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sexta-feira, 28 de setembro de 2007

EUA vão reformar base que "parece suástica"


As autoridades americanas alocaram US$ 600 mil para camuflar a aparência de símbolo nazista de prédios da base naval do país no sul da Califórnia, depois de uma campanha de blogueiros e de grupos anti-discriminação no país.

Os prédios, da década de 60, sofreram várias reformas e hoje lembram uma suástica vistos do ar.

Com a popularização de fotos por satélite disponíveis no site de internet Google, surgiram teorias conspiratórias sobre o formato das instalações.

Uma delas diz que a obra foi construída por prisioneiros de guerra alemães que quiseram homenagear Hitler.

As autoridades dizem que o formato é coincidência.

fonte: BBC Brasil


Nota da Sala: Pra quem quiser checar o prédio no Google Earth, as coordenadas são:

Latitude: 32°40'34.04"N
Longitude: 117° 9'27.68"O


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quinta-feira, 27 de setembro de 2007

America's War


Esse é um excelente documentário em cores sobre a campanha americana na Europa, entre o Dia-D e a rendição alemã. Contém algumas cenas muito interessantes e até então inéditas. Há inclusive um trecho colorido de uma filmagem alemã no front leste. Com certeza vale a pena conferir:

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5

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terça-feira, 25 de setembro de 2007

Livro: As Benevolentes


O monstro moral

Um ousado romance sobre o nazismo, escrito em francês por um autor de origem americana

por Moacyr Scliar

Littel: do ativismo humanitário
à exploração do mal


Com mais de 150 000 exemplares vendidos na França e agraciado com o Prêmio Goncourt, As Benevolentes (tradução de André Telles; Objetiva/Alfaguara; 912 páginas; 79,90 reais), de Jonathan Littell, talvez assuste pela extensão. A narrativa ocupa 896 páginas, complementadas por um glossário e uma tabela de equivalência de patentes militares, na qual se aprende que o pomposo SS-Rottenführer do Exército nazista corresponde a cabo. Mas o leitor que não desanimar com o tamanho viverá uma aventura literária rara. O livro é uma ousada reflexão sobre a natureza do mal, conduzida por um refinado conhecedor do tema: o narrador é Maximilien Aue, um fictício oficial das SS nazistas.

As Benevolentes – cujo título remete a uma tragédia clássica de Ésquilo – foi escrito em francês, mas o autor é americano de nascimento. Relativamente jovem (completa 40 anos em outubro), Littell é um andarilho: nasceu em Nova York, adquiriu cidadania francesa e atualmente mora em Barcelona. Durante muito tempo, exerceu trabalho humanitário em regiões de conflito como a Bósnia, a Chechênia e o Afeganistão. Por que um ativista humanitário judeu tentaria se meter na pele de um oficial nazista de alta patente? A intenção de Littell foi justamente essa: desvendar o que significa ser um monstro moral. Nesse esforço, juntou um vasto suporte documental, mas a narrativa é tão envolvente que o leitor quase não percebe a pesquisa.

O livro é dividido em sete partes, todas com nomes musicais, uma alusão à paixão dos nazistas pela música clássica. Títulos como "Toccata" ou "Sarabande" balizam a trajetória de Aue no campo de batalha, num cargo burocrático no gabinete de Heinrich Himmler – um dos arquitetos da "solução final", o extermínio dos judeus – e, depois da guerra, na França. Além de Himmler, muitos personagens reais da galeria nazista figuram na narrativa: Adolf Hitler, Adolf Eichmann, Albert Speer, Rudolf Hess. Os nazistas com quem Aue conversa vão do intelectual refinado ao carrasco brutal. O forte do livro são esses diálogos inteligentes, às vezes até inteligentes demais, mas sempre vívidos.

Filho de um pai alemão que abandonou a família e a mãe francesa, Aue é um homem culto. É também um bissexual que tem vários casos durante a narrativa. Em meio a monstruosidades sem conta, Aue faz questão de se distanciar da barbárie. "Não pedi para me tornar um assassino; se pudesse escolher, optaria pela literatura", diz. Aqui temos um motivo de críticas ao romance de Littell, semelhantes às que foram feitas contra o livro de Hannah Arendt sobre o julgamento de Eichmann, no qual ela fala na "banalidade do mal". Essa "banalidade" poderia ser uma desculpa para o crime. Afinal, como Eichmann várias vezes declarou, estava apenas cumprindo ordens: era portanto um funcionário obediente, não um monstro. Littell sugere repetidamente que os nazistas não eram uma exceção. No extermínio de judeus, por exemplo, tinham a decidida colaboração de ucranianos. Ou seja: a humanidade tem dentro de si um componente de intolerância, de loucura mesmo, que pode ser mobilizado com resultados catastróficos. A tese é talvez controversa. Mas Littell a defende com brilho desde as primeiras páginas do livro, quando Aue anuncia como será sua narrativa: "É bem verdade que se trata de uma história sombria, mas também edificante, um verdadeiro conto moral, garanto a vocês".

fonte: Revista Veja, edição 2026 - 19 de setembro de 2007

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As Benevolentes


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segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Carl Spaatz


Carl Spaatz
General
(1891 - 1974)

Nascido em Boyertown, Pensilvânia, em 28 de junho de 1891, Carl Andrew Spaatz graduou-se na Academia Militar dos EUA em 1914, sendo designado para a aviação militar no ano seguinte. Durante seus anos como cadete ele ganhou o apelido de “Tooey”. Ele se tornou um dos primeiros pilotos do exército e foi membro do 1º Esquadrão Aéreo, que voou em suporte à Expedição Punitiva Pershing no México em 1916. Essas operações envolveram risco considerável por voarem “armações de lona e bambu” contra ventos termais e ascendentes de montanha. Promovido a Capitão, ele comandou o 31º Esquadrão Aéreo na França em 1917.

Por ser um dos poucos pilotos americanos com experiência, ele foi encarregado de organizar e comandar uma escola de vôo na Inglaterra. Ele constantemente clamava por uma oportunidade de voar em combate, e finalmente conseguiu, operando no front por três semanas. Ele derrubou três aeronaves alemãs e escapou por pouco da morte quando dois Fokkers se puseram na sua cauda. Após a guerra, Spaatz permaneceu no serviço militar. Em 1927, como parte de uma campanha de publicidade para chamar atenção para a aviação militar, ele se tornou membro de um time, que incluía o Capitão Ira Eaker e o Tenente Elwood Quesada. Esse time conseguiu o recorde mundial de duração de vôo.

Spaatz admirava o General William “Billy” Mitchell, o mais destacado advogado do poder aéreo nos EUA, e testemunhou em defesa de Mitchell durante sua corte marcial por haver criticado as vigentes políticas de aviação. Esse ato impopular manteve Spaatz na patente de Major por 15 anos. Finalmente, em 1935, ele recebeu outra promoção e graduou-se no ano seguinte na prestigiada Academia de Comando e Estado-Maior em Fort Leavenworth. Sua grande oportunidade veio em julho de 1941, quando ele recebeu o posto de chefe de estado-maior do General Henry “Hap” Arnold. Daí em diante, Spaatz se tornaria um dos principais motores por trás da campanha aérea americana na Europa.

Em maio de 1942, Spaatz se tornou comandante da 8ª Força Aérea. Como discípulo de “Billy” Mitchell, ele fortemente defendeu a doutrina americana de vôos diurnos com bombardeio de precisão. Um propagado bem-sucedido primeiro ataque por 12 B-17s contra Rouen, na França, pareceu atestar essa doutrina. No entanto, em pouco tempo ficou claro que bombardeios diurnos necessitavam de escolta de caças. Na sua ausência, Spaatz arriscou uma jogada perigosa: uma missão sem escolta ao coração da Alemanha, para bombardear as fábricas de caças. Felizmente, antes que o planejamento de tal missão fosse completado, as atenções se voltaram para o Norte da África. Como chefe do Comando de Combate da Força Aérea, Spaatz assumiu o comando das forças aéreas Aliadas envolvidas na Operação Torch, a invasão do Norte da África. Sua habilidade de cooperar com os líderes britânicos levou ao seu retorno para a Europa em 1944 como Tenente-General em comando das Forças Aéreas Estratégicas dos EUA. Entretanto, ele rapidamente se tornou um rival do chefe do Comando de Bombardeio da RAF, Arthur Harris.

Spaatz acreditava na estratégia americana de bombardeio preciso de alvos selecionados, baseado num estudo cuidadoso da economia inimiga. Em particular, Spaatz queria se concentrar no sistema de transporte alemão e em suas refinarias de petróleo. Harris, por outro lado, defendia o bombardeio de área das cidades alemãs. O único ponto de concórdia entre Spaatz e Harris era a crença de que o poder aéreo sozinho poderia anular a necessidade de grandes campanhas terrestres. O desejo de Spaatz de ultrapassar os objetivos tradicionais do exército e da marinha para destruir elementos-chave da economia inimiga constante entrava em conflito com os líderes Aliados. Suas forças estratégicas eram repetidamente divergidas para objetivos tradicionais, como bombardear as bases de U-Boats para reduzir a ameaça submarina alemã.

Em 5 de março de 1944, Spaatz apresentou ao General Eisenhower seu “Plano do Óleo”: ele havia identificado no óleo o verdadeiro “calcanhar de Aquiles” da Alemanha, pois apenas 14 refinarias produziam cerca de 80% do combustível sintético alemão. Spaatz concluiu que ataques a esses pontos, combinados com uma ofensiva contra as refinarias romenas poderia cortar efetivamente o poder de guerra inimigo. Contudo, em 1944 essas idéias podiam parecer um tanto quanto “radicais” demais, já que tantas teorias sobre o poder aéreo tinham se provado frustrações até então; sendo assim, o suporte direto para a invasão da Normandia ganhou prioridade máxima. O verão de 1944 finalmente observou o intenso bombardeio das refinarias de petróleo. Esses ataques diminuíram dramaticamente a capacidade alemã de levar a guerra adiante. Eisenhower tinha Spaatz na mais alta conta, e o recomendou para a primeira promoção a General de quatro estrelas. Spaatz recebeu-a em 11 de março de 1945.

