ações tiveram pouquíssimo impacto nas atividades dos partisans. Na maioria das vezes, seus soldados chegavam atrasados ou forçavam os guerrilheiros apenas a uma realocação temporária, perdendo mais homens do que infligindo baixas.

Contudo, seu grande papel histórico descortinar-se-ia em 2 de agosto de 1944, quando ele assumiu o comando de todas as tropas que combatiam o Levante de Varsóvia. Contando com a “carta branca” do Exército Vermelho, que simplesmente assistiu a luta acampado a 16 quilômetros da cidade, as tropas da SS utilizaram as mais terríveis táticas para subjugar os partisans poloneses. Bach-Zelewski inclusive fez uso do gigantesco Mörser Karl, um morteiro de 600 mm, demolindo a cidade e reduzindo-a a escombros com explosivos. Ao fim da luta, seus soldados assassinaram mais de 200.000 pessoas em Varsóvia. Pelo sucesso na contenção do Levante, em 30 de setembro de 1944 Adolf Hitler condecorou-o com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro. Hitler disse: “ele é tão esperto que pode fazer qualquer coisa, contornar todas as dificuldades”.

No começo de 1945, Bach-Zelewski recebeu o comando do X Corpo da SS, mas suas unidades foram aniquiladas em combate em menos de duas semanas. Com a rendição, ele escondeu-se e tentou deixar a Alemanha, mas foi preso pelos americanos em 1 de agosto. Em troca de seu testemunho contra os réus no Julgamento de Nuremberg, Bach-Zelewski nunca foi indiciado por crimes de guerra, sendo libertado em 1949.

Contudo, em 1958 ele foi condenado a 4,5 anos de prisão pelo assassinato de Anton von Hohberg und Buchwald. Em 1960 ele recebeu uma outra sentença de dez anos pelo assassinato de comunistas em 1930. Erich von dem Bach-Zelewski faleceu numa prisão em Munique, aos 73 anos de idade no dia 8 de março de 1972.


Bach-Zelewski testemunha em Nuremberg, 7 de janeiro de 1946.

Veja também:
>>Theodor Eicke
>>Veteranos da Waffen SS marcham por Riga
>>SdKfz. 302 "Goliath"
>>Otto Ernst Remer
>>O papel das mulheres nos crimes nazistas
Comente aqui!

Liberação de Paris foi feita uma "vitória branca"


Papéis descobertos pela BBC revelam que comandantes ingleses e americanos garantiram que a Liberação de Paris seria vista como uma vitória “somente branca”.

Muitos dos que lutaram contra a Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial o fizeram para derrotar o violento racismo que levou milhões de judeus à morte.

Mesmo assim, a BBC viu evidências de que soldados negros coloniais – que compunham cerca de dois terços das Forças Francesas Livres – foram deliberadamente removidos da unidade que liderou o avanço Aliado para a capital francesa.

Quando a França caiu em junho de 1940, 17.000 de seus soldados coloniais negros (a maioria da África Ocidental e conhecidos por Tirailleurs Senegalais) jaziam mortos.

Muitos deles foram simplesmente executados após renderem-se aos alemães, que os consideravam selvagens subumanos.

Sua chance para vingança surgiu em agosto de 1944, quando os Aliados se preparavam para retomar Paris. Mas, apesar de seus imponentes números, eles não estariam lá.

“MAIS DESEJÁVEL”

O líder das Forças Francesas Livres, Charles de Gaulle, deixou claro que ele queria franceses liderando a liberação de Paris.

O Alto-Comando Aliado concordou, mas com uma condição: a divisão de De Gaulle não deveria conter nenhum soldado negro.

Em janeiro de 1944, o Chefe de Estado-Maior de Eisenhower, Major-General Walter Bedell Smith, escreveu um memorando com o selo “confidencial”: “É desejável que a divisão mencionada acima consista somente de pessoal branco. Isso significa que a 2ª Divisão Blindada, que atualmente tem um quarto de nativos coloniais, é a única divisão francesa disponível operacionalmente que poderia ser composta 100% por brancos”.

Na época, os Estados Unidos segregavam suas próprias tropas em linhas raciais e não permitiam que soldados negros lutassem lado a lado com seus camaradas brancos até os últimos estágios da guerra.

