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sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Chance-Vought F4U Corsair


ORIGENS

Em fevereiro de 1938, o Bureau de Aeronáutica da US Navy (Marinha dos Estados Unidos) publicou requisitos para propostas (RFP) de um caça bimotor e um monomotor. Para o monomotor a Marinha requisitou a maior velocidade possível, e uma velocidade de estol que não ultrapassasse 113 km/h. Um alcance de 1.610 km foi especificado. O caça teria de carregar quatro metralhadoras, ou três, com calibre maior. Teria de ter suporte para bombas antiaéreas sob as asas; essas pequenas bombas seriam, de acordo com o pensamento reinante na década de 1930, despejadas sobre formações de aeronaves inimigas.

Um inusitado elemento do RFP da Marinha foi considerar desenhos com motores resfriados a líquido, em contradição à política usada desde 1927, que requeria motores resfriados a ar para aeronaves embarcadas. Do ponto de vista dos aviadores navais, os motores com resfriamento líquido tinham sérias desvantagens: eram mais pesados, mais vulneráveis, e de manutenção mais difícil.

Mas no fim da década de 1930, havia uma crescente convicção no mundo da aviação, dizendo que motores radiais representavam alta penalidade em arrasto. Motores com resfriamento líquido, com suas áreas frontais menores, podiam ser instalados em uma fuselagem mais afilada. Conseqüentemente, passou a ser aceito o projeto de construir um caça com tal motor, no caso, um Allison V-1710.

Esse motor foi de fato escolhido pela Bell para entrar na competição: seu Bell Model 5 Airabonita era praticamente um P-39 Airacobra com trem de pouso de roda traseira, asas maiores e estrutura reforçada. Como no P-39, o motor foi posicionado atrás da cabine, sobre as asas. O piloto se sentava na frente do motor, com um longo tubo passando por entre suas pernas para mover o propulsor no nariz. Um canhão Madsen de 23 mm (ou uma metralhadora 12,7 mm) e duas metralhadoras 7,62 mm foram instalados na parte frontal, o canhão disparando pelo propulsor.

Não havia mais escolha entre os motores radiais: Seria o velho Pratt & Whitney R-1830, ou os novos Wright R-2600 e Pratt & Whitney R-2800. Esses motores radiais com refrigeração a ar tinham frente maior que o V-1710, e geravam mais arrasto. Para o R-2600 e R-2800 isso era compensado pela força gerada: enquanto o V-1710 lutava para conseguir 1.150 hp, o R-2800 esperava gerar 2.000 hp e o R-2600, 1.500 hp. Motores radiais haviam sido escolhidos pela Brewster, Grumman, Vought e Curtiss.

A Grumman propôs um desenvolvimento do seu F4F Wildcat, que seria equipado com o R-2600. A Brewster, fabricante do F2A Buffalo, que tinha sido o primeiro caça monoplano da Marinha, ofereceu projetos com o R-2600 e R-2800. A Curtiss propôs desenvolver o P-36 Mohawk, a ser propelido pelo R-2600 ou R-1830. Em abril de 1938, a Vought submeteu seus dois projetos à Marinha.

DESENVOLVIMENTO

O primeiro, chamado V-166A pela fábrica e "Vought A" pela Marinha, tinha o motor R-1830. O outro, V-166B ou "Vought B", foi desenhado para o novo Pratt & Whitney R-2800 Double Wasp de 2.000 hp. Era um radial de 18 cilindros refrigerado a ar. Esse motor foi mais tarde instalado no Grumman F6F Hellcat e no Republic P-47 Thunderbolt da USAAF. O R-2800 adquiriria posteriormente a reputação de poderoso e confiável, mas era também vultoso, e a aeronave com ele equipada tendia a ser grande. Em maio, o Bureau de Aeronáutica avaliou as duas propostas. O "Vought B" foi, de longe, considerado o melhor, conseguindo a nota de 86,4 numa escala de 0 a 100. Em 11 de junho, o contrato foi concedido para o desenvolvimento do Vought V-166B, que se tornaria o famoso F4U Corsair.

O comitê de avaliação também recomendou que a proposta "Brewster A", a terceira melhor, fosse desenvolvida devido à alternativa do motor R-2600. Por causa das dificuldades gerenciais da Brewster, isso nunca aconteceu. A Grumman recebeu um contrato para desenvolver a versão F4F-3 do Wildcat, e ganhou simultaneamente a competição para o bimotor com o F5F Skyrocket. Seu caça com o R-2600 foi rejeitado, mas um junho de 1941, a Marinha encomendou dois protótipos do F6F Hellcat, que trocara para o R-2800 durante seu desenvolvimento. O XFL-1, a proposta da Bell, ficou em sexto e obviamente não entraria em produção.

O engenheiro-chefe da Vought era Rex Beisel. Ao invés de usar a fuselagem "ovalada" presente no P-47 Thunderbolt, Beisel decidiu-se pela fuselagem circular, com o exato diâmetro do motor. Ele também preferiu não usar a "corcunda" na fuselagem frontal, feita para dar mais visibilidade ao piloto, tornando o corpo do Corsair totalmente cilíndrico. Sua construção era inteiramente em metal e com acabamento finíssimo.

Um enorme propulsor era requerido para converter o poder do R-2800 em empuxo. Foi então escolhido um propulsor de três lâminas com diâmetro de 4,04 m. Para evitar que tal propulsor tocasse o chão, poderia ter sido criado um longo e forte trem de pouso, ou tornar a fuselagem mais grossa, ou ainda mover a asa mais para baixo em relação ao motor. Ao invés de tudo isso, a equipe da Vought simplesmente adotou a asa em "gaivota invertida". A asa começava curvada para baixo fortemente presa à fuselagem, e depois se curvava para cima na direção das pontas. O trem de pouso foi instalado na parte mais baixa da dobra da asa. Tal construção não era incomum, mas era associada ao trem de pouso fixo, caso do bombardeiro de mergulho alemão Junkers Ju 87 Stuka.

Com o trem de pouso preso naquela posição, podia-se prender a asa com total eficiência, evitando fraquezas estruturais. Toda essa construção não contribuiu muito para a beleza do desenho, mas funcionava. Toda a asa tinha tanques de combustível, que eram pouco protegidos. Para ser guardado nos porta-aviões, as asas se dobravam para cima logo após o trem de pouso. As rodas se recolhiam para trás, girando 90º enquanto retraindo, sendo guardadas na horizontal. Toda a borda de fuga da asa, interna aos ailerons, foi provida de flaps.

O piloto se sentava num grande cockpit fechado, com visão dianteira prejudicada devido ao imponente motor. O armamento era composto de seis metralhadoras Browning MG 53-2 de 12,7 mm, mais 1.000 kg de bombas ou oito foguetes de 127 mm. O primeiro vôo do protótipo XF4U-1 foi feito em 29 de maio de 1940, pilotado por Lyman A. Bullard Jr., ocorrendo sem complicações. Um atraso no projeto aconteceu quando o piloto Boone T. Guyton ficou sem combustível durante o quinto teste de vôo e fez um pouso forçado num campo de golfe. O XF4U-1 ficou severamente danificado, mas foi reconstruído. Em 1 de outubro de 1940 o XF4U-1 fez um vôo de Stratford a Hartford com uma velocidade média de 650 km/h (404 mph), se tornando o primeiro caça americano a ultrapassar a barreira das 400 mph.

O Corsair apresentava também ótima razão de subida. Porém, alguns requerimentos da Marinha não foram cumpridos à risca, tendo de ser reescritos. Em testes de mergulho com plena potência, o Corsair atingia 885 km/h, mas não sem danificar as superfícies de controle e o painel, ou ainda, causar falha do motor. Após numerosos aperfeiçoamentos e modificações, a aeronave passou a ser bastante eficiente, e o primeiro lote de produção F4U-1 foi encomendado.

EM OPERAÇÃO

O primeiro Corsair de produção fez seu vôo de estréia em 25 de junho de 1942. A Marinha recebeu sua primeira aeronave em 31 de julho, mas passar-se-iam mais de dois anos até que liberasse o modelo para operar em seus porta-aviões. A explicação se encontrava no fato do Corsair oferecer pouca visibilidade para o pouso, com o piloto mal podendo ver o deque da embarcação por causa do avantajado nariz. Confiando somente em seu novo F6F Hellcat, que era bom de pouso, mas não tão eficiente quanto o Corsair, a Marinha pôs o Chance-Vought F4U na espera.

Porém, em 25 de setembro de 1942, a Marinha liberou-o para o US Marine Corps (Corpo de Fuzileiros Navais), que precisava rapidamente substituir seus F4F Wildcat. Para os Fuzileiros, era importante que o Corsair pudesse ser operado em porta-aviões, mas eram normalmente operados de bases terrestres. A primeira unidade dos fuzileiros equipada com o F4U, a VMF-124, foi declarada operacional em 28 de dezembro de 1942, sendo rapidamente enviada a Guadalcanal.