Até o fim do conflito, Spaatz permaneceu crente no potencial do poder aéreo estratégico em ganhar guerras. Ele também era um dos poucos líderes de alto-escalão que pensava em termos clássicos de estratégia. Honrando sua origem holandesa da Pensilvânia, Spaatz era mais paciente e persistente do que enérgico e brilhante.

Em seguida à derrota alemã, Spaatz foi para o Pacífico, onde dirigiu o bombardeio aéreo estratégico do Japão. Após a guerra ele sucedeu “Hap” Arnold no comando da Força Aérea do Exército dos EUA. Carl Spaatz viveu uma longa aposentadoria, começando em 1948, até seu falecimento em 14 de julho de 1974, aos 83 anos.

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sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Nasce o 1º RI - Reenactors da FEB


Transmito a todos a mensagem de meu bom amigo Berzotti, reenactor brasileiro e dealer de militaria. Ele lutou bastante para fundar o grupo de reenacting, e conseguiu uma estréia em grande estilo no último dia 7 de setembro:

Senhores,

Finalmente saiu do papel o primeiro grupo de reenacting da FEB no Brasil, denominado "1º Regimento de Infantaria (Regimento Sampaio) - Reenactors da FEB".

Inicilamente composto por três membros: Berzotti, Bessa e Assunção. A estréia foi nesse desfile de 7 de setembro na cidade de Ribeirão Preto - SP, onde representamos os bravos que já se foram ou estão impossibilitados de comparecer a celebração.

Desfilamos em cima de jeeps acompanhados pelos bravos veteranos, tendo os veículos se posicionado em frente à tribuna de honra composta por autoridades militares e civis, de onde foi hasteada a bandeira brasileira ao som do Hino Nacional, em seguida nos retiramos com a banda tocando a Canção do Expedicionário.

Em seguida fomos convidados para integrar a tribuna, o que gentilmente recusamos para acomodar melhor os veteranos e seus familiares; permanecemos junto ao público, que nos recebeu com carinho e muito pedidos de pose para fotos.

Com certeza um dia de grande emoção que foi filmado e fotografado, em breve disponibilizaremos o conteúdo nessa comunidade.

Saudações.

Berzotti

Da esquerda para direita: Berzotti, Pracinha Sr. Guilherme, Bessa e Assunção.


Sgt. Assunção, Ten. Bessa, Vet. Elizário e Cap. Berzotti.

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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Legendas para "El Alamein"


Terminei essa semana minha tradução para o português das legendas do filme "El Alamein - La Linea Del Fuoco", produção italiana de 2002. Agora fica mais fácil pro pessoal aproveitar a história. As legendas são para o release El.Alamein.2002.DVDRip.[SAPHiRE] e estão disponíveis no site LEGENDAS.TV e aqui:



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segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Boeing B-29 Superfortress


ORIGENS

Os oficiais seniores da USAAF que eram defensores do bombardeiro estratégico de longo alcance ficaram contentes com seu Boeing B-17 Flying Fortress, que demandou um trabalho longo e exaustivo para ser posto em operação, mas iniciaram um requerimento para uma aeronave ainda mais possante. Foi encomendado a Boeing que construísse um protótipo XBLR-1 (Experimental Bomber Long Range-1 - Bombardeiro Experimental de Longo Alcance-1), que foi designado XB-15. A Douglas Aircraft entrou na competição com o XBLR-2, designado XB-19.

Após testes com os dois modelos, ambos foram "postos no congelador", à espera de motores com suficiente poder. O início da guerra na Europa em 1939 fez com que a cúpula da USAAF começasse a falar em bombardeiros de longo alcance, e desse os primeiros passos do VHB (Very Heavy Bomber - Bombardeiro Super Pesado). Quando pareceu que tais aeronaves teriam que ser operadas nas vastidões do Oceano Pacífico, a identificação VLR (Very Long Range – Alcance Muito Longo) pareceu ser mais apropriada. E foi o VLR que o General Henry H."Hap" Arnold, chefe da USAAF, levou a cabo no início de 1940.

DESENVOLVIMENTO

O requerimento foi enviado a cinco manufaturas aeronáuticas americanas em 29 de janeiro de 1940. Foram recebidas em resposta propostas da Boeing (XB-29), Consolidated (XB-32), Douglas (XB-31) e Lockheed (XB-30). A Douglas e a Lockheed rapidamente saíram da competição, e em 6 de setembro de 1940 foram dados contratos à Boeing e Consolidated para a construção e desenvolvimento de dois (mais tarde três) protótipos de seus respectivos projetos. O Consolidated XB-32 Dominator foi o primeiro a voar, em 7 de setembro de 1942, mas o extenso desenvolvimento atrasou sua entrada em serviço. A Boeing, devido ao seu histórico, estava muito mais adiantada em 1940, e foi capaz de convencer a USAAF de que a aeronave estaria disponível para produção em dois ou três anos, recebendo um pedido para 1.500 exemplares antes mesmo do primeiro protótipo voar.

A razão do avanço do projeto XB-29 foi devido ao fato de que, em 1938, a Boeing oferecera à USAAF idéias para melhorar o B-17, como cabine pressurizada para tornar os vôos de grande altitude menos desgastantes para a tripulação. Embora não ainda houvesse requerimento para tal aeronave, o exército encorajou a Boeing a continuar atualizando o desenho para satisfazer eventuais condições de guerra. Esse desenho era o Boeing Model 341, e o Boeing XB-29 Superfortress veio de um desenvolvimento desse modelo, o Model 345. O primeiro dos protótipos fez seu vôo de estréia em 21 de setembro de 1942.

As especificações da USAAF pediam velocidade de 644 km/h, então o XB-29 tinha forma aerodinâmica de charuto, com asa média na sessão central da fuselagem. Tal asa aumentaria em muito a velocidade do pouso, então foram desenhados flaps que conseguiram aumentar a área alar em quase 20%, permitindo pousos em baixa velocidade. Um trem de pouso eletricamente retrátil foi instalado e, com proposto antes, acomodações pressurizadas para a tripulação. Em adição, um compartimento pressurizado logo atrás das asas dava acomodação aos artilheiros, que no terceiro XB-29 e aeronaves de série, operavam remotamente o armamento defensivo, mirando a partir de janelas próximas às armas.

O armamento total do Superfortress compreendia duas metralhadoras 12,7 mm em cada torreta operada remotamente e uma combinação de três metralhadoras 12,7 mm ou duas metralhadoras 12,7 mm e um canhão de 20 mm na torre da cauda; mais a impressionante carga de 9.000 kg de bombas. A cabine e o compartimento da artilharia defensiva eram ligados por um túnel que passava acima dos dois compartimentos de bombas. O artilheiro da cauda era acomodado em um compartimento pressurizado, mas isolado do resto da tripulação. A propulsão consistia em quatro motores Wright R-3350 Cyclone de 2.200 hp, cada um com dois turbochargers General Electric montados um de cada lado da nacela; usavam propulsores metálicos com quatro pás de 5,05 mm de diâmetro. Os motores do XB-29 passaram por muitas modificações e aperfeiçoamentos, em vista que nos primeiros testes a freqüência com que se incendiavam em vôo era assustadora. Um dos protótipos sofreu um acidente no centro de Seattle, matando toda a equipe de testes principal da Boeing, mas com o desenvolvimento as falhas dos motores foram resolvidas e o desenvolvimento continuou.

PRODUÇÃO

A produção dos protótipos foi seguida por 14 YB-29 para teste em serviço, o primeiro voando em 26 de junho de 1943. As entregas dos YB-29s começaram quase imediatamente com o 58th VHBW (Very Heavy Bombardment Wing - Ala de Bombardeio Super Pesado), que havia sido estabelecida em 1 de junho, antes do primeiro vôo dos YB-29s. O Superfortress de produção era a maior aeronave manufaturada pelos EUA durante a Segunda Guerra Mundial, com literalmente milhares de sub-contratados suprindo componentes para as quatro linhas de montagem: as Boeing em Renton e Wichita; a Bell em Mariettal, Georgia; e a Martin em Omaha, Nebraska.

As entregas de produção do B-29 começaram no outono de 1943, e esses começaram a equipar o 58th VHBW para que pudesse prosseguir com o treinamento e obtivesse grupos preparados para servir operacionalmente. Uma das questões vitais era para onde enviar as unidades primeiro, porque o tratado americano com os aliados determinava que a vitória na Europa deveria ter prioridade, sugerindo o emprego das "Super Fortalezas" contra a Alemanha e seus territórios ocupados. No entanto, enquanto o ano de 1943 ia chegando ao fim, a situação no Pacífico sugeria que os bombardeiros seriam empregados mais eficientemente naquela área, e foi decidido enviá-los ao teatro para o qual haviam sido projetados.

EM OPERAÇÃO

Em 4 de abril de 1944, a 20th Air Force foi estabelecida para operar os B-29s, mas até então as ilhas oceânicas que dariam base ao Superfortress para atacar o Japão estavam nas mãos do exército imperial. Foram feitas então, preparações para operá-los inicialmente a partir de bases na China. Algo perto de meio milhão de trabalhadores chineses com ferramentas simples e vontade de libertar seu país do julgo japonês, construíram quatro enormes campos de pouso para o B-29 em Chengtu e na província de Szechwan. O primeiro bombardeiro aterrissou na base aérea de Kwanghan em 24 de abril de 1944. Pelo dia 10 de maio todas as bases estavam operacionais, e o primeiro ataque ao arquipélago do Japão desde abril de 1942 foi realizado por 77 Super Fortalezas do XX Bomber Command, contra um complexo siderúrgico em Yawata, Kyushu, em 15 de junho de 1944.

