Loading

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Começa a recuperação do último Dornier Do 17



Um raro bombardeiro alemão da Segunda Guerra Mundial será içado do Canal da Mancha, onde ficou nas últimas sete décadas.

O resgate do único Dornier Do 17 sobrevivente no mundo todo começará em Goodwin Sands, na costa de Kent, e será a maior operação de seu tipo já realizada em águas britânicas.

A aeronave foi inicialmente localizada por mergulhadores em 2008, a 15 metros de profundidade. Escaneamentos por sonar confirmaram de que se tratava de um Dornier do 17Z W/n 1160, que foi derrubado durante a Batalha da Inglaterra.

Dois dos seus quatro tripulantes morreram na queda no mar, mas os outros dois foram capturados e enviados para campos de prisioneiros.

O bombardeiro, descrito como “em excelentes condições”, foi um dos “lápis voadores” da Luftwaffe – apelido que ganhou devido à sua fuselagem afilada. Hoje, está coberto de coral, crustáceos e outra vida marinha, mas sua estrutura está majoritariamente intacta.

Erguer a aeronave do fundo do mar será um trabalho de três semanas usando tecnologia de ponta, e dependerá das marés e condições meteorológicas.

Uma moldura será construída ao redor da aeronave submersa, que será lentamente erguida e colocada sobre uma plataforma flutuante. Peter Dye, diretor-geral do Museu da RAF, disse: “A descoberta e recuperação do Dornier é de importância nacional e internacional. A aeronave é um sobrevivente único e sem precedentes da Batalha da Inglaterra e da Blitz. Irá proporcionar uma exibição evocativa e comovente que permitirá ao museu contar uma história mais completa da Batalha e dos sacrifícios feitos pelos jovens de ambas as forças aéreas e de muitas nações”.

Embarcação que realizará o resgate é preparada no porto.

Quando o Dornier for recuperado, será preparado para exibição no Museu da RAF em Hendon, ao norte de Londres.

O trabalho de restauração acontecerá no centro de conservação do museu em Cosford, Shropshire, onde a aeronave será imersa em dois túneis de hidratação e tratada com ácido cítrico.

O ministro da cultura, Ed Vaizey, disse: “Hoje marcamos o começo de um excitante projeto que erguerá o último Dornier Do 17 sobrevivente do Canal da Mancha. Estou muito contente que forças foram unidas para realizar este projeto e sei será uma tremenda adição ao acervo do museu, que servirá para educar e ensinar todos os visitantes”.

Fonte: Daily Mail, 3 de maio de 2013.


Comente aqui!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Nota de Falecimento: Alfredo Klas


Alfredo Klas
(30/09/1915 - 12/05/2103)

Faleceu no último dia 12 de maio em Ponta Grossa, Paraná, de causas naturais aos 97 anos de idade, o veterano da FEB Major Alfredo Bertoldo Klas.

Nascido na Fazenda Santa Carlota, zona rural do município paranaense de Palmeira, Klas recebeu educação básica em casa, com professores contratados pelos próprios pais. Em seguida, mudou-se para Curitiba para cursar o ensino médio, destacando-se pelo desempenho e disciplina. Em 1938, graduou-se na Faculdade Estadual de Direito do Paraná.

Após graduar-se, Klas ingressou no Curso Preparatório de Oficiais da Reserva em Curitiba, concluindo-o e sendo declarado Aspirante em 1941. Promovido a 2º Tenente pouco depois, estagiou no 15º Batalhão de Caçadores e em seguida no 20º Regimento de Infantaria. Em outubro de 1943, Klas foi promovido a 1º Tenente, recebendo imediatamente ordens de transferir-se o 1º Batalhão de Fronteira em Foz do Iguaçu. Contudo, pouco antes de sua partida, recebeu um comunicado dizendo que sua transferência estava cancelada, sendo, ao invés, enviado para o 11º Regimento de Infantaria em São João Del Rei-MG, uma das unidades escolhidas para compor a 1ª Divisão de Infantaria da Força Expedicionária Brasileira.