Lá o Corsair recebeu seu batismo de fogo em 11 de fevereiro de 1943. O primeiro combate ar-ar ocorreu três dias depois, quando uma força americana composta por P-38s Lightning, P-40s Warhawk, PB4Ys Liberator e F4Us derrubaram quatro Mitsubishi A6Ms "Zero" japoneses. Dentro de seis meses todas as unidades do USMC no Pacífico estavam equipadas com o caça da Chance-Vought, e em agosto de 1943, 1.000 aeronaves já haviam sido entregues.

A Royal Navy (Marinha Real Britânica) operou o Corsair no Pacífico e na Europa, sendo que a mais importante missão do F4U no velho continente foi dar apoio e escolta aos bombardeiros que, em abril, julho e agosto de 1944, atacaram o encouraçado alemão Tirpitz, escondido nos fiordes da Noruega. A Nova Zelândia também utilizou o Corsair, empregando-o principalmente em missões de apoio cerrado.

A Marinha Americana finalmente aceitou o F4U para operação em porta-aviões em abril de 1944. A primeira unidade Corsair a operar efetivamente embarcada foi a mesma dos Fuzileiros, a VMF-124, que se juntou ao USS Essex. Com a crescente necessidade de caças como proteção contra os ataques kamikaze, mais e mais unidades Corsair foram sendo movidas para os porta-aviões. Apoiaram de perto as invasões de Iwo Jima e Okinawa, atuando como caça-bombardeiro e despejando napalm nas posições inimigas. Os japoneses passaram a ter um respeito temeroso do Corsair, apelidando-o de “Morte que Assobia”.

CONCLUSÃO

O Chance-Vought F4U foi o último caça americano com motor a pistão a ser fabricado, e o último exemplar saiu da fábrica em 31 de janeiro de 1953. A produção totalizou 12.571 exemplares. Pode-se dizer que o Corsair foi uma das aeronaves mais bem-sucedidas da Segunda Guerra Mundial, apresentando uma média de 11 vitórias para cada F4U derrubado, finalizando o conflito tendo derrubado 2.140 aeronaves japonesas e perdendo 189 dos seus. O produto da Chance-Vought provou-se de extrema excelência, sendo utilizado ainda com mérito na Guerra da Coréia.

DADOS TÉCNICOS (F4U-1A)

Tripulação: 1
Comprimento: 10,1 m
Envergadura: 12,5 m
Altura: 4,9 m
Área alar: 29,17 m²
Peso vazio: 4.073 kg
Peso cheio: 6.300 kg
Motor: 1× Pratt & Whitney R-2800-8W de 2.250 hp (1.678 kW)
Velocidade máxima: 684 km/h
Alcance: 1.634 km
Teto operacional: 11.200 m
Armamento: 6x metralhadoras Browning M2 de 12,7 mm, 4x foguetes 127 mm, 910 kg de bombas

Veja também:
>>Bell P-39 Airacobra
>>Bell P-63 Kingcobra
>>Republic P-47 Thunderbolt
>>North American P-51 Mustang
>>Northrop P-61 Black Widow
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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Nota de Falecimento: Gino Birindelli


Gino Birindelli
(19/01/1911 - 02/08/2008)

Faleceu em Roma no último dia 2 de agosto, de causas naturais aos 97 anos de idade, um dos pioneiros dos ataques com torpedos-humanos da Decima MAS, Gino Birindelli.

Nascido em Pescia, na província de Pistoia, Birindelli entrou para a Academia Naval de Livorno aos 14 anos de idade em outubro de 1925. Graduou-se como Guardiamarina em 1930 e foi alocado no couraçado RN Andrea Doria, sendo promovido a Sottotenente di Vascello no ano seguinte. Elevado a Tenente di Vascello em 1935, assume em abril de 1939 o comando do Grupo de Submarinos de Tobruk. No início da guerra, recebe o comando da Vª Squadriglia MAS. Em agosto de 1940, embarca no submarino Iride com a missão de atacar a frota inglesa ancorada em Alexandria, mas a embarcação é atacada e afundada por um Fairey Swordfish na costa da Tunísia. Embora quase toda a tripulação escapasse, o Iride foi ao fundo com nove marinheiros à bordo. Birindelli então mergulhou repetidas vezes (inicialmente sem equipamento de respiração) para tentar contato com os homens presos. Eventualmente, cinco foram resgatados com vida. Por essa ação, ele recebeu a Medaglie d'Argento al Valor Militare.

Na noite de 30 de outubro de 1940, à bordo do submarino Sciré de Junio Valerio Borghese, Birindelli comandou uma equipe de três SLCs "Maiale" para dentro do porto fortificado de Gibraltar. O primeiro time foi avistado e o segundo teve problemas com o equipamento de respiração, ambos tendo que abandonar a missão. Birindelli prosseguiu com a missão sozinho. Quando estava a meros 20 metros do encouraçado HMS Barham, o motor de seu maiale falhou. Ele ainda tentou, com sua própria força, levar o torpedo mais perto do navio inglês, mas não conseguiu devido ao peso do aparato. Birindelli então destruiu seu maiale para evitar que caísse em mãos inimigas, mas ele próprio foi capturado enquanto tentava fugir. Por esta ação, foi condecorado com a Medaglie d'Oro al Valor Militare.

Após o Armistício, retornou para o serviço na Regia Marina, sendo promovido a Capitano di Fregata em 1944. No pós-guerra, ascendeu na hierarquia naval e coroou sua carreira como comandante das forças da OTAN no Mediterrâneo em 1970. Ele protestou veementemente contra o baixo orçamento que a Marinha recebia do governo, e foi o artífice de sua reestruturação no começo da década de 70. Em dezembro de 1973, deixou o serviço ativo com a patente de Ammiraglio di Squadra. Entre 1972 e 1976 foi deputado no Parlamento, pelo partido de extrema-direita Movimento Sociale Italiano (MSI).

Gino Birindelli veio a falecer no Hospital Militar de Celio, em Roma, no dia 2 de agosto de 2008. Seu funeral, no dia 5, recebeu plenas honras militares e de estado, com a presença do Presidente do Senado, da Câmara, o Ministro da Defesa, o Chefe de Estado-Maior da Marinha e o Duque de Aosta. O Ammiraglio Birindelli deixa sua esposa Janka, dois filhos e uma filha.


O cortejo fúnebre de Gino Birindelli em Roma, 5 de agosto de 2008.

Veja também:
>>SLC Maiale
>>Francesco Mimbelli
>>R.N. Roma em 3D
>>Luigi Rizzo
>>Licio Visintini
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Nota de Falecimento: James Watkins


James Albert Watkins
(26/08/1920 - 18/08/2008)

Faleceu no último dia 18 de agosto em Arlington, Texas, de causas naturais aos 87 anos de idade, o ás do Lockheed P-38 Lightning, James Albert Watkins.

Watkins nasceu em Crystal Springs, Mississippi, e alistou-se como cadete aviador no Corpo Aéreo do Exército em 10 de fevereiro de 1941, terminando o treinamento em 26 de setembro. Inicialmente transferido para Mitchell Field, em Nova York, após o ataque à Pearl Harbor ele pediu transferência para o 49º Grupo, que seria transferido para a Austrália em janeiro de 1942. Após receber seus P-40s e passar por um curto treinamento, os pilotos assumiram a defesa da parte norte do país e, em outubro, foram transferidos para a Nova Guiné, tomando parte na defesa de Port Moresby.

Watkins derrubou seu primeiro inimigo em 26 de dezembro de 1942, quando destruiu um Mitsubishi Zero sobre Dobodura. Seu esquadrão foi o primeiro do grupo a ser reequipado com o Lockheed P-38 em fevereiro de 1943 e, no verão daquele ano, ele foi promovido a Capitão. Watkins começou a realizar derrubadas múltipas de aeronaves japonesas: quatro Kawasaki Ki-61s "Tony" em 26 de julho, três Nakajima Ki-43s "Oscar" em 29 de julho, e mais três "Oscar" em 2 de agosto. Em setembro, ele foi enviado de volta aos EUA como instrutor de vôo na Costa Oeste. Retornou aos combates em fevereiro de 1945, marcando sua última vitória em 2 de abril. Watkins terminou a guerra com 12 vitórias confirmadas, e permaneceu em serviço até janeiro de 1948, servindo com as forças de ocupação no Japão.

Após a guerra, ele continuou na Força Aérea, tornando-se comandante do 4926ºEsquadrão de Testes (Amostragem), a única unidade da USAF responsável pela coleta de amostras de nuvens atômicas. Nesse trabalho, treinou homens e desenvolveu equipamentos e táticas. Serviu ainda na Turquia e foi chefe da Divisão de Vendas Externas da Força Aérea Americana, aposentando-se como Coronel em 1970.


Capitão Watkins e seu P-38 na Nova Guiné, 1943.
Veja também:
>>Nota de Falecimento: Robert DeHaven
>>Nota de Falecimento: Gerald Brown
>>Nakajima Ki-84 Hayate "Frank"
>>Nakajima Ki-44 Shoki "Tojo"
>>Kawanishi H8K Nishiki Taitei "Emily"
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terça-feira, 26 de agosto de 2008

Filho de criminoso nazista quer pai declarado morto


Filho de criminoso nazista quer pai declarado morto

O filho do notório médico nazista Aribert Heim disse que quer que seu pai seja declarado legalmente morto para que ele possa tomar o controle de sua herança e doar parte dela para ajudar a documentar o sofrimento que aconteceu nos campos de concentração.

