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domingo, 27 de maio de 2007

Maximilian von Weichs


Maximilian von Weichs
Generalfeldmarschall
(1881 - 1954)

Maximilian Maria Joseph Karl Gabriel Lamoral Reichsfreiherr von Weichs zu Glon nasceu em Dessau, Saxônia, no dia 12 de novembro de 1881. Parte de uma família nobre da região, seu pai era Oberst do Exército Imperial. Weichs iniciou serviço na Cavalaria Bávara em 1901 e foi promovido a Leutnant em 12 de março de 1902. Com eles lutou na Primeira Guerra Mundial. De 1915 a 1918 ele serviu no Estado-Maior do 3º Corpo de Exército Bávaro e ganhou as duas classes da Cruz de Ferro. Após o término do conflito foi escolhido para permanecer no recém-criado Reichswehr, onde ocupou uma série de posições de Estado-Maior e finalmente atuou como instrutor. Chegou a Oberst em 1 de novembro de 1930 e Generalmajor em 1 de abril de 1933.

Em outubro de 1937, já promovido a General der Kavallerie, ele se tornou comandante do 13º Corpo de Exército, que mais tarde serviu na ocupação dos Sudetos em 1939. Como parte do “Fall Weiss”, a ofensiva alemã contra a Polônia, ele foi apontado comandante de seu próprio corpo de exército, o Corpo de Exército “Weichs”.

Após a rendição da Polônia, e em preparação para a invasão da França, Weichs foi nomeado Comandante-em-Chefe do 2º Exército, como parte do Grupo de Exércitos A, de Gerd von Rundstedt, nas Ardenas. Pelo bem-sucedido comando do 2º Exército durante a campanha, ele foi agraciado com a Cruz do Cavaleiro e promovido a Generaloberst em 19 de julho de 1940. Liderando novamente seu exército, Weichs tomou parte na Operação Marita, a invasão da Iugoslávia e Grécia em abril de 1941. Para a Operação Barbarossa, a invasão da URSS, Weichs comandou o 2º Exército como parte do Grupo de Exércitos Centro do Generalfeldmarschall Fedor von Bock. Ele liderou o 2º Exército em 1941 durante as batalhas de Kiev, Smolensk e depois Vyazma e Bryansk.

Em 1942, para o “Fall Blau”, a ofensiva no sul da Rússia com o objetivo de conquistar o Cáucaso, Weichs foi chamado para liderar o recém-formado Grupo de Exércitos B. Ele tinha agora sob seu comando o 2º Exército de Hans von Salmuth, o 4º Exército Panzer de Hermann Hoth e o 6º Exército de Friedrich Paulus. Em adição aos exércitos alemães, o Grupo de Exércitos B tinha também em seu inventário o 2º Exército Húngaro, o 8º Exército Italiano e os 3º e 4º Exércitos Romenos. O 6º Exército foi designado para tomar a cidade de Stalingrado e cobrir aproximadamente 800 km do front.

Weichs alertou o Alto-Comando que suas linhas de suprimento estavam muito esticadas, mas
Hitler ignorou os avisos. Os medos de Weichs se confirmaram quando, em 19 de novembro de 1942, os soviéticos conseguiram esmagar o flanco dos exércitos húngaro, italiano e romenos na curva do rio Don, isolando o 6º Exército de Paulus em Stalingrado. Ao sugerir uma retirada, Weichs caiu em desgraça com Hitler. Conseqüentemente, parte do Grupo de Exércitos B foi tirada de Weichs e incorporada ao Grupo de Exércitos Don comandado por Erich von Manstein. Apesar da catástrofe ocorrida durante seu comando, mas dificilmente por sua culpa, Weichs foi promovido por Hitler a Generalfeldmarschall no dia 1 de fevereiro de 1943. Mais tarde no mesmo mês, o que restava das tropas de Weichs juntou-se ao Grupo de Exércitos Don formando o novo Grupo de Exércitos Sul, cujo qual Manstein manteve o comando. Sendo assim, Weichs foi posto na reserva do Führer.

Como a situação alemã na guerra começava a ficar mais desesperadora, em agosto de 1943 Weichs foi apontado Comandante do Grupo de Exércitos F no Bálcãs, para defender a frágil região contra um possível desembarque Aliado, assim como combater os grupos de partisans locais que vinham ganhando cada vez mais força. Em fins de 1944 ele supervisionou a retirada alemã da Grécia e de grande parte da Iugoslávia.

Com a Alemanha caindo em pedaços, Maximilian von Weichs recebeu as Folhas de Carvalho da Cruz do Cavaleiro em 2 de março de 1945, e aposentou-se no dia 25, sendo feito prisioneiro pelos americanos em 2 de maio. Durante os Julgamentos de Nuremberg, Weichs foi acusado responsável por crimes de guerra cometidos durante seu comando na luta contra os partisans iugoslavos, mas foi removido do banco de réus por razões de saúde, sem ter sido julgado ou sentenciado.

Após longa luta contra uma doença, o Generalfeldmarschall Maximilian von Weichs faleceu na cidade Burg Rösberg, perto de Bonn, em 27 de junho de 1954, aos 72 anos de idade.

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quinta-feira, 24 de maio de 2007

Sir Alan Brooke


Sir Alan Brooke
Marechal-de-Campo
(1883 - 1963)

Alan Francis Brooke nasceu em Bagnères-de-Bigorre, na França, em 23 de julho de 1883. Era o filho mais novo do Baronete de Ulster, uma proeminente família do norte da Irlanda. Foi educado na França até os 16 anos, o que lhe permitiu falar francês fluentemente. Ele foi comissionado na Artilharia Real em 1902, servindo na Irlanda e na Índia. Em 1909 ele foi designado para a Eagle Troop, Artilharia Montada Real, e em 1914 os acompanhou para a França. De 1915 em diante Brooke serviu numa variedade de posições de Estado-Maior, incluindo o Estado-Maior de Artilharia do Corpo Canadense e do 1º Exército.

Nos anos do pós-guerra ele foi primeiramente estudante e depois instrutor na Academia de Estado-Maior, antes de sua designação, agora como Brigadeiro, para o comando da Escola de Artilharia em 1929. Uma série de posições se seguiu, primeiro como Diretor de Treinamento Militar em 1936, Comandante da Divisão Móvel em 1937, Comandante do Corpo de Artilharia Anti-Aérea em 1938 e Comandante do Setor Sul em 1939. Quando começou a Segunda Guerra Mundial, o Tenente-General Brooke foi colocado no comando do II Corpo da Força Expedicionária Britânica, que ele liderou com distinção durante os ataques alemães até a retirada em Dunquerque.

