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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

16 tanques Stuart do Brasil para a Inglaterra


16 tanques Stuart do Brasil para a Inglaterra


Mike Stallwood, da empresa RR Services Ltd, de Kent, trouxe para a Inglaterra 16 tanques Stuart da Segunda Guerra, e ele estão vendendo bem para ricos colecionadores que procuram algum lugar para aplicar seu dinheiro.

Quais seriam as chances de, 63 anos após terminado o conflito, encontrar-se um enorme grupo de veículos militares da Segunda Guerra – ainda mais tanques – em condições razoavelmente boas? Quase zero. Mas isso é exatamente o que Mike Stallwood, da
RR Motor Services, conseguiu. Fazendo quase tudo sozinho, ele extraiu 16 tanques leves M3 Stuart das profundezas do Brasil, e os trouxe para a Inglaterra.

Os tanques foram originalmente entregues como parte de um acordo entre Brasil e Estados Unidos entre 1942 e 1945. Cerca de 30 anos atrás, 40 dos veículos sobreviventes foram vendidos como sucata para um comerciante brasileiro que, embora não houvesse então o interesse em veículos históricos como agora (e nunca existiu no Brasil), reconheceu o potencial dos tanques como artefatos históricos. Nesse meio tempo, alguns foram vendidos como ferro-velho, mas em setembro de 2007, Mike recebeu uma dica de que um número considerável deles ainda restava. Dentro de 10 dias, ele estava num avião para o Brasil. Lá ele descobriu, num rancho remoto a cerca de 200 km ao norte de São Paulo, um eldorado dos blindados.

Lá estavam eles”, ele diz, “uma linha de tanques M3 num campo ocre e enlamaçado, ao lado de algumas velhas construções rurais. Havia vespeiros em cada um deles, mais cobras e aranhas do tamanho de pratos. Então, mesmo o ato de olhar pra eles já foi interessante. Os tanques estavam espantosamente bem conservados por dentro, considerando todo o tempo que ficaram lá, embora estivessem cobertos até cerca de cinco anos atrás”.

No ato, Mike se comprometeu a comprar todos os tanques que estivessem disponíveis, cinco M3s com motores diesel radiais de nove cilindros Guiberson – que são raros, pois somente 1.285 foram fabricados – e 11 M3A1s com motores radiais de sete cilindros Continental.

Mas fechar negócio é uma coisa, enviar os tanques para a Inglaterra é outra. A pilha de notas e papéis de legalização ficou com quase 1 centímetro de espessura e demorou quase um ano para ser completada! Então veio o pesadelo logístico de mover os tanques dali. Mike é um sujeito muito prático e, em agosto de 2008, voou para o Brasil com nada na bagagem a não ser fitas de carregamento e correntes. Lá, em condições que esgotariam o mais saudável dos cidadãos, e com a ajuda de um punhado de trabalhadores rurais, um guincho alugado, muito suor e nenhum sangue, ele carregou os 16 tanques (cada um pesando 14 toneladas) e mais 60 toneladas de peças de reposição em 10 contêineres.

Atrasos no porto somente permitiram que os contêineres chegassem ao pátio da RR Motor Services em 17 de outubro de 2008. Só então Mike pôde refletir sobre a operação. “Estou maravilhado. Quanto mais olho esses tanques, mais me dou conta de que, apesar de ter sido um pesadelo pessoal e uma das maiores aventuras da minha vida, ninguém mais vai achar 16 tanques da Segunda Guerra desse jeito novamente. Os primeiros dois que testamos estão funcionando, e espero que a maioria desses tanques volte a funcionar sem grandes trabalhos. Mas se for necessário, já tenho dois motores diesel na reserva, 11 motores a gasolina e toneladas de peças sobressalentes”.

O que nos leva à questão das vendas. Mike ainda não terminou os cálculos do custo total da operação, mas os primeiros irão para clientes preferenciais que já começaram a montar coleções. Certamente ele não está sob nenhum tipo de pressão para se livrar de nada, e deixa bastante claro que a economia em crise não irá fazê-lo abaixar seus preços. Na verdade, ele gostaria de manter alguns, e está atraído pela idéia de restaurar um para condições de passeio, mas deixar o exterior da forma como está.

