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quinta-feira, 12 de abril de 2007

Messerschmitt Me 262 Sturmvogel


O Messerschmitt Me 262 foi o primeiro caça a jato operacional da história. Além de sua propulsão revolucionária, trazia muitos outros avanços marcantes para o desenho aeronáutico. Embora às vezes visto como a última "super arma" nazista, o Me 262 já estava em desenvolvimento antes do início da guerra, e enfrentou alguns obstáculos em seu caminho. Embora nunca estivesse disponível em grandes quantidades, foi eficientemente usado pela Luftwaffe em uma diversidade de papéis e se provou uma arma potente. Seu desenvolvimento começou em abril de 1939, designado Sturmvogel ou Silber.

A combinação de um excelente desenho e um pouco de sorte resultou numa aeronave harmoniosa, ultrapassando a barreira dos limites aeronáuticos até então conhecidos. Um exemplo disso era sua asa. O característico enflechamento alar foi resultado da necessidade de se deslocar o centro de gravidade da aeronave, compensando os pesados motores. Foi somente mais tarde que os benefícios das asas enflechadas foram percebidos. Os primeiros testes de vôo começaram em 18 de abril de 1941 com o Me 262V1 PC+UA. Já que os desejados turbojatos BMW 003 ainda não se encontravam prontos, um motor convencional Jumo 210 foi montado no nariz do avião. Posteriormente quando os motores BMW 003 foram instalados, foi feito um teste de vôo em que ambos os turbojatos falharam e o piloto pousou a aeronave somente com o motor do nariz. O protótipo PC+UC se tornou o primeiro puramente jato em 18 de julho de 1942. Fritz Wendel pilotou esse terceiro protótipo em um momento histórico. A aeronave era propelida por dois motores turbojatos Jumo 004A-0. O Jumo 004 provaria ser a fonte das grandes fraquezas do Me 262. O turbojato estava ainda engatinhando e muitas urgências tecnológicas tinham de ser solucionadas.

O resultado de alongado período de desenvolvimento do motor e da insistência de Hitler em transformá-lo em caça-bombardeiro foi o atraso no desenvolvimento e produção do Sturmvogel. Um dos problemas era encontrar os materiais resistentes ao calor para os motores, muito raros na Alemanha engolfada na guerra. Materiais alternativos tiveram de ser utilizados, dando origem a motores menos confiáveis. Em alguns casos, motores novos sofriam falha catastrófica durante a aceleração para decolagem. Até os motores que funcionavam corretamente tinham vida útil muito curta. A maioria durava apenas 12 horas operacionais. Em muitas ocasiões, os pilotos eram forçados a pousar com um ou ambos os motores desligados.

As variantes incluíam os caças Me 262A-1a/U1 (armado com um canhão de 50 mm no nariz) e Me 262A-1a/U2, o reconhecedor desarmado Me 262A-1a/U3, o caça equipado com foguetes R4M Me 262A-1b, os caças-bombardeiros Me 262A-2a e Me 262A-3a, o reconhecedor armado Me 262A-5a, o treinador biposto Me 262B-1a, o caça noturno biposto Me 262B-1a/U1, o caça noturno monoposto Me 262B-2a, e a versão experimental auxiliada por foguetes Me 262C. Seu armamento era composto de quatro canhões de 30 mm ou dois canhões 30 mm e dois de 20 mm (a versão caça noturno tinha mais dois canhões de 20 mm inclinados em Schrage Musik). A primeira unidade experimental a usar o Me 262 foi o Erprobungskommando 262 (EKdo262), III./ZG 26. A unidade foi formada em 19 de dezembro de 1943 em Lechfeld. O EKdo262 era composto de dois Staffeln e um Stab. Receberam seu primeiro Sturmvogel em abril de 1944 e marcaram sua primeira vitória contra um De Havilland Mosquito em 26 de julho de 1944. Em setembro, elementos do EKdo262 se juntaram ao Kommando Nowotny e ao III./EJG2 em Lechfeld. A primeira unidade ativa a operar o Me 262 foi o Kommando Nowotny, que fora formado em setembro de 1944 e liderado pelo Major Walter Nowotny (258 vitórias). A unidade se tornou operacional em 3 de outubro e atingiu sua primeira vitória em em 7 de outubro, um B-24 Liberator. Nowotny começou a prática de usar caças convencionais para dar cobertura aos Sturmvogels em suas decolagens e pousos. O Me 262 era especialmente vulnerável nesses momentos, já que os motores tinham aceleração lenta e custavam para ganhar velocidade. Mas uma vez acelerado, a 870 km/h, nenhum caça aliado podia tocá-lo. Foi enquanto pousava seu 262 que o próprio Nowotny foi morto. Em 8 de novembro de 1944, P-51s Mustang da USAAF conseguiram romper o círculo de proteção dos Focke-Wulf Fw 190D e atacar Nowotny enquanto ele se aproximava para o pouso, causando a queda da aeronave. A unidade foi debandada logo após a morte de Nowotny. O Kommando Nowotny conseguira derrubar 22 aeronaves com a perda de 26 dos seus Me 262, sendo oito devido a acidentes e falhas mecânicas.