Haviam diversos problemas para as operações a partir dessas bases chinesas, muitos deles logísticos. Cerca de 150 B-29s tinham de ser continuamente utilizados para transporte de combustível e suprimentos para Kunming, voando sobre a "corcunda" do Himalaia partindo da Índia, deixando somente 100 bombardeiros operacionais. Somente com a captura de Saipan, Guam e Tinian no arquipélago das Marianas, pôde ser iniciada a verdadeira ofensiva contra o Japão. O primeiro Superfortress do XXI Bomber Command pousou em Saipan em 12 de outubro de 1944; em Tinian, os B-29s estavam operacionais ao fim de dezembro; e em Guam, em 2 de fevereiro de 1945.

Mas a questão de como empregar os B-29s com mais eficiência ainda estava em aberto até a noite de 9-10 de março de 1945, quando 334 bombardeiros decolaram de Guam, Saipan e Tinian com a missão de atacar Tóquio, a 2.575 km de distância. Insatisfeito com os resultados anteriores, seu comandante, Major General Curtis LeMay, ordenou que as bombas fossem lançadas à baixas altitudes, cerca de 2.000 metros. Quando retornaram, haviam feito o ataque aéreo mais devastador da história, deixando 83.793 mortos, 40,918 feridos e 1.008.005 desabrigados. Esse padrão foi continuamente usado pelo XXI Bomber Command, enquanto o XX Bomber Command reduzia as cidades e docas de Formosa (Taiwan) a pouco mais que cinzas. Ainda assim, os japoneses continuaram na luta.

Impressionado pela devoção ao Imperador e fanatismo do inimigo, que se lançava mortalmente contra os navios americanos em aviões abarrotados de explosivos, e havia oferecido resistência ferrenha à invasão de Iwo Jima e Okinawa, o Alto Comando Militar dos EUA, com o consentimento do então presidente Harry Truman, decidiu usar sua arma desenvolvida secretamente no deserto de Los Alamos. Sobrou então para os B-29s Enola Gay e Bock's Car, do 393rd Bombardment Squadron, lançarem as duas primeiras e únicas bombas atômicas operacionais da história (apelidadas respectivamente de Little Boy e Fat Man) nas cidades de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, e Nagasaki, 9 de agosto. O Japão se rendeu no dia 15 de agosto.

CONCLUSÃO

Nos estágios finais da guerra, os B-29s XXI Bomber Command haviam despejado 160.000 toneladas de explosivos em alvos japoneses, uma média de 1.193 toneladas por dia durante os últimos três meses. O projeto VLR estava justificado. A produção total do Superfortress totalizou 3.970 exemplares, sendo 1.644 da fábrica da Boeing em Wichita, 668 da Bell e 536 da Martin. A fábrica em Renton produziu somente B-29As, com pequeno aumento da envergadura e mudanças na capacidade de combustível e armamento; a produção continuou até maio de 1946 e totalizou 1.122 aeronaves.

É interessante citar que, devido aos perigosos céus do Pacífico em 1944, somente metade dos B-29s foram enviados ao teatro de operações por essa rota. A outra metade dava a volta no globo em direção à China pelo outro sentido, fazendo escala no Brasil, mais precisamente na base americana de Parnamirim, em Natal, RN.

DADOS TÉCNICOS

Tripulação: 11
Comprimento: 30.2 m
Envergadura: 43.1 m
Altura: 8.5 m
Área alar: 161.3 m²
Peso vazio: 33.800 kg
Peso cheio: 54.000 kg
Peso máximo de decolagem: 60.560 kg
Motores: 4× Wright R-3350-23 de 2.200 hp (1.640 kW) cada
Velocidade máxima: 574 km/h
Alcance: 580 km
Teto operacional: 10.200 m
Armamento: 12× metralhadoras M2 Browning 12,7 mm, 9.000kg de bombas

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sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Hino da Brigata Sassari


Disponibilizo para vocês um dos mais bonitos hinos do Exército Italiano: a Brigata Sassari da Sardenha. A letra e a música (no dialeto da Sardenha, não italiano!) são do Capitano Luciano Sechi, sendo esta uma regravação feita pela Banda da Brigata Sassari, formada em 1988.

Download:http://www.radiomarconi.com/marconi/marcia/diavoli001.mp3

Letra original (dialeto da Sardenha):

DIMONIOS

China su fronte
si ses sezzidu pesa!
ch'es passende
sa Brigata tattaresa
boh! boh!
e cun sa mannu sinna
sa mezzus gioventude
de Saldigna

Semus istiga
de cudd'antica zente
ch'à s'innimigu
frimmaiat su coro
boh! boh!
es nostra oe s'insigna
pro s'onore de s'Italia
e de Saldigna

Da sa trincea
finas' a sa Croazia
sos "Tattarinos"
han'iscrittu s'istoria
boh! boh!
sighimos cuss'olmina
onorende cudd'erenzia
tattarina

Ruiu su coro
e s'animu che lizzu
cussos colores
adornant s'istendarde
boh! boh!
e fortes che nuraghe
a s'attenta pro mantenere
sa paghe

Sa fide nostra
no la pagat dinari
aioh! dimonios!
avanti forza paris.


Tradução:

DEMÔNIOS

Faça reverência
se está sentado, levante-se
porque está passando
a Brigada Sassari
Boh! Boh!
E com suas mãos abençoe
os melhores jovens
da Sardenha

Somos os herdeiros
daquela antiga raça
que do inimigo
parou o coração
Boh! Boh!
E hoje carregamos sua insígnia
pela honra da Itália
e da Sardenha

Das trincheiras
para a Croácia
os Sassaris
fizeram história
Boh! Boh!
E nós seguimos seus passos
honrando a herança
Sassari

Corações rubros
almas de lírio
essas cores
adornam nossa bandeira
Boh! Boh!
E fortes como torres
sempre preservamos
a segurança e a paz

Nossa fidelidade
não se compra com dinheiro
avante Demônios!
Em frente sempre juntos!

************************
Um pouco de história:

Brigata Sassari

Formada como uma Brigada Móvel da Milícia no inverno 1914-1915, sendo composta dos 151º e 152º Reggimenti Fanteria. Chega a Carso no outono de 1915 sendo empregada na primeira ofensiva contra Gorizia. No final da primavera de 1916 é enviada para o front de Asiago para conter o avanço inimigo, permanencendo lá por um ano até a Batalha de Ortigara. Após isso é enviada para a retaguarda em Isonzo. Na primavera de 1917 é escolhida para se transformar em Brigada de Assalto. No inverno de 1918 lança o primeiro contra-ataque italiano na Batalha dos Três Montes. Participa das batalhas de Piave e Vittorio Veneto.

Após a guerra, por seu extraordinário desempenho, a unidade é agraciada com duas Medaglie D'Oro (a única na Primeira Guerra), passando para o efetivo permanente do Exército. Em 1926 o título de Brigada é cancelado e os dois regimentos formam a 12ª Divisione Fanteria "Timavo". Em 1937 é rebatizada como 12ª Divisione Fanteria "Sassari".

Na Segunda Guerra Mundial a divisão foi usada como guarnição da fronteira ítalo-iugoslava até a invasão de abril de 1941. Durante a Operação Marita a Sassari integra a 2ª Armata Italiana, penetrando no território iugoslavo. Da primavera de 1941 até a primavera de 1943 torna-se força de ocupação da Dalmácia, Croácia e Bósnia, combatendo ferozmente a guerrilha iugoslava de Tito. Na primavera de 1943 é transferida para a Itália, tomando parte da defesa de Roma contra os alemães em setembro.

Em 1986, a Sassari foi reconstituída como Brigada Motorizada na Sardenha. Em 1992 se torna Mecanizada e se profissionaliza para serviços além-mar. A primeira missão desse tipo acontece na Albânia, em 1997; sendo a mais recente no Iraque, nos primeiros meses de 2006.

Brigata Sassari no Iraque.



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quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Nota de Falecimento: Bodo Spranz


Bodo Spranz
(01/01/1920 - 01/09/2007)

Faleceu no último dia 1 de setembro, em Bremen, Alemanha, aos 87 anos de idade, o ganhador das Folhas de Carvalho da Cruz do Cavaleiro, Bodo Spranz.

Nascido em Nordhausen, na Turíngia, Spranz juntou-se ao exército alemão em 1938 e foi designado para o 12º Regimento de Artilharia. Com essa unidade, lutou na Polônia, indo em seguida fazer o curso de oficiais, de onde saiu como Leutnant em 1940. Passou para uma unidade de canhões de assalto, sendo em seguida promovido a comandante de bateria.

Em agosto de 1943 Spranz destruiu em combate corporal quatro tanques soviéticos, usando minas e cargas de demolição. Sendo assim, foi condecorado com quatro insígnias de destruição de tanques costuradas na manga direita de seu uniforme. Spranz continuou a destruir mais e mais tanques com sua bateria, e em outubro daquele ano foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro e as Folhas de Carvalho simultaneamente, o que era raríssimo de acontecer. Na mesma ocasião, Bodo Spranz foi promovido a Hauptmann.

Em abril de 1944 foi feito instrutor, sendo transferido para a ordenança de Heinz Guderian em dezembro e para o estado-maior de Walther Wenck em 1945. Capturado pelos americanos mas solto logo em seguida, Spranz seguiu a carreira acadêmica após a guerra.

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quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Nota de Falecimento: Sir Tasker Watkins


Sir Tasker Watkins
(18/11/1918 - 09/09/2007)

Faleceu em Cardiff, País de Gales, no último dia 9 de setembro, aos 88 anos, o ganhador da Victoria Cross Sir Tasker Watkins.

Nascido em Nelson, no sul de Gales, era filho de um trabalhador de minas de carvão e juntou-se ao exército quando irrompeu a Segunda Guerra Mundial. Como Tenente do 1º Regimento do 5º Batalhão de Infantaria (Regimento Galês), Watkins desembarcou na França após o Dia-D em junho de 1944. Após todos os oficiais de seu grupamento serem mortos numa ação contra um ninho de metralhadora alemã, ele próprio liderou um ataque de baionetas contra 50 soldados alemães, e sozinho atacou e destruiu o ninho de metralhadora para garantir a segurança de seus homens.

