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terça-feira, 22 de abril de 2014

Nota de Falecimento: Hans-Günther Lange


Hans-Günther Lange
(28/09/1916 - 03/04/2014)

Faleceu no último dia 3 de abril em Kiel, na Alemanha, de causas naturais aos 97 anos de idade, o ganhador das Folhas de Carvalho para a Cruz do Cavaleiro, Fregattenkapitän Hans-Günther Lange.

Nascido em Hanover, Lange terminou seus estudos e ingressou na Academia da Kriegsmarine em 3 de abril de 1937, completando o treinamento em maio de 1938 e sendo declarado Leutnant zur See em 1 de agosto de 1939. Em 1 de novembro daquele ano, Lange foi designado Oficial de Observação a bordo do torpedeiro Jaguar, com o qual cumpriu diversas missões ofensivas nas águas do Mar do Norte contra a navegação Aliada.

Lange ganhou preciosa experiência durante quase dois anos a bordo do torpedeiro, até setembro de 1941, quando conseguiu ser transferido para a Ubootwaffe, a arma submarina da Kriegsmarine. Após dois meses de treinamento, ele foi feito Oficial de Observação do U-431, do Kapitänleutnent Wilhelm Donnes, quando esse barco partiu de St. Nazaire, na França, para realizar a perigosa travessia do Estreito de Gibraltar, tornando-se um dos primeiros submarinos alemães a operar no Mediterrâneo, aportando com segurança em La Spezia, no norte da Itália, em 20 de dezembro. Durante suas patrulhas com o U-431 em 1942, Lange tomou parte em ações que resultaram no afundamento de diversos navios, até que foi enviado para o Curso de Formação de Comandantes da 24ª Flotilha, em julho daquele ano. Em setembro, Lange assumiu o comando do novo U-711, submarino Tipo VIIC, com o qual  - após um período de treinamento - partiu em patrulha para o Ártico em 25 de março de 1943. A zona de operações do Mar de Barents era recheada de importantes alvos, na forma dos comboios Aliados de auxílio à União Soviética para os portos de Murmansk e Arkhangelsk. Após completar 8 patrulhas nas gélidas águas do círculo polar, o Kapitänleutnant Lange foi agraciado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 26 de agosto de 1944.

Em 9 de fevereiro de 1945, Lange partiu para sua décima patrulha no Ártico. Na costa norte da Finlândia, no dia 17 daquele mês, Lange localizou no periscópio a corveta britânica HMS Bluebell, que fazia uma busca por submarinos inimigos na área. Colocando o U-711 em posição de ataque, Lange disparou um torpedo acústico que atingiu em cheio a popa do navio, causando uma violenta explosão. O torpedo fizera detonar as cargas de profundidade que a Bluebell carregava, fazendo-a afundar em apenas 30 segundos.

Em 15 de abril, Lange partiu do porto norueguês de Harstad para sua 12ª e última patrulha, mais uma vez no Ártico. No dia 29 de abril, ele recebeu pelo rádio a notícia de acabara de tornar-se o 853º soldado da Wehrmacht a ser condecorado com as Folhas de Carvalho para a Cruz do Cavaleiro. Aportando de volta em Harstad em 2 de maio, Lange viu seu U-711 ser atacado por aeronaves britânicas no dia 4, cujas bombas levaram-no a pique pouco depois. Com o fim da guerra, ele passou para o cativeiro britânico, sendo libertado apenas três meses depois.

Em outubro de 1957 Lange reingressou na nova Bundesmarine, tomando parte na reconstrução da arma submarina alemã dentro da OTAN. Ele assumiu o comando do 1º Ubootgeschwader (1º Esquadrão de Submarinos) e em janeiro de 1964 tornou-se o comandante de toda a força de submarinos. Hans-Günther Lange aposentou-se em 1972, na patente de Fregattenkapitän.

Com sua morte, restam vivos somente dois ganhadores da Cruz do Cavaleiro pela Kriegsmarine: Reinhard Hardegen e Alfred Eick. O número de ganhadores vivos das Folhas de Carvalho reduziu-se para 11.

Hans-Günther Lange.

Kapitänleutnant Lange, Harstad, Noruega, maio de 1945.

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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Oportunidade: Hawker Tempest à venda



Quer ser o dono de um épico Hawker Tempest II? Pois saiba que há um exemplar à venda na Grã-Bretanha, a poucos passos das condições de voo.

E você pode ser o dono dele pela bagatela de 650 mil libras esterlinas - o equivalente a 2,4 milhões de reais.

