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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Nota de Falecimento: Franz Weber


Franz Weber
(30/11/1921 - 28/07/2104)

Faleceu no último dia 28 de julho em Munique, na Alemanha, de causas naturais aos 92 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, Obergefreiter Franz Weber.

Nascido em Ober-Futok, hoje na Sérvia (originalmente na Iugoslávia), Weber era filho de um fazendeiro de origem austríaca. Após sair da escola, começou a estudar para se tornar um padeiro. Aos 19 anos de idade, em abril de 1941, viu a Wehrmacht invadir a Iugoslávia para conter o novo governo pró-britânico que havia tomado o poder no país. Ele voluntariou-se para a Waffen-SS, mas não foi aceito. Weber mudou-se então para a Alemanha e arrumou emprego numa padaria de Stettin, e em 10 de setembro de 1942 ingressou no Exército. Enviado para treinamento em Indriza, no norte da União Soviética, terminou o treinamento básico da infantaria em dezembro daquele ano, sendo integrado à 8ª Companhia do 28º Regimento da 8ª Divisão de Caçadores - uma veterana unidade dos combates no setor norte do front leste.

As divisões de caçadores foram concebidas para atuar em terrenos mais difíceis, onde as grandes formações da infantaria comum seriam menos eficazes que pequenas e motivadas unidades. Eram mais armadas que uma divisão de montanha, mas menos armadas que uma divisão de infantaria padrão. Dessa forma, Weber recebeu treinamento em operação de seção de metralhadora para operações ágeis, mostrando seu valor em combate em dezembro de 1943 numa ação de contra-ataque perto do Lago Ilmen, quando ganhou a Cruz de Ferro de 2ª Classe. Em 12 de fevereiro de 1944, durante um ataque soviético nos arredores de Pskov, Weber foi ferido no rosto por um estilhaço de granada. Três meses depois, sua divisão foi transferida para a Romênia, posicionando-se nos Cárpatos para enfrentar a ofensiva soviética naquele país.

Em 1 de outubro, sua 8ª Companhia foi ordenada a retomar uma importante passagem pela Cordilheira de Rodna (1.587 metros de altitude) - um valioso ponto logístico do Eixo no norte da Romênia - que havia acabado de ser capturado pelo inimigo. Pouco depois do início do ataque, a companhia alemã foi parada no terreno ao aproximar-se do alvo, por uma barreira de fogo de metralhadora e morteiros soviéticos. Nessa delicada situação, Weber decidiu sair da posição com sua metralhadora e dois operadores, e buscar num ponto mais elevado um local de onde pudesse ver as armas inimigas. Da nova posição, Weber divisou a 40 metros dois ninhos de metralhadoras pesadas soviéticas, que mantinham seus companheiros parados na elevação. Por sua própria iniciativa, ele então sozinho partiu para cima do primeiro ninho, capturando a posição inimiga com granadas de mão, enquanto recebia cobertura de fogo de sua MG 42. Sem fazer pausa, Weber novamente expôs-se e atacou sozinho o segundo ninho, lançando granadas enquanto aproximava-se dos soldados inimigos. Ele destruiu a metralhadora, mas foi seriamente ferido na cabeça, com contusões no olho esquerdo e no cérebro. Com a destruição das duas armas, os alemães recuperaram a montanha, e Weber foi levado por seus colegas a um hospital. Por essas ações, ele recebeu no dia 10 de outubro a Cruz de Ferro de 1ª Classe. Contudo, após nova análise dos fatos e da importância de sua ação pessoal para a destruição das posições soviéticas no alto da montanha, o Alto-Comando da Wehrmacht decidiu em 28 de outubro de 1944 condecorar Franz Weber com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro.

Ele recebeu a comenda dois dias depois, quando ainda estava internado num hospital em Liegnitz. Ao receber alta, ele retornou à sua divisão, que acabou rendendo-se no fim da guerra na Checoslováquia.

Franz Weber era um ativo participante de encontros de veteranos na Alemanha. Ele deixa esposa, uma filha e muitos netos.

Obergefreiter Weber (dir), 1945.

Weber (centro), 1945.

Com Franz Weber durante o encontro da OdR em Bad Honnef, Alemanha, 10 de outubro de 2009.

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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Caças de “A Batalha da Inglaterra” voarão novamente após 40 anos



Uma coleção de aeronaves históricas que estrelou o filme “A Batalha da Inglaterra” em 1969 foi comprada por quase 10 milhões de libras após ser guardada num celeiro por mais de 40 anos.