Ruediger Heim disse ao jornal Bild am Sonntag que seu pai – que também é chamado de “Doutor Morte” e encabeça [sic] a lista de criminosos nazistas mais procurados pelo Centro Wiesenthal – deveria ser oficialmente declarado desaparecido e depois morto.

Ele reitera que não teve mais nenhum contato com seu pai desde que ele fugiu da Alemanha em 1962, exceto dois pequenos recados deixados na caixa de correio da família.

Entre 1962 e 1967, dois recados apareceram na nossa caixa. Havia somente uma única frase escrita nelas: ‘Eu estou bem’. Mas se aquelas cartas eram realmente do meu pai, eu não sei”, diz.

Heim também disse que não tem idéia se seu pai, que estaria com 94 anos, está vivo ou morto.

Ele disse ao jornal que está trabalhando com um advogado para descobrir como pode conseguir o atestado de desaparecido, e depois morto, para seu pai, para que ele possa tomar o controle da conta bancária.

Ele diz que ele, seu irmão e sua irmã, somente descobriram a conta bancária em nome de seu pai em 1997. Se ele conseguir controle sobre o dinheiro, disse ao jornal, fará doações para ajudar a documentar o sofrimento no campo de concentração de Mauthausen, perto de Linz, na Áustria, onde seu pai trabalhou como médico em outubro e novembro de 1941.

Até então, os filhos de Heim não moveram nenhuma ação para tomar o controle da conta bancária no valor de 1,2 milhão de Euros, entre outros investimentos em seu nome. Para fazer isso, teriam que aparecer com uma prova de que seu pai está verdadeiramente morto.

Fonte: Yahoo News, 25 de agosto de 2008.

Veja também:
>>Os 10 nazistas mais procurados
>>Criminoso de guerra perde luta judicial contra extradição
>>Nota de Falecimento: Dinko Sakic
>>O terror invisível
>>Primeiro-Ministro japonês queria continuar a luta
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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Boulton Paul Defiant


ORIGENS

Um novo conceito tático, inicialmente concebido em 1935, propunha para uso em caças uma torre traseira multi-armada. Esse esquema aparentemente parecia ter mais de uma vantagem: primeiro, aliviava o piloto da dupla tarefa de voar a aeronave e procurar, manter e acertar um alvo; segundo, as armas poderiam ser usadas tanto ofensiva quanto defensivamente, e num campo de fogo muito maior do que com armas fixas.

O uso da torre traseira multi-armada não era inteiramente novo, pois um biplano Hawker Demon havia sido assim equipado em 1934, mas por uma razão diferente. A instalação resultou do fato de que a alta performance do caça biposto tornou quase impossível para o observador/artilheiro traseiro avistar e atingir um alvo disparando sua única metralhadora com precisão suficiente. No total, 59 Hawker Demons foram construídos pela Boulton Paul Aircraft em um sub-contrato, cada um tendo uma torre hidráulica Frazer-Nash instalada. Subseqüentemente, muitos Demons fabricados pela Hawker foram modificados e tiveram tais torres instaladas.

DESENVOLVIMENTO

Quando o Ministério do Ar britânico expediu a especificação F.9135, pedindo por um caça biposto com torre traseira, ambas Boulton Paul e Hawker enviaram propostas. O protótipo Hawker Hotspur, no entanto, não competiria com o modelo da Boulton Paul, principalmente por que as fábricas da Hawker, devidamente ocupadas com o Hurricane, não tinham capacidade de produção disponível, resultando no abandono do Hotspur.

O primeiro protótipo do Boulton Paul Defiant fez seu vôo inicial em 11 de agosto de 1937. Era um monoplano metálico de asa baixa com trem de pouso retrátil, equipado com um motor Rolls-Royce Merlin I de 1.030 hp e um propulsor metálico de três lâminas. O segundo protótipo tinha motor Merlin II. Ambos tinham uma torre traseira hidráulica com quatro metralhadoras 7,7 mm, montada atrás da cabine do piloto. Seu peso, e o alto nível de arrasto imposto pela protuberante torre, não importando o quão bem instalada fosse, impuseram severos limites a velocidade e manobrabilidade.

EM OPERAÇÃO

A primeira série de produção do caça diurno Defiant Mk.I foi completada em 30 de julho de 1939, e as entregas ao 264º Esquadrão começaram em dezembro daquele ano. Seria esse esquadrão que operaria primeiramente o Defiant em ação, em 12 de maio de 1940, sobre as praias de Dunquerque, atingindo completa surpresa tática. Os caças alemães, fazendo ataques convencionais às caudas dos Defiants se deparavam com o fogo pesado de quatro metralhadoras. Resultado: em um dia, conseguiram derrubar 38 aeronaves inimigas, totalizando 65 ao fim do mês de maio. Foi, no entanto, uma superioridade aérea breve, pois levou pouco tempo para os pilotos da Luftwaffe descobrirem que podiam atacá-lo frente a frente ou contra seu ventre, sem levar um único tiro.

Decidiu-se então, usar o Defiant como caça noturno, e o comparativamente novo e ultra-secreto radar AI foi instalado em vários Mk.Is, passando a serem designados Defiant NF.Mk IA. Com esse equipamento, eles provaram ser valiosos para as defesas noturnas da Grã-Bretanha durante o inverno 1940-1941, e durante esse período conseguiram mais vitórias por interceptação que qualquer outro caça noturno contemporâneo.

Na tentativa de melhorar a performance do Defiant, dois Mk.Is foram modificados, tornando-se os protótipos do novo Boulton Paul Defiant Mk.II. Além da instalação do mais poderoso motor Rolls-Royce Merlin XX de 1.480 hp, a capacidade de combustível foi aumentada, assim como partes móveis da cauda, e foram feitas modificações nos sistemas do motor. Voando inicialmente em 20 de junho de 1940, o Defiant Mk.II teve um total de 210 exemplares construídos, dos quais muitos foram mais tarde convertidos em rebocadores de alvo Defiant TT.Mk.I. Em adição, 150 Defiant Mk.Is foram convertidos como Defiant TT.Mk.IIIs, e uma série de 140 exemplares do TT.Mk.I construídos, levou a um total de produção de 1.065 exemplares até o fim da produção, em 1943.

CONCLUSÃO

No ápice de seu emprego como caça noturno, os Defiants equiparam 13 esquadrões da RAF. Eles foram usados subseqüentemente na Inglatera, Oriente Médio e Extremo Oriente como rebocadores de alvo. Outros 50 Defiant Mk.Is foram convertidos para uso como aeronaves de resgate, servindo com cinco esquadrões para esses propósito.

DADOS TÉCNICOS (Defiant Mk.I)

Tripulação: 2
Comprimento: 10,77 m
Envergadura: 11,99 m
Altura: 3,71 m
Área alar: 23 m²
Peso vazio: 2.755 kg
Peso cheio: 3. 773 kg
Motor: 1× Rolls-Royce Merlin III de 1.030 hp (780 kW)
Velocidade máxima: 489 km/h
Alcance: 748 km
Teto operacional: 9.250 m
Armamento: 4× metralhadoras de 7,7 mm na torre traseira

Veja também:
>>Westland Whirlwind
>>Hawker Tempest
>>Hawker Typhoon
>>Vídeo: Colisões aéreas
>>Northrop P-61 Black Widow
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sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Criminoso de guerra perde luta judicial contra extradição


Criminoso de guerra perde luta judicial contra extradição

Um alegado criminoso de guerra de 86 anos, acusado de assassinar um rapaz judeu na Segunda Guerra Mundial, perdeu uma batalha judicial na última quarta-feira contra sua extradição da Austrália para a Hungria.

Uma magistrada de Perth ordenou que Charles Zentai fosse levado em custódia após declará-lo apto para extradição.

Zentai é acusado de espancar até a morte o adolescente Peter Balazs em 1944 em Budapeste, enquanto servia como soldado no Exército Húngaro, então aliado da Alemanha Nazista de Adolf Hitler.

Determino que o Sr. Zentai é elegível para entrega para a República da Hungria e, portanto, permanecerá sob custódia”, disse a juíza Barbara Lane.

Os advogados de Zentai dizem que farão uma apelação especial por fiança, bem como um apelo para serem ouvidos pela Corte Federal.

As alegações contra Zentai, que ele nega, foram feitas pelos Centro Simon Wiesenthal, a organização judaica de direitos humanos conhecida por caçar supostos criminosos de guerra nazistas.

Zentai, que emigrou para a Austrália após a guerra, estava vivendo tranquilamente no oeste do país em Perth, antes que o governo húngaro iniciasse os procedimentos para sua extradição em março de 2005.