Ferido na ação, Watkins recebeu no hospital a notícia de que tinha sido condecorado com a Victoria Cross, sendo o primeiro galês a receber a condecoração na Segunda Guerra. Ele permaneceu no exército britânico até 1948, de onde saiu com a patente de Major. Após o serviço militar, Watkins seguiu a carreira de advocacia. Foi Procurador-Geral da Inglaterra no julgamento do desastre de Aberfan em 1966, quando um deslizamento de uma mina de carvão matou 144 pessoas. Sagrado Cavaleiro em 1971, Watkins foi juiz da Suprema-Corte entre 1971 e 1974 e presidente da Associação Nacional de Rugbi entre 1993 e 2004.

Casado com Eirwen Evans desde 1941, Sir Tasker Watkins sofreu uma queda em sua residência no último mês de agosto, sendo internado no Hospital Universitário de Gales, mas falecendo durante a recuperação.


Tasker Watkins em 1944
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terça-feira, 11 de setembro de 2007

Nota de Falecimento: Ernst-Wilhelm Reinert


Ernst-Wilhelm Reinert
(02/02/1919 - 05/09/2007)

Faleceu no último dia 5 de setembro, aos 88 anos de idade, um dos últimos ganhadores das Espadas da Cruz do Cavaleiro, Ernst-Wilhelm Reinert.

Reinert nasceu em Lindenthal, distrito de Colônia, e entrou para a Wehrmacht no fim de 1938. Inicialmente designado para a infantaria, foi logo transferido para a Luftwaffe. Ele começou suas missões operacionais dando cobertura para a invasão da ilha de Creta, em maio de 1941. Mas sua carreira de ás somente teve início com a Operação Barbarossa, onde Reinert colecionou vitória após vitória sobre a aviação soviética e ganhou a Cruz do Cavaleiro em julho de 1942. Após conseguir sua 100ª vitória, Reinert foi condecorado com as Folhas de Carvalho, em outubro.

No fim de 1942, sua unidade (Jagdgeschwader 77) foi transferida para a Tunísia, e ele passou a enfrentar os quadrimotores americanos. Mais vitórias se seguiram e Reinert recebeu o comando de uma esquadrilha, enquanto a unidade recuava para o norte da Itália. Em março de 1945 ele foi promovido a Hauptmann e recebeu as Espadas para a Cruz do Cavaleiro.

Após a guerra, Ernst-Wilhelm Reinert cursou medicina e se tornou um famoso ginecologista. Casou-se com uma cantora de ópera e gostava de reviver as lembranças do seu tempo de ás, quando totalizou 174 vitórias aéreas.

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segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Kawasaki Ki-61 Hien


ORIGENS

Uma faceta totalmente diferente dos designs aeronáuticos japoneses da Segunda Guerra encontrou sua forma no Kawasaki Ki-61 Hien. Enquanto a maioria das aeronaves nipônicas usava um motor radial resfriado a ar que primava pela manobrabilidade, o Hien fazia uso de um motor em linha resfriado à água, feito para desenvolver potência e velocidade.

Para ser sincero, o Ki-61 era tão diferente dos outros caças japoneses que quando o modelo entrou em ação pela primeira vez em junho de 1943 sobre a Nova Guiné, os pilotos Aliados o identificaram como uma cópia do Messerschmitt Bf 109 da Luftwaffe e depois do Macchi MC.202 Folgore da Regia Aeronautica. Sendo assim deram-no o apelido estrangeiro "Antonio". Logo que perceberam que se tratava de um design puramente japonês, foi renomeado "Tony". A confusão do Ki-61 com o caça alemão e o italiano encontra alguma razão com base em suas raízes.

Entre 1923 e 1933, o chefe de design aeronáutico da Kawasaki Kokuki Kogyo K.K. era um alemão chamado Dr. Richard Vogt, que retornou à Alemanha em 1933 para assumir o mesmo cargo na Blohm & Voss. Como se esperaria, a Kawasaki continuou fortemente influenciada pelo Dr. Vogt, particularmente a respeito dos motores em linha. Isso fez da empresa um peixe fora d'água entre as fábricas japonesas, que defendiam os radiais. Em março de 1938, a Kawasaki assinou um acordo com a Daimler-Benz para fabricar sob licença os motores em linha desenvolvidos pela firma alemã.

DESENVOLVIMENTO

Em abril de 1940, engenheiros da Kawasaki visitaram a Daimler-Benz em Stuttgart para obter as plantas e exemplares do motor DB 601A, então utilizado pelo Bf 109. Os japoneses conseguiram aumentar a potência de decolagem do motor para 1.175 hp, e ainda reduziram seu peso sensivelmente. Foi posto em produção em novembro de 1941, sendo designado Ha-40 e posteriormente Ha-60. Nesse meio tempo, representantes do Quartel-General do Ar do Exército Imperial Japonês estavam muito interessados nos motores em linha refrigerados a água que propeliam caças desenvolvidos na Inglaterra, EUA, Alemanha, União Soviética e Itália.

O Exército também tinha em mente a péssima experiência de combate contra o Polikarpov I-16 durante um incidente com a URSS na fronteira da Manchúria em 1939. Essa experiência provou que a busca somente da manobrabilidade sobre tudo condenava seus caças, sendo necessário buscar mais velocidade e aumentar blindagem e poder de fogo. Em fevereiro de 1940 o Exército começou a trabalhar com a Kawasaki para o desenvolvimento de dois caças monopostos equipados com um derivado do motor DB 601: um interceptador pesado designado Ki-60 e um caça multifuncional designado Ki-61. Foi decidido construir o Ki-60 primeiro, e os engenheiros liderados pelo designer Takeo Doi e seu assistente Shin Owada apresentaram três protótipos em 1941. O Ha-40 não estava então disponível, então as três aeronaves receberam exemplares originais do DB 601 enviados da Alemanha.

O Ki-60 era um monoplano de asa baixa, com grande poder e armamento para os padrões japoneses. Tinha duas metralhadoras 12,7 mm no nariz e em cada asa um canhão de 20 mm. Os testes de vôo começaram em março de 1941 e mostraram que o Ki-60 não tinha boas características em vôo. Não cumpria as especificações e após diversas tentativas mal-sucedidas de consegui-lo, foi abandonado. A experiência, no entanto, foi válida. O trabalho no Ki-61, que prosseguia em paralelo ao Ki-60 desde dezembro de 1940, incorporou lições aprendidas com seu predecessor. Refinamentos aerodinâmicos foram feitos, a asa foi ampliada para melhorar a manobrabilidade e a fuselagem foi "emagrecida" para melhorar a velocidade. O armamento foi reduzido substituindo-se os canhões de 20 mm por duas metralhadoras de 12,7 mm ou 7,7 mm. A capacidade dos tanques de combustível também foi ampliada para as operações de caça, mais longas que as de interceptação. O trem de pouso foi modificado para permitir ao Hien decolar de pistas primitivas.

O primeiro protótipo foi concluído em dezembro de 1941, com sua performance deliciando os espectadores. Outros 11 protótipos foram entregues ao Exército, que os testou intensivamente. O Ki-61 foi testado contra caças japoneses, contra o Messerschmitt Bf 109E-3 (dois exemplares que foram comprados dos alemães), e contra o Curtiss P-40 Warhawk, cujos diversos exemplares haviam sido capturados durante a conquista das Índias Orientais Holandesas. Um desse protótipos encontrou-se por acaso com os B-25 Mitchell de James Doolittle em abril de 1942.

Embora inicialmente os pilotos de teste tivessem suas dúvidas a respeito do novo caça, os pilotos de combate gostaram muito dos tanques auto-selantes, blindagem, armamento e velocidade de mergulho do Ki-61. Os testes de combate mostraram que o Hien era muito mais rápido que seus adversários, manobrando melhor que qualquer um, menos o Nakajima Ki-43 Hayabusa. O primeiro exemplar de pré-série foi entregue em agosto de 1942. O Exército deu luz verde à produção em massa, e o caça começou a sair das linhas de montagem, com 34 unidades entregues ainda em 1942. Foi formalmente designado Army Type 3 Fighter Model 1 Hien, ou Ki-61-I. A produção inicial consistia em duas variantes: o Ki-61-Ia, com duas metralhadoras 12,7 mm no nariz e duas 7,7 mm nas asas, e o Ki-61-Ib, com metralhadoras 12,7 mm no nariz e asas. Podiam levar tanques descartáveis de 200 litros.

EM COMBATE

O novo caça entrou em combate na primavera de 1943 no teatro da Nova Guiné. Causou muita consternação aos pilotos Aliados, especialmente quando descobriram que não podiam mais escapar mergulhando como faziam contra os leves caças japoneses. O Hien era diferente. A 5th Air Force do General George Kenney viu seus Warhawks totalmente superados, e imploraram por mais Lightnings para conter o novo caça do Imperador. O Ki-61 demonstrou apenas alguns problemas de atrito durante suas operações, assim como uma tendência do motor de superaquecer sob clima tropical. Apesar de bem armado, Ki-61 ainda não tinha poder para derrubar os grandes bombardeiros americanos do céu. Os engenheiros da Kawasaki já tinha antevisto esse problema. O canhão japonês Ho-5 de 20 mm não estava disponível na época, mas o governo havia obtido 800 canhões Mauser MG-151 de 20 mm da Alemanha em agosto de 1943, e equipou 388 exemplares do Ki-61-I para carregar as armas alemãs no lugar das metralhadoras das asas. Uma vez que o canhão Ho-5 disponibilizou-se, a Kawasaki inverteu o arranjo das armas: colocou os canhões no nariz e as metralhadoras nas asas.

Enquanto as modificações eram feitas outras mudanças também ocorreram, para facilitar a manufatura e a manutenção. Essa nova variante ficou conhecida como Ki-61-I KAIc (KAI significando "modificado"). Era 19 cm mais longo que seus predecessores, com parte traseira destacável, roda traseira fixa ao invés da retrátil antes usada, asas reforçadas e suportes para duas bombas de 250 kg. O Ki-61-I KAIc entrou em produção em janeiro de 1944, e substituiu todos os modelos anteriores em agosto do mesmo ano. O novo Hien se tornaria a variante mais produzida, com cerca de 50 % do total. Alguns interceptadores Ki-61-I KAId foram construídos nos fins de 1944. Estes tinham duas metralhadoras 12,7 mm na fuselagem e dois canhões de 30 mm nas asas.