Eles foram comprados por um negociante europeu e após a restauração não vão demorar a aparecer nos céus da Inglaterra em shows aéreos.

Um Spitfire de 1943 que realmente lutou na Segunda Guerra Mundial foi vendido por 4 milhões de libras, enquanto o resto foi para nove Buchóns – a versão espanhola do Messerschmitt Me 109, o caça da Alemanha durante a Batalha da Inglaterra.

Eles representaram “o inimigo” no filme e foram dados ao piloto de acrobacias Wilson “Connie” Edwards como forma de pagamento, juntamente com o Spitfire que ele voou durante as filmagens. Agora com mais de 80 anos, Edwards decidiu vender as aeronaves, que vinha mantendo em seu rancho em Big Spring, Texas.

Ele explicou: “Eu fui contratado por 6 semanas, e 11 meses depois eu ainda estava voando. O tempo estava péssimo e o dinheiro estava curto no fim das filmagens, então eu disse ‘Tudo bem, eu fico com as aeronaves e estamos quites”.

Robert Shaw na cabine de um Spitfire durante as filmagens de "A Batalha da Inglaterra", em 1968.

Simon Brown, da Platinum Fighters, que coordenou a venda, disse: “O filme foi a maior produção com aeronaves da Segunda Guerra Mundial já realizada. Nele, a Luftwaffe foi realmente representada por toda uma ala da Força Aérea Espanhola. A importância dessas aeronaves é que elas são a última coleção não-restaurada de aeronaves da Segunda Guerra no mundo todo”.

Elas não foram tocadas e estão com o mesmo óleo no motor que tinham em 1968. O comprador planeja restaurar diversas delas e revender o restante”.

O Spitfire Mk.IXb, que voou pela última vez em 1973, está em condições impecáveis. Após o serviço com a RAF, o exemplar voou com as forças aéreas de Holanda e Bélgica, sendo também utilizado no filme “O Mais Longo dos Dias” de 1962.

Os Buchóns serviram na Força Aérea Espanhola até 1965 antes de serem comprados para suas cenas de combate aéreo em “A Batalha da Inglaterra”.

Fonte: Express, 24 de agosto de 2014.

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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Santa Maria e o Dia do Soldado



por Eduardo Seyfert

Durante as comemorações do Dia do Soldado, a cidade de Santa Maria teve uma semana repleta de atividades em memória dos combatentes brasileiros. Na segunda feira dia 18, foi realizada no Santuário Basílica Medianeira uma missa alusiva à data. Em 21 de agosto foi o dia da Câmara de Vereadores da cidade homenagear os militares. No último 22, o comando da 3ª Divisão de Exército – “Divisão Encouraçada”, encerrou a semana com um brilhante tributo aos soldados do Brasil em uma formatura militar no tradicional Quartel do 3º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado – o Regimento Mallet, comandado pelo Tenente-Coronel Carlos Marcelo Teixeira Costa

A solenidade militar foi presidida pelo General-de-Divisão Geraldo Antonio Miotto e também contou com a presença de autoridades civis e militares da cidade de Santa Maria. 

General Miotto e demais autoridades.

Durante a cerimônia militar, foram entregues diversas condecorações, dentre as quais, ressaltamos aqui, aquelas com a finalidade de reconhecer o trabalho de pessoas que de alguma forma colaboraram com o Exército Brasileiro. Assim, as Sras. Ana Maria Lima e Silva Andrade e Liana Maria Cassol Comasseto Araquem, bem como o Sr. Ferreira Brum, foram agraciados com o Diploma de Colaborador Emérito do Exército. Os Srs. Carlos Costabeber e André Augusto Cella foram condecorados, respectivamente, com a medalha Ordem do Mérito da Defesa, e do Pacificador

Os serviços prestados ao Exército pelo General-de-Divisão Eduardo Segundo Liberali Wiznieswski, por cera de 40 anos de farda foram lembrados nas palavras do General Miotto. O General Eduardo, que recentemente passou a reserva do Exército, foi agraciado com uma panóplia que traz em suas gravações os distintivos de todas as unidades militares em que serviu durante sua carreira, bem como as insígnias correspondentes aos postos de Oficial General que por ele foram exercidos. 

General Miotto faz uso da palavra.