Klas permaneceu em Minas Gerais até março de 1944, quando foi transferido para treinamento com o restante da divisão na Vila Militar do Rio de Janeiro, sendo lá enquadrado na 1ª Companhia do I Batalhão, 11º RI. Uma semana antes do embarque para a Itália, que se deu em 22 de setembro, Klas assumiu o posto de sub-comandante da 1ª Companhia, já que o antigo ocupante do posto deu baixa por problemas de saúde. Desta maneira, o Tenente Alfredo Klas chegou à Itália no começo de outubro, sendo responsável por três pelotões de infantaria. Após um rápido período de aclimatação com vestimentas, armas e equipamentos, o 11º RI foi lançado na linha de frente do Monte Castelo em fins de novembro. Em 12 de dezembro, os ainda inexperientes soldados foram ordenados a atacar as posições alemãs no Castelo, sofrendo pesadas baixas. O inverno que se abateu em seguida paralisou as operações ofensivas até a primavera seguinte, mas em 25 de dezembro, numa inspeção da linha de frente, ele foi atingido no capacete por um tiro de fuzil alemão, que deixou uma profunda marca no aço. O choque deixou-lhe com os movimentos dos braços temporariamente comprometidos.

Monte Castelo finalmente caiu em 21 de fevereiro de 1945, e a partir de então o 11º RI manteve-se na ofensiva ininterruptamente, chegando até Montese em 14 de abril. Nesta cidade, último bastião defensivo alemão nos Apeninos, o 11º RI foi empregado de forma decisiva, conquistando uma difícil vitória contra o inimigo, e deixando-o exposto no Vale do Pó. A companhia do Tenente Klas ocupou o importante centro industrial de Turim no fim da campanha italiana. A vitória final no Teatro de Operações foi alcançada em 2 de maio, totalizando para Klas cinco meses consecutivos na linha de frente. Ele foi condecorado com a Cruz de Combate de 1ª Classe e a Bronze Star norte-americana.

Após retornar ao Brasil e ser promovido a Capitão, ele permaneceu no Exército por mais um ano, mas deu baixa em 1946 para perseguir uma carreira civil. Eleito prefeito da cidade de Palmeira em 1950, mais tarde tornou-se professor na Universidade Estadual de Ponta Grossa. Em 1956 decidiu escrever um livro sobre os malfadados ataques da FEB contra o Monte Castelo no fim de 1944: "A verdade sobre Guanella: um drama da FEB". O livro, contudo, teve seu conteúdo censurado e somente foi publicado em 2002. Em 2005, Klas lançou seu segundo livro: "A verdade sobre Abetaia: drama de sangue e dor no 4º ataque da FEB ao Monte Castelo".

Músico, Alfredo Klas aprendeu a tocar violino ainda na infância, e foi membro da Orquestra Sinfônica de Ponta Grossa. Foi também empresário do setor de embalagens. Era um dos últimos oficiais da FEB ainda vivos. Viúvo, ele deixa dois filhos, nove netos, 14 bisnetos e cinco trinetos.

Major Klas com todas as suas medalhas.

Alfredo Klas em sua residência.


Comente aqui!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Stalingrad (2013): você TEM que ver isso!!


Sabe aquele filme que você secretamente sempre quis que fosse filmado? Aquela super-produção de guerra, que mostrasse a Segunda Guerra Mundial em sua maior intensidade – e que, pelo menos pra mim, escapasse da mania hollywoodiana (que já me cansou) de somente representar batalhas americanas?

Pois se junte a mim na minha empolgação e agradeça à indústria russa de cinema, que vem a cada ano se ombreando com a americana. E desta vez pegaram pesado: o primeiro filme produzido na Rússia totalmente em 3D, para IMAX, e com um baita orçamento de 30 milhões de dólares!

E tudo isso para representar a épica Batalha de Stalingrado, com um visual estupendo, que lembra bastante a estética do Zack Snyder, diretor de “300”, “Watchmen” e “Sucker Punch”.

O diretor Fedor Bondarchuk fez uso de um gigantesco conjunto cenográfico construído perto de São Petersburgo para representar a destruída Stalingrado no calor da batalha em fins de 1942. A produção é falada em russo, mas os diálogos dos soldados alemães serão mantidos em sua língua original, com uso de legendas (nada como um toque de realismo!).

A história de Stalingrad (2013) – ainda sem título nacional – gira em torno de seis soldados soviéticos que resistem na margem ocidental do Volga no auge da ofensiva alemã na cidade, protegendo a casa de uma garotinha. A inspiração vem claramente da lendária Casa de Pavlov.

