Loading

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Bate-papo com o veterano - Gen. Metellini responde



Desta vez, a Sala de Guerra recebeu um total de 194 perguntas para o bate-papo com o Generale di Brigata Aerea Giacomo Metellini. Confesso que foi muito difícil selecionar apenas 10 perguntas, entre tantas tão interessantes. Como gosto muito desse tema, resolvi estender um pouquinho mais a entrevista, mas sem abusar da boa vontade do General, e acabei escolhendo 12 perguntas. Acredito que o resultado ficou bom e, pra quem tiver mais curiosidade, há seu livro autobiográfico "Un Pilota Racconta", disponível ainda somente em italiano.

1-Como piloto de caça na Segunda Guerra Mundial, que combate aéreo nunca esquecerá, e por quê? Raimundo Nonato Rodrigues, 49, Brasília – DF.
Olá Raimundo. O mais duro combate aéreo que eu já enfrentei foi durante a chamada “Batalha do Meio de Agosto”. Tentando levar suprimentos para a combatente ilha de Malta, os ingleses montaram um comboio de navios mercantes com escolta pesada (Operação Pedestal) no verão de 1942. A escolta foi feita por quatro porta-aviões: Eagle, Argus, Indomitable e Victorious; dois couraçados: Rodney e Nelson; sete cruzadores e 24 destróieres. Todas essas embarcações tinham que dar proteção aos 14 navios de carga, porque era considerado vital para Malta que o comboio chegasse. O comboio foi rapidamente descoberto pelo Eixo e em 12 de agosto os combates aéreos começaram. No fim da tarde do dia 12 meu grupo foi chamado para escoltar a primeira leva de torpedeiro SM.79 contra o comboio. Estávamos obviamente preocupados com os Sea Hurricane que deveríamos encontrar, e com o fato de que combateríamos sobre o mar, longe da proteção da terra. Ainda me lembro do impressionante fogo antiaéreo dos navios de escolta. Enquanto o SM.79 tentava chegar perto dos navios de carga, bem baixo perto das ondas, os ingleses desenvolveram um sistema eficiente de proteção: eles disparavam não somente contra o SM.79 mas também no mar, em frente dele. Isso levantava imensas colunas de água em frente aos pobres torpedeiros; eles não tinham chance de passar por entre aquelas colunas. Ao mesmo tempo, tínhamos que protegê-los dos caças ingleses.

Haviam muitos aviões e uma grande confusão. Voltei pra casa em segurança. No dia seguinte, 13, nosso grupo foi chamado para escoltar outra onda de SM.79s. Os Macchi MC.202s iriam suprir escolta de alto nível enquanto meu grupo tinha que escoltar os torpedeiros voando ao lado deles. Por alguma razão, quando nos encontramos os torpedeiros, só havia eu e meus dois alas Reggiane Re.2001s do lado esquerdo da formação. Os dois outros conjuntos que deveriam estar do lado direito perderam o ponto de encontro. O líder dos torpedeiros decidiu ir em frente, mesmo com nossa pequena escolta; obviamente sabíamos pelo dia anterior o que iríamos encontrar e vimos poucas chances de voltar! Quando chegamos ao comboio, fomos imediatamente atacados por Sea Hurricanes; fizemos o melhor possível para proteger os SM.79s mas éramos muito poucos. Me lembro de ter parado de manobrar apenas por uns segundos e fui atingido... Por sorte não fui ferido! Já que o Re.2001 parecia que ainda podia voar, decidi tentar alcançar a ilha da Sardenha. Foi um longo caminho de volta para casa, já que eu estava preocupado que o motor pudesse falhar ainda em cima do mar, e também que algum caça britânico me avistasse tentando manter o controle do avião e me derrubasse. Por sorte consegui pousar em segurança.

2-Que caça Aliado o senhor mais temia encontrar, e por quê? Caio César Saraiva, 50, São Paulo – SP.
Olá Caio. O que mais temia eram os Spitfires sobre Malta. Eles eram mais rápidos e mais bem armados do que o Re.2001 (eles tinham canhões de 20 mm contra nossas metralhadoras de 12,7 mm). Também, seus pilotos eram muito bons porque, no verão de 1942, eles foram escolhidos entre os melhores pilotos de caça, na maioria veteranos da Batalha da Inglaterra e das campanhas africanas. Tive a chance de voar o Spitfire após a guerra e fiquei surpreso ao descobrir quão bom aquele avião era, e como os pilotos ingleses, com um avião tão bom como aquele, não conseguiram derrubar todos nós em combate... na época de Malta, sabíamos que o Spitfire era bom, mas não TÃO bom!

3-Havia discordância de idéias entre os líderes e subordinados? Como era ter que aceitar as ordens dos políticos, sem concordar com elas? Carlos Jazz, 17, Pirapora – MG.
Olá Carlos. Posso dizer que havia um ótimo relacionamento entre todos nós, em particular entre os oficiais. Não era nossa tarefa discutir política ou políticos. Todos tínhamos nossos pensamentos, mas os guardávamos para nós. Nosso dever era fazer nosso trabalho da melhor maneira que conseguíssemos, defendendo nosso país e sua bandeira com orgulho e honra.

4-Por favor, descreva a experiência de voar o Reggiane Re.2001. Na sua opinião era o melhor caça italiano da época? Demerval Moura Neto, 31, Manaus – AM.
Olá Demerval. O Re.2001 era um ótimo avião, o primeiro caça sério que tivemos após o primeiro monoplano, o Fiat G.50, que voei na África e não era nada bom. O Reggiane era muito manobrável, tinha boa visibilidade, era prazeroso de voar, confiável e podia fazer curvas mais fechadas que o Spitfire. Essa última característica se provou muito útil nos duros combates sobre Malta. De fato, somente a alta manobrabilidade do Re.2001 nos permitiu sobreviver a muitos combates e possibilitou que derrubássemos alguns inimigos. Eu pessoalmente consegui derrubar um Spitfire e um Hurricane. Os caças alemães não gostavam de voar missões de escolta conosco por causa da forma peculiar da asa do Reggiane. Realmente, nossa asa elíptica era similar à do Spitfire, e os pilotos alemães ficavam preocupados em nos atingir durante os combates.

Dessa forma, nunca lutávamos juntos e, quando missões de escolta eram planejadas, os caças alemães sempre voavam acima de nós, nas chamadas “escoltas indiretas”. O Reggiane era um caça muito bom naquele tempo, mas sofria de falta de potência do motor e armamento insuficiente (tínhamos somente duas metralhadoras 12,7 mm e duas 7,7 mm, enquanto Spits e Me 109s tinham canhões de 20 mm). O Macchi MC.202 também era bom, mas o melhor dos caças italianos foi o Macchi MC.205, no qual tive a chance de voar após a guerra, e que podia competir com todos os caças Aliados. Infelizmente ele chegou muito tarde e em poucos números, perto do fim da guerra. Se o tivéssemos sobre Malta, a história teria sido diferente!

5-O senhor pode descrever os combates sobre Malta? Maíra Siqueira, 24, Ouro Preto – MG.
Olá Maíra. Os combates sobre Malta eram duros. Muitas vezes éramos chamados para escoltar bombardeiros Ju 88 e SM.84, e outras vezes íamos para Malta nas missões chamadas “caccia libera”, onde voávamos sobre a Ilha tentando encontrar os Spitfires. Infelizmente, especialmente quando tínhamos que escoltar os bombardeiros, os Spitfires sabiam por radar que estávamos chegando e então decolavam e subiam bem alto para nos esperar. Nós normalmente tínhamos que voar bem perto dos bombardeiros, o que significava voar a baixa altitude. O Spitfire costumava nos atacar por cima, contra o sol, num mergulho muito rápido, atirando em nossos aviões e continuando a mergulhar. Não tínhamos chance de vê-los antes do último segundo e não podíamos segui-los em mergulho porque eram mais rápidos que nós e não podíamos abandonar os bombardeiros. Isso era muito frustrante e perigoso para nós! No entanto, quando tínhamos a chance de entrar em contato com eles, podíamos lutar praticamente no mesmo nível porque o Reggiane Re.2001 era altamente manobrável e podia fazer curvas mais fechadas que o Spit. Em boas mãos o Reggiane era um oponente perigoso, mas sempre tendo em mente que o Spit era mais rápido e melhor armado.

Não tínhamos chance de fugir de um combate por causa de nossa velocidade inferior, então tínhamos que “jogar o jogo deles” e fazer nosso melhor. Durante os combates havia uma grande quantidade de aviões tentando manobrar melhor que o outro, uma grande confusão... não se tinha tempo para observar oponentes ou parar um pouco. Em combates de caça você tem que se mover rápido e nunca (NUNCA) parar de se mover e manobrar: se você parar, se torna um alvo fácil para o inimigo e é imediatamente atingido! Os combates sobre Malta duravam apenas alguns minutos: alguns segundos antes o céu estava vazio, então as lutas começavam com diversos aviões, então, de repente, o céu estava vazio de novo. Tínhamos que voar 20 minutos na ida e na volta a partir da costa da Sicília, e para muitos dos meus camaradas, com a aeronave danificada após um combate aéreo, essa distância se mostrou grande demais e eles caíram na água. Essa não era uma idéia bonita para nós. Pelo menos os ingleses podiam saltar de pára-quedas em sua ilha, ou se fossem para no mar, podiam ser resgatados por barcos de patrulha. Não tínhamos essa esperança e isso aumentava o nervosismo em nossos combates.