Após seu retorno da França, ele foi promovido a General e designado Comandante-em-Chefe das Forças Metropolitanas (Home Forces) e encarregado do planejamento das defesas anti-invasão. Em dezembro de 1941, Brooke foi apontado Chefe de Estado-Maior Imperial (Chief of Imperial General Staff, CIGS), a autoridade militar máxima do Exército Britânico. Ele manteve este posto até janeiro de 1946, quando se aposentou como Marechal de Campo e o título de Visconde.

Apesar de seus feitos na França em 1940, é por seu período como CIGS que Alan Brooke é prioritariamente lembrado. Foi uma grande sorte para a Grã-Bretanha que Brooke e Churchill completassem um ao outro, embora muitas vezes discordassem em certos assuntos. Churchill tinha uma visão mais ampla da conduta da guerra, concentrando-se na luta pela Europa; cabia a Brooke cuidar dos detalhes, apontar as falhas e estatísticas em homens e material. Fazendo isso, Brooke muitas vezes cortava a euforia de Churchill em seus grandiosos planos; por exemplo: o Primeiro-Ministro insistia repetidamente na idéia de invadir a Noruega ou montar uma
expedição anfíbia no Báltico. Quando ofereceram a Brooke o comando do Oriente Médio em 1941, ele recusou, por saber que conhecia Churchill melhor que qualquer outro General e sabia lidar com ele.

O cargo de CIGS era menos recompensador do que o comando de um Teatro de Operações, mas o CIGS é que escolhia esses comandantes e decidia seus efetivos. Brooke ficou desapontado quando, em 1942, o preteriram para o comando da Invasão Aliada da Europa em favor do americano Dwight Eisenhower. Ele, no entanto, tomou parte ativa da preparação do desembarque, e atrasou-o até quando achou que tinha forças suficientes para assegurar o sucesso. Promovido a Marechal-de-Campo em 1944, Brooke foi nomeado Barão Alanbrooke de Brookeborough, no Condado de Fermanagh, em 1945, e Visconde Alanbrooke em 1946.

Como cabeça pensante do Exército Britânico, Brooke exerceu um papel fundamental no desenvolvimento da estratégia. Junto com o Primeiro Lorde do Mar e o Chefe de Estado-Maior do Ar, Brooke se reunia constantemente com Churchill no Comitê de Estado-Maior para determinar as estratégias de guerra da Grã-Bretanha. Ele também atuou como mediador entre Churchill e os comandantes de Teatros e Exércitos, isolando-os tanto quanto possível da constante tendência do Primeiro-Ministro em entrar em detalhes de seus comandos. O mais próximo que os dois chegaram de um desentendimento irreparável foi em 1944 sobre a estratégia para o Oriente. Brooke preferia uma solução puramente militar, concentrando todas as forças britânicas num amplo ataque Aliado contra as ilhas japonesas, deixando para trás os territórios ocupados pelo
Japão; Churchill, com o olho no futuro do Império Britânico, preferia a rota por Burma e Malásia, para restabelecer o prestigio inglês na região. As bombas atômicas, no entanto, acabaram com a discussão.

Após a guerra, Brooke, já aposentado da vida militar, foi Chanceler da Universidade da Rainha em Belfast, de 1949 até a sua morte. Comandou também todas as tropas imperiais durante a coroação da Rainha Elisabeth II em 1953. Faleceu de causas naturais aos 79 anos, em 17 de junho de 1963. Em 1994 uma estátua dele foi erigida em frente ao Ministério da Defesa em Londres. Considerado o maior CIGS de todos os tempos, Sir Alan Brooke foi um excelente e respeitado estrategista, além de um homem da mais alta honestidade e integridade.

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quarta-feira, 23 de maio de 2007

O Fiat CR.42 de Salvadori


Como parte do Corpo Aereo Italiano (CAI), enviado ao Canal da Mancha para ajudar na ofensiva aérea contra a Inglaterra em 1940, estava a 95ª Squadriglia equipada com biplanos Fiat CR.42. Embora esses caças fossem os melhores biplanos do mundo, a era desse tipo de avião havia passado, e os bons resultados obtidos na França e África até então, não mostravam a realidade completa.

Foi um grande desastre para os italianos o combate de 11 de novembro de 1940 contra a RAF. Pela primeira vez um grande encontro de biplanos italianos com modernos Hurricanes e Spitfires ingleses aconteceu, e muitos Fiats acabaram indo ao chão.

Um deles foi o MM.5701 do Sergente Pietro Salvadori, que fez um pouso forçado perto do farol de Orfordness, em Suffolk. Salvadori sobreviveu e foi feito prisioneiro pelos ingleses. Sua aeronave foi reparada e voada em testes pela RAF, com a matrícula BT474.

Ingleses posam junto ao acidentado CR.42 de Pietro Salvadori em 11 de novembro de 1940.

Após a guerra, o CR.42 de Salvadori foi restaurado em sua pintura original, e hoje está belíssimamente preservado no Battle of Britain Museum, em Hendon:



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terça-feira, 22 de maio de 2007

Os Heróis dos Mini-Submarinos


Além do conhecido ataque aéreo de 7 de dezembro de 1941, os japoneses também lançaram contra Pearl Harbor cinco mini-submarinos de dois tripulantes, cada um levando dois torpedos. Contudo, essa pequena ofensiva foi amplamente frustrada, com os cinco barcos sendo afundados pelos americanos. Dos tripulantes, houve somente um sobrevivente, Kazuo Sakamaki, que se tornou o prisioneiro de guerra nº 1 dos EUA.

Os outros nove tripulantes, que perderam a vida, foram considerados heróis no Japão. Aqui está um interessante quadro com os nove submarinistas:

Começando por baixo, à esquerda: Yoshio Katayama, Naokichi Sasaki, Shigenori Yokoyama, Masahuru Yokoyama, Naoji Iwasa, Shigemi Furono, Akira Hiroo, Sadaji Uyeda e Kiyoshi Inagaki.


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domingo, 20 de maio de 2007

Teruhiko Kobayashi


Teruhiko Kobayashi
Major
(1920 - 1957)

Teruhiko Kobayashi se tornou um ousado herói na última parte da defesa territorial japonesa na Segunda Guerra Mundial. Nascido em 1920, ele entrou na Academia Militar do Exército no fim dos anos 1930 e graduou-se com a 53ª Classe. Inicialmente designado como Segundo-Tenente da artilharia, Kobayashi logo transferiu-se para os bombardeiros leves e foi designado para o 45º Sentai após a graduação.

No primeiro dia da Guerra do Pacífico ele participou do bombardeio de Hong Kong, e em abril de 1943 tinha se tornado um experiente veterano de muitas missões operacionais com o 66º Sentai na Manchúria. Quando a unidade se expandiu, ele decidiu transferir-se para os caças, e foi enviado para a Escola Aérea de Akeno. A promoção para Capitão veio em novembro de 1943, e quando concluiu o curso em junho de 1944, Kobayashi foi retido no Japão para servir como oficial instrutor na escola.