Na ordem do dia, foi lida a mensagem do comandante do Exército Brasileiro, General-de-Exército Enzo Martins Peri, aos Soldados do Brasil. Na carta do comandante foi destacada a importância do patrono do Exército Brasileiro, Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias - o Pacificador: 

CAXIAS é uma referência permanente de legalidade, perseverança, generosidade, amor à Pátria, solidariedade e disciplina... 
CAXIAS, o Pacificador, legou-nos o jeito conciliador nas negociações, o convencimento para desarmar espíritos conturbados, a capacidade de conviver com diferenças, a perseverança perante as dificuldades, o espírito de cumprimento de missão e uma fé inabalável na vitória. 
De CAXIAS herdamos, também, o exemplo de dedicação integral ao serviço da Pátria e de defesa de sua unidade e integridade territorial... 

Agraciados em continência após receberem suas condecorações.

O General Miotto, fazendo uso da palavra, ressaltou as qualidades do patrono do Exército, destacando que o mesmo teve importância crucial para o fim da Revolução Farroupilha que ocorreu aqui no Rio Grande do Sul entre os anos de 1835-1845. Alguns artigos do Tratado do Poncho Verde, foram recordados pelo comandante da Divisão a fim de mostrar os atributos de Caxias:

Art. 1° - Fica nomeado Presidente da Província o indivíduo que for indicado pelos republicanos. 
Art. 2° - Pleno e inteiro esquecimento de todos os atos praticados pelos republicanos durante a luta, sem ser, em nenhum caso, permitida a instauração de processos contra eles, nem mesmo para reivindicação de interesses privados. 
Art. 3° - Dar-se-á pronta liberdade a todos os prisioneiros e serão estes, às custas do Governo Imperial, transportados ao seio de suas famílias, inclusive os que estejam como praça no Exército ou na Armada. 
Art. 7° - Está garantida pelo Governo Imperial a liberdade dos escravos que tenham servido nas fileiras republicanas, ou nelas existam. 
Art. 8° - Os oficiais republicanos não serão constrangidos a serviço militar algum; e quando, espontaneamente, queiram servir, serão admitidos em seus postos. 
Art. 12° - Ficam perdoados os desertores do Exército Imperial. 

O tratado do Poncho Verde foi um decreto elaborado por Dom Pedro II, que discorria sobre as condições de paz para os Republicanos em relação ao Império quando do término do conflito conhecido como Guerra dos Farrapos. Na Revolução Farroupilha, os Republicanos da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul pleiteavam a independência da mesma em relação ao Império do Brasil de Dom Pedro II. Fato interessante foi que Caxias teve liberdade para adaptar as condições propostas pelo Imperador do Brasil. 

Tropas de unidades subordinadas à 3ª Divisão de Exército.

A atuação dos soldados da guarnição de Santa Maria na Operação São Francisco II junto ao complexo da Maré na cidade do Rio de Janeiro foi lembrada pelo Comandante. Os soldados foram à comunidade levar cidadania, dar oportunidade aos moradores, garantir liberdade a todos para que a população não ficasse refém dos traficantes. Ressalvou o General. 

Finalizando a formatura, a tropa realizou desfile em continência ao Comandante da 3ª. Divisão de Exército.

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domingo, 24 de agosto de 2014

Nota de Falecimento: Barrie Davis


Barrie Davis
(22/12/1923 - 19/08/2014)

Faleceu no último dia 19 de agosto em Zebulon, Carolina do Norte, EUA, de causas naturais aos 90 anos de idade, o ás norte-americano Coronel Barrie S. Davis.

Nascido no Condado de Lenoir, filho de um sacerdote protestante, Davis concluiu seu ensino médio em 1940, ingressando em seguida na Universidade de Wake Forest. Contudo, após os Estados Unidos entrarem na Segunda Guerra Mundial, ele recebeu a notícia que seu irmão mais velho havia morrido em combate contra os japoneses nas Filipinas. Davis abandonou os estudos e ingressou no USAAF em junho de 1942, completando o treinamento em agosto de 1943 e sendo comissionado 2º Tenente.