6-Fale-nos sobre a vida diária no 6º Stormo e nos fale um pouco sobre seus colegas, como Carlo Seganti, Diulio Fanali, Vittorio Minguzzi e outros. Ricardo Antunes, 28, Ribeirão Preto – SP.
Olá Ricardo. Como piloto de caça eu estava no 2º Gruppo Caccia, um dos dois grupos que compunham o 6º Stormo. O 2º Gruppo estava operando a partir da Sicília, separadamente do 6º Stormo. Então, não tive chance de conhecer camaradas do 6º Stormo que estavam fora do meu grupo. Eu tenho boas memórias de Carlo Seganti, um bom amigo, um sujeito alegre e de muito bom caráter. Infelizmente ele foi derrubado junto com o comandante do nosso grupo, Tenente-Colonello Aldo Quarantotti, durante uma missão de resgate em busca de um de nossos pilotos que tinha caído no mar. Diulio Fanali foi um dos melhores oficiais que já conheci; infelizmente, ele sobreviveu à guerra para morrer, muitos anos depois, enquanto estava de férias em seu veleiro.

7-Enquanto voava como escolta dos Aerosiluranti, o senhor conheceu Buscaglia? Descreva essas missões para nós, por favor. Adriano Costa, 20, Rio de Janeiro – RJ.
Olá Adriano. Nós, pilotos de caça, nunca soubemos quem era o comandante dos aviões que escoltávamos, e de qualquer forma, não nos importávamos muito com isso. Nós obviamente conhecíamos o nome de Buscaglia por suas lendárias aventuras e também sabíamos que ele poderia estar em algum dos aviões que escoltávamos. Mas isso não nos afetava. Nunca tive a chance de encontrá-lo; provavelmente ele foi o que me disse pelo rádio, durante a Batalha do Meio de Agosto, que iria enfrentar o comboio de qualquer forma, mesmo com somente três caças de escolta. Como poderíamos desapontá-lo?

8-Como foi a experiência de voar o CR.42 como caça noturno? Como funcionavam as táticas italianas de caça noturna? Sérgio Pereira de Medeiros, 26, Brasília – DF.
Olá Sérgio. O CR.42 era um avião muito forte, muito manobrável e fácil de voar; contudo, não era apto para o papel que queriam que interpretasse. Não tinha motor forte o suficiente para ser um caça, especialmente à noite. O alerta para decolar sempre nos era dado tarde demais, então não tínhamos chance de entrar em contato com os bombardeiros que voavam em grande altitude: quando atingíamos o nível de vôo deles, eles sempre já tinham ido. Também era impossível pegá-los à noite porque não tínhamos radares de bordo para ver os aviões chegando: éramos orientados para o alvo seguindo pobres instruções de rádio que diziam “grande formação de bombardeiros se aproximando do oeste”. Só isso! Então decolávamos, procurávamos por eles sem sucesso e então voltávamos, tentando achar nosso aeródromo na completa escuridão. Quando acreditávamos que tínhamos encontrado a pista, pedíamos por rádio para acenderem as luzes. Somente um linha de luzes era acendida e assim que tocávamos no chão com nossas rodas, pedíamos para desligá-las. Íamos taxiar na escuridão, esperando não sair da pista ou atingir alguma coisa... era tudo muito frustrante.

9-O senhor já atacou uma formação de bombardeios pesados Aliados? Se sim, digamos como atacava (de frente, por baixo) e descreva a experiência. Marcos Parani, 19, Campinas – SP.
Olá Marco. Como eu disse antes, nunca tive a oportunidade de atacar bombardeiros Aliados de noite. Alguns dos meus colegas que conseguiram fazer isso de dia me disseram que costumavam ir contra eles pela frente, já que era o ponto mais fraco da formação. Como pode imaginar, os ataques eram muito rápidos e a luta não durava muito. Nossos caças, normalmente os MC.202s ou os MC.205s, também tinham que se resguardar contra as escoltas, especialmente depois de 1943. Então, era tudo uma tentativa de derrubar alguns bombardeiros e uma luta principalmente para não ser atingido pelos caças de escolta, que eram sempre mais numerosos que nossos aviões...

10-O fim da guerra se aproxima e seus camaradas continuam a lutar, apesar das terríveis perspectivas, constante bombardeio e ataques dos Aliados... O quão difícil foi continuar nessa situação? João Batista Rocha, 45, Rio de Janeiro – RJ.

Olá João. Somente posso dizer que um bom soldado não faz comentários ou dá opiniões, mesmo que obviamente tenha seus próprios pensamentos; ele é chamado para cumprir seu dever de defender seu país e irá ir em frente lutando por isso, apesar de todas as dificuldades, mesmo ao custo de perder a vida.

11-Chega setembro de 1943; por favor conte pra nós o que aconteceu com o senhor durante a rendição. Fernanda Alves da Silva, 27, São Paulo – SP.

Olá Fernanda. Quando chegou setembro de 1943, eu era comandante da 152ª Squadriglia Intercettori em Sarzana. Nós soubemos sobre a rendição pelo rádio. Todos sentimos uma mistura de diferentes sentimentos: alegria, tristeza, mas acima de tudo incerteza sobre o futuro e sobre o que deveríamos fazer. Na total falta de quaisquer ordens de nossos comandantes, quando os soldados alemães começaram a chegar à nossa base no começo da noite, deixei meus camaradas e soldados agirem de acordo com suas opiniões e vontades. Alguns decidiram voltar para casa, outros se juntaram aos Aliados no sul, outros se juntaram aos alemães no norte da Itália. Na minha compreensão eu já tinha chegado ao limite; após lutar contra os Aliados por quatro anos e ter perdido muitos camaradas, eu não podia ser chamado, assim de repente, para me juntar a eles. Isso era para mim algum tipo de traição. Ao mesmo tempo, eu não gostava dos alemães e nunca tinha sido fascista, então não tinha intenção de me juntar a eles. Então decidi esperar e ver o que acontecia, esperando que os Aliados liberassem a Itália dos alemães logo. Infelizmente isso não aconteceu, então nos meses seguintes eu tive que me esconder. Na verdade eu tinha oficialmente me recusado a juntar-me aos alemães e à Aeronautica Repubblicana e, portanto, tinha me tornado um inimigo e ativamente procurado pelos alemães. No fim, tive que fugir para a Suíça onde fui mantido prisioneiro até o fim da guerra.

12-Com os olhos de nostalgia, talvez, e podendo observar hoje como foram as coisas no front, como se sente tendo lutado no maior conflito militar da história ? André Luiz Motta, 24, Alagoinhas – BA.
Olá André. Não sinto nada em particular e não sinto que fiz qualquer coisa especial: eu fiz o que muitos outros pilotos fizeram e o tempo de vida que passei na guerra é somente uma parte da minha história. Mas, pensando no que fiz durante a guerra, posso honestamente dizer estou orgulhoso de ter sido leal aos altos valores morais que um homem deve ter e deve sempre seguir.


Meus agradecimentos à Alessandro Metellini.

Veja também:
>>Bate-papo com o veterano - Cel. Ashland responde
>>Entrevista com James Edmundson - Parte 1 , Parte 2
>>Entrevista com Luigi Gorrini - Parte 1 , Parte 2 , Parte 3
>>Entrevista com Adolf Galland - Parte 1 , Parte 2
>>Entrevista com Ilmari Juutilainen - Parte 1 , Parte 2 , Parte 3
Comente aqui!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Nota de Falecimento: James Swett


James Swett
(15/06/1920 - 18/01/2009)

Faleceu no último dia 18 de janeiro em Redding, Califórnia, de falência cardíaca aos 88 anos, o ganhador da Medalha de Honra, Coronel James Elms Swett.

Nascido em Seattle, Washington, Swett estudou em San Mateo, na Califórnia, onde também conseguiu uma licença de piloto civil. Ele alistou-se na Reserva Naval dos Estados Unidos em 26 de agosto de 1941, completando o treinamento básico no começo de 1942. A ele foi então oferecida uma comissão na Marinha ou nos Fuzileiros Navais; Swett escolheu os Fuzileiros. O Segundo-Tenente Swett foi enviado avançado em Quantico, Virginia, e qualificou-se em porta-aviões a bordo do USS Wolverine em dezembro de 1942. Ele foi então enviado para o Pacífico, chegando a Guadalcanal e sendo designado para o VMF-221.

Em sua primeira missão de combate, na manhã de 7 de abril de 1943, Swett liderava um vôo de quatro Wildcats sobre as Ilhas Russell, quando avistaram uma formação japonesa de 150 aeronaves. Swett interceptou um grupo de bombardeiros de mergulho Aichi D3As "Val", que se dirigia para o porto de Tulagi. Na confusão do combate, Swett separou-se dos colegas, e perseguiu três Vals em seu mergulho de ataque. Enfrentando o fogo dos metralhadores de ré japoneses, Swett derrubou os três bombardeiros, ficando com o avião seriamente avariado. Ele foi, em seguida, atrás de uma segunda formação de seis Vals. Atacando-os em linha, Swett derrubou cinco dos inimigos, e ficou sem munição ao atacar o sexto. Com seu radiador atingido, pára-brisas estilhaçado e múltiplos cortes na face, Swett percebeu que não conseguiria voltar à base. Ele então fez um pouso forçado na água, sendo mais tarde resgatado em Tulagi. Por esta ação, o jovem piloto de 22 anos foi recomendado pelo Almirante Marc Fischer para a Medalha de Honra do Congresso.