Quando os colecionadores e museus estiverem satisfeitos”, Mike conclui, “não haverá muitos mais para vender. Posso antever que não terei dificuldades de vender tantos quantos eu precisar, e estou disposto a esperar e ver o que acontece com o resto. Afinal de contas, esta é a maior compra no exterior que jamais fiz, e sem sombra de dúvida, a mais interessante, desafiadora, e estimulante. Não estou com pressa”.

Fotos de John Blackman.

Fonte: Milweb, 25 de outubro de 2008.

Nota da Sala de Guerra:É, Brasil... Quem não faz, leva”.









Veja também:
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>>Vídeo: Veículos históricos italianos em parada
>>SdKfz. 302 "Goliath"
>>Mörser Karl Gerät - Isso é que é gigante!
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9 comentários:

Anonymous disse...

Caro Júlio,

A tradução deste texto ficou bem "macia", mas quando eu o li em inglês, juntei minha tremenda frustração em ver este acervo sendo "pirateado" para fora do Brasil por este "bucaneiro", com a raiva pela forma que o mesmo disse não existir interesse em veículos militares antigos no nosso país, o que é uma tremenda mentira para justificar este crime de lesa patrimônio... Bem, como vivemos em um mundo em que muitas vezes o donheiro fala mais alto, eis a\i um belo exemplo...

J Barone

Júlio disse...

João,

Só posso compartilhar de sua indignação e dizer que tal Mike está certo em pelo menos uma coisa: ninguém mais vai achar um acervo dessa envergadura dando sopa por aí. Quanta falta de tino para a conservação da memória nacional...

Por sinal, parabéns pelo DVD, assisti e gostei muito.

Abraço!

sticker disse...

I think I come to the right place, because for a long time do not see such a good thing the!
jordan shoes

Anonymous disse...

É chato ver os tanques indo embora, mas por outro lado é ótimo que tenham ido, pois aqui certamente acabariam nos fornos de alguma siderúrgica.
Melhor vê-los restaurados e preservados lá fora que derretidos aqui.
Quantos Renauts 17 ainda existem por aqui???
Viraram pregos e parafusos.

Anonymous disse...

Não sou contra não! lembro alguns anos passando por campinas,proximo ha uma consessonaria da cartepillar,no patio havia varios modelos abandonados,com certesa muitos viraram sucata!
e triste pois tais veiculos fazem parte da nossa historia, e ve-los virando pregos.e chapas de aluminio e muito triste!

valdemar disse...

Falam em manter tanques desativados como se vivessem em pais de primeiro mundo. Informar por favor onde esta escrito que podemos dirigir um tanqe desativado pelas ruas brasileiras.
O ingles merece parabens por se sijeitar a burocracia brasileira e poder levar os tanques para vende-los fora do pais.

Edmilson Beraldi disse...

Tive a sorte em conhecer tal acervo quando ainda estava em Itupeva - SP, era de propriedade de um empresário de Jundiaí e lembro que tinha outras peças interessantes também: um Jeep convertido em "ambulância" (ou coisa parecida), um outro veículo maior parecido com nossa antiga Rural Willys, também como ambulância, mas a estrela era um Sherman, que por sinal, era o que tinha o melhor aspecto de conservação.
Nota: estes Stuarts eram adaptados para o proprietários e seus amigos "brincarem" de paint ball...


Edmilson Beraldi
edmilson.beraldi@gmail.com

Alex Mendes disse...

A quem esta reclamando de "pilhagem" de nosso patrimonio é bom lembrar que, esses tanques não eram mais propriedade do exercito Brasileiro. Já haviam sido vendidos e estavam sendo usados por um empresario que fazia "guerras " de brincadeira em sua fazenda e que por algum motivo perdeu o interesse. Lembro de ter visto isso no SBT ha muito tempo e se alguem comprou melhor para os tanques que não vão ter um destino tão inglório como os dos aviões da VASP.

e antes de falar que não damos valor a nossa historia esxiste sim um exemplar de cada arma utilizada por nos em varios quarteis e bases aéreas por todo o Brasil e tanto na europa como nos Eua não existem tantas armas circulando pellas ruas a não ser por colecionadores já que lá, é mais facil encontrar peças.

Se o empresário não quis mais os tanques era direito dele e não tinha nehuma obrigação de manter nosso "patrimônio".

Alex Mendes disse...

E tem mais, se esta achando ruim por que vc mesmo não sai por ai comprando armamentos e conservando ao invés de reclamar? Mania de reclamar do Brasil e não fazern ada pra me lorar.