O primeiro Jagdgeschwader a ser equipado com o novo jato foi o JG 7, formado com remanescentes do Kommando Nowotny juntamente com o KG 1 e o JG 3. Consistindo de um Stab e três Gruppe, o JG 7 foi inicialmente liderado pelo Oberst Johannes Steinhoff. O JG 7 se tornaria a mais forte unidade Me 262 em termos de número de pilotos e aeronaves. Suas primeiras semanas foram um período de atividade frenética, com as primeiras aeronaves sendo entregues e os pilotos sendo treinados para pilotá-las. Durante esse tempo o JG 7 estava baseado em Brandenburg-Briest, e nas seis semanas seguintes Steinhoff trabalhou para moldá-los em uma eficiente força de caça. Steinhoff foi então substituído pelo Major Theodor Weissenburger. Finalmente, o Major Rudolf Sinner foi posto no comando de 19 de fevereiro a 3 de março de 1945. Em 19 de novembro de 1944, o III./JG 7 havia se tornado o primeiro Gruppe do novo Geschwader a ser formado. Baseado em Lager-Lechfeld e comandado pelo Major Hohagen, o III./JG 7 sofreu de suprimento inadequado de aeronaves e peças. Eles também tiveram um histórico de acidentes em treinamento, com dez Sturmvogels sendo perdidos nas primeiras seis semanas devido a falha mecânica ou erro do piloto. Entretanto, as coisas começaram a melhorar em fevereiro de 1945, com o III./JG 7 fazendo ataques concentrados à formações de grandes bombardeiros americanos. O grupo foi teve que estabelecer uma técnica para usar o jato como anti-bombardeiro.

É interessante citar que houve muito debate entre pilotos veteranos do JG 7 a respeito das técnicas mais apropriadas para aproximar-se de um bombardeiro pesado. Até os experts nesse tipo de combate discordavam entre si. Na época, os caças convencionais usavam a aproximação frente a frente. Os caças se aproximavam dos bombardeiros pela frente e miravam seus canhões e metralhadoras no cockpit. As velocidades combinadas significavam que os caças tinham somente alguns segundos para disparar; mas também era mais seguro, pois ficavam pouco tempo no alcance das armas de defesa do inimigo. A velocidade do Me 262 fazia esse tipo de ataque impossível. No fim das contas, o antigo ataque pela traseira foi empregado pelo pilotos do jato. Com sua velocidade, podiam rapidamente alcançar os bombardeiros, disparar seus canhões e mergulhar para longe das armas inimigas. Claro que tinham de enfrentar as metralhadoras traseiras dos bombardeiros, algo que o fracamente blindado e um pouco delicado Me 262 não fazia bem. De fato, Steinhoff era um dos que pensavam que os jatos deveriam ser empregados contra caças de escolta, deixando os bombardeiros para caças convencionais.