Em fins de novembro de 1944 ele se tornou assistente do comandante do 244º Sentai, a unidade mais amada pelo público geral, já que tinha a tarefa de defender o coração do Japão contra bombardeiros inimigos. Armada com o ligeiro Kawasaki Ki-61-I-KAI Hien, a unidade provia proteção para a área de Tóquio a partir da Base Aérea de Chofu, localizada nos subúrbios do oeste da capital.

Aos 24 anos, o Capitão Kobayashi se tornou o mais jovem comandante de grupamento aéreo da Força Aérea do Exército do Japão. Sua unidade ganhou fama considerável sobre os B-29s, e ao fim da guerra o 244º Sentai tinha um grande número de “matadores” de Superfortress.

O próprio Kobayashi derrubou um B-29 numa única passada em 3 de dezembro de 1944, enquanto seu grupo conseguia mais seis vitórias na mesma missão através de “ataques corporais” (consistia em chocar a aeronave contra o B-29), com todos os pilotos sobrevivendo. Em 22 de dezembro ele danificou um B-29 sobre a ilha de Akumihan e em 9 de janeiro repetiu o feito sobre outro Superfortress, embora nessa ocasião seu Hien tenha retornado em chamas e forçado a fazer um pouso de emergência. Dezoito dias depois, Kobayashi destruiu um B-29 através do ataque corporal, escapando da morte ao pular de pára-quedas. Seu único machucado foi um corte acima do nariz.

Os resultados do 244º Sentai eram publicados diariamente nos jornais da época, e a fama de
Kobayashi continuou a crescer. Em 12 de abril ele danificou um B-29, mas foi atingido na perna por uma rajada inimiga e forçado novamente a saltar de pára-quedas. No mês seguinte sua unidade recebeu uma carta de comenda do Alto Comando do Exército, ao mesmo tempo que seus feitos eram reconhecidos pela sua condecoração com o Bukosho.

Em 25 de julho, o agora Major Kobayashi desobedeceu ordens e decolou para interceptar Hellcats sobre a Base Aérea de Yokaichi, tendo sido instruído a permanecer no solo e aguardar os bombardeiros. Ele e seus homens estavam, nesse estágio da guerra, voando o caça Kawasaki Ki-100 Goshiki-Sen. Num combate a baixa altura (na verdade, na altura dos hangares), os pilotos japoneses disseram ter derrubado dez dos Hellcats do esquadrão VF-31 que tinham decolado do porta-aviões USS Belleau Wood. Fontes oficiais, no entanto, dizem que o combate resultou em duas vitórias para cada lado.

Os jornais enalteceram a ação, mas uma corte marcial foi preparada para o jovem comandante, que tinha desobedecido ordens diretas. No entanto, notícias de seus grandes feitos chegaram ao Imperador, e com palavras de apoio Imperial proferidas em favor de Kobayashi, a corte marcial foi imediatamente esquecida.

O Major Kobayashi terminou a guerra com cinco vitórias confirmadas (três B-29s e dois F6F Hellcats), embora alguns historiadores japoneses do pós-guerra o tenham creditado com 10 B-29s e dois F6Fs, o que faria dele o maior “matador” de B-29s da Força Aérea do Exército. Na verdade, esse escore foi baseado em testemunhos da viúva de Kobayashi e em fotos que mostravam numerosas marcas de vitórias em seu avião. O fato é que Kobayashi não diferenciava entre aeronaves derrubadas e danificadas ao pintar marcas em seu caça, e uma extensiva investigação conduzida pelo historiador Takashi Sakurai mostrou que o escore mais baixo é o correto.

Após a guerra, Kobayashi juntou-se à Força Aérea de Auto-Defesa do Japão. Em 4 de junho de 1957, durante um vôo de treinamento com um T-33, Kobayashi percebeu problemas técnicos na aeronave. Ele instruiu seu aluno a ejetar da aeronave para depois tentar um pouso forçado. Infelizmente, devido ao mau-tempo, a aeronave colidiu com o chão durante a aproximação na pista da Base Aérea de Hamamatsu, matando o piloto. Teruhiko Kobayashi continuou um herói até o fim.

Kawasaki Ki-61 Hien de Teruhiko Kobayashi - 244º Sentai. Chofu, Tóquio, 1945.


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quarta-feira, 16 de maio de 2007

Ennio Tarantola


Ennio Tarantola
Maresciallo
(1915 - 2001)

Ennio Tarantola nasceu em Como, em 19 de janeiro de 1915. Durante sua infância, Ennio trabalhou como vendedor de bananas para a empresa “Colombo-Poggi” na Piazza Cavour, ganhando o apelido de “Banana”. Ennio andava com seu carrinho de bananas pela cidade, onde os moradores o chamavam “Dai, Banana!” (“Venha, Banana!”). Em setembro de 1936 ele se juntou à Regia Aeronautica como Sergente Pilota. Tarantola se voluntariou para Guerra Civil Espanhola, voando com o XVI Gruppo Caccia Terrestre “La Cucaracha” num Fiat CR.32. Seu pequeno caça Fiat tinha na cauda a inscrição “Pivello”, que significa “piloto novato e inexperiente”.

Em 20 de janeiro de 1938 ele derrubou um “caça Curtiss”, mais tarde identificado como um Polikarpov I-15 Chaika, sobre a Espanha. Por seus serviços no país ibérico recebeu a Medaglie d’Argento al Valore Militare. Ennio voltou à Itália e se juntou à 155ª Squadriglia, ainda equipada com o CR.32.

Quando Mussolini declarou a entrada da Itália na Segunda Guerra Mundial, Tarantola voava o Junkers Ju 87 Stuka, ou “Pichiatello” (como eram chamados na Itália), com a 209ª e 239ª Squadriglie Autonoma Bombardamento a Tuffo de março a outubro de 1941, sob o comando do Capitano Giuseppe Cenni (também veterano da Guerra Civil Espanhola e ás de 9 vitórias).

Às 19:45 de 29 de junho de 1941, bombardeiros de mergulho alemães e italianos atacaram o destróier australiano HMS Waterhen e o danificaram severamente. Tarantola, junto à 239ª Squadriglia, foi um dos pilotos que provavelmente atingiu o navio. O navio foi inicialmente abandonado, semi-destruído pela tripulação, e mais tarde afundou enquanto era rebocado pelo HMS Defender, às 01:50 de 30 de junho.

No dia seguinte, manhã de 30 de junho, Ennio foi derrubado em seu Ju 87 sobre o Mediterrâneo, mas conseguiu se salvar e ficou flutuando à deriva por 18 horas antes de ser resgatado. Após essa infeliz experiência ele pediu para ser transferido de volta aos caças. A transferência foi conseguida e em 4 de novembro ele se juntou à 151ª Squadriglia do 20º Gruppo CT, que era comandada pelo Capitano Furio Niclot Doglio. A unidade era então equipada com Fiat G.50s e baseada em Trípoli. Em 5 de dezembro, Tarantola derrubou um Curtiss P-40 sobre o deserto.