Imediatamente embarcado para o Mediterrâneo, Davis fez suas primeiras missões operacionais no Comando de Transporte, transferindo aeronaves da África para a Itália. Contudo, em maio de 1944 ele foi designado para o 317º Esquadrão do 325º Grupo de Caça, os famosos "Checkertails". A unidade, que até então voava o P-47 Thunderbolt, tornou-se famosa por utilizar na cauda uma pintura quadriculada em amarelo e preto, e produziu numerosos ases durante a guerra. Após apenas sete missões a bordo do P-47, os Checkertails fizeram a conversão para o P-51 Mustang, e Davis teve que se adaptar ao novo caça. O novo grande alcance permitido pelo Mustang significava que seu grupo agora voaria missões sobre os Bálcãs, sul da Alemanha, Romênia, Iugoslávia e Hungria.

No dia 6 de junho de 1944, enquanto os Aliados desembarcavam nas praias da Normandia, os Checkertails protagonizariam a primeira das "shuttle missions" - missões de caça com origem na Itália e com pouso dentro do território soviético. Escoltando uma formação de B-17s contra um alvo na Romênia, Davis e seus colegas foram interceptados por Messerschmitt Me 109s romenos do 9º Grupo de Caça (Grupul 9 Vânătoare). Após o combate, no qual deu proteção aos bombardeiros, Davis perdeu seu ala de vista. Alguns minutos depois, divisou a silhueta de um caça aproximando-se às 5h, por baixo, e pensou tratar-se de seu colega. Na verdade, tratava-se do Me 109 do Tenente Ion Dobran, que disparou uma rajada certeira contra o cockpit e deixou Davis inconsciente. Ao recuperar a consciência momentos depois, ele percebeu que seu caça voava estabilizado, mas totalmente danificado pelo fogo de Dobran. O propulsor, as asas, o leme e o profundor estavam em péssimo estado - além do canopy, que havia sido completamente arrancado. Com muita dificuldade, ele conseguiu recuperar o controle da aeronave e após um longo voo pousou na Ucrânia, recebendo tratamento para seus ferimentos.

Ao recuperar-se, Davis retornou à Itália e logo depois abriu seu escore. O longo treinamento e o período operacional prévio à sua integração aos Checkertails fez sua parte e ele logo mostrou-se um exímio piloto de caça. Em apenas dois meses de combate ele já havia derrubado 4 aeronaves inimigas quando, em 22 de agosto de 1944, Davis teve seu grande dia. Após concluir sua escolta de um grupo de B-17s retornando da Alemanha pesadamente danificados, ele recebeu pelo rádio o pedido de ajuda do comandante da formação, que estava sendo atacado por um grupo de Me 109s e Fw 190s sobre os Alpes. Davis e seus colegas fizeram meia-volta e imediatamente foram socorrer os quadrimotores. Chegando lá, na mesma altitude dos Boeings, Davis percebeu que não havia tempo para ganhar altitude para o combate, e decidiu partir para cima da Luftwaffe de qualquer maneira. Os poucos Mustangs se jogaram contra os mais numerosos alemães, e no combate que se seguiu Davis derrubou dois caças inimigos. Seus colegas derrubaram outros dois, e os alemães interromperam o ataque - nenhum dos bombardeiros foi derrubado. Por essa ação ele foi agraciado com a Silver Star.

Em novembro de 1944, após completar 70 missões de combate, Barrie Davis foi enviado de volta para os Estados Unidos, onde tornou-se instrutor de caça. Ele terminou a guerra com 6 vitórias aéreas confirmadas, outras 6 aeronaves destruídas em solo, bem como 12 locomotivas. Davis passou para a Reserva em 15 de outubro de 1945, e em 1949 transferiu-se para a Guarda Nacional da Carolina do Norte. Lá, comandou uma bateria antiaérea, capacitou-se como piloto de helicóptero, comandou a 30ª Divisão de Artilharia Antiaérea e, por fim, tornou-se comandante da Academia Militar da Carolina do Norte, na patente de Coronel. Ele aposentou-se em março de 1978, após 29 anos de serviço na Guarda Nacional.

Como civil, Davis tornou-se editor de revistas e jornais, e abriu sua própria gráfica. Membro do Rotary Club desde 1946, foi um dos mais destacados membros de sua comunidade. Em 2009 um pesquisador americano descobriu que o piloto romeno que havia alvejado o Mustang de Davis em 6 de junho de 1944 havia sido Ion Dobran. Através da Embaixada da Romênia em Washington, foi organizado com a Força Aérea Romena um encontro dos dois veteranos, que foi realizado em Bucareste em janeiro de 2010.

Ele deixa esposa, 7 filhos, 11 netos e 10 bisnetos.

