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terça-feira, 21 de julho de 2009

Nota de Falecimento: Henry Allingham


Henry Allingham
(06/06/1896 - 18/07/2009)

Faleceu no último dia 18 de julho em Brighton, Inglaterra, de causas naturais aos 113 anos de idade, o último veterano da Batalha da Jutlândia e homem mais velho do mundo, Henry Allingham.

Nascido em Clapton, no condado de Londres, Allingham perdeu o pai quando tinha 14 meses de idade. Ele tornou-se um aprendiz na construção de chassis de automóveis, mas quando estourou a Primeira Guerra Mundial em agosto de 1914, ele, aos 18 anos, tentou-se alistar-se como mensageiro no Real Corpo de Engenheiros, mas foi recusado. Após o falecimento de sua mãe em 1915, ele tentou novamente e foi aceito, mas ao retornar para casa viu um avião passar rasante logo acima, e pensou "isso é pra mim". Imediatamente alistou-se no Serviço Aéreo da Marinha. Allingham tornou-se mecânico de aeronaves, e realizou uma variedade de tarefas: ele acendeu sinalizadores para pistas de caças noturnos ingleses que atacavam zeppelins alemães; montava e desmontava aeronaves nos deques dos navios; e ocasionalmente voava como observador. Em 31 de maio de 1916 ele estava abordo da traineira HMS Kingfisher, quando o navio recebeu ordens de apoiar a Royal Navy contra a Frota Alemã de Alto-Mar no Mar do Norte, no que seria o maior confronto naval da história moderna, a Batalha da Jutlândia. Allingham se lembra de ver os dreadnoughts britânicos passando por ele, levantando ondas na proa, e dos projéteis cruzando o ar.

Quando seu esquadrão foi transferido para a França em 1917, ele foi responsável por procurar restos de aeronaves derrubadas no campo de batalha. Numa dessas caminhadas à noite, ele caiu numa cratera inundada, que "estava cheia de braços, pernas, orelhas, ratos mortos - muita carne morta e amassada. Não posso descrever o cheiro de carne e lama misturadas". Allingham muitas vezes atuou como bombardeador aéreo, jogando bombas com as mãos sobre aeródromos inimigos, e em diversas ocasiões teve que usar a metralhadora Lewis traseira para afugentar caças alemães em sua cola. Com a formação da Força Aérea Real em abril de 1918, ele se tornou membro fundador do serviço, com a matrícula 208317. Apesar da horrenda experiência na cratera, ele se dizia privilegiado em comparação aos colegas que lutaram nas trincheiras.

Após a guerra ele voltou a trabalhar na indústria automobilística, e quando a Segunda Guerra Mundial iniciou-se em setembro de 1939, ele estava na reserva das forças armadas. Por sua experiência como engenheiro, em dezembro de 1939 ele foi chamado para auxiliar no desenvolvimento de um sistema que neutralizasse as minas magnéticas alemãs que tinham sido lançadas em Essex. A equipe completou com sucesso a tarefa nove dias depois.

Henry Allingham nunca participou de reuniões de veteranos até 2003, por tentar esquecer as lembranças da guerra. Mesmo assim, nunca as esqueceu. Em 1999, foi condecorado pelo governo francês com a Legião da Honra, e passou seus últimos anos como uma personalidade de destaque no Reino Unido, sendo apresentado à rainha e ao primeiro-ministro. Em 11 de novembro de 2008, Allingham, junto com Harry Patch e Bill Stone, os três últimos veteranos ingleses da Grande Guerra, participaram de uma cerimônia em celebração dos 90 anos do fim do conflito.

Allingham era viúvo desde 1970, e suas duas filhas também faleceram antes dele. Ele tinha muitos netos, bisnetos, trinetos e até mesmo uma tataraneta. Henry Allingham atribuía sua longevidade a "cigarros, uísque, e mulheres muito selvagens". Com a morte do japonês Tomoji Tanabe em 19 de junho, ele tornou-se o homem mais velho do mundo; com sua morte, o título passa para o americano Walter Breuning.


Crianças cumprimentam o Sr. Allingham ao lado do HMS Victory, no seu aniversário de 111 anos em 2007.

Bela reportagem da BBC com Henry Allingham em junho de 2006.

Veja também:
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>>O último soldado americano da Grande Guerra
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