DIVISÃO MARROQUINA

Dado o fato que a Grã-Bretanha não segregava suas forças e tinha um grande e valoroso Exército Indiano, poderia se esperar que Londres protestasse contra tal política racial. Mas esse parece não ter sido o caso.

Um documento escrito por um General britânico, Frederick Morgan, ao Supremo Comando Aliado, diz: “É uma infelicidade que a única unidade francesa 100% branca seja a divisão blindada no Marrocos. Todas as outras divisões francesas são cerca de 40% brancas. Eu disse ao Coronel de Chevene que suas chances de conseguir o quer seriam tremendamente ampliadas se ele conseguisse produzir uma divisão de infantaria branca”.

Encontrar uma divisão totalmente branca disponível se provou impossível devido à enorme contribuição feita pelos alistados coloniais ao Exército Francês.

Dessa forma, o Alto-Comando insistiu que os soldados negros fossem retirados e substituídos por soldados brancos de outras unidades.

Quando ficou claro que não havia soldados brancos suficientes para preencher as lacunas, soldados árabes naturais do Norte da África e Oriente Médio foram utilizados.

CORTE NAS PENSÕES

No fim, quase todos ficaram felizes. De Gaulle conseguiu seu objetivo de ver uma divisão francesa liderando a liberação de Paris, mesmo que a falta de tropas brancas significasse que muitos de seus homens eram na verdade espanhóis.

Os ingleses e americanos conseguiram sua liberação “somente branca”, mesmo que grande parte das tropas envolvidas fosse do Norte da África ou Síria.

Para os Tirailleurs Senegalais franceses, no entanto, havia pouco a comemorar.

Apesar de formar cerca de 65% das Forças Francesas Livres e morrer em grandes números na França, eles não teriam recepção de heróis em Paris.

Após a libertação da capital francesa, muitos simplesmente tiveram seus uniformes confiscados e foram enviados para casa. Para piorar as coisas, em 1959 suas pensões foram congeladas.

O antigo soldado colonial francês Issa Cisse, do Senegal, que agora tem 87 anos, olha para trás com toda sua tristeza e ressentimento: “Nós, senegaleses, eram comandados por chefes franceses”, diz ele. “Fomos colonizados pelos franceses. Fomos forçados a ir à guerra. Forçados a seguir ordens, fazer isso, fazer aquilo, e nós fizemos. A França não nos foi grata. De jeito nenhum”.

Fonte: BBC News, 6 de abril de 2009.

Veja também:
>>A Corrida por Paris
>>O Exército Indiano secreto de Hitler
>>Trailer: Miracle at St. Anna
>>Museu celebra os “esquecidos poucos” entre os Poucos
>>A Bandeira do NSDAP no Museu Patton
Comente aqui!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Sala de Guerra: 2 anos no ar!



São dois anos no ar! Dois anos de muito trabalho, mas também de muita satisfação. As madrugadas e fins de semana preparando artigos se pagam com a receptividade e os elogios enviados por e-mail, e cada um de vocês merece meu agradecimento. A Sala de Guerra chega ao fim de seu segundo ano de existência mais consolidada do que jamais esteve.

Estamos vivendo em uma época singular: somos provavelmente a última geração que conhecerá nossos heróis, hoje na casa dos 90 anos. Esses senhores tão incríveis, de todos os cantos do mundo, ainda têm muitas histórias para contar, e considero meu trabalho válido a cada vez que consigo contatar um deles e publicar os resultados aqui. Me lembro que minha idéia originalmente era criar um espaço congregador, sem tomar a bandeira de nenhum país, o que nunca havia visto antes. Hoje me orgulho de dizer que a Sala de Guerra vem cumprindo este objetivo.

Este último ano trouxe uma expansão da rede de contatos do blog por diversos países no mundo todo. Fomos pioneiros em colocar os entusiastas brasileiros em contato direto com veteranos da Segunda Guerra Mundial, através do “Bate-Papo com o Veterano”, que já chega a sua terceira edição, e tem outras mais engatilhadas. Nesse sentido, gostaria de agradecer ao Tenente-Coronel Maurice Ashland, Generale di Brigata Aerea Giacomo Metellini e Coronel Joseph Peterburs, por ter cedido parte de seu tempo e respondido nossas questões.