Após um descanso na Austrália, Swett foi transferido para os Corsairs e promovido a Capitão. Ele deu cobertura aos desembaques em Rendova em 30 de junho, abatendo dois bombardeiros Mitsubishi G4M "Betty". Ele voltou aos EUA e treinou o VMF-221 para operar o Corsair em porta-aviões, sendo designado para o USS Bunker Hill. Ele estava no ar em combate no dia 11 de maio de 1945, e pôde observar os dois kamikazes que atingiram o Bunker Hill e o puseram fora de ação. Ele teve que pousar em outro porta-aviões. Swett terminou a guerra com 15,5 vitórias confirmadas.

Após a guerra ele continuou com os Fuzileiros, voando Corsairs na base de Alameda, Califórnia. Seu esquadrão foi enviado para a Guerra da Coréia, mas ele foi impedido de combater por ser portador da Medalha de Honra. Swett aposentou-se em 1970 como Coronel, e foi trabalhar na empresa da família em São Francisco, fabricando bombas e turbinas navais. Em sua aposentadoria ele deu frequentes palestras em escolas, falando sobre valores como respeito e rsponsabilidade. Em 2006 estrelou um episódio de Combates Aéreos, no History Channel. James Swett deixa esposa e dois filhos.


Os ganhadores da Medalha de Honra Robert Modrzejewski (à esq) e James Swett (à dir), em 2006.
James Swett em Combates Aéreos.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Hamilton McWhorter III
>>Jefferson DeBlanc
>>Nota de Falecimento: Jack Lucas
>>Nota de Falecimento: Nathan Gordon
>>Nota de Falecimento: Shizuya Hayashi
Comente aqui!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Vídeo: Analisando o Greif


Como já sabemos, o Heinkel He 177 Greif foi um modelo cheio de defeitos que nunca atingiu seu propósito, tirando da Luftwaffe a importantíssima capacidade de bombardeio estratégico. Tal capacidade teria sido de grande utilidade na Inglaterra e de extrema utilidade na Rússia.

Os vídeos abaixo analisam o Greif: o primeiro dá uma "panorâmica" do modelo e o segundo o mostra lançando um míssil Henschel HS 293:



Veja também:
>>Heinkel He 177 Greif
>>Vídeo: Colisões aéreas
>>Câmera de combate do P-47
>>Vídeo: Ataque de caça noturno em "Night Flight"
>>Vídeo: Boomerang em vôo
Comente aqui!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Nota de Falecimento: Nigel Gribbon


Nigel Gribbon
(06/02/1917 - 09/01/2009)

Faleceu no último dia 9 de janeiro em Lancaster, Inglaterra, de causas naturais aos 91 anos de idade, o veterano da campanha do Iraque em 1941, Major-General Nigel St. George Gribbon.

Nascido em Londres durante um ataque de Zeppelins alemães, aos 4 anos de idade Gribbon viveu no Palácio Dolmabachi, em Constantinopla, acompanhando o pai, que era Chefe de Estado-Maior das forças de ocupação britânicas após a Primeira Guerra. Mais tarde frequentou Sandhurst e foi comissionado no 1º Batalhão do King's Own Royal Regiment em 1937, sendo despachado para a Índia.

Em abril de 1941, o novo Primeiro-Ministro iraquiano pró-Eixo Raschid Ali Gailani iniciou um golpe de estado anti-britânico e fez suas tropas sitiarem a base da RAF em Habbaniya. Claude Auchinleck, então comandante da Índia, despachou o 1º Batalhão via Karachi até Basra, de onde foi transportado por via aérea até Habbaniya. Logo em seguida, a RAF começou a bombardear os iraquianos, e o King's Own atacou-os, dominando o platô ao lado da base. Mesmo ferido na ação, Gribbon seguiu o Batalhão até Fallujah, tomando parte na batalha para capturar a importante ponte sobre o Eufrates (a mesma que deu tanto trabalho aos americanos para ser capturada em 2003). Os iraquianos se renderam no início de junho e Gribbon permaneceu com as forças de ocupação por mais alguns meses. No início de 1942 ele foi transferido para o Egito junto ao estado-maior da 10ª Divisão Indiana, e logo em seguida fez um curso de estado-maior em Quetta, na Índia. Voltando para a Inglaterra em 1944, ele transferiu-se para a 6ª Divisão Aerotransportada, completando o treinamento durante o fim da guerra.

Em 1946 ele foi enviado à Palestina para combater os grupos terroristas judaicos Irgun Zvai Leumi e Stern Gang. Nos anos seguintes ele ocupou uma série de postos de estado-maior, até receber o comando do 5º Batalhão do Exército Territorial. Gribbon reestruturou completamente a unidade, e foi condecorado com a Ordem do Império Britânico como reconhecimento em 1960. Em seguida, passou para a inteligência militar, trabalhando em parceria com os americanos na nova tecnologia de reconhecimento por satélite.

Gribbon foi promovido a Major-General e terminou sua carreira como Chefe de Estado-Maior da Inteligência do Quartel-General das Forças Aliadas na Europa, aposentando-se em 1973. Ele ainda foi membro da Câmara de Comércio Reino Unido-Canadá entre 1979 e 1989, e membro da Fundação Memorial de Guerra do Canadá entre 1988 e 1994. Reconhecido como um homem de grande energia e carisma excepcional, o Major-General Nigel Gribbon deixa esposa e três filhos.


Nigel Gribbon (à esq.) no Dia dos Veteranos de 2008 em Londres.
Veja também:
>>Nota de Falecimento: Sam Manekshaw
>>Nota de Falecimento: Sir Tasker Watkins
>>Nota de Falecimento: Eric Wilson
>>Sir William Slim
>>Sir Archibald Wavell
Comente aqui!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Heinkel He 177 Greif


ORIGENS

Na primavera de 1938, a Heinkel recebeu do Reichsluftfahrtministerium um contrato para o desenvolvimento de seu Projekt P.1041, que envolvia especificações para um bombardeiro pesado de longo alcance. A especificação pedia por um bombardeiro pesado/anti-navio com capacidades de bombardeio de mergulho. Essa especificação ridícula se provaria a principal causa das falhas do He 177.

Embora quase 1.200 exemplares do Heinkel He 177 Greif fossem construídos, o modelo nunca mostrou seu potencial e ainda ganhou o apelido de "Caixão Flamejante". O motor Daimler Benz DB 606 tendiam a se incendiar e um grande número de incêndios em vôo ocorreram. Seis das oito aeronaves iniciais foram perdidas, a maioria devido aos incêndios, e muitos dos 35 primeiros exemplares de produção (construídos principalmente pela Arado) tiveram o mesmo destino.

O engenheiro da Heinkel, Siegfried Gunter, requisitou dois motores de 2.000 hp para equipar sua criação, mas um motor que atendesse às especificações não estava disponível e dois Daimler Benz DB 601 que produziam juntos 2.600 hp foram instalados na mesma nacela. Outra complicação no desenvolvimento do Greif era seu trem de pouso, composto de duas pernas gêmeas em cada lado, que se retraíam dentro e fora das nacelas.

DESENVOLVIMENTO

O primeiro protótipo voou em 19 de novembro de 1939 em Rostock-Marienehe. Esse primeiro vôo foi encurtado quando houve um superaquecimento do motor e vibração foi notada. As superfícies da cauda também foram condenadas e modificadas após a queda do segundo protótipo, cuja cauda se desintegrou em um teste de mergulho. Esse problema também ocorreu com o quarto protótipo. O quinto foi o primeiro a carregar armamento, compreendendo quatro metralhadoras MG 15 montadas no nariz, dorso, ventre e cauda. Foi também o primeiro a sofrer incêndio do motor e cair.

Três outros protótipos foram construídos, os primeiros dois com nariz modificado em que foram montados dois canhões MG FF de 20 mm e duas metralhadoras MG 131 de 13 mm. Foram encomendados então 35 He 177A-0 de pré-produção. Esses foram usados em testes de desenvolvimento e treinamento de tripulações para voar a produção inicial He 177A-1, que foi iniciada em março de 1942. A Arado construiu um total de 130 exemplares de quatro sub-variantes, cada uma com pequenas variações no armamento, com as designações He 177A-1/R1 à He 177A-1/R4.

Um grande número de He 177A-1s foram entregues em julho de 1942 para operar com o 1./KG 40 em Bordeaux-Merignac, mas uma fraqueza estrutural nas asas levou a mais uma grande revisão no desenho, e os primeiros He 177A-3s modificados a ver serviço na Luftwaffe foram entregues no fim de 1942. Um total de 170 He 177A-3 foi construído, os primeiros 15 sendo designados He 177A-3/R1 e tendo motores DB 606A/B. Os restantes foram equipados com o DB 610 de 2.950 hp. Tinha velocidade máxima de 490 km/h e capacidade para 1.000 kg de bombas.

Foram construídos ainda os He 177A-3/R2 com armamento ampliado, He 177A-3/R3 carregando três mísseis Henschel Hs 293, e o He 177A-3/R4 possuindo uma gôndola contendo o equipamento de controle de míssil FuG 203. A introdução do canhão de 75 mm na gôndola ventral foi feita no He 177A-3/R5, e três He 177A-3/R7 foram construídos e equipados para carregar dois torpedos. A versão final de produção foi a He 177A-5 que apresentava asa reforçada para permitir pesadas cargas presas sob ela; os flaps foram modificados e o trem de pouso encurtado. Foi produzido inicialmente como He 177A-5/R1 à He 177A-5/R4, sendo sub-variantes com mudanças mínimas.