O filme encontra-se atualmente em pós-produção, e sua estreia está prevista para outubro deste ano. Darei mais novidades assim que forem surgindo! Por enquanto, apenas confiram este indescritível trailer:


Meus agradecimentos ao leitor Jônatas Santos pela dica!
Comente aqui!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Parada da Vitória na Praça Vermelha 2013



Como não podia faltar, a Sala de Guerra compartilha com você a clássica Parada da Vitória na Praça Vermelha de Moscou, comemorando a vitória soviética sobre as forças alemãs na Segunda Guerra Mundial.

10.000 soldados participaram da parada deste ano, juntamente com um enorme número de veículos e aeronaves do inventário russo atual.

Bom, sem mais enrolação, confira:


Versão sem comentários (minha preferida):


Comente aqui!

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Histórias do Nestor: Situação Pastosa na Zentrale do U-171




Fazia um calor agradável, típico do verão da Bretanha quando o trem alcançou Lorient. Fui então apanhado pelo meu amigo Jean-Louis Maurette, um notável mergulhador francês, apaixonado por naufrágios de submarinos, o qual eu havia conhecido on-line meses antes.

Para minha total surpresa, fomos direto da estação para um pequeno porto na localidade de Kerroch onde encontramos mais três mergulhadores: Hugues Priol, Philipe Marie e Jean-Claude Poupiniac.

Nosso objetivo era mergulhar no naufrágio do U-171, um U-Boot Tipo IX C que, ao retornar em 1942 de uma bem-sucedida patrulha no Golfo do México, havia topado com uma mina ao largo da Ilha de Groix, Golfo de Biscaia.

Mesmo naufragando em uma explosão catastrófica, 30 tripulantes sobreviveram, inclusive o comandante, Kapitänleutenant Günther Pfeffer.

Cerimônia de comissionamento do U-171.

Kapitänleutnant Pfeffer sendo cumprimentado pelo comandante da flotilha.

Embarcamos em um inflável com potente motor de popa e partimos do cais. Algum tempo depois, ao sairmos da proteção do quebra-mar, começamos a ser atingidos por ondas enormes. Os franceses pareciam não se importar muito com aquele fato, mas eu sim. Era uma situação muito desagradável, para não dizer perigosa, e logo a minha vontade em mergulhar no submarino começou a desaparecer. Um pouco depois foi minha coragem que arrefeceu.

Minha nossa! O inflável investia como um aríete contra aquelas massas de água verde. Sacudido por choques medonhos, alçando a cada arfada a sua rechonchuda proa gotejante de espuma branca.

O inflável pronto pra partir no cais de Kerroch.

Esta merda vai afundar, vai romper o casco rígido a qualquer momento! Discretamente afastei os pés do emaranhado de pastilhas de chumbo dos cintos de lastro e deixei bem à mão o meu colete equilibrador semi-inflado. A coisa prometia.

Quase uma hora depois alcançamos o ponto do naufrágio e o Jean-Louis navegando em círculos, conferia a todo momento o GPS. Ondas esverdeadas enormes, orladas por espuma branca pulverizada pelo vento, sacudiam o frágil barquinho. Minha mãe!

Jean-Claude à proa pronto pra lançar a boia.

Jean-Louis, mergulhador primoroso e meu anfitrião.

Foi Jean-Claude quem lançou a bóia vermelha. Estávamos sobre os destroços e em segundos, o cabo aduchado no fundo do bote, começou a correr sem parar puxado pela âncora. Fiquei ainda mais desmoralizado. Parecia que o U-171 estava em uma profundidade abissal.

Fui o terceiro a cair na água fria, torcendo que a minha roupa mantivesse algum calor. Meio assustado, meio desequilibrado pelo peso do cilindro de aço (sempre utilizei o de alumínio), tive dificuldade em nadar até a bóia. Que agonia! O colete equilibrador estava mais inflado do que airbag. Às vezes as cabeças dos mergulhadores que haviam me precedido e ou a tal bóia, desapareciam na cava das ondas. Depois era o bote que sumia. Senti que o colete não me mantinha à superfície e fiquei pronto para alijar o lastro.

Que fiasco! Mas eu era determinado e algum tempo depois juntei-me aos outros, segurando na bóia.

Atrapalhado por que as luvas me tiravam o tato, preocupado em seguir a seqüência certa dos procedimentos, confiro os instrumentos, verifico pela décima vez se a câmera submarina está presa na alça do colete, engato o painel dos medidores no mosquetão próprio e giro a coroa do relógio de mergulho.