O promotor Michael Corboy disse à corte que Zentai identificou Balazs, de 18 anos, que não estava usando a compulsória estrela amarela que o identificaria como judeu, como alguém de sua cidade natal.

Zentai e dois comparsas levaram Balazs para uma base militar e o espancaram das 15:00 até o cair da noite, antes de jogar seu corpo no Danúbio”, disse Corboy.

O filho de Zentai, Ernie Steiner, expediu um documento dizendo que seu pai é completamente inocente e não estava em Budapeste no dia da morte de Balazs em novembro de 1944.

Steiner disse que seu pai nunca foi um nazista, detestava a ocupação alemã da Hungria e tinha muitos amigos judeus.

Se Zentai for enviado de volta para a Europa, será o primeiro australiano na história a ter sido extraditado por crimes de guerra.

Fonte: Yahoo News, 20 de agosto de 2008.

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>>Prisioneiro morre mais de 60 anos após ser torturado por nazistas
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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Vídeo: Remer inspeciona a guarda de elite


Após a tentativa de assassinato de Hitler em 20 de julho de 1944, houve uma tentativa dos conspiradores em tomar o controle de Berlim. Para tanto, eles esperavam a colaboração do Major Otto Remer, comandante da guarda de elite. Goebbels, porém, conseguiu colocar Hitler (ainda aturdido pela explosão) no telefone com Remer, que agiu então imediatamente no sentido de prender os conspiradores e sufocar a tentativa de golpe.

Alguns dias depois o Ministério da Propaganda promoveu uma revista de tropas por Remer, já promovido a Oberst. O desfile foi filmado juntamente com o discurso de Remer:


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>>Otto Ernst Remer
>>Trailer: Valkyrie
>>Nota de Falecimento: Philipp von Boeselager
>>A discoteca de Hitler
>>Numa missão para matar Hitler, Tom Cruise e seus conspiradores
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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Decisão de Truman ganha terceira "última saudação"


Meu amigo Tenente-Coronel Ben Nicks protagonizou uma reportagem de jornal e enviou-me o link, que agora traduzo para vocês:

Decisão de Truman ganha terceira "última saudação"


Foi, como disse um veterano, sua terceira última cerimônia.

Cerca de 15 veteranos da Segunda Guerra Mundial se reuniram na quarta-feira, 6 de agosto, no Museu Truman em Independence. Liderados por uma guarda de honra, eles marcharam até o túmulo do ex-presidente Harry S. Truman, colocaram uma pequena coroa de flores e o saudaram.

Então fizeram planos para o ano que vem.

Espero poder estar na quarta e quinta últimas cerimônias”, disse John Wildenthal, de Houston.

Dois anos atrás, membros da Sociedade Harry Truman anunciaram que a cerimônia do grupo em 2006 seria a última vez que agradeceriam publicamente a Truman por decidir jogar as bombas atômicas em 1945.

Na quarta-feira eles se reuniram de novo.

O rápido evento foi menos elaborado do que o de 1995. Naquele ano, o aniversário de 50 anos dos bombardeios atômicos às cidades japonesas de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, e Nagasaki, em 9 de agosto, iniciaram um debate internacional sobre a sabedoria da decisão de Truman.

A discussão foi tão acalorada que modificou uma exibição planejada no Museu Smithsonian, em Washington. Alguns acharam que a mostra enfatizava demais o sofrimento dos civis japoneses em detrimento de outras partes da história, incluindo como o uso das bombas atômicas tornou a invasão do Japão um ato desnecessário.

Membros da então recém fundada Sociedade Harry Truman se sentiram compelidos a entrar na discussão. Em 1995, eles dedicaram um memorial no Museu Truman agradecendo o antigo presidente por “salvar muitas vidas usando armas atômicas para acabar com a Segunda Guerra Mundial”.

Nos anos seguintes eles continuaram a se encontrar, algumas vezes trazendo palestrantes. Agora, os veteranos estão muito idosos para organizar tais eventos, diz Bem Nicks de Shawnee, que comandou um B-29 durante a guerra.

Mas eles ainda querem honrar Truman.

Toda vez, dizemos que esta será a última vez”, diz Nicks, de 89 anos.

A importância de manter viva a memória da decisão de Truman é muito importante para ignorar”, diz Lyn Crowley, de Independence.

Posso imaginar que essas cerimônias continuarão até que sobre somente um de nós”, diz ele.

Wildenthal concorda.

Enquanto formos capazes de ficar de pé e caminhar até o túmulo dele, nos sentiremos obrigados a fazê-lo”, ele diz.

Fonte: The Kansas City Star, 6 de agosto de 2008.

Veja também:
>>Veteranos alemães homenageiam Marseille
>>Ainda funcionando, após 67 anos
>>Ben Nicks: A mais longa missão da Segunda Guerra
>>D. H. Clarke: Meu encontro com o Saetta
>>Rendição poupou um jovem, duvidoso kamikaze
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terça-feira, 19 de agosto de 2008

Heinkel He 111 será restaurado na Noruega


Heinkel He 111 será restaurado na Noruega


Em 14 de maio de 1940, o Heinkel He 111H-3 1H+DN do 5º Staffel do KG 26 decolou para atacar embarcações Aliadas em Narvik, mas acabou atacado por um caça inglês, provavelmente um Gloster Gladiator do 263º Esquadrão da RAF. O bombardeiro fez um pouso forçado num lago congelado próximo da fronteira com a Suécia, e todos os tripulantes saíram ilesos. O piloto Siegfried Blume, artilheiro Karl Grube, operador de rádio Helmut Bennighoff e o mecânico Werner Wamser ainda voltaram para a Noruega à pé, mas foram capturados pelos ingleses e levados para um campo de detenção no Canadá, passando o resto da guerra como prisioneiros.

Até recentemente, os destroços, ainda nas montanhas, pertenciam a um colecionador sueco. Após muita negociação, um grupo de entusiastas noruegueses conseguiu comprar o Heinkel e, com a ajuda de um helicóptero Seaking da Força Aérea Norueguesa, o retiraram da montanha. O novos donos iniciaram uma campanha para levantar dinheiro e restaurar a aeronave.

A Sala de Guerra vai acompanhar o desenrolar da empreitada:


Veja também:
>>B-17 "Liberty Belle" chega à Inglaterra
>>Vídeo: O show dos Moranes
>>Acidente com o Me 109 "Black 2"
>>Vídeo: Panzers restaurados
>>Vídeo: Sea Hurricane Ib restaurado
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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Veterano conta histórias pouco tradicionais em novo livro


Veterano conta histórias pouco tradicionais em novo livro

Por Tanya Rose

Ele nunca foi promovido acima de Soldado no Exército porque era um auto-proclamado “zé ninguém”, um soldado sem pretensões que fazia tudo menos seguir ordens.

Ele teve encontros curiosos com o General George Patton – “O” Patton – e acha que ele era um homem doido, um maluco. E Ralph Bittner, 86 anos, diz que “não fez nada” para ganhar a Bronze Star que está numa moldura na parede do seu belo apartamento em Concord.

Estas não são as histórias de guerra que você costuma ouvir de um veterano da Segunda Guerra. Se quer do tipo mais comum, não vai encontrá-las no livro de Bittner, “A Soldier’s Vignettes of WWII”, uma curta e divertida olhada no passado do autor.

Eles distribuíam aquelas medalhas (Bronze Star) como doces – não dou a mínima pra isso”, diz ele. “Era como quando um barbeiro dá um pirulito para uma criança para ela parar de chorar. É tolice”.

Ele pode soar um pouco antipatriótico, mas leia seu livro por mais de um minuto e você estará gargalhando alto com os absurdos.

Bittner nasceu em Connellsville, Pennsylvania, um de 15 filhos. Ele alistou-se no Exército antes de seu 20º aniversário, baseando-se num anúncio de jornal do governo dizendo que ele poderia escolher sua carreira militar. Era uma mentira, ele diz. Mas ele percebeu isso tarde demais – após assinar na linha pontilhada. O oficial de recrutamento riu de sua ingenuidade, e Bittner jurou vingança.

Aquele oficial arruinou um bom soldado”, ele diz. “Ninguém mente pra mim e ri na minha cara”. E assim foi, o tom que marcaria o resto de sua carreira militar – todos os três anos, quatro meses, cinco dias e 11 horas e meia.

Enquanto estava em Arlon, na Bélgica, Bittner teve seu primeiro episódio com Patton e seu estilo agitado. Ele viu Patton pela primeira vez, um bem-conhecido General do Exército
mais tarde imortalizado num filme, descendo uma estrada num jipe com duas bandeiras vermelhas fincadas no capô. Todos os outros generais haviam se reunido numa casa para uma conferência em 23 de dezembro de 1944, Bittner lembra-se, apenas alguns dias antes de sua unidade entrar em Bastogne. Bittner descreveu uma linha de jipes estacionados em frente da casa.

Normalmente, aquele tipo de padrão de estacionamento seria uma dica fatal para um inimigo sobrevoando a área, de que um grupo de pessoas importantes estava reunido ali. Mas naquele dia o céu estava encoberto, o que impossibilitava o reconhecimento aéreo, lembra Bittner. Omar Bradley, um dos principais comandantes norte-americanos no Norte da África e Europa, também estava na casa.