Se seguiu o He 177A-5/R5 que apresentava metralhadora remotamente controlada na traseira do compartimento de bombas, e o He 177A-5/R6 que teve compartimento de bombas reduzido. O He 177A-5/R7 introduziu o cockpit pressurizado, enquanto o He 177A-5/R8 apresentava armamento no queixo e cauda. Interessantes foram os cinco He 177A-5 convertidos para carregar armamento diferente, com o compartimento de bombas sendo usado para carregar 33 tubos lançadores de foguetes, sendo disparados para a frente num ângulo de 60º. Entregues em junho de 1944 e conhecidos como He 177 Zerstörer, serviram inicialmente com o Erprobungskommando 25 em Tarnewitz, mas ao que parece não foram usados operacionalmente. Seis He 177A-6/R1 foram construídos como plataforma de testes para a versão de produção proposta He 177A-6, que incluía proteção extra para a tripulação e tanques de combustível.

EM OPERAÇÃO

Durante a primeira metade de 1944, os alemães empregaram o Greif na Operação Steinbock, uma ofensiva contra alvos britânicos, fazendo seus ataques em mergulhos de alta velocidade a partir de grandes altitudes. Isso os permitiu penetrar as defesas sem grande dificuldade, mas pouco fez para a precisão do bombardeio. O He 177 também serviu no front leste, mas o crítico suprimento de combustível da Alemanha e a concentração da produção nos caças levaram o Greif a ser retirado de ação na Rússia no fim de 1944.

Uma dessas aeronaves, particularmente notável, foi modificada extensivamente em Praga durante 1943-1944, visando ampliar seu compartimento de bombas para carregar a primeira bomba atômica nazista; nunca foi completada.

CONCLUSÃO

O Heinkel He 177 Greif estava, desde o início, fadado ao fracasso. Uma especificação absurda que insistia em um bombardeiro pesado capaz de realizar mergulhos, o fato de nenhum motor disponível ser adequado, e ser empregado em tarefas que nunca foi planejado para desempenhar, realmente demonstraram a coragem e dedicação dos engenheiros que fizeram com que esse avião fosse construído nos números que foi. O Greif foi predecessor dos promissores He 277 e He 274, que foram para sempre abandonados com o fim da guerra.

DADOS TÉCNICOS (He 177A-5)

Tripulação: 5
Comprimento: 22 m
Envergadura: 31,44 m
Altura: 6,7 m
Área alar: 101,5 m²
Peso vazio: 16.800 kg
Peso cheio: 31.000 kg
Motor: 2× Daimler-Benz DB 610 (DB 605 gêmeos) de 2.950 hp cada
Velocidade máxima: 565 km/h a 6.100 metros
Alcance: 1.540 km
Teto operacional: 9.400 m
Armamento: 2× canhões MG 151 de 20 mm, 3x metralhadoras MG 131 de 13 mm, 3x metralhadoras MG 81 de 7,92 mm, 7.200 kg de bombas, 3x mísseis guiados

Veja também:
>>Focke-Wulf Fw 200 Kondor
>>Henschel Hs 129
>>Messerschmitt Me 323 Gigant
>>Arado Ar 234 Blitz
>>Piaggio P.108
Comente aqui!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

“Anjo da Morte” causou surto de gêmeos no Brasil?


“Anjo da Morte” causou surto de gêmeos no Brasil?


O notório médico nazista conhecido como “Anjo da Morte” está por trás de um alarmante número de gêmeos nascidos numa pequena cidade brasileira, diz um historiador.

Josef Mengele foi um médico da SS no campo de concentração de Auschwitz onde, numa busca para criar uma raça superior para Adolf Hitler, ele realizou experimentos genéticos para encontrar a chave para produzir gêmeos.

O objetivo era aumentar artificialmente a taxa de nascimento ariana.

Em 1945 ele fugiu do avanço do Exército Vermelho e veio parar na América do Sul.

Foi lá que o médico, que acredita-se ser responsável por até 400.000 mortes em experimentos médicos em Auschwitz, pode ter conseguido sucesso em sua missão.

Cientistas perplexos têm tentado descobrir uma razão para a alta proporção de gêmeos na pequena cidade brasileira de Cândido Godoi – a maioria loira de olhos azuis.

Uma espantosa proporção de uma em cinco gestações tem resultado em gêmeos por lá – a proporção normal é de uma em 80.

O historiador argentino Jorge Camarasa surgiu recentemente com uma impressionante teoria.

Em seu novo livro, “Mengele: O Anjo da Morte na América do Sul”, ele recriou os últimos anos do médico nazista após sua fuga face ao avanço soviético.

Os russos liberaram Auschwitz em 27 de janeiro de 1945.

Os residentes da cidade brasileira dizem que Mengele fez repetidas visitas por lá nos anos 60.

Ele inicialmente disse ser um veterinário, mas então ofereceu tratamento médico às mulheres, oferecendo-as estranhas poções e pílulas, e pedindo amostras de sangue.

Após passar algum tempo na Argentina e no Paraguai, em 1963 Mengele começou a fazer visitas freqüentes à comunidade rural germânica no Brasil.

O Sr. Caramasa diz que logo depois a taxa de gêmeos começou a ascender.

Acho que Cândido Godoi pode ter sido o laboratório de Mengele, onde ele finalmente conseguiu atingir seus sonhos de criar uma raça superior de arianos loiros de olhos azuis”, ele comentou.

Há testemunhos de que ele atendeu mulheres, acompanhou suas gestações, tratou-as com novos tipos de drogas e procedimentos, que ele falava de inseminação artificial em seres humanos, e que continuou trabalhando com animais, dizendo ser capaz de engravidar vacas com gêmeos machos”.

O brasão oficial da cidade mostra dois perfis idênticos e uma placa na estrada dá as boas-vindas aos visitantes à “Comunidade Rural e Terra dos Gêmeos”.

Há também um museu, a “Casa dos Gêmeos”.

Numa busca para resolver o mistério, o antigo prefeito e médico local Anencir Flores da Silva falou com centenas de pessoas.

Há um nome recorrente em muitas histórias – um médico chamado Rudolph Weiss.

O Dr. Anencir disse: “Ele atendia mulheres com varizes e as dava poções que carregava numa garrafa, ou pílulas que trazia consigo”.

Algumas vezes ele realizava serviços dentários, e todos se lembram que ele costumava tirar amostras de sangue”.

Mengele viveu em liberdade no Brasil por 18 anos. Ele afogou-se num acidente de natação em 1979, quando tinha 68 anos.

Testes genéticos foram realizados em seus restos para provar que Mengele realmente havia morrido, e encerrar décadas de rumores de que ele ainda estaria vivo em locais como Portugal e Estados Unidos.

Em 1978 o filme “Os Meninos do Brasil” mostrou uma trama na qual Mengele, escondido na América do Sul, tinha planos de iniciar o Quarto Reich com outros simpatizantes nazistas.

O plano de Mengele, interpretado por Gregory Peck, era recriar a infância de Hitler nos 95 garotos que ele clonou a partir do ditador nazista.

Fonte: Mail Online, 22 de janeiro de 2009.

Veja também:
>>Plantas de Auschwitz são encontradas em Berlim
>>Corrida para pegar os últimos nazistas foi perdida
>>Museu do campo de Auschwitz corre risco de inundação
>>Estudante localiza suposto criminoso de guerra nazista
>>Os 10 nazistas mais procurados
Comente aqui!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Trailer: The Pacific


Finalmente! Aqui está o novíssimo e recentemente liberado trailer da minissérie "The Pacific", já popularmente conhecida como "o novo Band of Brothers". A trama, em 10 episódios, mostra a trajetória de três marines durante a Campanha do Pacífico na Segunda Guerra Mundial, e é produzida por Steven Spielberg e Tom Hanks. As filmagens foram feitas na Austrália e terminaram em maio de 2008; a estréia está marcada para este ano. O destaque no elenco é Joseph Mazzello, no papel do Cabo Eugene Sledge. Mazzello foi o garotinho do filme Jurassic Park, que é eletrocutado na cerca (lembram dessa?). Estou com uma expectativa muito boa dessa produção!

Sem demoras, vamos conferir:


Veja também:
>>Trailer: Defiance
>>Trailer: Tali-Ihantala 1944
>>Trailer: For Those We Love
>>Trailer: Miracle at St. Anna
>>Trailer: Dead Snow
Comente aqui!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Vídeo: Juramento à RSI


Fundada em fins de 1943 para o recém-resgatado ditador Benito Mussolini, a Repubblica Sociale Italiana (RSI), ou "Repubblica di Salò", era na verdade um estado-fantoche nas mãos da Alemanha de Hitler. Contudo, muitos antigos comandantes do Regio Esercito optaram por continuar sua lealdade ao Duce, em detrimento do Rei. Entre estes estava o Marechal Rodolfo Graziani (à esq. na foto), antigo vencedor na Etiópia e comandante durante a desastrosa retirada no deserto em 1940-1941. Este vídeo cobre a cerimônia do juramento de lealdade de Graziani e outros militares à nova RSI, realizada no dia 9 de fevereiro de 1944:


Veja também:
>>A Itália declara: "Guerra!"
>>Nota de Falecimento: Arrigo Boldrini
>>Uma aventura da ELO no Norte da Itália – 1944
>>Evento: Reunião 2008 da ANR
>>Militaria: Ordine della Corona D'Italia
Comente aqui!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Veterano em plena forma


Veterano em plena forma


Como anda o M3-A1 Stuart, tanque trazido dos EUA durante a 2ª Guerra

Marcelo Fenerich - Jornal do Carro

- Atualmente um objeto raro até no Exército Brasileiro, o M3-A1 Stuart foi o carro de combate leve mais importado pelo País durante a Segunda Guerra Mundial. Nos anos 40, mais de 400 unidades vieram dos Estados Unidos, mas sobraram pouquíssimas em bom estado de conservação. Uma delas foi avaliada com exclusividade pelo JC.