Mesmo antes do Hien entrar em combate, o Exército pressionava a Kawasaki para desenvolver uma versão melhorada da aeronave. Para tal, os engenheiros miravam uma nova versão do motor Ha-40 designada Ha-140, que produziria 1.500 hp. O primeiro protótipo da nova variante, o Ki-61-II, voou em agosto de 1943. Dez outros protótipos foram construídos até o final do ano, apresentando área alar 10% maior e cockpit melhorado. No entanto, o programa do Ha-140 enfrentou problemas e somente oito protótipos receberam motores. Estes sofriam com falhas estruturais e no motor. Tentando resolver os problemas, a asa tradicional do Hien foi instalada no Ki-61-II, que também teve sua fuselagem alongada e área do elevador ampliada. O resultado foi Ki-61-II KAI, que se provou um interceptador promissor.

Apesar de problemas com o motor, a situação militar era desesperadora e o modelo entrou em produção assim mesmo em setembro de 1944. Duas versões foram produzidas: o Ki-61-II KAIa com duas metralhadoras 12,7 mm nas asas e dois canhões de 20 mm no nariz, e o Ki-61-II KAIb com quatro canhões de 20 mm. Foram construídos 374 Ki-61-II KAI, sendo que 99 receberam motores. Então, em 19 de janeiro de 1945 a fábrica em Akashi que produzia os motores Ha-140 foi destruída pelos Boeing B-29. Isso pôs um fim ao motor, que deixou 275 aeronaves sem propulsão. Como tal número não podia simplesmente ser abandonado, os valorosos engenheiros da empresa se esforçaram ao máximo para adaptá-las ao motor radial Mitsubishi Ha-112-II de 1.500 hp, dando origem ao Kawasaki Ki-100 Goshiki-Sen.

DADOS TÉCNICOS

Tripulação: 1
Comprimento: 8.94 m
Envergadura: 12.00 m
Altura: 3.7 m
Área alar: 20 m²
Peso vazio: 2.630 kg
Peso cheio: 3.470 kg
Motor: 1× Kawasaki Ha-40 de 1.175 hp (875 kW)
Velocidade máxima: 580 km/h a 5.000 metros
Alcance: 580 km
Teto operacional: 11.600 m
Armamento: 2× canhões Ho-5 de 20 mm, 2x metralhadoras Ho-103 de 12,7 mm, 2x bombas de 250 kg

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sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Heinrich von Vietinghoff


Heinrich von Vietinghoff
Generaloberst
(1887 - 1952)

Heinrich Gottfried von Vietinghoff gennant Scheel nasceu em 6 de dezembro de 1887 na cidade de Mainz, na Renânia-Palatinado. Seus pais, Julia Justyna Kuhn e Hans-Hermann von Vietinghoff (que era Sargento do Exército Imperial), sempre incentivaram o filho a seguir a carreira militar, e ele acabou juntando-se ao Exército com apenas 15 anos, tendo que mentir sobre a real idade nos primeiros tempos.

Vietinghoff recebeu a promoção a Leutnant em 27 de janeiro de 1907, sendo novamente promovido a Oberleutnant algum tempo depois. Durante a Primeira Guerra Mundial, Vietinghoff foi um dos oficiais alemães enviados para a Turquia, lutando junto ao Império Otomano contra o desembarque Aliado em Gallipoli, e sendo promovido a Hauptmann em 1915. Ele recebeu também as duas classes da Cruz de Ferro.

Após a guerra, Vietinghoff conseguiu permanecer no Reichswehr, onde recebeu lentas promoções a Major, em 1 de março de 1926, e Oberstleutnant em 1 de fevereiro de 1931. A promoção a Oberst chegou pouco após a ascensão de Hitler ao poder, em 1 de abril de 1933. Com a formação da nova Wehrmacht, Vietinghoff, um oficial de larga experiência, foi logo promovido a Generalmajor em abril de 1936, recebendo o comando do 88º Destacamento Panzer da Legião Kondor na Espanha. O sucesso conseguido com as novas táticas empregando blindados levou à promoção a Generalleutnant em março de 1938 e ao comando da 5ª Divisão Panzer em novembro. Ele liderou a divisão pela campanha polonesa em 1939.

Em 25 de outubro de 1939 ele passa a comandar o XIII Corpo de Exército, com o qual luta na França em 1940, junto ao Grupo de Exércitos A do Generaloberst Fedor von Bock. Em reconhecimento do ótimo desempenho de seu comando, Vietinghoff é condecorado com a Cruz do Cavaleiro em 24 de junho e promovido a General der Panzertruppe. Em novembro ele recebe o comando do XLVI Corpo de Exército (motorizado), que participa da invasão da Iugoslávia em abril de 1941 sob o comando do 2º Exército de Maximilian von Weichs.

Durante a invasão da União Soviética Vietinghoff continua no comando da unidade, mais uma vez sob a tutela de Bock no Grupo de Exércitos Centro. Pelo desempenho, foi condecorado com a Cruz Alemã em Ouro em 22 de abril de 1942. Em 23 de maio, enquanto sobrevoava a linha de frente, seu pequeno Fieseler Storch foi abatido por fogo de metralhadora, e ele feriu-se seriamente na queda. Esse acidente, e sua rápida recuperação, deram a Vietinghoff o apelido de “Panzerknacker” (destruidor de tanques). Em 14 de junho sua unidade foi transformada no XLVI Corpo Panzer, lutando junto ao 9º Exército de Walter Model.

Quando Model adoeceu em setembro, Vietinghoff assumiu o comando temporário do 9º Exército, até o começo de dezembro daquele ano. Na troca de comando, ele acabou recebendo o 15º Exército, estacionado na França. Com a ação aumentando no Teatro do Mediterrâneo, Vietinghoff recebeu o comando do 10º Exército, na Itália central, em 15 de agosto de 1943, sendo promovido a Generaloberst em 1 de setembro.

Os Aliados, que tinham acabado de tomar a Sicília, haviam desembarcado em Salerno em 9 de setembro, com uma força de quase 170.000 homens. Contudo, os alemães aproveitaram muito bem seu apoio aéreo e de artilharia, imobilizando os soldados do General Clark. No dia 12, Vietinghoff desfechou um poderoso contra-ataque, empurrando ainda mais contra a praia os anglo-americanos, que chegaram a preparar planos de evacuação. A situação dos Aliados só foi restabelecida após reforços de pára-quedistas e apoio da Royal Navy.

Vietinghoff então coordenou ações defensivas que retardaram o avanço inimigo para o norte. Como reconhecimento por essas ações, foi condecorado com as Folhas de Carvalho da Cruz do Cavaleiro em 16 de abril de 1944. Em outubro, quando Albert Kesselring foi ferido num acidente de carro, Vietinghoff assumiu o comando da Itália (Grupo de Exércitos C), onde permaneceu até fins de janeiro de 1945. Foi quando ele recebeu o comando do desesperado Grupo de Exércitos da Curlândia, cercado pelos soviéticos na costa do Mar Báltico. Apesar de todas as pressões inimigas, Vietinghoff foi capaz de segurar o território em mãos alemãs, até ser substituído no comando por Lothar Rendulic em 10 de março.

Na data, Kesselring havia sido transferido para o comando das forças alemãs no front Oeste, e Vietinghoff mais uma vez recebeu o comando da Itália. A situação dessa vez era insustentável. Vietinghoff reuniu-se com o Obergruppenführer Karl Wolff, comandante das SS na Itália, e juntos decidiram iniciar negociações de rendição das forças do Eixo naquela área. Wolff então se encontrou secretamente com lideranças americanas na Suíça, durante a chamada Operação Sunrise. Vietinghoff e Wolff assinaram a rendição aos Aliados em 29 de abril de 1945, entregando-se como prisioneiros no dia 2 de maio.

Heinrich von Vietinghoff permaneceu prisioneiro dos americanos no Campo Especial nº 11 em Bolzano, Itália, até o ano seguinte, quando foi libertado. O General faleceu em Pfronten-Ried, no sul da Bavária, em 23 de fevereiro de 1952, aos 64 anos de idade.

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quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Numa missão para matar Hitler, Tom Cruise e seus conspiradores


Numa missão para matar Hitler, Tom Cruise e seus conspiradores

Suas faces sombrias refletem a gravidade de sua missão.


Vestidos em uniformes alemães e ternos escuros, o personagem de Tom Cruise e seus co-conspiradores revisam seu plano para assassinar Adolf Hitler – e acabar com a Segunda Guerra Mundial.

Os camaradas de Cruise são interpretados por Kevin McNally, Christian Berkel, Bill Nighy, Terence Stamp, David Schofield e Kenneth Branagh.

Eles formam o núcleo da resistência anti-nazista no filme Valkyrie, que Cruise prometeu que será fiel à história.

O filme descreve o malfadado plano para explodir o ditador em 20 de julho de 1944. Ele sobreviveu, e os conspiradores pagaram com a vida.

1-Carl Goerdeler
KEVIN McNally, 51, interpreta Carl Goerdeler, ex-prefeito de Leipzig. Ele era filho de um juiz prussiano, e após estudar direito se tornou um funcionário público.

Ele também comissário de preços no governo de Heinrich Brüning e permaneceu no posto quando Adolf Hitler subiu ao poder em 1933.

Goerdeler renunciou em 1934 após um desacordo com Hitler sobre suas políticas e foi figura central na resistência civil ao Führer.

Mas quando a o atentado a bomba de 20 de julho falhou, ele foi traído e preso. Foi decapitado na Prisão de Ploetzensee em Berlim em 1945.

2-Albrecht Ritter Merz von Quirnheim
UM dos poucos alemães no elenco, Christian Berkel, 49, interpreta von Quirnheim, um antes devotado nazista que tinha se desiludido com a conduta da guerra por Hitler em 1943.

