Tenente
(1916 - 2009)
Giuseppe Ruzzin nasceu em Spresiano, província de Treviso, em 25 de abril de 1916. Após o desastre na Batalha de Caporetto em 24 de outubro de 1917, e o subseqüente avanço austro-húngaro, sua família fugiu para Gênova. Ruzzin teve uma infância muito modesta e serena, tomando interesse pela aviação ao ler as notícias sobre os vôos transatlânticos de Italo Balbo com hidroaviões Savoia-Marchetti S.55 em 1930.
Em 7 de dezembro de 1936, Ruzzin e outros pilotos decolaram em seus caças Fiat CR.32 logo nas primeiras luzes da aurora, e subiram para 3.500 metros para realizar uma patrulha sobre Torrijos. Os italianos então avistaram uma formação de sete biplanos republicanos “Papagajo” voando abaixo. Imediatamente mergulhando sobre suas presas, os italianos fizeram um dos caças inimigos entrar em chamas, e Ruzzin atacou dois outros. Um deles foi sua primeira vitória, e o outro fugiu bastante danificado.
Enquanto escoltava cinco Junkers Ju 52/3m e três Ro.37bis numa missão de bombardeio, Ruzzin e outros dezoito pilotos encontraram uma formação de quarenta caças republicanos Polikarpov I-16. Ruzzin agora voava o CR.32bis, que carregava duas metralhadoras de 12,7 mm e duas de 7,7 mm. Ele entrou num mergulho de perseguição a um dos Ratas, mas suas armas travaram. Enquanto isso, outro Rata colocou-se na sua traseira, forçando Ruzzin a realizar uma abrupta manobra evasiva, que acabou por destravar suas metralhadoras. Ele então atingiu um Polikarpov que passou por sua frente, atingindo seu tanque de combustível e explodindo-o. Severamente atingido, Ruzzin teve que fazer uma aterrissagem de emergência em Getafe, contando 158 furos em seu pequeno Fiat.Na Espanha, Ruzzin participou das batalhas Madri, Guadalajara, Avila, Belchite e Brunete, perfazendo 350 horas de vôo e 50 horas de combate aéreo em 14 meses de operações. Ao voltar para a Itália, foi designado para a 85ª Squadriglia, 18º Gruppo do 3º Stormo, no aeródromo de Mondivis, em Cuneo. Lá, foi instrutor do futuro grande ás Luigi Gorrini.
Quando Mussolini declarou guerra aos Aliados em 10 de junho de 1940, o 3º Stormo foi enviado à fronteira francesa. Em 15 de junho, Ruzzin (agora voando o CR.42 Falco) e outros pilotos italianos decolaram para atacar aeródromos franceses na Provença para destruir a força de caças inimigos no solo. Por volta das 13:00, os italianos fizeram contato com Morane-Saulnier MS.406s e Dewoitine D.520s do Groupe de Chasse III/6. No confuso combate que se seguiu, Ruzzin danificou um dos Moranes, mas não pôde abatê-lo devido ao travamento de suas armas.
Em setembro de 1940, o Duce ordena a criação do Corpo Aereo Italiano, uma unidade independente de combate para auxiliar os alemães na Batalha da Inglaterra. O 18º Gruppo foi selecionado para ir à Bélgica, instalando-se no aeródromo de Ursel. Em 11 de novembro, em missão para escoltar 10 bombardeiros Fiat BR.20 sobre Harwich, Ruzzin estava em um dos 42 Falcos que encontraram uma imensa formação de Hurricanes e Spitfires que foram direcionados até eles pelos radares da RAF. Mesmo voando um lento biplano contra os manobráveis e poderosos caças ingleses, Ruzzin foi bem-sucedido em derrubar um Hawker Hurricane. Contudo, os ingleses derrubaram cinco bombardeiros quatro caças Fiat. Um deles fez um pouso forçado e foi recuperado pela RAF, sendo avaliado em vôo.Voltando à Itália em janeiro de 1941, Ruzzin ingressou na Academia Aeronáutica de Caserta para ser comissionado. Após sua promoção a Sottotenente em agosto de 1942, ele juntou-se à 154ª Squadriglia, 3º Gruppo do 6º Stormo, que voava o Macchi MC.200 Saetta em missões de escolta de comboios no Mediterrâneo. No ano seguinte, sua unidade foi reequipada com o Messerschmitt Me 109G-6.
Baseado em Chimisa, na Sicília, durante o verão de 1943, Ruzzin participou de diversos combates com aeronaves Aliadas durante a invasão da ilha, e ainda realizou um perigosíssimo reconhecimento de Malta. Durante este período, ele ainda abateu um Spitfire e um Boston, que não foram oficialmente confirmados para ele devido à extrema confusão daqueles dias, com a perda da Sicília.
Após o Armistício, Ruzzin foi aprisionado pelos alemães, mas após a fundação da Aeronautica Nazionale Repubblicana ele foi libertado e tornou-se piloto de transportes. Ao fim da guerra, tornou-se instrutor na Academia Aeronáutica de Oficiais da Reserva. Nas décadas seguintes, voou diversos tipos de aeronaves e assumiu muitos comandos, ascendendo na hierarquia militar até ser promovido a Generale di Brigata Aerea em 1971. Após aposentar-se, foi presidente da Associação da Arma Aeronáutica de Gênova por 28 anos, e publicou sua autobiografia intitulada “Ali d’Aquila”.O Generale Giuseppe Ruzzin faleceu de causas naturais em Gênova, aos 92 anos de idade, no dia 6 de fevereiro de 2009. Seu registro oficial confirma para ele 5 vitórias aéreas individuais, mas ele sempre afirmou que muitas outras erroneamente nunca lhe foram confirmadas.
Nota: No ano passado tive a felicidade de me corresponder com o General Ruzzin, que foi muito cortês e confessou ter ficado impressionado que alguém aqui do Brasil se interessasse pelas ações dos pilotos italianos tanto tempo atrás. Ele me presenteou com uma foto autografada, um artigo de sua autoria e uma interessante foto de um Fiat CR.42, na qual escreveu: "A 'gaiola' na qual voei nos céus da Inglaterra".
Descanse em paz General!
Meus agradecimentos a Paul Perron, Hakan Gustavsson e Ferdinando D'Amico.
Meus agradecimentos a Paul Perron, Hakan Gustavsson e Ferdinando D'Amico.
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