Bittner estava parado lá segurando a porta do carro para Bradley, quando este parou e ficou ao lado do ombro direito de Bittner, e Patton parou ao lado do ombro esquerdo dele, encarando a casa e o resto dos generais. Foi quando aconteceu.

Bittner escreveu: “Patton olhou por cima do meu nariz e do de Bradley, e avistou os jipes enfileirados... ficou irado e começou a gritar ‘Mas que p#$%@ que essas p#%&@$ desses jipes estão fazendo estacionados aqui fora, p#$%@?’

Bradley se curvou por cima de Bittner e calmamente explicou para Patton sobre o céu encoberto, então disse, “George, não há razão para mover os jipes agora, já estamos de saída”.

Patton virou-se e gritou para os motoristas, que tinham corrido para os carros uns momentos antes: “Pra que estão mexendo nesses carros? Estamos saindo!

Bittner nunca participou de uma batalha, mas estava presente na famosa curva de 90 graus em Bastogne durante a Batalha das Ardenas em 1944. Ele disparou sua arma somente uma única vez – contra uma aeronave inimiga que passava, só pra ouvir seus superiores gargalhando por vê-lo fazer algo tão idiota. Por todo o livro, há tiradas como essa:

Era um plano de doido, e Hitler na época era um doido varrido. Uns meses antes, quase tinha sido explodido em sua Toca do Lobo”.

A família de Bittner sempre o cobrou para escrever um livro. Então sua sobrinha presenteou-o com um notebook ano passado e, com 85 anos, ele aprendeu a digitar e escreveu o livro. Levou oito meses, e agora o livro está disponível nas principais livrarias americanas.

Ele não está orgulhoso de seu serviço durante a guerra, mas está orgulhoso por ter vivido tanto. Qual o segredo? “Ser teimoso”, ele diz.

Ele não leva a vida muito a sério. “Todo mundo precisa de problemas de vez em quando para sentir-se vivo”, ele diz.

Fonte: Contra Costa Times, 14 de agosto de 2008.

Veja também:
>>Filmes: Patton - Rebelde ou Herói?
>>O "novo discurso" do General Patton
>>Alto-Comando Norte-Americano - 1945
>>EUA vão reformar base que "parece suástica"
>>America's War
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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Don Agustín Muñoz Grandes


Don Agustín Muñoz Grandes
Generalleutnant
(1896 - 1970)

Agustín Muñoz Grandes nasceu em 27 de janeiro de 1896, proveniente de uma humilde família de Carabanchel Bajo, Madri. Em sua adolescência, ingressou na Academia Militar de Infantaria em Toledo. Após graduar-se, foi enviado para o Marrocos em 1915. Dez anos depois, em 1925, tomou parte na Batalha de Alhucemas, onde foi gravemente ferido em combate. Muñoz Grandes recusou a designação para ajudante-de-campo do Rei Alfonso XIII, preferindo continuar sua carreira na colônia.

Ele ascendeu na hierarquia militar durante o governo republicano de 1931 e tornou-se comandante da Guarda de Assalto. Nessa época ele envolveu-se no sufocamento de rebeliões na área das Astúrias. Em 1933 foi designado primeiro chefe e fundador do Corpo de Segurança e Assalto, permanecendo à frente da nova polícia republicana. Muñoz Grandes adquiriu grande fama de líder competente por organizar as tropas regulares no Marrocos, tornando-se o responsável máximo pela ordem pública nas grandes cidades. Suas ordens nunca foram questionadas, e quando colocou-se ao lado do General Francisco Franco no começo da Guerra Civil Espanhola, a grande maioria de seus soldados o seguiu.

Em 1937 ele foi para a frente de batalha no comando da IV Brigada Navarra, ascendendo ao generalato pouco depois e recebendo o comando do Corpo de Exército Marroquino. Ao fim da guerra em 1939, foi membro do gabinete do novo governo, sendo secretário-geral do Partido Falangista e, mais tarde, governador militar do Campo de Gibraltar.

Em junho de 1941, quando a Alemanha invadiu a União Soviética, Franco ofereceu a Hitler uma unidade de voluntários espanhóis para ajudar na frente de batalha, a 250ª Divisão de Infantaria, popularmente conhecida como “Divisão Azul”. Para comandar a unidade, Franco escolheu Muñoz Grandes, que já conhecia os alemães, tendo sido a certa altura assessor tático de Wilhelm Canaris durante a guerra civil. Em setembro de 1941, Muñoz Grandes, com a patente de Generalmajor na Wehrmacht, foi ao quartel-general de Rastenburg para uma entrevista com Hitler, que identificou-se com o general espanhol.

A 250ª Divisão foi incorporada ao XVI Corpo de Exércitos no Grupo de Exércitos Norte e recebeu uma frente de 50 km para defender ao longo do rio Volkhov. Durante o inverno de 1941-42 os soviéticos fizeram diversas tentativas de cruzar o rio e conseguir uma cabeça-de-ponte para aliviar o cerco à cidade de Leningrado, mas as tentativas foram repelidas pelos espanhóis. Em reconhecimento à bravura em combate mostrada por sua unidade, Muñoz Grandes foi promovido a Generalleutnant e recebeu de Hitler a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 12 de março de 1942.

Em dezembro de 1942, Franco chamou Muñoz Grandes de volta à Espanha, passando o comando da divisão para o Generalmajor Emilio Esteban Infantes, também veterano falangista da guerra civil. Muñoz Grandes ainda recebeu as Folhas de Carvalho para sua Cruz do Cavaleiro em 13 de dezembro, antes de partir para casa. Na Espanha, foi também promovido a Tenente-General por Franco, o que muitos consideram uma estratégia para mantê-lo longe do contato direto com as tropas, visto que Muñoz Grandes tinha se “identificado demais” com a causa alemã e a situação da guerra naquele ponto já não os favorecia.

Após o fim do conflito em 1945, Muñoz Grandes foi elevado ao posto de Capitão-General, o equivalente espanhol para Marechal-de-Campo, e comandante do I Distrito Militar. Em 18 de julho 1951, foi feito Ministro da Defesa. Ocupou o cargo de Vice-Presidente de Franco entre 1962 e 1967.

Muñoz Grandes sempre foi um militar austero, preferindo um estilo de vida simples se comparado a outras grandes figuras do regime franquista. Ainda assim, era um soldado fiel ao governo, e muitos o consideravam o possível sucessor de Franco, mas ele faleceu antes de seu chefe, em 11 de julho de 1970, de câncer nos rins aos 74 anos de idade. Sua personalidade e fidelidade ao governo ficaram patentes durante as greves gerais das minas de carvão nas Astúrias, que balançaram o país em 1962. Vencido em sua vontade de não responder à uma delegação de jornalistas italianos, ele deu uma curtíssima coletiva de duas frases: “Não senhores, o governo de Franco não vai cair” e “Boa tarde”.

Veja também:
>>Gerd von Rundstedt
>>Hermann Priess
>>Eduard Dietl
>>Fedor von Bock
>>Hermann Hoth
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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Amiot 351


ORIGENS

Se o Amiot 143 foi considerado, justa ou injustamente, a aeronave mais feia produzida pela França no período entre-guerras, o protótipo do bombardeiro Amiot 340, que voou pela primeira vez em 6 de dezembro de 1937, tinha o direito de clamar o título de mais elegante aeronave desenhada por qualquer país até então. Teve sua origem como correio aéreo de longo alcance (tendo um único protótipo assim construído, designado Amiot 341), mas antes disso havia voado experimentalmente como bombardeiro bimotor de três lugares. Utilizava dois motores radiais Gnome-Rhône 14N 0/1 de 920 hp cada.

DESENVOLVIMENTO

Dessa forma, voou oficialmente para testes em março de 1938. Como resultado desses testes, o Service Technique de l'Aeronautique orientou a Amiot sobre as modificações requeridas para se dar início à produção. Essas modificações se juntaram com desenvolvimentos introduzidos pela fábrica, que incluíam a instalação dos novos motores Gnome-Rhône 14N 20/21 de 1.020 hp, uma nova acomodação para um quarto tripulante como artilheiro inferior, e uma nova cauda dupla em diedro.

Com essa forma, foi redesignado Amiot 351, sendo entregue para testes de vôo em fins de janeiro de 1939. Esses testes, conduzidos com sucesso, levaram a um número de variantes, sendo que três delas foram construídas como protótipos e outras não saíram do papel. As versões de produção incluíam o Amiot 351 e Amiot 354, esses diferindo do protótipo Amiot 351 por terem envergadura um pouco reduzida, comprimento aumentado em 50 cm e uma redução na área alar de 0.5 metro quadrado.