Segundo o proprietário atual, Matthew Bolshaw, o Tempest passou por uma extensiva restauração, que levou anos e já custou-lhe cerca de meio milhão de libras. Faltam agora apenas alguns detalhes e trabalhos menores para que o caça possa decolar novamente. O motor da aeronave está atualmente nos EUA para retífica.

O Hawker Tempest foi o resultado de um processo de melhoria das deficiências de voo em alta velocidade de uma aeronave anterior, o Hawker Typhoon. A asa do Tempest assumiu uma forma elíptica, o que eliminou os sérios problemas de vibração que o Typhoon apresentava em grandes velocidades.

Os interessados na compra podem checar o produto aqui.

Hoje há apenas 8 exemplares do Hawker Tempest no mundo todo: 5 na Grã-Bretanha, 1 nos EUA, 1 na França e 1 na Índia.

Meus agradecimentos ao amigo Gilberto Ziebarth Jr. pela dica.

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terça-feira, 25 de março de 2014

Nota de Falecimento: Joel Paris


Joel Paris
(07/12/1922 - 09/03/2014)

Faleceu no último dia 9 de março em Alpharetta, Georgia, nos EUA, de causas naturais aos 91 anos de idade, o ás norte-americano Major-General Joel Benjamin Paris III.

Nascido em Atlanta, Georgia, Joel estou na Tech High School e, após formar-se, ingressou na Universidade Estadual da Georgia. Contudo, pouco depois, no dia do seu aniversário de 19 anos, chegou-lhe a notícia de que os japoneses haviam atacado a base naval americana em Pearl Harbor, no Havaí - trazendo seu país para a Segunda Guerra Mundial. No começo de 1942, Joel decidiu alistar-se na USAAF, para lutar como piloto de caça.

Terminando o treinamento de voo e a especialização em caça, Joel foi comissionado 2º Tenente em fevereiro de 1943, sendo então enviado para o Pacífico junto à 7ª Esquadrilha do 49º Grupo de Caça da 5ª Força Aérea, que na época voava o Curtiss P-40N Warhawk. Joel chegou ao quartel-general da unidade na Nova Guiné e imediatamente iniciou missões de proteção de Port Moresby, realizando missões de escolta de bombardeiros e transportadores, ataques às instalações inimigas, linhas de suprimento e concentrações de tropa. Em seguida, Joel participou da ofensiva que empurrou os japoneses para trás na Trilha de Kokoda e da reconquista de toda a Nova Guiné.

Neste período ele abriu seu escore contra as aeronaves japonesas, estando constantemente envolvido nas "zonas quentes" de combate. O 49º Grupo de Caça se tornou a mais bem-sucedida unidade de caça do Pacífico, e dessa maneira era sempre destinada às missões mais perigosas. Desta maneira, em setembro de 1944 o grupo foi completamente reequipado com o caça de longo alcance Lockheed P-38 Lightning, para dar apoio direto à invasão americana das Filipinas. Após dar apoio à invasão de Luzon, Joel, já promovido a Capitão, chefiou um grupo de P-38s que deu apoio à invasão da ilha filipina de Mindanao. No dia 20 de dezembro de 1944, nos comandos de seu P-38 Georgia Belle, e acompanhado de outros dois Lightnings, ele escoltou um Consolidated PBY-5 Catalina até a zona de desembarque na ilha, quando foi repentinamente atacado por um grupo de 10 Mitsubishi A6M Zero, que mergulharam na formação americana da direção do sol. Ainda no choque do ataque surpresa, Joel recebeu uma rajada de canhão 20mm e metralhadora 12,7mm na cabine, ferindo-o e estilhaçando o canopy, seus fones de ouvido e o painel de instrumentos. Mesmo nessa situação, ele imediatamente deu a volta e iniciou a perseguição aos seus algozes. Colocou-se na cauda de um dos japoneses e destruiu o caça inimigo com uma rajada precisa. Em seguida, Joel ajudou um de seus alas, que estava sob ataque de um Zero, derrubando mais uma vítima. Após um terceiro abate provável, os inimigos interromperam o ataque e fugiram, e os Lightnings retornaram à escolta do Catalina, que permaneceu intocado.

Até o fim da guerra, o 49º Grupo de Caça permaneceu nas Filipinas em apoio às tropas americanas no solo, sendo condecorado com a Presidential Unit Citation. Joel Paris voou 167 missões operacionais durante a guerra, terminando o conflito com 9 vitórias aéreas confirmadas e mais 7 prováveis.