Ao mesmo tempo em que continuo agradecendo ao grande amigo Jim Pattillo, tenho que também expressar meus agradecimentos a Ben Nicks, que voou a missão mais longa da guerra, e recentemente completou seus 90 anos; Theo Nau, sempre uma pessoa agradável; Sergio Denti, mergulhador da Decima MAS e bom amigo; e, claro, Martin Drewes, amigo caríssimo e sempre cavalheiro.

Outras pessoas que certamente merecem toda minha gratidão são Leo Melo (o “imediato” do Sr. Martin hehe), Paul Perron, Dr. Pietro Montagna e Ferdinando D’Amico (Itália), Claudiu Stumer e Dan Melinte (Romênia), Carl Evans e Kyle Nappi (Estados Unidos), Martin Bull (Inglaterra) e Remco Immerzeel (França). A todos os outros que cooperaram com a Sala de Guerra de qualquer maneira, meu muito obrigado!

Agora às boas notícias: para este ano estou preparando novas atrações. O blog cresceu e, portanto, sua estrutura merece crescer também. Amigos colaboradores serão necessários, e gostaria de poder contar com os especialistas que estão por aí. Em breve as atividades serão ampliadas, com uma interface nova e parcerias com outros sites. Tudo isso graças ao reconhecimento que você proporciona a este veículo!

Vamos entrar com muita dedicação neste terceiro ano, e chegar a abril de 2010 ainda mais fortes!

Um grande abraço,

Júlio César Guedes Antunes

Veja também:
>>Sala de Guerra: 1 ano no ar!
>>Evento: 90º aniversário de Ion Dobran
>>Evento: 90º aniversário de Martin Drewes
>>Evento: Mosquito Meeting 2008
>>Evento: Reunião 2008 da ANR
Comente aqui!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Nota de Falecimento: Edward Roddy


Edward F. Roddy
(29/06/1919 - 06/04/2009)

Faleceu no último dia 6 de abril, em Fresno, Califórnia, de causas naturais aos 89 anos de idade, o ás do Republic P-47, Coronel Edward Francis Roddy.

Nascido em Cleveland, Ohio, Roddy entrou para o Corpo Aéreo do Exército em 25 de abril de 1941. Após graduar-se em 12 de dezembro (cinco dias após o ataque a Pearl Harbor), ele foi transferido para o 56º Grupo, que voava o P-36 Hawk em Myrle Beach, Carolina do Sul. Ele ainda voou o P-38 Lightning por um curto período, antes de todo o grupo receber o novo P-47B Thunderbolt. Em 30 de setembro de 1942, o 56º foi dividido em dois, dando origem ao 348º Grupo de Caça. Dentro da nova unidade, Roddy tornou-se líder de vôo no 342º Esquadrão. Ele tornou-se oficial de operações do Esquadrão e foi promovido a Capitão em 26 de janeiro de 1943.

O 348º Grupo foi finalmente transferido para o Pacífico em maio de 1943, chegando à Nova Guiné em fins de julho. Mas Roddy teve que esperar até 5 de novembro para marcar suas primeiras vitórias: naquele dia, o radar americano captou uma formação de 70 aeronaves japonesas a noroeste de Wewak e, na interceptação que se seguiu, Roddy abateu um Kawasaki Ki-61 e um Mitsubishi A6M "Zero". No dia 16 de dezembro ele derrubou mais dois Zeros e no dia seguinte um bombardeiro Ki-46 "Dinah", que conferiu-lhe o status de ás. Ele ainda abateria dois bombardeiros G4M "Betty" e um Ki-49 "Helen" antes de ser transferido em fevereiro de 1944 para o recém-criado 58º Grupo de Caça, como seu oficial de operações. Promovido a Major em 21 de maio de 1944, e a Tenente-Coronel em 1945, Roddy assumiu o comando do 58º Grupo em 12 de março daquele ano. Ele teve a distinção de ter sob seu comando a única unidade mexicana a lutar na Segunda Guerra, o 201º Esquadrão de Caça Mexicano, as "Águias Aztecas".