Tragado pela conspiração, ele foi morto em julho de 1944, quando Hitler sobreviveu à bomba que explodiu em seu quartel-general na Prússia Oriental.

3-General Friedrich Olbricht
BILL Nighy, 57, interpreta o General que era um dos principais arquitetos da operação.

Ele desconfiava de Hitler desde o início, mas serviu com distinção na campanha da Polônia em 1939 e contra a França no ano seguinte.

O General foi executado no Bendlerblock em Berlim, o quartel-general do Alto-Comando do Exército, onde os conspiradores esperavam realizar um golpe.

4-Claus Schenk Graf von Stauffenberg
TOM Cruise, 45, interpreta o papel principal do aristocrata que planta uma pasta contendo um quilo de explosivos na sala de conferências de Hitler em seu quartel-general.

Mas a pasta foi movida para trás de uma perna da mesa antes de explodir, protegendo Hitler do grosso da explosão que matou quatro outras pessoas no recinto.

O personagem de Cruise voltou-se contra a guerra após descobrir do extermínio dos judeus pelos nazistas.

Stauffenberg era a força motriz por trás da conspiração. Ele também encontrou seu fim no Bendlerblock ante um pelotão de fuzilamento, gritando,
“Vida longa à Alemanha!”

5-General Ludwig Beck
TERENCE Stamp, 68, interpreta o General, um dos poucos oficiais a enfrentar Hitler nos primeiros dias do regime.

Como o Chefe do Estado-Maior, o personagem do ator inglês viu que uma guerra com o Ocidente não podia ser vencida e renunciou em agosto de 1938.

O General juntou-se à resistência mais tarde e foi preso após a falha do atentado.

Foi permitido a ele cometer suicídio com sua própria pistola, mas ele somente conseguiu cegar-se. Foi morto por um soldado da SS.

6-Marechal de Campo Erwin von Witzleben
DAVID Schofield, 56, que participou da trilogia Piratas do Caribe, interpreta o Marechal de Campo, que foi um dos conquistadores da França na Blitzkrieg de 1940.

Como Stauffenberg, o personagem do ator inglês descobriu que Hitler estava dirigindo a Alemanha para um desastre e juntou-se aos conspiradores em 1942.

Preso em 8 de agosto de 1944, ele foi estrangulado na Prisão de Ploetzensee em Berlim. Milhares de co-conspiradores tiveram o mesmo destino, suas mortes sendo filmadas para serem assistidas por Hitler em seu cinema no refúgio de Berchtesgarden.

7-Henning von Tresckow
KENNETH Branagh, 46, interpreta o mais próximo cúmplice de Stauffenberg na conspiração.

Embora inicialmente um simpatizante nazista, o personagem do ator shakesperiano se desencantou com os planos de guerra de Hitler.

Ele planejou diversas tentativas de assassinato, mas todas falharam. Quando descobriu que o atentado a bomba havia falhado, se matou com uma granada de mão no front leste.

Ele deixou para trás muitos documentos, um dos quais dizendo: “Hitler é um louco dançante. Alguém deve matá-lo.”

fonte: Daily Mail, 5 de setembro de 2007
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terça-feira, 4 de setembro de 2007

La Leggenda del Comandante Diavolo


Apresento-lhes um fantástico documentário "La Leggenda del Comandante Diavolo", feito pela RAI recentemente, e que mostra um resumo biográfico da impressionante carreira de Amedeo Guillet.

Bastante completo, recheado de detalhes e fotos inéditas, o documentário conta ainda com depoimentos do próprio sr. Guillet, que com quase 100 anos de idade continua com uma vitalidade inacreditável!

Em italiano, mas mesmo assim imperdível:

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5


Parte 6

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domingo, 2 de setembro de 2007

Amedeo Guillet


Amedeo Guillet
Tenente
(1909 - 2010)

Em 20 de junho de 2000, uma importante e magnífica cerimônia tomou lugar na Casa dos Comuns de Cápua, Itália. O objetivo da cerimônia era conceder cidadania honorária da cidade ao Embaixador Amedeo Guillet. Para a ocasião, as mais altas autoridades civis, políticas e militares da província foram convidadas, juntamente com diversos representantes de centros diplomáticos da Itália e de outros países, além de jornalistas e equipes de TV. Nesse evento, o anfitrião de 91 anos de idade disse ter “apreciado e ansiado muito por essa cidadania”.

Para a cidade, essas palavras têm grande significado, pois, o Embaixador Amedeo Guillet é condecorado com as máximas honras civis e militares.

Quando se deu a cerimônia, seu peito exibia 5 Medalhas de Prata ao Valor Militar, 1 de Bronze, 5 Cruzes de Guerra, Cavaleiro da Ordem Militar de Savoia, Cavaleiro da Grande Cruz da Ordem do Mérito da República Italiana, Grande Oficial da Ordem do Nilo da República Árabe do Egito, Cavaleiro da Grande Cruz da Ordem de São Gregório Magno da Santa Sé, Cavaleiro da Grande Cruz da Ordem do Mérito da República Federal da Alemanha, Cavaleiro da Grande Cruz da Ordem do Mérito de Kaukab do Reino Hahemita da Jordânia e Cavaleiro da Grande Cruz da Ordem do Mérito do Reino Alaouita do Marrocos.

Esses títulos são somente alguns dos mais importantes reconhecimentos a um dos mais ecléticos e gloriosos homens da história da nação italiana. Muitas páginas já foram escritas, mas nunca o suficiente sobre a longa e aventurosa vida de Amedeo Guillet, que também é Barão e General de Cavalaria. Numerosos artigos foram escritos por seus maiores amigos, Indro Montanelli e Sergio Romano, que publicaram parte de sua biografia autorizada alguns anos atrás, e que foi editada por Victor Dan Segre. Chegou à sua décima primeira edição e a próxima está em progresso.

Amedeo Guillet ganhou parte de sua notoriedade quando os britânicos inutilmente lutaram contra ele na África Oriental Italiana (AOI).

É oportuno lembrar quem é Amedeo Guillet, mas também o é saber que as coisas ditas daqui em diante são somente uma síntese cronológica da vida de um homem com valores e ideais que têm o gosto de algo nobre e cavalheiresco. O que será narrado pode ser visto como um conto de outros tempos. Podemos garantir que tudo é absolutamente verdade, está documentado e sem tons retóricos.

Ainda hoje, a verdade pode ser vista nos olhos e nas palavras do Embaixador Guillet, envoltas em serenidade e imensa cultura, a mesma firmeza mental, força e irrestrita vontade que fizeram dele o temível “Diabo Comandante”.

Por volta de 1860, o Cavaleiro Giuseppe Guillet (1835-1914) deixou sua cidade natal S. Pierre d’Albigny e seguiu seu rei, Vittorio Emanuele II, na conquista do Reino da Duas Sicílias. Em Cápua, um importante forte, ele encontrou a atmosfera ideal e casou-se com Maria Domenica Paggarino (1848-1924), vinda de uma rica família Cápuana. Giuseppe teve três filhos, Alfredo (1872-1950), Amedeo (1874-1939) e Ernesto (1876-1961). Todos seguiram carreiras militares, chegando a altos postos pouco tempo depois do alistamento. Embora tenham viajado por toda a Itália, estavam sempre de volta a Cápua, onde por sua própria escolha, hoje descansam no cemitério local ao lado dos pais. Dos três, Amedeo se tornou senador do Reino numa área perto de sua cidade natal durante os anos 30 (senador era um cargo designado, mas recebido com grande prestígio).

Em fevereiro de 1909, nosso Amedeo Guillet nasce em Piacenza. Amedeo nasceu de uma vida militar e como conseqüência abraçou também o serviço militar. Viveu por toda a Itália, mas sempre com afeição por Cápua e a Piazza dei Giudici, que fica em frente à sacada da casa dos Guillet. Amedeo passou muitos anos de sua infância entre as muralhas da antiga Cápua. Até hoje, quando ele vem visitar a cidade, sempre faz uma parada para rever sua amada esposa Bice, enterrada numa capela no cemitério de Cápua. Ele passa dias inteiros atrás daquelas janelas que ficam em frente à prefeitura. Nesses momentos sua mente se enche de memórias da juventude; ao seu lado ainda está o piano pertencente a sua mãe, onde deu seus primeiros passos como talentoso pianista, arte que se tornou uma paixão de família.

Amedeo graduou-se na Academia de Infantaria e Cavalaria de Modena em 1930 e iniciou sua carreira no Regio Esercito Italiano. Foi um dos maiores cavaleiros de seu tempo, nos campos militar e civil. Ainda hoje ele cavalga seus amados puros-sangues na Irlanda.

Se tornou vencedor incontestável de competições eqüestres que o impulsionaram na carreira, e foi aceito na burguesia e nobreza romana onde seus nobres e belos traços não passaram desapercebidos.

Em 1934 ele estava na Líbia. Em 1935 participou com os Spahis da Líbia na Guerra da Abissínia (Etiópia). Essa terra e sua orgulhosa população para sempre se lembrarão da mente e vida daquele jovem oficial. Em seqüência ele foi para a Espanha, como Comandante de uma Companhia Arditi da Divisão “Fiamme Nere”, onde consolidou amizade com o Coronel Giuseppe Amico, também de Cápua, que em 1943 foi agraciado com a Medalha de Ouro ao Valor Militar em memória.

Amedeo se tornou comandante de um grupo composto de marroquinos. Após um breve período na Itália, e já reconhecido como capaz organizador de homens e meios, ele foi enviado à Líbia como Comandante do VII Esquadrão Savari em 1937. Foi reconhecido pelas ótimas relações estabelecidas com os nativos e colocado na organização da divisão eqüestre, que devido ao grande número de homens e responsabilidades, devia ser feita por um oficial de posto mais alto.

Guillet era um cavaleiro de habilidades sublimes, e com freqüência tirava vantagem da habilidade de alguém com cavalos. Era um exímio instrutor de homens e animais. Essa característica o ajudou a salvar sua vida em muitas ocasiões. Em outras ocasiões, foi útil para conseguir a confiança de importantes líderes tribais, chefes de estado e homens do governo.

