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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Entrevista com Ion Dobran - Parte 2


Entrevista com o General Ion Dobran
Ás da Força Aérea Romena


-O senhor teve algum combate difícil contra os soviéticos?
-Sim, uma das primeiras missões reais que voei. Em 5 de outubro de 1943, eu e um camarada, Puiu Muresan, voamos em formação. Eu pedi para decolar e ficar na frente, porque parecia que podíamos nos tornar ases, nós éramos jovens. Emparelhei meu nariz com o dele, e fiz uma busca pelo céu, achei seis caças russos. Na confusão eu atirei com as metralhadoras.

Estava escuro e com neblina. Eu escutei algo atrás, achei que fosse Puiu, mas era um russo. Ele acertou meu radiador, era um cometa. Tentei pousar, já que o motor estava falhando. O trem de pouso não quis descer, estava parado. Não sabia se tinha pousado em território controlado pelos russos ou pelos alemães, mas eu escutava a artilharia. Meu camarada, eu o escutei me pedindo por um sinal, mas não pude responder porque o rádio estava com algum defeito.

Depois de algum tempo, passou uma aeronave alemã, cuja missão era procurar pilotos perdidos. Me levaram para o grupo de voo de Rudel, os Stukas, que ficava a uns 200 km de distância do meu. Me ofereceram um almoço, eu cansado e sujo, nos meus trajes de voo, e eles de uniforme completo, que só usavam para o jantar. Rudel me pôs à sua direita, e eu morri de vergonha da minha aparência. Ele foi me buscar com o motorista, abriu a porta e me deu as boas-vindas.

Era tanta festa que eu fiquei aliviado quando meu chefe, Serbanescu, chegou pra me buscar. Depois disso fui para a cidade de Uman, onde recebi um novo Messerschmitt. Os alemães eram muito organizados. Os aviões recebidos tinham botes de resgate infláveis, balões e um pequeno sinalizador, se você caísse na água. O bote vinha num envelope e era pintado de amarelo, para se destacar da água, e o pessoal do resgate te enxergar.

Eu ainda tenho um mapa e um colete de voo, que resistiram todos esses anos. Os alemães estavam muito bem equipados.

-Em 23 de agosto de 1944, o senhor pressentiu a mudança? Como foi quando os ex-aliados alemães bombardearam Bucareste?
-Havia algo no ar, falava-se de mudança. Até nossos camaradas alemães estavam saturados. E não me refiro somente aos pilotos, que eram geralmente inteligentes. Tinha um artilheiro do meu grupo que depois da guerra se tornou um leiteiro. E ele dizia “é, a guerra acabou”. Somente os fanáticos da SS acreditavam cegamente na vitória. Em 23 de agosto estava implícito, não deveríamos atacar uns aos outros.

Nós entramos em combate contra eles somente quando o General Gerstenberg, seguindo as ordens do insano Hitler, atacou Bucareste. Eles tinham bases em Focsani e perto das montanhas, e atacaram de lá. Mandaram uma formação de Stukas que destruiu o Teatro Nacional e o Teatro Lira, seguindo depois para o Palácio do Telefone. Eles atacaram principalmente a base aérea de Pipera, onde estavam nossos aviões.

Havia somente seis ou sete caças, e decolamos imediatamente. Eles tinham somente oito ou nove Heinkels bombardeando. A uns 1.500 metros eu os alcancei, disparei as metralhadoras e derrubei um deles. Um colega, Buzea, conseguiu derrubar outro. Um piloto obstinado de Messerschmitt era sempre melhor que um Heinkel.

-E como foi a luta no oeste? Somente davam suporte aéreo às tropas romenas?
-Não, os russos não tinham muitos bombardeiros em suas fileiras, somente uns Bostons que vieram como ajuda dos americanos. Então, um esquadrão romeno de Stukas foi para a Áustria, para dar apoio à ofensiva russa. Gicu Badulescu conseguiu destruir uma grande ponte em Budapeste, cortando as rotas de suprimento dos húngaros e alemães. Como recompensa, ele foi mais tarde expulso das forças armadas.