Em outubro de 2009 eu visitei Ion Dobran em Bucareste, e durante nossa conversa ele me entregou uma cópia de sua correspondência com Barrie Davis. Ao voltar para casa, entrei em contato com Barrie, que mostrou-se muito curioso com minha visita a Bucareste, visto que a sua já estava também agendada para o próximo mês de janeiro. Passei a ele algumas informações sobre Dobran, bem como fotos da minha visita, pois nunca havia visto-o. Mantivemos contato frequente até sua viagem, e depois ele me contou como tudo havia sido maravilhoso. Foi uma honra ter participado dessa pequena história de reconciliação.

Descanse em paz Barrie, você fará falta!

Tenente Davis e seu P-51, com as marcações de 6 vitórias aéreas.

"Honey Bee", o P-51D Mustang de Barrie Davis com o 317º Esquadrão dos Checkertails.

Coronel Barrie Davis, Guarda Nacional da Carolina do Norte.

Ion Dobran e Barrie Davis, Bucareste, Romênia, janeiro de 2010.



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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Nota de Falecimento: Arthur Büssecker


Arthur Büssecker
(08/07/1918 - 28/07/2014)

Faleceu no último dia 28 de julho em Heidelberg, Alemanha, de causas naturais aos 96 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, Oberleutnant Arthur Büssecker.

Nascido na pequena Wieblingen, perto de Heidelberg, Büssecker terminou os estudos e iniciou seu serviço de trabalho obrigatório (para o Reichsarbeitsdienst) em abril de 1938, permanecendo lá até outubro. Em 1 de dezembro daquele ano, ele ingressou na Luftwaffe, sendo enviado para treinamento junto à 2ª Bateria do 49º Regimento Antiaéreo em Mannheim. Sua unidade utilizava o icônico canhão Krupp 88mm, e viu ação pela primeira vez durante a invasão das potências ocidentais em maio de 1940.

Durante as intensas movimentações dos primeiros dias da campanha, após a travessia do rio Maas, Büssecker envolveu-se numa série de ações de destruição de bunkers na Holanda, Bélgica e França, alcançando mais tarde o Canal da Mancha, onde ocupou diversos portos no Atlântico, até finalmente chegar a Brest. Lá, Büssecker destruiu dois bunkers em combate, após ter sido pessoalmente recomendado para a tarefa, ganhando a Cruz de Ferro de 2ª Classe. A unidade antiaérea permaneceu na costa do Atlântico por todo o ano de 1941, protegendo os portos nos quais operavam as maiores unidades de superfície da Kriegsmarine, bem como aguardando uma possível ordem para atacar Gibraltar através do território espanhol.

Em junho de 1942, o 49º Regimento foi enviado para a União Soviética, passando a operar como reforço do Grupo de Exércitos Sul para a Operação Azul, o avanço alemão até o rio Volga naquele verão. Integrado ao 6º Exército do General Friedrich Paulus, a unidade de Büssecker participou das tomadas de Voronezh, Kharkov, dos combates na curva do Don e, finalmente, Stalingrado. Já na cidade às margens do rio Volga, Büssecker deu cobertura antiaérea e anti-fortificação para a ofensiva de Paulus, que lentamente desgastava-se com a chegada do inverno. Com o começo da Operação Urano em 19 de novembro e o posterior cerco soviético à Stalingrado, o papel dos 88mm ganhou grande importância no esquema defensivo do 6º Exército. Disposto no norte do dispositivo alemão, Büssecker enfrentou pesados ataques soviéticos que visavam romper seu perímetro, e entre os dias 2 e 4 de dezembro, contra uma imensa força blindada inimiga, ele destruiu 20 tanques, 6 caminhões e 5 peças de artilharia soviética. Em outras confrontações durante aquele mês, ele destruiu mais 24 tanques inimigos, mantendo a linha alemã contra as investidas russas. Por essas ações, Arthur Büssecker foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 23 de dezembro de 1942.