O colecionador Nelson Machado adquiriu o veículo em 1994 por R$ 7 mil e demorou quatro anos para concluir sua restauração. "Nem sei quanto gastei, mas foi muito", afirma o proprietário, que se veste a caráter para curtir o "brinquedão".

Machado lembra que o blindado estava bem danificado. Ele encontrou o tanque em uma loja de tratores em Americana, no interior do Estado. "Tive de desmontá-lo todo. Graças a um amigo, que é engenheiro mecânico, o veículo ficou bem próximo do que era quando novo."

O colecionador conta que, como o motor original - um Continental W970-9A, radial a gasolina, de 250 cv - não estava funcionando e não havia peças de reposição no mercado, foi preciso trocá-lo por outro mais atual. "Só fiquei contente quando instalei um propulsor Detroit 6Es5 Silver V6 de 220 cv."

Em 'combate'

Para guiar o blindado, esqueça tudo o que você sabe sobre automóveis. A dificuldade já começa na hora de assumir o comando. O acesso ao pequeno interior é feito por meio de uma das escotilhas da dianteira, que são bem apertadas. É preciso entrar de costas: primeiro as pernas, depois o tronco.

Mesmo assim, dentro do veículo vão quatro tripulantes: o condutor, um copiloto e dois operadores de torre.

Não há volante. O tanque é guiado por dois manches. Basta puxar a alavanca do lado para onde se quer ir. Se os dois forem acionados ao mesmo tempo, o tanque para na hora. Outro sistema curioso é o câmbio. São três níveis de duas marchas cada.

Para engatar a ré é preciso colocar a alavanca no primeiro nível e empurrá-la para a frente. Ao puxá-la para trás, aciona-se a primeira. No segundo nível ficam a segunda e terceira. Quarta e quinta estão no terceiro. Como as relações são curtas, rapidamente se chega à quinta.

Durante a avaliação, o modelo, que pesa 12.927 kg, atingiu cerca de 60 km/h e fez 2 km por litro de diesel - cabem 252 l.

Morros íngremes e grandes atoleiros não são páreo para o M3-A1. Como é equipado com esteiras (conhecidas como lagartas), ele ultrapassa grandes obstáculos com facilidade.

Fronteiras

De acordo com o pesquisador de Assuntos Militares da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), Expedito Carlos Stephani Bastos, a produção do M3 começou em 1941 e foi até 1943. "Utilizado pelas forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial, o veículo não era páreo para seus oponentes alemães."

Segundo Bastos, a blindagem e o armamento (composto por um canhão de 37 mm e três metralhadoras.30 Browning) já eram obsoletos desde a sua fabricação. "A verdade é que o ponto forte era a mobilidade, pois ele tinha o poder de fogo razoável e a blindagem muito fraca."

Bastos conta que entre o fim de 1941 e meados de 1946, cerca de 450 unidades do M3-A1 Stuart foram importadas dos EUA para equipar nossas Forças Armadas na proteção de fronteiras. "Ele permaneceu em serviço até o fim dos anos 70. E graças a esse veículo iniciou-se aqui a produção de carros de combate."

Fonte: O Estado de São Paulo, 16 de janeiro de 2009.

Veja também:
>>16 tanques Stuart do Brasil para a Inglaterra
>>Vídeo: Panzers restaurados
>>Vídeo: O rugido do Tigre
>>Camionetta AS 42 Sahariana
>>SdKfz. 302 "Goliath"
Comente aqui!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Nota de Falecimento: Bill Stone


Bill Stone
(23/09/1900 - 10/01/2009)

Faleceu no último dia 10 de janeiro em Sindlesham, Inglaterra, de causas naturais aos 108 anos de idade, o último veterano inglês das duas guerras mundiais, William Frederick "Bill" Stone.

Nascido em Ledstone, Devon, décimo de 14 irmãos, Stone quis entrar para a Royal Navy aos 15 anos, mas seu pai o proibiu. Finalmente conseguiu alistar-se aos 18 anos, e estava em treinamento em Plymouth quando o Armistício foi assinado em 11 de novembro de 1918. No ano seguinte, servindo a bordo do cruzador de batalha HMS Tiger, testemunhou o "suicídio" da Marinha Imperial Alemã em Scapa Flow. Durante a década de 20, serviu a bordo do HMS Hood, inclusive durante o "Cruzeiro Imperial" entre 1922 e 1924, no qual o gigantesco navio visitou diversos postos do Império Britânico ao redor do mundo.

No início da Segunda Guerra Mundial, Stone servia a bordo do caça-minas HMS Salamander, com o qual participou da evacuação de Dunquerque, levando de 200 a 300 homens de cada vez. Segundo Stone, este foi o momento mais duro de sua carreira: "As coisas pioravam a cada viagem que fazíamos. Nossa última travessia foi feita em 1 de junho, quando destroços dos navios afundados estavam por toda parte e tanques de óleo queimavam nas docas. Linhas de homens marchavam em direção ao mar. Perto dali, nossa nau-irmã, Skipjack, foi atacada por bombardeiros de mergulho e afundou com 200 homens a bordo. Tive que dizer 'Deus nos ajude'. Até hoje acredito que Ele nos ajudou".

Stone ainda participou da escolta de comboios no Ártico antes de ser transferido para o novo cruzador HMS Newfoundland em dezembro de 1942, tomando parte nas ações ao largo da Sicília durante a Operação Husky. O Newfoundland foi torpedeado em 23 de julho de 1943 e teve que ser levado para Boston para reparos. Stone voltou para a Inglaterra em 1944 e permaneceu em terra pelo resto da guerra.

Após dar baixa da Royal Navy, ele montou uma barbearia em Paignton, Devon, onde trabalhou por 22 anos antes de se aposentar. Bill Stone era um membro ativo de associações de veteranos e um dos homens mais velhos da Europa. Em 11 de novembro de 2008, em comemoração aos 90 anos do fim da Primeira Guerra, ao lado dos colegas veteranos Harry Patch e Henry Allingham, ele depositou uma coroa de flores no Monumento do Soldado Desconhecido em Londres. Lily Hoskin, com quem casou-se em 1938, faleceu em 1995. Stone deixa uma filha.


Bill Stone e o último sobrevivente do afundamento do HMS Hood, Edward Briggs.
Veja também:
>>Nota de Falecimento: Delfino Borroni
>>Nota de Falecimento: Dr. Erich Kästner
>>Nota de Falecimento: Edward Briggs
>>Combates Aéreos: Afundem o Bismarck
>>Sir John Tovey
Comente aqui!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Museu celebra os “esquecidos poucos” entre os Poucos


Museu celebra os “esquecidos poucos” entre os Poucos


Museu da RAF inaugura exposição sobre pilotos negros e asiáticos que lutaram na Batalha da Inglaterra

Seus audaciosos feitos foram típicos de pilotos de caça durante a Batalha da Inglaterra: ele derrubou Messerschmitts, fez duas aterrissagens forçadas e perdeu um pulmão voando em grande altitude. Mas quantos Squadron Leaders da RAF mantinham um turbante extra em seus cockpits?

Mohinder Singh Pujji foi um dos 18 pilotos indianos qualificados para se juntar à RAF em 1940. Agora, com 90 anos, ele é o único que resta para contar a história e ainda está ressentido com a falta de reconhecimento dado ao papel de aviadores negros e asiáticos durante a guerra.

Pujji foi tratado como um herói durante a guerra na Grã-Bretanha. Ele era levado para a frente das filas de cinema e frequentemente recebia refeições grátis em restaurantes. Mas após a guerra, filmes como “The Dam Busters” apresentaram uma visão totalmente branca da RAF – um fato que o entristeceu.

O povo britânico é idiota. Eles nem mesmo sabem que nós, indianos, estivemos lá”, ele disse.

Numa tentativa de corrigir a situação, uma nova exposição permanente foi aberta no Museu Cosford da RAF em Shropshire, chamada “Diversidade na Royal Air Force”. O lançamento se dá na semana em que os comentários do Príncipe Harry reacenderam os debates sobre racismo nas forças armadas, e a RAF espera que a nova exibição ajude a desafiar as percepções negativas por celebrar a diversidade racial em sua história.

Ela apresenta personalidades como Indra Lal Roy, que lutou em biplanos sobre as trincheiras da Primeira Guerra Mundial, ou a Princesa Noor Inayat Khan, que serviu na WAAF (Women’s Auxiliary Air Force) antes de ser lançada de pára-quedas atrás das linhas inimigas para se tornar a primeira mulher operadora de rádio a se infiltrar na França ocupada.