Nas décadas seguintes ele serviu em diversas posições na Guarda Nacional da Georgia e na assessoria de estado maior, seja no Comando Aéreo Tático ou na Chefia de Estado-Maior de Operações da Força Aérea. Aposentou-se em 1975 na patente de Major-General, tendo acumulado mais de 5.000 horas de voo em diversos modelos de aeronaves.

Ele deixa esposa, 5 filhos e muitos netos e bisnetos.

Joel Paris e o Georgia Belle nas Filipinas, 1945.

General Joel Paris (dir) com o governador da Georgia, Lester Maddox (esq), 1973.

"Lightning Over Mindoro", do artista Marc Stewart, ilustrando uma das vitórias de Joel em 20 de dezembro de 1944.

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sexta-feira, 21 de março de 2014

Novidades na restauração do B-29 "Doc"



A equipe de restauração trabalhando em Wichita, Kansas, que está restaurando de volta às condições de voo o Boeing B-29 Superfortress conhecido como Doc está fazendo um gigantesco esforço para completar os trabalhos na aeronave. O time quer que Doc realize seu primeiro voo no próximo mês de junho

Como pode ser visto nas imagens, os motores já estão quase prontos para serem instalados, com um deles já montado na asa esquerda. Este motor está atualmente passando pelo processo de instalação do sistema de exaustão. 

Em outra parte, mais complexa, os cabos de controle do leme, ailerons e profundor estão quase totalmente instalados. A estação do engenheiro de voo logo atrás do cockpit também está recebendo grande atenção devido à vasta instrumentalização e cabeamento que passa pelo local. 

Quando pronto, Doc será o segundo B-29 em condições e voo no mundo – seguindo seu predecessor Fifi

Fonte: Warbird News, 12 de março de 2014. 

Cabos de controle da aeronave já estão quase todos instalados.

Um voluntário instala instrumentos na estação do engenheiro de voo.


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terça-feira, 18 de março de 2014

Nota de Falecimento: Hermann Schleinhege


Hermann Schleinhege
(21/02/1916 - 11/03/2014)

Faleceu no último dia 11 de março em Soest, na Alemanha, de causas naturais aos 98 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, Leutnant Hermann Schleinhege.

Nascido em Essen, no oeste da Alemanha, Schleinhege cumpriu seu período obrigatório no RAD e ingressou na Luftwaffe, realizando seu treinamento ainda no período de paz, o que gerou-lhe um elevado número de horas de voo antes de ser declarado piloto de caça. Com a mobilização em massa que se seguiu ao início da guerra, ele tornou-se instrutor de voo, e permaneceu nessa importante posição até abril de 1942, quando finalmente foi enviado para uma unidade de linha de frente.

Naquele mês, o Unteroffizier Schleinhege se apresentou à 6ª Staffel do Jagdgeschwader 54 "Grünherz", então operando na área de Leningrado, no setor norte do front leste. O início de sua carreira operacional foi bastante lento, e somente em 9 de agosto de 1942 ele abriu seu escore, contra um reconhecedor biplano Polikarpov R-5. Apesar de derrubar outras três aeronaves naquele mês, Schleinhege levou outros quatro meses até derrubar sua quinta vítima, um Lavochkin-Gorbumov-Gudkov LaGG-3, em 7 de janeiro de 1943, tornando-se um ás. Ele seguiu conseguindo ampliar lentamente sua lista de abates até maio de 1943, quando sua carreira tomou uma guinada: Schleinhege foi transferido para o Geschwaderstab do JG 54, a unidade de voo do estado-maior. Tornando-se ala do comandante, o experiente Oberst Hannes Trautloft (58 vitórias), ele passou a voar com a elite da unidade, inevitavelmente vendo suas próprias habilidades de caça melhorarem consideravelmente. Durante o segundo semestre de 1943, quando o comando do JG 54 passou para o Major Hubertus von Bonin (78 vitórias), Schleinhege acumulou 30 abates, sendo condecorado com a Cruz Alemã em Ouro em 22 de março de 1944.

Após abater sua 37ª vítima, um Yakovlev Yak-9, em 4 de abril, Schleinhege foi enviado para a retaguarda, para treinamento na escola de oficiais. Comissionado Leutnant em agosto daquele ano, ele retornou aos combates no comando de um Focke-Wulf Fw 190, desta vez junto à 4ª Staffel do JG 54, em Riga, na Letônia. Schleinhege continuou colecionando uma série impressionante de vitórias contra a Força Aérea Soviética, culminando em 9 de outubro, quando derrubou dois Bell P-39 Airacobra e dois Ilyushin Il-2 Sturmovik naquele dia, suas vitórias de número 58 a 61.