No fim de dezembro de 1941, o 20º Gruppo foi transferido para a Itália para ser reequipado com o Macchi MC.202 Folgore. Uma vez reequipados, foram transferidos para o controle do recém-reformado 51º Stormo, e baseados na Sicília para tomar parte nos ataques contra Malta. Durante 1942, Tarantola voou na maioria das vezes no MC.202 “151-2”, marcado pela proeminente inscrição em amarelo “Dai Banana!” no nariz do caça. Neste período ele voou como ala do Comandante Niclot Doglio.

Pouco após as 18:45 de 1 de julho, Tarantola derrubou um Spitfire sobre Malta, em combate com o 603 Squadron. Os italianos registraram oito Spitfires derrubados e dois Folgores danificados. A RAF registrou um caça inimigo destruído e um caça e um bombardeiro prováveis, com a perda de um Spitfire. Na manhã de 4 de julho dez Spitfires do 249 Squadron interceptaram três bombardeiros Savoia-Marchetti SM.84 do 4º Gruppo escoltados por 22 MC.202s do 51º Gruppo e mais 17 Macchis que atuavam como suporte indireto. Durante o combate o 249 Squadron registrou três bombardeiros derrubados sem perdas aliadas, embora dois dos seus tenham ficado severamente danificados. A Regia Aeronautica registrou a perda de dois bombardeiros, mas derrubou quatro Spitfires: um pelos bombardeiros e três pelos caças, incluindo um por Tarantola.

Em 7 de julho ele dividiu com Niclot Doglio a destruição de um Spitfire sobre Malta, vendo o piloto inglês saltar antes que a aeronave se chocasse a leste de Valetta. Novamente os dois dividiram outro Spitfire em 10 de julho, quando os caças se enfrentaram ao sul de Rabat. Envolvidos nesse combate estavam sete Spitfires do 249 Squadron, 19 Folgores do 20º Gruppo e outros 6 do 155º Gruppo, e Bf 109s do JG.53. Neste combate o avião de Tarantola foi bastante danificado, mas ele conseguiu trazê-lo em segurança para a base.

Na tarde de 25 de julho doze MC.202s do 20º Gruppo e sete do 155º Gruppo se juntaram aos Messerschmitts para escoltar cinco Ju 88s de Luqa para Hal Far. A formação encontrou seis Spitfires, sendo dois derrubados, um deles por Tarantola. Esse Spitfire foi confirmado como destruído perto de Delimara Point pelo Tenente Italo D’Amico.

Em 27 de julho o Capitano Furio Niclot Doglio foi morto pelo ás canadense George “Screwball” Beurling, sendo sua 14ª vitória. Neste mesmo combate Tarantola foi ferido no braço, mas conseguiu voltar em segurança. O Tenente D’Amico assumiu o comando da Squadriglia, mas foi morto mais tarde sobre a Sardenha.

Em outro combate no domingo, 11 de outubro, 25 Folgores e 4 Bf 109s escoltaram sete Ju 88s do I/KG.54. 19 Spitfires vieram ao encontro da formação, e no combate resultante, Ennio derrubou um dos caças ingleses, que caiu em chamas. Esse foi seguido por outro Spitfire em 14 de outubro. Contudo, nesse último combate, seu Folgore ficou terrivelmente danificado, e ele teve que pular de pára-quedas perto da costa da Sicília. Após essa ação o 20º Gruppo foi transferido para Ciampino em Roma, para descanso e re-equipagem. Chegaram então a Capoterra, na Sardenha, em maio de 1943.

Em 28 de junho, Ennio conseguiu derrubar um P-40, seguido por um P-38 em 30 de julho. Já voando o novo Macchi MC.205 Veltro, com 2 canhões de 20mm, em 2 de agosto ele participou de um encarniçado combate contra P-38s americanos sobre a Sardenha, decolando cinco vezes no mesmo dia para enfrentar os inimigos. Após desmantelar uma formação de P-40s do 325th Fighter Group, ele engajou P-38s do 14th FG, derrubando dois deles sobre Capo Pula. Durante esse combate ele perdeu o grande amigo e ás Maresciallo Pietro Bianchi, que foi postumamente condecorado com a Medaglie d’Oro al Valore Militare.

Após a assinatura do armistício de 8 de setembro, Tarantola foi para o norte e se juntou à Aeronautica Nazionale Reppublicana (ANR), onde serviu com a Squadriglia Complementare “Montefusco-Bonet”, uma unidade criada para defender as fábricas da Fiat em Turim, equipada com o Fiat G.55 Centauro e alguns Veltros.

Em 25 de abril de 1944, 117 B-24s da 304th Wing, escoltados por 45 P-47s do 325th FG atacaram as fábricas de Turim. Noves caças da “Montefusco-Bonet” decolaram para a interceptação, liderados pelo Capitano Giulio Torresi. Às 13:05 os caças italianos foram engajados pelos P-47s, resultando em três G.55s derrubados: Lucio Biagini foi morto, Giulio Torresi saltou de pára-quedas com um ferimento na cabeça, e Ennio Tarantola saltou da aeronave em chamas com ferimentos graves.

Levado às pressas a um hospital, Ennio não voou novamente até o dia da rendição, terminando o conflito com 11 vitórias individuais e mais duas compartilhadas, além do afundamento compartilhado do HMS Waterhen.

Após a guerra, ingressou na recém-criada Aeronautica Militare Italiana (AMI) e juntou-se à “Pattuglia Acrobatica Nazionale” voando o Fiat G.46 e o G.59 em 1957. Foi também pioneiro do primeiro caça a jato da AMI, o De Havilland D.H.100, com o 5º Stormo. Casou-se com Rosa Briganti, que prematuramente morreu dois anos após o matrimônio. Apesar da morte da amada, Ennio nunca perdeu seu jeito radiante, e se tornou bastante querido por sua personalidade simpática, vivendo na pequena cidade litorânea de Cesenatico, província de Forli.

Após a aposentadoria, Ennio Tarantola continuou a participar de eventos públicos, recebendo homenagens e a visita de amigos, até falecer aos 86 anos de idade, em 30 de julho de 2001.

Macchi MC.202 Folgore de Ennio Tarantola - 151ª Squadriglia, 20º Gruppo, 51º Stormo CT. Sicília, verão de 1942.


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sábado, 12 de maio de 2007

A volta do Me 262!


Uma empresa sediada em Everett, no estado americano de Washington, hoje leva a cabo o desafio de construir cinco réplicas do Messerschmitt Me 262, o primeiro caça a jato da história e uma máquina de beleza indiscutível. Pois bem, aqui está o resultado do trabalho deles em dois vídeos de suas aeronaves em vôo. Um show inesquecível:


Aqui, "White-1" e "Tango-Tango", os dois primeiros exemplares, fazem vôos de demonstração nos EUA.