Então vem a ordem: mergulhar! Mergulhar! Polegares para baixo.

Caço a traquéia do colete e dreno o ar que escapa sibilando. Então tudo se acalma e fica azulado. Iniciamos a descida nos guiando pelo cabo que segue reto, tenso, desaparecendo nas sombras das profundezas. Um caminho interminável, gelado e escuro.

Minha nossa! Ali está a torre do U-171! A escotilha permanece aberta e os suportes dos dois periscópios, o de ataque e de observação aérea, são perfeitamente visíveis. Neste último, a lente está intacta, ainda brilhante após 68 anos de submersão e agora é a casa de uma estrela do mar.

No interior da zentrale: timões e periscópio.

Periscópio aéreo: agora é a casa de uma estrela-do-mar.

Confiro os instrumentos: profundidade na areia 42 metros e a temperatura da água 12°C. Um frio terrível!

O U-171 está cortado transversalmente em um ponto ante-a-vante da torre. Interessante, é um corte quase regular e isto deixa bem a vista a escotilha da zentrale, a sala de controle. Lembra do eletrizante filme “Das Boot”, quando o U-96 realiza um mergulho de emergência? Os marinheiros voam por esta escotilha em direção a proa para aumentar o peso por lá e acelerar o mergulho.

Torre do U-171.

A escotilha é grande e está aberta. Assim não prenderá o meu cilindro ou as mangueiras. Com a flutuabilidade neutra como de um peixe, nado lentamente através da escotilha. Estou entrando através de um portal da História. Este é um grande momento da minha vida de modesto mergulhador. Foi aqui que o Kapitänleutenant Pfeffer, Cruz de Ferro de 1ª Classe, comandou seu submarino nas profundezas do Golfo do México.

O foco da lanterna vai mostrando uma desordem de placas, comandos, tubos, condutos e vigas. Não vejo vida marinha a não ser uma pequena moréia preta que, assustada, logo se esconde entre duas caixas de ferramentas. A água está mais gelada aqui dentro e sinto uma sucessão arrepios.

Escotilha da zentrale.

Estou fascinado! Ali estão o periscópio e os timões dos lemes de profundidade, os de proa e os de popa. Tudo está coberto por sedimentos marinhos e escamas de ferrugem. É necessário ter muito cuidado em não levantar estes sedimentos ou prender o equipamento em cabeleiras de fios que pendem do teto.

Procuro na massa gosmenta do assoalho apodrecido algum prato com a águia e a suástica impressa. Que tal achar um binóculo ou um equipamento de escape com o seu mini-cilindro, bocal e colete? Meu Deus, e se eu encontrasse uma submetralhadora MP 40? Um sextante seria o máximo, mas uma máquina Enigma, a consagração! Hummm, acho que até me contentaria com um apito de marinheiro.

A vontade e a imaginação começam a enganar os olhos. Ou não seria a narcose? Distingo uma pistola P38 sobre a mesa. Não é nada, apenas uma sombra na lama submarina. Agora aparece em um canto um osso humano. É uma tíbia! Não ouso tocar, penso no marinheiro que ali ainda está. O guardião do U-171?

Restos humanos: uma sepultura submarina.

O foco da lanterna esbarra em uma caixa misteriosa. Pronto, ali está o meu sextante! Começo a planejar o golpe. Como estou sem saco de coleta, terei de escondê-lo em algum lugar do colete ou da roupa para não mostrar aos franceses.

Puxo a caixa com força, mas ao invés do meu sextante é um caudal de lodo marrom que levanta. Uma nuvem de vasa marinha, impalpável, mas cerradíssima. A visibilidade vai a zero! A luz da lanterna é absorvida por uma nuvem de partículas apodrecidas e chego a sentir o gosto acre de ferrugem.

Estou cego, estou perdido dentro de um U-Boot, a 42 metros, no fundo de areia branca do Golfo de Biscaia! Misericórdia!

Navego perto da linha do pânico. O medo físico é uma coisa atroz, mas agora é necessário, é preciso manter a calma! Tudo que aprendi em anos de mergulhos começa a desfilar na mente, fico imóvel na escuridão. Deitado no chão, sinto a lama macia e gelada na barriga. É desagradável. Não existe a possibilidade de gritar para os meus companheiros que estão fora da sala de controle. Eu terei de me safar sozinho.