Em missão sobre Kyushu em 9 de agosto de 1945, ele viu ao longe o brilho da "Fatman", a bomba atômica lançada sobre Nagasaki pelo B-29 "Bock's Car". Ele disse "fiquei olhando aquele brilho e esperando a onda de choque atingir meu avião, mas ela nunca chegou. Após pousar, perto da meia-noite nos confirmaram que um segundo ataque atômico tinha sido feito no Japão".

Após a guerra, ele ainda voou missões de combate em Mustangs e Marauders na Guerra da Coréia, já como Coronel. Roddy ainda comandou a 48ª Ala Tática de Caça na Inglaterra e o 112º Grupo de Caça da Guarda Aérea Nacional de Pittsburgh. Aposentando-se da USAF em fevereiro de 1970, ele frequentou a Universidade Estadual da Califórnia e, após graduar-se, trabalhou lá como Diretor de Segurança até aposentar-se definitivamente em 1987. O Coronel Roddy deixa esposa e sete filhos.


Foto autografada de Roddy e seu P-47 "Babs IV" (em homenagem à sua filhinha).


Entrevista com o Coronel Roddy.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Robert DeHaven
>>Nota de Falecimento: Eugene Paul Roberts
>>Câmera de combate do P-47
>>Republic P-47 Thunderbolt
>>Fernando Corrêa Rocha
Comente aqui!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Sob a névoa da guerra


Sob a névoa da guerra


Em Katyn, Andrzej Wajda reabre uma ferida que ainda hoje dói nos poloneses: o massacre de 20.000 oficiais pelos soviéticos, em 1940. Mas por que só um octogenário se interessou em tratar dela?

por Isabela Boscov

Na primeira cena de Katyn (Polônia, 2007), já em cartaz no Rio de Janeiro e com estreia prevista para esta sexta-feira também em São Paulo, dois grupos de refugiados encontram-se no meio de uma ponte, em algum lugar da Polônia. Parte deles vem do oeste, fugindo dos invasores nazistas, enquanto a outra parte vem do leste, tentando escapar dos invasores soviéticos. Ou seja: chegou-se ao ponto onde não há mais saída – e essa é a imagem ao mesmo tempo literal e metafórica da terrível má sorte que desabou sobre os poloneses em 1939.

Imprensada pela geografia entre os dois regimes totalitários mais cruéis do período, a Polônia virou um palco para as piores tensões da II Guerra. Sua invasão pelos nazistas foi, primeiro, o estopim do conflito. Depois, enquanto o farsesco pacto de não agressão entre Adolf Hitler e Josef Stalin vigorou, o país se viu repartido entre dois exércitos de nacionalidades e métodos diferentes, mas objetivos idênticos – quebrar a espinha do ocupado e ensaiar as práticas expansionistas que logo estenderiam pelo mundo. Finalmente, quando ficou claro que nenhum acordo poderia conter o choque entre as ambições de Hitler e Stalin, o país passou a ser sistematicamente eviscerado pelos dois adversários.

Um episódio central simboliza esse processo: em abril de 1940, os soviéticos fuzilaram cerca de 12.000 oficiais poloneses na floresta de Katyn. Contando-se os fuzilamentos em outros campos de prisioneiros, o total de assassinados chegou a 20.000. Muitos destes eram reservistas e atuavam como engenheiros, técnicos ou cientistas. Sem eles, calculava Stalin, seria muito mais difícil à Polônia reerguer-se (Hitler, por sua vez, já se havia incumbido do extermínio dos intelectuais poloneses). Em 1943, quando as valas comuns foram descobertas, os nazistas aproveitaram-se ao máximo delas para propaganda antissoviética. Em menos de dois anos, porém, a Alemanha foi derrotada, e a Polônia caiu na órbita da União Soviética – a qual reescreveu a história, atribuindo o massacre de Katyn aos nazistas e alardeando-se de ser a verdadeira esperança dos poloneses. A Polônia inteira sabia tratar-se de uma mentira; mas quem o dissesse enfrentaria tortura, exílio ou morte. Eis, então, como uma nação foi refundada sobre uma farsa.

