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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Dornier Do 17


ORIGENS

Como resposta a uma especificação emitida pela Lufthansa de 1933, especificando um avião para uso de correios e passageiros, tendo seis lugares, a Dornier desenhou um monoplano metálico de asa média a ser propelido por dois motores BMW VI de 660 hp cada.

DESENVOLVIMENTO

Três protótipos desse Dornier Do 17 foram construídos em 1934, mas embora a companhia aérea tenha realizado um programa avaliativo no começo daquele ano, a estreita fuselagem da aeronave deixava pouco espaço para acomodações dos passageiros, e os três protótipos retornaram à fábrica. Porém, o projeto tinha potencial militar, e um quarto protótipo, designado Do 17 V4, com cauda vertical dupla e fuselagem encurtada voou no verão de 1935.

Entre os protótipos de desenvolvimento, o quinto era equipado com motores Hispano-Suiza 12 Ybrs de 860 hp; o sétimo introduziu uma metralhadora MG 15 de 7,92 mm no dorso; e o décimo tinha motores BMW VI de 750 hp. A versão inicial de produção era o Do 17E-1, que havia sido desenvolvido do nono protótipo e tinha um nariz curto e extensamente envidraçado; também podia carregar 500 kg de bombas.

O reconhecedor Do 17F-1 tinha capacidade de combustível ampliada e levava duas câmeras. Ambos os modelos fizeram sua estréia operacional com a Legião Condor na Espanha em 1937. Sua performance era tal que tiveram pouca dificuldade em evitar conflitos com os obsoletos caças da Força Aérea Republicana. O bombardeiro foi apresentado ao público também em 1937, na Competição Internacional de Aeronaves Militares realizada em Dubendorf, perto de Zurique.

O protótipo Do 17 VS (ou Do 17M V1), propelido por dois motores Daimler-Benz DB 600A de 1.000 hp, rapidamente ganhou o apelido Fliegender Bleistift, ou "Lápis Voador", por causa da estreita fuselagem. Mais significativamente, era capaz de apresentar melhor performance que muitos dos caças estrangeiros presentes no evento. Logo após a demonstração em Dubendorf, a Iugoslávia mostrou-se interessada no bombardeiro, e a versão Do 17K foi desenvolvida para ela. O Do 17K era similar ao Do 17M, mas era equipado com dois motores Gnome-Rhône 14NI/2 de 980 hp. O modelo foi construído sob licença pela Drazavna Fabrika Aviona em Kraljevo. Três versões foram lá fabricadas: o bombardeiro Do 17Kb-1, e os reconhecedores Do 17Ka-2 (com capacidade de bombardeio) e Do 17Ka-3 (com capacidade de ataque).

Dois protótipos de outra versão reconhecedora que não entrou em produção foram designados Do 17L, que usavam motores radiais Bramo 323A-1 de 900 hp devido ao rareamento do motor Daimler-Benz DB 600. O mesmo motor Bramo foi usado no 13º e 14º protótipos para desenvolver uma combinação estrutura/motor para o Do 17M-1, que podia carregar 1.000 kg de bombas e era armado com três metralhadoras de 7,92 mm. A versão de foto-reconhecimento do Do 17M entrou em produção sob a designação Do 17P, propelida por dois motores radiais BMW 132N de 875 hp, e carregando câmeras Rb 20/30 e Rb 50/30, ou Rb 20/8 e Rb 50/8.

Duas aeronaves foram construídas como plataforma de teste sob a designação Do 17R, uma com motores Daimler-Benz DB 600G de 950 hp e a outra com Daimler-Benz DB 601A de 1.000 hp. Foram seguidas por três reconhecedores de alta velocidade designados Do 17S-0. Usados em testes, esses reconhecedores tinham nariz envidraçado e uma protuberância na fuselagem inferior dianteira, abrigando um artilheiro que operava uma metralhadora MG 15 de tiro traseiro.

Essas aeronaves experimentais foram logo seguidas de um pequeno lote de produção de 15 reconhecedores, sendo três Do 17U-0 e 12 Do 17U-1. A tripulação de cinco homens agora possuía dois operadores de rádio para manejar os novos rádios de comunicação e navegação.

