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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Adriano Visconti


Adriano Visconti
Maggiore
(1915 - 1945)

Adriano Visconti nasceu em Trípoli em 11 de novembro de 1915, numa família de origem nobre: filho de Galeazzo e Cecilia Dall'Aglio-Visconti, seu pai havia servido na expedição italiana durante a Conquista da Líbia em 1911 e lá ficou, em busca de fortuna. O jovem Adriano cresceu num ambiente familiar onde efervescia o sentimento patriótico, e esse senso de dever à Itália influenciaria decisivamente todas as suas futuras decisões de carreira. Ao completar seus estudos ele inscreveu-se na Academia da Força Aérea em 1936, onde foi designado para o curso “Rex”.

Em 1939, Visconti foi comissionado Sottotenente Pilota e designado para uma unidade de ataque ao solo. Essa era a 159ª Squadriglia, 12º Gruppo do 50º Stormo, baseada em Tobruk, e equipada com o monomotor Breda Ba.65. Ele depois foi brevemente transferido para a 23ª Squadriglia do Gruppo Aviazione Presidio Coloniale por razões disciplinares, mas rapidamente retornou à sua unidade de origem depois de uma demonstração de heroísmo que ainda o agraciou com a Medaglie di Bronzo. Essa ação aconteceu quando Visconti foi atacado por três Gladiators do 33º Esquadrão da RAF enquanto voava um reconhecedor Caproni Ca.309 Ghibli. Graças às suas fantásticas habilidades de pilotagem, ele e sua tripulação escaparam ao famigerado ataque dos caças ingleses.

Retornando ao cockpit dos Ba.65 com a 159ª Squadriglia, ele iniciou um intenso ciclo de operações contra as unidades blindadas inglesas no deserto. O 50º Stormo sofreu baixas tão pesadas com os vulneráveis Bredas que a unidade acabou sendo debandada em janeiro de 1941, e o Tenente Visconti se viu designado para a 76ª Squadriglia, 7º Gruppo do 54º Stormo, baseada em Treviso, no nordeste da Itália. Agora voando o Macchi MC.200 Saetta, Visconti rapidamente se tornou mestre na arte da pilotagem de caça, e ele realizou numerosas missões de escolta de bombardeiros e reconhecimento aéreo (em Saettas modificados com câmeras fotográficas) sobre Malta.

A utilização de aeronaves menores e mais rápidas para reconhecimento fotográfico aliviou a pressão sobre os Savoia-Marchetti SM.79s e Cant Z.1007s que tinham sido designados para essa tarefa. Os caças modificados logo se mostraram menos vulneráveis aos caças de Malta do que os bombardeiros com câmeras.

No começo de 1942, um punhado de MC.202 Folgore mais rápidos que os Saettas tomaram para si as missões de reconhecimento, e Visconti era freqüentemente designado para voar essas raras aeronaves quando uma missão sobre Malta entrava na pauta.

Em 15 de junho de 1942, durante a Batalha de Pantelleria, ele conseguiu sua primeira vitória quando voava um MC.202, derrubando um Bristol Blenheim. Em 13 de agosto seguiram-se dois Spitfires. Após um tempo de operações na Grécia e subseqüente rearmamento com o MC.202, o 54º Stormo foi enviado para a Tunísia em março de 1943.

Visconti, que já tinha então sido promovido a Capitano e recebido o comando da 76ª Squadriglia, participou de numerosos combates durante a última fase da luta aérea no Norte da África. Uma dessas ações ocorreu em 8 de abril, quando ele avistou um grupo de três Spitfires enquanto voava com seus dois alas, Laiolo e Marconcini. Os pilotos italianos tinham as vantagens de altitude e posicionamento, então Visconti ordenou o ataque. Os três pilotos italianos marcaram uma vitória cada, nesse combate quase unilateral. Ele ainda acrescentaria mais um Spitfire e um P-40 Warhawk durante seus últimos dias na campanha da África, que terminou com a rendição do Eixo em 13 de maio de 1943. Visconti foi um dos poucos pilotos que evitou a captura, fugindo para a Sicília em seu MC.202 junto com o amigo Capitano Fioroni, que de alguma maneira conseguiu se encolher no cockpit do caça Macchi.

Visconti foi então escolhido para comandar a recém-formada 310ª Squadriglia Caccia Aerofotografica em Guidonia, no leste de Roma. Essa unidade realizava vôos de reconhecimento armado de alta velocidade com alguns Macchi MC.205V Veltro especialmente modificados, começando as operações em agosto. Utilizando as únicas aeronaves capazes de sobreviver a uma missão de reconhecimento diurno sobre as forças Aliadas em ataque, a 310ª Squadriglia enviou um destacamento liderado pelo próprio Visconti para Decimomannu, na Sardenha, no começo de setembro. No dia 9 daquele mês, sentindo-se abandonado e sem ordens para seguir após o Armistício, Visconti chamou seus dois alas, Laiolo e Saieva, para voltarem a Roma. Voando baixo sobre o Tirreno para evitar o radar Aliado, os três Veltros carregavam além de seus pilotos, mais dois mecânicos, que conseguiram entrar após a retirada dos equipamentos de rádio e salva-vidas na fuselagem traseira.

Após a formação da ANR pelo Tenente-Colonello Ernesto Botto, Visconti foi um dos primeiros a atender ao chamado das armas. Ele inicialmente recebeu o comando da 1ª Squadriglia “Asso di Bastoni”, e depois de todo o Iº Gruppo Caccia. Visconti era, sem falsa modéstia, a força motriz por trás da moral do grupo. Era um líder carismático e um piloto corajoso. Certa vez, durante um ataque a uma formação de quadrimotores americanos, viu-se com as armas travadas, mas mesmo assim liderou a passagem de ataque pela formação, atravessando a parede de fogo defensivo dos inimigos. Já com a patente de Maggiore, ele foi creditado com quatro vitórias (dois Lockheed P-38 e dois P-47 Thunderbolt) antes da capitulação final de sua unidade.

No fim de abril de 1945, Visconti viu que seus homens estavam cercados por grupos de partisans vermelhos em Malpensa, perto de Milão. Tomando a frente, ele foi negociar uma rendição honrosa para o Iº Gruppo, mas não sabia que sua cabeça já tinha sido posta a prêmio pelos líderes comunistas. Após uma reunião na barraca do líder partisan local em 29 de abril, Visconti e seu ajudante, Sottotenente Valerio Stefanini, foram convidados a ir a uma casa, onde seriam interrogados. Durante o percurso, um dos partisans sacou uma pistola e atirou na cabeça de Adriano Visconti, covardemente pelas costas. Stefanini, que tentou proteger seu comandante, foi também morto no ato.

Ao longo de sua carreira, ele foi condecorado com quatro Medaglie d’Argento (mais duas pela RSI), duas Medaglie di Bronzo e a Cruz de Ferro de 2ª Classe. Adriano Visconti é creditado com 26 vitórias aéreas, embora pessoalmente não ele não tenha dito que fossem mais de dez.


Macchi MC.205V Veltro de Adriano Visconti. 1ª Squadriglia, Iº Gruppo Caccia, ANR - Campoformido, abril de 1944.

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