E meu ar? Minha mãe! Sinto que estou respirando mais rápido, gastando sem controle. Que morte horrível!

Quieto, quieto! Espere os sedimentos baixarem, seu infeliz. Finalmente vejo um lampejo amarelado de lanterna à frente e parte da borda redonda da escotilha. Sei lá quanto tempo permaneci aterrorizado. Reajo instintivamente e em um salto, nado em direção a luz. É o Hugues quem esta lá fora. Em segundos me recupero e sem que ninguém perceba o meu pavor, junto-me o grupo que agora vai iniciar a subida.

Torpedo encontrado na popa.

Na escotilha de ressuprimento de torpedos de popa.

Tinham retornado da popa do U-Boot onde exploraram a escotilha de carregamento de torpedos e até acharam um deles. Bem, quanto a mim, sem Walther P38, binóculo, prato com suástica, Enigma ou sextante, nada, só a emoção. Puxa vida, isto só acontece em filme ou livros.

Juntos, pelo cabo, iniciamos a longa subida. Felizmente ninguém percebeu o que aconteceu comigo. Ainda haverá uma parada de segurança pelo caminho e tenho tempo para pensar sobre o nosso mergulho. Ele já estava ali, no fundo, uma sepultura militar, antes mesmo de eu nascer. Mesmo desmantelado por uma morte violenta, é elegante e letal, com as quinas arredondadas do casco cobertas de vida marinha. É emocionante.

Logo após o mergulho no U-boot: Philippe Marie, Nestor, Hugues e Jean-Claude.

Então deixamo-lo em paz. Uma máquina de destruição legendária e que repousará como uma catacumba submarina, calma, serena e com seus segredos, até ser absorvida pelo tempo.

Nestor Magalhães
Fotos: arquivo do autor e arquivo de Jean-Louis Maurette. Desenho (topo) de O. Brichet.

Comente aqui!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Coleção de militaria à venda!


Meu amigo Daniel Wachholz está colocando sua belíssima coleção de militaria da Segunda Guerra Mundial à venda!

Esta é uma excelente oportunidade para comprar medalhas, documentos e outros itens originais, sem passar pelo demorado processo brasileiro de importação. Como já vi a coleção dele de perto, posso atestar que são itens em ótimo estado de conservação, eu mesmo já tendo adquirido alguns!

Dê uma olhada no catálogo e entre em contato com o Daniel para fechar negócio, pelo e-mail danielwachholz@gmail.com.

Boas compras!






Baioneta para o Fuzil Mauser K98, de fabricação tcheca (sob ocupação alemã), de 1944 (Segunda Guerra): R$ 470,00

Caixa de munição 7.62 para a metraladora MG42, para a OTAN (circa 1953): R$ 280,00

Óculos de tanquista aliado, pós-Segunda Guerra, circa 1950s (está com o acrílico arranhado): R$ 180,00


Comente aqui!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Japão e Rússia querem finalmente por fim à Segunda Guerra Mundial



O Presidente russo Vladimir Putin encontrou-se esta semana no Kremlin com o Primeiro-Ministro japonês Shinzo Abe, na primeira conferência russo-japonesa em quase uma década.

Os dois debruçaram-se por horas sobre o problema que tem atormentado líderes russos e japoneses por quase 70 anos: como encontrar uma forma mutuamente aceitável de finalmente encerrar a Segunda Guerra Mundial.

Os líderes de ambos os países concordaram que a situação atual – na qual 67 anos após o fim das hostilidades as duas nações ainda não conseguiram concluir um tratado de paz bilateral – é totalmente anormal.

Muitas novas circunstâncias estão fazendo com que Moscou e Tóquio se olhem com olhos melhores, apesar da disputa que reina desde o fim da Segunda Guerra Mundial sobre a soberania das Ilhas Kurilas, que a Rússia ocupa desde o fim do conflito – e que o Japão ainda clama como suas.

A disputa é a razão principal pela qual os dois países nunca assinaram um tratado de paz.

Desde o desastre nuclear em Fukushima, o Japão aumentou sua dependência de energia russa, especialmente gás natural; já os russos procuram no capital japonês investimentos para modernizar a Sibéria, uma vasta área rica em recursos naturais e ainda majoritariamente desabitada.