Pujji foi morar na Inglaterra após aposentar-se como piloto comercial na Índia, e agora vive em Gravesend. A polêmica sobre os comentários do Príncipe Harry ele classifica como “sem sentido”. “Fui chamado de Paki centenas de vezes, e nunca tomei isso como ofensa. Costumávamos chamar os brancos de ‘seus azedos’. Nada disso tem sentido”.

Ele se ofende é com a maneira com que os aviadores indianos durante a guerra foram esquecidos. “Oficialmente eu não recebo nenhum convite para celebrações do Dia dos Veteranos. Eles não sabem que estou aqui”.

Mas ele está feliz por finalmente estar conseguindo mais reconhecimento e de estar em meio aos aviões nos quais lutou.

Voar é meu primeiro amor. É sempre um prazer ver os aviões nos quais voei”.

Fonte: The Guardian, 15 de janeiro de 2009.

Veja também:
>>O Exército Indiano secreto de Hitler
>>Nota de Falecimento: Sam Manekshaw
>>Tul Bahadur Pun
>>Sir Archibald Wavell
>>Westland Whirlwind
Comente aqui!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Vídeo: Japan's War


Pensava-se que não existisse filmagem colorida no Japão antes de 1945... até agora! Pois sim, eu fiquei surpreso quando vi este documentário, da série "A Cor da Guerra"; trata-se de "Japan`s War", em cores! O documentário mostra, pela primeira vez, filmagens coloridas feitas no Japão durante o fim da década de 30, a viagem do irmão de Hiroito à Alemanha e um grupo de empresários japoneses na recém-conquistada Shangai.

Imperdível!

Parte 1

Parte 2

Veja também:
>>America's War
>>Vídeo: Rendição japonesa
>>Primeiro-Ministro japonês queria continuar a luta
>>Fotos do ataque a Pearl Harbor
>>Maurice Ashland: O Grande Raide de Tóquio
Comente aqui!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Encontrada vala comum da Segunda Guerra na Polônia


Encontrada vala comum da Segunda Guerra na Polônia


Acredita-se que na vala existam cerca de 1.800 homens, mulheres e crianças de nacionalidade alemã que desapareceram durante a marcha do Exército Soviético

Trabalhadores da construção civil encontraram no norte da Polônia uma vala comum da época da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), contendo o que acredita-se serem os corpos de cerca de 1.800 homens, mulheres e crianças alemães que desapareceram durante a marcha do Exército Soviético para Berlim, no começo de 1945. As escavações foram feitas para a construção de um hotel de luxo em Malbork, cidade que era chamada Marienburg e fazia parte da Alemanha durante a guerra. Os poloneses escavaram uma cratera de bomba nos pés da famosa fortaleza dos Reis Teutônicos, do século XIII, disseram autoridades hoje.

Os trabalhadores encontraram um pequeno grupo de corpos no final de outubro e suspenderam as escavações para permitir que investigações fossem feitas. Depois de retomar os trabalhos, semanas mais tarde, foram encontradas dezenas e depois centenas de corpos. Eles acreditam que serão descobertos mais. Não está claro como os corpos foram parar dentro da cratera, mas exames iniciais de peritos poloneses e alemães indicam que provavelmente são os restos mortais de cidadãos alemães que continuam classificados como "desaparecidos" mais de 60 anos depois da guerra, disse o funcionário municipal Piotr Szwedowski.

Milhões de civis foram mortos ou declarados desaparecidos durante a Segunda Guerra Mundial. Muitos desses desaparecimentos em meio ao caos da guerra na Europa continuam sem explicação. "O exame dos restos mortais e as circunstância confirmam que esses são os habitantes alemães desaparecidos de Malbork", disse Szwedowski. "Eu não tenho dúvidas de que são eles". Na medida em que o Exército Vermelho estava avançando no início de 1945, os habitantes de Malbork receberam ordens para deixar a cidade. Alguns se recusaram, enquanto outros foram impedidos de fazê-lo pelo caos geral da guerra.

Os soviéticos bombardearam a cidade com artilharia pesada. Depois que o derrotado Exército alemão recuou, os civis remanescentes encontraram-se a mercê das tropas do Exército Vermelho. Não há testemunhas sobreviventes do que aconteceu, disse Szwedowski.

Exames

Os corpos foram enterrados nus, sem quaisquer pertences, disse ele. "Não encontramos restos de roupas, sapatos, cintos, óculos, nem mesmo dentaduras ou dentes postiços", afirmou. Cerca de 100 crânios - principalmente de adultos - apresentam buracos, o que sugere que essas pessoas tenham sido executadas. Mas ainda não está claro como as demais pessoas morreram, disse Szwedowski. "Nós não sabemos se esses (civis) são vítimas diretas ou indiretas dos ataques de artilharia, mas os buracos de balas sugerem execuções em alguns casos".

Mais exames forenses serão feitos antes que os restos mortais sejam depositados no cemitério de Malbork ou no cemitério militar alemão em Stary Czarnow, próximo a cidade de Szczecin, noroeste da Polônia. "Estas pessoas morreram de forma tão desumana, foram jogadas tão desumanamente, que precisamos enterrá-las com dignidade e respeito", disse Szwedowski.

Fonte: Jornal de Londrina, 12 de janeiro de 2009.

Veja também:
>>Polônia investigará morte de Wladyslaw Sikorski
>>Museu do campo de Auschwitz corre risco de inundação
>>Nota de Falecimento: Mikhail Minin
>>Parada da Vitória Soviética 1945 - Em Cores
>>Dietrich von Saucken
Comente aqui!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Nota de Falecimento: Robert Prince


Robert Prince
(1919 - 01/01/2009)

Faleceu no último dia 1 de janeiro em Port Townsend, Washington, de causas naturais aos 89 anos de idade, o líder do Raide de Cabanatuan, Major Robert Prince.

Nascido em Seattle, Washington, Prince frequentou a Universidade de Stanford, estudando história e economia. Em 1941, gradudou-se como Segundo-Tenente no Corpo de Treinamento de Oficiais da Reserva. Em 31 de janeiro de 1942, ele casou-se com Barbara Harrison e alguns meses depois foi convocado para combater no Teatro de Operações do Pacífico. Inicialmente enviado para a Nova Guiné, Prince foi mais tarde incorporado ao recém-criado 6º Batalhão de Rangers, sob comando do Tenente-Coronel Henry Mucci.

Em janeiro de 1945, a inteligência Aliada ficou a par da política de "matar a todos", adotada pelos japoneses em seus campos de prisioneiros. Temendo o pior pelas centenas de prisioneiros no campo de Cabanatuan, nas Filipinas, o comandante do 6ºExército, Tenente-General Walter Krueger, deu autorização para uma missão de resgate dentro do território filipino ocupado pelo Japão. A missão recaiu sobre o 6º Batalhão de Rangers, e Mucci deu a Prince a tarefa de planejar o ataque. Na noite de 27 de janeiro, uma força de 127 Rangers e 200 guerrilheiros filipinos entrou no território inimigo. Preocupado com a natureza plana do terreno ao redor do campo, no qual seus homens teriam que rastejar, Prince conseguiu um caça noturno Northrop P-61 Black Widow para sobrevoar o campo. O piloto fez sucessivos cortes de motor para distrair os japoneses, voando a apenas 60 metros acima deles. Às 19:40 de 30 de janeiro, Prince iniciou o ataque, que provou-se de precisão cirúrgica. Todos os 512 prisioneiros foram resgatados com vida, e somente dois Rangers foram mortos, enquanto a força japonesa foi quase inteiramente eliminada.

Condecorado com a Distinguished Service Cross e enviado aos EUA após a bem-sucedida operação, Prince deu baixa do Exército como Major em 1946. Ele então entrou para a indústria de fruticultura, aposentando-se como presidente de uma grande empresa do ramo. Um de seus filhos, Stephen Prince, foi morto em ação no Vietnã em 1969. Ele deixa dois filhos e dois netos. Em 2005, Prince foi interpretado pelo ator James Franco no filme "The Great Raid" ("O Grande Ataque").

Sobre sua audaciosa ação durante a guerra, Prince disse: "Pessoas me agradecem em todo lugar. Acho que eu é quem devia agradecer. Estou grato pelo resto da minha vida por ter tido a chance de fazer algo na guerra que não foi destrutivo. Nada para mim pode se comparar com a satisfação de ter libertado aqueles homens".


Ten-Cel. Henry Mucci (Benjamin Bratt) e Cap. Robert Prince (James Franco) em "The Great Raid".
Veja também:
>>Filmes: Fugindo do Inferno
>>Nota de Falecimento: Robert Nett
>>Northrop P-61 Black Widow
>>Nota de Falecimento: Nathan Gordon
>>Prisioneiro morre mais de 60 anos após ser torturado por nazistas
Comente aqui!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Theo Nau - Parte 2


BODENPLATTE

No final do outono de 1944, a Alemanha encontrava-se cercada por britânicos e americanos na frente ocidental e pelos russos na oriental. Era evidente que os dias do Terceiro Reich estavam contados, mas as forças Aliadas tiveram que parar após as bem-sucedidas ofensivas de verão e Hitler achou que este era o momento de surpreender o inimigo com um ataque capaz de fazê-los recuar, dando tempo para a reorganização de suas defesas e para deter o fanático avanço dos russos pelo oriente. Foi então planejada a Operação Wacht am Rheim (Sentinelas do Reno), na qual uma força de 200 mil homens, incluindo sete Divisões Panzer, invadiriam o fraco setor americano nas Ardenas, abrindo caminho até o vital porto de abastecimento da Antuérpia. Para a ofensiva, a Luftwaffe reuniu o grosso de suas forças, totalizando 2.460 aeronaves, e as fábricas de combustível conseguiram produzir o suficiente para mantê-los em operação pelo menos por um breve período. De acordo com o planejado, o principal papel caberia aos caças monomotores, que deveriam realizar ataques em larga escala contra os aeródromos Aliados na Holanda e na Bélgica e depois formar um cinturão defensivo sobre o campo de batalha, permitindo que os aviões de ataque e bombardeiros apoiassem sem oposição o avanço em terra.