O Amiot 351 de série manteve a cauda dupla do protótipo, com superfícies ampliadas, mas o Amiot 354 voltou a ter cauda única, como no protótipo Amiot 340. No geral, tinham estruturas similares, sendo monoplanos de asa mediana com trem de pouso retrátil. As acomodações da tripulação se dividiam em bombardeador/navegador (que operava uma metralhadora MAC de 7,5 mm) no nariz envidraçado da fuselagem, piloto no cockpit, um artilheiro na torre dorsal (com um canhão de 20 mm), e um operador de rádio/artilheiro (usando uma metralhadora de 7,5 mm) num compartimento no ventre atrás do compartimento de bombas (com capacidade de 1.200 kg de explosivos).

Os motores eram diferentes entre as versões de produção, com o Amiot 351 usando dois Gnome-Rhône 14N 38/39 de 950 hp cada, o projeto Amiot 352 com os Hispano-Suiza 12Y 50 /51 de 1.100 hp cada, e o também projeto Amiot 353 com dois Rolls-Royce Merlin III de 1.030 hp. O Amiot 354 tinha dois Gnome-Rhône 14N 48/49 de 1.044 hp cada, seguindo-se dois protótipos e um projeto. O primeiro deles era o Amiot 355 com motores Gnome-Rhône 14R 2/3 de 1.200 hp com supercharger de duas velocidades. Depois, o Amiot 356, que utilizava dois Rolls-Royce Merlin X de 1.130 hp cada, e finalmente, o Amiot 357, que seria um bombardeiro de grande altitude pressurizado e com motores Hispano-Suiza 12Y com turbocharger.

Toda essa atividade sugeria um vasto programa de produção, mas esse não era o caso. Ainda que a França estivesse muito preocupada com os problemas internacionais, a reorganização de suas manufaturas aeronáuticas em uma indústria nacionalizada não poderia ter vindo em pior tempo. Até mesmo as companhias que não quiseram fazer parte da empreitada, sendo a Amiot uma delas, foram afetadas pelas mudanças em todos os setores da indústria. Isso significava que todos os exemplares de produção, oriundos de protótipos extremamente promissores que haviam voado a partir de dezembro de 1937, só entrariam em operação tarde demais para tentar impedir o avanço das divisões alemãs da Blitzkrieg.

EM OPERAÇÃO

Os primeiros dois Amiot 354, por exemplo, só foram entregues a uma unidade operacional em 7 de abril de 1940, e do total de 62 exemplares entregues antes da rendição francesa em junho de 1940, apenas alguns foram usados operacionalmente por falta de armamento e equipamento, ou foram destruídos no solo por ataques alemães. Outros passaram por revisão geral, sendo equipados com tanques de combustível adicionais no compartimento de bombas, e foram usados pela Air France em serviços entre Vichy e os territórios do além-mar.

Quatro exemplares do Amiot 354 foram capturados pelos alemães e utilizados pela Luftwaffe. Um deles foi abandonado quando a Wehrmacht recuou para a Alemanha e acabou servindo com o Groupe de Liaisons Aeriennes Ministerielles a partir de 1946.

DADOS TÉCNICOS (Amiot 354)

Tripulação: 1
Comprimento: 14,5 m
Envergadura: 22,75 m
Altura: 4,06 m
Área alar: 67 m²
Peso vazio: 4.270 kg
Peso cheio: 11.285 kg
Motor: 2× Gnome-Rhône 14N 48/49 de 1.044 hp (780 kW)
Velocidade máxima: 480 km/h
Alcance: 3.500 km
Teto operacional: 10.000 m
Armamento: 1× canhão de 20 mm, 2x metralhadoras MAC 1934 de 7,5 mm, 1.250 kg de bombas

Veja também:
>>Morane-Saulnier MS.406
>>Potez 630
>>Bloch MB.152
>>Gabriel Gauthier
>>Vídeo: O show dos Moranes
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quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Primeiro-Ministro japonês queria continuar a luta


Primeiro-Ministro japonês queria continuar a luta


Hideki Tojo, Primeiro-Ministro do Japão durante a maior parte da Segunda Guerra Mundial, queria continuar a luta após os bombardeios atômicos, já que considerava a rendição uma desgraça, de acordo com jornais japoneses nesta terça-feira.

Tojo, General do Exército que ordenou em 1941 o bombardeio de Pearl Harbor e trouxe os Estados Unidos para a Segunda Guerra Mundial, deixou o cargo de premiê em 1944, após a maré da guerra virar contra o Japão. Ele foi enforcado como criminoso de guerra em 1948, por ordens de uma corte Aliada.

Na expectativa do aniversário da rendição japonesa na próxima sexta-feira, o jornal Nikkei disse que descobriu os diários de Tojo contendo os últimos dias da guerra. “Sem empregar totalmente suas habilidades no momento final, a nação imperial está se rendendo perante a propaganda inimiga”, escreveu Tojo, como citado pelo jornal.

Nunca imaginei o torpor dos líderes da nação e do povo”, ele escreveu. Tojo disse que o Japão estava se rendendo por medo de mais bombardeios atômicos e da União Soviética entrar na guerra do Pacífico. Mas Tojo alertou o Japão: “Sairemos como completos perdedores ao aceitarmos a rendição incondicional, mesmo que sejam feitas poucas demandas”.

O propósito da Grande Guerra do Leste Asiático foi atingir um leste asiático estável para a sobrevivência e defesa da nação”, escreveu. “O sacrifício de tantas pessoas que morreram na guerra terá sido em vão se este propósito não for atingido”. Os Estados Unidos destruíram as cidades de Hiroshima e Nagasaki nos únicos bombardeios atômicos da história em 6 e 9 de agosto de 1945, matando mais de 210.000 pessoas. Logo depois, o Japão aceitou a Declaração de Potsdam, na qual os Estados Unidos, Grã-Bretanha e China demandaram a rendição incondicional do país em face de enfrentar “pronta e total destruição”.

Tojo disse que manteve o silêncio perante o público para não “perturbar o sagrado anúncio” do Imperador Hirohito, que falou em público pela primeira vez em 15 de agosto de 1945 para anunciar a rendição.

Tojo tentou sem sucesso suicidar-se antes de ser preso por forças americanas. Hideki Tojo permanece uma figura controversa no Japão. Sua neta, Yuko Tojo, tem tentado sem sucesso no parlamento uma moção para reabilitar o nome do falecido Primeiro-Ministro e a história de guerra do Japão.

Fonte: Yahoo News, 12 de agosto de 2008.

Veja também:
>>O samurai solitário que bombardeou a América
>>Convocado em 13 de agosto e levado a um gulag soviético
>>Filmes: Tora! Tora! Tora!
>>Rendição poupou um jovem, duvidoso kamikaze
>>Veterano devolve bandeira japonesa da Segunda Guerra
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terça-feira, 12 de agosto de 2008

Bastidores do último ano da guerra


Bastidores do último ano da guerra

Por Dan Krieger

Somente sete sapos e um pouco de grama foi a nossa refeição noturna, então todos foram dormir cansados e com fome”. A saga do Primeiro-Tenente Ernest E. Caudle e a tripulação do B-29 N° 829, batizado “CAIT PAOMAT II”, é uma das menos conhecidas histórias do último ano da Segunda Guerra Mundial. A próxima quinta-feira marca a data da rendição japonesa em 1945.

Muitos de nós já somos familiarizados com o papel do Boeing B-29 Superfortress, o maior avião produzido em massa na época, no bombardeio incendiário do Japão e no lançamento das duas bombas atômicas de bases em ilhas do Pacífico à leste do Japão.

O que é pouco conhecido são as missões dos B-29 partindo de Chengdu, na China, para bombardear as siderúrgicas imperiais em Yawata, começando em junho de 1944. Esses foram os primeiros ataques às ilhas japonesas desde o ataque de Doolittle em 1942.

Grandes distâncias eram percorridas e, enquanto o B-29 tinha teto operacional de quase 13.000 metros, o bombardeio geralmente acontecia a níveis mais baixos e suscetíveis às armas antiaéreas japonesas. Aeronaves muito danificadas tinham pouca chance de retornar a Chengdu. A melhor alternativa era rumar noroeste para a Sibéria.

A União Soviética era aliada dos Estados Unidos na luta contra Hitler. No leste da Ásia, Stalin mantinha estreita neutralidade para com o Japão e não declarou guerra até 8 de agosto de 1945, um dia antes do lançamento da segunda bomba atômica, sobre Nagasaki.

Pilotos americanos que saltavam ou faziam pouso forçado em território soviético eram rigorosamente, mesmo que educadamente, questionados e eventualmente enviados para Tashkent, no remoto Uzbequistão, onde muitos tiveram que ficar até o fim da guerra.

A tripulação de Caudle partiu de Chengdu para um ataque diurno contra as siderúrgicas em 20 de agosto de 1944. O tempo estava excelente, mas a aeronave foi avistada. Recebeu antiaérea pesada, e seus motores começaram a vazar óleo. Percebendo a impossibilidade de retornar à base chinesa, o comandante, Major Richard McGlinn, virou sua aeronave danificada na direção de Vladivostok, na Sibéria.

Uma vez sobre o continente asiático, ele e seu co-piloto, Caudle, colocaram a aeronave no piloto automático, esperando que pousasse sozinha. Então ordenou que sua tripulação de 10 homens pulasse.