"Tango-Tango" que agora pertence à Fundação Messerschmitt, dá uma demonstração na Alemanha, no verão de 2006.

E não se esqueça de visitar o website dos construtores:


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sexta-feira, 11 de maio de 2007

SLC Maiale


ORIGENS

Dentre o imenso rol das máquinas de guerra que deixaram sua marca na história, algumas tiveram a singular capacidade de causar danos que ultrapassavam os meros resultados da ação em si. É o chamado dano psicológico. Acontece quando o inimigo passa a temer aquela arma, ficando em constante estado de ansiedade e sempre esperando pelo próximo ataque. E por ter provocado um medo latente e apreensão constante nos homens da Royal Navy no Mediterrâneo entre 1940 e 1943, o pequeno Maiale com certeza entra nessa seleta categoria.

As origens do Maiale remontam ao fim da Primeira Guerra Mundial, quando dois oficiais da Regia Marina, Maggiore di Genio Navali Raffaele Rossetti e o Tenente Medico Raffaele Paolucci desenvolveram um torpedo modificado denominado “Mignatta”. Na noite de 31 de outubro para 1 de novembro de 1918, os dois se esgueiraram para dentro do porto austríaco de Pola, prenderam o Mignatta ao casco do encouraçado “Viribus Unitis” de 21.000 toneladas e acionaram um detonador de tempo. O orgulho da frota austríaca explodiu em chamas pouco depois, indo ao fundo. Rossetti e Paolucci foram capturados, sendo libertados poucos dias depois com o fim da guerra e condecorados com a Medaglie d’Oro al Valore Militare.

Após o fim do conflito, os trabalhos na área foram paralisados e somente muito tempo depois, outros dois oficias retomaram os estudos de torpedos guiados: os Capitani di Genio Navali Teseo Tesei e Elios Toschi. Os dois tinham que trabalhar somente após o expediente regular, tornando vagaroso o desenvolvimento. A necessidade de tal arma simplesmente não existia, até a eclosão da Guerra da Etiópia em 1935.

DESENVOLVIMENTO

Foi então que Tesei e Toschi finalmente conseguiram apresentar seu projeto (agora conhecido
como SLC) ao comandante da RM, Ammiraglio Domenico Cavagnari, que aprovou a idéia e liberou fundos para pesquisa. Após uma demonstração para o comandante dos submarinos, Ammiraglio Mario Falangola, os dois foram transferidos para uma unidade secreta, onde o novo torpedo guiado tomou sua forma final.

O SLC, “Silura a Lenta Corsa” (Torpedo de Baixa Velocidade), foi a mais conhecida arma de ataque da Regia Marina durante a Segunda Guerra Mundial. Este novo torpedo, que ganhou o apelido de “Maiale” (porco), era um torpedo elétrico modificado, com dois “cockpits” para acomodar dois mergulhadores (então conhecidos como “homens-rãs”), sendo equipado com superfícies de controle, tanques de lastro e ar comprimido para liberação do lastro, permitindo assim total navegabilidade subaquática, como um submarino. Após o necessário trabalho de engenharia, os quatro primeiros exemplares foram encomendados à Officine San Bartolomeo em La Spezia. Esses exemplares foram usados para treinamento de pessoal. Foi durante esse treinamento que Teseo Tesei teria dito ao seu operador “Acelere esse porco!” (“maiale” em italiano), dando assim origem ao apelido do SLC.

Os modelos construídos após o protótipo original de 1936 eram equipados com um motor elétrico cuja potência aumentou para 16hp. A carga das baterias foi aumentada para um total de 150 amperes. Esforços significativos foram levados a cabo com o fim de melhorar o equipamento de bordo: uma bússola magnética foi escolhida em detrimento de uma giroscópica, devido às dificuldades em miniaturizar um complexo aparelho. A bússola magnética foi melhorada, se tornando menos vulnerável à interferência magnética.

APARATOS DE RESPIRAÇÃO

Os aparatos de respiração usados pelos mergulhadores também foram notadamente melhorados. Após verificar a ineficácia do sistema utilizado em submarinos, estudos foram iniciados para o desenvolvimento de aparatos específicos capazes de prover longa autonomia e segurança completa.

Para evitar que bolhas subissem à superfície, o que revelaria a presença de um mergulhador, o Capitano Tesei empregou aparatos especiais, construídos sob especificação pela Pirelli, que utilizava um sistema selado. Esses aparelhos de respiração não eram movidos a ar comprimido, mas sim oxigênio puro. O uso de oxigênio eliminava a presença de bolhas já que não produzia gases de exaustão. Durante a respiração, o oxigênio liberado se transformava em monóxido de carbono que era então purificado por um filtro de carbonato de sódio e lima. Um sistema lacrado permite que o aparato funcione até que a lima se sature e não possa mais absorver monóxido de carbono. Esse sistema, que ficou conhecido como ARO (AutoRespiratore ad Ossigeno), eliminava os riscos operacionais do aparato de respiração com ar comprimido, conhecido como ARA (AutoRespiratore ad Aria), e os demorados estágios de descompressão requeridos durante a ascensão.

É fato conhecido que a inalação de oxigênio puro causa stress do sistema nervoso central e pode causar epilepsia, mas não houve ocorrências desse tipo durante o treinamento dos mergulhadores italianos. Pelo contrário, está registrado que diversos mergulhadores experimentaram a “falta de ar” típica de intoxicação por monóxido de carbono. Portanto, acredita-se que o oxigênio utilizado não era 100% puro. A máxima profundidade de operação de um ARO não deveria ultrapassar os quinze metros, mas sabe-se que profundidades de mais de trinta metros foram atingidas.

EM AÇÃO

Ao fim da Guerra da Etiópia em 1936, houve uma diminuição do interesse da Regia Marina nos
torpedos guiados, mas quando a guerra tornou a se aproximar em 1939, novamente o interesse aumentou. Para operar tais armas, foi criada a Xª Flottiglia MAS, baseada em La Spezia, perto de Gênova. Com a possível irrupção da guerra na Itália, os trabalhos foram apressados e submarinos foram adaptados para carregar os Maiali. Dessa forma a Decima MAS foi declarada operacional em 24 de fevereiro de 1940.

Após a declaração de guerra, a unidade decidiu experimentar seus Maiali em Alexandria, 12 de agosto de 1940 e Gibraltar, 24 de setembro. Mas o pioneirismo tem seu preço e o ataques falharam, devido a problemas com mecânicos com os SLCs e os AROs. Os próximos três ataques tiveram o mesmo resultado, mas sempre se aprendia com os erros. Infelizmente Tesei não veria sua grande criação como um sucesso afinal; ele faleceu em um ataque a Malta em 26 de julho de 1941. Junio Valerio Borghese assumiu o comando e três Maiali conseguiram entrar em Gibraltar na noite de 20 de setembro, afundando quatro grandes navios e escapando sem deixar rastros.