Contudo, as Kurilas ainda são fonte de divergências. Os quatro pequenos pedaços de terra próximos à costa norte do Japão – Kunashir, Iturup, Shikotan e Habomai – foram ocupados por forças soviéticas nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial em 1945, e sua situação permaneceu sem solução desde então. Sem acordo sobre as ilhas, nenhum tratado de paz formal jamais foi possível.

Em 1956, um acordo parecia possível, quando Nikita Khrushchev ofereceu ao Japão a devolução das duas ilhas mais ao sul, Shikotan e Habomai, e o Japão concordou que sua reivindicação sobre as outras duas era “fraca”.

Mas o acordo nunca foi finalizado, e muitos dizem que os Estados Unidos bloquearam as negociações, alertando o Japão de que poderia criar um precedente legal para que os EUA mantivessem Okinawa para si.

A situação permanece sem grandes modificações desde então, e em fevereiro deste ano caças japoneses até mesmo decolaram para interceptar supostos jatos russos sobre espaço aéreo nipônico perto das Kurilas.

Fonte: The Christian Science Monitor, 29 de abril de 2013.

Comente aqui!

terça-feira, 30 de abril de 2013

Mais um B-29 Superfortress voltará aos céus




O anteriormente moribundo projeto de restaurar o Boeing B-29 Superfortress Doc de volta às condições de voo acabou de ganhar nova vida em Wichita, Kansas.

Um novo grupo voluntário, chamado “Doc’s Friends”, comprou o bombardeiro em fevereiro, e agora irá prosseguir com o projeto com novo apoio da Boeing e da Spirit AeroSystems. O grupo é chefiado por proeminentes industriais da aviação no Kansas, fato que deve dar garantias de continuidade à restauração.

O B-29 está de volta a um espaçoso hangar doado pela Boeing, e voluntários já estão trabalhando no bombardeiro. A reconstrução aos poucos ganha compasso, mas a aeronave está em bom estado e o trabalho estrutural mais complicado já está completado.

O bombardeiro, número de série 44-69972, não tem histórico de combate conhecido, e ganhou o apelido Doc em meados dos anos 1950, quando serviu como um dos nove TB-29s do 4713º Voo de Avaliação de Radar na Base Aérea Griffiss, New York. Cada aeronave foi apelidada com o nome de um personagem famoso do filme “Branca de Neve e os Sete Anões” da Disney.

Entre as tarefas do esquadrão estavam missões de avaliação das capacidades defensivas de radar dos EUA. A Marinha tomou posse da aeronave em março de 1956 e a armazenou, junto com dezenas de outras, no deserto da Califórnia. Muitos B-29s foram destruídos em testes de armas, mas de alguma maneira Doc conseguiu sobreviver e se tornou um sobrevivente esquecido no meio do nada.

O B-29 foi retirado do deserto em 1998 por Tony Mazzolini, e em meados dos anos 2000 foi transferido de um lar temporário em Inyokern, Califórnia, para a fábrica da Boeing em Wichita, Kansas, de onde havia saído da linha de fabricação em março de 1945.

Doc é transferido para o hangar da Boeing em Wichita, Kansas.

Muitos voluntários, diversos deles ex-funcionários da Boeing, trabalharam na fuselagem e fizeram rápido progresso. A Boeing era uma grande patrocinadora do projeto, cedendo o hangar e outros materiais, mas a assistência virtualmente desapareceu quando a empresa vendeu sua fábrica no Kansas para a Spirit AeroSystems em 2007.

Desde então, a restauração de Doc vinha cambaleado, sem um lar ou oficina para os voluntários trabalharem. A mudança de propriedade deve finalmente levar o bombardeiro de volta aos céus.

Atualmente somente um único B-29, o Fifi, de propriedade da Commemorative Air Force, tem capacidade de voo. Qualquer pessoa que queira colaborar com o projeto, pode acessar o website www.b-29doc.com para mais detalhes.

Fonte: Aeroplane Monthly, 20 de abril de 2013.


Comente aqui!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Nota de Falecimento: Urban Drew


Urban Drew
(21/03/1924 - 03/04/2013)

Faleceu no último dia 3 de abril em Vista, California, EUA, de causas naturais aos 89 anos de idade, o ás norte-americano Major Urban Leonard "Ben" Drew.