Em outubro de 1944 o JG 54 se tornou uma das unidades aéreas que permaneceram dando apoio às forças alemãs cercadas no Bolsão da Curlândia, que permaneceria ativo na retaguarda soviética até o fim da guerra. Lá, Schleinhege recebeu o comando da 8ª Staffel em novembro, terminando o ano com 81 abates em seu registro. Em 28 de janeiro de 1945, como reconhecimento de seu talento como piloto de caça, já com 84 vitórias, Hermann Schleinhege foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro. Ele demonstrou-se um líder de excepcional valor, operando em condições de falta de combustível e peças, enquanto cobria a retirada naval de soldados e civis para portos na Alemanha.

Recuando para as proximidades de Königsberg no fim da guerra, Schleinhege fez seu último voo em 8 de maio de 1945, quando decolou com seu Focke-Wulf - levando dois mecânicos apertados na fuselagem - para Kiel, na Alemanha, escapando da captura soviética e rendendo-se aos britânicos. Ele terminou a guerra tendo voado nada menos que 484 missões operacionais, nas quais obteve um total de 97 vitórias aéreas confirmadas, dentre as quais 38 Sturmoviks.

Ele deixa esposa e dois filhos.

Schleinhege (esq) e o mais prolífico dos seus pilotos na 8ª Staffel: Hugo Broch (81 vitórias). Curlândia, 12 de março de 1945.

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quinta-feira, 6 de março de 2014

Uma homenagem espontânea a um velho soldado



Uma cena emocionante foi registrada no último fim de semana num subúrbio de San Jose, na California. Diversas pessoas participavam de uma corrida atlética em homenagem ao soldado Pat Tillman, natural daquela cidade, que morreu em ação no Afeganistão.

Quando os corredores passaram pela vizinhança de Rose Garden, estava em sua porta, de uniforme e bibico, o veterano Joe Bell, de 95 anos. Ele acenava para os corredores, até que um deles acenou de volta. Foi então que a vizinha Julia Sulek começou a gravar com seu telefone celular, e algo totalmente espontâneo aconteceu.

Um dos corredores saiu do trajeto para cumprimentar o veterano Bell, dizendo "obrigado por seu serviço". Aos poucos, mais e mais corredores repetiram o gesto, até que montes de pessoas se enfileiravam para cumprimentar o surpreso senhor. "Nunca havia recebido esse reconhecimento na minha vida", disse ele. "Me abraçaram, me beijaram e sacudiram minhas mãos. Não sabia que tantas pessoas podiam ser capazes de fazer disso".

Joe Bell nasceu em 1919 e juntou-se ao Exército em 1942, sendo treinado como paraquedista da OSS, executando missões especiais de demolição na África e Itália. Depois da guerra retornou a San Jose, onde casou-se e teve sete filhos.

Hoje, aos 95 anos, é viúvo e vive com um dos filhos. Escuta muito pouco, mas sua mente continua afiada. Faz natação quase todos os dias e é figura frequente no Centro de Veteranos local.

O vídeo de Julia tornou-se viral e em pouco mais de 24 horas já havia ultrapassado 1 milhão de visualizações.

Um momento muito bonito, sem sombra de dúvidas:


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segunda-feira, 3 de março de 2014

Nota de Falecimento: Robert Freiherr von Procházka


Robert Freiherr von Procházka
(06/12/1916 - 20/02/2014)

Faleceu no último dia 20 de fevereiro em Viena, na Áustria, de causas naturais aos 97 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, Major Robert Freiherr von Procházka.

Nascido na cidade tirolesa de Bozen, no antigo Império Áustro-Húngaro (hoje Bolzano, na Itália), Robert veio de uma família da nobreza imperial, com título de Barão (Freiherr). Seu pai era um coronel do Exército durante a Primeira Guerra Mundial. Robert terminou seus estudos e imediatamente tornou-se cadete na Academia Militar da Áustria em 1934, sendo comissionado Leutnant e designado para o 26º Regimento de Artilharia em 1938.