Durante os pesados combates no bolsão de Stalingrado, Büssecker foi ferido três vezes. Devido ao seu quarto ferimento, bastante grave, ele recebeu ordens de evacuação e subiu a bordo do último Heinkel He 111 que decolou para fora do bolsão em 23 de janeiro de 1943. Ao receber alta do hospital, em 26 de março, foi destacado para o 39º Batalhão Antiaéreo em Koblenz, e após cursar a escola de oficiais, é comissionado Leutnant. Büssecker tornou-se instrutor em diversas escolas da Luftwaffe até que foi feito comandante da 2ª Bateria do 1º Regimento Antiaéreo, tendo sido escolhido pessoalmente pelo General der Flakartillerie Wolfgang Pickert (outro veterano de Stalingrado) para a posição. Com essa unidade, Büssecker participou da Batalha das Ardenas

Nos últimos dias da guerra, encontrava-se em Görlitz, nas proximidades de Dresden, mais uma vez combatendo os soviéticos. Com a capitulação, tenta alcançar as linhas americanas na Checoslováquia, mas é capturado por guerrilheiros checos, que entregam-no aos russos. Contudo, durante a noite, Büssecker, na companhia de outros colegas, foge do cativeiro soviético e segue para o sul, onde cai em mãos americanas em 6 de maio. Büssecker foi libertado já em 14 de junho de 1945.

Após a guerra, ele trabalhou no setor de tecnologia médica da Siemens em Mannheim, e também era um destacado esportista amador, competindo até idade avançada. Büssecker era o último ganhador da Cruz do Cavaleiro pela Batalha de Stalingrado que ainda vivia. Ele deixa esposa, três filhos e cinco netos.

Flak 88mm na União Soviética, em montagem similar à arma de Büssecker.

Elisabetha e Arthur Büssecker, que comemoraram 70 anos de casados em 30 de setembro de 2013.

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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Por trás de cada pin-up, uma garota de verdade


Pin-ups. As estonteantes mulheres que ilustravam páginas de famosas revistas norte-americanas dos anos 1940, e cujas imagens acabaram por ser reproduzidas nas fuselagens de aeronaves Aliadas por todo o mundo durante a Segunda Guerra Mundial.

A verdade é que a figura dessas garotas, sempre maravilhosas e em posições sugestivas, inundava a imaginação dos soldados, muitas vezes a milhares de quilômetros de casa. As pin-ups se tornaram icônicas, e até hoje mantêm seu charme entre os entusiastas da história militar.

O que poucos sabem é que os talentos artistas que as desenhavam na verdade recorriam a mulheres de verdade como modelos - tão maravilhosas quanto, diga-se de passagem. Tratava-se de um trabalho de pintura sobre uma fotografia, mudando alguns detalhes dos traços da modelo e do cenário.

Confira:








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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Documentário: O Peso da Guerra



A mais recente produção cinematográfica sobre a nossa Força Expedicionária Brasileira me surpreendeu bastante, visto que é o documentário mais agradável e profissional já feito sobre o tema – na minha opinião. A bem da verdade, fica pau a pau com o também excelente “O Lapa Azul”.

Mas o que gostaria de deixar registrado são os meus parabéns ao cineasta Alexandre Naval, que com simplicidade e poucos recursos conseguiu transpor para a tela depoimentos verdadeiramente únicos e pessoais de quatro veteranos da FEB, no curta-metragem “O Peso da Guerra” (2014).

Começando pelo Sargento Newton Lascalea – a quem tive o prazer de conhecer pessoalmente ano passado, e que autografou um livro meu – a sobriedade e simplicidade do soldado brasileiro na Segunda Guerra Mundial fica muito bem retratada nesta pequena obra, que descarta o ufanismo como veia condutora (muito para o meu alívio).

Sargento Newton Lascalea e Soldado Cleir de Carvalho.

O Peso da Guerra” ainda conta com os depoimentos do Coronel Jairo Junqueira, o Major Samuel Silva e o Soldado Cleir de Carvalho (todos da seção da ANVFEB de São Paulo), cada um contribuindo com elementos únicos para compor a narrativa. A linguagem visual usada pelo diretor também é bastante moderna, e foge do usual em documentários sobre a Força Expedicionária, conferindo ares de novidade à esta produção.

Minha única reclamação é que ficou curto (24 min)! Puxa, eu queria mais! Brincadeiras à parte, este curta-metragem afirma-se como uma peça responsável do registro de um capítulo importantíssimo de nossa história.

Confira:


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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Separatistas russos colocam tanque da Segunda Guerra de volta em operação!



Lembram do tanque IS-3 que dois rapazes russos conseguiram dar a partida em junho? O IS-3, que encontrava-se num pedestal em Kostiantynivka, no leste da Ucrânia, aparentemente chamou a atenção dos separatistas russos que operam na região.

