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terça-feira, 24 de março de 2009

Áustria liberta “guarda de valas comuns”


Áustria liberta “guarda de valas comuns”

Um ex-membro da SS acusado de tomar parte no extermínio de 8.000 judeus foi libertado pela Áustria, um dia após ser extraditado dos EUA.

O Ministério da Justiça da Áustria disse que o ex-guarda da SS Josias Kumpf, de 83 anos, não pode ser colocado em julgamento porque o estatuto de limitações expirou.

Os Estados Unidos dizem que ele foi ativo no assassinato e despojo de corpos de prisioneiros judeus em valas comuns no campo de concentração de Trawniki, na Polônia ocupada pelos nazistas.

Ele deixou a Áustria em 1956 para viver nos EUA, e tornou-se um cidadão americano em 1964.

O Departamento de Justiça Americano processou o Sr. Kumpf, que vivia no estado do Wisconsin, e retirou-lhe a cidadania em 2003.

A porta-voz do Ministério da Justiça austríaco, Katharina Swoboda, disse que Viena alertou os Estados Unidos de que o Sr. Kumpf não poderia ser processado na Áustria porque o estatuto de limitações relacionado aos seus crimes expirou em 1965.

Nós sempre dissemos aos Estados Unidos que ele não poderia ser processado aqui pelos crimes dos quais é acusado”, ela disse.

Ordens para atirar

O Ministério da Justiça também disse que o Sr. Kumpf era um adolescente na época dos crimes dos quais é acusado, e que nunca foi um cidadão austríaco.

A oposição ao governo tem feito apelos para a aprovação de uma emenda legal que permita o indiciamento de supostos criminosos de guerra nazistas, desconsiderando o tempo já passado.

A Justiça norte-americana disse que o Sr. Kumpf admitiu que ele manteve guarda sobre uma vala onde prisioneiros estavam sendo fuzilados, e “liquidou” os feridos.

Foi revelado que o Sr. Kumpf serviu como guarda no campo de concentração de Sachsenhausen, na Alemanha, e em Trawniki, na Polônia ocupada, onde o assassinato em massa ocorreu em 1943.

Sua tarefa era procurar por vítimas que ainda estivessem “meio vivas”, ou “em convulsão” e impedir que escapassem, alegou o Departamento de Justiça dos EUA.

Não houve nenhum comentário do Sr. Kumpf ou do seu advogado, Peter Rogers. Eles já negaram, há alguns anos, que o Sr. Kumpf tivesse qualquer papel nas atrocidades.

Fonte: BBC News, 20 de março de 2009.

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