Com a anexação da Áustria pela Alemanha em março de 1938, Procházka foi integrado à Wehrmacht, e tomou parte na invasão da França em 1940, sendo promovido a Oberleutnant logo em seguida. Ele foi então treinado na operação de um novo tipo de arma: o Nebelwerfer 41, de 150 mm. A arma era um lançador de foguetes que podia carregar ogivas de gás, fumaça ou alto-explosivo. No comando de uma bateria do 5º Batalhão Nebelwerfer, Procházka participou da invasão da União Soviética em junho de 1941, sob ordens do 9º Exército no setor central do front. A unidade seguiu como ponta-de-lança do avanço alemão até Moscou, no inverno daquele ano. Sofrendo pesadas baixas na contra-ofensiva soviética de inverno, o Batalhão foi reformado em Vitebsk em abril de 1942, e Procházka foi promovido a Hauptmann. Em setembro daquele ano, sua unidade, com a adição de mais dois outros batalhões, formou o novo 55º Regimento Werfer, e ele recebeu o comando do III Batalhão.

Em março de 1943 o 55º Regimento Werfer foi transferido para a região de Poltava, na Ucrânia, no setor sul do front leste, para reforçar as posições alemãs que haviam recentemente sido alvo de ofensiva inimiga em Kharkov. Em julho, o batalhão de Procházka foi integrado ao 4º Exército Panzer do Generaloberst Hermann Hoth. Com a flagrante derrota em Kursk e a queda de Kharkov em agosto, as linhas alemãs na Ucrânia se desestabilizaram e o Exército Vermelho estava em plena ofensiva para retomar a margem ocidental do rio Dnieper. Posicionado perto da cidade de Krivoi Rog em 14 de novembro, Procházka recebeu ordens de defender o local - um importante entroncamento rodoviário regional - a qualquer custo. Foi quando uma numerosa formação soviética iniciou o ataque à cidade. Divisões do novo 6º Exército, comandado pelo também austríaco General de Artillerie Maximilian De Angelis, defendiam a área. Procházka executou então, com suas três baterias, uma barragem de foguetes que atingiu em cheio o núcleo das forças de ataque inimigas, quebrando-lhes a iniciativa e permitindo à infantaria alemã reter o controle de Krivoi Rog. Por essa ação, o Barão Robert von Procházka foi condecorado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 19 de dezembro de 1943.

Em 1944, Procházka foi transferido para o Estado-Maior do Exército da Reserva e promovido a Major. Em abril de 1945, com o fim da guerra em vista, ele foi capturado pelos americanos.

Após ser libertado, já em 1947 ele integrou a administração federal austríaca, trabalhando por décadas no Ministério de Infraestrutura e Tecnologia, de onde aposentou-se em 1981. Ele deixa esposa, cinco filhos e muitos netos.

Major Robert Freiherr von Procházka.

Nebelwerfer 41, de 150 mm, arma usada por Procházka em Krivoi Rog.

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Nota de Falecimento: Walter Ehlers


Walter Ehlers
(07/05/1921 - 20/02/2014)

Faleceu no último dia 20 de fevereiro em Long Beach, California, EUA, de causas naturais aos 92 anos de idade, o ganhador da Medalha de Honra do Congresso 2º Tenente Walter David Ehlers.

Nascido em Junction City, Kansas, Ehlers terminou seus estudos e imediatamente ingressou no Exército, em outubro de 1940, juntamente com seu irmão mais velho, Roland. Após completar o treinamento, os dois foram designados para o 18º Regimento da 1ª Divisão de Infantaria em Fort Benning, Georgia.

Após o ataque japonês a Pearl Harbor, sua unidade foi totalmente reequipada e enviada para embarque no porto de New York em 1 de agosto de 1942, chegando à Inglaterra uma semana mais tarde. Walter e Roland foram então novamente embarcados, desta vez para tomar parte na Operação Torch - os desembarques Aliados no Norte da África - em 8 de novembro. Após o revés no Passo Kasserine em fevereiro de 1943, a divisão seguiu lutando até a vitória em Túnis. Em junho, Ehlers e seu irmão tomaram parte na invasão da Sicília, desta vez sob comando do 7º Exército do General George Patton. Lá, a 1ª Divisão sofreria pesadíssimas baixas, cerca de metade de seu efetivo de combate, atacando a cidade montanhesa de Troina. Embarcada novamente para a Inglaterra com o fim dos combates na Sicília, a 1ª Divisão começou a ser preparada para o maior desembarque anfíbio da história: a Operação Overlord, nas praias francesas da Normandia.