Quaisquer fossem as táticas utilizadas, o gigantesco número de caças aliados envolvidos fazia os ataques do jato quase irrelevantes. Por exemplo, em 18 de março de 1945, o III./JG 7 enviou 37 Sturmvogels para interceptar uma formação de 1.221 bombardeiros americanos escoltados por 632 caças. Essa ação marcou a estréia dos 262 armados com os novos foguetes R4M. No final, 12 bombardeiros e um caça haviam sido derrubados, com a perda de três Me 262. Até mesmo em seu melhor dia, quando o JG 7 voou 38 surtidas, derrubando dois caças e 14 bombardeiros anglo-americanos, com a perda de quatro jatos, seus esforços resultaram em perda de menos de 1% das forças aliadas. Fica mais uma vez claro o padrão de resultados dos esforços alemães nas últimas fases da guerra: os alemães tinham armas eficientes, mas que não eram páreo para a imensa superioridade numérica dos aliados.

O Jagdverband JV 44 "O Esquadrão dos Ases" foi estabelecido em 5 de fevereiro de 1945. Provavelmente a mais famosa unidade Me 262, o JV 44 foi comandada pelo lendário Generalleutnant Adolf Galland. O próprio Hitler dera ordens a Galland para montar um pequeno Staffel para demonstrar a superioridade do Me 262 como caça. Galland sempre tinha sido um grande apoiador do Sturmvogel, desde o vôo do primeiro protótipo em 1942. Naquele período, Adolf Galland e outros pilotos veteranos estavam em conflito direto contra o alto-comando da Luftwaffe. A maior parte de sua raiva se direcionava ao incompetente Reichsmarshall Hermann Goering. Goering tinha começado a ver no Jagdwaffe (caça) a fonte de todos os seus problemas e demitiu Galland de seu posto de General der Jagdflieger (general de caça diurna). Isso provocou uma revolta dos altos Kommodoren que confrontaram Goering com uma lista de reclamações que incluíam a demanda da readmissão de Galland. Foi nesse ponto que Adolf Hitler interveio, designando Galland para o JV 44. O "Esquadrão dos Ases" não havia se tornado totalmente operacional até bastante tarde na guerra. Muito do mês de março de 1945 foi gasto treinando e animando a unidade. Uma única vitória, um Ilyushin Il-2 Shturmovik, foi conseguida por Steinhoff nesse período. A unidade foi então deslocada para München-Riem para proteger a produção de jatos no sul da Alemanha. Mais pilotos foram recrutados por Galland, muitos sendo seus "co-conspiradores". Heinz Bär recebeu o comando da unidade após Galland ser ferido em ação em 26 de abril, quando ele derrubou dois bombardeiros B-26 Marauder. Três dias depois os remanescentes do JV 44 se deslocaram para Salzburg-Maxglan para evitar o avanço do exército americano. Somente uma missão foi voada em Salzburg. Em 29 de abril, Heinz Bär conseguiu derrubar um P-47 Thunderbolt com seu Sturmvogel especial com seis canhões. Dentro de uma semana, os americanos tornaram a alcançar o JV 44, e seus últimos 24 exemplares do Me 262 foram destruídos para evitar a captura. O JV 44 terminou a guerra com um total de 56 vitórias.

Numa análise final, o Me 262 foi um definitivamente um marco. O desenho e performance da aeronave estavam à frente de seu tempo. Os traços inicialmente vistos no Me 262 foram posteriormente incorporados em diversas aeronaves, incluíndo o "atacante especial" japonês Nakajima Ki-200 Kikka. Mas o Sturmvogel estava longe de ser perfeito. Como mostram os números operacionais, não era uma arma de guerra totalmente desenvolvida. Sofria de uma série de problemas, sendo os mais críticos os relacionados aos motores. Foi também batizado num ambiente desfavorável, onde constantes ataques inimigos e interrupção de suprimentos críticos eram comuns. O total de produção ficou em 1.200 unidades. Se a Luftwaffe tivesse sido capaz de colocar no ar 300 Me 262 num determinado dia para atacar as formações de bombardeiros, é possível que os aliados suspendessem o bombardeio diurno por algum tempo. No entanto, como disse o General Adolf Galland: "Como conseqüência negativa, a guerra provavelmente seria prolongada, e os russos teriam mais tempo para conquistar mais território alemão. Então estamos hoje satisfeitos com os erros de Hitler para com o lendário Me 262".


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2 comentários:

Anonymous disse...

Schwalbe, o melhor caça da segunda guerra mundial.
Primeiro a ter Fly By Wire.

Álvaro Ed. disse...

Foi um dos melhores só que pouco maneável