DORNIER 17 “Z”

A maior versão de produção foi a Do 17Z, que gerou diversas variantes e teve um total de 1.700 unidades construídas entre 1939-1940. As variantes incluíam o Do 17Z-0, que era equipado com motores Bramo 323A-1 de 900 hp e três metralhadoras MG 15 de 7,92 mm, sendo bastante similar ao Do 17S. O Do 17Z-1 tinha uma metralhadora MG 15 extra no nariz, mas era restrito a carregar somente 500 kg de bombas. Essa situação foi corrigida com o Do 17Z-2, com motores Bramo 323P de 1.000 hp, oito metralhadoras MG 15 e carga de 1.000 kg de bombas. Somente 22 exemplares do reconhecedor Do 17Z-3 foram construídos, cada um equipado com câmeras Rb 50/30 ou Rb 20/30; foram seguidos pelo treinador Do 17Z-4 com controles duplos.

A versão final de bombardeio foi o Do 17Z-5, que era bastante similar ao Do 17Z-2, diferindo apenas por ter bolsas de flutuação na fuselagem e na traseira das nacelas dos motores. A produção do Dornier Do 17 foi finalizada com um único Do 17Z-6 Kauz 1, que era uma aeronave de penetração de longo alcance e caça noturno, que incorporou o nariz do Junkers Ju 88C-2 com um canhão MG FF de 20 mm e três metralhadoras MG 15 de 7,92 mm.

No entanto, para os nove Do 17Z-10 Kauz 11 que se seguiram, um novo nariz foi desenvolvido, podendo carregar quatro canhões MG FF de 20 mm e quatro metralhadoras MG 17 de 7,92 mm. Quando empregados como caças noturnos, eram equipados com radares Lichtenstein Cl e detectores infra-vermelho Spanner-11-Anlage. Versões de exportação do Do 17Z foram planejadas usando a designação geral Do 215, sendo que a primeira desenvolvida foi o Do 215A-1, com motores Daimler-Benz DB 601A de 1.075 hp, que foi encomendada pela Suécia em 1939.

Com o início da Segunda Guerra, 18 dessas aeronaves foram embargadas e convertidas para os padrões da Luftwaffe, sendo entregues como bombardeiros/reconhecedores de quatro lugares, sob as designações Do 215B-0 e Do 215B-1. Dois exemplares do Do 215B-3 foram entregues à URSS em 1940. O Do 215BA era um reconhecedor similar ao Do 215B-1, mas carregando câmeras Rb 20/30 e Rb 50/30. A última variante foi o caça noturno Do 215B-5, que tinha nariz sólido similar ao do Do 17Z-10, mas levando dois canhões MG FF de 20 mm e quatro metralhadoras MG 17 de 7,92 mm. O Do 215 também equipou as forças aéreas da Finlândia, Croácia e Itália.

CONCLUSÃO

Os Dornier Do 17s tiveram um papel muito importante durante a primeira fase da Segunda Guerra Mundial, sendo largamente utilizados em 1 de setembro de 1939, quando começou a invasão da Polônia. Atuaram timidamente na campanha da Noruega, mas mostraram toda a sua força durante a Blitzkrieg na Holanda e França, contra comboios aliados no Canal da Mancha e alvos na Grã-Bretanha durante a Batalha da Inglaterra.

Foi na Inglaterra, porém, que começou a mostrar seus pontos fracos: o armamento defensivo não era o suficiente para defendê-los dos Hurricanes e Spitfires da RAF, quando encontravam-se sem a valiosa escolta dos Bf 109. Mas apesar disso, foram ainda empregados nas invasões da Iugoslávia, Grécia e União Soviética, somente sendo retirados de serviço de primeira linha em fins de 1941.

DADOS TÉCNICOS (Do 17Z-2)

Tripulação: 4
Comprimento: 15,8 m
Envergadura: 18 m
Altura: 4,56 m
Área alar: 55 m²
Peso vazio: 5.209 kg
Peso cheio: 8.578 kg
Motor: 2× Bramo 323P de 1.000 hp (750 kW)
Velocidade máxima: 427 km/h
Alcance: 1.160 km
Teto operacional: 7.000 m
Armamento: 1× canhão MG FF de 20 mm, 5x metralhadoras MG 15 de 7,92 mm, 1.000 kg de bombas

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