O Sargento Ehlers, neste período um experimentado veterano de combate, era líder de um grupo de combate que deveria desembarcar na segunda leva em Omaha Beach, 6 de junho de 1944. Porém, quando ficou claro que os soldados da primeira leva estavam paralisados por fogo de metralhadora dos alemães, sua unidade foi transferida para um barco Higgins e imediatamente enviada à praia para dar reforço. Ehlers conseguiu com muita dificuldade conquistar seu setor em Omaha e sair da areia, estabelecendo o primeiro perímetro. Seu irmão Roland morreu naquele dia, quando o barco em que se encontrava foi atingido em cheio por um morteiro inimigo.

Em 9 de junho, já tendo avançado cerca de 13 km continente adentro, nas proximidades de Goville, Ehlers encontrou um ponto de resistência alemão, equipado com diversos ninhos de metralhadora. À frente do restante do regimento, ele investiu com seu grupo contra as armas alemãs, batendo de frente com uma patrulha inimiga no caminho. Sob ataque, Ehlers sozinho revidou e matou 4 soldados alemães com seu rifle. Já na mira do ninho de metralhadora, ele engatinhou à frente sob as rajadas e destruiu a arma com granadas. O Sargento Ehlers viu então dois morteiros inimigos, protegidos por fogo cruzado de duas metralhadoras. Incrivelmente, ele liderou seus homens pela tempestade de projéteis e atacou as guarnições dos morteiros, matando mais 3 soldados alemães. Seguindo grudado ao chão em direção à uma última metralhadora, ele pôs-se de pé ao lado da guarnição inimiga, e mesmo sozinho, destruiu-a. No dia seguinte, após ter feito um grande avanço, seu pelotão viu-se na mira de mais morteiros e armas automáticas alemãs, recebendo ordens de recuar. Junto com seus soldados, Ehlers manteve a cobertura de fogo que permitiu o recuo do restante do pelotão. Já seriamente ferido na perna direita, ele ainda carregou um de seus soldados feridos através de uma chuva de morteiros até as posições de retaguarda, recusando tratamento médico para si próprio e continuando a comandar o grupo. Por suas corajosas e determinadas ações em Goville, mostrando um impetuoso espírito combativo, o Sargento Ehlers foi condecorado com a Medalha de Honra do Congresso em 19 de dezembro de 1944, sendo também promovido a 2º Tenente.

Sua divisão continuaria em ininterrupto combate, entrando na Alemanha em setembro de 1944, participando da Batalha das Ardenas, rompendo a Linha Siegfried, cruzando o Reno e chegando à Tchecoslováquia no fim da guerra em maio de 1945.

Após a guerra ele aventurou-se pela indústria do cinema, chegando a fazer um pequeno papel como cadete de West Point em "The Long Gray Line", de 1955. Naquele mesmo ano, ele ainda trabalhou na segurança da Disneyland, quando o parque foi inaugurado na California. Posteriormente, Ehlers trabalhou para diversas associações de veteranos de guerra, até aposentar-se. Ele era o último ganhador da Medalha de Honra ainda vivo a ter desembarcado e combatido no Dia-D, e carregou uma bala alemã na perna direita até o fim da vida.

Walter Ehlers deixa a esposa Dorothy, três filhos, 11 netos e dois bisnetos.

Ehlers é condecorado com Medalha de Honra por seu comandante divisional, General Clarence Huebner. Dezembro de 1944.

Ehlers e seu M1 Garand.

Walter Ehlers.


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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Nota de Falecimento: Vasily Petrov


Vasily Petrov
(15/01/1917 - 01/02/2014)

Faleceu no último dia 1 de fevereiro em Moscou, Rússia, de causas naturais aos 97 anos de idade, o Heroi da União Soviética, Marechal da União Soviética Vasily Ivanovich Petrov.

Nascido no vilarejo de Chernolesskoye, perto de Stavropol, Petrov perdeu os pais ainda muito jovem, sendo criado pelo avô. A carreira militar nunca o interessou, e seu sonho era tornar-se professor. Ao completar os estudos, ingressou num instituto pedagógico do qual formou-se em 1937. Ele exerceu a profissão de docente por dois anos, até o governo de Moscou extinguir as carreiras e convocá-lo para o Exército Vermelho em 22 de novembro de 1939. Na primavera de 1941, Petrov estava concluindo um curso de formação de oficiais, sendo comissionado Tenente-Júnior da cavalaria pouco antes do início da Operação Barbarossa.

