Estudante localiza suposto criminoso de guerra nazista
Autoridades alemãs estão investigando um suposto criminoso de guerra nazista que foi encontrado por um estudante que fazia um projeto para a universidadeO antigo notório membro da SS, de 89 anos, cujo nome não pode ser revelado por razões legais, é acusado de participar no assassinato de 60 trabalhadores escravos judeus em 1945.
O massacre aconteceu em Deutsch Schuetzen na Áustria, e as vítimas foram enterradas numa vala comum que somente foi descoberta em 1995.
O nome do homem apareceu pela primeira vez num julgamento em 1946, onde testemunhas disseram que ele tomou parte nas execuções. Ele, entretanto, nunca foi formalmente acusado e retornou para sua casa na Alemanha, onde vive até hoje sob seu nome verdadeiro.
Andreas Foster, 27 anos, estudante de ciências políticas em Viena, estava pesquisando o caso para um projeto da universidade e encontrou documentos sobre o homem nos arquivos alemães. Após perceber que as autoridades nunca tentaram prender o homem, ele conseguiu encontrá-lo fazendo uma simples pesquisa na lista telefônica.
“O homem da Waffen SS foi mencionado por nome nos arquivos do tribunal e em outros documentos, e sua identidade é conhecida desde 1946”, disse o Sr. Foster.
Ele alertou seu mentor na universidade, Professor Walter Manoschek, que então viajou para a Alemanha sem aviso e visitou o suposto criminoso de guerra, entrevistando-o em vídeo. Nas entrevistas, o homem diz não se lembrar de nada sobre o massacre, mas confirma que ele estava de serviço na localidade como membro da SS na mesma época.
O Prof. Manoschek então compilou um arquivo sobre o caso, incluindo as fitas, e enviou o resultado para promotores alemães que agora abriram uma investigação.
“Nós examinaremos e avaliaremos o vasto montante de material e entrevistas da possível testemunha”, disse um porta-voz dos promotores.
O Prof. Manoschek também encontrou dois ex-membros da Juventude Hitlerista que foram condenados em 1946 por sua participação no massacre, e ambos confirmaram que conhecem o homem. Outras testemunhas com as quais o Prof. Manoschek conversou disseram ter visto o homem fuzilar outros prisioneiros judeus enquanto o Exército Alemão fugia dos Aliados em 1945, porque eles eram incapazes de marchar devido à exaustão.
“A coisa mais impressionante é que o homem nunca fez nenhuma tentativa de esconder sua identidade e ele foi bastante fácil de encontrar. Ele aparenta estar em ótima forma, tanto mental quanto fisicamente. A questão que as autoridades têm agora é porque nunca iniciaram tal investigação”, disse o Prof. Manoschek.
Ele e seus estudantes já juntaram um vasto material histórico sobre o caso, incluindo entrevistas com supostos criminosos de guerra, arquivos de tribunal e relatos de testemunhas, e agora estão procurando financiamento para produzir um documentário sobre suas pesquisas.
Fonte: The Telegraph, 21 de outubro de 2008.
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