Caudle casou-se com sua esposa, Helen, em Selma, perto de Fresno, em 1942. Sua filha, a professora de piano Carol Russell, veio para San Luis Obispo em 1968 quando seu marido, John, juntou-se à escola de música em Cal Poly. Mais tarde seus pais a seguiram, morando em Arroyo Grande.

A história de Caudle começa logo após a meia-noite de 21 de agosto de 1944, quando ele saltou do B-29 a 3.800 metros, logo após ter empacotado três rações K, as versões de 1940 da MRE (Meal Ready to Eat) do exército atual. Cada ração K servia para um dia de alimentação.

Seus diários contam que, já que ele estava tão carregado, Caudle teve muita sorte que uma árvore amorteceu sua queda. Ele fez uma mochila com tiras de seu pára-quedas para levar seu kit de selva e suprimentos, e começou a escalar uma colina onde reencontrou o Tenente Lyle Turner.

Os tripulantes gradualmente se encontraram na floresta disparando tiros de suas carabinas M1 e pistolas calibre .38 e .45. Eles não morreriam de sede num ambiente tão úmido. Podiam purificar água com tabletes Halazone de seus kits. Mas fome era outro assunto. Rapidamente as poucas rações K acabaram.

Sapos e esquilos logo se tornaram sua fonte de alimentação, enquanto imaginavam o que lhes aconteceria uma vez que encontrassem o Exército Vermelho.

Mais da história do Tenente Caudle em breve.

Dan Krieger é professor emérito de história da Cal Poly.

Fonte: San Luis Obispo County’s Website, 10 de agosto de 2008.

Veja também:
>>Jim Pattillo: Os problemas operacionais do B-29 no CBI
>>Filmes: Tora! Tora! Tora!
>>James Doolittle
>>Nota de Falecimento: Charles W. Lindberg
>>Parada da Vitória Soviética 1945 - Em Cores
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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Nota de Falecimento: Eric Dowling


Eric Dowling
(22/07/1915 - 21/07/2008)

Faleceu em Bristol, Inglaterra, no último dia 21 de julho, de causas naturais aos 92 anos de idade, o escavador de túneis do Stalag Luft III, Eric Dowling.

Nascido no sudoeste da Inglaterra, Dowling juntou-se à RAF e tornou-se navegador num bombardeiro Vickers Wellington, que foi derrubado sobre a Alemanha em abril de 1942. Capturado, ele foi então enviado ao campo de prisioneiros aviadores Stalag Luft III, em Sagan (hoje Zagan, na Polônia). O comitê de fugas do campo organizou um plano audacioso para libertar 250 internos, cavando simultaneamente três túneis. Esta fuga ficou mundialmente conhecida pelo filme Fugindo do Inferno, de 1963. Dowling, que ganhou o apelido de "Digger" (escavador), foi um dos que trabalhou na construção do túnel Harry, usado na fuga após os alemães descobrirem os outros dois túneis. Ele escavou o estreito túnel a 9 metros de profundidade, sob constante risco de desabamento devido ao solo fofo. Conhecido por sua escrita detalhista e metódica, Dowling também era o "forjador" do campo, confeccionando documentos falsos e mapas.

Ele, contudo, não foi um dos 250 escolhidos para fugir, pois seu trabalho era deveras precioso para o comitê. O 77º homem a sair do túnel para fora do campo foi avistado por uma sentinela, que soou o alerta geral. Dos 76 que escaparam, somente três não foram recapturados, e 50 deles foram fuzilados por ordem de Hitler. Dowling permaneceu prisioneiro até o fim a guerra, tendo sido forçado a marchar em pleno inverno de janeiro de 1945 para outro campo no interior da Alemanha, para escapar do avanço soviético.

Após a guerra, ele permaneceu na RAF e foi enviado à Noruega para investigar locais de queda de aeronaves. Foi lá que conheceu sua esposa, Marie, que faleceu em 1997. Mais tarde ele ainda trabalhou para a British Aerospace no projeto do supersônico Concorde. Eric Dowling faleceu durante o sono um dia antes de seu 93º aniversário. Deixa um filho e uma filha.


Eric Dowling em anos recentes.
Veja também:
>>Filmes: Fugindo do Inferno
>>Nota de Falecimento: Sir Tasker Watkins
>>Nota de Falecimento: John Hereford
>>Nota de Falecimento: Anthony Rolt
>>Nota de Falecimento: "Bam" Bamberger
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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Nakajima Ki-84 Hayate "Frank"


ORIGENS

No verão de 1944, o Exército Imperial Japonês introduziu em serviço operacional seu novo interceptador e caça-bombardeiro monoposto: o Nakajima Ki-84 Hayate. Com manobrabilidade e razão de subida inquestionavelmente melhores que as o North American P-51H Mustang e do Republic P-47N Thunderbolt que operavam no teatro de guerra do Pacífico, o Hayate foi encontrado em todas as zonas operacionais e era altamente eficiente em grandes altitudes.

Conhecido pelo codinome Aliado "Frank", o Ki-84 teria representado um problema considerável para a USAAF se tivesse aparecido antes e em maiores números. Quando de fato surgiu, a superioridade numérica dos Aliados fez com que os japoneses sobrecarregassem seus Hayates, trazendo à tona problemas de operação e manutenção que não surgiriam com o uso mais moderado do aparelho.

DESENVOLVIMENTO

O desenho desse novo caça começou no início de 1942 e o primeiro protótipo voou em abril de 1943, com seus primeiros testes indo tão bem que o primeiro lote de 83 aeronaves para testes em serviço foi encomendado apenas quatro meses depois. Era um monoplano de asa baixa totalmente construído em metal (exceto superfícies de controle), com trem de pouso retrátil. O Ki-84 Hayate possuía um motor radial Nakajima Ha-45 de 1.990 hp e era armado com duas metralhadoras de 12,7 mm na fuselagem e dois canhões de 20 mm nas asas.

Testes de serviço em condições operacionais foram suficientemente convincentes para que o Nakajima Ki-84 entrasse em larga produção no fim de 1943, sob a designação Army Type 4 Fighter Model 1A Hayate (Nakajima Ki-84-Ia). Suas variantes incluíam o Ki-84-Ib armado com quatro canhões de 20 mm, e o Ki-84-Ic com dois canhões de 20 mm e outros dois de 30 mm.

EM OPERAÇÃO

O primeiro grande envolvimento operacional do "Frank" foi na batalha do Golfo de Leyte em fins de 1944, e daquele momento até o fim da guerra no Pacífico o Ki-84 era encontrado em qualquer lugar onde houvesse ação intensa. Foi usado como caça para atacar e repelir os americanos, que cada vez mais se aproximavam do arquipélago do Japão; como bombardeiro de mergulho para destruir as pistas de pouso insulares inimigas; como caça-bombardeiro em ataques às bases americanas em Okinawa e finalmente, como interceptador na defesa aérea de Tóquio.

Na tentativa de conseguir uma composição em liga leve das três variantes do Hayate, apareceu uma nova construção. Apenas a primeira entrou em produção, o Ki-84-II, que introduziu pontas das asas e fuselagem traseira em madeira. Construídos em duas sub-variantes, estes diferiam entre si somente por terem armamento similar aos Ki-84-Ib ou Ki-84-Ic. As outras duas aeronaves dessa categoria foram os três protótipos Ki-106, totalmente construídos em madeira, e um único Ki-113, que utilizou uma cota predeterminada de aço, para o mesmo propósito de economizar o metal. Somente outro protótipo solo foi construído e voado, o experimental Ki-116, que foi convertido de um Ki-84-Ia, sendo mais leve e equipado com um motor radial Mitsubishi Ha-33 de 1.500 hp.

CONCLUSÃO

Quando a produção foi encerrada em agosto de 1945, um total de 3.514 Ki-84 Hayates haviam sido entregues, construídos pela Nakajima (3.416), Mansyu (95) e Tachikawa (3). Um feito impressionante realizado em pouquíssimo tempo, resultado de um programa que dava ao Hayate a mais absoluta prioridade. Com certeza o Ki-84 foi uma arma incrível, e uma prova de que a engenharia aeronáutica japonesa estava à altura de qualquer adversário.

A situação do conflito quando da sua aparição já era totalmente favorável aos Aliados, que mesmo estando em número incrivelmente superior, ainda respeitavam o Nakajima Ki-84. Muitas vezes quando ele despontava em algum visor de radar americano, o operador comunicava aos pilotos de Mustang e Corsair no ar: "Esqueçam, é um Frank".