O forte nevoeiro sobre toda a região fez com que a ofensiva se iniciasse sem o planejado ataque contra os aeródromos Aliados. As forças alemãs progrediam bem em terra e o ataque foi colocado em segundo plano por alguns dias. Contudo, por volta do Natal de 1944, os Aliados já haviam reagrupado suas tropas e passaram à ofensiva, espremendo os alemães em um bolsão. A Luftwaffe tentava desesperadamente garantir alguma defesa às forças cercadas, sofrendo pesadas perdas nesse processo. Por isso, foi com grande perplexidade que os comandantes das unidades de caça receberam a seguinte mensagem nos dias finais de 1944: “Executem Hermann 1.1.45, 09:20 h”. Era o sinal para que preparassem seus Gruppen para a Operação Bodenplatte (Placa de Terra), o ataque em massa aos aeródromos Aliados.

Nas bases alemãs, os pilotos e pessoal de terra receberam ordens de não consumirem álcool e se recolher as 19:30 hs. No final da madrugada do primeiro dia do novo ano, em Zellhausen, o Hauptmann Leonhard, reuniu os pilotos do II./JG 11 em uma escola primária nas proximidades e passou a todos os detalhes do alvo que caberia a eles atacar: a Base Aérea de Archen, a 20 quilômetros de Maastricht, na Bélgica, sede de três Squadrons da RAF (Royal Air Force) e de dois Groups americanos, o 366th Fighter Group (P-47 Thunderbolt) e o 352nd Fighter Group (P-51 Mustang). Theo Nau e seus companheiros de Gruppe – totalizando 61 Me-109s e FW-190 – bem como o Stab e demais Gruppen do JG 11 partiram de suas bases por volta das oito da manhã, guiados por caças noturnos Junkers Ju 88, devendo estar sobre seu alvo as 09:30, pegando o inimigo em total surpresa.

O que os pilotos da Luftwaffe não sabiam é que para aquela manhã estava programada a saída de uma esquadrilha do 390th Fighter Squadron em missão de caça-bombardeio, a qual seria protegida por 12 Mustangs do 487th FG, sob comando do ás norte-americano Lieutnant-Colonel John C. Meyer. Quando o JG 11 chegou para atacar Archen, se deparou com os americanos já no ar e teve que travar com eles um feroz combate, onde 28 caças da Luftwaffe foram derrubados (alguns pela Artilharia Antiaérea). Os alemães por seu lado conseguiram apenas provocar danos moderados as instalações e aeronaves em terra, além de abater nove adversários, entre os quais um P-47D atingido por Theo Nau. Voando como ala no seu Me109G-14/AS "Gelbe 18", ele teve que acompanhar seu líder e por isso não pode ver a queda do avião americano. Mas, de acordo com os registros da U.S. Army Air Force, sua segunda vitória pode ter sido sobre o 2nd Lieutnant John Kennedy ou sobre o 1st Lieutnant John Feeney, ambos obrigados a uma aterragem forçada depois de terem seus Thunderbolts atingidos. Existe ainda a possibilidade da vítima ter sido o Flight Officer David Johnson Jr.; este, contudo, muito provavelmente foi abatido pelo Messerschmitt do Leutnant Walter Köhne.

Dos 1035 aviões mobilizados para a Bodenplatte pela Luftwaffe, 280 foram perdidos. Seus ataques resultaram em 495 aeronaves Aliadas destruídas, as quais foram repostas em pouco tempo, juntamente com os pilotos mortos e feridos. Na Lutwaffe, porém, os 169 aviadores mortos, desaparecidos ou caídos prisioneiros e as preciosas aeronaves destruídas nunca poderiam ser repostos, fazendo com que os Aliados ampliassem ainda mais sua superioridade nos céus da Alemanha. Para o JG 11 o dia havia sido particularmente trágico, pois entre os mortos estavam seu Kommodore, o Major Specht, e vários de seus últimos ases, como o Lt. Alwin Dopper (37 vitórias) e o Hptm. Horsten Günther von Fassong (75 vitórias).

ÚLTIMO COMBATE

Os combates aéreos nos últimos meses da guerra sobre a Alemanha caracterizavam-se pela absoluta inferioridade da Luftwaffe frente aos Aliados. Foi o que ocorreu em 14 de janeiro de 1945. Naquele dia, Theo Nau conduziu o Me109G-14AS Werknr. 785 971 "Gelbe 4" em uma patrulha com outros 24 caças do JG 11 sobre Heltersberg, arredores de Kaiserlautern. Ele lembra que era uma manhã muito gelada de inverno e o céu estava muito limpo, sem nenhuma nuvem, quando avistou um P-47D aparentemente solitário voando mais abaixo e imediatamente partiu para o ataque, ao que parece, surpreendendo o americano. O Thunderbolt começou a soltar um rastro de fumo negro e seu piloto começou a descer, parecendo tentar uma aterrissagem forçada. Nau começou a segui-lo para identificar o local de sua queda, mas só teve tempo de anotar a matrícula pintada na cauda, pois projeteis de outro P-47 golpearam sua aeronave. Ele ainda tentou evadir-se, mas o caça americano permaneceu em seu encalço e, após uns cinco minutos de perseguição, conseguiu atingir o motor do Messerschmitt. Com o avião condenado, Theo Nau apressou-se em saltar de pára-quedas a uma altitude de 800 metros. Mas, ao deixar o cockpit, bateu contra a deriva de seu aparelho, quebrando o braço direito. Apesar da fratura, Nau desceu em segurança e foi de imediato resgatado por infantes alemães. Um alto oficial de artilharia da Werhmacht tratou de encaminhá-lo rápido para um hospital militar e escreveu a sua mãe dizendo que ele estava bem.

O piloto que derrubou Theo Nau era o Cpt. Joe Condner, do 365th Fighter Group, e sua vítima havia sido o P-47D “42-29301”, pilotado pelo 1st Lt. Roland C. Potter, integrante do 397th Fighter Squadrom (368th FG), que logrou realizar uma aterrisagem forçada em uma floresta próxima a Heltersberg. Ao que tudo indica, Potter conseguiu deixar os destroços do aparelho, mas devia estar muito ferido, pois seu cadáver foi encontrado recostado em uma árvore, com as seringas de morfina do kit de primeiros socorros esvaziadas no chão ao seu lado.

Em maio de 1945, já nos últimos dias da guerra, Theo Nau saiu do hospital e foi designado para o Jagdgeschwader 77, em Prossnitz, Tchecoslováquia (hoje na Eslováquia), sendo ainda promovido a Leutnant. Seu ultimo vôo no Me109 foi realizado em 8 de maio de 1945 até sua cidade natal, Koblenz, onde rendeu-se aos norte-americanos. Por alguma razão, acabou entregue aos russos e levado a um campo de prisioneiros na União Soviética.

Ao contrário do que ocorria nos campos mantidos pelos Aliados, onde as regras da Convenção de Genebra eram respeitadas e a Cruz Vermelha Internacional tinha autorização para assistir aos prisioneiros, os campos russos eram verdadeiras prisões de trabalho forçado, nas quais os prisioneiros, de forma geral em condições desumanas de sobrevivência, eram obrigados a trabalhar reconstruindo o que havia sido destruído pela guerra. Assim, tantos quanto puderam, fugiram dos russos e entregaram suas armas aos Aliados. Nau sabia que suas chances de sobrevivência eram poucas se permanecesse prisioneiro e, juntamente a dois outros pilotos, conseguiu fugir do campo onde estava internado, sobrevivendo e seguindo sempre pela floresta, até chegar à Áustria.

Lá, eles conseguiram roupas civis e continuaram seu caminho até a Alemanha, encontrando o país já dividido entre as potências vencedoras do conflito recém terminado. Theo não lembra o nome de seus companheiros nessa empreitada e jamais voltaria a vê-los novamente. Seu pai havia morrido em um bombardeio que destruiu sua casa e ele passou a cuidar dos negócios da família. Em 1948, mudou-se para a pequena Bacharach. Casou-se em 1951 e teve dois filhos que lhe deram três netos. Hoje aposentado, Theo Nau é figura de destaque nas reuniões anuais dos veteranos da Luftwaffe, sendo presidente da Associação de Veteranos do Jagdgerschwader 11.

Obs: O autor gostaria de agradecer ao Senhor Theo Nau que gentilmente passou as informações sobre sua participação na II Guerra Mundial e sobre seu Messerschmitt Me109G-14/AS, bem como muito ajudou no contato com outros veteranos alemães.

Natural e residente de Curitiba, capital do Paraná, Anderson Subtil é artista gráfico e arte finalista, atuando na área de editoração para a indústria gráfica. Em paralelo, é também artista de Aviation Art, com especial interesse em temas relacionados à II Guerra Mundial e entusiasta da história da aviação, fazendo parte da Associação Latino-Americana de História da Aviação.