Outro grande sucesso dos “porcos” veio em 19 de dezembro, quando outros três SLCs entraram em Alexandria afundaram os encouraçados HMS Queen Elisabeth e HMS Valiant, além de mais outros dois navios. Foi quando o comandante da Royal Navy no Mediterrâneo, Almirante Andrew Cunningham, disse: “Os homens têm calafrios, vêem objetos nadando à noite e escutam movimentos nos cascos dos navios. Isso deve parar!”

Os silenciosos ataques da Decima MAS à esquadra britânica se tornaram ainda mais eficientes quando o Tenente Licio Visintini adaptou o velho cargueiro “Olterra” para esconder SLCs perto de Gibraltar. Novamente os Maiali entraram em ação e, após um fracasso inicial, afundaram diversas vítimas, saindo incólumes da área. Somente com o armistício em 8 de setembro de 1943 é que os ingleses descobriram de onde saíam os temidos Maiali.

CONCLUSÃO

Alemães e ingleses tentaram produzir artefatos similares (“Neger” e “Chariot” respectivamente) aos pequenos torpedos guiados italianos, mas nunca igualaram seu sucesso. A Decima MAS é hoje considerada a “mãe” de todas as unidades especiais de ataque das Marinhas pelo mundo. Em matéria de números, os afundamentos causados pelos SLCs podem não parecer grande coisa, se comparados aos de outras armas do período. Mas com certeza sua eficiência foi atestada pelo impacto moral imposto ao inimigo, e pelo menos uma vez sua ação mudou o curso da guerra: com o ataque à Alexandria em 19/12/41, os italianos afundaram os dois últimos encouraçados britânicos no Mediterrâneo e fizeram a balança pesar para o lado do Eixo uma vez mais. Isso forçou a Royal Navy a ficar parada nos portos, deixando Malta sozinha por um longo tempo. Foi nesse tempo que Rommel recebeu reforços e pode romper a linha de Gazala no verão de 1942. Tudo isso desencadeado pela ação dos Maiali: não era possível vê-los chegar e geralmente só detectavam sua presença quando já era tarde demais.

DADOS TÉCNICOS

Tripulação: 2
Comprimento: 6,7m (7,3m com ogiva)
Largura: 53,3cm
Motor: elétrico de 16hp
Velocidade: 4,5 nós (máxima), 2,3 nós (operacional)
Alcance: 6,4km (em velocidade máxima), 24km (em velocidade operacional)
Armamento: 300kg de alto explosivo

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quarta-feira, 9 de maio de 2007

James Doolittle


James Doolittle
Tenente-General
(1896 - 1993)

Nascido em Alameda, Califórnia, em 14 de dezembro de 1896, James “Jimmy” Doolittle não freqüentou escolas militares. Ao invés, ele recebeu sua educação em escolas públicas do estado, e graduou-se na Escola de Minas da Universidade da Califórnia em 1917. Alistou-se no Exército durante a Primeira Guerra Mundial e se tornou um experiente aviador e instrutor. Ele permaneceu no Corpo Aéreo do Exército após a guerra. O Exército o enviou ao MIT (Massachusetts Institute of Tehnology) para avançar nos estudos, sendo que Doolittle conseguiu um doutorado em engenharia em 1925. Pelos próximos cinco anos, ele trabalhou como projetista e piloto de testes. Em 1930 ele pediu dispensa para assumir um cargo no setor de aviação da Shell Oil Company. Dois anos depois, Jimmy Doolittle estabeleceu um recorde de velocidade no ar durante uma competição promovida pela empresa. Durante os anos entre-guerras, ele também trabalhou como consultor de aviação para o governo e os militares. Após o ataque a Pearl Harbor, sua experiência em vôo e engenharia foi requisitada pelo Exército, e ele voltou ao serviço ativo.

Em resposta ao ataque japonês no Havaí, presidente Roosevelt queria um ataque aéreo ao próprio Japão. Aeronaves navais de curto-alcance não estavam capacitadas para tal ação, então 16 bombardeiros do Exército, B-25B Mitchells modificados, foram escolhidos. O General Henry “Hap” Arnold selecionou o então Tenente-Coronel Doolittle, que servia em seu estado-maior, para coordenar a operação. Apesar de já contar com 45 anos, Doolittle conseguiu permissão para também liderar o ataque. Em 18 de abril de 1942, Doolittle decolou o primeiro B-25 do convés do porta-aviões Hornet para atacar o Japão. Os bombardeiros alcançaram seu alvo, causando pequenos danos e seguindo para a China, onde as tripulações saltaram ou fizeram pousos forçados. Um estudo de pós-guerra da Escola de Guerra da Marinha dos Estados Unidos determinou que não havia “razão estratégica” para o ataque. Ainda assim, o mesmo teve um tremendo impacto no moral japonês. Serviu como um catalisador para acelerar os planos japoneses de ataque a Midway.

Sabendo que os bombardeiros haviam causado somente danos leves, Doolittle esperava ser levado à Corte Marcial pela falha. Ao invés disso, ele foi recebido de volta como herói, foi promovido simultaneamente em duas patentes para Brigadeiro-General, e recebeu a mais alta condecoração americana, a Medalha de Honra do Congresso, por liderar o fantástico ataque.

Promovido novamente a Major-General, Doolittle assumiu o comando da 12ª Força Aérea, em apoio à Operação Torch, a invasão da África do Norte em novembro de 1942. A liderança de Doolittle na África, e depois na Sicília e em Salerno, impressionou o General Eisenhower. Quando Eisenhower tomou o comando da Operação Overlord, ele requisitou Doolittle para juntar-se a ele na Inglaterra, assumindo o comando da 8ª Força Aérea. Em março de 1944, ele foi promovido a Tenente-General e recebeu o título honorário de Cavaleiro Comandante da Ordem de Bath, do Rei George VI. O papel da 8ª era ajudar a preparar o caminho para a invasão através do Canal da Mancha. Quando, no começo de março, Doolittle visitou o 8º Comando de Caças, unidade designada para fazer escolta de bombardeiros, ele viu o lema da unidade num letreiro: “Nossa missão é trazer os bombardeiros de volta.” Imediatamente ele ordenou que o letreiro fosse arrancado. “De hoje em diante isso não mais se aplica”, disse ele. “A missão de vocês é destruir a Força Aérea Alemã.” A seguinte guerra aérea na Europa tornou-se uma renhida batalha de atrito. Doolittle deliberadamente escolheu alvos que ele sabia que os caças alemães decolariam para defender. Violentas batalhas aéreas irromperam, mas Doolittle sabia que suas forças podiam arcar com as perdas, e os alemães não. O resultado foi a virtual destruição da Luftwaffe no Ocidente.