Ao saber que o tanque, mesmo após décadas de inatividade, podia ser acionado, um grupo de separatistas simplesmente retirou o veículo do pedestal e colocou-o de volta em operação! Com o auxílio de alguns mecânicos habilidosos e um punhado de peças de reposição, o IS-3 foi colocado de volta na ativa no arsenal separatista, e ainda recebeu a provocativa pintura "Para Kiev" na lateral - ao melhor estilo Segunda Guerra Mundial.

Em ação há alguns dias, o Exército Ucraniano capturou o tanque, e surpreendido, mostrou o IS-3 operacional à imprensa, como um alerta das capacidades das forças separatistas. Os ucranianos agora planejam devolver o tanque ao pedestal assim que o conflito for encerrado:


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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Bucareste, 10 de maio de 1943: um incrível registro em cores



Na ensolarada segunda-feira de 10 de maio de 1943, Bucareste, capital da Romênia, amanheceu decorada para a celebração do dia nacional do país. Celebrada em honra do 10 de maio de 1866, a data marca o dia em que o príncipe prussiano Karl Eitel von Hohenzollern-Sigmaringen chegou à capital e jurou fidelidade à constituição parlamentar dos Principados Unidos da Moldávia e Valáquia, assumindo o trono como Rei Carol I. Em 10 de maio de 1877 a Romênia foi unificada como um único país, e em 10 de maio de 1881 o país foi declarado um reino, com a coroação oficial de Carol I.

Desde então, o dia 10 de maio era celebrado anualmente com grandes festividades. Contudo, aquela data no ano de 1943 era de clima funesto e de terríveis perspectivas para a Romênia e seu grande aliado, a Alemanha. A guerra contra a União Soviética entrava em seu terceiro ano com uma decisiva e dura derrota em Stalingrado, com a perda total do 6º Exército alemão e a destruição de grande parte do 3º e 4º Exércitos romenos. Naquele momento, fileiras intermináveis de prisioneiros alemães e romenos rumavam para o cativeiro na Sibéria, de onde poucos voltariam.

Mas o governo do Marechal Ion Antonescu não pretendia deixar a impressão de incerteza pairar sobre a sociedade romena, e nisso era apoiado pelos alemães. Dessa forma, no dia 10 de maio de 1943 uma grande parada militar celebrou o dia nacional da Romênia, com desfile de tropas nacionais e alemãs (do Exército e da Kriegsmarine, que operava no Mar Negro com base no porto romeno de Constanta).

E para cobrir o evento lá estava o fotógrafo alemão Willy Pragher, munido dos já raros filmes coloridos Afgacolor.

No início do desfile, Antonescu chegou acompanhado de seu estado-maior e outros dignatários, além do jovem Rei Mihai I, aos 21 anos de idade. A liderança recebeu a bênção de um patriarca da Igreja Ortodoxa Romena, seguindo para o palanque, de onde observou o desfile das tropas.

Patriarca da Igreja Ortodoxa Romena abençoa o evento.

O Rei Mihai I em posição de respeito, chefia a liderança presente, atrás do Patriarca.

O Patriarca abençoa Ion Antonescu.

A liderança segue para o palanque.

Rei Mihai I, com seu uniforme de Marechal do Exército.

A Romênia permaneceu em guerra contra a União Soviética até setembro de 1944, quando o país já havia sido invadido pelas forças do inimigo. O Rei Mihai I demitiu e prendeu Antonescu, assinando um armistício com os soviéticos.

Mihai e Antonescu.

Estandarte real abre o desfile.

Cadetes romenos desfilam.


Tropas alemãs iniciam seu desfile.



Tropas da Kriegsmarine desfilam.

A banda de música alemã faz sua passagem.

Meninos em uniforme desfilam.


 

Fotos: Landesarchiv Baden-Württenberg.
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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Nota de Falecimento: Dutch Van Kirk


Theodore "Dutch" Van Kirk
(27/02/1921 - 28/07/2014)

Faleceu no último dia 28 de julho em Stone Mountain, Georgia, EUA, de causas naturais aos 93 anos de idade, o navegador e último sobrevivente da tripulação do B-29 Enola Gay, Major Theodore "Dutch" Van Kirk.

