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quinta-feira, 22 de maio de 2008

Mistel


ORIGENS

Em matéria de lançar aeronaves abarrotadas de explosivos contra alvos inimigos, o mais próximo que os alemães chegaram dos Kamikazes japoneses foi com o Mistel. Sua origem remete de volta à Primeira Guerra Mundial, e à defesa dos céus britânicos. Em maio de 1916 um caça Bristol Scout foi levado à altitude de 350 metros preso na seção central de um hidroavião Porte Baby, com o fim de testar a viabilidade de carregar um caça com alcance de fogo até os Zeppelins alemães que bombardeavam constantemente a Inglaterra.

Anos depois, em 1938, a Short Brothers fez voar seu composto Short Mayo, cujo o componente carregador era um grande hidroavião quadrimotor que levava no dorso um outro hidroavião quadrimotor, menor, mas com carga máxima que não podia ser levantada da água. Aumentou-se, portanto, o alcance do avião carregado.

DESENVOLVIMENTO

Em julho de 1943 o conceito foi ressuscitado, desta vez pelos alemães, como uma aeronave para propósitos militares. Começou-se experimentando aeronaves leves montadas acima de planadores. A proposta era utilizar velhas estruturas do bombardeiro Junkers Ju 88, e convertê-las em mísseis não-guiados com a instalação de uma ogiva lotada com explosivos.

Seria então voada até o alcance do alvo, controlada pelo piloto de um caça monomotor montado numa estrutura sobre a fuselagem central do bombardeiro. O caça então liberaria o Ju 88 e o guiaria até o alvo selecionado. A primeira conversão foi feita combinando-se um Ju 88A-4 com um Messerschmitt Bf 109F, se provando suficientemente bem-sucedida para que a Junkers fosse contratada para converter 15 estruturas de Ju 88A-4 para o padrão denominado “Vater und Sohn” (pai e filho) ou “Mistel” ("visco" em alemão). Recebeu esse nome por evocar algo como um parasita conectado ao hospedeiro; o programa recebeu o codinome "Beethoven".

Um lote inicial de treinadores foi produzido, usando-se um Messerschmitt Bf 109F-4 como guia. O Ju 88 foi desprovido de todo o equipamento não-essencial mas manteve posições para dois tripulantes na versão de treinamento. Na versão operacional, a parte do nariz podia rapidamente substituída por uma ogiva de 3.800 kg.

EM OPERAÇÃO

Os vôos operacionais tiveram início em 25 de junho de 1944, quando quatro navios Aliados foram atacados durante a noite, todos sendo atingidos, mas não afundados. Encorajada pelos resultados, a Luftwaffe encomendou que mais 75 caças Ju 88G-1s fossem convertidos, dessa fez utilizando-se um caça Focke-Wulf Fw 190A-6 ou Fw 190F como guia, no que seria conhecido como o Mistel 2.

Infelizmente, a combinação com o Ju 88G totalmente abastecido e armado, mais o Fw 190, fazia o bombardeiro ficar consideravelmente sobrecarregado, originando uma série de acidentes durante as decolagens. Os planos para um ataque noturno contra a frota britânica em Scapa Flow por 60 Mistels, marcado para dezembro de 1944, foram cancelados por causa do tempo ruim. As aeronaves não foram capazes de deixar suas bases dinamarquesas, talvez para a sorte da própria Luftwaffe, já que o Mistel só era capaz de uma velocidade de 380 km/h. A esquadrilha provavelmente teria sido dizimada pelos caças noturnos ingleses.

O próximo ataque seria contra as fábricas de munição soviéticas, que fora planejado para março de 1945. Um total de 125 Mistels estavam então encomendados, dos quais 100 foram requisitados para essa operação. No entanto, o ataque foi cancelado quando grupos avançados do Exército Vermelho ocuparam os aeroportos que seriam usados. Alguns ataques esporádicos foram realizados contra pontes nos fronts leste e oeste, mas os Mistel sofreram pesadas baixas.

O desenvolvimento continuou, entretanto, incluindo o uso dos novos Ju 88G-10 e Ju 88H-4 na linha de produção. Os Ju 88H-4 foram associados a Focke-Wulf Fw 190A-8s e batizados Mistel 3B. Já os Ju 88G-10 presos a caças Fw 190A-8 com tanques alares de longo alcance, se tornaram o Mistel 3C. Um papel diferente foi entregue a um Mistel 3B modificado, que recebeu um Ju 88 reconhecedor de longo alcance com três tripulantes. Essa versão levava seu Fw 190 de escolta, que seria lançado somente numa emergência. Uma das últimas combinações Mistel experimentou um Focke-Wulf Ta 152H Langnasse com um Ju 88G-7, e voou durante as últimas semanas da guerra.

CONCLUSÃO

O total de produção do Mistel ficou em cerca de 250 unidades. As especificações detalhadas de performance do Mistel não são conhecidas, mas algumas referências podem ser obtidas analisando-se os tipos individuais e as aeronaves utilizadas.

Veja também:
>>Messerschmitt Me 323 Gigant
>>Horten Ho 229
>>Vídeo: Abertura de "Taken"
>>Focke-Wulf Triebflugel
>>Hugo Sperrle
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