DADOS TÉCNICOS (Ki-84-Ia)

Tripulação: 1
Comprimento: 9,93 m
Envergadura: 11,23 m
Altura: 3,38 m
Área alar: 21 m²
Peso vazio: 2.665 kg
Peso cheio: 3.616 kg
Motor: 1× Nakajima Ha-45-21 de 1.990 hp (1.485 kW)
Velocidade máxima: 627 km/h
Alcance: 2.155 km
Teto operacional: 10.500 m
Armamento: 2× canhões Ho-5 de 20 mm, 2x metralhadoras Ho-103 de 12,7 mm, 500 kg de bombas

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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Veteranos alemães homenageiam Marseille


Vídeo de uma homenagem feita por veteranos alemães ao ás Hans-Joachim Marseille, morto em 30 de setembro de 1942 sobre o Egito. Uma pequena pirâmide foi erguida em sua memória, no local exato da queda de seu Messerschmitt. O memorial conta com uma placa de identificação em alemão e árabe:



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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Friedrich Guggenberger


Friedrich Guggenberger
Kapitänleutnant
(1915 - 1988)

Friedrich Guggenberger nasceu em Munique, no dia 6 de março de 1915. Ele juntou-se à Kriegsmarine em setembro de 1934 como cadete. Logo após o início da guerra, em outubro de 1939, ele foi transferido para os submarinos, com a patente de Oberleutnant zur See. Após completar o treinamento ele foi designado para o U-28 comandado por Günther Kuhnke, como oficial de observação. Provando-se um marinheiro capaz, ele foi postado em 16 de novembro de 1940 na flotilha de instrução, para treinar como comandante.

Em fevereiro de 1941 ele recebeu seu próprio Tipo VIIC, o U-81. Como a grande maioria dos comandantes, Guggenberger experimentou um começo um pouco lento. Sua primeira patrulha começou em 21 de junho de 1941 em Kiel, uma breve ronda das águas do norte que o levou a Trondheim uma semana depois. De lá, ele partiu novamente em uma patrulha que o levaria a Kirkenes em 7 de agosto, retornando a Trondheim após mais uma semana. Nada aconteceu durante essas patrulhas.

Em 13 de agosto, no entanto, Guggenberger levou o U-81 para a 1ª Flotilha de Submarinos na nova base de Brest, na costa atlântica da França. Durante o trajeto, ele interceptou um comboio Aliado, afundando os dois pequenos mercantes Empire Springbuck e Sally Maersk, totalizando quase 9.000 toneladas. Após três semanas no mar ele chegou a Brest em 19 de setembro, sendo promovido a Kapitänleutnant naquele mês. Após uma tranqüila patrulha partindo de uma base francesa, Guggenberger recebeu ordens de transferir-se para o Mediterrâneo, partindo em 4 de novembro.

Ele fez uma bem-sucedida passagem pelo Estreito de Gibraltar e chegou a La Spezia, na Itália, após 36 dias no mar – durante os quais fez mais adições ao recorde operacional do U-81: na noite de 11 para 12 de novembro, Guggenberger passou com seu barco por Gibraltar na superfície. Logo após entrar no Mediterrâneo ele foi direcionado para um grupo de belonaves britânicas que tinha sido avistado por aeronaves de reconhecimento italianas. Era a Força H, que incluía o couraçado HMS Malaya e o porta-aviões HMS Ark Royal, bem um como um porta-aviões menor, um cruzador e destróieres de escolta.

Em 13 de novembro, Guggenberger aproximou-se da força inimiga, que navegava para oeste, vinda do norte. Ele executou um ataque com torpedos, e às 15:41h o Ark Royal foi atingido a estibordo perto da sala das caldeiras. O porta-aviões imediatamente começou a pender e fazer água. Contramedidas no lado de bombordo novamente o nivelaram, mas o dano foi tão sério que um destróier foi trazido ao seu lado para transferir a tripulação. Surpreendentemente, somente um tripulante morreu; o restante foi evacuado em segurança antes que o porta-aviões afundasse no dia seguinte. Em reconhecimento a este feito, Guggenberger foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 10 de dezembro de 1941, bem como a Medaglie d’Argento al Valor Militare.

O Kapitänleutnant Guggenberger permaneceu no Mediterrâneo por mais seis patrulhas. Uma patrulha de cinco semanas em janeiro de 1942 transcorreu sem eventos. Mas a próxima, em 4 de abril, foi altamente bem-sucedida, adicionando mais seis navios ao seu histórico: dois pequenos cargueiros egípcios, o Fatouh el Kher e Babe el Farag; o francês Viking e o inglês Caspia; seguidos por outros dois navios egípcios, o Hefz el Rahman e o El Saadiah. Sua próxima patrulha, saindo de Salamis, na Grécia, em 6 de maio, não obteve sucessos. A seguinte também foi fraca: somente um navio, o inglês Brambleleaf, foi afundado. Em 5 de outubro, o U-81 partiu de La Spezia em sua décima-primeira patrulha, afundando os cargueiros britânicos Garlinge e Maron durante uma jornada de seis semanas.

Em 8 de janeiro de 1943, Guggenberger foi condecorado com as Folhas de Carvalho da Cruz do Cavaleiro. Ele comandou por breve período o U-847, antes de se juntar ao estado-maior do comandante dos submarinos, Karl Doenitz. Em maio de 1943 ele recebeu o comando do Tipo IXC/40 U-513. Ele partiu de Lorient em 18 de maio, e durante essa primeira patrulha no novo barco, ele navegou até a costa brasileira. Em 21 de junho ele afundou o navio sueco Venezia. Quatro dias mais tarde ele danificou o americano Eagle; em 1 de julho afundou o brasileiro Tutóia, e dois dias mais tarde o americano Elihu B. Washburne. Em 16 de julho ainda afundou o americano Richard Caswell, mas sua sorte acabaria em três dias. Em 19 de julho de 1943 seu barco foi pego na superfície por uma aeronave americana e afundado; seriamente ferido, Guggenberger tomou um bote salva-vidas com outros seis sobreviventes, sendo resgatado no dia seguinte pelo cruzador USS Barnegate.

Após um demorado tratamento hospitalar para suas feridas, em janeiro de 1944 Guggenberger foi enviado para um campo de prisioneiros no Arizona. Em 23 de dezembro daquele ano, ele e outros 24 submarinistas conseguiram escapar do campo, mas acabou sendo recapturado em 6 de janeiro de 1945 a apenas 6 quilômetros da fronteira mexicana. Transferido para um campo na Alemanha após a guerra, ele foi finalmente libertado em agosto de 1946.

Guggenberger voltou ao serviço militar e tomou parte na reconstrução da Marinha Alemã. Ele atingiu a patente de Konteradmiral e se tornou Chefe de Estado-Maior do quartel-general da OTAN na AFNORTH antes de aposentar-se em 1972. Friedrich Guggenberger saiu de sua casa, em Erlenbach am Main, para um passeio na floresta em 13 de maio de 1988, mas nunca retornou. Aparentemente morto num acidente florestal aos 73 anos de idade, seu corpo somente foi encontrado dois anos depois.

Veja também:
>>Günther Prien
>>Nota de Falecimento: Hans-Georg Hess
>>Nota de Falecimento: Friedrich Kemnade
>>Francesco Mimbelli
>>Nota de Falecimento: Sir Anthony Troup
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terça-feira, 5 de agosto de 2008

Velho soldado devolverá bandeira alemã


Velho soldado devolverá bandeira alemã


Um veterano de guerra está retornando para a Alemanha para devolver uma bandeira escolar que ele tomou há mais de 60 anos.

Larry Southgate, 83 anos, de Cheadle Hulme, foi convidado a voltar à Velbert, na Alemanha – a cidade em que ele estava estacionado no fim da Segunda Guerra Mundial – para poder devolver a bandeira que ele pegou da escola da cidade.

O pensionista disse: “Eu tinha 20 anos e como todo jovem da minha idade naquele tempo eu queria encontrar algo que pudesse levar como souvenir, então fui procurar na escola”.

Eventualmente me deparei com uma bandeira com o nome da escola inscrito, mas estava mais interessado no fato de que o verso da bandeira era feito de feltro verde. O emblema do nosso quepe na época era um pequeno dragão que requeria um pequeno pedaço de feltro verde atrás, então encontrar a bandeira foi muita sorte, para mim e para meus dois amigos”.

Larry manteve a bandeira consigo por toda sua vida no Exército e em sua aposentadoria na Inglaterra, mas recentemente resolveu devolvê-la.

Após contatar a escola na Alemanha, ele recebeu um e-mail do prefeito da cidade, Burgomeister Stefan Freitag, convidando-o a presentear a bandeira novamente à escola e tomar parte nas comemorações que marcam os 200 anos de emancipação da cidade.

Ele agora viajará para a Alemanha em agosto, com todas as despesas pagas, juntamente com seus dois filhos. Sua cunhada, que vive no norte da Alemanha, também irá comparecer às celebrações – um evento que acabou se tornando um assunto de família.

Fiquei absolutamente encantado com o convite, especialmente quando disseram que pagariam por tudo”, disse Larry. “Será maravilhoso poder voltar. Já tem alguns anos desde que estive lá e espero que tenha mudado bastante. A bandeira já esteve na Itália, Egito, Palestina, e de volta a dois lugares na Alemanha, mas nunca voltou à escola e à cidade das quais foi retirada”.

Eu realmente fico muito feliz que o ciclo tenha se fechado e eu posso devolver a bandeira mais ou menos intacta”.

Fonte: Manchester Evening News, 30 de julho de 2008.

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