-Como foi então o período sobre domínio dos comunistas?
-Nosso 9º Grupo de Caça tornou-se 1º Regimento de Caça, seguindo o modelo soviético. O comando do regimento foi estabelecido em Popesti-Leordeni. Para a chefia suprema da defesa territorial foi nomeado Constanti Doncea, que havia participado das greves de 1933, e não tinha ideia do que era aviação. Ele tinha um conselheiro amigo meu, Capitão Galea.

Certo dia, um aviador, Piturca, fugiu para a Iugoslávia. Eles mal notaram que ele queria fugir, e a mensagem de alerta só foi dada quando ele estava perto do espaço aéreo sérvio. Galea disse que não havia sentido em mandar uma aeronave atrás dele, que não podiam alcançá-lo. Doncea ficou furioso e o demitiu. Galea foi sentenciado a oito anos de prisão, dos quais cumpriu três... Então, eles te puniam sem o mínimo sentido. Fora os que tinham influência política, pessoas como eu, que tinham feito a campanha no leste, podiam ser eliminadas porque chegaram novos chefes que não entendiam de nada!

Foram trazidos para o trabalho novos oficiais, com poucas horas de treinamento na escola de aviação de Focsani. Os cadetes das quatro turmas foram feitos tenentes, alguns muito fracos, os piores receberam o melhor. Houve uma proletarização da aviação militar romena. Embora [Galea] fosse um piloto de alta classe, os comunistas o demitiram. Não foram somente os pilotos que foram substituídos. Eles colocaram pessoas rudes, trabalhadores, que nada sabiam de aviões, para voar.

-Como o senhor foi demitido?
-No fim de 1951 eles concluíram que aqueles que tinham estado no front não podiam ser dignos de confiança o suficiente para voar um avião. Então fui removido do regimento e passei um tempo no comando, sem voar. Eu era Major. Em 12 de abril de 1952, nos disseram que estávamos “além do contingente necessário”. Selaram nosso escritório, não pudemos levar nada, nem nossos capacetes da guerra como memória.

Chegamos à estação de metrô de Timpuri Noi [em Bucareste] – um grupo de pilotos demitidos: Gavriliu, comandante Cosambescu, e outros. Um antigo subordinado, Capitão Dragos Stinghe, instalou-se lá mesmo, num negócio da família. Gavriliu mais tarde fez agronomia e especializou-se em tratores.

-Como o senhor conseguiu voar novamente?
-Fiquei sem trabalho até 1954, quando passei a trabalhar como técnico eletrônico, por cerca de 10 anos. Em 1964, com o governo mais liberal, Stinghe e eu tentamos voltar à aviação. O General Sendrea, responsável pela linha aérea nacional, era um velho e bom piloto, mas receava recrutar “elementos suspeitos”. Tive sorte, pois quando fui à minha audiência com ele, lá estava Constantin Balaur, que já era um Coronel, e tinha sido meu subordinado em Popesti-Leordeni. Ele insistiu com Sendrea para me contratar e eu consegui o emprego.

Mais tarde, Balaur, que se tornaria chefe da TAROM, ensinou-me pessoalmente a voar aviões de passageiros. Ele era um homem muito bom, pos na TAROM muitos antigos pilotos expulsos do exército, alguns no solo e outros em aviões.

Fonte: Jurnalul National, 4 de junho de 2009.

Veja também:
>>Entrevista com Ion Dobran - Parte 1
>>Entrevista com Adolf Galland - Parte 1 , Parte 2
>>Entrevista com Luigi Gorrini - Parte 1 , Parte 2 , Parte 3
>>Entrevista com Ilmari Juutilainen - Parte 1 , Parte 2 , Parte 3
>>Entrevista com James Edmundson - Parte 1 , Parte 2
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