No front desde o início da invasão alemã à União Soviética, Petrov participou da defesa de Odessa contra forças alemãs e romenas até outubro de 1941, quando foi ferido e evacuado para um hospital em Sochi. Após recuperar-se, assumiu o comando de um pelotão do 193º Regimento da 72ª Divisão de Cavalaria Cossaca de Kuban. A Divisão foi então colocada em combate contra as tropas de Erich von Manstein no Estreito de Kerch, sofrendo pesadas perdas e sendo reformada como 40ª Brigada Motorizada de Rifles. Petrov, já na patente de Capitão, e exercendo a chefia de estado-maior de seu batalhão, foi enviado para impedir a passagem dos alemães por Tuapse, na costa do Mar Negro, onde resistiu bravamente, levando a ofensiva inimiga à uma dura batalha de atrito. Em janeiro de 1943, as tropas soviéticas do Front Norte do Cáucaso lançaram uma ofensiva que culminou na recaptura da capital regional de Krasnodar em 12 de fevereiro. Provando-se um hábil comandante de batalhão, Petrov foi feito oficial-chefe de operações da 38ª Divisão de Infantaria em maio de 1943, participando naquele ano das travessias do Dnieper, Dniester e da libertação de Kiev. Durante a passagem de ano, suas tropas seguiram em ofensiva expulsando os alemães da metade ocidental da Ucrânia, além de adentrar a Moldávia e Romênia. Petrov tomou parte nas operações do Bolsão de Korsun-Cherkassy em janeiro e fevereiro de 1944, sendo promovido a Major pouco depois. Em abril, durante a invasão da Romênia, comandou suas tropas nas batalhas na Transilvânia até a travessia do rio Tisza na Hungria. Em janeiro de 1945, Petrov foi enviado a Moscou para estudar na Academia Militar de Frunze.

Concluindo seus estudos em 1948, ele seguiu diretamente para a Academia Militar de Estado-Maior. Petrov chegou a Coronel em 29 de abril de 1952, ocupando diversos postos de chefia de estado-maior em unidades operacionais do Exército nos anos seguintes. Promovido a Major-General em 9 de maio de 1961, passou a servir no Estado-Maior do Exército. Em junho de 1964, é elevado a comandante do 5º Exército, recebendo a promoção a Tenente-General no ano seguinte. Entre 1966 e 1972 exerce a chefia de estado-maior do Distrito Militar do Extremo Oriente - sendo promovido a Coronel-General em abril de 1970 - assumindo em seguida o comando geral do mesmo distrito. Em 1972, chega ao posto de General de Exército.

Durante a Guerra de Ogaden, entre Somália e Etiópia, em 1977-1978, Petrov foi enviado a Adis Abeba como conselheiro militar do Exército Etíope, sendo encarregado de reorganizar as forças militares do país. Como reconhecimento de sua longa e bem-sucedida carreira militar, na qual desempenhou com eficiência as diversas tarefas que lhe foram dadas, bem como a bem-sucedida missão na Etiópia, o Presidium do Soviete Supremo concedeu ao General Vasily Petrov a Estrela Dourada de Heroi da União Soviética em 16 de fevereiro de 1982.

Em 25 de março de 1983, Vasily Petrov tornou-se o 40º e penúltimo soldado a receber a patente de Marechal da União Soviética, sendo então Comandante-em-Chefe das Tropas Terrestres, cargo que exerceu até 1985. Após a queda da União Soviética em 1991, Petrov atuou como consultor do Ministério da Defesa da Federação Russa.

Com sua morte, resta vivo somente um Marechal da União Soviética, Dmitry Yazov.

Petrov como Comandante-em-Chefe das Forças Terrestres da URSS na década de 1980.

Marechal da URSS Vasily Petrov.

Petrov cumprimenta o Marechal da URSS Sergei Sokolov em seu aniversário de 100 anos. Moscou, 1 de julho de 2011.


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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Nota de Falecimento: Paul Zorner


Paul Zorner
(31/03/1920 - 27/01/2014)

Faleceu no último dia 27 de janeiro em Homburg, na Alemanha, de causas naturais aos 93 anos de idade, o ganhador das Folhas de Carvalho da Cruz do Cavaleiro, Major Paul Anton Guido Zorner.

Nascido no distrito de Roben, em Leobschütz, Alta Silésia, Zorner concluiu seus estudos e ingressou na Luftwaffe em outubro de 1938, recebendo treinamento de pilotagem, que completou em fevereiro de 1940. Em abril, foi comissionado Leutnant e feito instrutor de voo em Zeltweg. 