Veja também:
>>Theo Nau - Parte 1
>>Mato Dukovac
>>Hugo Sperrle
>>Vídeo: Günther Rall e as vitórias alemãs
>>Vídeo: Batalha da Inglaterra
Comente aqui!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Theo Nau - Parte 1


Dou as boas-vindas ao novo colaborador da Sala de Guerra, Anderson Subtil, que elaborou esta bela biografia de Theo Nau, um dos pilotos veteranos alemães mais ativos em nossos dias. O artigo foi dividido em duas partes. Seja bem-vindo Anderson!


Theo Nau
Leutnant

(1925 - )

Theo Nau nasceu no dia 4 de dezembro de 1925 em Koblenz, uma cidade de mais de dois mil anos, localizada na confluência dos rios Mosela e Reno, 92 quilômetros a sudoeste de Colônia. A região é mundialmente conhecida como produtora de excelentes vinhos e sua família ganhava a vida tocando um pequeno estabelecimento que fabricava e comercializava vinho e conhaque.

Como era tradicional na Alemanha nazista, fazia parte da formação dos jovens do sexo masculino intensa prática esportiva e atividades relacionadas de alguma forma com a vida militar, sendo um dos mais importantes os inúmeros Segelfluglehrgang (Clubes de Vôo a Vela) espalhados por todo o país, uma maneira barata e eficiente de formar uma motivada reserva de aviadores para a Luftwaffe. Theo ingressou em um desses clubes em 1940, durante as férias escolares, logo obtendo a qualificação básica de piloto de planadores, ou “A” Prüfung. Nos dois anos seguintes, adquiriu os posteriores “B” e “C” Prüfung, finalmente ganhando suas asas de Piloto de Planador, ou Luftahrerscheins Klasse 1, em 1943, quando já participava do Reichsarbeitsdienst (Serviço Nacional de Trabalho). Obrigatório para todos que terminavam o colegial, este serviço antecedia e preparava para o alistamento na Wehrmacht (Forças Armadas).

Em idade militar, Theo Nau sabia que seria convocado de qualquer maneira para a guerra e se antecipou, voluntariando-se para o treinamento na Luftwaffe. Após a apresentação, foi enviado ao 4. Aubild.Bataillon für Offiziersanwärter em Oschatz/Sachsen, onde recebeu treinamento militar elementar durante cerca de um mês, antes de seguir para uma Unteroffizierlehrgangs (Escola de Suboficiais). A próxima etapa foi o ingresso em uma Luftkriegschule (Escola Aérea), para efetivamente iniciar o adestramento como oficial e aviador.

Nau formou-se na Escola Aérea em julho de 1944, sendo promovido a Fähnenjunker-Unteroffizier e enviado ao Jagdgeschwader 112 para iniciar o adestramento operacional em caças monomotores. Terminaria seu treinamento no Ergänzungsjagdgruppe West em Stagard/Pomeronia. O JG 112 era uma unidade de formação para novos caçadores, originalmente formada para conversão de ex-pilotos de bombardeiros e Zerstörer. Já o EJGr West era um Gruppe de instrução avançada subordinado ao comando leste da Luftwaffe, destinado a dar experiência operacional aos jovens pilotos saídos do treinamento. Como unidades desse tipo estavam na prática sob controle dos comandantes locais das Luftflotten, muitas vezes seus alunos eram requisitados sem terem sequer terminado sua qualificação.

O leitor mais atento e conhecedor da história da Luftwaffe deve ter notado que o treinamento de Theo Nau foi bastante abreviado se comparado aos dos pilotos alemães do início da guerra. O fato é que até 1943, ano em que a Alemanha passou a defensiva em quase todas as frentes, os aviadores alemães tinham um minucioso treinamento que durava cerca de dois anos e compreendia vôos nas mais diferentes situações e em vários tipos de aeronaves. Depois de 1943, entretanto, os efetivos das escolas de pilotagem foram sendo progressivamente transferidas à linha de frente, a fim de cobrir os claros deixados pelas grandes perdas sofridas nos sucessivos revezes na Rússia e África do Norte, o que provocou um verdadeiro colapso no sistema de treinamento e levou o Auto-Comando a revê-lo, tornando este bem mais rápido e simplificado, mesmo por que a prioridade em aeronaves e combustível era dos esquadrões operacionais. Como resultado, em meados de 1944, os novatos caçadores alemães chegavam a seus esquadrões com um máximo de 112 horas de instrução aérea, enquanto do lado Aliado, britânicos e americanos tinham acumulado na mesma situação 360 e 400 horas respectivamente.

A PRIMEIRA VITÓRIA

Em novembro de 1944, o Fänrich Theo Nau foi finalmente transferido a uma unidade de linha de frente, o II./JG 11, mais precisamente o 7. Staffel (7./JG11), então baseado em Wunstorf/Hannover, mas logo depois movido para Zellhausen, próximo a Frankfurt. Formado a partir de unidades transferidas do JG 1, o Jagdgeschwader 11 foi posto em atividade especialmente para combater os bombardeiros americanos que atacavam as grandes cidades alemãs durante o dia. Seu Kommodore nesta altura era o Major Günther Specht, um veterano piloto de Zertörer, detentor da Ritterkreuz (Cruz de Cavaleiro) e um dos principais destruidores de bombardeiros quadrimotores da Luftwaffe, com mais de quinze B-17 e B-24 derrubados. Já o Kommandeur do II./JG 11 era o Hauptmann Karl Leohard e seu superior imediato – Staffelkapitän do 7./JG 11 – o Leutnant Richard Franz, um dos sobreviventes da formação original do Sturmstaffel 1. Franz sobreviveu à guerra e depois de seu cativeiro na União Soviética ingressou na nova Luftwaffe da Alemanha Ocidental. Passou para a reserva em 1980, como Oberstleutnant.

Na época da chegada de Nau, o JG 11 passava por um período de reposição das pesadas perdas em aviões e pilotos sofridas sobre a Holanda em outubro. Logo, no entanto, foi lançado novamente em combate para dar cobertura às forças que participavam da Ofensiva das Ardenas, a derradeira operação ofensiva dos alemães na II Guerra Mundial, iniciada em 16 de dezembro de 1944. Algum tempo depois, na manhã do dia 23, cerca de 45 pilotos do II./JG 11,entre os quais Theo Nau, decolaram de Strausberg, 12 quilômetros a leste de Berlim, e levaram seus Messerschmitt Me-109G-14/AS para uma patrulha sobre a região de Bastogne, na Bélgica, sendo dirigidos pelo controle de terra contra uma formação de 30 bombardeiros bimotores Martin B-26 Marauders da USAAF (U.S. Army Air Force) sem nenhuma escolta de caças, que foram efetivamente alcançados sobre Eifel, já na Alemanha. No ferrenho combate que se seguiu, Nau engajou um dos bimotores norte-americanos, como ele próprio me contou por e-mail algum tempo atrás: “...Ataquei o B-26 pela traseira, a uns 200 metros, com todas minhas armas disparando. Devo ter atingido de imediato o artilheiro de cauda, pois a posição parou de atirar contra mim. Meus projéteis atingiram o motor direito, provocando um incêndio e a queda do avião. Seus restos só foram encontrados a alguns anos atrás em uma floresta da região.” O bombardeiro por ele atingido foi um dos sete abatidos durante este combate. O preço pago pelos alemães, entretanto, foi alto: seis caças derrubados pelos artilheiros americanos, um piloto morto, dois desaparecidos e outros dois com sérios ferimentos.

As perdas alemãs podem ser explicadas pelo fato de que a grande maioria dos pilotos era constituída de novatos inexperientes, inclusive o próprio Nau. Além disso, o B-26 Marauder era tido como um adversário temível para os caças alemães, devido a sua manobrabilidade, velocidade, forte blindagem e nutrido arsenal defensivo. Seja como for, menos de uma hora mais tarde, outro grupo do II./JG 11 atacou outra formação com aproximadamente 60 B-26, derrubando 18 deles, contra a perda de cinco Focke-Wulf FW-190 e três pilotos. A ocasião da primeira vitória aérea de Theo Nau foi também a última grande intervenção de vulto do JG 11 na frente ocidental da Defesa do Reich. De acordo com o livro “The B-26 Marauder Units of the Eighth and Ninth Air Forces” de Jerry Scutts (Osprey Publishing), neste dia bem mais de 600 bombardeiros médios Marauders e A-20 Havocs estiveram envolvidos em inúmeras missões contra os alemães, sofrendo pesadas perdas. Ainda segundo este livro, a vítima de Nau teria sido uma aeronave do 397th Bomber Group, que reconhece a perda de 24 Marauders no dia 23 de dezembro.

CONTINUA...


Natural e residente de Curitiba, capital do Paraná, Anderson Subtil é artista gráfico e arte finalista, atuando na área de editoração para a indústria gráfica. Em paralelo, é também artista de Aviation Art, com especial interesse em temas relacionados à II Guerra Mundial e entusiasta da história da aviação, fazendo parte da Associação Latino-Americana de História da Aviação.


Veja também:
>>Entrevista com Adolf Galland - Parte 1, Parte 2
>>Werner Baumbach
>>Rudolf Witzig
>>Rall e Gärtner falam sobre o Fw 190
>>Nota de Falecimento: Werner Roell
Comente aqui!