Nascido em Northumberland, na Pennsylvania, Van Kirk vinha de uma família de imigrantes holandeses e ingressou no Programa de Cadetes da Força Aérea do Exército aos 20 anos de idade em outubro de 1941. Enquanto realizava seu treinamento, o Japão atacou a base naval americana em Pearl Harbor, no Havaí, e os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial. Em abril de 1942 concluiu o treinamento e foi comissionado 2º Tenente, sendo enviado para o 97º Grupo de Bombardeio - a primeira unidade operacional de Boeing B-17 a ser transferida para a Inglaterra.

Van Kirk ingressou na tripulação do B-17 Red Gremlin, que era pilotado pelo então Capitão Paul Tibbets, e tinha Thomas Ferebee como bombardeador. Mais tarde, os três voariam juntos na missão atômica contra Hiroshima. A sintonia operacional do trio foi logo notada pelos comandantes da 8ª Força Aérea, e o Red Gremlin tornou-se aeronave líder da formação, responsável por sua navegação e bombardeamento. Após realizarem 11 missões sobre a Alemanha a partir de agosto de 1942, o Red Gremlin foi escolhido para levar o General Mark Clark para Gilbraltar em sua missão secreta de encontrar-se com a liderança francesa do Norte da África antes da Operação Torch. No mês seguinte, Tibbets e tripulação realizaram o mesmo voo, desta vez transportando Dwight Eisenhower para supervisionar as forças de invasão no Marrocos e Argélia. Poucos dias depois da invasão, o Red Gremlin ainda foi convocado para liderar uma formação de bombardeiros contra o aeródromo alemão em Bizerta, na Tunísia, e destruir os reforços que haviam acabado de chegar.

Após voar 58 missões de bombardeio na Europa e África, Van Kirk retornou aos EUA em junho de 1943, tornando-se instrutor de navegação aérea até receber um convite de Tibbets para juntar-se a ele na distante base aérea de Wendover Field, Utah, no fim de 1944. Lá estava sendo formado o 509º Grupo Composto, uma unidade especial que voaria os novos Boeing B-29 Superfortress modificados para carregar uma nova arma - que ainda era um mistério para todos. O coordenador militar do Projeto Manhattan, General Leslie Groves, exigiu que somente os melhores aviadores em cada função fossem convocados para integrar o 509º Grupo, e dessa maneira Tibbets, Ferebee e Van Kirk mais uma vez reviveram sua parceria. Em junho de 1945, o grupo foi transferido para Tinian, nas Ilhas Marianas, prosseguindo com o treinamento em zona de combate sobre o Japão. Em 16 de julho, após o teste bem-sucedido da primeira bomba atômica nos EUA, os dois primeiros dispositivos foram enviados por mar para Tinian, e o sinal verde foi dado para o primeiro ataque, contra a cidade de Hiroshima, no dia 6 de agosto.

Na madrugada do dia 5 para 6, o Capitão Van Kirk e os tripulantes adentraram o B-29 Enola Gay, com o dispositivo atômico "Little Boy" no compartimento de bombas. Após passar sobre Iwo Jima às 6:07h da manhã, Van Kirk passou a trabalhar em comunicação com Ferebee para ajustar a trajetória do B-29, ao mesmo tempo em que recebia informações meteorológicas sobre o alvo. Após chegar à Hiroshima às 9h, Ferebee assumiu o comando e lançou a bomba atômica sobre o ponto zero predeterminado, e o dispositivo explodiu às 9:15h da manhã, destruindo a cidade.

Após voltarem a Tinian naquela tarde, Van Kirk permaneceu em espera até o fim da guerra. Em julho do ano seguinte, ele ainda participou da Operação Crossroads, com a detonação de dois artefatos nucleares no Atol de Bikini. No mês seguinte, ele passou para a reserva na patente de Major.

Ele graduou-se em Engenharia Química em 1950, e trabalhou na DuPont nos 35 anos seguintes, tornando-se gerente de pesquisas na empresa. Nos últimos vinte anos Dutch Van Kirk tornou-se figura conhecida em eventos aeronáuticos pelos EUA, bem como em documentários televisivos.

Com a morte de Morris Jeppson em 2010, Van Kirk tornou-se o último tripulante do Enola Gay ainda vivo. Fecha-se agora o capítulo da primeira missão atômica da história.

Van Kirk, Tibbets e Ferebee em treinamento com o 509º Grupo Composto. Utah, 1945.

Van Kirk (centro) e Tibbets (primeiro plano) em Tinian, verão de 1945.

Dutch Van Kirk.


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