Ele retornou a Cápua após contrair malária e ficou na casa dos pais. Foi amavelmente recebido por sua mãe Franca e sua prima Bice, sua futura esposa. Assim que recuperou-se totalmente, ele pediu para ir, atrasar o casamento, e prevenir de ser acusado de usar sua licença para fins impróprios.

Em 1938 ele foi enviado como Tenente da 13ª Cavalaria de Monferrato para a AOI. Participou das primeiras ações com o XIV Grupo Esquadrão de Amhara. Em 1939 foi participante de um obscuro episódio detalhado a seguir.

Em 6 de agosto, na zona de Dougur Dubà, ele ficou sabendo de ataques de rebeldes contra a população sob governo colonial italiano. Ele chegou ao local e forçou os rebeldes a fugirem. Num momento durante uma carga de cavalaria, seu cavalo foi morto, e ele imediatamente pediu ao seu ordenança o cavalo dele. Esse cavalo também foi morto. Amedeo se encontrou a pé, carregando um metralhadora, quando perseguiu e cortou os últimos rebeldes. Essa indomável, brava ação que foi conduzida das linhas de frente com escárnio pela morte, lhe valeu uma Medalha de Prata.

Em 1940, ele foi encarregado de formar um “Gruppo Bande a Cavallo”. As “Bande a Cavallo” eram unidades nativas, normalmente de dubats, que eram recrutados e comandados por oficiais italianos. O laço humano que foi criado entre o Comandante e os dubats era o segredo do sucesso ou fracasso dessas unidades. Amedeo Guillet foi bem sucedido ao recrutar milhares de eritreus de diferentes etnias, de bastante contraste, por falar a língua dos beduínos e com chefes de aldeia. Sua unidade, denominada nos livros de história como “Gruppo Bande Guillet”, era distinta por seu absoluto “fair play” com as populações locais e pelos profundos laços que ligavam seus homens, tão diferentes entre si quanto seu Comandante. Guillet pode se gabar de nunca ter sido traído, e 5.000 eritreus sabiam perfeitamente onde ele vivia. Foi nessa época no “Chifre da África” que a lenda de um grupo de eritreus com excelentes habilidades de luta, comandados por um notório “Diabo Comandante” nasceu.

A habilidade de Guillet em projetar o “fair play”, o senso de honra e lealdade a qualquer custo, por sua palavra, deu-lhe credibilidade perante uma sociedade tribal que exaltava tais qualidades. No fim de 1940, os ingleses perceberam que estavam enfrentando um indivíduo único, que poderia lhes trazer diversos problemas, e não somente militares. Usando tropas regulares, e depois com a ajuda do Serviço de Inteligência, eles começaram a caçar o “Diabo Comandante”. As forças Aliadas o enfrentaram na estrada para Amba Alagi, e especificamente, nas proximidades de Cherù. Ele foi encarregado pelo Duque d’Aosta da tarefa de atrasar o avanço Aliado pelo noroeste. As batalhas e escaramuças que este jovem tenente foi protagonista (Amedeo não tinha o posto apropriado, mas comandava toda uma brigada) estão minimamente descritas nos boletins de guerra britânicos. As proezas que ele criava diariamente, quase vistas como um jogo, explica porque os ingleses os chamavam não só de “Cavaleiro de Outros Tempos” mas também de “Lawrence da Arábia Italiano”.

Cargas de cavalaria com espadas desembainhadas, armas, bombas incendiárias e de mão contra tropas blindadas britânicas ocorriam dia após dia. Uma olhada em documentos oficiais mostra que em janeiro de 1941 em Cherù “...com a tarefa de proteger o recuo dos batalhões... com uma manobra habilidosa e intuição de comandante... Num dia inteiro de furiosos combates a pé e a cavalo, ele fez cargas consecutivas enquanto liderava suas tropas, atacando os preponderantes (em números e meios) soldados de um regimento inimigo, incendiando tanques, penetrando no flanco da artilharia inimiga... embora com grandes perda humanas,... o Capitão Guillet, ... num momento de particular dificuldade durante sua árdua luta, guiou com desconsideração pelo perigo, um ataque contra tanques inimigos com bombas de mão e garrafas de benzina, incendiando dois deles enquanto um terceiro conseguiu escapar em chamas.”

Nesses meses muitos orgulhosos italianos morreram, incluindo muitos bravos eritreus que lutaram sem medo pelo rei e pelo povo que nunca viram ou conheceram. Ainda hoje o “Diabo Comandante” usa palavras de profundo respeito e admiração por aquela orgulhosa população por quem ele se em dívida como soldado, italiano e homem. Ele nunca parou de repetir que “os eritreus são os prussianos da África, sem os defeitos dos prussianos”. Suas ações tiveram o esperado sucesso e salvaram as vidas de milhares de italianos e eritreus que fugiam do território de Amba Alagi.

Entre as muitas ações não podemos esquecer a que aconteceu no fim de janeiro de 1941 em Cherù, quando o Guillet decidiu desferir um grande golpe nas forças blindadas inimigas. Ao amanhecer ele liderou uma carga com apenas espadas, pistolas e bombas de mão contra uma coluna de tanques. Passou ileso por entre os ingleses que ficaram fascinados e bestificados com tamanho desprezo pela morte. Amedeo então retornou para atacar novamente. Enquanto isso, os ingleses conseguiram se organizar e atirar em grau zero com seus canhões. As granadas abriram os peitos dos cavalos antes de explodirem. Nesse ínterim forma-se a figura desse italiano que cavalga um fabuloso cavalo branco, Sandor, com um esquadrão de dubats gritando “Savoia!” que permaneceu na memória histórica do povo anglo-saxão. Seria a última carga de cavalaria que o Império Britânico enfrentaria, e a penúltima na história da cavalaria militar. De fato, pouco mais de um ano depois, por mais irônico que pareça, um grande amigo de Guillet, o Coronel Bettoni, lançou os homens da Cavalaria de Savoia contra tropas soviéticas na Rússia.

Suas tropas coloniais pagaram um alto preço em termos de perdas humanas, com aproximadamente 800 mortos no período de dois anos e, em março de 1941, suas forças foram cercadas fora das linhas italianas. Amedeo Guillet ainda se lembra dos muitos amigos que tinha entre os 800 mortos, cujas mortes ele também sofreu e cuja memória o segue dia após dia. Amedeo, fiel até a morte ao juramento à Casa de Savoia, não perdeu seu espírito ao estar longe das linhas italianas e começou sua guerra particular contra a Inglaterra. Escondendo seu uniforme perto de uma fazenda italiana, ele incendiou a região à noite por quase oito meses. Sua reputação crescia dia após dia. Ele se tornou árabe para os árabes, e ele ama se lembrar que não comia, vivia, rezava e falava “como” árabe, mas fazia essas coisas “da forma” árabe. Daquele momento em diante, Amedeo Guillet deixava de existir e nascia Ahmed Abdallah Al Redai, um iemenita, refugiado na Eritréia, que tinha repulsa pelos italianos. Seus atos clandestinos foram tão perfeitos, que ele oferecia chá e entretenimento a um oficial inglês, o Capitão Gibbs, enquanto este interrogava alguns italianos pelo paradeiro do “Diabo Comandante”. Uma recompensa de 1000 libras em ouro, uma quantia considerável por sua captura morto ou vivo, foi oferecida, sem resultados; foi também criada uma missão do Serviço de Inteligência que foi inútil em encontrá-lo.

O medo e respeito que ele inspirava em seus oponentes eram tão fortes que ele era freqüentemente responsabilizado por atos de sabotagem e guerrilha dos quais nunca fez parte.

No fim o “Diabo Comandante” teve que deixar seu cavalo Sandor, seus fiéis dubats e sua jovem e amada Princesa Kadija.

Após milhares de aventuras, incluindo trabalhar como vendedor de água, ele finalmente conseguiu chegar ao Iêmen, onde por dois anos treinou os soldados e cavaleiros do exército de Imam Ahmed, de cujo filho Amedeo se tornou grande amigo.

Apesar da oposição da Casa Real Iemenita, ele conseguiu embarcar escondido num navio da Cruz Vermelha e retornou para a Itália alguns dias antes do Armistício.

Assim que atingiu a região de Puglia ele pediu por navios, homens e armas para ajudar seus irmãos eritreus. Mas infelizmente, os tempos haviam mudado. Repentinamente promovido a Major por méritos de guerra, ele foi designado para a Agência Militar de Inteligência. Nesse papel, ele foi escolhido pelos britânicos para algumas perigosas missões em território italiano sob controle alemão.

Até mesmo nessa nova missão o Major Guillet não se importava com riscos que enfrentava, devido ao juramento ao seu país. Em muitas ocasiões, ele tirou vantagem de sua posição (algumas vezes contra seus novos aliados) para completar suas missões. Ele trabalhou intimamente com um oficial de serviços, um cadete do Coronel Harari, Victor Dan Segre, que mais tarde iria se tornar seu amigo biógrafo. O Coronel Harari era o comandante das unidades especiais britânicas que tentaram capturá-lo na AOI.

No fim da guerra, e com a derrota da monarquia, Amedeo Guillet expressou sua vontade de deixar a Itália. Ele informou o Rei Umberto II das suas intenções, mas este o forçou a continuar servindo o país em qualquer governo que se formasse. Como sempre, ele não podia desobedecer seu Rei, então expressou sua vontade de ensinar antropologia numa Universidade.

De fato, Amedeo não era somente um Barão, mas era também graduado em Ciências Coloniais e Direito. Mas acima de tudo, ele amava o mundo árabe do qual se tornou um expert. Conhecia perfeitamente os costumes, hábitos, mentalidade, orações e mais importante, podia falar vários dialetos locais com a entonação certa. Seus atos clandestinos na Eritréia não teriam sido possível sem sua perfeita sintonia com o mundo árabe.