Nascido em Detroit, Michigan, Drew havia acabado de terminar seus estudos, aos 17 anos de idade, quando ficou sabendo do ataque japonês a Pearl Harbor em dezembro de 1941. Sendo um amante da aviação desde a infância, ele havia decidido colaborar com o esforço de guerra se tornando um piloto de caça. Em setembro de 1942 Drew foi aceito para treinamento de voo militar, e fez seu primeiro voo solo após apenas 6 horas de instrução. Graduando-se em outubro de 1943, ele teve seu notável talento imediatamente reconhecido e recebeu uma carga extra de treinamento para tornar-se instrutor no novo North American P-51 Mustang.

Desta forma, enquanto milhares de jovens americanos eram enviados para unidades de linha de frente por todo o mundo, Drew foi retido nos EUA como instrutor de caça. Em maio de 1944, após acumular mais de 700 horas de voo no P-51 - tornando-se de fato um dos maiores peritos na aeronave - Drew revoltou-se com as seguidas negativas aos seus pedidos de transferência para o exterior, e fez uma passagem baixa sobre um desfile militar, assustando todos abaixo. Ameaçado com uma corte marcial, seu comandante finalmente transferiu-o para a Inglaterra, para "ver se ele voa ou morre".

Drew cruzou o Atlântico e chegou à base aérea de Bottisham, sede do 357º Esquadrão do 361º Grupo de Caça "Yellow Jackets" no fim de maio de 1944. Iniciando suas missões operacionais em junho, a bordo do P-51D Detroit Miss, ele abriu seu escore no dia 25 daquele mês, quando derrubou um Messerschmitt Me 109 sobre Lisieux, na França. Outro Me 109 se seguiu no mês de julho, enquanto ele fazia escolta de bombardeiros - vitórias que ele considerou "fáceis", dada sua vasta experiência com o Mustang. A realidade mudaria em 25 de agosto, quando Ben viu Messerschmitts atacando uma formação de P-38s. Ele se envolveu num nervoso duelo contra um experiente piloto alemão, que colocou o Me 109 numa fechada espiral descendente contra o Mustang. Enquanto desciam, as aeronaves eram submetidas a uma força de 7 Gs, que comprimia os pilotos contra o assento. Drew conseguiu escapar do giro e, com uma única metralhadora funcional, colocar uma rajada certeira no Me 109, que foi imediatamente ao chão. "Me senti muito mal, porque aquele era um dos grandes pilotos de caça de todos os tempos. Quem quer que estivesse pilotando aquele 109, quase me matou. E eu era o melhor, até onde sabia. Talvez ele fosse um grande ás, talvez não, mas por Deus, ele sabia voar um Messerschmitt", lembrou-se.

Em 18 de setembro, enquanto voava na costa do Mar Báltico, ele avistou um Heinkel He 111K, que rapidamente foi derrubado. Foi então que Drew olhou para o continente e avistou na distância o Lago Schaal. Ao chegar mais perto, ele avistou a maior aeronave já construída pelo Eixo, o hidroavião hexamotor Blohm & Voss BV 238. Seguido por seus dois alas, Ben abriu fogo contra o indefeso gigante, que instantaneamente incendiou-se. Aquele era o primeiro protótipo do BV 238, e sua destruição encerrou o desenvolvimento do modelo.

No fim de setembro Drew viu uma forma veloz passar por ele em pleno voo. Tratava-se do Messerschmitt Me 262, o novíssimo caça a jato da Luftwaffe. Ele tentou seguir o inimigo, mas tudo o que viu foi o esguio caça sumindo no horizonte. Ao voltar à base, Drew procurou todas as informações disponíveis sobre o novo inimigo, preparando-se para um futuro encontro. Em 7 de outubro, seu comandante de esquadrão escolheu-o como líder de voo para uma missão contra Brux, na Tchecoslováquia, onde os jatos alemães haviam sido avistados. Ao aproximar-se da base aérea de Achmer, na Alemanha, Ben recebeu intensa artilharia antiaérea, mas avistou dois dos temidos Me 262 decolando do outro lado da pista. Mergulhando sobre os jatos, Drew explodiu o primeiro com suas metralhadoras, e ficou surpreso ao ver o segundo fazendo uma curva aberta para tentar escapar, permitindo-lhe um ângulo perfeito para alvejar sua cauda e enviá-lo também ao chão. Urban Drew havia se tornado o primeiro e único piloto Aliado a derrubar dois Me 262 numa única missão.