Doolittle se retirou da vida militar em 1946. Ele retornou para a Shell Oil Company, enquanto também ocupava muitos cargos consultivos nos setores público e privado. Ele se aposentou em 1959 e, em 4 de abril de 1985 o exército concedeu ao idoso Jimmy Doolittle a patente de General, quando o presidente Ronald Reagan entregou-lhe pessoalmente a quarta estrela. James Doolittle, um dos maiores aviadores americanos, faleceu em 27 de setembro de 1993, aos 96 anos.

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segunda-feira, 7 de maio de 2007

Adalbert Schulz


Adalbert Schulz
Generalmajor
(1903 - 1944)

Adalbert Schulz nasceu em Berlim em 20 de dezembro de 1903. Após servir com a polícia ele foi transferido para a Wehrmacht em 1935 com o posto de Oberleutnant. Em 1938, Schulz recebeu o comando da 1 Kompanie do Panzer Regiment 5, da 7.Panzer Division. Foi também promovido a Hauptmann.

Durante a campanha no oeste em 1940, o Hauptmann Schulz se distinguiu na captura de posições francesas fortemente defendidas na floresta de Saumont, e conseguiu segurá-las contra numerosos contra-ataques com apoio blindado. Tão grande foi a impressão que causou em seus superiores que Schulz foi recomendado para Cruz de Ferro em ambas as classes assim como a Cruz do Cavaleiro, todas ao mesmo tempo. As condecorações foram aprovadas em 29 de setembro de 1940.

Promovido a comandante de batalhão, ele assumiu o I/Pz Regt 25, e liderou essa unidade durante a invasão da União Soviética no verão de 1941. Schulz mais uma vez se distinguiu durante as rápidas ações de envolvimento, atingindo vitórias no bolsão de Minsk, na travessia do Dnieper, Smolensk, e na aproximação de Moscou. Sua recomendação para as Folhas de Carvalho foi aprovada em 31 de dezembro de 1941. No inverno 1941-1942, Schulz tomou parte na custosa defesa ao redor de Rzhev antes da divisão ser enviada para a França para descanso e reorganização em maio de 1942.

No inverno 1942-1943, a 7.Panzer Division retornou ao front leste e foi engajada na ação na Bacia do Donetz, sob o comando do Grupo de Exércitos Sul, contra as contra-ofensivas soviéticas que seguiram à queda de Stalingrado. Em 11 de março de 1943, durante a defesa de Kharkov, Schulz tomou parte nos ferozes enfrentamentos contra blindados soviéticos, sendo que durante um deles seus panzers destruíram mais de 100 tanques inimigos e muitas peças de artilharia. Schulz foi promovido a Oberstleutnant em 1 de abril de 1943, recebendo o comando de seu regimento. No início de julho ele liderou o Pz Regt 25 na Operação Cidadela, a grande ofensiva blindada ao redor de Kursk, uma vez mais mostrando grande coragem e sucesso durante ações em Belgorod, Dorogobushino, Scheino e Prokhorovka. Em 6 de agosto de 1943 ele foi condecorado com as Espadas para a Cruz do Cavaleiro.

Adalbert Schulz foi promovido a Oberst em 1 de novembro de 1943. Durante a difícil defesa ao
redor de Kiev e Zhitomir, o Panzer Regiment 25 realizou ataques-surpresa aos flancos das forças inimigas que avançavam, destruindo mais de 150 tanques soviéticos e matando o avanço russo. Por essa ação, assim como sua distinta liderança do regimento durante os meses precedentes, Schulz foi condecorado com os Diamantes para Cruz do Cavaleiro em 14 de dezembro de 1943. Convocado a comparecer ao Quartel-General do Führer para receber sua condecoração das mãos de Hitler, Schulz recusou-se a partir até que sentiu-se satisfeito com a situação do seu setor da frente, deixando-o fortalecido o bastante para permitir sua ausência. Ele foi promovido a Generalmajor em 1 de janeiro de 1944, e assumiu o comando da 7.Panzer Division. É curioso notar que, dos 11 oficiais do exército que receberam os Diamantes, quatro em algum momento comandaram a 7.Panzer Divison: Erwin Rommel, Hasso von Manteuffel, Adalbert Schulz e Dr. Karl Mauss.

Em 28 de janeiro de 1944, O Generalmajor Adalbert Schulz estava conduzindo uma conferência de comando de batalha ao lado do seu tanque durante um ataque em Shepetovka, quando foi seriamente ferido por uma explosão de artilharia próxima. Imediatamente evacuado para um hospital, ele não resistiu aos ferimentos a tempo de ser tratado, falecendo no mesmo dia.

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sexta-feira, 4 de maio de 2007

Nota de Falecimento: Renato Goulart Pereira


Renato Goulart Pereira
(04/02/1923 - 02/05/2007)

Faleceu anteontem, dia 02 de maio, aos 84 anos, o 2º Tenente Aviador Renato Goulart Pereira. Goulart voluntariou-se para o 1º Grupo de Caça e treinou em Aguadulce, Panamá; logo após seguindo para os EUA. Fazendo parte da esquadrilha Jambock Blue, realizou sua primeira missão de combate em 11 de novembro de 1944. Em sua 93ª e última missão, em 30 de abril de 1945, foi abatido pela antiaérea mas conseguiu saltar de pára-quedas sobre território amigo, sendo recebido pelos ingleses. Em junho, foi um dos escolhidos por Nero Moura para ir aos EUA buscar os novos P-47 saídos da fábrica.

Após a guerra permaneceu na FAB, sendo comandante do 1º/10º e 2º/1º GavCa. Foi também Comandante do Grupo de Transporte Especial e ocupou uma série de outros postos. Aposentou-se como Coronel. Era casado, tinha dois filhos e quatro netos.
Adelphi!


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quarta-feira, 2 de maio de 2007

Ugo Drago


Ugo Drago
Capitano

(1915 - 2007)

Ugo Drago nasceu em Arborio, Vercelli, em 3 de março de 1915. Ele conseguiu o diploma da Accademia di Educazione Fisica de Roma e trabalhou por algum tempo como instrutor. Em 27 de junho de 1938 ele obteve a Licença para Piloto Civil e no outubro próximo entrou para a Academia Aérea da Regia Aeronautica em Caserta como Sottotenente Pilota, efetivando seu treinamento como piloto militar na Escola de Vôo de Capua e mais tarde na Escola de Pilotos de Caça de Castiglione del Lago.

Em 19 de março de 1939 ele obteve a Licença de Piloto Militar e em 16 de maio era designado para a 363ª Squadriglia do 150º Gruppo Caccia Terrestre. O Sottotenente Drago esteve na ação desde o primeiro dia do envolvimento italiano na Segunda Guerra, tomando parte nas operações contra a França em 10 de junho de 1940, e sendo condecorado com a Croce di Guerra em 13 de junho. Em 28 de outubro, com 20 missões já cumpridas, sua unidade foi transferida para o front grego, e em 2 de novembro Drago conseguiu sua primeira vitória.