Com a idade de 40, Amedeo Guillet havia participado de excepcionais e espantosas aventuras que satisfariam qualquer humano comum. Mas não ele. Ele ainda era o “Diabo Comandante”.

Graças a seus numerosos talentos, e amizades conquistadas durante os negros anos da guerra, ele foi convidado para entrar para o Corpo Diplomático. Aceitou, mas queria participar do exame regular, sem favoritismos. Ele fez o teste para 15 posições com 400 candidatos e ficou em 5º lugar. Quando menciona essa conquista, ele fala como um jovem orgulhoso estudante que recebe uma boa nota. Mas ao olhar para ele, percebe-se um pouco de remorso por não ter ficado em 1º!

Sua nova vida o levou aos centros diplomáticos do Egito, Iêmen, Jordânia, Marrocos e finalmente Índia, até 1975. E sempre, quando retornava à Itália, Amedeo Guillet fazia uma visita à sua mãe; e seus filhos Paolo e Alfredo que eram estudantes em Nunziatella, freqüentemente estavam com sua avó Franca em Cápua.

Ele costumava entreter seus amigos, mas somente os mais próximos, e com extrema confidencialidade e humildade narrava os fatos de sua vida.

Um exemplo de sua humildade aconteceu no fim dos anos 50, quando ele foi reapresentado à Imam Ahmed como Embaixador da Itália para o Iêmen, junto com todo o Corpo Diplomático. Imam era o líder que o havia abrigado por dois anos e fez tudo o que podia para mantê-lo no Iêmen durante a guerra. Guillet não tinha palavras para se apresentar, não sabia o que fazer perante a presença de uma personalidade tão influente que lamentara tanto sua ida para a Itália. Imam olhou-o com severidade e disse-lhe “finalmente você decidiu voltar para casa”.

Ele passou aproximadamente sete anos no confortável país com a íntima amizade do poderoso Imam. Nunca esquecendo a razão de sua presença no Iêmen, ele evitou qualquer tipo de envolvimento que não estivesse de acordo com os interesses italianos.

Sua atividade diplomática, talvez pouco conhecida, está agora sendo estudada por grupo na Irlanda, onde ele reside com seus amados cavalos. Os documentos que ele guarda em imensos arquivos confirmam o papel proeminente que teve a Itália na história problemática do Oriente Médio.

Mas para Amedeo Guillet a carreira diplomática não era uma aposentadoria de forma alguma. Ao contrário, ele sempre tentou fazer algo novo e importante, que daria crédito à Itália, renome e perspectiva, tanto política quanto economicamente. Ele continuou correndo riscos altos, não por glória, mas somente por seu país; assim como seus avós, seus pais, seus tios e seu primo Paul, imortalizado nos céus de El-Alamein. Suas amizades com Lorde Mountbatten, Indira Gandhi, Rei Hussein e Hassan II permanecerão na história. Ele estava com Hussein, que costumava chamá-lo de tio, na Guerra dos Seis Dias. Ele foi bem sucedido ao salvar muitas pessoas importantes durante uma revolta no Marrocos. Na Jordânia, ele resgatou muitas famílias alemãs que eram ameaçadas de assassinato por vingança de integralistas palestinos.

A Santa Sé o consagrou com o título de "Cavalierato di Gran Croce di S. Gregorio Magno", a mais alta condecoração para um leigo, por ter organizado toda a visita do Papa Paulo VI à Palestina; e naqueles anos não era nada fácil negociar entre facções de milícia no Oriente Médio. O Embaixador Guillet é particularmente orgulhoso dessa condecoração, sendo profundamente religioso. Ele se lembra como sua mãe, Franca, no seu próprio testamento, doou para a igreja Cápuana uma lasca da Cruz de Jesus que pertencia à sua família por diversas gerações. É uma das 32 lascas homologadas por selos Papais.

Desde 1975, ele vive na Irlanda, circulado por seus amados cavalos e amigos ingleses que continuamente mostram sua afeição e respeito. Ele freqüentemente vem a Roma, onde seus filhos vivem, e nunca perde uma visita à sua amada Cápua, onde muitas vezes sua memória o leva aos juvenis anos ali passados.

À respeito dos ingleses, Amedeo Guillet ama se lembrar que uma das poucas qualidades invejáveis que eles têm é o “fair play”. Resumindo, aquela grande firmeza de caráter de reconhecer e dar o correto valor aos seus oponentes. Os ingleses teriam feito o impossível para matá-lo, e ele teria feito o mesmo. Mas uma vez que a guerra havia terminado, eles o ampararam para dar a ele as honras merecidas. Por exemplo, o mais significante encontro foi com o Coronel Harari, seu caçador à serviço da Grã-Bretanha, que lhe deu um chumaço de cabelos prateados da crina de seu mítico cavalo Sandor, que foi morto. O Coronel queria criar essa memória porque sentia no íntimo que o “Diabo Comandante” sobreviveria aos esforços britânicos e deveria ser-lhe prestada a devida homenagem.

Amedeo Guillet é também muito orgulhoso de ter sido convidado quatro vezes para ser anfitrião de honra das reuniões de oficiais ingleses sobreviventes que o General Platt organiza periodicamente. Ser convidado para essas cerimônias é muito difícil, praticamente impossível para um estrangeiro. Imagine ser convidado como anfitrião, quatro vezes!

Desde 1975, sua carreira não parou. Sua alta reputação ganha no mundo árabe o fez se tornar hoje um consultor diplomático. Nos seus mandatos de extrema objetividade, ele sempre mostra suas altas credenciais às diferentes etnias árabes, e o respeito, confiança incontestável, conquistadas dos ingleses. As virtudes acima, junto com a imensa experiência cultural, e sua paixão por cavalos, abriram portas que usualmente ficam fechadas. Seu grande amigo Montanelli diz que “...o Diabo Comandante, para continuar com suas diabruras, mora na Irlanda, onde cavalos não são caros, e há bastante espaço para cavalgá-los, e isso na idade de 90, com os ossos fora do lugar, continua a cavalgar todos os dias”. Montanelli não sabe que Amedeo Guillet não continua fazendo suas diabruras só na Irlanda, mas também em Roma, Cápua e qualquer outro lugar que sua jovem mente e espírito indomável o levem.

Em maio de 2000 ele foi pessoalmente convidado pelo presidente da Eritréia, Isayas Afwerki, para revisitar os lugares em que ele foi protagonista na década de 40. Ele aceitou o convite para ir à Asmara e foi recebido com todo o protocolo utilizado para Chefes de Estado. Durante a cerimônia de chegada, aproximadamente 200 eritreus que estiveram sob seu comando durante a guerra compareceram. Após 56 anos, eles não queriam perder a presença que os acompanhou durante tanto tempo em 1941. Amedeo Guillet, que certamente estava acostumado à emoções fortes, ficou profundamente tocado, e o episódio o marcou muito.

Ele se emocionou ao ver como a memória de seus atos, passada de pai para filho, se tornou parte da memória da nação. Na verdade, naquelas terras, ele é considerado um ídolo, um patriota, não só da causa italiana, mas sobretudo, da independência da Eritréia.

Ele se sente orgulhoso de ser tão amado por um povo que ele respeita e de certo modo inveja, comparado às sociedades ocidentais. Ele também se lembra que foi ele, antes de ir para o Iêmen, que revelou a localização de todas as armas italianas escondidas no deserto a eles. Isso deu vida a guerra de liberação e independência da Etiópia, que terminou somente alguns anos atrás; revelando a razão da memória dos feitos do “Diabo Comandante”.

Um último e importante episódio aconteceu em 12 de julho de 2000, quando o presidente Ciampi recebeu o General Guillet em audiência, juntamente com alguns outros Cavaleiros da Ordem Militar da Itália, em Quirinale, onde uma reservada cerimônia aconteceu.

Ainda que extremamente tarde, o Presidente Ciampi nomeou-o, em 6 de novembro de 2001, dia da Festividade das Forças Armadas, Cavalierato di Gran Croce dell’Ordine Militare di Savoia. A mais alta condecoração que militar italiano pode merecer. Concedida de 1855 até 1942, data da última nomeação, a somente 28 italianos, como Ferrero Della Marmora, Menabrea, Cadorna, Diaz, Pietro Badoglio, Thaon di Revel e Ettore Bastico. Apenas para se ter idéia da importância da condecoração, o herói do Risorgimento, Giuseppe Garibaldi, foi condecorado com a mesma Ordem, só que em grau menor.

Hoje Amedeo Guillet é merecidamente um dos mais condecorados, nos campos ambos civil e militar, italianos da história da Itália. É importante ressaltar que este artigo não faz grande menção à sua história com sua esposa Bice Gandolfo, seu romance com a Princesa Kadija, sua família, ou suas aventuras militares na Espanha, África ou durante suas missões diplomáticas.

Comprovando mais uma vez sua vivacidade, o Embaixador compareceu pessoalmente à uma exposição em homenagem à sua pessoa, realizada em Roma no último outubro (2004).

É necessário concluir essa breve biografia de Amedeo Guillet citando uma mensagem, recebida durante a cerimônia em Cápua, do Embaixador da Itália na Irlanda, Ferdinando Zezza:

EMBAIXADA ITALIANA NA IRLANDA

O Embaixador

Dublin, 20 de junho de 2000

Pesaroso por não poder estar com Vossa Senhoria em tão importante ocasião, eu desejo expressar mais sincera, viva, gratidão pela decisão de conferir ao General, Embaixador Amedeo Guillet, a cidadania honorária da cidade de Cápua.

Soldado heróico, mais distinto diplomata, o General, Embaixador Amedeo Guillet – cuja a amizade me honra – construiu toda a sua vida em momentos de extrema dificuldade, um brilhante exemplo de fidelidade aos mais nobres valores do homem e cidadão, que deve ser carregado como modelo para os futuros italianos. Para a Cidade de Cápua, em seu novo e ilustre cidadão e pessoalmente ao Prefeito, vai esse pensamento movido em dia tão propício.

Ferdinando ZEZZA, Embaixador da Itália – Dublin


Fonte: http://www.comandosupremo.com/Guillet.html

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