Contudo, sua câmera de tiro havia travado e seu ala abatido, tornando-se prisioneiro de guerra, e dessa forma Drew não recebeu crédito oficial por essas vitórias. Pouco depois ele terminou seu tour operacional com 76 missões realizadas, e retornou aos EUA como instrutor mais uma vez. Em 1945, foi enviado para Iwo Jima junto ao 413º Esquadrão do 414º Grupo de Caça, voando o P-47N em missões de escolta de Boeing B-29 sobre o Japão. Sua última missão durou 9,5 horas de voo. Ele terminou a guerra com 6 vitórias aéreas confirmadas, 2 aeronaves destruídas no solo, 11 locomotivas e 4 embarcações destruídas.

Após a guerra ele permaneceu na Guarda Nacional do Michigan até 1950, quando iniciou uma série de empresas de voo comercial na Inglaterra e na África do Sul, passando a residir em Johannesburg.

Em 1983, suas vitórias contra os jatos em 7 de outubro de 1944 foram finalmente confirmadas quando encontrou-se os registros da Luftwaffe naquele dia, e Drew foi condecorado com a Air Force Cross em 12 de maio daquele ano - tornando um dos dois únicos soldados a ganhar tal condecoração por feitos na Segunda Guerra Mundial.

Em seus últimos anos, Drew mudou-se para um asilo na California. Ben Drew teve poucas vitórias em seu currículo, que no entanto é um dos mais distintos da USAAF na Segunda Guerra. Ele deixa esposa e um filho.

Drew ao lado do Detroit Miss.

Foto autografada de Urban Drew.

North American P-51D Mustang Detroit Miss, de Urban Drew. 375º Esquadrão do 361º Grupo de Caça - Bottisham, Inglaterra, junho de 1944.


Comente aqui!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Historiadores encontram o corpo de heroi de guerra alemão


Os restos mortais de um soldado alemão considerado o maior ás dos tanques de todos os tempos foram encontrados num túmulo na República Tcheca.

Kurt Knispel.
Os restos de Kurt Knispel – que foi para os tanques o que Erich Hartmann foi para os aviões de caça – foram encontrados por historiadores do Museu da Moravia em Vrbovec em um túmulo sem identificação no cemitério de Znojemsko.

Após completar seu aprendizado numa fábrica de automóveis em 1940, Knispel alistou-se na força de blindados do Exército Alemão e foi enviado para a frente de batalha aos 20 anos de idade em 1941.

Com 168 vitórias confirmadas e 195 não-confirmadas, Knispel foi de longe o mais bem-sucedido tanquista da Segunda Guerra Mundial, conseguindo certa vez destruir um tanque soviético T-34 a 3.000 metros.

Ele lutou virtualmente em todos os tipos de tanques alemães como municiador, artilheiro e comandante, e foi condecorado com a Cruz de Ferro de 1ª Classe após destruir seu 50º inimigo. Após 100 combates, ele recebeu a Insígnia de Combate Blindado em Ouro.

Quando Knispel tinha destruído 126 tanques inimigos (e outros 20 não-confirmados), ele foi condecorado com a Cruz Alemã em Ouro. Se tornou também o único oficial não-comissionado dos blindados a ser nomeado nos despachos da Wehrmacht. Como comandante de um Tiger e depois um Königstiger, Knispel destruiu mais 42 tanques inimigos.

Embora tivesse sido recomendado quatro vezes, Knispel nunca recebeu a desejada Cruz do Cavaleiro, uma comenda padrão para a maioria dos ases dos panzers. Mas ele não era muito afeito a condecorações, e quando havia disputa pelo crédito da destruição de um tanque inimigo, Knispel sempre cedia a vitória ao colega.

Seu lento progresso nas promoções foi atribuído a diversos conflitos com altas autoridades, e ele uma vez atacou um oficial superior por que o viu maltratando prisioneiros soviéticos.

Knispel também mantinha o cabelo grande, barba e uma tatuagem – esta última foi usada para identificar seu corpo, encontrado num túmulo sem identificações na fronteira da Áustria com a República Tcheca.

A porta-voz do museu, Eva Pankova, disse: “Ele foi eventualmente identificado pela tatuagem militar no pescoço. Seus restos agora serão transferidos para o Cemitério Central de Honra”.

Fonte: Croatian Times, 17 de abril de 2013.

Comente aqui!