Na ocasião ele liderava um setor de uma formação de 12 Fiat CR.42s escoltando 10 SM.79s que iriam bombardear Salonika. No alvo Drago viu dois P.Z.L. P-24s gregos atacando os bombardeiros. Enquanto seu ala atacava um, Drago atacou o outro: o combate começou aos 5.000m e terminou aos 2.000m com o avião inimigo explodindo no solo.

Em 14 de novembro, Drago teve um dia duro: o aeródromo de Koritza ficava próximo ao front e era atacado diariamente. Naquele dia, Fairey Battles inimigos estavam bombardeando a baixa altura e Drago decolou sob as bombas, atacando um dos Battles. Ele gastou toda sua munição, danificando o inimigo, mas sendo incapaz de derrubá-lo. Na mesma manhã, após outra interceptação frustrada, ele teve um solitário dogfight contra cinco P.Z.L.s, sendo atingido e somente conseguindo se safar graças à intervenção de um segundo Falco. Na tarde, enquanto numa patrulha com outros três CR.42s, ele interceptou dois P.Z.L.s, mas estes eram iscas, já que dez mais estavam esperando acima... Num encarniçado dogfight, Drago derrubou dois caças sozinho e participou da destruição de outros três!! Por esta ação foi agraciado com a Medaglie d’Argento al Valore Millitare.

De acordo com os registros pessoais de Drago, ele conseguiu outra vitória em 18 de dezembro sobre Valona, mas sua quarta vitória “oficial” foi conseguida em 13 de fevereiro de 1941, durante um reconhecimento climático sobre Telepeni. Enquanto voava pelo vale de Argirocastro, ele viu um Fairey Battle, atacou-o e derrubou-o, acompanhando a queda no lado da montanha.

Após o reequipamento do 150º Gruppo com o Macchi MC.200 em março de 1941, a bem-sucedida carreira de Drago continuou sempre com a 363ª Squadriglia, e no fim de 41 ele já tinha efetuado 150 missões. Em 31 de dezembro ele avançou para o posto de Tenente. Enquanto isso, desde meados daquele mês sua unidade havia sido transferida para o Norte da África. Por seus atos nas operações entre janeiro e março de 1942, ele foi agraciado com uma segunda Medaglie d’Argento, e em 7 de março os alemães o condecoraram com a Cruz de Ferro de 2ª Classe.

Após o retorno do 150º Gruppo para a Itália, em 10 de novembro de 1942, e com mais 124
missões cumpridas, em 1 de janeiro de 1943 Drago foi promovido a comandante da 363ª Squadriglia e com esse posto ele enfrentou a Batalha da Sicília, de maio a julho de 1943. Com todo o 150º Gruppo Autonomo Caccia Terrestre sendo reequipado com Messerschmitt Me 109Gs, Drago efetuou mais 30 missões, com seis combates. Suas únicas vitórias foram contra dois Spitfires em 9 de junho de 1943, mas apenas alguns minutos depois Drago também foi derrubado (pela primeira e última vez em toda sua carreira), sendo mais tarde resgatado no mar por pescadores de Pantelleria, conseguindo fugir da ilha sitiada à bordo de um SM.81 apenas horas antes de sua rendição.

De volta à Sicília, ele e o resto do 150º Gruppo foram forçados, no início de junho, a recuar para a Itália sem nenhuma reserva de aeronaves. Todas haviam sido destruídas ou danificadas além dos reparos em Sciacca pelos contínuos bombardeiros Aliados. Após diversas tentativas de por pelo menos um setor da 363ª de volta à ativa, em 8 de setembro de 1943 o armistício foi assinado. Até então, Drago já havia abatido 6 aeronaves e compartilhado a destruição de outras três:

02 Nov 1940 - 1 P.Z.L. P.24
14 Nov 1940 - 1 P.Z.L. P.24
14 Nov 1940 - 1 P.Z.L. P.24
14 Nov 1940 - 1/4 P.Z.L. P.24 (compartilhado)
14 Nov 1940 - 1/4 P.Z.L. P.24 (compartilhado)
14 Nov 1940 - 1/4 P.Z.L. P.24 (compartilhado)
18 Dez 1940 - 1 aeronave não-identificada
13 Fev 1941 - 1 Fairey Battle
09 Jun 1943 - 1 Spitfire
09 Jun 1943 - 1 Spitfire

Nos confusos dias que se seguiram, Drago, após haver garantido a segurança de seus homens, ele tentou ir para casa, mas foi preso pelos alemães em Ferrara e levado a um campo de concentração perto de Bolonha. Lá, após sua recusa de se juntar à Luftwaffe, ele foi posto com muitos outros num trem que seguia para os campos de prisão na Alemanha. Ele e outros, no entanto, conseguiram escapar pulando do trem na fronteira italiana.

Após se esconder por um certo tempo, foi somente ao ouvir o chamado do Colonello Ernesto Botto e a constituição da Aeronautica Nazionale Reppublicana (ANR) que Drago se apresentou às autoridades militares italianas. Ele foi logo apontado comandante da 1ª Squadriglia do recém-constituído 2º Gruppo Caccia e a partir de maio de 1944 até abril de 1945 ele voltou à ação, efetuando 81 missões com 33 combates e 11 vitórias. Essas vitórias se deram nas seguintes datas:

24 Jun 1944 - 1 P-47
14 Jul 1944 - 1 B-25
20 Jul 1944 - 1 B-24
21 Jul 1944 - 1 B-24
26 Jul 1944 - 1 P-47
16 Nov 1944 - 1 P-51
26 Dez 1944 - 1 P-51
06 Fev 1945 - 1 P-47
12 Fev 1945 - 1 B-25
12 Mar 1945 - 1 P-38
23 Mar 1945 - 1 P-47

Sua grande liderança foi provada pela perda em combate de apenas dois pilotos de sua Squadriglia entre junho de 1944 e março de 1945. Sua competência foi reconhecida pela ANR, com a promoção para o posto de Capitano em 7 de novembro de 1944; e pelos alemães, com a decisão de reequipar primeiro a Squadriglia de Drago com os Messerschmitt Me 109G-10 no fim de 1944, e com a entrega da Cruz de Ferro de 1ª Classe em 6 de abril de 1945.

Em 26 de abril, quando sua unidade foi debandada, ele cooperou com os partisans locais para manter a ordem na área.
Depois da guerra ele emigrou para a Argentina e trabalhou como instrutor de vôo. Alguns anos depois Ugo Drago voltou à Itália, desta vez como piloto civil pela Alitalia entre 1953 e 1973. Ele voou como comandante de Boeing 747 antes de sua aposentadoria. Ganhador de quatro Medaglie d’Argento al Valore Militare e ás de 17 vitórias, Ugo Drago faleceu de causas naturais em Roma, em 22 de abril de 2007. Tinha 92 anos de idade.



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