Essa é a história que o grande diretor polonês Andrzej Wajda conta, pela primeira vez na história do cinema de seu país, em Katyn. O pai de Wajda foi uma das vítimas do massacre, e durante anos sua mulher e filho aguardaram que ele voltasse. Quando souberam de sua morte, mal puderam cumprir o luto. Logo, como todos os outros parentes dos fuzilados, tiveram de assumir a falsidade. O massacre e sua subsequente dissimulação feriram a Polônia até a alma: como Wajda mostra em seu filme, numa brilhante recriação não apenas do episódio, mas da dimensão emocional que ele adquiriu, o ocorrido em Katyn pisoteou a identidade dos poloneses, violentou sua história e anulou, por décadas, sua esperança de um futuro livre. Se esse futuro não tivesse afinal se concretizado, Katyn não poderia existir, claro.

Mas é intrigante que só Wajda, que acaba de completar 83 anos, tenha se ocupado de reabrir essa ferida para começar a arejá-la. Intrigante, mas também sintomático: Wajda é um dos remanescentes de uma fraternidade de diretores que, iniciando a carreira entre o fim da II Guerra e a década de 70, imaginou o cinema não apenas como espetáculo – aspecto que a maioria deles nunca menosprezou –, mas também como um novo fórum, de alcance e apelo sem precedentes.

Federico Fellini, Michelangelo Antonioni, Bernardo Bertolucci, Luchino Visconti, Ingmar Bergman, Akira Kurosawa, François Truffaut, Louis Malle, Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Stanley Kubrick, para ficar apenas nos nomes mais óbvios, foram alguns dos expoentes desse grupo que Wajda integra desde sua estreia, na década de 50, com a "Trilogia da Guerra", formada por Geração, Kanal e Cinzas e Diamantes.

Nem todos os diretores surgidos nesse período de transformação se dedicaram a temas políticos ou ideológicos, como Wajda quase sempre continuou a fazer. De sexo a relações humanas, de identidade cultural a filosofia, todas as grandes questões encontraram um espaço nesse fórum. A base comum para esses cineastas e os filmes que eles produziram, porém, é clara: o espírito inquisitivo e a aspiração de intervir em seu tempo. Esse é o espírito que abriu para eles um lugar não apenas na história do cinema, mas no cânone cultural contemporâneo. E esse é também o espírito que move Wajda a dissipar a névoa da guerra em Katyn. Se não se trabalhar para encontrar no passado seu sentido verdadeiro, argumenta o filme, tudo o que repousa sobre ele será também em alguma medida uma falsificação.

O mais triste em Katyn é quanto ele é solitário em sua ambição. Outros veteranos como Wajda continuam a fazer um cinema de busca e indagação, a exemplo de Clint Eastwood e Werner Herzog. Mas, nas fileiras de diretores que despontaram a partir da década de 80, os casos de inquietude intelectual são escassos – Pedro Almodóvar, na Espanha; Paul Thomas Anderson, de Sangue Negro, nos Estados Unidos; Cristian Mungiu, de 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, na Romênia; Florian Henckel von Donnersmarck, de A Vida dos Outros, na Alemanha. Wajda, que não é nenhum esnobe – uma de suas críticas ao cinema europeu é que ele em geral se recusa a aprender com o americano como conduzir a emoção da plateia –, tem uma teoria sobre o problema. "Certa vez, perguntei a Kurosawa como ele conseguira interpretar Macbeth, de Shakespeare, de maneira tão profunda e acurada em Trono Manchado de Sangue", contou o polonês em uma entrevista recente à revista Sight & Sound. "‘Senhor Wajda, tive uma educação clássica em Tóquio’, ele me respondeu. Bergman e Fellini também tinham esse tipo de formação – assim como muitos de seus espectadores. Hoje, as escolas não ensinam mais esses valores."

Se o diagnóstico de Wajda estiver correto, portanto, não são o cinema ou os cineastas que estão menores. É a própria cultura que está perdendo seu sentido de continuidade e acumulação e, assim, se apequenando. O cinema, afinal, não depende só de quem o faz para provocar impacto: depende igualmente de quem o vê. Katyn prova que essa contração não é necessária. O filme de Wajda tem uma experiência fundamental a transmitir sobre uma calamidade que o presente está longe de erradicar – a dos regimes ditatoriais e como - eles desfiguram não uma liberdade abstrata e sim cada indivíduo, até seu âmago. Mas ele a transmite com arte, e espetáculo, e emoção.