Em março de 1941, Zorner finalmente foi enviado ao front, nos comandos de um Junkers Ju 52 de uma unidade de transporte - uma das primeiras que cruzou o Mediterrâneo para dar apoio ao novo Afrikakorps de Erwin Rommel. Em agosto, sua unidade foi transferida para a Ucrânia, durante as fases iniciais da Operação Barbarossa. Zorner voaria um total de 162 missões de transporte até outubro, quando foi transferido para a nova arma de caça noturna da Luftwaffe, a Nachtjagd. Após completar o treinamento noturno e ser promovido a Oberleutnant, em julho de 1942 ele foi designado para a 8ª Staffel do Nachtjagdgeschwader 2 em Gilze-Rijen, voando o Junkers Ju 88. Em 6 de dezembro ele recebeu o comando da 2ª Staffel do NJG 3, e abriu seu escore na noite de 17 para 18 de janeiro de 1943, abatendo um quadrimotor Handley-Page Halifax perto de Juist. Em 7 de março ele derrubou sua 5ª vítima e tornou-se um ás, recebendo o comando da 3./NJG 3 no dia 16 daquele mês. Agora voando o Messerschmitt Me 110, Zorner foi abatido num combate diurno contra bombardeiros americanos em 17 de abril, fazendo um pouso forçado perto de Cloppenburg. Na noite de 25 para 26 de julho, logo após derrubar sua décima vítima, ele acidentou-se mais uma vez, desta vez devido a problemas nos motores.

Zorner tornou-se comandante da 8./NJG 3 em agosto de 1943, derrubando três Lancasters sobre Berlim na noite de 23 para 24 de dezembro. Nos primeiros meses de 1944 ele continuou numa espiral contínua de vitórias sobre quadrimotores da RAF em missões noturnas, ganhando a Cruz Alemã em Ouro em 20 de março, quando contava com 35 abates. Na noite de 20 para 21 de abril ele envolveu-se num bem-sucedido combate contra um De Havilland Mosquito britânico, abatendo o rival nas proximidades de Bruxelas. No dia 25 de abril o Hauptmann Zorner foi feito comandante do III Gruppe do NJG 5, e em 9 de junho, após alcançar a marca de 48 vitórias noturnas, foi agraciado com a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro.

Logo depois, sua unidade envolveu-se nos combates noturnos contra os bombardeiros ingleses que davam apoio às operações na Normandia e, na noite de 10 para 11 de junho, Zorner derrubou nada menos que 4 Lancasters que atacavam alvos ferroviários na França. Na madrugada de 25 de julho, ele pôs mais 3 Halifaxes no chão, enquanto esses bombardeavam bases de lançamento de V-1s em Pas-de-Calais. Quando já contava com 58 vitórias noturnas confirmadas em seu currículo, Paul Zorner tornou-se o 588º soldado da Wehrmacht a ser agraciado com as Folhas de Carvalho para a Cruz do Cavaleiro, em 17 de setembro de 1944.

Em outubro ele recebeu o comando do II./NJG 100, mais uma vez equipado com o Junkers Ju 88. Promovido a Major, ele atingiu sua última vitória na noite de 5 para 6 de março de 1945, sobre um Consolidated B-24 Liberator perto de Graz. Zorner rendeu-se aos americanos em Karlsbad, no dia 10 de maio de 1945. Ele havia terminado a guerra com 59 vitórias confirmadas (todas noturnas) em 272 missões de combate (162 de transporte e 110 de caça noturna). Entregue aos soviéticos, ele foi transportado para a Sibéria, somente sendo liberado em 30 de dezembro de 1949.

Após sua libertação, Zorner estudou Engenharia Mecânica na Universidade de Stuttgart, entrando para o ramo de engenharia de refrigeração. Por anos ele trabalhou no ramo de criogenia e serviços para a indústria química. Encerrou sua carreira em 1981, como engenheiro-chefe da fábrica da Hoechst em Frankfurt.

Paul Zorner comemorou seu jubileu de 70 anos de casamento em 12 de outubro de 2013. Ele deixa esposa, três filhos, cinco netos e muitos bisnetos. Com sua morte, restam apenas 12 ganhadores das Folhas de Carvalho ainda vivos.

Meus agradecimentos ao amigo Richard Schmidt pela ajuda.

Paul Zorner e sua esposa Gerda, 1943.

Zorner é homenageado em seu aniversário de 90 anos, Homburg, 31 de março de 2010.

Meu amigo Richard Schmidt em visita a Paul Zorner, Homburg, verão de 2012.

Junkers Ju 88G-6 de Paul Zorner, II./NJG 100, Stubendorf, novembro de 1944.

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