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sexta-feira, 13 de abril de 2007

Breda Ba.88 Lince


Era um triunfo da propaganda quando foi anunciado pelo regime fascista de Benito Mussolini em 1936. O Breda Ba.88 Lince foi desenhado por Antonio Parano e Giuseppe Panzeri, sendo um monoplano bimotor de asa mediana totalmente de metal. O protótipo, que tinha cauda vertical única, fez seu vôo inaugural em outubro de 1936 pilotado por Furio Niclot Doglio, chefe dos pilotos de testes da Breda. Em abril de 1937 Niclot Doglio estabeleceu com o Lince dois recordes mundiais da velocidade sobre distância, atingindo 517 km/h por uma distância de 100 km/h e 475 km/h por um circuito 1.000 km. Em dezembro daquele ano ele aumentou as velocidades para 554 km/h e 524 km/h respectivamente.

O protótipo, que tinha trem de pouso retrátil e dois motores Gnome-Rhône K-14 de 900 hp, teve sua cauda modificada, passando a ser dupla. Foi designado "aeroplano di combattimento",
sendo bombardeiro, reconhecedor de longo alcance e aeronave da ataque. O Ba.88 teve então seus equipamentos militares e armamento instalados. Imediatamente, a performance do Lince caiu dramaticamente, mas quando isso aconteceu, os pedidos de produção já estavam sendo executados. O primeiro lote de 80 aeronaves mais 8 treinadores com controle duplo, foi construído pela Breda entre maio e outubro de 1939. Os problemas com o protótipo levaram a um sem número de modificações para reduzir peso, e mais força foi providenciada coma instalação dos motores Piaggio P.XI RC.40 de 1.000hp.

Em 16 de junho de 1940, logo após a Itália declarar guerra à França e seus aliados, o Breda Ba.88 viu ação pela primeira vez. Doze Linces do 19º Gruppo Autonomo da Regia Aeronautica atacou com bombas e metralhadoras os principais aeroportos da Córsega e três dias depois nove Ba.88s repetiram o mesmo ataque. A análise dessas operações mostrou que o Lince tinha somente valor limitado, e quaisquer dúvidas remanescentes foram eliminadas quando os Ba.88s do 7º Gruppo Autonomo se juntaram à ação na Líbia contra os ingleses. Equipados com filtros de areia, os motores superaqueciam e falhavam em demonstrar seu poder. Ataques a alvos em Sidi Barrani tiveram de ser interrompidos em setembro de 1940, com as aeronaves falhando em ganhar altitude suficiente ou manter formação, e atingindo menos da metade da velocidade anunciada por seus fabricantes. Em meados de novembro de 1940 a maioria dos Ba.88 sobreviventes foram "canibalizados", com todo seu equipamento útil sendo retirado e suas carcaças espalhadas por aeródromos operacionais para servir de alvo para os ataques das aeronaves britânicas. Nesse meio tempo, mais lotes de Ba.88 foram entregues, sendo 19 construídos pela Breda e 48 pela Meridionali (IMAM). A maioria foi diretamente para o glorioso trabalho de alvo.

Três Linces foram modificados na fábrica em Agusta em 1942 para desempenhar ataques ao solo. Sua envergadura foi aumentada, para aliviar problemas nas asas; os motores trocados pelos Fiat A.74; o armamento do nariz foi ampliado, carregando ao invés de três, quatro metralhadoras Breda-SAFAT de 12,7 mm; e freios de mergulho foram instalados. Esses Breda Ba.88Ms foram entregues ao 103º Gruppo Autonomo Tuffatori em Lonate Pozzolo em 7 de setembro de 1943, um dia antes da Itália assinar o armistício com os aliados. Eles foram voados em teste por pilotos da Luftwaffe, mas foi a última vez que se ouviu do Breda Ba.88 Lince, que representou talvez, a mais desapontadora aeronave operacional a ver serviço na Segunda Guerra Mundial.

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