Fonte: Revista Veja, 8 de abril de 2009.

Trailer

Veja também:
>>Encontrada vala comum da Segunda Guerra na Polônia
>>Trailer: Defiance
>>Polônia investigará morte de Wladyslaw Sikorski
>>Um astro em busca da reinvenção
>>Sapos Crus e andança pela Sibéria Oriental
Comente aqui!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Nota de Falecimento: Norman Tod


Norman Tod
(12/11/1910 - 06/03/2009)

Faleceu no último dia 6 de março na Inglaterra, de causas naturais aos 98 anos de idade, um dos últimos sobreviventes da Batalha do Rio da Prata, Comandante Norman Kelso Tod.

Nascido em Quetta, no atual Paquistão, Tod era filho de um oficial do Exército que lutou na Primeira Guerra Mundial. Ele foi educado em Brighton, e em 1924 entrou para a Real Academia Naval em Dartmouth. Três anos depois, após graduar-se, ele foi designado para o couraçado HMS Iron Duke, passando pouco depois para o cruzador de batalha HMS Tiger no Mediterrâneo. Após frequentar um curso para navegadores, foi postado no Golfo Pérsico, e em 1939 estava servindo no cruzador leve HMS Ajax.

O começo da guerra em setembro de 1939 viu o Ajax no Atlântico Sul como parte da força de cruzadores do Comodoro Harwood, que perseguia o couraçado de bolso alemão KMS Graf Spee. Como navegador do Ajax, Tod direcionou a força para a foz do Prata quando os neo-zelandezes do HMNZS Achilles reportaram: "Acho que é um couraçado de bolso". No dia 13 de dezembro, a força, composta pelo Ajax, Achilles e o cruzador pesado HMS Exeter, atacou o Graf Spee, cercando-o e forçando o comandante Langsdorff a refugiar-se em Montevidéu. Contudo, o Exeter fora danificado e teve que partir para as Falklands, sabendo que a maré da batalha provavelmente se voltaria contra os ingleses se o Graf Spee retornasse. Felizmente para Tod, Langsdorff decidiu afundar seu próprio navio no dia 17.

O Ajax passou o Natal sendo consertado nas Falklands, e retornou para a Inglaterra passando por Montevidéu e Rio de Janeiro. Tod participou de uma parada da vitória em Londres, no dia 23 de fevereiro de 1940, e recebeu a Distinguished Service Cross do Rei George VI. Em seguida, Tod foi designado navegador do cruzador HMS Norfolk, que perseguiu sozinho o KMS Bismarck e KMS Prinz Eugen pelo Estreito da Dinamarca em maio de 1941, antes de receber reforço do HMS Hood e HMS Prince of Wales. Tod viu o Hood explodir após combate com o couraçado alemão em fuga. Os precisos mapas de navegação feitos por ele foram a chave para a descoberta dos destroços do Hood em 2001.

Após a guerra ele se tornou adido naval em Shanghai, Lisboa, e Karachi. Aposentando-se em 1958, ele tornou-se um experiente guia turístico, elogiado por sua eficiência e habilidade. Nos primeiros dias da Guerra Civil Libanesa, ele negociou a saída segura do país de um grupo de clientes num voo da Aeroflot.

Norman Tod não gostava de eventos familiares e nunca se casou. Passava grande parte do seu tempo em lugares exóticos como Mianmar e Tailândia. Ele sofreu um ataque cardíaco à beira de uma piscina na Tailândia em 2002, e sua família conseguiu finalmente trazê-lo para a Inglaterra, onde permaneceu até seu falecimento.

HMNZS Achilles visto HMS Ajax durante a Batalha do Rio da Prata.

Veja também:
>>Combates Aéreos: Afundem o Bismarck
>>Erich Raeder
>>Nota de Falecimento: Les Sayer
>>Nota de Falecimento: Edward Briggs
>>Sir John Tovey
Comente aqui!